INÍCIO

07 janeiro 2023

NUPER ALMOS ROSE FLORES

 NUPER ALMOS ROSE FLORES 

Sequência composta provavelmente por Guillaume Dufay para consagração  da Catedral de Santa  Maria del Fiore em Firenze no ano de 1436.








Catedral de Santa Maria del Fiore, Firenze




LETRA


Nuper almos rosae flores


Nuper almos rosae flores homo regens celi fores tibi virgo virginum.

Tibi stelle matutine dat et edit florentine domum gemmis fulgidum.

Nunc et die qua te verbo complet Gabriel eterno tibi templum dedicat.

Quis enarret quo tumultu quo tum corde quo tum vultu tibi quisque iubilat.

Cum pons vivis ligno structus apparatus miro fultus alte portat curiam. 

Portat papam, portat fratres et pastores et abbates quasi throni gloria. 

Quis enarret quo tumultu quo tum corde quo tum vultu grandis edes ungitur, 

Non est orbi templum tale neque gaudium equale ut in templo panditur.

Quis enarret quo tumultu quo tum corde quo tum vultu virgo tibi concinit.

Virgo clerus laudes cantat super angelos exaltat nempe celum convenit.

Virgo mater virgo pura nam te nostri tenet cura pium nos ad filium.

Pium purga nos ad natum ne respectet iam reatum sed preces humilium. 

Alleluia.




Nuper almos rosae flores






















NUPER ROSARUM FLORES 

Nuper rosarum flores
Ex dono pontificis
Hieme licet horrida
Tibi, virgo coelica,
Pie et sancte deditum
Grandis templum machinae
Condecorarunt perpetim.


Hodie vicarius
Jesu Christi et Petri
Successor Eugenius
Hoc idem amplissimum
Sacris templum manibus
Sanctisque liquoribus
Consecrare dignatus est.


Igitur, alma parens
Nati tui et filia
Virgo decus virginum,
Tuus te Florentiae
Devotus orat populus,
Ut qui mente et corpore
Mundo quicquam exorarit


Oratione tua
Cruciatus et meritis
Tui secundum carnem
Nati Domini sui
Grata beneficia
Veniamque reatum
Accipere mereatur.
Amen.


Cantus firmus:
Terribilis est locus iste




Transcrição para o inglês 


Recently roses (came) as a gift from the Pope,
despite the cruel winter, to you, heavenly Virgin,
to whom a temple of magnificent design
is dedicated dutifully and through sacred rites.
Together may they be perpetual ornaments.

Today the Vicar of Jesus Christ
and Peter’s successor, Eugenius,
has the honour to consecrate
this same most spacious sacred temple
with his hands and with holy water.

Therefore, gracious mother and daughter of your own Son,
virgin, ornament of virgins,
the people of your city of Florence devoutly pray
that whoever entreats you with a pure mind and body may,
 
through your prayer, your anguish and merits,
be found worthy to receive of the Lord,
born of you as all flesh is,
the benefits of grace and the remission of sins.


Amen.

Cantus firmus:
Awe-inspiring is this place






























































A FOTOGRAFIA DE VON GLOEDEN

A FOTOGRAFIA DE VON GLOEDEN


Wilhelm Iwan Friederich August von Gloeden (16 de setembro de 1856 - 16 de fevereiro de 1931), comumente conhecido como Barão von Gloeden, foi um fotógrafo alemão que trabalhou principalmente na Itália. 
Conhecido mundialmente principalmente por seus estudos pastorais nus masculinos, e nus de meninos sicilianos, retratando uma época idílica da Grécia clássica. 
Com sua fotografia executada em grande parte do nu masculino ao ar livre, seus trabalhos foram em grande parte inovadores, já que tinha que controlar o tempo de exposição ao usar a luz natural em poses ao ar livre com o uso do nu masculino. 
Suas composições geralmente apresentavam a figura dos corpos usando adereços como coroas de flores ou ânforas, sugerindo um cenário na Grécia ou na Itália da antiguidade. 






Dois meninos nus, um com ânfora e o outro com coroa de flores de maracujá 
(c. 1895)



Do ponto de vista moderno, seu trabalho é louvável pelo uso controlado da iluminação, bem como pelas poses muitas vezes elegantes de seus modelos. 
Suas inovações incluem o uso de filtros fotográficos e maquiagem corporal especial (uma mistura de leite, azeite e glicerina) para disfarçar manchas na pele e atenuar à luz mediterrânea. 

Seu trabalho especialmente com paisagens e nus, atraiu turistas ricos para a Sicília, especialmente gays que não se sentiam a vontade ​​no norte da Europa, e mudou a história de Taormina.

O passado de Von Gloeden é considerado um mistério. Embora alegasse ser um Barão de Mecklemburgo, os herdeiros aristocratas da família Gloeden sempre insistiram que essa pessoa não existia nos registros: o baronato teria se extinguido em 1885 com a morte do Barão Falko von Gloeden. Acredita-se que Wilhelm fosse filho do engenheiro florestal Carl Hermann Gloeden (1820-1862) e sua esposa Charlotte Maassen (1824-1901).




