INÍCIO

14 fevereiro 2026

AMÉRICA LATINA: UMA SÓ VOZ

AMÉRICA LATINA: UMA SÓ VOZ

A. Paim MSc, BSc, MM.

Bandeira Wiphala e “Meu norte é o Sul”. 

Desde os primeiros passos na escola, pelos corredores do ensino médio até os bancos da faculdade, algo cresceu em mim como raiz que rompe o asfalto: esse sentimento de pertencer à América Latina. Somos latino-americanos, não uma coleção de países, mas um único continente banhado pelos mesmos mares, ferido pelas mesmas dores, aquecido pelo mesmo sol.

Devemos nos unir como povos em uma única voz, e que essa voz ecoe de Chiapas à Patagônia, da Ponta do Seixas, onde o Sol nasce primeiro nas Américas continentais, e se põe em Punta Pariñas (Balcones), Peru ou na ilha Rapa Nui (Ilha de Páscoa, Chile) o ponto geográfico mais a oeste da América do Sul, o de o Sol derrama sua última luz. Não somos quintal de ninguém! Não somos o jardim dos fundos onde o norte planta suas ambições. 

Somos um povo que ama festa, que faz da música respiração, que transforma a arte em resistência. Amamos o sol que nos doura, o verão que nos abraça, a praia que nos acolhe, as montanhas que nos guardam. Amamos compartilhar o pouco que temos, porque nossa riqueza não se mede em dólares, mas em abraços e em sorrisos.

E é por isso mesmo, por amarmos tanto a vida, que devemos nos unir contra esse parasita do norte anglo-saxão, que há séculos nos trata como terra de ninguém, como fonte inesgotável de recursos e mão de obra barata. Olhem para a história: o Chile de Allende, sufocado pelo sangue derramado em 1973, com a cumplicidade de Nixon e Kissinger; a Guatemala de Árbenz, que ousou reformar a terra e foi derrubada pela United Fruit Company e pela CIA; a Nicarágua sandinista, sangrada pelos contras financiados por Washington; Porto Rico, preso em um limbo colonial, usado como vitrine e esvaziado como nação; o México, despedaçado pelo tráfico de armas e drogas que cruzam a fronteira enquanto o império fecha os olhos; a Venezuela, asfixiada por sanções criminosas que deveriam chamar-se pelo nome: cerco, sequestro; o Brasil, que já viu seus sonhos populares serem interrompidos por golpes fabricados no tabuleiro geopolítico do norte.
Nenhum país será livre sozinho. Sozinhos, somos presas fáceis. Unidos, somos furacão. Devemos nos unir para nos livrarmos, todos e todas, dos pampas às selvas, dos altiplanos às ilhas, desse encosto pernicioso e vampiresco que suga nosso sangue e drena nossa vida. E que ninguém se engane: sem essa união, ninguém conseguirá. União entre os povos originários que habitam estas terras desde antes da existência das fronteiras; união com os negros arrancados de África e aqui escravizados durante séculos, cujo suor construiu as riquezas que o norte saqueou; união entre todos os que vieram depois, somando-se a esta mistura que é nossa maior força. União entre hermanos, irmãos que somos, na dor e na esperança. Sem ela, seremos sempre presa fácil das garras exploratórias do norte. Com ela, seremos donos do nosso destino.
Seguimos aqui, como americanos que somos, americanos do sul, americanos da resistência, americanos da utopia. E nunca, jamais, desistiremos.
A América Latina é uma só: nossa mãe, nossa batalha, nossa canção.


(14/II/2026)

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I


Alberto Giacometti. Maçãs. Desenho. 1949.
















II