INÍCIO

15 julho 2023

PENSAMENTOS

Civismo é amar a democracia, 
Patriotismo é amar o povo que constitui a força viva da pátria, 
pois nao existe pátria sem povo!
Civismo é amar a diversidade dos corpos, dos pensamentos e lutar por uma pátria igualitária e fraterna
 para todos e todas.



12 julho 2023

O QUE É SER DE ESQUERDA

O QUE É SER DE ESQUERDA?

Certa vez, perguntaram ao filósofo Gilles Deleuze por qual razão ele nunca foi filiado a um partido, e aproveitaram também para indagá-lo acerca do que é ser de esquerda.

Gilles Deleuze

O filósofo deu mais ou menos a seguinte resposta: 

Antes de ser um posicionamento político-partidário, ser de esquerda expressa o modo como nos inserimos na existência.

A pessoa de direita parte, antes de tudo, do seu ego. Ela vive no interior de um círculo no qual estão seus interesses, suas propriedades (já possuídas ou apenas desejadas), suas ambições, suas pretensões, suas opiniões... Mas também ocupam o círculo estreito do ego, seus medos, seus ressentimentos, seus fantasmas, suas feridas mal curadas...

O homem de direita imagina que esse círculo estreito é o centro do mundo, de tal modo que tudo o que existe fora desse círculo, no espaço e no tempo, é para ele só “narrativa”. Daí seu desprezo pela ciência, pela história, pela sociologia e pela filosofia, e seu medo paranoico dos outros povos e suas maneiras diferentes de viver, medo esse traduzido na expressão “globalismo comunista”.

Pode parecer paradoxal, mas apenas seres que vivem num círculo existencial estreito adaptam-se a existirem no interior de um rebanho ou massa. Pois rebanho não é um conjunto heterogêneo de singularidades, rebanho são indivíduos aprisionados a si mesmos e que se agregam em celas contíguas.

Ser existencialmente de esquerda, ao contrário, é partir daquilo que Espinosa chama de o Absolutamente Infinito. A percepção de esquerda se abre ao que não pode ser cercado ou contido, para que a mente e o coração ligados a tal percepção permaneçam sempre abertos.

É a partir do infinito aberto que o ser existencialmente de esquerda compreende que desse infinito fazem parte o cosmos, o nosso planeta, as outras nações, o nosso país, a nossa cidade, o nosso bairro , o outro e, enfim, a sua pessoa.

Ser de esquerda é não se colocar como primeiro ou último numa concorrência, mas como parte singular de realidades mais amplas e horizontadas (como ensina também Manoel de Barros).

Ser de esquerda não é apenas compreender teoricamente isso, mas sobretudo agir a partir dessa percepção. E dessa percepção podem nascer não apenas ações empáticas, solidárias, generosas, dignas, justas, corajosas e revolucionárias, pois dessa percepção também podem nascer poemas, músicas, artes e educação não menos revolucionárias.


ESQUERDA DESDE CRIANCINHA

Texto de Amanda Talhari (1)

Antes das habituais reflexões, a gente quer apresentar o que entendemos sobre o que é ser de esquerda. O filósofo Gilles Deleuze, em sua série O Abecedário, tem uma fala lindíssima sobre a forma como podemos ver o mundo. E como direita-esquerda nem tem a ver, de fato, com partido ou governo. É política sim, na medida em que é um jeito ativo de existir no mundo, que pode construir mundo, desconstruir mundo, ou destruir.

Curioso que toda vez que a gente vai pegar esse video ele sumiu das plataformas de streaming… Não me admira que seja derrubado, porque em sua fala singela é revolucionária. Como é um vídeo quase impossível de achar, a gente transcreveu boa parte dele enquanto tivemos acesso a um link da entrevista da letra G, de Gauche (esquerda em francês).

Começa com uma pergunta do entrevistador Claire Parnet:


“O que é ser de esquerda pra você?”

“Acho que não existe governo de esquerda (…) não é que não existam diferenças nos governos, o que pode existir são alguns governos favoráveis a algumas exigências da esquerda. Mas não existe governo de esquerda, pois a esquerda não tem nada a ver com governo. Se me pedissem para definir o que é ser de esquerda, ou definir a esquerda, eu o faria de duas formas.

Primeiro, é uma questão de percepção.

A questão de percepção é a seguinte: o que é não ser de esquerda? Não ser de esquerda é como um endereço postal. Parte-se primeiro de si próprio, depois vem a rua em que se está, depois a cidade, o país, os outros países e, assim, cada vez mais longe. Começa-se por si mesmo e, na medida em que se é privilegiado, em que se vive em um país rico, costuma-se pensar em como fazer para que a situação perdure. Sabe-se que há perigos, que isso não vai durar e que é muita loucura. Como fazer para que isso dure? As pessoas pensam “os chineses estão longe, mas como fazer para que a Europa dure ainda mais?”

