INÍCIO

04 setembro 2025

SUDÁRIO DE TURIM

SINDONOLOGIA

Sindonólogia, disciplina pseudocientífica dedicada exclusivamente ao Sudário.

O Sudário de Turim (ou Santo Sudário, para os católicos) é um grande pedaço de linho antigo, medindo aproximadamente 4,4 metros de comprimento por 1,1 metro de largura, que apresenta a imagem fantasmagórica de um homem com marcas e feridas consistentes com as de alguém que foi crucificado.

A imagem é em negativo (como um negativo fotográfico) e se torna mais clara e detalhada quando vista em fotografias invertidas. Para os fiéis, essas marcas, incluindo feridas nos pulsos e pés, perfurações ao redor da cabeça (como de uma coroa de espinhos) e um ferimento no torso, são a prova de que o tecido envolveu o corpo de Jesus Cristo após sua morte.

Hipóteses que tentam explicar o sudário. 

A origem da imagem no Sudário é um dos maiores mistérios da história e da ciência. Não existe uma explicação consensual, mas as teorias principais se dividem em duas categorias: as sobrenaturais/miraculosas e as naturais/artísticas.

1. Teorias Sobrenaturais ou Miraculosas

Ressurreição como Evento Energético: A crença mais comum entre os fiéis é de que a imagem foi formada no momento da Ressurreição de Cristo por uma explosão breve e intensa de energia (luz ou calor) divina que emanou do corpo, queimando a superfície das fibras do linho e imprimindo a imagem de forma fotográfica. Esta teoria tenta explicar a precisão anatômica tridimensional e a natureza superficial da imagem (que penetra apenas nas fibras mais externas do fio).

Milagre Desconhecido: Outra visão sustenta que a imagem foi formada por um processo milagroso, mas cuja natureza específica é desconhecida e talvez inexplicável pela ciência moderna.


2. Teorias Naturais ou Artísticas

A maioria das pesquisas científicas concentra-se em explicações naturais ou humanas. As principais hipóteses são:

Pintura ou Técnica Artística: A teoria mais simples é a de que o Sudário é uma obra de arte medieval, pintada por um artista habilidoso. No entanto, análises profundas não detectaram pigmentos tradicionais (como tinta a óleo, têmpera ou outros) em quantidade suficiente para formar a imagem inteira. A imagem é composta por fibras oxidadas e desidratadas, não por tinta.

Fotografia Pré-Medieval: Uma hipótese controversa sugere que o Sudário poderia ser a primeira fotografia da história, criada por um gênio desconhecido usando uma câmera obscura e um composto de prata sensível à luz. No entanto, não há evidências históricas ou arqueológicas que apoiem o conhecimento de tal técnica na Idade Média.

Técnica de "Dusting On" (Pó sobre o tecido): Alguns pesquisadores propuseram que a imagem foi criada esfregando um pó ou um composto químico sobre um modelo (uma estátua ou um busto em baixo-relevo) e depois pressionando o tecido sobre ele, transferindo a imagem. Esta técnica, às vezes chamada de frottage, criaria uma imagem superficial sem pigmentos óbvios.

Técnica de Baixo-Relevo (como no estudo de Cícero Moraes, 2024): Conforme mencionado anteriormente, o pesquisador brasileiro Cícero Moraes propôs uma teoria detalhada, publicada no Journal of Imaging Science and Technology. Ele demonstrou digitalmente que a imagem do Sudário coincide perfeitamente com a que seria produzida ao se pressionar um tecido contra um molde em baixo-relevo (uma escultura plana) coberto com um fluido pigmentado. Este método evitaria as distorções que ocorreriam se o tecido envolvesse um corpo humano tridimensional real, explicando a precisão "fotográfica" da imagem. Este é atualmente um dos modelos naturais mais detalhados e recentes.
· Reação Química (Maillard): Uma das hipóteses científicas mais respeitadas é a de que a imagem foi formada por uma reação química natural entre os vapores (amônia e outros) emanados de um corpo em decomposição e os açúcares presentes nas fibras do linho. Essa reação, conhecida como "Reação de Maillard" (a mesma que escurece alimentos assados), carbonizaria e amarelecaria levemente as fibras, criando uma imagem permanente. Esta teoria explica a falta de pigmentos e a natureza superficial da imagem, mas é debatida quanto à capacidade de produzir todos os detalhes finos seen no Sudário.

