INÍCIO

02 junho 2024

SUSPIRO DA DEMOCRACIA








NÃO DIGAM QUE NÃO FORAM AVISADOS

Fernando Haddad deu uma entrevista ótima para Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo

Haddad fez uma análise muito lúcida e certeira sobre a atual conjuntura: o parlamentarismo sem ônus do Congresso; a falta de responsabilidade fiscal do poder legislativo, que exige déficit zero, mas vota matérias que oneram o orçamento em bilhões; o jogo sujo da extrema-direita que usa armas incompatíveis com a legalidade e a democracia; a necessidade de o governo combater a desinformação, as fake news, ter uma comunicação digital; o alerta de que a extrema-direita está fortalecida e não sumirá no horizonte, vai durar longos invernos, entre outras questões. 

Percebe-se que o governo está muito ciente dos imensos desafios de governabilidade, principalmente com um Congresso parasitário, golpista, que rompeu com a Constituição, assumindo um poder acima do Executivo e do Judiciário, sem ter limites ou mecanismos de responsabilidade por essas transgressões. 

É um assalto aos outros dois poderes, que vivem com o pescoço na guilhotina de PECs arbitrárias que legitimam um poder ilegítimo, sem o aval das urnas (ninguém votou para haver parlamentarismo no Brasil e/ou arthur lira ou rodrigo pacheco se assumirem como primeiro-ministros). 

O parlamentarismo que arthur lira e rodrigo pacheco instauraram, usurpando funções do Executivo, como a prerrogativa de determinar a divisão do orçamento da União e a destinação de verbas, é um crime. 

O Executivo não tem a contrapartida de poder de desfazer o parlamento, como ocorre em países que têm regime parlamentarista. 

E o STF, que seria a instância a, nesse caso, frear essa superpoder legislativo, vive sob a ameaça de impeachment de ministros, de diminuição de seus poderes, num claro golpe parlamentar. 

O pior é que essa disfuncionalidade entre os poderes é tratada somente como erro do governo ou falta de habilidade política, quando deveria ser denunciado e cobrado esse abuso de poder do Congresso. 

Também a militância de esquerda de verdade e o campo progressista mais amplo não têm a dimensão do que enfrentamos e prefere atacar o governo a fazer frente a quem de fato nos sabota e põe em risco este frágil momento de respiro da democracia. 

Ou cai a ficha de que precisamos dar sustentação ao governo e não é hora de sabotagem de cirandeiro, ou o cerco extremista vai reocupar o lugar que perdeu em 2022. 

Infelizmente, já há recuos do Judiciário que, após o 8 de janeiro de 2023, apareceu com mais ímpeto de barrar o extremismo bozofascista. Ministros do STF e jornalistas já se esqueceram do que viveram no governo passado e agem como se estivessem a salvo de nova investida da extrema-direita bozofascista. 

Para piorar, há uma parte do campo progressista apostando na volta dos ovos da serpente de 2013. O sindicalismo de ocasião que hoje aposta na radicalidade da greve dos servidores públicos e professores universitários está em plena campanha para que estudantes saiam às ruas contra o governo. 

Querem reeditar as jornadas de junho de 2013, apregoando que o governo "traiu" a educação e balelas afins. 

Em que pese a legitimidade das reivindicações dos grevistas, a aposta nessa radicalidade demonstra que há interesses escusos de quem comanda o movimento e adere a esse discurso de igualar o governo Lula com o do genocida, de atribuir ao atual governo a responsabilidade pelas consequências da inação desses mesmos servidores, que assistiam passivos seus direitos serem destruídos depois do golpe de 2016. 

Esses oportunistas querem que a vítima - o PT foi golpeado em 2016, Lula foi perseguido e preso - pague pelos crimes de seus algozes. 

Isso é indefensável e cria o ambiente mais do que fértil para que velhos e novos ovos da serpente do bozofascismo eclodam, unindo-se aos monstros da extrema-direita que nos ameaçam por aí.

Não estamos nas duas primeiras décadas do século XXI, em que a conjuntura nacional e internacional ainda não tinha visto o nazifascismo assumir de novo o poder, com a força das big techs para captar o apoio das massas. 

Volto a repetir: ou cai a ficha de que precisamos ser mais pragmáticos em relação a nossa força, ou seremos engolidos por esse extremismo."

Por Palas Atena



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