Parece que tá falando com a gente, né? E olha que isso foi gravado nos anos 70, nem tinha essa globalização de tecnologia, cultura e microorganismos. Ele segue:

E ser de esquerda é o contrário. É perceber, dizem que os japoneses percebem assim, não veem como nós, percebem de outra forma. Primeiro eles percebem o contorno. Começam pelo mundo, depois o continente, europeu, por exemplo, depois a França, até chegarmos à Rue de Bizerte e a mim. É um fenômeno de percepção. Primeiro, percebe-se o horizonte (…). E sabe que não pode durar, não é possível. Que milhares de pessoas morram de fome, isso não pode mais durar, não é possível esta injustiça absoluta. Não em nome da moral, mas em nome da própria percepção. Ser de esquerda é começar pela ponta. Começar pela ponta e considerar que estes problemas devem ser resolvidos. Não é simplesmente achar que a natalidade deve ser reduzida, pois é uma maneira de preservar os privilégios europeus. Deve-se encontrar os arranjos, os agenciamentos mundiais, que farão com que o terceiro mundo … Ser de esquerda é saber que os problemas do Terceiro Mundo estão mais próximos de nós do que os de nosso bairro. É de fato uma questão de percepção. Não tem nada a ver com a boa alma. Pra mim ser de esquerda é isso.

veja a fala mobilizadora transmitida só nesse olhar

Ou seja, resumão (como se fosse possível fazer isso com Deleuze, perdoa fada madrinha da filosofia e deidade cósmica dos devires): Ser de esquerda é existir enxergando o mundo a partir do todo, enxergando o outro, e querer mudar o status quo. O oposto (arrisco dizer, direita) seria existir enxergando o mundo a partir do próprio umbigo e interesse, e querer manter o status quo. E claro, ambos precisam de um esforço, mas a gente sabe que é muito mais “fácil” nadar a favor da corrente, e pelo menos nas culturas ocidentais não temos memória de como é nadar contra ela. Os efeitos são devastadores (para sociedade, planeta, subjetividades…) mas seguimos achando mais fácil alimentar o capitalismo-umbigocêntrico, quando poderíamos girar e enxergar tudo de outra perspectiva. Como os povos nativos daqui fazem, e tentam avisar.

O mais engraçado, e quando digo engraçado leia-se absurdo e deprimente, é que a gente tá defendendo um sistema com unhas e dentes, perpetuando isso tudo pensando num umbigo que nem é o nosso. Quem se beneficia do pensamento que garante o status quo, pensa no privado e no individual, em detrimento do coletivo? Pois bem. Não são as minorias. E como já discutimos, a minoria é, na real, praticamente todo mundo.

Bom, seguindo a fala desse filósofo, que diz muito melhor o que precisa ser dito:

“E, segundo, ser de esquerda é ser ou devir minoria. Não deixar devir minoritário. A esquerda nunca é maioria enquanto esquerda por uma razão muito simples: a maioria é algo que se supõe, até quando se vota, não é só a maior quantidade que vota para tal coisa mas a existência de um padrão. No ocidente, o padrão de qualquer maioria é: homem, adulto, macho, cidadão. Ezra Pound e Joyce disseram coisas assim. O padrão é esse. Portanto, irá obter a maioria aquele que, em determinado momento, realizar este padrão. Ou seja, a imagem sensata do homem adulto-macho-cidadão. Mas posso dizer que a maioria nunca é ninguém. É um padrão vazio. Só que muitas pessoas se reconhecem nesse padrão vazio. Mas, em si, o padrão é vazio. O homem macho, etc. As mulheres vão contar e intervir nessa maioria, ou em minorias secundárias a partir de seu grupo, relacionado a este padrão. Mas ao lado disso o que há? Há todos os devires que são minoria. As mulheres não adquiriram o ser mulher por natureza. Elas têm um devir mulher. Se elas têm um devir mulher, os homens também o têm. Falamos do devir animal. As crianças também têm um devir criança, não são crianças por natureza. São todos devires minoritários. Só os homens não têm devir homem. Não, pois é um padrão majoritário. O homem, macho, adulto não tem devir. Pode devir mulher e vira minoria. A esquerda é o conjunto de processos de devir minoritário.

Eu afirmo: a maioria é ninguém, e a minoria é todo mundo. Ser de esquerda é isso: saber que a minoria é todo mundo e é aí que acontece o fenômeno do devir.

É por isso que todos os pensadores tiveram dúvidas em relação à democracia, dúvidas sobre o que chamamos de eleições. Mas são coisas bem conhecidas.”

Independentemente da compreensão total dos termos (devir pra cá e devirpra lá), acho que deu para entender o sentimento, né? De forma chula, diria: o jeito de existir do homem-branco não tá bom não. Digo isso sem ódio no coração, e sem apontar dedo em sujeitos. Pois é o jeito e não o sujeito que é o problema. Esse jeito de enxergar o mundo de cima, de se ver superior, de ter seu interesse acima de tudo, de não pensar nas consequências dos seus atos no coletivo e no tempo.