O Sudário de Turim permanece um enigma sem uma solução definitiva, até o momento. A datação por carbono-14 de 1988, que o situou entre 1260 e 1390 d.C., é usada como a principal evidência para a teoria da criação artística medieval. No entanto, críticos dessa datação apontam possíveis contaminações no tecido analisado.

Portanto, a resposta para “como poderia ter sido feito” depende da lente pela qual se olha:

Pela lente da Fé: É uma relíquia miraculosa, um testemunho físico da Ressurreição.
Pela lente da Ciência Dominante: É um artefato medieval, provavelmente criado por um método artístico inteligente, como a técnica de baixo-relevo ou uma reação química complexa, cujos detalhes específicos ainda estamos tentando replicar e compreender completamente.

Uma das hipóteses naturais/artísticas que tenta explicar o sudário ou mortalha de Turim afirma que este tenha sido feita por Giotto.

Sudário de Turim. 

O pano de linho puro, de 4 metros e 36 centímetros de comprimento por 1 metro e 10 centímetros de largura 4,36m X 1,10 m), que alguns afirmam ter sido utilizado para envolver o corpo de Jesus Cristo, contrariando o que está escrito nos textos escolhidos para constituírem o que chamamos de Bíblia (os evangelhos), após sua crucificação, tem sido alvo de várias teorias, sendo até hoje um das obras mais misteriosas do mundo. Num dos evangelhos, o escritor diz que o corpo de Jesus teria sido envolto em faixas de linho com um lenço no rosto para recolher o sangue.
Ninguém em sã consciência teria a “vil” ideia de guardar restos “impuros e contaminados” de um cadáver em meados do século primeiro. E uma imagem, jamais seria vista e se vista não passaria despercebida por quem quer que fosse. Mas quem iria remexer em panos ensanguentados, que envolveram um cadáver depois de três dias enterrado, segundo a história, no final da primavera, abril, maio, com dias quentes e úmidos? Ademais, haviam estritas regras que deviam ser seguidas nos sepultamentos judaicos do século I. 



O sepultamento de Jesus seguiu esses rituais judaicos do século I, que incluíam a preparação do corpo, embora a lavagem não seja mencionada nos relatos bíblicos e as condições de tempo fossem restritivas, apressando-se o processo de embalsamamento com especiarias e o envolvimento em mortalhas de linho e ligaduras, como descrito no Evangelho de João.

O Sepultamento de Jesus, segundo relatos, teria sido apressado. O sepultamento de Jesus foi apressado devido à proximidade do Sábado judaico, que começava ao pôr do Sol. José de Arimateia: o corpo foi retirado da cruz por José de Arimateia, membro do Sinédrio, que havia recebido permissão de Pôncio Pilatos. Nicodemos, outro membro do Sinédrio, ajudou José com uma grande quantidade de mirra e aloés, cerca de cem arráteis (o equivalente a cerca de 32-33 kg). A sepultura: o corpo foi colocado na sepultura nova de José, que ficava num horto, não longe do Calvário. 
Alguns detalhes Adicionais, fornecidos pela leitura dos livros da Bíblia: alguns relatos bíblicos, como o de Marcos, não mencionam a lavagem explícita do corpo, apenas o envolvimento em panos e ligaduras com as especiarias, o que sugere um processo mínimo de preparação devido à pressa. Restrição: a aplicação de especiarias e o envolvimento do corpo eram feitos numa pedra fora do túmulo, não antes de duas mortalhas serem aplicadas. Até onde sei, é somente isso que se sabe sobre esse evento. Quase nada. 

