AURIGA DE DELFOS
O Auriga de Delfos, também conhecido como Heniokhos, no grego antigo Ἡνίοχος, o condutor das rédeas), é uma antiga estátua de bronze grega datada de cerca de 470 a.C. Com 1,8 metros de altura, a figura em tamanho natural de um cocheiro fazia originalmente parte de um grupo escultórico maior que incluía uma carruagem, cavalos e crianças acompanhantes, fragmentos do qual também foram descobertos entre as ruínas. A obra foi dedicada no Santuário de Apolo em Delfos, um dos mais importantes locais religiosos do mundo grego, para comemorar uma vitória nos Jogos Píticos pan-helênicos, que incluíam competições atléticas e equestres.
A estátua do auriga de Delfos foi descoberta durante as escavações do santuário de Apolo em Delfos, a estátua fazia parte de uma quadriga, encomendada e dedicada, talvez para comemorar uma vitória conquistada com uma quadriga nos Jogos Píticos (478 ou 474) por um tirano siciliano (provavelmente Polizelo, tirano de Gela). Foi descoberta após ter sido soterrada por um deslizamento de rochas dos penhascos de Fedríades, perto de sua localização original. O artista da estátua é desconhecido; a hipótese mais provável é que seja obra de Sótades de Téspias ou Pitágoras de Régio.
A escultura conhecida como Auriga de Delfos constitui um dos mais importantes testemunhos da arte grega do início do período clássico, datando de cerca de 470 a.C. A obra foi dedicada no Santuário de Apolo, em Delfos, provavelmente por Polizalo de Gela, tirano da Sicília, para celebrar uma vitória nos Jogos Píticos. Sua finalidade, portanto, não era meramente decorativa, mas votiva e comemorativa: tratava-se de uma oferenda ao deus Apolo em agradecimento pelo triunfo obtido nas competições equestres, ao mesmo tempo em que eternizava o prestígio político e social do dedicante.
Originalmente, a estátua fazia parte de um conjunto escultórico maior que incluía uma quadriga (carro de quatro cavalos), as rédeas, algumas ainda preservadas, e possivelmente uma pequena figura auxiliar. O que sobreviveu foi o condutor, representado em tamanho natural, com expressão contida e postura solene. Essa escolha estética revela uma mudança significativa em relação ao período Arcaico anterior: abandona-se o sorriso arcaico e a rigidez frontal típica dos kouroi, adotando-se uma linguagem mais naturalista, marcada pelo equilíbrio, pela observação anatômica precisa e por um novo ideal de serenidade.
Do ponto de vista técnico, a estátua foi produzida pelo método da cera perdida (técnica indireta), amplamente utilizado na escultura em bronze da Grécia clássica. O processo consistia, inicialmente, na modelagem da figura em cera sobre um núcleo de argila. Após o detalhamento minucioso da superfície, pregas da veste, feições, cabelos, aplicava-se uma camada externa de argila formando um molde. O conjunto era aquecido, fazendo com que a cera derretesse e escoasse, deixando um espaço vazio entre o núcleo interno e o molde externo. Nesse espaço era vertido o bronze fundido, liga composta principalmente de cobre e estanho. Depois de resfriado, o molde externo era quebrado, revelando a escultura, que passava por acabamento, cinzelamento e polimento. No caso do Auriga, detalhes como os olhos incrustados em pasta vítrea e pedra, além de lábios com inserções de cobre avermelhado, demonstram o alto grau de refinamento técnico alcançado.
A escolha do bronze, em vez do mármore, oferecia vantagens estruturais e expressivas. O material permitia maior leveza visual, braços estendidos e composição mais aberta, além de possibilitar um tratamento detalhado das superfícies. Muitas esculturas gregas em bronze foram posteriormente fundidas novamente na Antiguidade para reaproveitamento do metal, o que torna a preservação do Auriga um caso excepcional, devido ao fato de ter sido soterrado após um terremoto em Delfos.
No contexto mais amplo da arte grega do início do século V a.C., o Auriga insere-se no chamado Estilo Severo, fase de transição entre o Arcaico e o Clássico pleno. Esse período caracteriza-se por maior naturalismo, abandono do sorriso convencional, estudo mais atento da anatomia e busca de equilíbrio entre movimento e estabilidade. A expressão do Auriga é introspectiva, quase meditativa, refletindo um ideal ético de autocontrole (σωφροσύνη, sophrosyne) valorizado na cultura grega. A arte deixa de enfatizar padrões decorativos rígidos e passa a investigar a representação convincente do corpo e da psique.
Assim, o Auriga de Delfos não é apenas um monumento comemorativo de vitória atlética, mas também marco técnico e estético da escultura grega clássica. Ele sintetiza avanços na metalurgia, refinamento formal e uma nova concepção de humanidade: serena, medida e consciente de sua dignidade. Trata-se de uma obra que revela não apenas a habilidade do escultor, mas os valores centrais da civilização grega no momento em que definia os fundamentos do classicismo ocidental.
