INÍCIO

02 janeiro 2026

TOM BIANCHI FOTÓGRAFO

TOM BIANCHI, FOTÓGRAFO 





I

Ato fotográfico: Você deve saber que será amado e não explorado.

A obra de Tom Bianchi constitui um dos mais relevantes testemunhos visuais da experiência gay masculina na segunda metade do século XX, situando-se no delicado ponto de inflexão entre a euforia pós-Stonewall e a devastação causada pela crise do HIV-AIDS. Como notam diversas publicações, sua trajetória peculiar, de advogado corporativo a artista e ativista, informa diretamente uma produção fotográfica que alia sensibilidade estética a um profundo senso de urgência histórica e afetiva. Este pequeno texto busca apresentar, em linguagem acessível, as principais camadas de significado que emergem de suas obras guardadas em seu arquivo, combinando a análise da fortuna crítica com o contexto de produção.

O Documento como ato de resistência

Nascido em 1945, Bianchi cresceu em um contexto no qual homens gays eram socialmente ensinados a nutrir “sentimentos muito negativos” sobre si mesmos, frequentemente chamados de “pervertidos” pela cultura cis hétero normativa hegemônica. Após formar-se em Direito pela Northwestern University em 1970, iniciou uma carreira como advogado corporativo que o levaria, em meados da década de 1970, a atuar como conselheiro jurídico da Columbia Pictures em Nova York. É nesse momento que um presente corporativo, uma câmera Polaroid SX-70, altera radicalmente seu percurso de vida.

O equipamento, com sua capacidade única de gerar uma imagem revelada quase instantaneamente, mostrou-se essencial em um período no qual a maioria de seus amigos “não havia saído do armário”. O gesto de devolver a fotografia ao sujeito fotografado transformava o ato de posar em um pacto de confiança: “Você deve saber que será amado, e não explorado”. 
Desse pacto nasceu um arquivo que é, simultaneamente, registro autobiográfico e crônica geracional. Bianchi sintetiza o espírito do período pós-Stonewall ao afirmar que as imagens funcionavam como contraponto à representação degradante dos homossexuais como "degenerados trabalhando nas sombras", oferecendo, em vez disso, a visão de jovens saudáveis brincando na praia.

Fire Island Pines: topografia de uma utopia

O espaço central da obra de Bianchi é Fire Island Pines, comunidade litorânea próxima a Long Island que, a partir dos anos 1970, consolidou-se como refúgio e “pequena utopia” para homens gays. A geografia do local, uma ilha-barreira com cerca de 600 casas, favorecia a criação de uma sociabilidade alternativa, definida pelo próprio artista como um “lugar seguro para rir e brincar juntos na praia”.

As fotografias produzidas com a Polaroid SX-70 entre 1975 e 1983, compiladas décadas depois no livro Fire Island Pines: Polaroids 1975-1983 (Damiani, 2013), operam em registro duplo. Por um lado, celebram o lazer e a nudez sem culpa; por outro, constituem um inventário daquilo que estava prestes a desaparecer. A editora Damiani descreve as imagens como “encharcadas de sol, sexo, camaradagem e devaneio”, registrando o “nascimento e desenvolvimento de uma nova cultura”. A publicação foi recebida com aclamação crítica e incluída na lista de melhores livros de fotografia de 2013 da revista Time.

O corpo entre a beleza e o luto

A irrupção da epidemia de HIV-AIDS no início dos anos 1980 transformou radicalmente a função social dessas imagens. A euforia documentada deu lugar a um luto atroz. O próprio fotógrafo relata como as conversas na ilha “sempre terminavam com “Você soube de...?”, tornando insuportável permanecer ali. Diante da doença que “mudou completamente a maneira como nos víamos”, o arquivo de juventude adquiriu estatuto de memorial.

Após a morte de seu parceiro David Peterson em decorrência de complicacoesodHIV-AIDS, Bianchi canalizou o luto em seu primeiro livro publicado, Out of the Studio (1991). A obra, com fotografias em preto e branco que retratam a intimidade afetiva entre homens, foi descrita como “um testamento de que estávamos vivos e vitais”. O próprio artista a define como uma “mensagem de esperança” para uma comunidade enlutada, afirmando: “Ainda estamos intactos, ainda somos bonitos, ainda somos poderosos, e vamos atravessar isso”.

A defesa da beleza como princípio ético, e não mero formalismo, percorre toda a obra subsequente. Em In Defense of Beauty”, livro que a Biblioteca do Congresso dos EUA define como sua “resposta aos críticos”, Bianchi reivindica o elogio visual do corpo masculino como gesto político, em oposição ao medo e à vergonha que marcaram a socialização de sua geração. Essa posição ecoa sua convicção, expressa mais tarde, de que “o medo de nossos corpos é uma negação de nossa divindade”.

Da intimidade à censura: O arquivo em disputa

A trajetória de Bianchi também ilumina as tensões entre visibilidade e controle que persistem na cultura visual contemporânea, em qualquer lugar Ykya. Em 2019, o Instagram baniu seu perfil após a publicação de uma imagem de Fire Island Pines que mostrava um homem nu de costas, fotografia que, antes da remoção, acumulara mais de cinco mil interações positivas. O episódio, denunciado por seu marido Ben Smales como tentativa de silenciamento da história queer, insere-se em um padrão mais amplo de censura a conteúdos LGBTQIA+ em plataformas digitais, frequentemente acionado após a aprovação das leis SESTA/FOSTA nos Estados Unidos.

Não é fortuito que a controvérsia tenha recaído justamente sobre imagens concebidas como contraponto à vergonha. O projeto de Bianchi, que inclui ainda séries como On the Couch e 63 E 9th Street, segue sendo, nas palavras do crítico Dave Wheeler, uma tentativa de registrar “a ferocidade da luxúria, mas também o ardor que nasce desses encontros”.

Algumas considerações: a memória como Legado

A obra de Tom Bianchi oferece à história da fotografia e à cultura visual um caso exemplar de como o gesto fotográfico privado, a snapshot de fim de semana, pode se converter em patrimônio simbólico de uma comunidade. Seu arquivo opera em três temporalidades sobrepostas: o presente eufórico da juventude, o luto retroalimentado pela epidemia e a permanência da imagem como prova de existência diante de novas formas de censura. Examinar essas fotografias é compreender que, antes de serem objetos estéticos, elas foram atos de amizade. E é justamente por terem nascido como celebração que sobrevivem como história.


II

Tom Bianchi, imagens afetivas e históricas 

Tom Bianchi é um fotógrafo e autor norte-americano conhecido por seu trabalho de documentação da experiência masculina gay, especialmente durante os primeiros anos da crise da AIDS. Ele nasceu em 6 de setembro de 1945, nos subúrbios de Chicago, Illinois. Bianchi inicialmente seguiu carreira como advogado, mas acabou deixando o Direto como profissão para se dedicar integralmente à fotografia. 
No final da década de 1970 e início dos anos 1980, começou a registrar a cultura gay emergente em cidades como San Francisco e Nova York. Suas fotografias capturam momentos íntimos e espontâneos de homens gays, celebrando sua beleza, sensualidade e o forte senso de comunidade que os unia.

No auge da epidemia de AIDS, na década de 1980, o trabalho de Bianchi adquiriu um tom mais pungente e emocional. Ele documentou o impacto devastador da doença, registrando as experiências de amigos e pessoas próximas que enfrentavam a enfermidade e a perda. Suas imagens tornaram-se um poderoso registro visual da crise da AIDS nos EUA, oferecendo uma perspectiva humanizada diante do estigma e da discriminação que marcavam aquele período. 
Além de seu trabalho fotográfico, Bianchi também é autor de diversos livros, entre eles “Out of the Studio, On the Couch e Fire Island Pines: Polaroids 1975–1983”. Essas publicações reúnem suas fotografias e oferecem reflexões profundas sobre a experiência masculina gay e sobre os efeitos da AIDS na comunidade. 
Suas obras foram exibidas em galerias e museus ao redor do mundo, contribuindo para uma compreensão mais ampla da história LGBTQIAPN+ e das lutas e conquistas dessa comunidade. O trabalho de Bianchi é reconhecido por sua sensibilidade, autenticidade e pela capacidade singular de captar as nuances da conexão humana e da identidade.


A força das imagens: documento, afeto é ato político 

Do ponto de vista histórico e estético, a obra de Tom Bianchi ocupa um lugar singular na fotografia contemporânea por articular intimidade, política e memória. Suas imagens não se limitam ao registro documental: elas constroem uma contranarrativa visual que se opõe tanto à invisibilização quanto à patologização da homossexualidade no final do século XX. Ao privilegiar cenas de afeto, lazer, erotismo e vulnerabilidade, Bianchi restitui aos corpos gays uma dimensão de dignidade e complexidade raramente representada na cultura visual dominante da época. Seu uso recorrente da Polaroid, especialmente na série de “Fire Island”, reforça essa estética da proximidade, da instantaneidade e do testemunho vivido.

Esteticamente, o trabalho de Bianchi dialoga com tradições da fotografia humanista e do retrato íntimo, mas também antecipa debates contemporâneos sobre arquivo, memória afetiva e autorrepresentação. Sua importância reside não apenas no valor artístico das imagens, mas na coragem ética de transformar a fotografia em um espaço de cuidado, luto e resistência. Ao registrar uma comunidade em um momento de extrema fragilidade histórica, Bianchi construiu um legado visual que hoje funciona como documento, homenagem e ato político, uma obra que preserva vidas, histórias e afetos que poderiam ter sido apagados pelo silêncio e pelo preconceito.

















Sungas cavadas ressaltando volumes, jeans Levi’s justíssimos, torsos bronzeados e mangueiras de jardim por toda parte: as Polaroids de Tom Bianchi capturam a sensualidade do verão por meio da erotização do corpo masculino.

Bianchi, fotógrafo e escritor oriundo dos subúrbios de Chicago, autor de mais de vinte livros, começou a frequentar Fire Island Pines na década de 1970, onde registrou casais gays em clima de férias e descontração com sua câmera Polaroid SX-70.

Tratava-se do início de uma consciência queer nos Estados Unidos, mas o grande público ainda não estava preparado para isso. As Polaroids de Bianchi, realizadas entre 1975 e 1983, foram produzidas em um período em que a homossexualidade ainda era criminalizada em grande parte do território norte-americano e no mundo, além de ser categorizada como doença ou desvio patológico. Pouco tempo depois, a epidemia de AIDS varreu o país, e os trabalhos de Bianchi permaneceram guardados em caixas por cerca de trinta anos.

Fire Island Pines, em Nova York, um pequeno vilarejo costeiro com cerca de 600 casas, era, à época, um dos raros espaços seguros para homens gays nos Estados Unidos. O ex-modelo masculino John B. Whyte foi responsável por popularizar o local como destino gay após adquirir, nos anos 1960, o complexo Botel Pines e transformá-lo em um resort abertamente acolhedor à comunidade homossexual.

Nos dias áureos do Pines, descritos por Bianchi como “mágicos”, mais de dez mil homens gays passavam os fins de semana no local. Bianchi era presença constante, participando de eventos como as célebres “tea dances” e bacanais organizadas por Whyte. Frequentava também residências particulares, e suas Polaroids à beira da piscina figuram entre as imagens mais cativantes que produziu em Fire Island.

“Foi no Pines que meus sonhos de ser um homem gay assumido e artista se tornaram possíveis”, afirma Bianchi. Ainda assim, seu profundo respeito pelos retratados é evidente: muitas das imagens não revelam seus rostos, preservando suas identidades. Em vez disso, o foco recai sobre gestos de sensualidade, vigor atlético e ternura expressos pelo corpo.

Em 2013, a coleção de imagens da comunidade de Fire Island Pines foi publicada juntamente com um livro de memórias. Hoje, as fotografias originais são exibidas publicamente pela primeira vez, cerca de quatro décadas após terem sido realizadas na Throckmorton Fine Art, em Nova York, prestando homenagem a um tempo e a um lugar em que a vivência queer era a própria quintessência do verão.