Sobre o Sudário 

Sempre penso que algo material, presente nesse mundo, representando a figura de alguém ou representando seu aspecto, é produto de habilidade humana e não produção miraculosa, sobrenatural. Eu venho lendo e procurando artigos científicos sobre o sudário há no mínimo 40 anos. Desde o início (eu ainda estava na Ensino Fundamental e fazia pigmentos e corantes para pintar, quando me surgiu a ideia de que o sudário de Turim seria um artefato feito pelo homem medieval, pois eu mesmo havia tornado mais claro parte de panos de linho deixando-os no Sol intenso). 
Até desenvolvi uma teoria (natural/artística) a respeito, a qual testei tendo bom resultado, mas esbarrei na pesquisa histórica da produção do linho no oriente médio e na Europa medieval. Depois descobri (já na faculdade) que o linho era deixado na água, depois seco, batido e seco ao sol novamente para retirar a parte orgânica solúvel (proteínas e demais conteúdos celulares restando apenas as fibras sobretudo de celulose, hemicelulose, pectina e lignina. A minha teoria baseava-se de que parte da proteína (que por ventura ficasse nas fibras) seria impressionada pela luz do sol, quando exposta numa câmara escura por um feixe de luz proveniente de um baixo relevo, (este baixo relevo, deixado ao sol), direcionaria os raios pelo orifício (estenopo) impressionando o linho. Isso deveria ser feito por um bom tempo até uma imagem e tênue se formar no tecido. Isso porque dizem que o linho deixado ao sol fica mais branco do que suas partes que ficam à sombra. Mas pelo visto há pouca proteína nos filamentos de linho quando este é tecido formando o pano da mortalha. Entregando mais de uma vez eu refiz o experimento usando tecido de algodão com resultados promissores. 
Enfim, para mim não há nada de sobrenatural nesse objeto, a não ser a vontade das pessoas de que seja mesmo a mortalha (shroud) que tocou o corpo desse homem histórico chamado Jesus, que muitos chamam de Cristo.

O Sudário de Turim: estudo científico questiona sua autenticidade

O Sudário de Turim, uma das ‘relíquias” religiosas mais veneradas do mundo, é um lençol de linho de 4,4 por 1,1 metros que, segundo a crença popular, teria envolvido o corpo de Jesus Cristo após a crucificação. Conservado na Catedral de São João Batista, em Turim, na Itália, ele é objeto de devoção há séculos. No entanto, um novo estudo científico contesta essa origem, propondo que a imagem foi criada a partir de uma técnica artística, atualmente desconhecida ou esquecida.

A pesquisa, conduzida pelo designer e especialista brasileiro em reconstrução facial 3D Cícero Moraes, foi publicada no Journal of Imaging Science and Technology e repercutida por veículos como a CNN e na revista Archaeology Magazine. Moraes utilizou tecnologias de simulação 3D, com softwares abertos para testar a hipótese de como a imagem no tecido foi formada.

Metodologia e Conclusões do Estudo

O pesquisador criou dois modelos digitais distintos:

1. Um corpo humano tridimensional realista.
2. Uma representação plana em baixo-relevo (semelhante a uma escultura).

Através de um "experimento digital de vestimenta", Moraes sobrepôs digitalmente um tecido a ambos os modelos e comparou os padrões de manchas resultantes com as fotografias em alta resolução do Sudário de Turim tiradas em 1931.

Os resultados, conforme detalhado em seu artigo, foram decisivos:

O modelo 3D do corpo humano não se ajustou adequadamente ao tecido, produzindo distorções incompatíveis com a imagem que vemos no Sudário. Moraes explicou à CNN que “as marcas deixadas por um corpo real, com sangue ou outros fluidos, não seriam compatíveis com a imagem que vemos”.
Por outro lado, o modelo em baixo-relevo coincidiu perfeitamente com a imagem do Sudário. A técnica proposta é a de aplicar um fluido pigmentado sobre um molde de baixo-relevo (feito de madeira, metal ou outro material) e então pressionar o tecido contra ele, transferindo a imagem de forma precisa e sem as distorções de um corpo tridimensional.

Com base nisso, Moraes concluiu que a matriz responsável pela imagem no Sudário de Turim ‘é muito provavelmente um baixo-relevo, e não um corpo humano real”. 

A planificação direta de pontos de uma superfície tridimensional numa superfície bidimensional (superfície plana) gera uma distorção quando projetada no tecido e é conhecida na área de imagem forense como "Efeito Máscara de Agamenon”.

Máscara de Agamenon ou Agamemnon. (WP)

Em teste simples, o pesquisador explica o efeito “Máscara de Agamenon”, mostrando o padrão esperado quando um rosto humano deixa marcas em um papel ou tecido. Crédito: Cícero Moraes.

