Tempo em gerações para que um brasileiro consiga chegar na classe média. Em nosso país são calculados nove gerações. Se consideramos que uma geração seja composta por 25 anos, temos 225 anos.
Como exemplo citado da minha própria família eu sou o primeiro da minha família a conseguir terminar o ensino superior, fazer mestrado e doutorado. Mas mesmo pertencendo ao estrato dos 10% mais pobres, meus pais incentivaram muito e trabalharam mais ainda para prover o minimo para que eu estudasse. Essa é uma exceção notável. Por que os dados da pesquisa em todo o Brasil não mostram isso. As pessoas perdem a esperança. Pois não conseguem ver melhoras no seu cotidiano.
Esse mundo não é mais possivel.
Acredito que todos concordam com isso. Esse é o aprendizado que necessitamos nesse momento mais escuro de nossa permanência no mundo, enquanto nossa própria existência encontra-se ameaçada. E nossa duração abreviada nesse planeta.
Nos governos de coalizão, dito governos progressistas (primeiro e segundo mandato do ex-presidente Lula, primeiro mandato da ex-presidenta Dilma) de 2003 a 2015, tivemos uma época de florescimento um renascer das forças vivas que hoje encontram-se precarizadas totalmente.
Entre os avanços desse período tivemos o salário mínimo que saiu de R$ 240,00 em 2003 para R$ 880,00 em 2016. Um aumento de 266% no período enquanto a inflação acumulada foi de 123%. Quando se faz a correção, o salário de 2003 equivaleria a R$535,39 em 2016, o que equivale dizer que houve um aumento real de 2003
para 2016 de 64%. (Min. Fazenda, IBGE e FGV.). Tivemos um IDH (índice de desenvolvimento Humano em 2003: 0,695 e em 2016: 0,755. A distribuição de renda ou (índice GINI) que em 2003 era igual a 0,586 e em 2016: 0,491
O índice GINI mede o grau de desigualdade de um país. Quanto mais próximo de 1, mais desigual o país é. (IBGE). Quanto a extrema pobreza em 2003: 10,5% (Banco Mundial) 17,5% (IBGE), em 2016: 4,2% (Banco Mundial) 9,2% (IBGE). O Banco Mundial e o IBGE usam rendas diferentes para critério de extrema pobreza. Em ambos percebemos uma queda acentuada (60% e 47,4% respectivamente) no percentual da população que vive em extrema pobreza.
Fontes: Banco Mundial e IBGE. Quanto a taxa de mortalidade infantil (a cada mil nascidos) em 2003: 21,5 por mil nascimentos em 2016: 14 por mil nascimentos
Uma queda de 34,8% no período. Vale ressaltar que em 2016 tivemos uma epidemia de Zika no país q elevou a taxa de mortalidade infantil, o que torna essa queda mais expressiva.(IBGE). Taxa de analfabetismo: em 2001: 12,4%
Em 2016: 7,2%, uma queda de 42% no período. (INEP - MEC); Ensino fundamental, jovens de 16 anos com ensino fundamental concluído: em 2003: a taxa era de 57%, em 2014 equivalia a 74%, um crescimento de 29,8%.
O PIB era em 2002: R$ 1,48 trilhões, já em 2016 equivalia a R$ 6,26 trilhões de reais. Corrigido pelo IGP-M, o PIB de 2002 equivale a 3,53 trilhões em 2016. Ou seja, tivemos um aumento de 323% que, considerando as correções, representa um aumento real de quase 80% no nosso produto interno bruto. (IBGE e FGV).
