INÍCIO

15 abril 2023

HERÁCLITO

PENSADORES


1. Heráclito de Éfeso 
Ἡράκλειτος ὁ Ἐφέσιος

Heráclito é um dos primeiros e mais importantes expoentes da filosofia pré-socrática. Seu pensamento (que nos chegou hoje através de fontes secundárias, tais como: os 126 fragmentos oriundos do seu livro e extraídos de sua doxografia e das interpretações de outros filósofos) recebeu durante o percurso histórico da filosofia a alcunha de obscuro, ou enigmático. A questão que se impõe para nós é: o que no pensamento e palavra deste pensador merece essa designação? Na tentativa de elaborarmos essa questão, tomaremos como guia a interpretação que Heidegger faz da palavra desse pensador.


A designação obscuro (Σκοτεινός), em torno de Heráclito, surgiu já durante seu período histórico (Grécia antiga – Século IV a.C.) quando contam-se duas histórias a seu respeito. A primeira estória conta:

“diz-se (numa palavra) que Heráclito assim teria respondido aos estranhos vindos na intenção de observá-lo. Ao chegarem, viram-no aquecendo-se junto ao forno. Ali permanecem, de pé, (impressionados sobretudo porque) ele os (ainda hesitantes) encorajou a entrar, pronunciando as seguintes palavras: ‘Mesmo aqui, os deuses também estão presentes4”;

e a segunda:

“Dirigiu-se, porém, ao santuário de Artemis para lá jogar dados com as crianças; voltando-se aos efésios que se puseram de pé ao seu redor, exclamou: ‘Seus infames, o que estão olhando aqui tão espantados? Não é melhor fazer o que estou fazendo do que cuidar da πόλις junto com vocês? 5”.

Heráclito ao que se nota não seguia os hábitos sócio-políticos de sua época; ele tinha um modo diferente do tradicional. Contudo, mesmo que a designação de “o obscuro” atribuída a ele pelos seus contemporâneos seja embasada em seu caráter a-político e nos seus modos pouco convencionais, que nos chegou através dessas duas anedotas, isso não é ainda suficiente para darmos conta do sentido mais radical da obscuridade de seu pensamento. Contudo, apenas a análise do caráter de Heráclito baseados nos fatos que compõe a sua biografia não justifica o uso tão prolongado de um “apelido” e, tampouco, justificaria que esse caráter de obscuridade fosse atribuído à linguagem utilizada por Heráclito como se o seu modo de ser tivesse “contaminado” o seu estilo de escrita.

Ainda na Grécia antiga, agora dos séculos III e II a.C., Heráclito continuou a ser chamado de obscuro, mas neste contexto devido principalmente às interpretações em torno dos seus dizeres expressos em seu livro (naquela época integral). Algumas dessas abordagens e interpretações se apoiavam nas análises das estruturas e das regras da linguagem que eram aplicadas ao seu pensamento na tentativa de compreendê-lo. No entanto, as interpretações do pensamento de Heráclito que se nortearam por esse tipo de análise, não podem ser vistas, como já alertado inicialmente, como interpretações destoantes ou como uma fonte literária infiel. Ou seja, quando, por exemplo, Aristóteles critica o pensamento de Heráclito, o que está em jogo, fundamentalmente para esse pensador, não é o que Heráclito de fato estava dizendo, mas o que ele (Aristóteles) queria afirmar acerca da sua própria filosofia. Assim, o que Aristóteles faz, notadamente no livro I da sua Metafísica, é uma filosofia da história6. Sendo assim, não se trata de uma simples doxografia ou simplesmente de uma crítica anacrônica ao pensamento que o antecedeu, mas trata-se de uma visada radical buscando aquilo que, em todo o pensamento que o antecedeu, permanece impensado. Desta maneira não podemos considerar as interpretações que Aristóteles (ou Platão) fizeram do pensamento de Heráclito como interpretações anacrônicas e injustificadas por procurarem, na obra desse autor (ou ainda, nos testemunhos ou fala de seus discípulos) questões ou procedimentos de análise que eram de todo estranho na época de Heráclito. O que se verifica nas falas de Platão e Aristóteles sobre o pensamento de Heráclito é uma “transformação do que foi transmitido”7. Na Retórica de Aristóteles, principalmente no livro III, observa-se a análise em torno do estilo e da composição do discuro retórico, no qual são elencados alguns elementos inerentes a esse tipo de discurso, tais como: clareza, correção gramatical, ritmo, o uso da metáfora e outros. É nesse contexto que temos uma passagem na qual Aristóteles analisa o estilo de Heráclito:

Convém absolutamente que o que se escreve seja fácil de ler e compreender, o que é a mesma coisa. É o que se dá quando há muitas conjunções e não se dá quando há poucas ou quando não é fácil pontuar como nos escritos de Heráclito. Pois pontuar os escritos de Heráclito é um trabalho, por ser incerto se tal pontuação se liga a uma palavra anterior ou posterior como no começo do seu escrito: ‘Deste logos... tenham ouvido’ (é do fragmento 1. V. p. 85). Pois é incerto saber pela pontuação a que se liga o aeî sempre8.

O que se nota, em Aristóteles, é a preocupação com a clareza da escrita e a forma inteligível mais clara acerca da formulação de conceito; tal preocupação prescinde da análise daquilo que, de fato, está em pauta no pensamento de Heráclito. Essa preocupação de Aristóteles se deve à necessidade imposta pelo tipo de pensamento que para ele (Aristóteles) está em jogo. Sem desconsiderar a problemática exposta por Aristóteles, devemos então entendê-la como uma apropriação e interpretação do pensamento de Heráclito inerente ao próprio jogo do pensamento - no qual a filosofia se plasma desde o diálogo que se estabelece entre diferentes épocas históricas e diferentes correntes filosóficas. Nesse diálogo, muitas vezes, o que menos importa é a correção histórica e a análise dos fatos e ditos dos filósofos, muitas vezes o erro e o desvio no interior desse diálogo é o que de fato irá dar o tônus, a força próprio do ato de filosofar9. Esse erro ou desvio é o que acaba por nos lançar naquilo que, no pensamento, ainda permanece impensado. Mas, voltemos a Heráclito e a sua palavra.





4 HEIDEGGER, Martin. A origem do pensamento ocidental. In: Heráclito, 1998. p. 22. 5 Ib. Idem. p. 25.










(…)




Se, desde a Renascença, pintava-se nos olhos uma pequena janela, também dava-se ao espelho, fora ou dentro do quadro, um lugar privilegiado: era com ele que se avaliava a pintura genuína do modelo, era por ele que se configurava o longínquo como paisagem, era nele que o pintado via-se, na própria tela, repetido, representado.

Janela e espelho: os pintores costumam dizer que, ao olhar, sentem-se vistos pelas coisas e que ver é experiência mágica. 
A magia está em que o olhar abriga, espontaneamente e sem qualquer dificuldade, a crença em sua atividade, a visão depende de nós, nascendo em nossos olhos, e em sua passividade , a visão depende das coisas e nasce lá fora, no grande teatro do mundo.

Penetra surdamente no reino das palavras.

Lã estão os poemas que esperam ser escritos.

[...]

Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

[...]

Chega mais perto e contempla as palavras cada

uma tem mil faces secretas sob a face neutra

Ver as palavras. Delas chegar perto. Contemplá-las: antes do poema são coisas visuais e, como todo visível, "tem mil faces secretas sob a face neutra". Antes que espalhem sentido e beleza, antes que falem, vejamo-las em sua mudez. Acerquemo-nos delas "em estado de dicionário". Quais escolheremos? Aquelas que nos fazem ver o vínculo secreto entre o olhar e o conhecimento. Até mesmo aquela que o designa na filosofia — teoria do conhecimento — pois théoria, ação de ver e contemplar, nasce de théorein, contemplar, examinar, observar, meditar, quando nos voltamos para o théorema: o que se pode contemplar, regra, espetáculo e preceito, visto pelo théoros, o espectador.