A Persistência da Crença

Apesar das conclusões do estudo e de outras controvérsias científicas anteriores, como a datação por carbono-14 realizada em 1988 que indicou uma origem medieval para o tecido, o Sudário de Turim permanece como um poderoso símbolo de fé. Para muitos fiéis, suas características inexplicadas continuam a sustentar a crença de que ele é, de fato, o manto que envolveu o corpo de Jesus depois de sua morte.

Fontes Citadas

1. Moraes, C. (2024). The Shroud of Turin Through the Lens of a 3D Virtual Reality Experience. Journal of Imaging Science and Technology. (Artigo científico original onde o estudo foi publicado).

2. Archaeology Magazine. (2024, 26 de março). Is the Shroud of Turin a Medieval Photograph? (Matéria que repercutiu a pesquisa).

3. CNN Brasil. (2024, 28 de março). Pesquisador brasileiro usa tecnologia 3D para contestar autenticidade do Santo Sudário. (Entrevista e explicações detalhadas do pesquisador).

Outro artigo, seguindo outra abordagem, afirma o seguinte:

(…) Nicole Oresme não escolheu um objeto venerado qualquer como exemplo de uma fraude orquestrada pelo clero: um “Santo Sudário” realmente apareceu em Champagne em meados do século XIV e logo foi acusado de ser falso. Ele exibe duas impressões do corpo de Cristo, frente e costas, junto com manchas de sangue, e é conhecido hoje como o “Santo Sudário de Turim”. 
Uma breve revisão do registro documental nos ajuda a entender melhor o significado desse artefato. 

No que anteriormente era considerado a referência extante mais antiga ao objeto, o Papa Clemente VII, de Avignon, mencionou o Sudário em uma carta datada de 28 de julho de 1389: Geoffroy II de Charny, um senhor local, havia pedido permissão para exibir uma ‘figura ou representação do Sudário de nosso Senhor Jesus Cristo (figura sive representatio sudarii), uma fórmula que indica não uma relíquia, mas um artefato devocional. De acordo com esta carta, o pai de Geoffroy II, Geoffroy I (m. 1356), a havia colocado na igreja colegiada que fundou em Lirey.

No entanto, essa devoção havia sido interrompida por intervenção diocesana. Quando Geoffroy II tentou revivê-la, encontrou novamente a oposição do Bispo de Troyes, Pierre d’Arcis. Ele, portanto, buscou e obteve permissão do legado papal, Pierre de Thury, para retornar o pano à igreja, possivelmente em abril de 1389. Pierre d’Arcis não recuou, no entanto: em sínodo, ele proibiu os padres diocesanos de mencionarem o pano e o deão da colegiada de exibi-lo. Em resposta, Geoffroy apelou novamente à autoridade papal, que lhe concedeu, por meio de cartas em julho de 1389, permissão para exibir esta “figura ou representação”.

Um segundo conjunto de documentos relacionados a este assunto vem da administração real. Em 4 de agosto de 1389, Carlos VI respondeu a um pedido do Bispo Pierre d’Arcis sobre um “pano manufaturado, pintado artificialmente para assemelhar-se e comemorar o precioso e sagrado Sudário no qual o preciosíssimo corpo de nosso Senhor Jesus Cristo foi envolto após sua santíssima Paixão”. 

Desconhecendo a autorização papal emitida em 28 de julho, o bispo pediu ao rei que interrompesse essas exibições, que ele próprio havia proibido, levando o rei a instruir seu bailio em Troyes a apreender o pano e obter informações adicionais sobre ele. Em um relatório datado de 15 de agosto, o bailio contou que foi ao local, onde uma multidão aguardava a exibição, mas foi incapaz de apreender o pano devido à resistência dos cônegos.

Um terceiro documento significativo é um longo memorando que Pierre d’Arcis escreveu entre esses eventos do verão de 1389 e janeiro de 1390, endereçado a Clemente VII em um esforço para persuadi-lo a reverter sua decisão que permitia a exibição do Sudário. O documento indica que o pano havia aparecido durante o tempo de Geoffroy I e era exibido como o verdadeiro Sudário de Cristo. 

O predecessor de Pierre d’Arcis, Henri de Poitiers, conduziu uma investigação e expôs a fraude: o pano havia sido confeccionado artificialmente (por um artesãos), e certos indivíduos foram pagos para fingir milagres. A família Charny então escondeu o pano por volta de 1355–56, de acordo com o memorando de Pierre d’Arcis, e ele permaneceu fora de vista por cerca de 34 anos. 

