INÍCIO

21 fevereiro 2021

MEUS ÚLTIMOS DESEJOS





Esta é a bandeira que desenhei para representar a vida. 
Representa também as artes (o ramo verde de pinheiro brasileiro 
Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze, 1898, representa o desenho e a serigrafia com três cones ou pinhas masculinos (estróbilos masculinos), dois para o lado esquerdo e um para o direito, que produzem pólen (microgametófito masculino). Do lado direito está a representação da gravura (Xilo, Metal, Lito e Serigrafia). Abaixo à esquerda, os losangos brancos num fundo vermelho esta a Performance e também pode ser gravura novamente com a ideia, a execução e a interpretação. E em baixo a direita esta uma cruz vermelha num fundo branco que representa nossa origem ocidental (cristã) e também representa o espaço e a escultura com sua dimensão horizontal e vertical.


MEUS ÚLTIMOS DESEJOS 

Este testamento é aberto e de conhecimento público. Nele eu reflito sobre a vida e sobre meus desejos nesse momento de grande incerteza que a humanidade passa. 

Sei que nesse mar agitado, minha pequena canoa, que me trouxe até aqui pode não me levar adiante. Já estou muito feliz por ter feito a minha parte. Cultivei amizades, ensinei tudo o que sabia. Nunca retive nada para mim. Nunca acumulei riquezas, nunca despedi com fome, alguém que me pediu alimento.

Todos os meus pensamentos e reflexões públicos. Deixo-os para quem quiser. Minhas coleções de gravuras de artistas “desconhecidos” e conhecidos pode ser doada. Meus diários, devem ser mantidos juntos; e meu material de pintura que muito socializei, pode ser doado para artistas que precisem para lutar na construção de um mundo melhor pós-pandemia.

Mas um único sonho eu nutria, que um dia conseguiria abrir um atelier para ensinar arte às pessoas interessadas... e às jovens e aos jovens, em situação de rua ou fragilidade social, para que tivessem como sobreviver nesse mundo desigual. Não consegui. Se algum dos meus amigos artistas quiser está a disposição para partir daqui com esse sonho e abrir esse atelier que pode salvar vidas.

Sempre ensinei e aprimorei meu conhecimento sobre algumas técnicas da arte, escrevi uma obra sobre serigrafia, uma técnica eminentemente pop, se alguém se interessar poderá publicá-lo com ou seu e o meu nome, e juntar o pouco recurso que livros trazem para manter um atelier e produzir arte para a crítica do mundo.

O mundo necessita de pessoas que lutem. Eu lutei o bom combate, e mesmo estando triste, vesti uma máscara alegre e sorridente e lá me ia, ensinar todos os dias pensando que essas sementes um dia germinarão e mudarão o mundo. 
Fiz muitos amigos entre alunos e colegas.

A minha maior alegria (em toda a minha vida) foi ser escolhido paraninfo da turma de 2019 do CMPA. Não existiu momento melhor! Nada na face dessa terra me deixou mais feliz. Portanto, só posso humildemente agradecer. Foi a epítome da minha vida como professor e orientador. O ano de 2018 foi somente de alegria, e existia outono e fungos nos campos e nos bosques dos parques para fotografarmos, desenharmos e coletarmos, aprendendo um pouco mais sobre eles.
 
Havia alegria em todos os rostos e alegres íamos estudar no parque e fotografar espécimes e desenhar. E a noite eu ensinava arte para alunos no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Entre tantos e tão grandes artistas que lá ensinaram. Sou grato por todas as oportunidades que recebi.  

Morrerei aprendiz sempre, e você sabe pelo pouco que me conhece, que sempre vivi pelos princípios da comunhão e da ética. Pelos princípios constitucionais da nossa tão amada Constituição Cidadã de 1988. 
Sempre escolhi o lados dos mais pobres dos mais simples. Pois sempre amei a simplicidade do coração. Assim, para não gastar dinheiro podem enterrar-me em qualquer lugar ou mesmo cremar meus restos. 
Já não serei mais. Eu fui. 