Na ampla gama do espectro que vai de phaós (luz, luz dos astros, luz do dia, luz dos olhos, flama, vir à luz, nascer, vivente) phaiós (sombrio, cinza, escuro, luto), da luz à treva, da vida à morte, espalham-se as palavras do visível: taphaea (os olhos), que pitagóricos e platônicos chamarão de faróis, ' 'os olhos portadores de luz"; phantós (o visível e o que pode ser dito ou manifestado pelas palavras), a linguagem sendo uma forma da visibilidade; phaédo (o sol), phaeino (brilhar, irradiar, iluminar), phaidós (brilhante, luminoso, claro, sereno, puro, alegre), phaidrôo (fazer brilhar, tornar radioso, alegrar), phaino (fazer brilhar, fazer aparecer, mostrar e mostrar-se, manifestar e manifestar-se, dar a conhecer o caminho, guiar, dar a conhecer pela palavra, explicar), phainómenos (visivelmente, manifestamente, claramente), donde virão fenômeno (e seu conhecimento: fenomenologia), fantasia, fantasma, fantástico, assinalando o parentesco que enlaça visão, imaginação e palavra como resultados do ato da luz. Óphis é ação de ver e sua sede, a vista, mas é também espetáculo, aparição, sonho, visão e visão mística; e, conjugado no perfeito, é aspecto exterior, aparência do visto. Opheio é desejar ver, ser curioso e ávido, a curiosidade, dirá santo Agostinho, é afecção primordial dos olhos, que se dizem to ósse, sede do ato visual. Oráo é ver com olhos atentos e fixos, examinar, ver com o espírito, e oratistés é o visionário, donde, para nós, oráculo. Ósse phaeiná, olhos brilhantes dizia Homero, de quem neles fixa algo, osséia, e de (Pág.: 35) quem, vendo em espírito, adivinha, prevê e imagina, ossomai.

Adivinhar e cair na superstição se dizem osseoumai, que é também consultar presságios e ameaçar com os olhos. Da mesma raiz indo-européia, ok, no latim, virão occulum (olho), occultus (oculto), occultatio (ocultamento). E de kelo virá ceio (esconder), por isso dizemos cella (esconderijo, cela, cova) e clandestinus. É esse largo parentesco que a pequena frase de Aristóteles, no Sobre a Alma, resume:

É porque a vista (óphis) é o sentido mais desenvolvido, a palavra imaginação (phantãsia) tira seu nome da luz (pháos), porque sem a luz (photós) é impossível que seja visto (estiideín).

Se pháos é a fonte luminosa, da raiz leuk virá lúknos (a lâmpada, o iluminado). Leukós é o brilhante, o iluminado, esplendoroso, claro, branco, puro e límpido; leukaíno, embranquecer, clarear, tornar brilhante; lukonakaia, a iluminação, e leukophaés, o esplendor da brancura.

No latim, lux, a fonte luminosa (correspondente a pháos) e lumen, o iluminado (correspondente a leukós e lúknos). O lume recebido da luz para que vejamos faz com que os olhos sejam ditos, agora, lumina.

Mas, o que é ver? Porque Aristóteles escreve ideín da raiz indo-européia weid, ver é olhar para tomar conhecimento e para ter conhecimento. Esse laço entre ver e conhecer, de um olhar que se tornou cognoscente e não apenas espectador desatento, é o que o verbo grego eidô exprime.

Eidô, ver, observar, examinar, fazer ver, instruir, instruir-se, informar, informar-se, conhecer, saber, e, no latim, da mesma raiz, vídeo, ver, olhar, perceber, e viso, visar, ir olhar, ir ver, examinar, observar. Donde, visita (ver freqüentemente) que, na versão latina da Bíblia, significa manifestação de Deus ao homem para exame rigoroso ou benevolente de seus atos. ' 'Estar sob a visita de Deus'' é ter-Lhe os olhos sobre nós, ser por Ele visitado. Ele que, em sua onisciência, tem o poder para dizer: provideo (ver de antemão) e por isso é providentia que nos protege contra um outro olhar, o improvisus da caprichosa Fortuna. Se aceitamos Sua visita, também há de proteger-nos do mau olhado, invideo (invejar).