Então, em 1389, o partido de Lirey tentou reviver o culto, agora chamando o pano de “figura ou representação do Sudário” para obter autorização para a devoção, ao mesmo tempo que levava os fiéis a acreditar que era uma relíquia.

Em uma bula papal datada de 28 de janeiro de 1390 e emendada em maio daquele ano, Clemente VII revisou sua decisão e confirmou o direito de Geoffroy II de exibir o item, mas impôs condições. 

As condições para exibição. Aos cônegos foi proibido usar as “solenidades habituais quando se exibe uma relíquia” e foram instruídos a informar os fiéis que o objeto era exibido não como a coisa em si, mas como uma “figura ou representação do Sudário”. Esta designação permaneceu em uso até 1418, conforme observado em um inventário da família Charny dos pertences da igreja colegiada de Lirey, feito para protegê-los das forças burgúndias saqueadoras que assolavam a região. Foi apenas quando Marguerite de Charny (filha de Geoffroy II, e sua herdeira) vendeu o Sudário para os Duques de Saboia em 1453 que seu status mudou; esta transação foi mantida em segredo, permitindo que o Sudário aparecesse com uma nova identidade e logo fosse apresentado como uma verdadeira relíquia da Paixão. O culto do Sudário foi oficialmente autorizado em 1506 pelo Papa Júlio II em Chambéry, e os duques de Saboia o transferiram para Turim em 1578.

A agora “a suposta famosa relíquia” logo atraiu seus próprios historiadores, que, ao refazer seu passado, rapidamente encontraram sua origem problemática. Em “Sindon Evangelica” (1581), Emmanuel-Philibert de Pingon, um alto funcionário da casa se Saboia, desconhecendo todo o caso de Lirey, afirmou que Marguerite de Charny havia trazido o Sudário de Constantinopla para o Ocidente após a cidade cair para os otomanos. 
Em 1624, Jean-Jacques Chifflet, um médico de Besançon, desenterrou a bula de 1390 de Clemente VII e contestou a narrativa de Pingon, mas, convencido da autenticidade do Sudário, considerou a decisão ilegítima, por ter sido emitida por um antipapa. Esta tornou-se uma das soluções usadas pelos apologetas para descartar o incômodo dossiê champanhês. 
Outros foram além: em um estudo de 1833 sobre o Sudário de Turim, Giuseppe Lazzaro Piano, um cortesão saboiano, declarou que a bula de Clemente VII era tão “cheia de falsidades e absurdos” que deveria ser uma falsificação.

Em 1898, o Sudário capturou a atenção do público após uma fotografia de Secondo Pia, cujo negativo revelava o rosto de Cristo, ser vista por muitos devotos como um milagre inegável, descartando qualquer intervenção humana. 

O que aconteceu? O fotógrafo Secondo Pia, ao fotografar o sudário, reproduziu esse negativo. Essa imagem latente negativa foi revelada e ao ser projetada no papel fotográfico esse negativo produziu um positivo. E isso o surpreendeu. 

Enquanto isso, Ulysse Chevalier, um cônego e historiador, publicou todo o arquivo de Lirey entre 1900 e 1903, incluindo o longo memorando do Bispo de Troyes, no qual o pano com duas impressões sangrentas de um corpo, que não havia sido descrito antes do século XIV, foi considerado uma imagem feita recentemente, apresentada por seus proprietários como uma representação. A partir de então, o memorando de Pierre d’Arcis, mais do que a bula de Clemente, tornou-se o principal obstáculo para os defensores da autenticidade do Sudário, que nos anos 1930 se organizaram em redes de “sindonólogos”, praticantes de uma disciplina pseudocientífica dedicada exclusivamente ao Sudário. 

Figuras como Luigi Fossati questionaram a autenticidade do documento de Pierre d’Arcis ou de seu relato, e Emmanuel Poulle o descartou como “boato”, argumentando que a recapitulação da investigação de Henri de Poitiers era muito vaga e deveria ser vista como uma invenção completa de seu sucessor, Pierre d’Arcis. Longe de serem estudos críticos externos ou internos do documento como ponto de partida para a análise, esses argumentos visavam descartar um documento inconveniente, nunca examinado “per se”. 
Tal raciocínio falho persiste mesmo após a datação por carbono em 1988 ter situado a origem do linho do Sudário entre 1260 e 1390 com 95% de probabilidade.