É como uma grande criança mimada, que na hora de estourar o balão cheio de balas quer todas pra si, não se importa em cotovelar olho ou passar rasteira, e quem sabe até terceirizar a coleta de balas pegando dos colegas depois pra não ter trabalho, não se importar de vomitar depois de comer tudo sozinho, não se importar se alguém mais queria ou precisava. Essa pessoa não se importa porque nem parou pra pensar nisso, muitas vezes não tá nem no campo de visão nem na capacidade de compreensão. Outras vezes sabe-se muito bem o que se faz, mas o Eu é muito mais importante. É um jeito muito narcisista de existir.

Lembro que eu adorava esse momento nos meus aniversários, de estourar o balão-pinhata. A adrenalina, o riso coletivo, o olho de águia pra achar as balas que você gosta… Ninguém entendia porque eu corria pra pegar as balas e depois distribuía a maior parte. Acho que sou meio de esquerda desde criancinha. Mas, graças a deusa, aprendendo a ser cada vez mais.




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Fonte 

“L’Abécédaire de Gilles Deleuze” (O Abecedário de Gilles Deleuze), produzido por Pierre-André Boutang em 1988–1989. A série consiste em entrevistas conduzidas por Claire Parnet, somando de 8 horas de duração.
















ASHERAH A DEUSA QUE O PATRIARCADO MATOU

I

ASHERAH, A DEUSA QUE O PATRIARCADO MATOU
Quem era a divindade Asherah, a esposa de Deus

Segundo relata a história, os antigos israelitas praticavam politeísmo, adorando várias divindades, incluindo a deusa Asherah. Yahweh, também conhecido como Javé, era só mais uma dessas divindades. Entretanto, com o exílio dos judeus para Babilônia e a destruição do Templo de Jerusalém em 586 a.C., essa visão politeísta começou a mudar.



Representações de Asherah (Google imagens)

Asherah, Partner of Yahweh 

But who was Asherah to the ancient Israelites? And why is she often found paired with Yahweh, the Hebrew god? Historians and archaeologists have pieced together Asherah’s narrative and found large chunks of it interwoven in the artifacts from the region and in the scriptures of the Hebrew Bible itself. Evidence suggests that Asherah was observed in ancient Israel and Judah as early as the 12th century BC, to a few decades before the fall of the southern kingdom of Judah (587-588 BC), a time known as the pre-exilic period.

(…)

Yahweh and his Asherah 

As much as the ruling elite tried to inhibit Asherah and Yahweh’s “marriage,” their union appears solidified in an ancient blessing seen with some regularity at a number of excavation sites in the region. The inscription reads: “I have blessed you by Yahweh....and his Asherah.” Not only was this engraving found in the 9th-8th century BC Israelite caravanserai, Kuntillet Ajrud, the same text was found in a number of sites thought to be Yahweh sanctuaries, such as in Samaria, Jerusalem, Teman, and in the Biblical kingdom of Judah, at the ancient burial site of Khirbet el-Qom, dating to 750 BC.

(…)

Os israelitas tinham um deus que só eles seguiram. Mas isso não quer dizer que esse foi seu único deus desde o início. A própria Bíblia deixa claro que muitas vezes o povo escolhido traiu a seu deus por outros deuses. O próprio rei Salomão terminou a vida criando templos a deuses cananeus: Quemós e o infame Moloque (1 Reis 11:7). 

Mas não é a única dica que a Bíblia dá de que os israelitas nem sempre viram seu deus como único. O principal deus do panteão cananeu era El, e sua esposa era Asherah. Entre os judeus, a palavra El se tornou o termo genérico para deus, usado para se referir ao próprio deus da Bíblia, em versões como EI Shaddai (Deus todo-poderoso, Gênesis 17:1) ou o quase suspeitamente politeísta Elohim (Deus dos deuses).(aventura)




Asherah a companheira de Deus 

“Se Asherah for a mulher de Deus, isso seriamente compromete as bases do monoteísmo”, diz pesquisadora britânica ao comentar sobre a personagem controversa.

A pesquisadora Francesca Stavrakopoulou ao lado de uma imagem de Asherah

No livro do profeta Jeremias, parte do Antigo Testamento da Bíblia e possivelmente escrito no século 7 a.C., há curiosas menções a uma “rainha dos céus”. Especialistas contemporâneos acreditam se tratar, na verdade, de uma divindade antiga que foi cancelada com o advento do monoteísmo patriarcal: Asherah, a esposa de Javé. 

A história se torna ainda mais interessante quando contextualizamos que Javé é justamente o Deus judaico-cristão, ou seja, aquele que “sobreviveu” das antigas mitologias medio-orientais para se tornar a divindade única do monoteísmo. Em outras palavras, Asherah seria então a mulher de Deus. 

Defensora desta tese, a teóloga britânica Francesca Stavrakopoulou, professora na Universidade de Exeter, fez um documentário sob o tema, exibido pela BBC. “Se Asherah for a mulher de Deus, isso seriamente compromete as bases do monoteísmo”, diz ela, no programa.