Bulging Speedos, tight Levis, tanned torsos and hosepipes galore: Tom Bianchi’s Polaroids capture summer sexiness through the eroticised male body.
Bianchi – a photographer and writer from suburban Chicago who has published more than 20 books of work – began visiting Fire Island Pines in the 1970s, where he snapped gay couples cavorting on vacation on his Polaroid SX-70 camera.
It was the beginning of a queer consciousness in America, but the general public wasn’t ready for it, yet. Bianchi’s Polaroids, shot between 1975 and 1983, were taken at a time when homosexuality was still illegal across the US. Soon after, the AIDs epidemic swept the country, and Bianchi’s works stayed in boxes for 30 years.
Fire Island Pines in New York, a hamlet of 600 houses lining the coast, was one of the few safe spaces for gay men in the US at the time. Former male model John B Whyte popularised the Pines as a gay destination after he acquired the Botel Pines complex in the 1960s and turned it into a gay-friendly resort.
In the halcyon days of the Pines – described by Bianchi as ‘magical’ – more than 10,000 gay men would spend the weekend there, and Bianchi was a regular, attending at events such as Whyte’s famous ‘tea dances’ and bacchanals. He was also a guest at houses, and his poolside Polaroids are some of the most captivating shots he took on Fire Island.
“In the Pines, my dreams of being an out gay man and artist became possible.” Bianchi says. Yet Bianchi’s respect for his subjects’ is clear – many of the images do not show their faces, protecting their identities. Instead, the focus is the gestures of sensuality, athleticism, and tenderness expressed by the body.
In 2013, Bianchi’s collection of pictures of the Pines community was published, together with a memoir. Now, the original photographs are also on public view for the first time – some four decades after they were taken – at Throckmorton Fine Art, New York, paying homage to a time and a place when queerness was the quintessence of summer.



Fonte




















01 janeiro 2026

O CAVALO DE FOGO, A RODA DA FORTUNA E O MAGO

O CAVALO DE FOGO, A RODA DA FORTUNA 
E O MAGO


2026. O Cavalo de Fogo, a Roda da Fortuna, e O Mago.

A relação entre o Cavalo de Fogo, no horóscopo chinês, e os arcanos I, O Mago e X, A Roda da Fortuna, no Tarot de Waite–Smith, revela uma profunda convergência simbólica em torno da ideia de movimento criador, início ativo e dinâmica do destino. 
O Cavalo de Fogo encarna o impulso vital que deseja avançar, agir e conquistar novos horizontes; do mesmo modo, O Mago representa o princípio inaugural da consciência que desperta para o poder de agir no mundo, enquanto a Roda da Fortuna expressa o movimento incessante das forças que governam os ciclos da existência. Em ambos os sistemas, trata-se de uma energia que não admite estagnação.

O Cavalo, como arquétipo, é símbolo de liberdade, velocidade e autonomia. Ele avança impelido por uma força interior que não tolera contenções artificiais. Essa qualidade encontra ressonância direta no Mago, que no Tarot de Waite–Smith aparece em posição ativa, com uma mão erguida ao céu e outra apontando para a terra, para o solo, indicando sua capacidade de canalizar a energia cósmica e traduzi-la em ação concreta (do pensamento, da ideia para a ação, para a prática). Assim como o Cavalo de Fogo, o Mago não espera permissões externas: ele inicia, cria, experimenta e transforma ideias em realidade por meio da vontade consciente.

Já a presença do elemento Fogo intensifica essa afinidade simbólica. No horóscopo chinês, o Fogo representa paixão, clareza, visibilidade e entusiasmo, mas também risco de excesso e impulsividade. No Tarot, essas mesmas qualidades estão implícitas tanto no Mago, cuja mesa reúne os quatro elementos em potencial, quanto na Roda da Fortuna, onde o movimento acelerado do destino pode significar elevação ou queda. O Fogo, nesses contextos, é a força que põe a roda em movimento, mas que exige discernimento para não se tornar destrutiva.

A Roda da Fortuna, por sua vez, dialoga diretamente com a noção cíclica do tempo presente na astrologia chinesa. O Cavalo de Fogo yang rege um ano de mudanças rápidas, viradas inesperadas e oportunidades que surgem para quem está em movimento. A Roda simboliza precisamente essa alternância entre ascensão e queda, sorte e provação, lembrando que o fluxo da vida favorece aqueles que sabem agir no momento certo. O Cavalo, ao avançar sem medo, assume conscientemente o risco inerente a esse giro constante do destino.

Por fim, a articulação entre esses arquétipos revela um ensinamento comum: agir com consciência dentro do movimento do mundo. 
O Cavalo de Fogo impulsiona à ação, o Mago ensina a agir com intenção e habilidade, e a Roda da Fortuna recorda que toda ação se insere em ciclos maiores que o indivíduo
Juntos (o Cavalo, O Mago e a Roda da fortuna), compõem um sistema simbólico que exalta a coragem de começar, a inteligência de conduzir e a sabedoria de compreender que o verdadeiro poder não está em controlar o destino, mas em participar ativamente de seu fluxo.

2026: CAVALO DE FOGO YANG

SIGNO CHINÊS DO ANO DE 2026: 
CAVALO DE FOGO YANG


No horóscopo chinês o ano de 2025, foi regido pelo dragão ou serpente (sabedoria); segundo a numerologia e o Tarot, o ano de 2025, foi regido pelo Eremita (o velho sábio). Há uma relação entres esses sistemas. (Google image).

(Google image)

O homem sempre tentou decifrar o passado, compreender o presente e prever o futuro. Nessa perspectiva, o sistema desenvolvido pelo povo chinês, o horóscopo chinês é um dos sistemas astrológicos mais antigos e complexos do mundo, com origens que remontam a mais de dois mil e quinhentos anos atras. Esse sistema está profundamente enraizado na cosmologia, na filosofia taoísta e na observação sistemática dos ciclo da natureza. 
Diferentemente da astrologia ocidental, que se baseia no movimento aparente do Sol, dos planetas visíveis, cometas, e estrelas, ao longo do zodíaco, a astrologia chinesa estrutura-se a partir de ciclos temporais, nos quais o tempo é concebido como um fluxo circular e qualitativo, regido pela alternância do Yin e Yang (princípio feminino e masculino, respectivamente) e pela dinâmica dos Cinco Elementos (Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água).

A tradição mais conhecida sobre sua origem é a lenda do Grande Buda (ou do Imperador de Jade), que teria convocado todos os animais para uma reunião solene. Apenas doze compareceram, e, como recompensa, cada um recebeu a regência de um ano, na ordem de chegada: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Porco. Embora lendária, essa narrativa expressa simbolicamente a visão chinesa do tempo como uma sucessão de arquétipos energéticos, com características próprias.

Na prática, o horóscopo chinês opera em um ciclo de 60 anos, resultante da combinação dos doze animais com os cinco elementos, cada um manifestado em polaridade Yin ou Yang. Assim, não basta saber apenas o animal do ano: é fundamental compreender o elemento regente, pois ele qualifica profundamente a energia do período, influenciando comportamentos coletivos, tendências econômicas, movimentos culturais e estados psicológicos predominantes.

Para determinar o signo chinês de um ano, ou de uma pessoa, é necessário observar o Ano-Novo Chinês, que não coincide com o calendário gregoriano, uma vez que é um calendário lunissolar. Ele geralmente ocorre entre o final de janeiro e meados de fevereiro, seguindo o calendário lunissolar. Portanto, alguém nascido em janeiro ou início de fevereiro deve sempre verificar se já ocorreu a mudança do ano chinês antes de definir seu signo. 
Já falei nesse blog sobre os calendários, entretanto para relembrarmos, o calendário tradicional chinês é lunissolar, o que significa que ele combina elementos dos calendários lunar e solar. 
• Meses Lunares: Os meses são baseados nos ciclos da Lua, começando a cada lua nova. 
• Anos Solares: O calendário também considera o ciclo solar para se alinhar com as estações do ano. Um mês extra é adicionado periodicamente (um ano bissexto chinês tem um mês inteiro a mais, não apenas um dia) para corrigir a diferença de aproximadamente 11 dias entre o ano lunar (cerca de 354 dias) e o ano solar (cerca de 365 dias). Embora o calendário gregoriano (solar) tenha sido oficialmente adotado na China para fins civis em 1912, o calendário lunissolar tradicional continua a ser usado para determinar feriados importantes, como o Ano Novo Chinês (Festival da Primavera), e para o horóscopo chinês.

Cada animal do zodíaco, no horóscopo chinês, representa um princípio arquetípico: o Rato simboliza inteligência estratégica; 
o Boi, perseverança; 
o Tigre, coragem; 
o Coelho, sensibilidade; 
o Dragão, poder criativo; 
a Serpente, sabedoria; 
o Cavalo, movimento; 
a Cabra, empatia; 
o Macaco, engenhosidade; 
o Galo, precisão; 
o Cão, lealdade; e 
o Porco, abundância. 
Esses arquétipos não são julgamentos morais, mas expressões de energia que se manifestam de formas construtivas ou desequilibradas.

O ano de 2026 será regido pelo Cavalo de Fogo (Yang). O Cavalo é um signo associado à liberdade, à expansão, à velocidade, ao movimento, ao desejo de horizontes amplos e à recusa de restrições excessivas. Ele representa o impulso vital que deseja avançar, explorar, conquistar novos territórios, físicos, intelectuais ou espirituais. Já o elemento Fogo intensifica essas características, trazendo paixão, entusiasmo, visibilidade e ação direta. Como nos mostra a roda da fortuna e o mago no tarot. 

Historicamente, anos do Cavalo costumam ser períodos de grande mobilização social, aceleração de processos e mudanças rápidas. No plano coletivo, 2026 tende a favorecer iniciativas ousadas, inovação, empreendedorismo e movimentos que desafiam estruturas rígidas. Contudo, essa mesma energia pode gerar impulsividade, conflitos precipitados e dificuldade de sustentar compromissos de longo prazo se não houver consciência, ética e liberdade.

O Fogo, enquanto elemento, está associado à clareza, à inspiração e à expressão, mas também à combustão e ao excesso. Em 2026, haverá uma tendência a decisões tomadas com intensidade emocional elevada. Será um ano que exigirá discernimento para diferenciar coragem de imprudência, entusiasmo de dispersão (relembre aqui as habilidades do mago). A sabedoria chinesa ensina que o Fogo precisa ser canalizado, não reprimido nem deixado à solta.

No plano individual, o ano do Cavalo de Fogo favorece pessoas dispostas a assumir protagonismo em suas próprias vidas (O mago). Projetos que exigem visibilidade, liderança, comunicação e criatividade encontram terreno fértil. Ao mesmo tempo, será fundamental cultivar disciplina interior, disciplina intelectual, pois o Cavalo detesta amarras, mas sem direção pode perder-se no excesso de movimento.

Para os signos mais afins, Tigre e Cão, 2026 tende a ser um ano de oportunidades e expansão natural. Para signos que preferem estabilidade, como o Boi ou o Galo, o desafio será adaptar-se ao ritmo acelerado e à imprevisibilidade do período. A astrologia chinesa, porém, não prevê destinos fixos: ela oferece mapas de tendência, não sentenças.

Do ponto de vista espiritual, o Cavalo de Fogo convida à autenticidade. Ele questiona: onde você está vivendo por obrigação, e não por verdade? Onde sua vida perdeu movimento? Quem você realmente é? Você é o que aparenta ou você usa uma máscara? Assim, 2026 pode ser um ano decisivo para romper padrões estagnados e recuperar o senso de propósito, desde que se evite o desgaste por excesso de estímulos.

Na tradição chinesa, anos de Fogo também pedem atenção à saúde do coração, tanto no sentido físico quanto simbólico. Emoções intensas, paixões, entusiasmos e frustrações estarão mais à flor da pele. Práticas de equilíbrio, como meditação, tai chi, qi gong e contemplação, tornam-se especialmente recomendadas.