O primeiro dos “Problemata” de Oresme, obviamente escrito antes da morte de seu autor em 1382, possivelmente já em 1370, e que é agora o documento mais antigo conhecido a mencionar o Sudário, oferece uma nova perspectiva sobre a questão da autenticidade do Sudário. 
Como um observador astuto da vida eclesiástica entre a Normandia e Paris, Oresme escolheu a alegação do santuário de Champagne de possuir o Sudário como um exemplo marcante de mentiras fabricadas pelo clero. Mais uma vez, a retórica da sindonologia não se sustenta sob escrutínio quando confrontada com a documentação do século XIV que apresenta uniformemente o pano não como uma relíquia, mas sim como uma representação que inicialmente e de forma fraudulenta foi alegada ser uma relíquia. 

O texto dos “Problemata” demonstra de forma definitiva que esta avaliação do Sudário como uma fraude não se originou com Pierre d’Arcis, mas já havia ganhado atenção suficiente para chegar aos ouvidos de Oresme. Além disso, a referência recém-notada enriquece o dossiê de Lirey, que é único e valioso para uma história geral das relíquias e imagens de culto, levantando questões importantes sobre a fabricação de relíquias falsas e, para Oresme, as falsas crenças que atribuem qualidades extraordinárias a objetos ordinários.

30 “Quod olim genitor tuus zelo devotionis accensus, quandam figuram sive representationem Sudarii Domni nostri Jhesu Christi, liberaliter sibi oblatam, in ecclesia Beate Marie de Lireyo, Trecensis diocesis, cujus ipse fundator extitit, venerabiliter collocari fecerat ; et quod demum, Domino permittente, partes illas guerris et mortalitatum pestibus graviter concuti, figura sive representatio hujusmodi, etiam ad mandatum ordinarii loci et ex aliis certis causis, de dicta ecclesia Beate Marie ad alium tutiorem locum translata, et decenter usque tunc recondita extiterat et venerabiliter custodita’, Clement VII, Letter to Geoffroy II”, 31. 

30. Que outrora teu pai, inflamado pelo zelo da devoção, fizera veneravelmente colocar na igreja de Santa Maria de Lirey, diocese de Troyes, da qual ele mesmo foi o fundador, uma certa figura ou representação do Sudário de nosso Senhor Jesus Cristo, liberalmente oferecida a ele; e que, finalmente, com o permiso do Senhor, tendo aquelas regiões sido gravemente abaladas por guerras e pestes de mortalidades, dita figura ou representação havia sido transferida da referida igreja de Santa Maria para outro local mais seguro, por mandado do ordinário do local e por outras certas causas, e até então havia permanecido decentemente recolhida e veneravelmente guardada.



(1)

Artigo de Cícero Moraes, publicado na revista Archeometry, e divulgado pela revista Super interessante:

Diz a lenda que o Sudário de Turim, também conhecido como Santo Sudário, foi o pano usado para envolver o corpo de Jesus Cristo após sua morte - e sua imagem teria ficado marcada no tecido. Outra versão da história, no entanto, considera o artefato como uma obra medieval ou mesmo uma falsificação produzida séculos depois dos eventos descritos nos evangelhos.
A peça, feita de linho e medindo cerca de 4,4 metros de comprimento por 1,1 metro de largura, exibe a imagem frontal e traseira de um homem adulto com barba e cabelo longo, mãos cruzadas sobre o baixo-ventre e marcas que sugerem ferimentos causados por flagelação e crucificação. A imagem aparece no tecido de forma semelhante a um negativo fotográfico, o que contribui para o mistério em torno de sua origem.(1)

(Se analisarmos o padrão de como a imagem foi construída, esta se enquadra nas convenções de representação constante nas imagens sagradas da época anterior ao renascimento. Há inclusive imagens de Cristo morto, na mesma posição da imagem encontrada no sudário. 

Historicamente foi um filósofo, “protocientista”, naturalista, que buscava explicações naturais e razoáveis para relatos supostamente miraculosos, chamado Nicole Oresme, que foi Bispo da Igreja Católica, a relatar em 1370, em um livro, intitulado: “Problemata”. Nesse escrito ele relata que o sudário seria uma falsificação, “astuciosamente pintada” para extorquir o ouro dos devotos.