Reservas internacionais: em 2003 nossas reservas eras de U$ 37,6 bilhões, enquanto em 2016 equivaliam a U$ 370 bilhões. Um aumento de 884%. Quase 10 vezes maior o valor inicial (deixado pelo FHC) (de quando pegou pra quando entregou o governo. (Banco Central). No ensino superior, em 2002: 466,2 mil alunos concluiram E.S. Ja em 2014: 837,3 mil alunos concluíram E.S.,só para constar de 1995 a 2002: 2,4 milhões concluíram o ensino superior, de 2003 a 2014: 9,2 milhões concluíram. O aumento de pessoas com nível superior reflete o sucesso de políticas públicas como o ProUni e também é consequência da melhora da renda da população em geral que passou a ter condição de pagar pelos estudos (MEC). DESEMPREGO: quando ao desemprego em 2003, a taxa de desemprego era de 13% de desempregados enquanto em 2014 equivalia a 4,3% (final do primeiro mandato da ex-presidenta Dilma). Nesse tempo vivíamos uma situação de pleno emprego. Já em 2016 a taxa aumentou para 11,3%, e hoje no governo Bolsonaro, esta em 12,3%. A redução da taxa de desemprego do início do governo PT até o início da crise, quando a ex-presitente Dilma ganhou a reeleição, havia sido de 67%. Com a crise que vivemos até hoje este índice subiu bastante, mas mesmo assim se encontra abaixo de 2003 quando o PT entrou. Ou seja, apesar da nossa percepção de que nunca esteve tão ruim, de desesperança e de caos, de fundo do poço, a taxa esteve melhor em todo os governos do PT do que em qualquer outro governo (IBGE - PNAD). Mortalidade infantil para crianças até 1 ano, a taxa era de em 2003 igual a 27,48% já em 2015 era igual a 13,08%, a menor em 11 anos. (IBGE).
Diante dos dados já descritos continuar repetindo que o PT destruiu o Brasil é falta de vergonha na cara, é canalhice e querer mentir para a população.
Houve muitos erros? Provavelmente sim. Entretanto não existe governo perfeito, em nenhum lugar do mundo. Existiu corrupção existiu? Existiu na mesma taxa que sempre existiu. Com a diferença que o povo alienado da classe média foi feito refém da elite e usado como bucha de canhão para uma guerra hibrida contra os partidos progressistas. Triste classe média, tem valores elitistas, mas se alimenta de migalhas.
III. Desobediência civil
Talvez seja necessário que a verdade apareça nua e crua para que todos consigamos vê-la em sua dimensão histórica.
Um governo que é oriundo do que há de mais lodoso e rasteiro que existe no submundo da política esta a frente da nação. Nossa salvação esta apenas nas mãos dos governadores na medida em que estes estão mais próximos e são a quem se pode em ultima analise contar em caso de calamidade.
Um governo que ofende e precariza o servidor público dilapidando a imagem desse servidor, frente a mais abjeta classe média, para poder passar reformas que tirarão dinheiro do funcionalismo especialmente dos professores federais e técnicos, agentes de fiscalização entre tantos outros. Ninguém em sã consciência pode estar ao lado de um governo que quer destruir o trabalhador. Um governo cujos ministros não estão a altura dos cargos que ocupam não deve ser respeitados como tal. Uma parte do governo diz que devemos manter a quarentena e o chefe do governo diz que não, que essa virose é uma "gripezinha", um "resfriadozinho". Um governo genocida e destruidor de tudo que foi construído como sociedade, com ciência, com direitos humanos, com empatia. Não tenho escolha a não ser dizer: sim o Brasil precisa parar. Para para salvar vida. A unica coisa que importa no universo é a vida. Não o dinheiro. Não a conta no banco.
IV. Uma longa história
Imagine uma pessoa que mora na periferia do Brasil.
Quanta desesperança estamos impondo a ela? Qual o seu fardo que diariamente essa pessoa leva em seus ombros, em seu pensamento? Pense um pouco comigo: da abolição da escravidão no Brasil até o dia de hoje, temos cinco gerações. O que nos leva a concluir que a quase da totalidade das pessoas negras ainda estão tentando chegar a uma renda média. Isso é desumano, é maléfico.
Não podemos culpar o outro pelo mundo que produzimos via neoliberalismo excludente e concentrador de riqueza.
E com essa realidade vem a precariedade da moradia, a ausência do estado em questões importantes como saneamento básico, saúde, educação. Essas pessoas, nossos irmãos brasileiros, estão sendo invisibilizados propositadamente. Estão sendo desconsiderados em todas as politicas públicas, pois parecem não importar para os atuais politicos.
A pandemia é uma porta para a dimensão do outro.