No vídeo, ela promove uma investigação sobre o tema, ouvindo especialistas e mostrando a presença da deusa em escrituras e esculturas do mundo antigo. Na Bíblia hebraica, o nome Asherah aparece 40 vezes, mas, na maior parte das versões traduzidas, o termo foi suprimido e substituído. 

É o caso do trecho, constante no livro dos Juízes, em que está escrito que “os filhos de Israel fizeram o que é mau aos olhos do Senhor: eles se esqueceram do Senhor, seu Deus, e serviram aos Baalim e às Asherás” — este excerto é a versão da Tradução Ecumênica Bíblica. 

O que era uma deusa, Asherá, acabou reduzido às estatuetas da deusa, o que justificaria o plural. Mas a metonímia se torna ainda mais redutora em outras versões, como na tradução Almeida Revisada Atualizada, em que Asherá é substituída por “poste-ídolo”. 

Na famosa tradução para o inglês conhecida como Authorized King James Version, o mesmo trecho usa o termo “groves” (bosques) no lugar de Asherá. 


Objetificação para configurar idolatria

Stavrakopoulou identifica isso como um padrão no Antigo Testamento: a substituição de menções originalmente atribuídas à mulher de Deus por simplificações que configuravam idolatria ou elementos da natureza, sobretudo “árvore”, “árvore da vida” e “bosque”. 

“A arqueologia hoje mostra que Asherá não foi sempre um objeto”, afirma a pesquisadora, no documentário. “Ela foi uma poderosa divindade, a mulher do Deus chefe El”.

À BBC News Brasil, por e-mail, a pesquisadora definiu Asherah como “o antigo nome hebraico de uma importante deusa adorada em várias culturas levantinas [Levante é uma ampla área do Oriente Médio] no segundo e primeiro milênios a.C.” Ela ressalta que o conhecimento que temos dela é maior a partir da cidade-estado de Ugarit, onde hoje é a Síria, no final da Idade do Bronze. 

“Ela era a mãe dos deuses e consorte do deus-supremo, El”, pontua ela. “Antigas inscrições hebraicas do século 8 a.C. a associam a Javé, a divindade patrona do antigo Israel e Judá. Essas inscrições sugerem que ela era uma deusa protetora, concedendo bênçãos divinas aos adoradores, e que ela desempenhou um papel crucial na mediação entre os humanos e o deus-supremo Javé”, completa. 

Para os cananeus, El era o deus criador. E pesquisadores contemporâneos acreditam que o Deus bíblico, Javé, seja a fusão de deuses de mitologias antigas, inclusive El, no processo de monoteização.

“A Bíblia usa a palavra Asherah e a sua forma plural, asherim, várias vezes. O termo é limitado à literatura que foi composta durante e após o reinado de Josias, no fim do século 7 a.C., e aparece de duas maneiras diferentes”, explica à BBC News Brasil o teólogo americano Daniel McClellan, cujo mestrado foi sobre estudos judaicos na Universidade de Oxford. 

“Uma das formas de uso é em referência à deusa, mas este não é o uso mais comum da palavra. A maior parte do uso é em referência a uma imagem divina, um ídolo, que pode ter sido representado ou se assemelhado a uma árvore. Este fato resulta, provavelmente, da associação feita entre a deusa Asherah, na arte, com árvores.”

Stavrakopoulou lembra que, embora a Bíblia “frequentemente se refira a Asherah”, isso costuma ocorrer “quase sempre em termos negativos”. “Ela é lançada como uma divindade ‘estrangeira’, adorada tanto por cananeus quanto por israelitas idólatras e judaítas [referente aos habitantes de Judá], vilipendiados por criar imagens ou objetos sagrados que manifestam sua presença”, contextualiza, lembrando que “essas imagens e objetos também recebem o nome de ‘asherah’”. 

“A maioria dos estudiosos concorda que o retrato bíblico de Asherah é deliberadamente distorcido e depreciativo, e que ela provavelmente era adorada como um membro importante de um antigo panteão israelita e judaico, no qual Javé desempenhou um papel de liderança”, acrescenta a teóloga. 

McClellan situa as origens da divindade na Idade do Bronze (de 3300 a 1200 a.C.), entre o povo hurrita, que habitou parte da Mesopotâmia até os séculos 14 ou 13 a.C. De lá, segundo o pesquisador, o culto se espalhou para a antiga Ugarit, a Anatólia (hoje, Turquia), a Fenícia “e o território atualmente ocupado por Israel e Palestina”. 

“Ela foi identificada como a consorte ou parceria das altas divindades Anu, da Mesopotâmia, e El, do mundo semítico ocidental, desempenhando assim um papel significativo nos panteões do antigo sudoeste asiático”, complementa ele. “Estava associada à fertilidade e à guerra e, nos primeiros anos de sua existência, estava associada ao mar e à pesca.”

A ideia de Asherah como mulher de Deus se confirma por achados arqueológicos que vão além de sua representação imagética. Conforme conta McClellan — e também mostra Stavrakopoulou no documentário —, antigas inscrições hebraicas foram descobertas em escavações com textos que mencionam Javé “e a sua Asherah”. 

