A ORGIA DA GUERRA
Ontem à noite, dei por esta senhora a perorar convictamente num dos canais da televisão pública: “Eu, o que defendo, é que a NATO entre e que vença a guerra. Eu, pessoalmente, neste momento, é o que defendo. O que eu defendia, há umas semanas, era que dessem as armas. Agora já acho que isso não chega e eu, pessoalmente, não tenho nenhum problema, em que a NATO entre. [...] Agora, a 3ª guerra mundial já começou e se tu deixas que a Rússia ganhe, a Rússia não pára ali, vai por ali fora!”
Não sendo psicólogo e desconhecendo se a competência da senhora se compara à do Rogeiro ou do Milhazes, pareceu-me sentir nela um certo fascínio orgiástico pela guerra.
A defesa da ideia de que a NATO deva invadir a Rússia é idiotia e totalmente irresponsável.
Exatamente, irresponsável e ignorante...
Como no filme “Não olhe para cima” há a naturalização da escatologia iminente.
Essas pessoas irresponsáveis não deveriam ter voz muito menos vez em veículos da mídia.
Mas como todos sabemos a mídia tradicional está “pouco se lixando” para o destino do mundo.
Vide o exemplo emblemático do Magnata do filme “Não olhe para cima” o Sr. Peter Isherwell, que defendia (no filme, em questão) que as grandes potências explorassem o cometa que estava em rota de colisão com nosso planeta.
Frente a uma apocalipse escatológico iminente defendia a suposta ideia de lucrar com a exploração dos fragmentos do cometa. Em última análise, lucrar com a morte de milhões de seres humanos. Fascistas ensandecidos.
Jean Baudrillard dizia: na contemporaneidade o acontecimento aparece primeiro como luz, ou melhor, cinema. As torres gêmeas foram à bancarrota primeiro nas telas, mostrada pela imagem de filmes, e logo após como acontecimento real.




































































































