COREOPSIS SP.
Quando eu era criança o campo onde ficava minha casa havia sido semeado ou nasceu espontaneamente um “mar” de Coreopsis, ladeando o caminho do portão passando pelo jardim até quase a porta de casa; portanto essa foi uma das primeiras flores que conheci além das Maria-mole, ou flor das almas, Senecio spp que inundava todos os campos a perder de vista por volta de meados de outubro a novembro.
A partir dela (Coreopsis) fiz tinturas e pintava em papéis que encontrava pela casa ou que minha tia-avó Abigail ou minha vó me davam. Infelizmente essa tintura não durava muito, lentamente desbotava, especialmente se deixada ao sol.
Coreopsis tinctoria Nuttall 1821
A planta de Coreopsis tinctoria, Nutt. 1821, é comumente conhecida como coreópsia-das-pradarias, crópsis-dos-tintureiros, tickseed-dourado ou calliopsis. Essa espécie é uma erva anual.
A espécie é comum no Canadá (do Quebeque à Colúmbia Britânica), no nordeste do México (Coahuila, Nuevo León, Tamaulipas) e na maior parte dos Estados Unidos, especialmente nas Grandes Planícies e nos estados do sul. Foi introduzida em muitos países da América especialmente no Brasil e países da Europa e da Ásia.
Coreopsis sp
UMA PLANTA USADA EM TINTURARIA
A extração do corante de Coreopsis tinctoria é um processo que é necessário para aproveitar as propriedades tintoriais das flores, que produzem pigmentos amarelos, laranjas e vermelhos.
Aqui está um guia passo a passo, baseado em métodos tradicionais de tinturaria natural.
Materiais Necessários
• Flores de Coreopsis tinctoria: Preferencialmente frescas, mas também pode usar secas. A quantidade determina a intensidade da cor.
• Panela de inox ou esmaltada: Evite panela de alumínio, ferro ou cobre, pois os metais podem alterar a cor do corante.
• Água: O suficiente para cobrir as flores e permitir que elas se movam.
• Material a ser tingido: Fio, tecido de fibras naturais (lã, algodão, seda, linho).
• Sal ou Alúmen (Sulfato de Potássio e alumen de potássio): O sal é um modificador de cor, o alúmen é o mordente mais comum. O mordente é uma substância que fixa o corante na fibra, tornando a cor mais vibrante e resistente à lavagem e à luz.
O alúmen (ou pedra-ume) é um sal metálico cristalino, como o alúmen de potássio, usado como mordente na tinturaria de roupas. Sua função é criar uma ponte entre a fibra do tecido e o corante, fixando a cor e tornando-a mais resistente à luz e à lavagem. Função do alúmen na tinturaria: atua fixando a cor, é o fixador de cor. O alúmen atua como um fixador, permitindo que o corante se ligue de forma mais eficaz às fibras do tecido. Além disso, melhora a solidez da cor; ao fortalecer essa ligação, o alúmen torna a cor do tecido mais duradoura, evitando que desbote facilmente com o tempo e com as sucessivas lavagens. O alúmen também intensifica as cores, podendo ajudar a deixar as cores mais vibrantes e brilhantes.
• Peneira ou pano de algodão: Para coar o líquido após a extração.
• Luvas: Para não tingir as mãos.
Processo de Extração e Tingimento
Fase 1: Preparação do Material (Mordentagem)
Esta é a etapa mais crucial para garantir que a cor se fixe.
1. Lave bem o tecido ou fio para remover qualquer impureza ou acabamento.
2. Em uma panela separada, dissolva 15-20% de alúmen em relação ao peso do tecido (ex: 15g de alúmen para 100g de tecido) em água morna.
3. Adicione o tecido molhado à panela e leve para aquecer em fogo baixo por cerca de 1 hora, mexendo ocasionalmente.
4. Retire a panela do fogo e deixe o tecido de molho na solução de alúmen até esfriar completamente (de preferência, overnight). Depois, retire o tecido e escorra (não é necessário enxaguar).
Fase 2: Extração do Corante
1. Coloque as flores de Coreopsis tinctoria na panela e cubra com água.
2. Leve a panela ao fogo e deixe ferver por aproximadamente 1 hora. Você verá a água mudar para tons profundos de amarelo, laranja ou vermelho-tijolo, dependendo da variedade da flor.
3. Após ferver, desligue o fogo e deixe a mistura em infusão até que a água esfique completamente. Isso permite que mais cor seja liberada.
4. Use a peneira forrada com um pano para coar o líquido, separando as flores do extrato de corante. O líquido restante é o seu banho de tintura.
Fase 3: Tingimento
1. Coloque o banho de tintura de volta na panela limpa.
2. Adicione o tecido já tratado com mordente (o alúmen) ao banho de tintura. Certifique-se de que o tecido está molhado e que há espaço suficiente para se mover.
3. Aqueça a panela em fogo baixo a médio por 45 a 60 minutos, mexendo suavemente e com frequência para garantir uma cor uniforme. Não deixe ferver vigorosamente.
4. Desligue o fogo e deixe o tecido de molho no banho de tintura até que ele esfique completamente. Para cores mais escuras, você pode deixá-lo de molho por várias horas ou até overnight.
5. Retire o tecido da panela. Você terá uma bela cor amarela dourada.
Fase 4: Modificação de Cor (Opcional)
Uma característica fascinante da tinturaria natural é a modificação de cor. Após o tingimento, você pode mergulhar o tecido em um banho com uma substância diferente para alterar quimicamente a cor.
• Banho de Ferro (ou "Lama de Ferro"): Mergulhe o tecido em uma solução fraca de fermento de tinturaria (sulfato ferroso) ou água que ferrou pregos velhos. Isso mudará os amarelos e laranjas para tons de azeitona, verde-musgo ou marrom.
• Banho de Cinzas ou Sabão: Um banho alcalino suave pode realçar os tons de laranja.
Sempre teste a modificação em um pequeno pedaço de tecido antes de mergulhar a peça toda.
Fase 5: Lavagem Final
1. Enxágue o tecido tingido em água fria até que a água saia clara.
2. Lave suavemente com um sabão neutro e deixe secar à sombra.
Dica Importante:
A cor final pode variar enormemente dependendo do:
• pH da água: Água mais alcalina tende a puxar mais tons laranja/vermelhos.
• Tempo de colheita: Flores mais velhas podem ter cores diferentes.
• Tipo de mordente e modificador usado.
Anote todas as suas etapas para poder reproduzir (ou ajustar) os resultados na próxima vez.
Esse processo é tão científico quanto artístico!
Coreopsis tinctoria foi formalmente nomeada e descrita pela primeira vez por Thomas Nuttall em 1821, no Journal of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia. A espécie já foi realocada para os gêneros Bidens, Calliopsis e Diplosastera (em 1905, 1836 e 1823, respetivamente).
No entanto, a denominação Coreopsis tinctoria foi mantida por autoridades botânicas, como o PoWO (Plants of the World Online), o USDA Plants (do Departamento de Agricultura dos EUA) e a Flora of North America.
(Escrito em 08/IX/2025 e publicada em 27/IX/2025)
Continuará.




















































