A figura representa um jovem nobre, ou efebo, vestindo uma túnica característica com mangas. Ele é mostrado após o término da corrida, durante o desfile da vitória, usando a faixa de campeão. Sua cabeça está ligeiramente virada para a esquerda, e suas mãos são modeladas com grande detalhe, com os dedos ainda curvados em torno das rédeas. Ao contrário de muitas outras obras de arte do santuário que foram saqueadas ou destruídas, esta sobreviveu porque havia sido soterrada nos escombros do grande terremoto de 373 a.C.
O Auriga de Delfos (c. 470 a.C.), conservado no Museu Arqueológico de Delfos, constitui um dos testemunhos mais eloquentes da indumentária atlética cerimonial da Grécia clássica.
A figura veste o traje próprio do condutor de biga, ἡνίοχος, heniokhos, cuja função exigia não apenas habilidade técnica, mas também apresentação solene diante do público e da divindade homenageada. Diferentemente dos atletas nus das provas ginásticas, o auriga competia trajado, e sua roupa revela tanto aspectos funcionais quanto simbólicos.
A peça principal é o xystis, ξυστί, uma túnica longa, talar, ajustada à ao corpo, que desce até os pés. Trata-se de uma variante especializada do chitón, χιτών, confeccionada em linho, material leve, resistente e adequado ao clima mediterrânico, e, em contextos mais prestigiosos, também em lã fina. O tecido era tecido em tear vertical doméstico e posteriormente costurado nas laterais, formando uma peça tubular. No caso do auriga, o xystis apresenta mangas curtas ou ajustadas aos braços e é preso nos ombros, permitindo liberdade de movimento, mas evitando que o vento inflasse excessivamente a roupa durante a corrida.
Sobre o torso observam-se duas correias cruzadas nas costas e presas sob as axilas, conhecidas como anathyris ou, mais especificamente no contexto equestre, como faixas de contenção do xystis. Essas tiras tinham função prática: impediam que a túnica se abrisse ou se agitasse perigosamente quando o carro atingia alta velocidade. As corridas de bigas eram extremamente arriscadas; quedas e colisões eram frequentes.
Assim, a indumentária precisava conciliar decoro e segurança. A cintura era marcada por um cinto ζώνη, zōnē, que ajustava a peça ao corpo e ajudava a distribuir o peso do tecido.
O termo grego zoster ζωστήρ, zóster ou ζώνη, zōnē, refere-se historicamente a um cinto, faixa ou armadura de cintura usada na Grécia Antiga, desde o período Arcaico até o Helenístico, comum em trajes masculinos e femininos. Na medicina, o termo deu origem ao Herpes Zóster, uma infecção viral dolorosa caracterizada por bolhas na pele que seguem o trajeto de um nervo, formando uma faixa no corpo
A sobriedade da vestimenta também possui dimensão simbólica. O auriga não é representado com o dinamismo extremo comum a outras esculturas atléticas; ao contrário, sua postura é contida, quase hierática. A longa túnica reforça essa dignidade ritual. Diferentemente do atleta competidor, muitas vezes de origem aristocrática, o condutor podia ser um profissional ou servo especializado contratado por um proprietário rico, responsável pela equipe e pelos cavalos. Ainda assim, na vitória, era ele quem conduzia o carro diante do público e recebia momentaneamente a glória visível. Sua roupa, portanto, expressa disciplina, autocontrole e respeito ao deus, no caso, Apolo, cujo santuário em Delfos celebrava os Jogos Píticos.
O xystis era usado especificamente em competições equestres pan-helênicas, como as realizadas nos Jogos Píticos, Olímpicos e Ístmicos. Não se tratava de traje cotidiano, mas de indumentária técnica e cerimonial. Em contextos não competitivos, cocheiros poderiam vestir versões mais simples do chitón curto (χίτων κοντός). A versão longa e cuidadosamente ajustada, como a do Auriga, indica ocasião solene e comemorativa, reforçando a natureza votiva do monumento.
Assim, a vestimenta do Auriga de Delfos não é mero detalhe escultórico, mas documento histórico da cultura material grega. Ela evidencia técnicas têxteis, diferenciações sociais e códigos simbólicos do período clássico. Ao mesmo tempo em que responde a exigências práticas da corrida de bigas, traduz visualmente valores caros à ética grega: medida (μέτρον), domínio de si (σωφροσύνη) e harmonia entre função e forma.
Fonte
1.
Ministério da Cultura da Grécia – Sítio Arqueológico de Delfos
https://delphi.culture.gr/the-charioteer/
Página oficial do governo grego que descreve a estátua, sua descoberta nas escavações de 1896 e seu papel como oferenda votiva dedicada ao deus Apolo após uma vitória nos Jogos Píticos. ([Archaeological Site of Delphi][1])
2.
Museu Arqueológico de Delfos
https://delphi.culture.gr/hinixos/
Apresenta dados arqueológicos, datação da obra (480–470 a.C.), detalhes técnicos e a dedicatória de Polizalo de Gela. ([Archaeological Site of Delphi][2])
3.