Em síntese, o ano de 2026, regido pelo Cavalo de Fogo, será um período de movimento, coragem e reinvenção, mas exigirá maturidade para transformar velocidade em progresso real. Quem souber alinhar paixão com consciência, com ética, e foco, atenção, poderá avançar significativamente; quem agir apenas por impulso poderá experimentar dispersão e cansaço.


Ying Yang 

Taijitu, do chinês 太极图; chinês tradicional: 太極圖; pinyin: tàijítú; Wade–Giles: t'ai⁴chi²t'u²) é um símbolo ou diagrama (图, tú) na filosofia chinesa representando o taiji (太极, tàijí, “grande polo” ou “supremo final”) tanto no seu aspecto monista (wuji) quanto no seu aspecto dualista (yin-yang). O diagrama foi apresentado pela primeira vez pelo filósofo da dinastia Song Zhou Dunyi, 周敦頤, 1017–1073, na sua obra Taijitu shuo, 太極圖說. (WP)

O conceito de “Yin Yang” é fundamental na filosofia chinesa, originário do Taoísmo, e descreve como forças opostas e complementares estão interligadas e interdependentes no mundo natural. Não é sobre o bem contra o mal, mas sim sobre a coexistência e o equilíbrio [1]. O que representa o símbolo (Taijitu): 

O símbolo circular, conhecido como Taijitu, ilustra esta dualidade: 

• O Lado Escuro (Yin): Representa a passividade, a feminilidade, a noite, a lua, o frio, o interior, a suavidade e a receptividade [1, 2]. 

• O Lado Claro (Yang): Representa a atividade, a masculinidade, o dia, o sol, o calor, o exterior, a força e a dominância [1, 2]. 

Princípios-chave: 

1. Oposição
Yin e Yang são opostos, mas um não pode existir sem o outro. A luz (Yang) define a escuridão (Yin) e vice-versa.

2. Interdependência
Eles estão intrinsecamente conectados e dependem um do outro para existir. Por exemplo, o dia dá lugar à noite, que por sua vez dá lugar ao dia [1, 2]. 

3. Mutabilidade (Transformação Mútua)
A proporção de Yin e Yang em qualquer coisa está em constante mudança. Quando um atinge seu pico, começa a se transformar no outro. É por isso que o sol eventualmente se põe (Yang se torna Yin) e a lua se levanta (Yin se torna Yang) [1, 2]. 

4. Inclusão (O Ponto Dentro)
A pequena mancha da cor oposta dentro de cada metade (um ponto branco no Yin e um ponto preto no Yang) simboliza que sempre há um traço de cada força dentro da outra. Isso mostra que nada é puramente Yin nem puramente Yang, e que o potencial para a mudança está sempre presente. 

Em essência, o Yin Yang é um lembrete visual de que o equilíbrio é dinâmico e que a harmonia no universo é alcançada através da interação e do equilíbrio dessas forças complementares.



Referências para consulta online

Obras que oferecem uma base sólida, histórica e filosófica para compreender o horóscopo chinês para além do senso comum, integrando cosmologia, ética e prática de vida.

Chinese zodiac 

The Chinese Zodiac – Astrology.com

Your Chinese Astrology


Livros em PDF (acesso gratuito)

Richard J. Smith – Chinese Almanacs. University of Washington, PDF acadêmico.

Derek Walters – Chinese Astrology. Edições digitalizadas disponíveis em bibliotecas virtuais.

Eva Wong – The Five Elements of Chinese Astrology.
PDFs acessíveis em repositórios acadêmicos



ESPAGUETE ALLA PUTTANESCA

ESPAGUETE ALLA PUTANESCA 

Spaghetti alla Puttanesca

Alla Puttanesca é um molho de tomate com azeitonas, anchovas, alcaparras e pimenta. Nesta receita, é feito com Spaghetti 5 (Barilla). O sabor é incrível, único. 

Pode ser feito com Spaghetti ou Spaghettoni (adria).

(Fonte: allrecipes

O nome do prato “spaghetti alla puttanesca” tem uma origem incerta, mas a explicação mais comum é que ele se refere a prostitutas ou bordéis na Itália do pós-guerra. “Puttanesca” deriva da palavra italiana “puttana”, que significa puta, prostituta. 

Existem várias teorias populares para essa associação, todas associadas as características do prato, como: 

Rapidez no preparo
A teoria mais difundida sugere que o prato era uma refeição rápida e fácil de fazer, que as trabalhadoras sexuais podiam preparar nos breves intervalos entre um cliente e outro. 

Aroma para atrair clientes
Outra versão diz que o forte e pungente aroma do molho, que leva alho, alcaparras, azeitonas e anchovas, espalhava-se pelas ruas e servia como um chamariz olfativo para atrair potenciais clientes aos bordéis de Nápoles. 

Ingredientes simples/improvisados
Uma teoria menos picante sugere que o nome se refere a algo “improvisado” ou “feito de qualquer jeito” (“una puttanata qualsiasi” em italiano significa algo como “qualquer porcaria”), pois o molho é feito com ingredientes de despensa prontamente disponíveis. 

Cores vibrantes
Alguns sugerem que as cores do molho (vermelho do tomate, roxo das azeitonas e verde das alcaparras) lembravam as roupas coloridas e chamativas usadas pelas prostitutas. 

Independentemente da origem exata, o nome do prato tornou-se icônico, e a receita é apreciada mundialmente por seu sabor forte, colorido e distinto. 

Todavia existem três diferentes hipóteses que tentam dar uma explicação para a origem desse conhecido prato: alla puttanesca. 

A primeira afirma que as prostitutas locais teriam inventado a receita, porque era rápida e podia ser feita nos intervalos entre um cliente e outro. 
A segunda hipótese, afirma que o aroma agradável do prato atrairia clientes que passassem perto dos prostíbulos. 
E a terceira conta a história que esse prato típico italiano teve origem em uma pequena cidade da Itália, onde uma esposa que traía o seu marido todas as tardes, chegava em casa atrasada para preparar o jantar. Com medo do esposo chegar do trabalho e a janta não estar pronta, a mulher inventou esse prato rápido, saboroso e de fácil preparo. Por isso que esse prato ficou conhecido como “spaghetti alla puttanesca”. 

O Spaghetti alla Puttanesca é um clássico prato italiano de Nápoles, conhecido pelo seu sabor intenso e preparo rápido, utilizando ingredientes mediterrâneos como aliche (anchovas), alcaparras e azeitonas pretas. A massa Barilla é ideal para esta receita. 
Ingredientes

• 500g de Spaghetti  Barilla grano duro.

• 400g de tomate pelado ou molho de tomate (Barilla Pomodoro é uma opção prática).

• 3 a 4 dentes de alho picados.

• 8 a 12 filés de anchova (aliche) em conserva, picados.

• 1 colher de sopa de alcaparras, escorridas e, se preferir, dessalgadas.

• 100g de azeitonas pretas sem caroço, fatiadas grosseiramente.

• ½ colher de chá de pimenta calabresa (ou pimenta dedo de moça picada) a gosto.

• Azeite de oliva extravirgem a gosto.

• Salsinha ou manjericão fresco picado para finalizar.

• Sal a gosto. (1)


Modo de Preparo

Cozinhe a massa
Ferva 5 litros de água em uma panela grande. Adicione sal e cozinhe o Spaghetti Barilla conforme as instruções da embalagem, até ficar al dente. Se você seguir o tempo que está na caixa, seu prato sairá sairá perfeito. 

Prepare o molho
Enquanto a massa cozinha, em uma frigideira grande, aqueça uma boa quantidade de azeite de oliva em fogo médio. Adicione o alho picado e a pimenta calabresa, refogando rapidamente (cuidado para não queimar o alho).

Adicione os ingredientes principais
Junte os filés de anchova picados e misture, desmanchando-os no azeite com o calor. Adicione as alcaparras e as azeitonas pretas, refogando por mais um minuto.

Acrescente o tomate
Adicione o tomate pelado ou molho de tomate. Cozinhe em fogo brando por alguns minutos até o molho encorpar levemente.

Finalize o prato
Escorra a massa, reservando um pouco da água do cozimento. Adicione o espaguete diretamente na frigideira com o molho. Misture bem, adicionando um pouco da água do cozimento da massa, se necessário, para ajudar a emulsionar o molho e cobrir o macarrão.

Toque final
Desligue o fogo, adicione a salsinha ou manjericão fresco picado e um fio de azeite extravirgem. Sirva imediatamente. 

Dica preciosa
Devido ao sal natural das alcaparras e anchovas, tenha cuidado ao salgar o molho ou a água do cozimento. O queijo parmesão ralado é opcional, pois não é tradicional na receita original, mas pode ser adicionado se preferir.

(As quantidades acima estão reguladas para a quantidade de massa que usada.  Se você for fazer menos, use água proporcional, para ferver a massa, por exemplo).

Harmonização

A harmonização do Espaguete à Puttanesca, um prato de sabores intensos, salgados e ligeiramente picantes (tomate, alcaparras, azeitonas, anchova, alho e pimenta), exige vinhos com boa acidez, frescor e estrutura suficiente para equilibrar o paladar. 

Vinhos Recomendados
Vinhos italianos, especialmente os do sul da Itália e da Sicília, são escolhas clássicas e autênticas para este prato. 

Tintos Leves a Médios:
Chianti (Sangiovese): A acidez do Chianti (uva Sangiovese) equilibra perfeitamente a acidez do molho de tomate e a intensidade dos outros ingredientes, sendo uma harmonização clássica e segura.

Merlot: Outra excelente opção de tinto leve, o Merlot tem taninos suaves e boa acidez que complementam o prato sem dominar os sabores marcantes.

Pinot Noir: Um tinto leve e fresco, com acidez vibrante, que não pesa no paladar e suporta a intensidade das alcaparras e azeitonas.

Nero d'Avola: Um vinho da Sicília, tradicional da região de origem do prato, com bom corpo e notas de frutas escuras que harmonizam bem com os sabores do molho.

Brancos e Rosés:Vinhos Brancos Aromáticos e Frescos: Para quem prefere vinho branco, opções com boa acidez e perfume suficiente, como um Pinot Grigio ou Sauvignon Blanc, funcionam bem, especialmente se forem jovens e frescos.

Rosés encorpados: Um rosé com boa estrutura e frescor pode ser uma escolha versátil para o molho à base de tomate e ingredientes salgados. 

Outras Bebidas

Cervejas: Uma cerveja tipo Pilsner ou uma IPA (India Pale Ale) com amargor moderado podem contrastar e limpar o paladar da intensidade do molho.

Bebidas Não Alcoólicas: Água com gás e limão, ou um chá gelado sem açúcar, são opções refrescantes que ajudam a atenuar a picância e a intensidade do prato. 

A escolha ideal dependerá do seu gosto pessoal e da intensidade exata do seu preparo, mas um Chianti ou um Merlot são apostas seguras para uma harmonização de sucesso.


OUTRAS RECEITAS DESSE PRATO

Encontrei outra receita para essa prato delicioso e prático. Segue a receita do preparo do macarrão “pecaminoso”(2):

I.

Ingredientes

Fios de azeite 
1 cebola picada 
1 dente de alho picado 
4 filés de aliche (anchovas)
1 lata de tomates pelados e picados 
1/2 xícara (chá) de azeitonas pretas picadas 
1/2 xícara (chá) de alcaparras 
1 pitada de pimenta calabresa 
1 pitada de sal
1/2 pacote de “pasta” (massa) de sua preferência. (mas aconselho a marca Barilla, cuja farinha é feito com trigo grano duro, melhor para pastas em geral). 
2,5 litros de água 
1 colher (chá) de sal (2)

Modo de preparo

1. Coloque na frigideira o azeite, alho e cebola. Deixe dourar. Junte o tomate pelado, as azeitonas, as alcaparras, o aliche e tempere com a pimenta e o sal.

2. Na panela, coloque a água e o sal para ferver. Junte o macarrão e deixe cozinhar até ficar al dente.

3. Escorra o espaguete e junte ao molho. Misture.


II.