“Uma dessas inscrições foi escrita diretamente sobre um desenho de divindades masculinas e femininas com braços entrelaçados”, relata ele. O teólogo afirma que “é provável que Asherah também fizesse parte do primeiro panteão israelita”. 

Essas descobertas arqueológicas começaram a ocorrer a partir dos anos 1950. “E o que se encontrou mostra que ela foi uma figura central nesse judaísmo antigo”, comenta à BBC News Brasil o pesquisador Thiago Maerki, estudioso de textos antigos e membro da Hagiography Society, dos Estados Unidos.

“Nos anos 1960, foram descobertas estátuas quebradas, representando mulheres, perto do Templo de Salomão, em Jerusalém. Acredita-se que o fato de elas estarem juntas seja o indicativo de que foram ali depositadas quando houve a determinação, por parte do rei, da destruição de todas as representações de Asherah”, diz Maerki.

A deusa proibida

Segundo a teóloga Stavrakopoulou, as “tentativas de distorcer e difamar” a deusa provavelmente começaram na segunda metade do primeiro milênio a.C, “depois que o templo de Jerusalém foi temporariamente destruído pelos babilônios em 587 a.C.”. 

“À medida que o templo foi reconstruído, o mesmo aconteceu com a adoração a Javé: e Javé tornou-se um deus intolerante com todas as outras divindades, incluindo a deusa Asherah”, comenta ela. 

Nesse processo, segundo sua explicação, Javé “assumiu os papéis de outras divindades”. Ao mesmo tempo em que a religião se “masculinizaria”, com a ideia de que “havia apenas um deus, e ele era homem”, Asherah passou a ser tratada como “uma divindade falsa ou ilegítima” e sua adoração passou a ser tachada como “primitiva”. 

Em artigo intitulado "Asherah: a deusa proibida", publicado em 2007 na Revista Aulas, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a teóloga Ana Luisa Alves Cordeiro explica como apagamento de Asherah se deu durante o processo de transformação das religiões politeístas em uma crença monoteísta. 

“Reconstruir a presença da deusa Asherah na vida de mulheres e homens no antigo Israel é um esforço de, a partir de uma perspectiva feminista e de gênero, trazer elementos que nos ajudem numa maior aproximação do que foram os espaços religiosos e vitais deste povo”, escreve ela. 

“Esta reconstrução é algo necessário, uma vez que estamos diante de textos sagrados marcados pelo sistema patriarcal, onde há o domínio do pai e quiriarcal, onde há o domínio do senhor.” 

Este processo não ocorreu de uma hora para outra e, ao que tudo indica, passou a ser enfatizado nas escrituras a partir do século 8 a.C., com o profeta Oseias equiparando a adoração de outras divindades que não Javé ao pecado da idolatria. É a partir de então, e sob este contexto, que as menções a Asherah começam a ser ressignificadas na literatura antiga. 

Cordeiro pontua as modificações da representação da deusa ao longo desses séculos, lembrando que, entre 1800 e 1500 a.C., ela costumava ser esculpida como uma deusa-nua, “destacando o triângulo púbico, emergindo também representações em forma de ramos ou pequenas árvores estilizadas, combinação que vem a ser denominada ‘deusa-árvore’. 

Algum tempo depois, essa metáfora arbórea também sofre mudanças, “aparecendo em forma de uma árvore sagrada flanqueada por cabritos ou como um triângulo púbico, que substitui a árvore”. 

“Neste período, já se nota a tendência de substituição do corpo da deusa pelos seus atributos, em especial a árvore”, enfatiza a pesquisadora, destacando que houve “uma mudança decisiva no campo das figuras de material mais precioso: as deusas nuas foram substituídas em grande parte por deuses guerreiros (…).” 

“A deusa continua perdendo representatividade na religião oficial, onde divindades masculinas ganham cada vez mais força, principalmente a partir de características dominadoras e guerreiras”, afirma ela. 

Apesar de evidências históricas desses processo, há ainda uma resistência na aceitação. “A dificuldade ou relutância com que alguns acadêmicos bíblicos encaram a evidência da pluralidade divina (…) pode muito bem refletir, em parte, um choque cultural ou um desconforto decorrente das preferências religiosas e filosóficas das tradições intelectuais ocidentais (…)”, escreve Stavrakopoulou, no capítulo que assina do livro "The Bible and the feminism". 

“O próprio conceito de um ‘Deus’ monoteísta e transcendente, que continua a dominar o discurso cultural ocidental, é o de uma divindade única e solitária de desempenho e envolvimento ‘macro-religioso’ (…).” 

McClellan conta que as tentativas de marginalizar ou apagar Asherah começaram “provavelmente por volta do reinado de Josias”, no século 7 a.C., “que implementou uma campanha de centralização do culto para garantir” um monopólio da fé no templo de Jerusalém. 