Aquele que diz: eidô (eu vejo), o que vê? Vê e sabe o eidós: forma das coisas exteriores e das coisas interiores, forma própria de uma coisa (o que ela é em si mesma, essência), a idéia. Quem vê o eidós, conhece e sabe a idéia, tem conhecimento, eidotês, e por isso é sábio vidente, eidulis. Quem viu, pode querer fabricar substitutos do visto e, na qualidade de eidolopóios, pode fabricar as formas aparentes das coisas, eidolon (ídolo, simulacro, imagem, retrato). No entanto, se o ver fabricador buscar a semelhança no ato mesmo de ver, estará na eikasia (representação, crença, conjetura, comparação) e tentará fabricar eikon (ícone, pintura, escultura, imagem, imagem refletida no espelho) a partir do eikô (ser semelhante, assemelhar-se, verossímil, provável). Eis por que Platão, que partira à procura do eidós, cuidará para separá-lo do eidolon e do eikon.

Quem olha, olha de algum lugar. Skópos se diz daquele que observa do alto e de longe, vigilante, protetor, informante e mensageiro. Pratica o skopeuô (observar de longe e do alto, espiar, vigiar, espionar) alojando-se no skopé, o observatório (como o cientista soberano e também o policial, no panopticon de Bentham). Por isso, sua prática não é apenas vigiar e espiar, mas significa, ainda, refletir, ponderar, considerar e julgar, tornando-se skopeutês: aquele que observa, vigia, protege, reflete e julga, situando-se no alto. Donde, altura e eminência desse olhar que se diz skopiá. Dessa raiz indo-européia, spek, em latim, se dirá specio (ver, olhar, observar, perceber), specto (Pág.: 36) (ver, olhar, examinar, ver com reflexão, provar, ajuizar, esperar, acautelar-se). 

Olhar reflexivo e sábio que vê a species (forma das coisas exteriores, figura, aparência, forma e figura formadas pelo intelecto, esplendor, formosura, semelhança, correspondendo ao grego eidós, a idéia).





Eis por que, falando latim, a filosofia expunha a idéia com os nomes de espécie sensível, dada aos olhos do corpo, e espécie inteligível, dada ao olho do espírito. Idéia e espécie: uma só e mesma palavra usada para o corpo e a alma por que são capazes de ver e, portanto, de saber.

Heráclito de Éfeso. 
Detalhe do afresco: A escola de Athenas. 
Rafaello Sanzio (1483-1520)

A escola de Athenas (1509-1510)







Fontes


























09 abril 2023

PÁSCOA

Os Celtas antigos dividiam o ano em duas metades, a mais iluminada e a mais sombria, e realizavam celebrações para marcar as trocas de estações: 

Imbolc
O Imbolc era celebrado entre o solstício de inverno e o equinócio da primavera 

Beltane 
O Beltane acontecia entre o equinócio da primavera e o solstício de verão 

Lughnasadh 
O Lughasadh acontecia entre o solstício de verão e o equinócio de outono e o

Samhain
O festival Sambain era celebrado entre o equinócio de outono e o solstício de inverno (sah-win).


A roda do ano celta e seus festivais (WP).


As the wheel turns, pagans celebrate the four seasons as solar festivals. Halfway between each season is a fire festival, usually associated with agriculture and the harvest. Together they make up the eight holy days, or Sabbats (also sometimes called Asatru Blots). 


Celebrations and festivals that match these time periods is common throughout many cultures in the world. 


Yule (Winter Solstice)
December 20th - 23rd


Ever since the stone ages, the winter solstice has been regarded as a significant turning point in the annual solar cycle. The ancient archaeological sites of Newgrange and Stonehenge are aligned with the winter solstice's sunrise and sunset. The festival represents the turning point of winter and the longest night of the year. The sun begins climbing higher and higher in the sky each day after Yule, marking the return of the solar god and the coming of the planting season. 


Imbolc
February 1st - 2nd


The first fire festival of the year falls around February first. The festival marks the first stirrings of spring. The ices begin to melt and the ground will soon become plantable. It is a time of spring cleaning and purification, through both ritual and deeds. Wiccans make pledges and dedications for the remainder of the year on this fire holiday. 