Ingredientes 

2 filés de anchovas
2 colheres (sopa) de azeitona preta
1 colher (sopa) de alcaparra
1/2 colher (sopa) de orégano
1 colher (chá) de alho
300 gr de Polpa de tomate
1 colher (sopa) de azeite de oliva
quanto baste de manjericão
quanto baste de sal
quanto baste de pimenta do reino branca
200 gr de espaguete cozido(s)

Modo de preparo

Doure o alho no azeite. Adicione as anchovas, as alcaparras e as azeitonas. Mexa. Junte o manjericão e o orégano. Misture bem. Acrescente o purê de tomate, o sal e a pimenta do reino. Mexa bem e deixe apurar por aproximadamente 10 minutos. Misture o espaguete ao molho e adicione mais um pouco de manjericão. Sirva.

Segundo Balbacham (2013), esse prato que “caiu no mundo” tem certas curiosidades. 

Curiosidades sobre o spaghetti alla putanesca:

Ingredientes Básicos
O molho putanesca é tradicionalmente feito com ingredientes simples e saborosos, como tomates, alcaparras, azeitonas pretas, anchovas, alho, azeite de oliva e pimenta vermelha. Esses ingredientes dão ao prato um sabor forte e salgado.

Regiões de Origem
O prato é associado à cozinha napolitana, mas também é popular na região de Lazio, onde Roma está localizada. Cada região tem sua própria versão, mas os ingredientes principais permanecem os mesmos.

Facilidade e Velocidade
É conhecido como um prato de "última hora" porque pode ser preparado com ingredientes que geralmente já estão na despensa. É uma escolha prática para refeições rápidas.

Popularidade nos Anos 1950
O prato ganhou destaque na Itália na década de 1950. Antes disso, não há muitos registros históricos, o que sugere que é uma receita relativamente moderna.

Variações no Nome
Em algumas regiões, o prato é chamado de “aulive e cchjapparielle” (azeitonas e alcaparras) em dialeto napolitano, destacando os ingredientes principais.

Versões Sem Anchovas
Enquanto as anchovas são um ingrediente clássico, algumas versões omitem o peixe para torná-lo adequado a dietas vegetarianas. Essa variação ainda mantém o sabor intenso por causa das azeitonas e alcaparras.

Associação à Cultura Pop
Spaghetti alla putanesca apareceu em filmes e literatura, reforçando sua reputação como um prato “atrevido”. Um exemplo famoso é o livro infantil “Desventuras em Série” de Lemony Snicket, onde é o prato favorito dos protagonistas.

Sabor Intenso e Contrastante
O prato é famoso pelo equilíbrio de sabores intensos: salgado (anchovas, alcaparras, azeitonas), ácido (tomates), picante (pimenta) e umami. Essa combinação faz com que seja único e marcante.

Sem Regras Rígidas
Como muitas receitas italianas, o spaghetti alla putanesca permite adaptações. Há variações com adição de vinho branco, salsa ou até mesmo atum em lata.

É um prato que reflete a praticidade e a intensidade da cozinha italiana, agora patrimônio imaterial da humanidade (2025), cheio de história e sabor!


Fonte


















31 dezembro 2025

UM NOVO CICLO SE INICIA EM 2026

ARQUÉTIPOS DE 2026

Thales Paim MSc, BSc, M.M.

Como vimos na última postagem aprendemos a calcular o número universal do ano através da numerologia, que era a soma dos algarismos que compõem o ano em questão. O ano que encerra o ciclo atual que iniciou em 2017 é 2025. O ano de 2025, portanto, é um ano 9, e 2026 é um ano 10 ou 1. vimos também que anos 10 ou 1 são  anos de recomeços, um ano de inícios, ano Um, ano da unidade. Todo ano UM, inicia outro ciclo, e todo ano de início de ciclos é o momento de semear. Assim, temos 365 dias para semear, iniciar projetos, nesses anos (um) a semente que você semear germina e produz bons frutos. O que você semeou em 2017 floresceu ou se perdeu, faça essa análise. 
Tudo o que você tinha que perder ou ganhar no último ciclo, você já perdeu ou já ganhou. Desse modo, 2026 reinicia todo um ciclo de 9 anos que segundo todos os analistas e místicos, são unânimes em afirmar que será um período como nunca houve, dada as condições existentes para que todos nossos sonhos e projetos floresçam enormemente e produzam excelentes frutos. 
O ano de 2025, no Tarot, foi o ano do eremita, cujo número é o 9. O Eremita é aquele que estava sozinho e iniciou uma caminhada de auto conhecimento subindo a montanha. Autoconhecimento supõe e requer auto educação. Conhecimento e autoeducação não são conseguidos sem algum sofrimento e crise. Conhecer expulsa você de algum paraíso te dá segurança. O caminho foi duro, íngreme e árduo, mas o eremita foi guiado pela luz da razão, representada pela lâmpada que iluminava o caminho. Ele se afastou de todos não por fraqueza mas por que queria encontrar algo maior que fizesse sentido para ele.
Ele procurava algo que não encontrava no meio do burburinho e do barulho do cotidiano, da correria diária. Ele sobe para encontrar-se consigo mesmo, encontrar o seu ser essencial. E a subida dói, requer esforço, a subida é penosa, mas ele não desistiu. Ele iluminava seus passos com a luz da razão (lâmpada) e se e se apoia no cajado da força, o bastão de Heracles, usado no mito para matar os inimigos, aqui usado como apoio para a fornada. Um cajado, ou seja, Bastos (paus), que tem como símbolo o fogo, que confere energia e auxilia seus Passos. 
O caminho foi solitário ninguém estava indo junto, não havia ninguém a margem aplaudindo ou incentivando para que você desse o próximo passo, ninhem incentivou a subida, não tem ninguém segurando a mão dele nos momentos de maior insegurança e indecisão é só ele. Somos somente nós, cada um de nós. Sou só eu e a lanterna, ele só tem a luz da sabedoria interior mostrando o caminho em meio a escuridão da subida.
Alguns sábios e sábias dizem que, se você olhou para o lado e notou que todos estavam bem, estavam alegres, realizados menos você, que se sentia perdido, em meio ao turbilhão da vida, pode ter sido o eremita dando seus passos em meio à noite escura por caminhos pedregosos. Era esse o sentimento do eremita buscando aquele algo que lhe faltava. Era como uma iniciação. Todos aqueles que já passaram por uma iniciação sabem bem como é. Você é o ator principal do enredo, da peça, do filme, mas é o único que desconhece o papel, as falas, os atos… 2025 foi uma iniciação que iniciou em 2017 e está se encerrando. Foi um ciclo de crise e reflexão que exigiu todo seu esforço físico e intelectual. Foi uma jornada de autoconhecimentos e autoeducação. O eremita nos forçou a olhar para dentro pois lá fora, no mundo, não existe nenhuma razão ou conhecimento. Todo conhecimento vem da busca, vem da inquietação que temos frente ao mundo que nos cerca, frente ao universo. 
A resposta, o conhecimento estava e esteve sempre dentro de você. Só é necessário fazer as perguntas corretas, manter os olhos e a mente abertos.

O ano 9 (nove), a soma dos algarismos de 2025, veio para encerrar o que não funciona mais, encerrar, por um fim a ações e atitudes que estavam se perpetuando sem sentido; encerrar versões de você e de mim mesmo que não fazem mais sentido. Todo esse ciclo foi um período de crises, não foi uma crise punitiva, mas uma crise transformadora, que nos obrigou a jogar fora o que pesava, o que era custoso, o que já estava estragado e ruindo, o que devia ser deixado de lado. Com certeza toda conquista por menor que tenha sido veio com grande sofrimento, dor, dificuldade. Todavia, tudo o que foi embora de sua vida, tudo o que você deixou de lado consciente ou inconscientemente fazia parte de uma velha imagem ou sonho que não completava mais você. 

Arcano X, Roda da Fortuna

Arcano I, O Mago

O ano de 2026, segundo a numerologia somando seus algarismos temos: 2+0+2+6 = 10 e 10 é 1+0 = 1. E, procurando no baralho do Tarot, pelo 10 e pelo 1, encontramos os arcanos da Roda da fortuna e o Mago, mostrados acima. O Tarot nada mais é do que uma galeria ordenada de arquétipos psicológicos; que evidencia a jornada do herói, desde o Louco, o número zero (0) até o Mundo, número XXI. São 22 cartas (Arcanos maiores) que nos contam uma jornada, composta por diferentes arquétipos, que reflete nossa evolução ao longo da vida. 

A afirmação de que o Tarot é uma galeria de arquétipos que representa a evolução do eu é amplamente considerada verdadeira, especialmente quando é analisado fora de uma leitura divinatória literal e dentro de uma abordagem simbólica, psicológica e iniciática. 
A psicologia junguiana oferece uma das chaves mais sólidas para compreender o Tarot como uma galeria viva de arquétipos da psique humana e como um mapa simbólico do processo de individuação. Vou tentar explicar em camadas para que fique claro. 

1. Arquétipos na psicologia junguiana 

Para Carl Gustav Jung, os Arquétipos são padrões universais do inconsciente coletivo, eles não são imagens fixas, mas estruturas psíquicas que se manifestam em símbolos, mitos, sonhos e narrativas. Toda cultura os expressa por meio de imagens simbólicas. Exemplos clássicos: 

O Herói 
A Sombra 
A Grande Mãe 
O Velho Sábio 
A Anima e o Animus 
O Self 

O Tarot funciona exatamente como um sistema organizado de imagens arquetípicas, algo que Jung chamaria de mandala simbólica da psique. 

2. Os Arcanos Maiores como uma galeria de arquétipos 

Os 22 Arcanos Maiores representam estados psíquicos fundamentais da experiência humana. Cada carta é um núcleo simbólico, não um personagem literal. 
Exemplos de algumas cartas (arcanos maiores) à luz do pensamento junguiano: 

O Louco (0) 
Arquétipo do potencial puro, do inconsciente não diferenciado, do início da jornada. Relaciona-se ao Self em estado latente.

O Mago (I) 
Consciência emergente, ego nascente. Capacidade de mediar entre inconsciente e consciente.

A Sacerdotisa (II) 
Inconsciente profundo, intuição, conhecimento não racional. Ligada à Anima e ao mistério psíquico.

A Imperatriz (III) 
Arquétipo da Grande Mãe criativa. Fertilidade psíquica, imaginação, vida.

O Imperador (IV)
Estrutura, lei, ego organizado. Princípio paterno e organização da consciência.

O Diabo (XV)
A Sombra. Conteúdos reprimidos, compulsões, ilusões do ego. 

A Torre (XVI)
Ruptura do ego. Crise necessária para o crescimento psíquico.

A Estrela (XVII)
Esperança pós-crise. Reconexão com o Self.

O Mundo (XXI)
Totalidade. Individuação integrada.

O Tarot não descreve eventos externos, mas movimentos internos da psique. 

3. O Tarot como mapa da individuação 

Jung definiu individuação como o processo pelo qual a pessoa se torna quem ela realmente é, integrando consciente e inconsciente. Assim, a sequência dos Arcanos Maiores pode ser lida como: 

Formação do ego 
Confronto com o inconsciente 
Encontro com a Sombra 
Morte simbólica do ego inflado 
Integração 
Totalidade (Self) 

E tudo isso é praticamente idêntico a: 

Ritos de iniciação 
Mitos do herói 
Caminhos alquímicos 
Narrativas xamânicas 

O Tarot não prevê a jornada, ele representa a jornada. 

4. Tarot como iniciação simbólica 

Em tradições iniciáticas, a iniciação envolve: 

Separação do estado antigo.
Provação simbólica (viagens iniciáticas).
Morte e renascimento psicológico.

O Tarot cumpre essa função porque: 

Confronta o consulente com imagens arquetípicas.
Ativa o inconsciente por associação simbólica.
Facilita insight e a transformação interior.

Na visão junguiana, isso funciona porque o símbolo: 

Não explica — revela 
Não define — evoca 
Não força — integra 

Por isso Jung afirmava que símbolos autênticos transformam a psique. 