World History Encyclopedia
https://www.worldhistory.org/image/413/bronze-charioteer-of-delphi/
Enciclopédia histórica revisada por especialistas com informações sobre estilo artístico, contexto histórico e significado votivo da escultura. ([Enciclopédia de História Mundial][3])
4.
World History Encyclopedia – Image and Historical Context
https://www.worldhistory.org/image/19056/delphi-charioteer/
Descrição da obra como parte de um conjunto escultórico maior com quadriga, dedicado a Apolo após vitória nos Jogos Píticos. ([Enciclopédia de História Mundial][4])
5.
University of Cambridge – Museum of Classical Archaeology
https://museum.classics.cam.ac.uk/collections/casts/delphi-charioteer
Base de dados acadêmica sobre esculturas clássicas, incluindo informações sobre material, descoberta, bibliografia e contexto histórico da peça. ([museum.classics.cam.ac.uk][5])
6.
University of Michigan – Digital Collections
https://quod.lib.umich.edu/u/ummu/x-03-08035/03_08035
Registro museológico com dados técnicos da escultura e documentação fotográfica acadêmica. ([quod.lib.umich.edu][6])
7.
Museo Tattile Statale Omero (Itália)
https://museoomero.it/en/opere/the-charioteer-of-delphi/
Apresenta análise histórica e literária da obra e seu contexto nos jogos pan-helênicos dedicados a Apolo. ([Museo Omero][7])
8.
Association for Public Art (EUA)
https://www.associationforpublicart.org/artwork/charioteer-of-delphi/
Contém explicação histórica da escultura e do processo de fundição em bronze utilizado na Grécia antiga. ([Association for Public Art][8])
9.
Hellenica World – Greek Cultural Heritage Portal
https://www.hellenicaworld.com/Greece/Museum/DelphiArchaeological/en/CharioteerOfDelphi.html
Portal educacional com dados arqueológicos, descrição da obra e informações sobre sua dedicatória e descoberta. ([Hellenica World][9])
10.
Delphi Museum Guide
https://www.delphimuseum.gr/
Site dedicado ao museu de Delfos com análises da escultura, incluindo a descrição da túnica xystis usada pelo auriga. delphimuseum.gr (10)
Sites que são confiáveis porque pertencem a instituições culturais, museus, universidades ou enciclopédias históricas revisadas, sendo frequentemente citados em pesquisas sobre escultura grega do Estilo Severo (século V a.C.).
FOTOGRAFIA
Hoje é o dia do nascimento de John Frederick William Herschel
(7 de março de 1792 - 11 de maio de 1871),
John Frederick William Herschel (Slough, 7 de março de 1792 - Hawkhurst, 11 de maio de 1871) foi um polímata inglês,[2] matemático, astronômico, químico, inventor, fotógrafo experimental que inventou o blueprint, e fez trabalhos botânicos.
Herschel originou o uso do sistema juliano na astronomia. Ele nomeou sete luas de Saturno e quatro luas de Urano, o sétimo planeta, descoberto por seu pai, Sir William Herschel. Ele fez muitas contribuições para a ciência da fotografia e investigou o daltonismo e o poder químico dos raios ultravioleta. Seu Discurso Preliminar (1831), que defendia uma abordagem indutiva ao experimento científico e à construção de teorias, foi uma contribuição importante para a filosofia da ciência.
Tiossulfato de sódio, Na2S2O3.5H2O.
Hoje marca o 234° aniversário do nascimento de John Herschel, uma das mentes que deu aos fotógrafos uma maneira confiável de fazer suas fotos durarem.
John Herschel descobriu que o tiossulfato de sódio, mais tarde conhecido como "hipo", hiposulfito, podia fixar permanentemente as imagens fotográficas. Isso mudou a fotografia para sempre, tornando possível preservar imagens sem que elas continuassem a reagir à luz e desbotar com o tempo.
Herschel descobriu que o hipo podia dissolver os sais de prata não utilizados deixados em uma superfície fotográfica, interrompendo efetivamente a reação fotossensível e estabilizando a imagem final.
Em 1839, quando a fotografia foi apresentada ao público por Daguerre e Talbot, Herschel compartilhou sua descoberta anterior com eles. Ambos adotaram o hipo como uma etapa fundamental em seus processos fotográficos.
Desde sua invenção, laboratórios fotográficos em todo o mundo ainda dependem da mesma química.












































































































































































































































































































