O MEDO, O CONTROLE E
O FASCISMO DIÁRIO
A lógica de pensamento, desse influencer, aqui analisada parece reproduzir uma dinâmica que remete a certas estruturas autoritárias. Autores como Hannah Arendt, em “Origens do Totalitarismo”, demonstram que regimes de caráter fascista não subsistem sem a manipulação do medo e a criação constante de inimigos, sejam eles internos ou externos. O medo, nesse contexto, funciona como um catalisador que paralisa a crítica e justifica a repressão, criando uma atmosfera propícia para a dominação.
Transpondo essa lógica para o âmbito das relações interpessoais, observa-se no sujeito descrito um perfil que só encontra satisfação na tentativa de controle do outro. Essa necessidade de impor condutas e pensamentos parece originar-se de uma "frustração" ou de um "vazio existencial", que o leva a tentar preencher essa lacuna subjugando a alteridade. Trata-se de uma tentativa de anulação da autonomia alheia para afirmar uma identidade frágil, transformando o outro em mero reflexo de suas próprias carências.
Tal postura colide frontalmente com a própria condição humana. Conforme Aristóteles enunciou em sua obra “Política”, o homem é por natureza um "animal político" (zōon politikón), ou seja, um ser cuja realização plena ocorre na pólis, na vida em comunidade e na interação com os outros. A sociabilidade não é um acidente, mas essência; é na relação ética com o outro que o indivíduo se completa e desenvolve suas potencialidades. Portanto, qualquer tentativa de cercear a liberdade de pensamento ou de ação do próximo não apenas fere um direito fundamental, mas também viola a própria estrutura teleológica do ser humano, que busca a felicidade (eudaimonia) na vida virtuosa em conjunto.
Nesse sentido, essa figura descrita como influencer, age com mais danos ao mundo do que aquele que assume uma postura de dúvida. O filósofo Karl Popper, em “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos”, alertou para os perigos das certezas absolutas e das doutrinas que prometem a salvação ou a ordem por meio do controle total. A dúvida metódica, herdada de Descartes, e o pensamento crítico são os motores da investigação e do progresso. A dúvida incita à busca, à curiosidade e ao aprendizado. Em contrapartida, a "certeza errada", aquela que se fecha ao diálogo e se impõe como dogma, é a origem da ruína, pois impede a correção de rota e sufoca a diversidade de ideias, levando ao empobrecimento intelectual e, em última instância, à degradação das relações humanas. Certamente ao enfraquecer o outro ele quer desenvolver algum controle sobre seus ouvintes, beneficiando-se das pessoas “acríticas” e que ignoram que um outro mundo é possível.






























































