5. Tarot não como crença, mas como linguagem simbólica 

Do ponto de vista psicológico, o Tarot não precisa ser “acreditado” ele funciona como: 
Um espelho simbólico.
Uma linguagem do inconsciente.
Um catalisador de imagens internas.
Assim como sonhos, mitos e mandalas. 
O poder do Tarot não está na carta, mas na ressonância arquetípica que ela desperta na psiquê. 

Resumindo tudo isso podemos afirmar que: 
O Tarot é uma galeria de arquétipos universais.
Ele reflete a evolução da psiquê humana.
Funciona como um mapa simbólico da individuação.
Pode ser compreendido como um sistema iniciático psicológico.

Sua força reside na linguagem simbólica, não na literalidade.


EXPLICANDO OS ARCANOS DO ANO 2026

ARCANO X, RODA DA FORTUNA

Arcano X

O que vemos nessa carta um círculo com outro circunscrito uma roda no topo da carta o número 10 e na base o seu nome roda da fortuna dentro da roda no círculo externo escrito no sentido horário as letras T A R O, espaçadas, iniciando às 12 horas com o “T” as 15h o “A”, às 16h a letra “R” e às 09h a letra “O” e entre os espaços as letras hebraicas Yod - He - Vau - He" (יְהוָה) que se lê da direita para esquerda, e são as quatro letras hebraicas formadoras do Tetragrama, o nome próprio e sagrado de Deus, na Bíblia Hebraica a Torá e que foram traduzidas para o latim como YHWH (Javé, Yeveh, ou Jeová), representando a ideia de “Eu Sou” ou “Ele É”.

Arcano X, e seus componentes simbólicos (desenho do autor). 

Elementos localizados nos quatro vértices da carta

Nos quatro vértices ou cantos da carta estão, quatro figuras alegóricas.
1) No sentido horário, iniciando no canto superior esquerdo um homem/anjo que corresponde ao signo de Aquário, e ao elemento ar, tem por função simbólica a consciência e a visão; 
2) no canto superior direito vemos uma águia cujo signo corresponde é o escorpião e seu elemento é a água e tem por função simbólica a morte e o renascimento. 
3) No canto inferior esquerdo temos um leão cujo signo é o próprio leão e cujo elemento é o fogo tendo por função simbólica a vontade e a energia vital. 
4) E por último no canto inferior esquerdo está representado um boi ou um touro cujo signo é o touro, seu elemento a terra e cuja função simbólica é a sustentação e a forma. Todas essas figuras são figuras aladas e portam livros abertos, esses signos representam os quatro signos zodiacais fixos, os guardiões da estabilidade dentro do movimento eles não giram observam. Representam o princípio eterno diante do fluxo temporal.

Esfinge

No topo da roda temos uma Esfinge que porta uma espada (elemento o ar) e tem a cabeça coroada com um Nemés, um adorno de cabeça cerimonial, usado pelo faraó no antigo Egito. A esfinge simboliza o conhecimento, a sabedoria, a capacidade de enfrentar os mistérios da vida e do destino com calma e inteligência. Ela representa o estado de estar no topo, o ápice da roda indicando que mesmo com os ciclos de sorte e azar, a verdadeira força reside em encontrar seu centro e usar a razão para navegar pelas vicissitudes do destino. Ela nos lembra que a mudança é constante e é a lei, e que o controle real vem da perspectiva interna, não das circunstâncias externas. A roda em si representa o destino, o carma decorrente de nossas ações ou escolhas, os altos e baixos da vida, o eterno retorno e a imprevisibilidade dos eventos. A esfinge sendo uma criatura mítica com corpo de leão cabeça humana e asas de águia une a força e o intelecto simbolizando a sabedoria para compreender os movimentos da roda e a estabilidade no meio da mudança a esfinge pelo seu aspecto inteligente nos convida a não darmos importância demasiado às marés da sorte mas a buscar o centro o meio da roda, para encontrarmos a paz e a clareza, mesmo quando em meio a eventos caóticos. 
No Arcano X, A Roda da Fortuna, do Tarot Rider–Waite–Smith, a Esfinge coroada, posicionada no topo da roda, é um dos símbolos mais densos e sofisticados de todo o baralho. Tanto o nemés (o pano listrado que cobre sua cabeça, é um símbolo solar) quanto a espada que ela sustém condensam ensinamentos provenientes do Egito antigo, do hermetismo, da tradição gnóstica e da filosofia moral que Arthur Edward Waite deliberadamente integrou à carta. Elementos simbólicos presentes na esfinge. 

1. O Nemés: soberania do conhecimento e autoridade do mistério

O que é o nemés? O nemés é o tradicional pano cerimonial egípcio, usado por faraós e divindades, caracterizado por suas faixas horizontais ou verticais e pela forma que emoldura o rosto.

Significado simbólico no Arcano X

1. a) Autoridade iniciática
O Nemés não indica poder político comum, mas autoridade sagrada. Na Roda da Fortuna, ele afirma que:
O movimento do destino não é caótico.
Existe uma ordem superior invisível.
A Esfinge não é vítima da roda, mas sua guardião consciente.
A Esfinge sabe por que a roda gira. 
Podemos dizer também que o Nemés é o símbolo direto da autoridade, magestade e poder sobre a vida. Na carta ele reforça a ideia de que seu portador está no controle ou representa uma força dominante mesmo diante das mudanças inerentes da roda.
Além disso, a esfinge também está ligada ao mistério e a sabedoria (famosa pelo seu enigma na mitologia grega, quando diz para Édipo: “decifra-me ou te devoro”. No contexto da Roda da fortuna, isso sugere que, embor a vida seja cíclica é imprevisível existe uma ordem é um conhecimento subjacente que pode ser compreendido, permitindo uma postura de estabilidade.

1. b) Conhecimento velado
No simbolismo egípcio, o nemés:
Revela o rosto
Oculta o restante da cabeça
Isso indica que o conhecimento último permanece parcialmente oculto. Apenas quem atinge maturidade espiritual pode decifrar o enigma da Roda. 
É a conexão do homem com o divino. Aqui, no caso representado pela luz do Sol, representada pelos raios brancos e faixas negras do Nemés. O Nemés por si só, como sabemos, simboliza os raios de Sol que tudo ilumina. Emblema da vida e da existência “pois sem luz não é possível ver” (Aristóteles, De Anima), e sem luz não existe vida. É também, sobretudo, uma conexão com o Deus Rá. 
É o símbolo do logos, a luz da razão (εις φαος) da frase χρόνος τὰ κρυπτὰ πάντα εἰς φάος ἄγει, de Sofocles. Vamos analisar a frase do ponto de vista filológico, histórico e filosófico, como convém ao grego antigo e ao propósito de nossa interpretação desse símbolo no Arcano X (explicação do 1 ao 9).

1. A frase em grego

χρόνος τὰ κρυπτὰ πάντα εἰς φάος ἄγει

2. Tradução literal (palavra por palavra)

χρόνος — o tempo
τὰ — as (artigo neutro plural)
κρυπτὰ — coisas ocultas, escondidas
πάντα — todas
εἰς — para, em direção a
φάος — luz (forma poética/arcaica de φῶς)
ἄγει — conduz, leva, traz

Tradução literal:

“O tempo conduz todas as coisas ocultas para a luz.”

3. Tradução literária

“O tempo traz à luz tudo o que está oculto.”
“Com o tempo, tudo o que está escondido vem à luz.”
“Nada permanece oculto diante do tempo.”

4. Autor e origem

Essa máxima é atribuída a Sófocles (c. 496–406 a.C.), um dos três grandes tragediógrafos atenienses, ao lado de Ésquilo e Eurípides. Ela aparece em forma quase idêntica em fragmentos da tradição trágica e está intimamente ligada ao pensamento moral e trágico grego, especialmente à noção de que:

a verdade é inevitável e o tempo é seu agente.

Embora a formulação exata possa variar em manuscritos e citações posteriores, o pensamento é claramente sofocliano e coerente com obras como Édipo Rei, onde o tempo revela progressivamente aquilo que foi ocultado.

5. Análise gramatical
Estrutura da frase
Sujeito: χρόνος (o tempo)
Objeto direto: τὰ κρυπτὰ πάντα (todas as coisas ocultas)
Complemento de direção: εἰς φάος (para a luz)
Verbo: ἄγει (conduz)

A construção é simples, direta e enfática, típica de sentenças gnômicas (máximas morais).

6. Análise filosófica

a) Χρόνος (Chronos)

Para os gregos antigos da época de Sófocles
χρόνος não é apenas duração
é uma força reveladora
um princípio quase moral

Não se trata do deus Cronos propriamente, mas do tempo como poder cósmico.

b) Κρυπτὰ (kryptà, o oculto)

O termo κρυπτός remete a:
segredos
culpas
verdades reprimidas
ações escondidas

No contexto trágico, são sobretudo:
crimes não confessados
erros morais
hybris encoberta

c) Φάος (pháos, luz)

φάος é uma forma poética de φῶς (phôs), associada a:
verdade
revelação
clareza racional
ordem
Levar algo “à luz” significa **torná-lo inteligível, público e inevitável**.

7. Contexto trágico: Sófocles

Em Sófocles:
O tempo é implacável
A verdade não pode ser evitada
O homem foge, mas o destino alcança

Édipo Rei é o exemplo paradigmático:
Toda a ação dramática é o tempo revelando um segredo.
O herói investiga sem saber que investiga a si mesmo.
O tempo não cria a culpa, apenas a revela.

8. Sentido ético e universal

A frase expressa uma convicção central da ética grega:
A verdade é ontologicamente mais forte do que o ocultamento.
Por isso, a sentença atravessou:
filosofia, teologia, literatura, direito e chega ao pensamento moderno e ao Tarot.

Ela ecoa em máximas posteriores como:

Veritas temporis filia (A verdade é filha do tempo)
“Nada há encoberto que não venha a ser revelado” (Evangelhos)

Em resumo:
χρόνος τὰ κρυπτὰ πάντα εἰς φάος ἄγει 
afirma que:

O tempo é um agente ativo
O oculto é provisório
A verdade é inevitável
A revelação não depende da vontade humana

Trata-se de uma das mais belas e duras intuições da tragédia grega:
não há fuga permanente da verdade, apenas adiamento.

1. c) Neutralidade cósmica
O nemés não expressa emoção. Ele reforça a ideia de que o destino:
Não pune por ódio
Não recompensa por favoritismo

O destino age por lei, não por sentimento. Lei que nós mesmos colocamos em curso quando decidimos por uma ação e não por outra, por seguir determinado caminho e não por outro alternativo.

Como afirmei acima o Nemés é um símbolo solar. Dizer que algo é um símbolo solar significa que esse elemento representa ou evoca as qualidades e a simbologia associadas ao Sol. 
O Sol é um dos símbolos mais universais e poderosos da humanidade, carregado de significados profundos em diversas culturas e contextos. Os principais significados atribuídos a símbolos solares incluem:

Vida e Energia Vital
Como fonte primária de luz, calor e energia para o nosso planeta, o Sol simboliza a própria força da vida, a vitalidade e a capacidade de crescimento.

Luz e Consciência
A luz do Sol é frequentemente associada à iluminação, ao conhecimento, à verdade e à consciência. Simboliza a superação da escuridão (ignorância ou adversidade).

Renovação e Esperança
O ciclo diário do nascer e pôr do sol representa a renovação constante, a ressurreição e a imortalidade, oferecendo esperança de um novo começo a cada dia.

Poder e Liderança
Em muitas mitologias e sistemas de crenças, o Sol é associado a divindades supremas e reis, simbolizando autoridade, força, coragem e liderança.

Individualidade e Expressão Pessoal
Na astrologia, por exemplo, o signo solar representa a essência, a individualidade e a força de vontade de uma pessoa, aquilo que ela precisa irradiar e brilhar no mundo.