Ostara (Spring Equinox)
March 20th - 23rd


Claimed by the Christians as Easter, this much older solar festival marks the midpoint of spring. Ostara is a Saxon goddess of springtime and the dawn. It is a time of fertility, arrival of babies (human and animal), and new growth. The rabbit, known for its rapid reproduction (later bastardized as the Easter Bunny), was Ostara's sacred animal and used at festival time to honor Ostara for her gift of fertility and abundance. 


Beltane
April 30th


The first day of summer in Ireland. In ancient Rome it was celebrated as the fire festival of Flora (the Roman goddess of flowers). Germanic tribes celebrated this time as Walpurgis Night. Beltane is a festival of fertility and light. 


After Europe became Christianized, this fire festival transformed into maypole dancing and the crowning of the Queen of the May on May Day. 


Litha (Summer Solstice)
June 20th - 23rd


At the opposite of Yule is Litha, the longest day (and shortest night) of the year. Summer reaches its maximum. The name Litha can be traced to one of the original Saxon months and roughly corresponds to modern-day June or July. It is a time of rest. The harvest will be coming soon and will require all of your energy. 


Newgrange and Stonehenge also mark the time of Litha. Ancient cultures celebrated by fire. Torchlight processions were common at night. Fire was used to drive out evil and bring fertility. 


Lughnasadh (or Lammas)
August 1st


The first of three Wiccan harvest festivals, Wiccans celebrate this fire festival by baking a figure of god in bread and eating it. The ritual symbolizes the importance and sanctity of the coming harvest. Celtics call the holiday Lughnasadh (in honor of the Celtic deity Lugh) and Wiccans call it Lammas (translated literally: loaf mass). Early Wiccan manuscripts refer to the holiday as August Eve. 


Mabon (Fall Equinox)
September 20th - 23rd


The second of three Wiccan harvest festivals, this fire festival has many names: Mabon (from Welsh mythology), the Feast of the Ingathering, Harvest Home, and Meán Fómhair or Alban Elfed (in Neo-Druid traditions). Pagans give thanks to mother earth for her bounty. Her gifts will allow Pagans to survive the coming cold winter months. 


Samhain
October 31st


The final Wiccan harvest festival, Samhain is consider to be one of the greater Sabbats. It is a time to honor your ancestors and loved ones that have passed on. It is considered to be a festival of darkness, directly in opposition to Beltane which is a festival of fertility and light. 


Pagans believe that during Samhain the veil between life and the afterlife is at its most thin. During this time it is easier to commune with the dead. 


Christians bastardized Samhain into Halloween.





Festival Beltane, Beltain ou Bealtaine é um festival celta, ainda comemorado nos dias atuais, reconhecido nas comemorações da Festa da Primavera, mas que originalmente marcava o início do Verão. É celebrado a 1 de Maio no hemisfério norte e 31 de outubro no hemisfério sul. O Beltane é o mais alegre dos festivais celtas, onde os participantes dançam, e se alegram nas voltas da fogueira.
Oposto ao festival Samhain, o Beltane é um festival da fertilidade, simbolizando a união entre as energias masculina e feminina, a fertilidade da terra e os fogos do deus celta Belenos, e toda sua energia e luz.
Durante o festival, eram acesas fogueiras nos topos dos montes e lugares considerados sagrados, sendo um ritual importante nas terras celtas. E como tradição, as pessoas queimavam oferendas como, por exemplo, totens para que o poder do fogo fosse passado ao rebanho e, pulavam as fogueiras para que se enchessem das mesmas energias poderosas.
Representa o início do Verão e marca o término do Inverno, sendo comemorado com danças e banquetes. Em Portugal, a Festa das Maias é um vestígio desse festival celta. Nossa Páscoa é celebrada nessa mesma época (aproximadamente)