Datam desta época livros bíblicos como o do Deuterônomio. “Um dos principais objetivos do Deuteronômio e de outros livros bíblicos que se lhe seguiram, conhecidos como literatura deuteronomista, era eliminar o culto a Asherah”, diz o teólogo. 

A tática principal era associar o nome dela a um ídolo, e não a uma deusa. “Outra era recontar as histórias dos reis que vieram antes de Josias e pintá-los como reis perversos que estavam conscientemente violando a lei quando permitiam a adoração de Asherah”, acrescenta. 

Deu tão certo que, segundo frisa o teólogo, a partir de meados do século 4 a.C. “o judaísmo já havia praticamente esquecido que a deusa Asherá havia feito parte do panteão israelita primitivo”. 

Esse processo foi intensificado com a ajuda do exílio babilônico, ocorrido no século 6 a.C. “A literatura que foi escrita para ajudar Israel a permanecer fiel à sua identidade étnica e ao seu Deus Javé, na sequência dessa crise, ajudaram a reescrever a compreensão que Israel tinha de si próprio”, analisa McClellan. 

“Isso incluiu a vilipendiação do culto a Asherah, que tinha lugar antes do reinado de Josias, e a autocompreensão de Israel avançaria dando prioridade a esse novo entendimento do papel de Javé como objeto exclusivo do culto israelita.” 

O teólogo conclui que “a continuação do culto a Asherah não teria qualquer chance em tal ambiente”. 

“Nesse contexto patriarcal, a figura de Javé se torna símbolo da representação do sagrado masculino, que de fato justificaria a dominação masculina em vários aspectos sociais, econômicos, religiosos e políticos”, contextualiza Maerki. 

“A gente pode dizer que a religião oficial de Israel vai adquirir uma identidade unicamente masculina e o feminino, assim como a deusa Asherah, vai para o plano secundário.” 

Uma sociedade que privilegia o masculino

Talvez estejam aí as raízes da sociedade patriarcal que se formaria no Ocidente, afinal. 

“O apagamento de Asherah e o surgimento dessa cultura mais centrada na figura de um Deus masculino é, apesar de distante da nossa época e da nossa realidade contemporânea, algo que tem muito a dizer simbolicamente sobre as relações entre homens e mulheres no nosso mundo”, reflete Maerki. 

“Porque vivemos em um mundo marcado pelo machismo, pela centralidade do homem, e pela luta das mulheres cada vez mais por igualdade.” 

“Quando a gente vê o apagamento da deusa, estamos pensando naquilo que seria o início de uma cultura patriarcal que, depois, imperaria no mundo”, completa. 

Mas é uma história que vem sendo revisitada e reescrita. Como comenta Stavrakopoulou em seu texto, “mais recentemente, a maior parte dos estudiosos bíblicos e historiadores das antigas sociedades israelitas e judaicas passaram a reconhecer este retrato antigo”. 

Ela acrescenta que, nas últimas décadas, a maneira de estudar o assunto vem sofrendo mudanças, “motivas em parte pela influência persuasiva da crítica feminista, queer, pós-colonial e sociocientífica” e isso desafia “seriamente a confiança na fiabilidade histórica” de como a Bíblia retrata o passado, bem como mostra como tanto os escritores dos textos considerados sagrados quanto seus estudiosos ao longo dos últimos séculos “podem, muitas vezes, terem deturpado as realidades religiosas”. 

No e-mail trocado com a reportagem, a teóloga acredita que Asherah foi vítima de um longo e exitoso processo de difamação. “A campanha da Bíblia contra Asherah foi tão bem-sucedida que, mesmo no mundo antigo, sua adoração como deusa plena logo desapareceu”, afirma. “Com o surgimento do monoteísmo, consolidou-se a crença de que havia apenas um deus, e esse deus era masculino.” 

Stavrakopopulou, contudo, entende que vestígios desse feminino divino resistiram tanto no judaísmo como no cristianismo. 

“No judaísmo antigo, a sabedoria divina estava intimamente associada a uma “árvore da vida”, e a sabedoria de Deus era personificada como figura semelhante a uma deusa criada pelo próprio Javé”, diz. 

“Em vários textos judaicos antigos, ela atua como mediadora entre os adoradores e o Senhor. Em algumas formas de cristianismo tradicional, Maria, a mãe de Jesus, tornou-se uma mãe celestial, mediando bênçãos entre Deus e seus adoradores.”


II

Deus bíblico pode ter tido uma esposa, afirmam pesquisadores.

Inscrições indicariam que Javé teria tido como companheira a deusa da fertilidade Asherah. Tese é polêmica; outros especialistas dizem que Deus só “absorveu” atributos da deusa.

(Texto de Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo, 2008)

Será que uma deusa pagã, atacada na Bíblia como uma das maiores inimigas do culto ao Deus verdadeiro, poderia ser, na verdade, a esposa Dele? De forma bastante simplificada, esse é um dos principais debates que dividem os historiadores da religião do antigo Israel nos últimos tempos. Inscrições misteriosas, pequenas estatuetas de cerâmica e o próprio texto da Bíblia indicariam que a deusa em questão, conhecida como Asherah, não teria sido adorada como rival de Javé, o Deus judaico-cristão, mas sim como sua companheira. 