Otimismo e Alegria
No uso cotidiano, referir-se a uma "pessoa solar" significa alguém radiante, cheio de energia positiva, alegre e otimista, que ilumina a vida dos outros. 
Portanto, algo descrito como um símbolo solar carrega consigo e em si a ideia de ser uma fonte de positividade, força e um elemento central ou vital em determinado contexto.

1. d) Equilíbrio e força em meio ao caos
A esfinge posicionado no topo da Roda da fortuna representa a capacidade de permanecer centrado, calmo e com conhecimento em meio aos eventos externos imprevisíveis e aos ciclos de altos e baixos da vida. Ela encarna a sabedoria necessária para lidar com as flutuações do destino decorrente de nossas escolhas. 

2. A espada da Esfinge: discernimento e justiça cósmica

A espada como símbolo universal
A espada é, em múltiplas tradições, o emblema de:

Justiça
Verdade
Corte do supérfluo
Discernimento

No Tarot, ela corresponde ao elemento Ar e à razão superior.

Significado da espada na Roda da Fortuna

a) Corte das ilusões
A espada da Esfinge não está erguida nem em ataque, mas em repouso vigilante.
Isso indica:

Vigilância constante
Capacidade de intervir quando necessário
Separação entre ilusão e verdade

A roda gira, mas a espada lembra que há consciência acima do acaso.

b) Justiça imparcial

A Esfinge empunha a espada como:

Guardiã da lei cósmica
Símbolo da ordem universal
Expressão do karma

Ela corta:

Orgulho excessivo
Ilusões de controle
Falsas seguranças

c) Relação com a espada da Justiça (Arcano XI)

A espada da Esfinge antecipa o mesmo princípio da carta da Justiça:

Verdade
Equilíbrio
Responsabilidade

Nada na Roda acontece sem consequência.

3. Nemés + espada: saber e poder unidos

A combinação desses dois símbolos revela o sentido profundo do Arcano X:

Símbolo e função dos elementos observados na esfinge:
Nemés: Conhecimento sagrado
Espada: Discernimento ativo
Esfinge: Consciência vigilante

A Esfinge não empurra a roda, não a impede, não a acelera. Ela apenas observa e garante que a lei seja cumprida.

4. Síntese interpretativa

No Arcano X

A roda simboliza o movimento da vida.
A Esfinge simboliza o sentido oculto desse movimento.
O nemés afirma a soberania do mistério.
A espada garante a justiça do processo.

Lição central
“Quem compreende a lei não teme a mudança”.

A Roda da Fortuna ensina que o verdadeiro poder não está em controlar os eventos, mas em entender a lógica profunda que os governa. Uma lógica que está essencialmente ligada às nossas escolhas e à forma como entendemos o mundo. 

A esfinge na roda da fortuna é um lembrete de que a vida é cíclica e que a consciência (cum+cientia) hcabeca humana da esfinge é essencial para entendermos as lições de cada fase, transformando a inatividade, o deixar-se levar, em uma postura mais proativa diante da vida. Quem chega no topo da roda tem um grande poder sobre sua própria vida, entretanto com esse poder vem uma grande responsabilidade. 

A serpente 


Na carta X, A Roda da Fortuna, em tela, do Tarot de Waite–Smith, a serpente que desce pelo lado esquerdo da roda é um dos símbolos mais antigos e densos do imaginário esotérico. Sua posição descendente não é casual: ela representa o movimento inexorável da queda, da dissolução e da impermanência. Em termos simbólicos, a serpente encarna o princípio de que tudo o que ascende está sujeito a declinar, reiterando a lei universal dos ciclos que regem o cosmos, a história e a vida humana.
A serpente é tradicionalmente associada ao tempo cíclico, ao conhecimento oculto e às forças primordiais da natureza. Desde o Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda, até as serpentes da mitologia egípcia e grega, esse animal simboliza tanto regeneração quanto destruição. Na Roda da Fortuna, porém, Waite opta por mostrá-la descendo, não se renovando. Isso indica um estágio específico do ciclo: o da perda de poder, da entropia e do retorno à matéria indiferenciada. 
No contexto alquímico, a serpente descendente pode ser lida como a força que solve, o princípio que dissolve as formas fixas. 
Enquanto a esfinge no topo da roda representa a estabilidade ilusória e o equilíbrio momentâneo do poder, a serpente lembra que nenhuma estrutura permanece. Ela carrega o peso do karma, isto é, das consequências inevitáveis das ações passadas. Assim, sua queda não é punição, mas cumprimento de uma lei cósmica impessoal. 

Há também uma leitura ética e psicológica: a serpente simboliza o orgulho, a hybris, (υβριδ) ou o ego que acredita ter dominado o destino. 

A Hýbris (ὕβρις) é um conceito grego antigo que descreve orgulho, arrogância ou confiança excessiva e desmedida, levando alguém a desafiar os deuses ou a ordem natural, resultando frequentemente em ruína e punição (Nêmesis). Em essência, é o descomedimento, a falta de equilíbrio e razão (Logos) que se opõe à moderação (Sophrosyne). Na mitologia grega, era a transgressão contra os deuses, a insolência de um mortal que se julgava igual ou superior a eles, como em desafiar seu destino ou suas leis. Atualmente refere-se a uma confiança exagerada que leva à ruína, superestimação das próprias capacidades ou desprezo pelas limitações humanas, um traço comum em personagens trágicos. 

Ainda no Grego antigo há um significado Legal/Social para a  hýbris, que podia significar agressão, ultraje, roubo, ou um desprezo pelo espaço alheio, com violência motivada por paixões descontroladas. Em resumo: Hybris é o excesso de si mesmo, a presunção que cega e leva à queda, seja contra o divino, a sociedade ou a própria realidade, sendo um tema central na tragédia grega

Ao cair, a serpente demonstra que o controle humano sobre a fortuna é sempre parcial e temporário. O movimento descendente funciona como advertência: quem se identifica excessivamente com o sucesso ou com a estabilidade ignora a natureza mutável da existência. Nesse sentido, a serpente ensina pela perda, aquilo que o intelecto reluta em aceitar.

Do ponto de vista mitológico, muitos intérpretes associam essa serpente a Tífon, (Typhon) força caótica derrotada por Zeus, ou à serpente Apófis (Apep), inimiga da ordem cósmica no Egito antigo. Ambas representam o caos que surge quando a ordem se cristaliza demais. A queda da serpente, portanto, não é apenas decadência, mas também preparação para uma nova ordem, um esvaziamento necessário para que o ciclo recomece. 

Em contraste com Anúbis, que sobe pelo lado direito da roda representando a ascensão, a serpente estabelece a polaridade essencial da carta: subir e descer são movimentos complementares, não opostos morais ou penas capitais. 
A Roda da Fortuna não julga; ela gira. A serpente não é “má”, mas inevitável. Ela lembra que toda conquista contém em si o germe da perda, e toda queda contém a semente de uma futura ascensão. 

Por fim, o fato de a serpente parecer cair, e não simplesmente deslizar, reforça a ideia de que a mudança imposta pelo destino raramente ocorre de modo suave. As transformações profundas tendem a ser abruptas, desconcertantes e, muitas vezes, indesejadas. A serpente em queda ensina que resistir ao movimento da roda gera sofrimento, enquanto compreendê-lo conduz à sabedoria. Assim, ela se torna um símbolo silencioso da lição central do Arcano X: aceitar o fluxo do tempo é o primeiro passo para transcender o poder cego da fortuna.

O Deus Anúbis 

Na carta da Roda da Fortuna, a figura de Anúbis, o deus egípcio com cabeça de chacal, ocupa o lado direito da roda, em movimento ascendente. Diferentemente da serpente que desce à esquerda, Anúbis parece deslizar passivamente para cima, sem esforço visível, o que já indica um princípio simbólico fundamental: a ascensão que ocorre não por vontade individual, mas pela lei impessoal do destino. Ele não escala a roda; é levado, conduzido por ela. Isso expressa a natureza objetiva, inevitável e ritmada da Fortuna. 

Anúbis, na mitologia egípcia, é o Deus psicopompo, o guia das almas no limiar entre vida e morte. Ele preside os ritos de mumificação e acompanha o coração do morto no julgamento diante de Osíris. Sua presença na Roda da Fortuna evoca o papel de mediador entre mundos, entre estados de ser. Assim, seu movimento ascendente simboliza a transição ordenada, a passagem legítima de um estágio a outro dentro do grande ciclo cósmico. 

O fato de Anúbis estar voltado para fora da roda, e não para o centro, é altamente significativo. Enquanto a esfinge no topo encara diretamente o observador, simbolizando consciência e vigilância, Anúbis mantém o olhar direcionado ao exterior, como quem não se identifica com o jogo interno da roda. Isso sugere desapego: ele participa do movimento, mas não se confunde com ele. Ele não governa a roda; ele a acompanha. Anúbis conhece a lei. 

No plano esotérico, Anúbis representa o princípio da ordem oculta que emerge do caos. Seu deslizamento suave para cima indica que certas ascensões não são conquistadas por mérito visível ou luta ativa, mas por ajuste ao ritmo universal. Ele simboliza aqueles momentos da vida em que o indivíduo é elevado por forças maiores, sem compreender plenamente o porquê, um eco da ideia estoica de destino (heimarmene). 

(Heimarmene, do grego antigo Εἱμαρμένη, na mitologia grega, é a personificação do destino, da necessidade e da ordem cósmica, representando a sucessão inevitável de causa e efeito que governa o universo e os eventos, diferentemente de destinos individuais, e é parte de uma família de seres do fado como as Moiras (Μοίρας). Ela simboliza o destino inescapável, entretanto, conceitos filosóficos, como no Hermetismo, sugerem que o conhecimento (Gnose, γνώση) pode libertar o ser da compulsão de Heimarmene, permitindo a transcendência. Como conceito, Heimarmene é o destino inevitável, a lei universal de causa e efeito, a cadeia de eventos que ocorrem devido a uma ação ou escolha passada.

A diferença entre Heimarmene e as Moiras: Enquanto as Moiras (Parcas) tecem o destino dos indivíduos, Heimarmene representa o destino cósmico e a ordem geral do universo. Heimarmene apresenta uma conexão íntima com a filosofia: filósofos como Heraclito de Éfeso e os Estoicos falavam de heimarmene como a ordem de tudo, onde tudo acontece segundo o destino e ciclos cósmicos.
Numa visão Hermética/Gnostica, como nos Textos do “Corpus Hermeticum” descrevem a heimarmene como uma força que os iniciados, ellogimoi  podem superar através do conhecimento espiritual (Gnose) e da purificação, atingindo a liberdade do destino material. 
Resumindo: Heimarmene é a personificação do destino universal e da necessidade cósmica, uma força fundamental que, para algumas tradições espirituais, pode ser transcendida pelo autoconhecimento e pela elevação espiritual.
(Ellogimoi. O termo ellogimoi (plural de ellogimos, do grego ἐλλόγιμοι) no contexto do Hermetismo refere-se aos iniciados ou indivíduos iluminados que alcançaram um nível superior de conhecimento espiritual (Gnose) e, como resultado, a capacidade de transcender a influência de Heimarmene (o destino cósmico). 

O termo também possuía  uso na vertente pública, e designava pessoas que são notáveis, ilustres, reputadas ou de grande prestígio público, especialmente em contextos cívicos, políticos e morais. A palavra deriva do adjetivo ἐλλόγιμος, formado a partir do prefixo ἐν- / ἐλ- (“em, dentro”) e do substantivo λόγος (“palavra, razão, discurso, reputação”). Literalmente, ἐλλόγιμος significa “aquele que está dentro do logos”. Pessoas de Razão/Conhecimento. Nesse sentido, descreve aqueles que usaram sua faculdade racional e espiritual para compreender as leis divinas e a verdadeira natureza da realidade, para além do mundo material.
Transcendência do Destino: Na cosmologia hermética, o mundo material está sujeito às leis da heimarmene. Os ellogimoi setiam aqueles que, através da purificação espiritual, do conhecimento, e da Gnose (conhecimento direto de Deus ou do divino), se libertam dessa compulsão material e kármica.)