Desbastei o máximo que pude esse cubo negro para poder extrair das lascas o mais puro ouro, forjado no interior de massivas estrelas. Moldando esse cubo que recebi da mãe terra e da luz do sol. Devolvo o que sobrou ao pai do solo, para nutrir com os sucos, bactérias e fungos as raízes das plantas e, assim, produzir flores nas primaveras do mundo. 

Estarei em tudo novamente. No grão de pólen que fecunda e nas asas das abelhas e borboletas que o transportam despreocupadamente ao sabor do vendo as possibilidades de frutos e sementes, de uma nova colheita e evolução. 

Sempre me senti parte dessa imensa esfera que segue suas leis universais inexoráveis nos caminhos siderais. Somos pó e logo estaremos de volta ao solo úmido de orvalho de todas as manhãs. Que alimenta córregos e rios, e engendra vida e nichos para todas as criaturas vivas. A terra é viva, protejam-na. 

Quantas verdades eu desvelei ante a luz do sol que tudo esclarece e revela. 
E mesmo sendo insignificante como um verme me empenhei em fazer da melhor maneira o meu trabalho. 

Não sei nada sobre como salvar centenas de milhares de pessoas dessa pandemia, apenas devo seguir as recomendações dos pesquisadores e experts estudiosos de epidemiologia e em saúde pública. Mas fico sem palavras frente aqueles que se dizem cristãos e desprezam a vida do próximo, vendo amontoarem-se pilhas de cadáveres sob seus pés. E nenhuma palavras de consolo. 

E quem melhor para saber sobre todas as noites que se foram senão as parcas ou as moiras que se reúnem para tagarelar suas línguas enigmáticas e misteriosas e ao mesmo tempo místicas? Elas murmuram nomes impronunciáveis e entre essas palavras está o meu  nome, estamos todos nós. 
 
Eu fui convocado antes e  partirei cedinho, antes do sol nascer. Com orvalho na grama e neblina no ar, na atmosfera. Partiremos todos um dia. E isso é o que nos une, nos da um limite e um horizonte.

Mas a esperança de que, finalizado o dia do mundo, nos encontraremos todos: os meus grandes alunos e alunas e amigos para um dia permanecermos para sempre juntos. Será o sábado que nunca termina. Não haverá mais ocasos nem escuridão. Será uma eterna festa como eram as minhas aulas, sem provas, sem malícias e sem abusos.
  
Retornaremos todos ao éter. A luz absoluta e primordial. 
Eu soube, com despreocupada alegria, aproveitar cada minuto da vida. Cada centelha de energia que animou essa carcaça que ora estas prestes a me tomar. Ela vai me deixar, eu sei, mas não me sinto triste. 

Esse barquinho que atravessou tantas corredeiras e calmarias, pode não sobreviver a esse enorme mar agitado e turbilhonante que está no horizonte a minha frente. Sei que ele pode não resistir. 

Sou orgânico composto, e como dizia o filósofo, tudo que é composto se decompõe. É um fato inexorável, uma verdade que não podemos negar. 
É a realidade. E não devemos temer o fato do sol nascer todos os dias e todos os dias ao final de seu trajeto se por no ocaso. Há beleza no fim.  

E já ouço do outro lado um som de promessas não ditas, não faladas e sons de risadas como em uma festa cheia de alegrias, ao longe.

A partida não é temível nem triste. Como trabalhadores da classe média, que somos, labutamos para outros que tem riquezas, e nos alegramos por estarmos juntos, por comermos juntos, por celebrarmos a vida e não por possuirmos metais preciosos e dinheiro no banco. Estamos todos na sala dos passos perdidos, no cosmo onde atuamos e onde cada dia se nos apresenta como único e irreprisável, irrecitável. É nele que eu trabalho e vivo. 
 
Nesse lugar do universo que fiz muitos amigos, ou espero ter feito. 
Nunca avacalhei nem xinguei ninguém nem difamei nem alienei quem quer que seja. 

