O ARGUMENTO DE EPICURO
Esse é um dos argumentos clássicos contra a existência de um Deus tradicionalmente definido (onipotente, onisciente e totalmente bom) e é conhecido como "O Problema do Mal". A versão que apresento é uma formulação lógica que remonta a filósofos como Epicuro e, mais tarde, David Hume (1711-1776).
Epicuro de Samos (341 - 270)
David Hume (1711 -1776) (WP)
David Hume, nasceu em Edimburgo, (1711 - 1776) foi um filósofo, historiador e ensaísta britânico nascido na Escócia, que se tornou célebre pelo seu empirismo radical e ceticismo filosófico. Ao lado de John Locke e George Berkeley, David Hume compõe a famosa tríade do empirismo britânico, sendo considerado um dos mais importantes pensadores do chamado iluminismo escocês e da própria história da filosofia. David Hume elaborou um pensamento crítico ao cartesianismo e às filosofias que consideravam o espírito humano desde um ponto de vista teológico-metafísico. Assim David Hume abriu caminho à aplicação do método experimental aos fenômenos mentais.[3] A sua importância no desenvolvimento do pensamento contemporâneo é considerável. Teve profunda influência sobre Kant, sobre a filosofia analítica do início do século XX e sobre a fenomenologia.
“Se Deus é omnipotente, omnisciente e benevolente. Então o mal não poderia continuar existindo.
Se for omnipotente e omnisciente, então tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele, ainda assim não o faz. Então Ele não é bom.
Se for omnipotente e benevolente, então tem poder para extingir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe quanto mal existe, e onde o mal está. Então Ele não é omnisciente.
Se for omnisciente e bom, então sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas isso elimina a possibilidade de ser omnipotente, pois se o fosse erradicava o mal.
E se Ele não for omnipotente, omnisciente e bom, então porquê chama-lo de Deus?”
TRILEMA DE EPICURO
A Estrutura do Argumento (Trilema de Epicuro)
O raciocínio pode ser resumido em três possibilidades, todas problemáticas para a definição tradicional de Deus:
1. Se Deus é onipotente, onisciente e benevolente, por que o mal existe?
- Um Deus onisciente sabe de todo o mal.
- Um Deus onipotente pode eliminá-lo.
- Um Deus benevolente quer eliminá-lo.
- Conclusão lógica: Se o mal existe, pelo menos uma dessas qualidades divinas falha.
2. As três combinações possíveis (e suas contradições):
- Onipotente + Onisciente, mas não benevolente → Deus sabe do mal e pode acabar com ele, mas não quer (logo, não é totalmente bom).
- Onipotente + Benevolente, mas não onisciente → Deus quer acabar com o mal e tem poder para isso, mas não sabe onde ele está (logo, não é onisciente).
- Onisciente + Benevolente, mas não onipotente → Deus sabe do mal e quer eliminá-lo, mas não pode (logo, não é onipotente).
3. Se Deus não tem todas as três qualidades, por que chamá-lo de "Deus"?
- Se falta uma dessas características, ele não corresponde ao conceito tradicional de Deus nas religiões monoteístas (como o Cristianismo, Islamismo e Judaísmo).
Respostas Teológicas (Possíveis Refutações)
Ao longo da história, várias tentativas de resposta foram apresentadas:
1. A Teodiceia do Livre-Arbítrio (Agostinho, Alvin Plantinga)
- O mal existe porque os seres humanos têm liberdade de escolha.
- Um mundo com liberdade é melhor do que um mundo sem ela, mesmo que isso permita o mal moral.
- Contra-argumento: E o mal natural (terremotos, doenças)?
2. O Mal como Ausência de Bem (Agostinho)
- O mal não é uma "coisa", mas a falta de bondade (como a escuridão é a ausência de luz).
- Problema: Isso não explica por que um Deus onipotente permite essa ausência.
3. O Crescimento da Alma (Ireneu, John Hick)
- O mal existe para desenvolver virtudes como coragem, compaixão e resiliência.
- Crítica: Isso justifica sofrimento inocente?
4. Deus não é "Bom" no Sentido Humano (Teísmo Cético)
- Talvez nossa compreensão de "bem" e "mal" não se aplique a Deus.
- Problema: Isso torna Deus moralmente ininteligível.
Epicuro e a Rejeição da Intervenção Divina
Epicuro usou esse argumento para negar a ideia de um Deus pessoal e intervencionista, sugerindo que:
- Se os deuses existem, são indiferentes aos assuntos humanos.
- Ou não têm poder absoluto para controlar tudo.
- Logo, não faz sentido temê-los ou adorá-los por questões morais.
Esse argumento permanece um dos mais fortes desafios ao teísmo, e nenhuma resposta é universalmente aceita. Ele coloca em xeque a coerência lógica de um Deus todo-poderoso, todo-saber e totalmente bom em um mundo com maldade.
Se você quiser ler mais e explorar mais, sugiro ler:
- "Diálogos sobre a Religião Natural" (David Hume)
- "Deus, um Delírio?" (Richard Dawkins) – perspectiva cética.
- "Natureza do Mal" (Agostinho) – resposta cristã clássica.
O que você acha dessas respostas? Alguma delas te convence?
OUTRA VERSÃO DO ARGUMENTO
Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males? Por que razão é que não os impede?






































