A primeira menção histórica ao sudário data de 1355, quando ele surgiu na cidade de Lirey, no norte da França, sob a guarda de um cavaleiro. Desde então, passou a ser venerado por fiéis, mas também alvo de ceticismo. Poucos anos depois, em 1389, o bispo local chegou a declarar que a peça era uma falsificação e proibiu sua exposição. Apesar disso, ela continuou sendo protegida por membros da nobreza e, eventualmente, foi transferida para o Ducado de Savóia e, mais tarde, para Turim, na Itália, onde permanece até hoje.

Em 1988, um dos momentos mais marcantes do debate sobre a autenticidade do Sudário ocorreu quando três laboratórios independentes realizaram testes de datação por carbono-14. Os resultados indicaram que o tecido foi produzido entre os anos 1260 e 1390, ou seja, no final da Idade Média. A descoberta abalou os argumentos dos que viam o sudário como relíquia do século 1. Desde então, alguns pesquisadores tem alegado que a amostra analisada poderia ter sido de uma parte remendada do tecido, o que poderia ter interferido no resultado. Assim, o debate segue em aberto.

Agora, um novo estudo publicado na revista Archaeometry e conduzido pelo designer brasileiro Cícero Moraes reforça a ideia de que o Sudário não tem origem na Antiguidade e, mais do que isso, sugere que a imagem no tecido sequer representa um corpo humano real.

Utilizando técnicas de modelagem 3D e reconstrução facial forense, Moraes analisou as proporções do homem representado no pano.
"Quem trabalha com 3D e entende um pouco de anatomia, ao bater o olho na imagem do sudário, percebe algumas incongruências.

“No meu caso, inicialmente percebi um problema de deformação. Depois, ao analisar com mais atenção, notei que a anatomia não era compatível com a de uma pessoa viva. Um dos braços era maior que o outro, Os membros estavam excessivamente retos, e o corpo humano não é assim.

Segundo o pesquisador, mesmo considerando que a imagem tenha sido distorcida por irregularidades no tecido, os desvios observados não correspondem a padrões anatômicos naturais. “O que encontramos é algo mais próximo de uma construção artística do que de uma representação fiel de um corpo.”

Em um vídeo publicado no Youtube, ele propôs um teste simples para ilustrar o ponto: “Qualquer adulto cuidadoso pode testar isso em casa, por exemplo, pintando o rosto com algum pigmento líquido, usando um grande guardanapo ou toalha de papel, ou até mesmo um tecido, e envolvendo-o ao redor do rosto. Depois, retire o tecido, estenda-o em uma superfície plana e veja a imagem resultante”.
Segundo Moraes, a distorção inevitável desse processo é conhecida como efeito Máscara de Agamêmnon, em referência ao artefato grego que lembra um rosto achatado. A ausência desse tipo de deformação no Sudário, afirma Moraes, é mais um indício de que a imagem não se formou pelo contato direto do tecido com um corpo real. Logo, a conclusão óbvia é a de que o tecido não foi produzido por contato do de um rosto real com o tecido. 
Em decorrência desse fato, a dúvida seguinte será; poderia essa imagem ser produzida por contato com outro tipo de representação humana produzida pelo homem? A resposta lógica é: sim. A quentão seguinte que surge então é: que objeto, produzido pelo homem poderia, ter sido usada para produzir essa impressão no tecido? 


A conclusão de Moraes encontra respaldo em interpretações históricas sobre os rituais funerários da época. O professor André Leonardo Chevitarese, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o uso de mortalhas, panos usados para envolver o corpo antes do sepultamento, eram comum entre os judeus do século 1, mas pouco provável no caso específico de Jesus. “Crucificados não eram enterrados”, afirmou à BBC News Brasil em 2023. “Simplesmente eram jogados em uma vala comum e o tempo se encarregava de fazer seus corpos desaparecerem. Era preciso ser suficientemente abastado para ter uma sepultura.” 

Segundo o historiador, a intenção das autoridades romanas ao executar alguém por crucificação era apagar qualquer memória daquele indivíduo. 
“O uso da mortalha era uma prática no contexto dos sepultamentos de corpos que morreram naturalmente não quando o indivíduo era executado por crucificação pelo estado romano. Entretanto, o Jesus histórico não foi enterrado porque era pobre e porque foi crucificado, ressaltou. 