Outro festival que entre esses quatro acontecimentos sagrados, supracitados, talvez o Samhain fosse o mais significativo, uma vez que ele representava o Ano Novo Celta. Para os Celtas antigos, o tempo começava na escuridão, com cada dia de 24 horas tendo início no anoitecer. Acontecendo na metade mais escura do ano, o Samhain representava o fim de um ano e o começo de um novo. 
Com origens no calendário pastoral, as celebrações de Samhain provavelmente antecederam a chegada dos Celtas na Irlanda há 2,500 anos atrás. Era a época de preparação para o inverno; havia a colheita das plantações, os animais eram arrebanhados em currais para sacrifícios ou para se reproduzir. Banquetes, abundantes tanto em comida quanto em álcool, eram realizados para celebrar a colheita. O Samhain também era sagrado para o acerto de questões de negócio importantes, como a apresentação de novos reis. Dívidas eram pagas e os julgamentos dos crimes mais notórios eram conduzidos, com justiça aplicada em conformidade.


O feriado da Páscoa também é lembrado como a celebração da ressurreição de Jesus Cristo e faz parte da tradição cristã. Todavia, a Páscoa já existia antes de Jesus. Pois é, povos já faziam festa e trocavam ovos (de galinha) nessa época do ano muito antes mesmo de os judeus existirem. 

Antes do Cristianismo, a entrada da primavera era comemorada em rituais que têm muito em comum com a Páscoa dos cristãos. Praticamente, todos os povos têm sua versão da festa: entre os romanos é a festa da deusa Réia ou Cibele. Entre os egípcios, a comemoração era para Osíris - que também ressuscitava. Até mesmo o Pessach, a páscoa judaica que deu origem à cristã, surgiu dos rituais da primavera dos pastores e agricultores hebreus, com seus pães sem fermento e sacrifício de animais.


A chegada do coelhinho

A partir do século 9, com a conversão dos povos germânicos ao Cristianismo, houve uma grande mistura entre as tradições. Exatamente como na Antiguidade, os símbolos das festividades pagãs acabaram incorporados à celebração cristã. E o caso do coelhinho, por exemplo: o animal era nada menos que a representação da deusa da primavera entre povos bárbaros. Ainda hoje, Páscoa é chamada Ostern em alemão e Easter em inglês - derivações do nome da deusa Estre (ou Ostara, como também é conhecida).




E por que comemos chocolate? 

Antes os ovos dados de presente eram de galinha e não de chocolate. Símbolos do início da vida, eles não serviam para serem comidos. Eram decorados e celebravam Estre, representada por uma mulher que segurava um ovo em sua mão e observava um coelho, alegoria da fertilidade. 

Os cristãos se apropriaram da imagem do ovo para festejar a Páscoa, que celebra a ressurreição de 

Jesus - o Concílio de Nicéia, realizado em 325, estabeleceu o culto à data. Na época, pintavam os ovos (geralmente de galinha, gansa ou codorna) com imagens de figuras religiosas, como o próprio Jesus e sua mãe, Maria. 

A cultura do chocolate foi inserida pelos franceses, só no século 18. Confeiteiros da França resolveram testar o uso de uma iguaria que tinha chegado à Europa dois séculos antes, vinda da América recém-descoberta. E claro que a novidade fez o maior sucesso (muito mais legal ganhar um ovo de chocolate do que um de galinha, né?)














GAZPACHO

GAZPACHO

Do filme: 
“Mulheres a beira de um ataque de nervos.” 
Dir. Almodovar 

“Mulheres a beira de um ataque de nervos.” 
Dir. Almodovar

O gaspacho é uma palavra substantivo masculino do campo da culinária ou gastronomia. É considerado uma sopa fria originária da Espanha e muito temperada com alho, cebola, vinagre, tomate e, principalmente, azeite; geralmente, servida com pedacinhos de pão; caspacho. 
Etimologia: a palavra gaspacho tem sua origem no espanhol, gazpacho, sopa fria.

As receitas espanholas, geralmente, são preparadas através da trituração de todos os ingredientes, ficando o preparado final com aspecto de um purê cremoso rosado quase líquido. São conhecidas em Portugal pelo nome de “Gaspacho à Andaluzia”. Na Estremadura espanhola, existe uma versão denominada gaspacho estremenho, gazpacho extremeño. 
Destaca-se das demais receitas espanholas por incluir pão triturado misturado com os ingredientes restantes. Pode incluir também ovo cozido picado, alho e cebola, para além de tomate e pimentão.