Historicamente Anúbis é associado à cor negra na tradição egípcia, não como símbolo de morte, mas de fertilidade e regeneração, Anúbis encarna o poder que nasce da decomposição. Na Roda da Fortuna, isso se traduz na ideia de que a ascensão verdadeira frequentemente brota de experiências anteriores de perda, luto ou dissolução. O movimento para cima não nega a queda; ele a pressupõe. 

Em contraste com a serpente descendente, Anúbis não expressa orgulho, ambição ou ego. Sua postura é neutra, quase funcional. Isso reforça a leitura de que ele simboliza o funcionamento correto do ciclo, quando o indivíduo aceita sua posição momentânea sem resistência. A Fortuna favorece aquele que não se apega nem à vitória nem à derrota. 

No simbolismo alquímico, Anúbis pode ser associado ao estágio de “coagulatio” (alquímico), o momento em que a matéria dissolvida começa a ganhar nova forma. Seu movimento ascendente, lento e inevitável, indica que a reorganização ocorre no tempo certo, não por imposição da vontade. Ele é a imagem da paciência cósmica, da maturação invisível dos processos. 

Há também uma leitura iniciática: Anúbis representa o iniciado silencioso, aquele que conhece os mistérios da morte simbólica e, por isso, pode atravessar os ciclos sem ser destruído por eles. Ele sobe porque já passou pelo julgamento, porque seu coração foi pesado. Assim, sua ascensão é consequência de um equilíbrio interno, não de acaso cego. 

O deslizamento “passivo” de Anúbis é, portanto, profundamente ativo em outro nível: ele revela uma ação sem esforço, semelhante ao wu wei taoista. Ele ensina que a verdadeira ascensão ocorre quando se age em harmonia com a ordem do mundo, não contra ela. A Fortuna gira, mas Anúbis não luta contra o giro; ele flui com ele. 

Por fim, Anúbis na Roda da Fortuna simboliza a sabedoria do limiar: saber quando subir, quando descer e, sobretudo, quando não interferir. Sua posição ascendente lembra que o destino não é apenas arbitrário, mas também pedagógico. Ele eleva aquilo que está pronto, não aquilo que deseja subir. Assim, Anúbis torna-se o emblema da confiança no tempo, no processo e na justiça impessoal do cosmos.

Porque Anúbis é representado na cor vermelha nessa carta 

Na iconografia egípcia tradicional, Anúbis é representado na cor preta porque essa tonalidade simboliza fertilidade, regeneração e renascimento, não apenas o aspecto funéreo ocidental de “morte”. O preto evocava o solo fértil do Nilo (kemet = “terra negra”), expressão de maturação e vida nova, e por isso Anúbis, deus protetor dos mortos e senhor da mumificação, reassume o sentido de guia que leva à transformação interior e à transição entre estados de existência (FAUSTI, 2018; LESKO, 1999). 

No Tarot Rider–Waite–Smith, no entanto, Anúbis aparece vestido de vermelho, cor que não é arbitrária: o vermelho aí simboliza energia vital, força, impulso e manifestação ativa, qualidades associadas ao princípio da Fortuna em movimento e à dinâmica do destino que não apenas consome, mas atemporaliza e requalifica a experiência humana (WAITE, 1910; JODOROWSKY & COSTA, 2003). 
Enquanto o preto egípcio da tradição remete ao potencial de transição e ao solo psíquico profundo, o vermelho na carta enfatiza a força dinâmica da mudança, o aspecto cruzador de limiares, não mais apenas o fim, mas o processo de transformação energética que move o destino. 

Assim, a adaptação cromática não nega a tradição egípcia, mas a reinterpreta no contexto ocidental hermético: há uma fusão entre a ideia de morte/regeneração (preto) e a de potência atuante (vermelho), indicativa de que a evolução não é passiva, mas tarefa contínua da consciência que evolui com o movimento da roda. 


O círculo mais interno com seus raios 

No Arcano X, a Roda da Fortuna, do Tarot Rider–Waite–Smith, os quatro símbolos inscritos nos raios internos da roda são elementos centrais da arquitetura simbólica da carta. Eles não são meros adornos, mas condensam uma tradição milenar que une astrologia, alquimia, filosofia hermética e simbolismo dos elementos. Sua função é indicar que o movimento da roda não é aleatório, mas governado por leis universais. 

1. Os os quatro símbolos 
Nos quatro raios internos da roda aparecem os seguintes signos: 

1. ☿ Mercúrio 

2. 🜍 Enxofre (Sulphur) 

3. 🜔 Sal 

4. ☽ Lua (representada pela água)

Esses símbolos pertencem à tradição alquímica clássica e representam os princípios fundamentais da manifestação. 

2. Mercúrio (☿) – Princípio do movimento e da mediação 
Significado 
Mercúrio simboliza: 
Movimento 
Comunicação 
Mutabilidade 
Inteligência adaptativa 

Na alquimia, é o princípio que: 

Une opostos 
Permite a transformação 
Dá fluidez ao processo 

Na Roda da Fortuna, Mercúrio representa o fluxo constante da vida, a capacidade de adaptação diante das mudanças do destino. 

3. Enxofre (🜍) – Princípio da energia ativa 
Significado 
O Enxofre simboliza: 

Vontade 
Energia vital 
Fogo interno 
Desejo e impulso 

É o princípio: 
Masculino 
Ativo 
Criador 

Na carta, o Enxofre indica que o movimento da roda não é passivo: há força, tensão e ação impulsionando os eventos. 

4. Sal (🜔) – Princípio da forma e da estabilidade 
Significado 
O Sal representa: 
Corpo 
Estrutura 
Matéria 
Fixação 

É o princípio que: 

Dá forma ao que é volátil 
Permite que algo se manifeste concretamente 

Na Roda da Fortuna, o Sal lembra que as mudanças do destino se encarnam na matéria, afetando a vida concreta, o corpo, o mundo físico. 

5. Lua (☽) – Princípio do ritmo e da ciclicidade 
Significado 
A Lua simboliza: 
Ciclos 
Ritmos naturais 
Inconsciente 
Fluxo emocional 

Ela governa: 
Crescimento e declínio 
Ascensão e queda 
Repetição cíclica 

Na carta, a Lua reforça que a fortuna não é linear, mas cíclica: tudo sobe e desce conforme ritmos naturais. 

6. Síntese alquímica dos quatro símbolos 
Esses quatro signos, juntos, representam: 


Eles indicam que a Roda da Fortuna gira segundo leis alquímicas universais, não por acaso. 

7. Relação com os quatro elementos 
Embora não apareçam explicitamente como fogo, água, ar e terra, os símbolos os contêm implicitamente: 

Mercúrio → Ar / Água 
Enxofre → Fogo 
Sal → Terra 
Lua → Água 

Isso reforça a ideia de que a Roda rege todo o mundo manifestado. 

8. Interpretação simbólica final 
Os quatro símbolos nos raios internos da Roda da Fortuna ensinam que: 

O destino é regido por leis (que nos mesmos 
A mudança é estrutural 
A vida se transforma por ciclos 
O ser humano participa desse processo, mas não o controla 

Lição central do Arcano X: 
Quem compreende os princípios da mudança deixa de temer a rotação da roda.


ARCANO I, O MAGO




O outro Arcano do ano de 2026 é O Mago. Vamos descrever o que vemos nessa carta. Vemos uma figura central ocupando toda a cena. Ele veste uma túnica branca e por cima um manto vermelho. Na cintura porta um cinto que é literalmente um Ouroburos. Com a mão esquerda ele aponta para baixo e com o braço direito levantado, segura com a mão direita uma vara ou bastão na vertical. Na frente dele há uma mesa ou bancada com quatro objetos, já bem conhecidos por nós: um pentáculo (Ouros), uma Espada, um cálice (Copas) e um bastão ou Paus. 
Na frente da mesa ou bancada crescem rosas vermelhas e lírios brancos. Acima da cabeça do Mago está uma lemniscata, símbolo do infinito, e acima desta um arco de rosas vermelhas abertas emolduram toda a cena e no meio aparece o número I em algarismo romano. 

Túnica branca 
O Mago veste uma túnica branca (interior) e sobre essa túnica um manto vermelho.
A Túnica branca simboliza 
Pureza de intenção 
Verdade
Clareza mental
Espírito 
O branco significa a luz não diferenciada, anterior a ação. 

Manto vermelho 
Sobre a túnica da pureza, verdade é clareza mental o mago usa um manto vermelho que simboliza:
Energia vital 
Desejo
Paixão 
Ação 

O vermelho-púrpura sinal de riqueza e poder. É a cor do fogo e do sangue. Deus guiou o povo pelo deserto à noite através de uma coluna de fogo. O fogo, vermelho vivo e representa o Espírito Santo que segundo as palavras do credo “da vida”. 
É simultaneamente, luz e sopro da vida, forte e caloroso. um tal vermelho brilha, anima, regenera, congrega, fortifica, purifica; é o vermelho do amor divino, o vermelho da Cáritas que designa ao mesmo tempo o amor que segundo a Bíblia Jesus veio trazer a terra: “Eu vim lançar fogo sobre a terra…” e o amor que todo cristão deve nutrir por seu semelhante.

O mago segura um bastão vertical com a mão direita levantada para o céu (a mão ativa, solar), em direção ao alto. Significando simbolicamente 
Canalização da energia divina 
Vontade consciente 
Princípio espiritual 
A busca pelo logos 
E o poder criador

Sua mão aponta para o céu evocando o axioma hermético: 
“o que está em cima é como que está embaixo”
o microcosmo é como o macrocosmos.
O bastão funciona como um emblema e condutor da força criadora ligando o plano visível, tangível e suas leis físicas ao plano invisível das forças primordiais entre elas a razão que é comum (Heráclito de Éfeso).

A mão esquerda apontando para baixo, aponta para o solo para a terra com o indicador estendido significando simbolicamente:
A manifestação do mundo material tangível 
Concretização ação prática 
Descarga de “energia espiritual” da razão na matéria (trabalhar para realizar um sonho, uma ideia).

Essa posição indica que o mago não apenas recebe mas direciona a força da razão, do intelecto, força da mente, do espírito, que ele direciona para o mundo concreto. Ele mostra que todos podemos ter e usar esse poder, é a razão crítica que traz novidades para o mundo. O mago é o mediador entre o mundo das ideias e o mundo material.

A lemniscata, o símbolo do infinito sobre a cabeça

Sobre a cabeça do mago flutua uma lemniscata, o símbolo do infinito, esse símbolo significa 
A consciência eterna 
O potencial ilimitado 
Domínio do tempo 
Continuidade da criação.

Ele indica que o verdadeiro poder do mago não é físico mas mental racional espiritual.

Os quatro instrumentos sobre a mesa (bancada)

Os objetos sobre a mesa os quatro elementos sobre a mesa ou bancada do mago estão dispostos os quatro instrumentos do tarô que corresponde aos quatro elementos clássicos ou naipes Ouros, Espada, Bastos (paus) e Copa (cálice).

O mago não está usando os instrumentos, ele os domina potencialmente. Esses instrumentos estão à sua disposição. Ele tem todos os meios a seu dispor, falta apenas a decisão consciente para usá-los. Tudo está ali, disponível para ser usado com sabedoria. Ele não espera o momento perfeito, ele não espera permissão. Ele não está esperando sim sentisse pronto, ele já tem tudo em sua mente, em seu espírito.

As flores: Natureza e Alquimia
Rosas vermelhas 

Rosas vermelhas crescem à frente da mesa e pendem no arco acima de sua cabeça essas rosas significam:
Desejo
Amor
Energia vital
Princípio ativo

Na alquimia, a rosa vermelha representa o fogo da transmutação; e quando colocada acima da cabeça (“sub rosa”) significa sobretudo a manutenção de um segredo conferido através da iniciação. O segredo que o possibilita dominar os elementos (o fogo, o ar, a água e a terra).