A Igreja Católica, por sua vez, nunca declarou oficialmente que o Sudário é autêntico, embora permita sua veneração como símbolo de fé. Para o Vaticano, trata-se de um objeto que pode inspirar reflexão sobre o sofrimento de Cristo, independentemente de sua origem exata.

Arte funerária
Conforme aponta Cícero Moraes, as características rígidas do corpo representado no Sudário se aproximam mais de uma construção artística do que de uma representação anatômica fiel. Ele observa semelhanças entre a imagem e a arte funerária produzida na Europa durante a Idade Média, período em que era comum retratar o corpo humano de maneira estilizada, refletindo crenças espirituais ligadas à morte e à vida após a morte



Representação artística do Sudário de Turim, incorporada a uma cena da Descida da Cruz, pelo pintor Giulio Clovio, c. 1540. Clovio mostra a mão direita de Jesus cruzada sobre a esquerda, o que não é consistente com a imagem no Sudário.

Distintivo de peregrinação de Lirey representando o Sudário e 
datado entre 1355 e 1410.

Efígies esculpidas em túmulos medievais, por exemplo, costumavam exibir figuras com traços simétricos e rígidos, marcados por uma estética simbólica. Esses elementos, segundo o designer, também estão presentes no item religioso, sugerindo uma possível influência dessa tradição artística. “O Sudário me parece uma arte religiosa que foi bem-sucedida, porque, diferente da arte tumular, que geralmente vem com elementos escritos e verbais explicando quem era a pessoa que havia falecido, ele é não verbal”, afirma. “Muitas informações acerca da pessoa que faleceu estão implícitas na imagem.”
Para Moraes, esse caráter não verbal contribui para o impacto emocional da peça. “Ele causa fascínio e consegue, de alguma forma, fazer com que as pessoas se sintam tocadas por essa arte”, diz. “Nesse contexto, ele foi muito bem-sucedido.”


REPRESENTAÇÃO DO SUDÁRIO AO LONGO 
DO TEMPO


1192
Gravura incluída no chamado Manuscrito Húngaro de Preces, datado de 1192, onde a figura mostra o corpo de Jesus sendo preparado para o sepultamento, numa posição consistente com a imagem impressa no sudário de Turi

Livro de orações do século XVI.
Entre as muitas ilustrações iluminadas de vários artistas, um Livro de orações do século XVI, contém uma imagem de página dupla de três bispos segurando um “banner”. A princípio, pensamos que o banner pudesse conter originalmente uma inscrição, agora apagada, mas, ao examiná-la mais de perto, notamos uma imagem extremamente tênues, quase imperceptíveis, de um homem nu e barbudo, com cabelos na altura dos ombros e mãos cruzadas sobre a virilha, e o que pareciam gotas de sangue e um ferimento no flanco.” A importância da descoberta de Eugênio Donandoni (que preparava o livro para o leilão na Christies), num livro de Orações do século XVI, reside no fato de o Sudário ser mostrado intacto, após um incêndio ocorrido em 1532, que deixou o tecido manchado, com grandes áreas queimadas. Um grupo de freiras clarissas tentou reparar alguns dos danos, costurando tecidos de linho, mas até hoje o Sudário apresenta essas manchas e inúmeras marcas produzidas pelo incêndio, pelo qual passou. Seria esse livro de orações ou essas páginas anterior a 1532? Se sim, de quando? 

Primeiras representações do Sudário de Turim

1540

1582

1608

1613

1684

1898



Fontes 























02 setembro 2025

JULGAMENTO DO GOLPISTA BOLSONARO

JULGAMENTO DO GOLPISTA BOLSONARO


1) Golpe de Estado.

2) Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

3) Organização criminosa armada.

4) Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima.

5) Deterioração de patrimônio tombado.

DEVERIA SER, E SERÁ, UM DIA, JULGADO PELOS CRIMES DE PANDEMIA, GENOCÍDIO DO POVO BRASILEIRO, ESPECIALMENTE DAQUELES DESAVISADOS E IGNORANTES QUE CAÍRAM NA SUA LÁBIA ENGANOSA E CRIMINOSA.