O gaspacho original é uma mistura de pão esfarelado, azeite e vinagre que tem alimentado há séculos os agricultores ibéricos do sul e seu registro data do sec. VIII d.C. 

A existência de um gaspacho original feito de farinha de rosca, água, vinagre e azeite foi evoluindo ao longo da história, incorporando ingredientes, até chegar à versão atual. Evolução que produziu variedades distintas de gaspacho no sul de Espanha e Portugal, sendo o mais popular e internacionalizado o chamado gaspacho andaluz, chegando ao atual gaspacho. 

O gaspacho original deu origem a diferentes versões de gaspachos quentes e frios. 

Entre os gazpachos frios estão o ajoblanco e o salmorejo. Entre os quentes, mais típicos de La Mancha, são chamados de gazpachos de Manchego ou Galianos, podendo variar entre regiões  nas cidades andaluzes. 

Sabe-se que só no século XIX lhe foi adicionado o tomate e corresponde às variantes vermelhas que hoje conhecemos. Antigamente, o gaspacho era considerado um hiperónimo com o qual se designava qualquer tipo de alimento. sopa ou majado (esmagado) feito com pão, azeite, vinagre, sal e outros ingredientes.

Atualmente, o chamado gaspacho andaluz é o mais popular e também o mais conhecido, mas deve-se reconhecer que sua evolução deixou inúmeras variantes locais menos conhecidas e composições mais diversas. Essa popularidade levou alguns autores a chamar a Andaluzia de Região do Gazpacho, assim como grande parte da Extremadura e La Mancha (WP)
















GAZPACHO

I

Ingredientes 


5 tomates maduros

1 pepino japonês

¼ de pimentão vermelho

1 fatia de pão italiano amanhecido

1 dente de alho

2 colheres (sopa) de vinagre de vinho tinto

½ colher (sopa) de azeite

sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto



Modo de preparo 


Lave e seque os tomates, o pimentão e o pepino. Corte os tomates ao meio, descarte as sementes e corte as metades em pedaços médios. Descarte as pontas e corte o pepino em pedaços médios. Corte aproximadamente ¼ do pimentão em duas fatias. Descasque o dente de alho. 

No liquidificador, bata todos os ingredientes, até ficar uma mistura lisa. Sirva a seguir com croûtons. (É só tostar cubinhos de pão na frigideira com azeite ou manteiga).



II


Ingredientes


1/2 pepino pequeno

1/2 pimento verde pequeno, sem sementes e finamente picado

500 g de tomate maduro, descascado ou 400 g de tomate picado enlatado

1/2 cebola, picada grosseiramente
3 dentes de alho, esmagados

3 colheres de sopa de azeite

2 colheres de sopa de vinagre de vinho branco

2 colheres de sopa de sumo de limão ou de lima

2 colheres de sopa de concentrado de tomate

450 ml de sumo de tomate

Sal e pimenta a gosto 


Para servir

Pimento verde, picado
Anéis finos de cebola
Cubos de pão de alho
Modo de Preparo


Preparo

1
Rale grosseiramente o pepino para uma grande tigela e acrescente o pimento verde picado.

2
Triture os tomates, a cebola e o alho numa trituradora, junte depois o azeite, o vinagre, o sumo de limão e o concentrado de tomate e triture bem até ficar homogéneo. Em alternativa, pique finamente o tomate e rale finamente a cebola, misturando-os depois com o alho, o azeite, o vinagre, o sumo de limão e o concentrado de tomate.

3
Acrescente a mistura de tomate à tigela e mexa bem, juntando em seguida o sumo de tomate e voltando a mexer.

4
Tempere a gosto, tape a tigela com película aderente e gele bem, durante pelo menos 6 horas e de preferência mais tempo para que os sabores se possam misturar.

5
Prepare os acompanhamentos de pimento verde, anéis de cebola e cubos de pão de alho e disponha-os em tigelas individuais.

6
Sirva a sopa em tigelas, de preferência a partir de uma terrina de sopa colocada na mesa com os acompanhamentos em redor. Vá passando os acompanhamentos para que os convidados se sirvam.