Nosso vizinho, que mora na mesma cidade, que faz parte da mesma população. Que divide o mesmo espaço público, as ruas, os supermercados. Cruzamos com eles, quando eles varrem as ruas, recolhem o lixo, conduzem o transporte coletivo, os taxis, as vans, fazem reparos e vivem de bico. Nós da classe média os excluímos. Nós mesmos, que elegemos politicos que completem o trabalho de genocídio dos descendentes dos povos escravizados que foram trazidos contra sua vontade para essa terra.
Somo nós mesmos, que nos dizemos cristãos e clamamos por politicos que permitam-nos portar armas para matar o outro, o pobre, o preto o periférico.
Somos nós que pela nossa aporofobia, os relegamos a uma existência precária e inumana. Pelas escolhas maldosas que fizemos, escolhendo politicos fascistas e que atendem a interesses das grandes fortunas. Que perpetuam a exclusão, que aumentam o sofrimento. Mas essa realidade não é criada somente pela maldade da classe mais abjeta do planeta, a classe média. Essa realidade é fruto da ilusão da classe média de que um dia estará no lugar da elite.
Doce ilusão, dessas mente devastadas pelo medo da pobreza. Se se unissem aos pobres e trabalhadores teríamos um paraíso na terra. Mas a classe média é mesquinha não só por adotar valores da elite, mas também por alimentar o ódio infundado pelos trabalhadores, enquanto a própria classe média é serviçal para o capital que flutua nas nuvens e que se reproduz e se concentra nas mão de menos de 1% da população brasileira.
Hoje em meio a uma pandemia, a esse vírus que de uma forma inopinada esta na iminência de invadir nossos corpos e devastar nosso sistema orgânico, conduzindo-nos como uma folha no outono, para o seio do ser absoluto, ou seja no nada. Desse lugar, onde estamos como espécie, eu afirmo que não podemos mais deixar ninguém para traz.
Como fazer distanciamento social e isolamento social quando numa casa ou barracão moram mais de dez pessoas?
Como controlar uma pandemia global quando, segundo o IBGE, em Paraisópolis, favela encravada ao lado do Morumbi, um dos bairros mais nobres de São Paulo, tem a maior densidade populacional do Brasil, com mais de 45 mil pessoas por quilômetro quadrado? Ou, ainda, como chegar com uma ambulância para retirar pessoas doentes na favela da Rocinha, entre os bairros de São Conrado e Gávea, também dois dos mais nobres do Rio de Janeiro, localizada na zona sul da cidade e considerada a maior favela da América Latina, e que possuir a segunda maior densidade populacional do país, com mais de 39 mil moradores por quilômetro quadrado, seguida pela Favela Nova Holanda, na zona norte do Rio, com uma densidade de mais de 35 mil pessoas também por quilômetro quadrado?
Ninguém pode dizer que não sabia, que existia uma favela se formando. Todos os governos desde 1888 sabiam para onde estavam indo os escravos recém libertos e os pobres que não tinham como pagar uma moradia decente entre a elite branca.
Foi a elite branca e seu acólitos, capitães do mato, fariseus que honram a Deus com os lábios mas cujo coração esta bem longe.
É essa classe média que se agarra no neoliberalismo por que fez ricos alguns, mas condenou a miséria a grande maioria do povo. Se arvora a defender o indefensável, que se orgulha por estar na maior canoa furada da história ao invés de fazer fileiras com os trabalhadores e com os pobres.
Esse mundo acabou frente a ameaça do Sars-CoV-2, a menor criatura gerada nesse planeta.
Ela serve a um propósito. Aquele que desperta em nós o aprendiz. Ele mostra que nossa salvação esta no estado. E o que é o estado senão a instituição que regula os mundos sociais e econômico? Impedindo que pessoas acumulem riquezas obscenas e ameaçadoras. Distribuindo igualmente as riquezas produzidas pelas forças vivas da nação para todos, na forma de educação de boa qualidade, saúde e segurança pública. Não sabemos quanto tempo teremos de ficar em quarentena para proteger nossos entes queridos, pais, nossos avós. Não sabemos nem quando teremos uma vacina para o novo coronavírus.
Desta forma, os bons gestores públicos, de todos os países estão tomando medidas para proteger o trabalhador e as empresas, temos como exemplos: