INÍCIO

25 março 2020

A IMAGEM DA AMIZADE VERDADEIRA


Pupilo 


i
Foste um marco, a  
Ordem no espaço, a
Resiliência personificada, o
Estado de graça,  
Suave
Terno
Inesquecível!

ii
Posso me considerar uma pessoa feliz!

Um homem que viveu para ver muitas realidades...

Eu sou muito feliz! 
Por muitas razões...
Por ter tido as melhores turmas,
Por ter sido um bom professor, 
por ter conhecido muitas pessoas e aprendido com elas! 
Por ter sido escolhido como professor paraninfo!
Por ter turmas que são exemplo de seres humanos! 
e ter tido amigos como você!
Todavia,  entre todos os humanos que conheci
entre tantos alunos que já tive 
e todos que se tornaram meus amigos, 
entre todos que tive o imenso prazer de dividir 
esse tempo e esse mundo, 
e meu parco conhecimento
há voce. 

iii 
Você é o modelo ideal de ser humano !
Você é um como um bom livro que deve ser lido!
O melhor vinho servido na tarde calma ao entardecer. 
Um pensamento bom que passa pela minha mente 
e me inspira um sorriso!
A estrela do norte que está em todos os mapas, 
A estrela matutina que anuncia o final da noite
e prenuncia o nascer do Sol...
Você é o resumo de todos os afetos, 
voce é a 
a epítome da amizade verdadeira!

iii
Obrigado por ser esse aluno, 
essa pessoa, 
esse ser humano, 
esse cara, 
esse amigo que és, 
e sempre será!
Sempre o lembrarei com ternura
sempre falarei de você com orgulho, 
sempre o levarei na memória,
sempre serás uma estrela!

iv
E é por isso que continuo a ensinar. 
Por isso que continuo a sonhar,
por isso que continuo a viver
pois quando terminar um ano
e outro tempo iniciar 
invade-me uma esperança
de te encontrar. 
(25/III/2020)




A IMAGEM DO FIM


"Poesia do fim”

Enquanto escrevo, passam aqueles jovens que entregam pedidos pelos aplicativos e pessoas riem sentadas nos bares. 

Enquanto escrevo pessoas passeiam com seus cães na calçada 
e já estamos em quarentena. 

Enquanto escrevo, ônibus passam lotados trazendo trabalhadores dos shoppings para suas casas, e do centro para o morro. 

Escrevo para lembrar que muitos desses que ai passam nos trouxeram até aqui.
Eles ouviram o presidente dizer que tudo não passa de uma gripezinha ou resfriadinho. 

Enquanto escrevo, algo la no fundo do meu coração me diz que 
amanhecerá um dia obscuro e triste. Com corpos se amontoando
como vimos nos noticiários vindos da Itália e da Espanha.
Todos vamos morrer... 
Mas uns dizem que não se pode parar devido a seis ou sete mil mortes.
Outros dizem que a economia deve ser preservada acima de tudo.

São os arautos do apocalipse. 
Ha uma poesia nisso, uma poesia do fim dos tempos, 
Uma tipo de vingança poética...
o menor e mais simples dos seres da criação
veio e ceifou a vida de centenas de milhares de seres 
altamente tecnológicos e desenvolvidos
que não pensam nos outros.





A IMAGEM E AS LIÇÕES DO CORONAVÍRUS



Dr. Nelson Ferrão, um dos médicos dos SUS que está virando dia e noite para tentar salvar vidas, postou um desabafo. 
Trata-se de um desabafo muito lúcido, consistente e coerente. 


“Uma coisa é certa, o Coronavirus é muito didático. Ele joga duro, mas é papo reto, na lata. E dá lições sem falar, só causa e consequência. Eis algumas delas. 

Lição 1) Para o mercado, as crises só servem mesmo pra ganhar mais dinheiro, especulando. É só olhar o preço do álcool gel. Quando a coisa aperta, até os planos de saúde e os hospitais privados mandam os pacientes pro SUS. Ou seja, na hora do pega-pra-capar, só se pode esperar alguma coisa mesmo é do Estado; logo, se você é um desses que quer acabar com o Estado, prepare-se para ser presa fácil das aves de rapina de sempre. 

Lição 2) Numa sociedade integrada, nenhuma bolha é segura. Você pode morar em condomínio fechado, ter vigilância monitorada, álcool gel em todas as peças da casa e o escambau, mas se os pobres, que talvez você ache que mereçam ser pobres, não tiverem uma vida digna -- com acesso à saúde, educação, cultura, direitos trabalhistas e tudo mais --, eles levarão o vírus até você. 

Pode ficar certo, a empregada que te serve e viaja diariamente naquele ônibus superlotado, o motoboy do i-Food sem direito à licença saúde que te faz entregas, ou aquele operário que vai trabalhar mesmo doente porque não pode ter o salário descontado, pois têm um destes modernos contratos flexíveis de trabalho sem direitos: eles vão furar a sua bolha e expor a sua miséria também. E se prestar atenção, talvez você entenda também que a violência urbana que mata o playboy do asfalto tem origem na mesma desigualdade social de sempre, que você talvez ache natural. 

Ou seja, estamos todos no mesmo barco, e mesmo que você esteja no andar de cima, se o barco afundar você vai junto. Só a solidariedade salva: ou todos estão seguros, ou ninguém está. 

Lição 3) Pense melhor em quem você elege para cargos executivos. Não adianta eleger Presidente, Governador, Prefeito fazendo arminha ou combatendo mamadeira de piroca e kit gay. 

Se os caras eleitos não souberem o que fazer lá onde você os colocou, periga até eles saírem às ruas em plena quarentena pra se aglomerar, cumprimentar fãs, tirar selfies e ajudar a espalhar o vírus, ou então pra dizer para a população que não vai dar nada, que se dermos uma banana pro vírus ele vai embora. Ou até as duas coisas juntas. 

Se eles não tiverem competência nem para identificar uma ameaça real, que dirá para montar uma operação de guerra, amarrando todas as pontas necessárias para não deixar isto virar uma tragédia maior, de políticas sanitárias preventivas, passando por um sistema universal integrado e seguro de saúde para acolher os doentes, até medidas de proteção às empresas e trabalhadores que serão afetados pela paralisação de muitas atividades. 

Lição 4) Quer goste ou não deles, você novamente será salvo por algum cientista. Você pode até achar bonito combater a ciência, ser negacionista, terraplanista, antivacinista, militarista, dizer que as instituições públicas de ensino e pesquisa são aparelhos comunistas, mas na hora da verdade, se tem alguém que pode salvar a sua vida são os pesquisadores e pesquisadoras de universidades públicas, da Fiocruz, do Instituto Butantã, de todas aquelas instituições que têm sido achincalhadas e precarizadas nos últimos anos. 

São eles e elas que estão trabalhando hoje, silenciosamente, ao lado dos principais centros de pesquisa do mundo, para desenvolver medicamentos e vacinas contra este e outros vírus que ainda nos ameaçam. Sem eles, talvez nossa civilização até já tivesse sido dizimada. Então, pense melhor em para quem você rende homenagens. Quando uma ameaça de grandes proporções como essa nos acossar novamente, lembre-se, não são os milicos com fuzis AR-15 nem os pastores que vendem curas fáceis em troca da senha do seu cartão de débito que irão nos tirar desta enrascada, mais uma vez. São os cientistas, e em geral de instituições públicas”. 

Então, vê se acorda! Mais do que reconhecimento público e aplausos de apoio aos profissionais de saúde, eles e todos nós precisamos de atitudes corretas.


A IMAGEM DA PANDEMIA DE 2020


HOMEM CORDIAL RACISTA

A FALSA IDEIA DO HOMEM CORDIAL

A origem do racismo

A Semana de Arte Moderna de 1922 e o Movimento Regionalista, de Pernambuco, foi um dos marcos de um esforço interpretativo sobre o que vem a ser o Brasil, e qual o lugar desse pais no concerto das nações. 
Nessa profusão de ideias, um livro tornou-se um marco: “Raízes do Brasil”, do paulista Sérgio Buarque de Holanda, no qual é desenvolvido o fundamental conceito de “homem cordial”.
O livro é dividido em sete partes: “Fronteiras da Europa”, “Trabalho & Aventura”, “Herança Cultural”, “O semeador e o Ladrilhador”, “O Homem Cordial”, “Novos Tempos” e “Nossa Revolução”. 
A parte em que é desenvolvido o conceito de “homem cordial” é a que mais revela as intuições de Sérgio Buarque. O conceito foi extraído de uma carta do escritor paulista Ribeiro Couto endereçada ao também escritor mexicano Alfonso Reyes. A expressão “cordial” não indica, ao contrário do que se pensa, apenas bons modos e gentileza. Cordial vem do radical latino “cordis”, cujo significado significa coração (relativo ao coração, que para muitos é a sede do sentimento, da afeição...). O homem cordial seria o homem sentimento, que em vez da razão usa a emoção e por isso não é dado ao pensamento racional e apolíneo. 
Cordial, o homem emoção. É assim que esse homem lida com os que o cercam, a saber, seus familiares, os empregados, os vizinhos, o povo. É assim que esse homem lida com o patrimônio publico, que passa ser seu.
Dai advem a corrupção; o tratamento da coisa pública como privada.
Desde que entramos na escola e começamos a estudar 
passam-nos essa ideia “totalizante”, na qual supostamente todos devemos acreditar. Esse conceito expandido de “homem cordial” e de que vivíamos numa “democracia que abrangia todas as raças e credos”. Esse conceito tem uma função primordial fazer calar qualquer voz dissonante. Assim, se cala sobre todas as mazelas que esse conceito acoberta. O racismo estrutural, a xonofobia, a misoginia, o machismo da família tradicional brasileira.

Esse, “quase sistema filosófico” que explicaria o homem brasileiro, desde sua psiqué à economia de mercado, encobre tudo isso. É um poço um sumidouro, uma cortina de fumaça para esconder a nossa verdadeira natureza. 



A classe média brasileira se olhando no espelho


A partir dos livros de Jessé Souza e de seus vídeos, fica claro que essa ideia é uma falácia, nas quais as premissas são falsas ou parciais e das quais se saca uma conclusão verdadeira, quando na verdade é falsa. 

Ao ler seus livros e ver seus vídeos, fica claro que podemos descrever a realidade como queremos que ela seja, mas somente como ela realmente é. 

E a nossa realidade nos mostra uma elite escravocrata, patrimonialista, racista, ignoraste, xenófoba, exploradora, extrativista e parasita do estado (do estado como união de todos indivíduos e de todas as riquezas que esse estamento produz). E de uma classe média que se espelha e compartilha os “valores” da elite. 

Agora fica claro que a elite extrativista brasileira e seu acólitos e capachos a classe média sempre possuíram como farol os ditames de outra nação soberana e exploradora, que impede outros povos (supostamente livres e soberanos) de se desenvolver. Mas isso é um assunto para outro momento. (31/01/20) 




Bibliografia















A IMAGEM DA CLASSE MÉDIA COMO PARASITA IDEAL


O PARASITA IDEAL 


O governo Bolsonaro é o governo do retrocesso, do atraso, da injustiça, da destruição, e da morte! É a necropolítica usada para administrar um pais gigante como o Brasil. A necropolítica usada para manter grandes corporações como bancos e grandes empresários sugando do trabalhador. Ninguém que tenha nascido na classe trabalhadora tem alguma esperança de melhoria para sua família ou para os seus vizinhos pois o sistema perverso é mantido muito bem lubrificado para a máxima exploração do trabalhador. Do contrário como explicar os juros astronômicos praticados no pais e o lucro incrível e vergonhoso auferido pelos bancos e pelos rentistas. Quem pode nos mostrar um caminho para que nos livremos desses parasitas que roubam nossa alegria de viver e nossa esperança num mundo de igualdade e solidariedade? 
O máximo parasita é a classe média alta auxiliada pela elite que explora tudo e todos. 
A classe média, escravocrata e alienada é a máxima culpada por colocar no fundo do poço um pais rico e pujante como o Brasil. Especialmente usando a bíblia e o monopólio da violência estatal. Pastores de satã disfarçados de ovelhas amealham fortunas indizíveis com o dizimo pago pelo trabalhador. 
Essa classe abjeta, a mais corrupta de todas, pois nada tem e acredita que algum dia na história chegará a ser elite. Infeliz ilusão que não leva a nada. Só faz aumentar seu ódio e seu preconceito com o pobre e o trabalhador, contra o negro e o índio contra o imigrante e o despossuído. 
Essa classe é o joguete de uma elite perversa e extrativista que desde sempre mandou no pais. 
Uma classe tresloucada que se ao se olhar no espelho se ve diferente do outro, do povo, do trabalhador. Mas é ela que cura os doentes que tem dinheiro e os pobre pelo SUS; é ela que da seus engenheiros que mesmo ganhando muito bem sempre são assalariados. 
Essa classe que se compra por preço baixo, que nada custa, sem valor e desprezível é capaz de concordar com uma reforma que impede todo trabalhador inclusive de suas próprias fileiras a fim de concordar com uma elite que diz que o estado deve ser minimo. 
“Temos de entender por que economia, após reforma da Previdência, não cresce”, diz Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos deputados em Brasilia. O caramanchão do poder, onde mesmo os representantes das classes populares, que são poucos, pois o poder econômico impede essas classes de elegerem representantes legítimos. Vejam os número dos representantes, o quanto custa para eleger um representante e a quem eles representam. Os donos da terra são representados por 210 deputados (de um total de 513) e 26 senadores (de um total de 81), num total de 236 políticos em exercício (39,7% dos congressistas), de 18 partidos. 


Eles pensam que existe outros alem deles? Não. 
Ora, quantos são os donos de terras? Milhares talvez? Não. As grandes propriedades somam apenas 0,91% do total dos estabelecimentos rurais brasileiros, mas concentram 45% de toda a área rural do país. já os estabelecimentos com área inferior a dez hectares representam mais de 47% do total de estabelecimentos do país, mas ocupam menos de 2,3% da área total. Isso deixa claro que quem manda no Brasil é menos de 1% da população. 
Quanto às disparidades de gênero, ainda são aviltantes. São os homens que controlam a maior parte dos estabelecimentos rurais e estão à frente dos imóveis com maior área: eles possuem 87,32% de todos os estabelecimentos, que representam 94,5% de todas as áreas rurais brasileiras. As mulheres praticamente inexistem. Maior desigualdade não há. 
É essa estrutura que a classe média mantem. São os fantoches da elite extrativista energúmena, ignorante e escravocrata brasileira. 
Sentem-se orgulhosos de serem capachos para os ricos. Sentem-se felizes de serem os capitães do mato para o poder do capital. E recebem migalhas que caem da mesa da casa grande, dos palácios e luxuosas mansões dos "Jardins", da "Barra" e dos "Moinhos", pelo Brasil afora. 


Mal sabem eles que ao escorar esse sistema desigual estão impedindo sua própria classe de progredir, de aspirar um mundo onde a justiça e a igualdade sejam os valores maiores. 


É estarrecedor a degradação moral q a classe “superior” promove na classe serviçal. Como se os servidores não fossem nem humanos mais, são coisas. 
Como se fossem animais amestrados que normalmente ultrapassam “um limite” e por isso devem ser descartados, mas que são tolerados pois executam um trabalho que eles se julgam superiores para poder realizar. 
As pessoas das classes populares não podem estudar numa universidade e por isso “consomem” tutoriais do Google o que os “capacita” e os deixa pronto para serem “uberizados” e a serem empresários de si mesmo. 


Empreendedores de sua própria força de trabalho (sua força vital). 


O mercado os coisificou e os alienou de sua humanidade, separando-os de seus irmãos. E agora vivem de migalhas, trabalhadores que antes eram protegidos pela legislação, que a classe média e em certa medida muitos dos trabalhadores concordaram em jogar fora. 
Não sabiam que ao fazer isso estavam jogando fora sua segurança futura, na velhice onde tudo se torna mais difícil e onde mais se necessita de amparo e cuidado. 
Não há auto-exploração...mas o capital que explora o trabalho do ser humano até não mais existir vida. Explorar a si mesmo é um absurdo. Há sempre a exploração do homem pelo homem por meio do capital. 
E assim, tudo vai perdendo a beleza, perdendo as cores, e o circo do trem fantasma do pior parquinho das grotas desse mundo imundo (Achutti). 
Há um filme chamado "Parasita" cuja virtude é a de fazer uma sátira ao estágio atual do chamado Capitalismo cognitivo ou terceiro capitalismo. 