Jovem nu deitado (c. 1899)






Encantador de serpente (c. 1890)


Garotos napolitanos à beira-mar (c. 1880)

Dois jovens nus na pedra (c. 1885)


Em 1878, com 22 anos, mudou-se para Itália com a esperança de obter a cura para a tuberculose que contraíra e o deixara um ano acamado em um sanatório polonês. Esteve primeiro em Nápoles, onde encontrou seu primo “Guglielmo” Plüschow**, antes de seguir em definitivo para Taormina, uma pequena cidade litorânea da Sicília com antigas ruínas gregas. Ao conseguir restabelecer sua saúde, passou a chamar a cidade de “Paraíso na Terra”.

Wilhelm von “Guglielmo” Plüschow (1852-1930) foi um fotógrafo alemão que se mudou para a Itália e ficou conhecido pelos fotografias de garotos nus em Nápoles. Teve problemas com a lei por ser gay, chegou a passar oito meses na prisão por “sedução de menores”, mas seus méritos artísticos foram reconhecidos. Geralmente, é considerado inferior a Von Gloeden, devido à pouca preocupação com a iluminação e algumas poses estranhas de seus modelos.

Wilhelm Iwan Friederich August von Gloeden (1856 - 1931) Barão Von Gloeden.

Maravilhado pelas paisagens sicilianas e sobretudo pela beleza selvagem e bruta dos jovens camponeses, Von Gloeden se iniciou na fotografia, ajudado por seu primo, pelo prefeito da cidade, o pintor Otto Geleng, e pelos fotógrafos locais, Giovanni Crupi e Giuseppe Bruno. No início, ele vendeu cartões postais com paisagens, monumentos e pessoas, mas, dois anos depois, Von Gloeden já era famoso na região com suas fotos de meninos seminus com coroas de flores ou ânforas, inspiradas no ideal da Arcádia, o paraíso da Antiguidade Clássica.

“As formas gregas me atraíam, assim como os descendentes em tons de bronze dos antigos helenos. Tentei ressuscitar a velha e clássica vida em imagens... Os modelos geralmente continuavam alegres, levemente vestidos e à vontade ao ar livre, acompanhando as flautas e as conversas animadas”. (Von Gloeden em 1898).

Jovem  nu deitado (c. 1899)

Sem o objetivo de servir ou para registro documental ou de guia para pinturas – como os exercícios de Muybridge e Eakins, por exemplo –, as fotografias de Von Gloeden foram consideradas os primeiros nus masculinos com objetivo artístico puro e simples. Fotos nas quais meninos com idades entre 10 e 20 anos e, ocasionalmente, homens mais velhos, estavam totalmente nus e que, devido ao contato visual ou físico eram mais sugestivos sexualmente, eram comercializados entre amigos íntimos do fotógrafo ou de forma clandestina. Contudo, não havia qualquer pornografia explícita.

Baco (c. 1889)

A falência de seu padrasto por conta de um escândalo político, fez com que Von Gloeden perdesse seu suporte financeiro e precisasse ser ajudado pela população local. Foi quando seu amigo de infância e grande admirador, o Grão-Duque Friedrich Franz III de Mecklemburgo-Schwerin, começou a comprar suas fotos como forma de ajuda. O colecionador também enviou uma câmera especial que melhorou a qualidade dos resultados e o fez buscar uma forma de profissionalização de seu trabalho fotográfico. Com o tempo, voltou a receber visitas da realeza (o Rei Eduardo VII da Inglaterra e o rei Alfonso XIII da Espanha), de nobres comerciantes (o industrial do aço, Frederich Alfred Krupp), fotógrafos e celebridades (o escritor Oscar Wilde e o compositor Richard Strauss).

A excelente fotografia de Von Gloeden era publicada em revistas (como a National Geographic) e aparecia em exposições de Arte internacionais (Londres, Cairo, Nice, Filadélfia, Berlim, etc.), uma vez que se tornou referência na fotografia ao ar livre com uso de filtros e transparências. Em 1899, a Sociedade Fotográfica de Berlim o convidou para palestrar sobre o tema. Seu olhar neoclássico para o nu masculino foi também revolucionário, bem como a maquiagem corporal especial (uma mistura de leite, azeite e glicerina) que usava para destacar a iluminação e reduzir manchas na pele.

Vale lembrar que a primeira fotografia foi reconhecida em 1826, pouco mais de 60 antes do trabalho de Von Gloeden, ou seja, tudo relativo ao universo fotográfico era considerado inovador.


Apesar da atmosfera homofóbica da época, acredita-se que os habitantes toleravam as fotografias, e as orgias que viravam a madrugada, de Von Gloeden porque ele pagava os modelos e dava os devidos créditos a eles. 