Isso, é claro, para um dos lados do debate. Para outros pesquisadores, os símbolos da deusa Asherah (cujo nome às vezes é aportuguesado como "Asserá") teriam sido simplesmente "incorporados" pelo culto de Javé, sem que a deusa fosse adorada como entidade distinta pelos antigos israelitas. A ambigüidade é, em parte, lingüística: embora Asherah fosse o nome de uma deusa dos cananeus (habitantes pagãos da Palestina), a palavra também é um substantivo comum, "asherah", que designa um poste de madeira usado para cerimônias religiosas.

"As posições estão bem marcadas: uns acreditam que se trata de um símbolo cúltico, outros já assumem que se trata de uma deusa. No entanto, uma coisa não necessariamente exclui a outra, porque o poste também simbolizava a deusa, de forma que uma referência a ele sugere o culto a Asherah", diz Osvaldo Luiz Ribeiro, doutorando em teologia bíblica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). 

Menções numerosas

"Na Bíblia hebraica existem mais de 40 referências a Asherah e ao seu símbolo, inclusive demonstrando a sua presença dentro do Templo de Jerusalém, o Templo de Javé", conta Ana Luisa Alves Cordeiro, mestranda em ciências da religião na Universidade Católica de Goiás. Nessas referências, a deusa é sempre retratada como uma influência religiosa negativa dos povos vizinhos sobre os 

israelitas, competindo com o culto do verdadeiro Deus. Cordeiro está estudando o impacto da reforma religiosa liderada por Josias, rei de Judá (o reino israelita do sul), por volta do ano 620 a.C., na qual o símbolo da deusa teria sido arrancado do Templo e queimado.

No entanto, o culto a Asherah parece ter sido mais importante fora de Jerusalém, nos chamados "lugares altos", afirma a pesquisadora. Em tais locais, o poste de madeira era substituído por árvores vivas como símbolo da deusa. "Eram santuários ao ar livre, nos topos das montanhas. Isso evidencia uma profunda ligação com a natureza", diz Cordeiro. O culto a Asherah seria uma forma de reverenciar a fertilidade feminina e o papel da mulher como doadora ou mantenedora da vida. "E a árvore é o símbolo dessa abundância", avalia a pesquisadora.

Durante muito tempo, esse tipo de culto foi considerado uma influência religiosa estrangeira sobre o povo de Israel, conforme o que dizia a Bíblia. Mas o consenso atual é que os israelitas não tiveram uma origem separada dos cananeus, seus vizinhos pagãos. A maior parte dos habitantes de Judá e Israel (nome um tanto confuso do reino israelita do norte) parecem ter sido um grupo de origem majoritariamente cananéia que foi assumindo uma entidade cultural distinta aos poucos. E, entre os cananeus, Asherah era a esposa de El, o soberano dos deuses -- mais ou menos como Zeus, na mitologia grega, tinha sua mulher divina, a deusa Hera. 

Evidência direta?


É aqui que a arqueologia traz dados surpreendentes sobre a questão. O sítio arqueológico mais importante para o debate sobre Asherah talvez seja o de Kuntillet Ajrud, localizado no Sinai egípcio, perto da fronteira com Israel. O lugar parece ter sido uma espécie de "pit stop" de caravanas no deserto, e também ter abrigado um antigo santuário.

Inscrição em hebraico do ano 800 a.C. no alto pede benção de "Javé de Samaria e sua Asherah". Casal abaixo do texto, com aspecto bovino, poderia retratar o deus e sua esposa, segundo alguns especialistas (Foto: G1, Reprodução)


Inscrições e desenhos em fragmentos de cerâmica de Kuntillet Ajrud revelam frases, datadas em torno do ano 800 a.C., pedindo a benção de "Javé de Samaria [capital do reino israelita do norte] e sua Asherah" e "Javé de Teiman e sua Asherah". No caso da primeira frase, há um desenho estranhíssimo de duas figuras com corpo humano e cabeça que lembra a de bovinos, uma delas com traços mais masculinos e outra com traços mais femininos. Será que era assim que alguns dos antigos israelitas imaginavam Javé e sua esposa Asherah?

"Temos outros dados que indicam a associação de Javé com a figura do touro, representando a força, o poder, principalmente no culto de Samaria", afirma Osvaldo Ribeiro, da PUC-RJ. Outros pesquisadores, como Mark S. Smith, da Universidade de Nova York, contestam a associação de Javé com uma consorte chamada Asherah nessas inscrições. Para eles, a gramática do hebraico é esquisita: o termo "sua Asherah" parece se referir a um objeto, não a uma pessoa ou a uma deusa. 