Eu indago aos meus amigos agora, nesse momento de sofrimento, que multidões de nossos semelhantes nos deixam tombados na batalha da vida... Aproveitaram a vida e cada um de seus momentos? 
Nos encontraremos novamente? 
De novo escalaremos montanhas, caminharemos lado a lado por caminhos ignotos, dançaremos até o sol nascer uns nos braços  do outro como no inicio dos nossos dias? 
Você me auxiliará a chegar em casa como fazia depois das festas, depois dos trabalhos extenuantes do dia? 
Explorarei florestas fechadas e escuras e riachos pedregosos a procura de espécimes e cristais de rocha, como fazíamos no Perau Velho?  
Talvez não... ou certamente não. 
Ficaremos na praia até o sol nascer ou na orla do lago até o sol se por?

O mar não esta mais calmo como era no inicio da jornada. 
E eu vejo luzes surgindo no horizonte vindo para levar essa canoa já avariada. 
Eu estou aqui venham para me levar para casa. 
Já arrumei todas minhas coisas e estou pronto. 
E já esta na hora. 
O dia esta amanhecendo e eu preciso acordar e levantar para irmos juntos seguirmos.

Porto Alegre, 20 de janeiro de 2020


Bandeira para a poesia 


Uma bandeira para a coragem de viver e de ousar



A bandeira da minha ordem. A bandeira é constituída por dois campos um preto superior e um branco inferior. No campo negro superior está representado um leão dourado passante, não esta ameaçando, tem uma mão levantada e três apoiadas no solo, olha para o expectador, como se acenando e protegendo. Sua mão esquerda aponta para a esquerda, para a inclusão, para a igualdade, para o humanismo. Em heráldica, um leão nessa postura pode ser chamado de leopardo. O leopardo é um protetor, ele traz a solução para velhos e antigos problemas, ele nos ensina persistência. O fundo é escuro (negro) para indicar que a noite requer coragem de todos aqueles que se dispõem a viver uma vida dedicada a ensinar, dedicada a própria vida, a levar cultura e arte a todas e todos. Ele é dourado pois incorruptível, já que o ouro não sofre oxidação, sendo portanto o símbolo da perfeição, iluminação e conhecimento, realeza e imortalidade, é o símbolo da persistência. Seu brilho é o brilho do sol. Está relacionado a Hélios (Ἥλιος) seu pai era o titã Hyperion (Ὑπερίων, Hyperíōn) (que é filho de Urano e Gaia) e sua mãe a titânide Theia (Θεία, Theia), também conhecida como Euryphaessa (amplo brilho, brilhante) que também é filha de Urano e Gaia. Da união de Hypérion e Theia nas ceram Eos (Ἠώς, Êôs) a aurora, Hélios (Ἥλιος) o sol, e Selene (Σελήνη, Selíní) a lua. Segundo Isaac Newton, Hipéríon com Osíris, Hélio com Hórus, Selene com Bubaste. 
Sincreticamente Hélios é identificado com o deus Apolo, sendo ambos o mesmo deus. Com o tempo Hélios passou a ser uma divindade menor e Apolo que representa o sol, um deus olímpico de grande importância.
Nada no universo escapa a vista acurada do deus Sol. Ele atravessa o céu numa carruagem de fogo, circundando a Terra, (na visão geocêntrica) puxada por uma quadriga. Segundo Ovídio o nome dos quatro cavalos de fogo eram: Piro, Éous, Éton e Flégon, e segundo Eumélio de Corintho, o nome dos cavalos machos são Éous e Etíope, e o das fêmeas, que são unidas por um jugo, são Bronte, a trovoada; e Estérope, o relâmpago. 
O próprio metal (ouro) teria se formado na colisão entre duas estrelas de nêutrons. Ele é a própria imagem da "luz" (luz=radiação eletromagnética) (raios gama) que não podemos ver.

Segundo uma tradição muito antiga e presente em culturas e religiões diversas, especialmente as que surgiram no hemisfério norte nos últimos quinze mil anos, a direita é um símbolo solar, masculino e positivo, e a esquerda um símbolo lunar, feminino e negativo. Os conceitos de positivo e negativo não têm aqui uma conotação de valor, mas de existência, ou seja, para serem completos necessitam do seu oposto (um necessita do outro para existir). Os valores atribuídos pelas diferentes civilizações aos lados direito e esquerdo do nosso corpo têm muito provavelmente a ver com o movimento do Sol quando este cruza o céu, e que é efetuado para o lado direito no hemisfério boreal (hemisfério norte, pois para vermos o movimento aparente do sol no céu teremos que estar voltados para o sul); e para o lado esquerdo no hemisfério austral (hemisfério sul), quando se toma por referência o Leste e o Sul. A direita e a esquerda são noções que surgiram com os mitos da criação dos seres humanos, muito provavelmente antes da era do bronze. (Infopédia, 02/XI/2020). 
Assim, o sol descreve um arco nascendo no lado Leste (esquerdo) deslocando-se ao longo do dia  da esquerda para a direita. Desta forma a origem do conhecimento, da ciência e da sabedoria vem do oriente onde o Sol, Hélios ou Apolo se levanta.