O dinheiro permitiu que muitos jovens iniciassem negócios, adquirissem barcos para seus sustentos, ou buscassem educação na cidade. Muitas famílias taorminesas devem seu atual nível de prosperidade a um avô ou tio-avô que foi modelo de Von Gloeden. Além disso, suas fotografias da paisagem local e o registro documental dos danos causados ​pelo terremoto de 1908 em Messina ajudaram a popularizar o turismo na Sicília, além de ser o precursor da reportagem fotográfica. 

1926

Com a entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial, Von Gloeden viu-se obrigado a deixar a casa que vivia com sua irmã Sofia e seu assistente Pancrazio Buciuni (Il Moro). Muitos de seus modelos perderam a vida durante a guerra e sua utopia arcadiana perdeu o encanto, fazendo com que a procura por seus trabalhos reduzisse. Regressou a Taormina após a guerra e se manteve produtivo até o final de sua vida.

Nu reclinado ao lado de vaso (s.d.).

Il Moro herdou mais de 3.000 fotografias tiradas pelo fotógrafo, quando este veio a falecer em Taormina. Ele as mantinha guardadas como lembrança e se recusava a vendê-las. Todavia, a maioria se perdeu quando, em 1936, a polícia de Mussolini destruiu mais de 2.500 fotografias e negativos e prendeu Il Moro sob alegação de pornografia, que conseguiu reverter com um discurso sobre o entendimento da Arte. O trabalho de Von Gloeden foi redescoberto na década de 1970 e nunca mais esquecido.

A história de Pancrazio Buciuni está atrelada a de Von Gloeden. Com 14 anos foi contratado para ser um dos serviçais da mansão do barão. De pele escura e olhos grandes, foi chamado por Wilhelm de Il Moro, “O Mouro” e caiu em suas graças e afetos. O rapaz cuidava pessoalmente da saúde do fotógrafo e organizava os encontros noturnos com jovens locais. Os laços eram tão estreitos que, mesmo na falência, Il Moro permaneceu ao lado Von Gloeden e, afastados durante a guerra, o rapaz manteve os pertences do fotógrafo organizados.






Dois jovens conversando acompanhados por um menino (s.d.)


Lutadores (s.d.) 












Os garotos de Taormina (c. 1890)







Jovem nu deitado (c. 1898)






Garotos napolitanos à beira-mar (c. 1880)



Dois jovens à porta (c. 1890)




Homens nus no jardim (c. 1890)




Dois meninos nus, um segurando um tirso e o outro usando uma bandana (c. 1880)










As três graças (c. 1900)





Dois rapazes napolitanos nus, em um terraço (1890)


Garotos napolitanos ao mar (c. 1895)




Dois jovens nus na pedra (c. 1885)


Jovem nu e coluna (c. 1890)



Dois jovens nus ao mar (c. 1890)

Fauno (c. 1898)



Lutadores 


Dois garotos nus em Villa Barbaja, Nápoles (c. 1890)



Dois jovens Sicilianos (s.d.)

Jovem nu cm vaso 

Dois jovens em uma coluna (1900).

Jovens sicilianos 



Dois jovens sicilianos nus (s.d.)






Sombra e luz segundo Leonardo da Vinci

(533) Que coisa é a sombra? A sombra, nomeada por sua palavra apropriada, deve ser chamada de alívio da luz aplicada à superfície dos corpos, dos quais o começo está no fim da luz e o fim está na escuridão (trevas). 

(534) Que diferença existe entre a sombra para a escuridão? A diferença entre as sombras e as trevas é esta, que a sombra é o alívio da luz, e a escuridão é a completa privação dessa luz. 

(535) De onde deriva a sombra. A sombra deriva de duas coisas diferentes entre si, pois uma é corpórea e a outra espiritual: o corpo sombreado (ombros) é corpóreo, a luz é espiritual; portanto, a luz e o corpo são a causa da sombra. 

(536) Do ser da sombra em si. 

A sombra é da natureza das coisas universais, que são todas mais poderosas no começo, e no final elas enfraquecem: quero dizer no começo de toda forma e qualidade evidente e invisível, e não de coisas originadas de pequenos começos em muito aumento com o tempo, como seria um grande carvalho com começo fraco para uma pequena bolota; pelo contrário, direi que o carvalho é mais poderoso em seu nascimento do que a terra, ou seja, em sua maior espessura; portanto, a escuridão é o primeiro grau de sombra e a luz é o último. Assim tu, pintor, farás a sombra mais escura depois da sua causa, e o fim que se converte em luz, isto é, que aparece sem fim.

(537) O que é sombra e luz, e o que é mais poderoso. A sombra é a privação da luz, e apenas a oposição dos corpos densos aos raios luminosos; a sombra é por natureza da escuridão, a luz é por natureza da luz; um esconde e o outro demonstra; estão sempre em companhia unidas aos corpos; e a sombra é de maior poder que a luz, pois esta proíbe e priva totalmente os corpos da luz, e a luz nunca pode expulsar a sombra dos corpos em todos, isto é, corpos densos.

















Fonte