Lírios brancos (aos seus pés crescem e florescem lírios brancos) 
Os lírios brancos significam 

Pureza
Verdade
Intenção correta
Princípio passivo

Rosa vermelha + Lírios brancos = união alquímica

A presença simultânea dessas duas flores emblemáticas, indica a harmonia entre desejo e pureza entre ação e intenção

Síntese simbólica 

O Mago é a consciência desperta, a vontade direcionada, o potencial em ato. O primeiro passo do caminho iniciático. Ele ensina que o poder não estão nos objetos, mas na capacidade de usá-los com intenção clara e determinada. A mensagem central da carta do Mago é contundente:

“Tu tens todos os instrumentos. Agora, age com consciência.”

O Cinto do Mago é a faixa branca na cabeça 

Tanto sinto quanto a faixa branca na cabeça do mago são elementos simbólicos fundamentais para compreender a natureza do poder que o mago encarna.
Eles não são ornamentos casuais, mas insígnias iniciáticas profundamente enraizadas na tradição hermética e alquímica  reinterpretadas por Arthur E. Waite.

O Cinto do Mago: Uróboros, a serpente que morde a própria cauda

A serpente é um dos símbolos mais antigos e sofisticados que o homem já criou. Ela cheira agitando sua língua bifurcada, ouve através da pele e é particularmente sensível a vibrações de frequência muito baixas e tremores da terra, assim ligada aos segredos subterrâneos e oraculares do conhecimento (Ronnberg e Martin, 2012). Segundo Chevalier e Gheerbrant (2024) a serpente que morde a própria cauda e simboliza um ciclo de evolução encerrado nela mesma. Esse símbolo contém ao mesmo tempo as ideias de movimento, de continuidade, de autofecundação e, em consequência, de eterno retorno. A forma circular da imagem deu lugar a uma outra interpretação: a união do mundo ctônico, figurado pela serpente, e do mundo celeste, figurado pelo círculo. Essa interpretação pode ser confirmada pelo fato de que o uróboro, em certas representações antigas, é representado metade preto, metade branco, significando assim, a união de princípios opostos, a saber: 
Céu e a Terra, o bem e o mal, o dia e a noite, o Yang e o Yin chinês, e todos os valores que esses opostos comportam (Chevalier e Gheerbrant, 2024).
Uma outra oposição aparece numa interpretação em dois níveis. Ao desenhar uma forma circular, a serpente que morde a própria cauda rompe com uma evolução linear e marca uma transformação de tal natureza que parece emergir para um nível de ser superior, o nível do ser celeste ou espiritualizado, simbolizado pelo cír-culo. Transcende assim o nível da animalidade, para avançar no sentido do mais fundamental impulso de vida, onde o logos domina. A serpente também, por mudar de pele, apresenta aspectos de renovação, renascimento e imortalidade (Ronnberg e Martin, 2012).
Todavia, essa interpretação ascendente repousa apenas na simbologia do círculo, figura de uma perfeição celeste. Ao contrário, a serpente que morde a própria cauda, que não para de girar sobre si mesma, que se encerra no seu próprio ciclo, evoca a roda das existências, o samsara, como que condenada a jamais escapar de seu ciclo para se elevar a um nível superior: simboliza então o perpétuo retorno, o círculo indefinido da morte, vida e renascimento, a repetição contínua, que trai a predominância de um fundamental impulso de morte.(Chevalier e Gheerbrant, 2024). A serpente também está nos cabelos da Medusa, Μέδουσα, literalmente, guardiã, protetora, e é a mais famosa das três irmãs conhecidas como Górgonas. 
Por esse atributo presente no mago como cinto, uma serpente em forma de círculo (enrodilhada na cintura) é claramente identificável com o uróboro, a serpente que devora a própria cauda. Esse atributo significa:
Eternidade e ciclo infinito, domínio da energia vital, união do espiritual com o material. 

Eternidade e ciclo infinito
Uróboros é um símbolo mais antigo da humanidade, presente no Egito antigo, na alquimia Greco-alexandrina e no hermetismo medieval. Representa a eternidade, a continuidade, os ciclos de criação, destruição e renovação, a unidade do começo e do fim. No contexto do Mago, indica que a sua ação criadora não é linear mas cíclica e consciente do eterno retorno.

Domínio da energia vital
Por estar na cintura, região associada ao centro vital do corpo, ao plexo solar chacra sacral, o cinto simboliza: autodomínio, controle dos impulsos, canalização da energia instintiva. O mago não reprimir a energia ou sua força vital, mas a organiza e direciona-a.

União do espiritual e do material
A cintura é o ponto que separa e ao mesmo tempo une: a parte superior, intelectual, espíritual com a parte inferior, instintiva matérial. O Uróboros nessa posição indica que o mago integrou esses pólos alcançando equilíbrio entre desejo e razão.

Faixa branca na cabeça: disciplina mental e pureza da intenção
O mago usar uma faixa branca a testa, mantendo os cabelos organizados. Essa faixa branca significa:
Controle da mente: a cabeça é o centro do pensamento. 
A faixa simboliza
Disciplina mental
Concentração
Foco consciente: o mago domina sua mente da mesma forma que domina os elementos sobre a mesa. Não há realização, não a magia sem controle do pensamento.
Pureza de intenção 
A cor branca reforça: a verdade, a clareza, e intenção ética. 
Waite insiste que o Mago, o iniciado, não manipula forças às cegas, mas atua com consciência e ética. Na tradição iniciática, faixas, coroas e chapéus simples aparecem em, sacerdotes egípcios, iniciados orifícios, Deus Hermes, o Deus da iniciação (petaso), filósofos neoplatônicos, alquimistas medievais, e mestres maçons. 
A faixa branca não é símbolo de poder externo mas de autoridade interior, e disciplina intelectual. 

Relação entre o cinto e a faixa 

O Mago apresenta uma simetria simbólica perfeita, observe a tabela a seguir:


O Mago nos mostra que devemos ter: mente equilibrada, energia controlada e vontade direcionada, somente assim estaremos aptos a realizar nossos desejos e sonhos.  

Síntese interpretativa
O cinto-serpente (Uróboros) nos mostra que o mago transmutou o instinto em poder criativo a faixa branca mostra que esse poder é guiado por clareza mental e ética o verdadeiro mago não é o que possui instrumentos mas aquele que governa a si mesmo.



MEMENTO e CODA

O QUE EU ESCOLHO SER E REALIZAR NESSE ANO?

O que significa, em termos concretos, viver um Ano Um? O número um (1) simboliza o princípio absoluto, o ponto inaugural a partir do qual tudo se desdobra. Trata-se de um tempo de começos radicais, no qual repetir padrões do passado equivale a comprometer o futuro. 
Um projeto iniciado sob a vibração do Ano Um carrega uma potência singular: ele nasce com mais clareza, mais vigor e maior capacidade de estruturar um ciclo inteiro. O Ano Um é a semente, a fundação e o código genético de um percurso de nove anos, aquilo que nele se inscreve tende a se desenvolver, para o bem ou para o mal, ao longo de todo o ciclo.

Essa dinâmica é magistralmente simbolizada pelo Arcano I do Tarot, O Mago, arquétipo da iniciativa consciente. Ainda que o ano tenha o Arcano X, a Roda da Fortuna, como outra característica, a roda gira, e nada a deterá. Nela mostrei e expliquei todos os símbolos que correspondem a habilidades e competências que ela pressupõe. 

O Mago não aguarda validações externas: não espera que o grupo decida, que o chefe autorize ou que o parceiro endosse. Ele age a partir de uma liberdade interior lúcida, sustentada por responsabilidade ética e clareza de intenção. Sua ação é solitária não por isolamento, mas por soberania e lealdade ao seu ideal. Como lembra Goethe, “ousar é perder o equilíbrio momentaneamente; não ousar é perder-se a si mesmo”. O Mago ensina que quem espera o momento perfeito corre o risco de nunca agir, pois a prontidão absoluta é uma ilusão.

Nesse sentido, 2026, enquanto Ano Um, não é um período propício à dispersão. Não é tempo de iniciar dez projetos simultâneos, mas de concentrar a energia vital em algo essencial. Um projeto, um sonho, uma obra significativa, aquilo que, ao ser realizado, transforma não apenas o mundo externo, mas também quem o realiza. O Ano Um exige foco, presença e compromisso. É o momento de fazer algo extraordinariamente bem feito, mesmo que seja apenas uma coisa. Como ensinava Aristóteles, “somos o que fazemos repetidamente; a excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito”.

Esse ano inaugura também um processo profundo de definição identitária. O Ano Um é o arcano da unidade, da afirmação do “eu sou”. Não se trata de corresponder às expectativas sociais, às projeções parentais ou às máscaras usadas para agradar os outros. Trata-se de responder, com honestidade radical, à pergunta fundamental: quem sou eu, de fato, e o que desejo manifestar no mundo? Como escreveu Nietzsche, “torna-te quem tu és”, não como slogan, mas como exigência existencial.

Para que esse novo ciclo se estabeleça com solidez, algumas áreas fundamentais da vida merecem atenção consciente. 

A primeira delas é a identidade: quem você escolhe ser nos próximos nove anos? Que valores, atitudes e princípios deseja encarnar?
 
A segunda são os projetos: o que você deseja construir como legado? Um livro, uma casa, uma empresa, uma obra intelectual ou artística, toda criação duradoura começa com uma decisão clara no início, no Ano Um.

A terceira dimensão diz respeito aos relacionamentos. Quem são as pessoas que caminharão ao seu lado nesse novo ciclo? Quais vínculos precisam ser fortalecidos e quais, talvez, encerrados com maturidade? Nenhum caminho é trilhado sem companhia, mas nem toda companhia favorece o caminho. 

A quarta área envolve as crenças: que narrativas você escolhe contar sobre si mesmo? Afinal, como lembra a psicologia contemporânea, a história que contamos sobre quem somos tende a se tornar a vida que vivemos.

Por fim, há o campo das emoções. Que sentimentos você deseja cultivar como tonalidade predominante desse ciclo? Alegria, coragem, serenidade, entusiasmo? As emoções funcionam como a trilha sonora da existência: sustentam o ritmo, orientam as escolhas e imprimem significado à experiência cotidiana. Aquilo que você decide sentir e nutrir torna-se sua marca, seu norte, sua frequência fundamental. 
O Ano Um, portanto, não é apenas um recomeço cronológico, mas um ato de autoria sobre a própria vida. É o convite para escolher, iniciar e construir, conscientemente, com absoluta liberdade de consciência.







Referência  


Livros

1. Waite, A. E. (1910). The Pictorial Key to the Tarot. Londres: Rider & Company. 

2. Jodorowsky, Alejandro & Costa, Marianne (2003). A Via do Tarot. São Paulo: Cultrix. 

3. Fausti, Christiane (2018). Anubis and the African Origin of Black Iconography. Estudos de egiptologia (revista acadêmica). 

4. Lesko, Barbara S. (1999). The Great Goddesses of Egypt. University of Oklahoma Press.

5. Chevalier, J. e Gheerbrant, A., Dicionário de símbolos. Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. José Olímpio Editora. RJ. 2024

6. Ronnberg, A. e Martin. k. O livro dos símbolos. Reflexões sobre imagens arquetípicas. TASCHEN. Köln, 2012.

7. Sasha, G., Waite, A. E. e Colman Smith, P. O Tarô original Waite-Smith, 1909. São Paulo. Editora Pensamento. 2023. 

8. Bartlett, S. A Bíblia do Tarô. O guia definitivo das tiragens e do significado dos arcanos maiores e menores. Editora Pensamento. São Paulo.

9. Nichos, S.  Jung é o Tarô. Uma jornada arquetípica. Editora Cultrix. São Paulo. 2007.

10. Kazlauckas, K. A história do tarô para quem tem pressa. Editora Valentina. Rio de Janelro. 2024. 

11. Banzhaf. H. O tarô e a jornada do herói. A chave mitológica para compreender a estrutura simbólica oculta nos arcanos maiores. Editora pensamento. São Paulo. 2023. 

12. Hall. J. Jung e a interpretação dos sonhos. Manual de teoria e prática. De. Cultrix. São Paulo. 2007.