"Eu acho complicado tirar uma conclusão como essa simplesmente com base no que sabemos do hebraico bíblico, porque se trata de uma língua morta. Nunca vamos ter certeza se realmente era impossível usar o pronome em 'sua Asherah' para se referir a uma pessoa", diz Ribeiro. De qualquer maneira, afirma o pesquisador, há outro dado arqueológico importante: inúmeras estatuetas de cerâmica, encontradas em todo o território israelita e com idades que abrangem centenas de anos, que parecem indicar uma deusa da fertilidade, com barriga de grávida e seios protuberantes. "Essas imagens continuam sendo comuns até o século 6 a.C., quando Jerusalém é destruída e parte de seus habitantes são exilados na Babilônia", lembra ele.

Outras estatuetas femininas feitas por antigos israelitas: os traços maternais, como seios fartos e ventres grávidos, são enfatizados nessas imagens (Foto: Reprodução)

Pós-exílio

Se o culto a Asherah era tão comum quando esses indícios esparsos indicam, o que teria levado ao fim dele? A Bíblia explica o processo como uma contaminação constante da religião de Israel pelos povos pagãos, a qual nem muitas reformas religiosas purificadoras, como a do rei Josias, foram capazes de apagar antes do exílio na Babilônia. 

Ribeiro, no entanto, diz acreditar que muitas dessas histórias de reforma foram projeções dos sacerdotes do Templo de Jerusalém, elaboradas na época depois do exílio. "A comunidade dos que voltam da Babilônia se organiza em torno do Templo de Jerusalém, sob a liderança dos sacerdotes e com o apoio do Império Persa [que dominou a região depois de vencer a Babilônia]. Então, toda ameaça a esse processo de centralização do poder sacerdotal foi combatida, de forma que só acabou sobrando o culto a Javé. Foi um acidente histórico, num momento crítico, que acabou se tornando a visão dominante."

Já para Ana Luisa Cordeiro, da Universidade Católica de Goiás, os eventos antigos têm implicações para a própria visão excessivamente masculina de Deus que acabou se tornando dominante entre judeus e cristãos. Não é que a sociedade na qual Asherah era adorada fosse necessariamente igualitária entre homens e mulheres, pondera ela, mas pelo menos abria espaço para enxergar o sagrado com um lado feminino. 

"Reimaginar o sagrado como Deusa é reimaginar as relações de poder, não numa tentativa de apagar a presença de Deus, mas sim de dar espaço ao feminino no sagrado, o feminino não como um atributo do Deus masculino, mas como Deusa", avalia Cordeiro.



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11 julho 2023

SALVE HADRIANUS

PUBLIUS AELIUS HADRIANUS 


Publius Aelius Hadrianus, nascei a 24 de janeiro de 76 e faleceu em 10 de julho de 138, popularmente  chamado de Hadriano, foi imperador romano de 117 a 138. 

Pertence à dinastia dos Antoninos, sendo considerado um dos “cinco bons imperadores”.

Após ter guardado luto pela morte de seu amado Antinous, por 8 anos, morre a 10 de julho. 

Nesse dia a Religião de Antinous comemora a Apoteose de um Deus, Hadriano, imperador do mundo. 

(Fonte: makeagif)























Depois de uma doença prolongada, e sofrimento de tristeza pela perda de seu amado, Hadriano deixa esse plano, em Baiae, na baía de Nápoles, Adriano morreu em 10 de julho de 138.

Suas cinzas foram colocadas no mausoléu na margem do Tibre, que agora é chamado de Castel Sant'Angelo.

Após a morte do gentil e doce, forte e carinhoso, Antínous, Adriano tornou-se amargurado e desconfiado, caprichoso e cruel com aqueles que o rodeavam.

Quando Hadriano morreu, o Senado desejou condenar sua memória pelas atrocidades cometidas contra eles durante seus últimos anos de vida.

Mas seu sucessor, Antonino Pio, persuadiu-os a declarar Hadriano um deus.

Um templo foi construído para ele, conhecido como Hadrianeum, no Campus Marius, cujos restos agora fazem parte da Bolsa de Valores Romana.

Flamen Antinoalis Antonius Nikia Subia, fundador da Nova Religião de Antinous, nos diz:

"Hadriano o Deus é venerado como a manifestação de Júpiter Optimus Maximus na Terra, o governante, e força guia por trás da Dinastia Antonina, a mais sagrada família de imperadores, cujo reinado é a Idade de Ouro de Roma, por causa da paz e prosperidade que foi mantida, que foi o resultado da sabedoria do plano divino e perspicaz de Adriano que se estendeu sobre o mundo. Nós cultuamos e adoramos Hadriano, o Deus, Salvador do Cosmos."

Hadrian the God is venerated as the manifestation of Jupiter Optimus Maximus on Earth, the ruler and guiding force behind the Antonine Dynasty, the most sacred family of emperors, whose reign is the Golden Age of Rome, because of the peace and prosperity that it maintained, which was the result of the wisdom of Hadrian's far-sighted and divine plan stretching out over the world. We worship and adore Hadrian the God, Savior of the Cosmos.”



TEMPLO DE HADRIANUS



























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