O capitalismo cognitivo-cultural ou economia cognitivo-cultural ou, ainda, terceiro capitalismo (entendido como uma fase posterior ao mercantilismo e o capitalismo industrial) é uma teoria centrada nas mudanças socioeconômicas provocadas pelas tecnologias que fazem uso da Internet e da Web 2.0, a internet das coisas, as quais têm transformado gradualmente o modo de produção e a natureza do trabalho. Nessa fase do capitalismo, que corresponde ao trabalho pós-fordista, haveria maior geração de riqueza comparativamente às fases anteriores, e o conhecimento e a informação (competências cognitivas e relacionais) seriam as principais fontes de geração de valor. Todavia essa geração de riqueza ficou na mão de poucos no mundo todo. Os quais concentram o capital de maneira flexível. E na realidade é uma maneira de explorar ao máximo a força de trabalho sem nada em troca. Apenas a subsistencia. Uma vez que os senhores unicórnios, não se preocupam mais com carteira assinada, sindicatos ou greves. É a arma ideal para destruir a classe trabalhadora, uma vez que acena com ganhos fáceis e trabalhos sem horários fixos. 
O operaismo (Workerism) toma como seu axioma fundamental, as lutas da classe trabalhadora sempre precedem e prefiguram as sucessivas reestruturações do capital. O conflito Capital versus Trabalho não desaparece, mas está escamoteado pela tecnologia que torna os patrões invisíveis e relações trabalhistas flexíveis, ou totalmente abolidas, via leis que regulamentam a nova atividade. E como resultado a luta de classes se dilui em dramas individuais cotidianos sem fim. Os trabalhadores precarizados têm suas forças vivas sugadas pela exploração parasitária do capital contemporâneo. Essa força vida é transformada em bem-estar para os donos do capital. 


Esses trabalhadores habitam literalmente no subterrâneo da cidade neoliberal, nas favelas e em espeluncas insalubres e trabalham ordinariamente de forma flexível sem qualquer garantia política. São objetivamente o medo e o horror dos quais procuramos todos escapar dramaticamente. Toda sua energia vital é explorada por uma classe superior, a burguesia, que habita o paraíso na terra e consome avidamente os frutos da cidade neoliberal, servidos pelos trabalhadores como os reis eram servidos por servos e escravos. 


Assim, sem qualquer consciência de classe, pois não há mais sindicatos que congreguem e defendam aquele fazer, os trabalhadores agora dispersos e isolados, são não-pessoas, apenas sobrevivem precariamente e o capital passa por eles sem gerar nenhum bem ou conhecimento. Desta forma, os trabalhadores tornam-se presas fáceis ou do atual populismo de extrema-direita ou da explosão da violência incontida desenvolvida ao longo de seus dramas cotidianos insolúveis. 
A classe média como um parasita premeditado 
O termo parasita descende do latim parasitus = hóspede, convidado, que, por sua vez, deriva do grego παράσιτος (parásitos), ou seja, "aquele que come na mesa de outrem". O termo grego é composto de παρά - para = junto a, ao lado e σῖτος – sitos = alimento. 
O termo acabou por significar o comensal que adulava alguém de alta posição social para que pudesse comer gratuitamente em sua casa. 
Parasita é o organismo que vive sugando a energia, ou melhor, as forças vivas de outrem. O filme de Bong Joon-Ho descreve o conceito de forma radical a partir de uma dialética de classes. Sendo a classe média o parasita ideal, que suga a energia vital de seu hospedeiro o verdadeiro produtor de riquezas que vive no submundo da cidade neoliberal contemporânea. 
Esse ser parasitado trabalha ordinariamente de forma flexível sem qualquer garantia política e toda sua energia vital é drenada e explorada pela classe média brasileira ou pela burguesia ou pela elite. Seu trabalho transforma a casa ou o condomínio num paraíso terrestre. E nesse paraíso ele não é permitido entrar senão para servir. Seus dramas cotidianos, suas aspirações, seus desejos nunca são realizados e assim, acabam por produzir declínio moral e violência. 


(23/III/2010)