No campo branco inferior há um livro dourado aberto onde se lê o Alpha e o Ômega (indicando que o princípio e o fim esta na sabedoria) ao lado o Tau o Phi e o Gamma (Tau = techné a arte, o Phi = a filosofia (e também o Phi de Phidias) e o Gamma = o conhecimento, a sabedoria advinda da reflexão, da luz da razão, que é o nomograma da Irmandade do Caminho. 








ASFIXIA

ASFIXIA


ONDE ESTA Ó DEUSA


NOSSA SALVAÇÃO?

ONDE ESTA Ó SENHOR DO SOLO

O NOSSO DESCANSO?


CONDUZIDOS POR INCOMPETENTES

NEOLIBERAIS, GENOCIDAS, CRIMINOSOS

ESPALHALNDO A MORTE COM SEU HÁLITO FÉTIDO

ESPALHANDO A MORTE COM O OLHAR.



SUAS PALAVRAS DERRAMAM O NECROCHORUME

DE SUA INTENÇÃO 

NO FUTURO NATIMORTO...



NÃO HAVERÁ AR PARA RESPIRAR

NÃO HAVERÁ MAIS JARDINS, 

NEM FLORES, 

NEM INSETOS 

NAS FLORESTAS, 

NEM CAMPOS, 

NEM PRAIAS



A EXISTÊNCIA DA NATUREZA ESTA AMEAÇADA,

CORTADA, RISCADA, AVALIADA, 

DESVALORIZADA, DESCONSIDERADA

ALIENADA, COMERCIALIZADA.



À BEIRA DO ABISMO 

EQUILIBRA-SE MINHA ESPERANÇA.

E JUNTOS ESTAMOS TODOS NÓS,

SÓZINHOS... 

SEM VÓZ... 

SEM SONHOS

SEM VIDA.



COM A AJUDA DOS EXÉRCITOS PARASITAS

COM AJUDA DOS EVANGÉLICOS CRISTOFASCISTAS

COM AJUDA DA ELITE DAS SOMBRAS, ESCRAVOCRATA 

GANANCIOSA E ESTRATIVISTA.



COM AJUDA DE ACÓLITOS MEDÍOCRES IGNORANTES,

COM AJUDA DE CONSERVADORES DESPREZÍVEIS, 

SÓRDIDOS DEMENTES DA MORTE AMANTES

LÁ VÃO ELES DERRAMANDO SEU NECROPORVIR...
 

JÁ NÃO HÁ MAIS AR

NÃO HA OXIGÊNIO 

NÃO HÁ MAIS REFRIGÉRIO PARA ALMA

MORREMOS SUFOCADOS

NOS HOSPITAIS,

NAS CASAS, 

NAS CALÇADAS,

ASFIXIADOS.



(15/I/2021)






Asfixia: etimologia

ASFIXIA
Palavra do grego e latim: Asphyxia, Ασφυξία: α = não, sem +σφύξις sphyxis, pulso

ᾰ̓σφῠξῐ́ᾱ (asphyxíā)

ἀσφυξία = asphyxía, parada do pulso: ἀ = a, não, sem + σφύξις = sphýxis batida do coração, pulso. De σφυγ, σφύζω: sphýzō = eu pulso, eu bato.

Parada do pulso, ausência de pulso, do latim moderno asphyxia parada do pulso, do grego asphyxia: a = não, sem + σφύξις, σφύξις sphyxis = pulsar, bater violentamente, sem pulso, parar de pulsar, parar de bater. Morrer por falta de ar.