INÍCIO

27 setembro 2025

COREOPSIS TINCTORIA

COREOPSIS SP.

Quando eu era criança o campo onde ficava minha casa havia sido semeado ou nasceu espontaneamente um “mar” de Coreopsis, ladeando o caminho do portão passando pelo jardim até quase a porta de casa; portanto essa foi uma das primeiras flores que conheci além das Maria-mole, ou flor das almas, Senecio spp que inundava todos os campos a perder de vista por volta de meados de outubro a novembro. 
A partir dela (Coreopsis) fiz tinturas e pintava em papéis que encontrava pela casa ou que minha tia-avó Abigail ou minha vó me davam. Infelizmente essa tintura não durava muito, lentamente desbotava, especialmente se deixada ao sol. 

Coreopsis tinctoria Nuttall 1821

A planta de Coreopsis tinctoria, Nutt. 1821, é comumente conhecida como coreópsia-das-pradarias, crópsis-dos-tintureiros, tickseed-dourado ou calliopsis. Essa espécie é uma erva anual. 
A espécie é comum no Canadá (do Quebeque à Colúmbia Britânica), no nordeste do México (Coahuila, Nuevo León, Tamaulipas) e na maior parte dos Estados Unidos, especialmente nas Grandes Planícies e nos estados do sul. Foi introduzida em muitos países da América especialmente no Brasil e países da Europa e da Ásia.

Coreopsis sp

UMA PLANTA USADA EM TINTURARIA

A extração do corante de Coreopsis tinctoria é um processo que é necessário para aproveitar as propriedades tintoriais das flores, que produzem pigmentos amarelos, laranjas e vermelhos.

Aqui está um guia passo a passo, baseado em métodos tradicionais de tinturaria natural.

Materiais Necessários

• Flores de Coreopsis tinctoria: Preferencialmente frescas, mas também pode usar secas. A quantidade determina a intensidade da cor.

• Panela de inox ou esmaltada: Evite panela de alumínio, ferro ou cobre, pois os metais podem alterar a cor do corante.

• Água: O suficiente para cobrir as flores e permitir que elas se movam.

• Material a ser tingido: Fio, tecido de fibras naturais (lã, algodão, seda, linho).

• Sal ou Alúmen (Sulfato de Potássio e alumen de potássio): O sal é um modificador de cor, o alúmen é o mordente mais comum. O mordente é uma substância que fixa o corante na fibra, tornando a cor mais vibrante e resistente à lavagem e à luz.

O alúmen (ou pedra-ume) é um sal metálico cristalino, como o alúmen de potássio, usado como mordente na tinturaria de roupas. Sua função é criar uma ponte entre a fibra do tecido e o corante, fixando a cor e tornando-a mais resistente à luz e à lavagem. Função do alúmen na tinturaria: atua fixando a cor, é o fixador de cor. O alúmen atua como um fixador, permitindo que o corante se ligue de forma mais eficaz às fibras do tecido. Além disso, melhora a solidez da cor; ao fortalecer essa ligação, o alúmen torna a cor do tecido mais duradoura, evitando que desbote facilmente com o tempo e com as sucessivas lavagens. O alúmen também intensifica as cores,  podendo ajudar a deixar as cores mais vibrantes e brilhantes. 

• Peneira ou pano de algodão: Para coar o líquido após a extração.

• Luvas: Para não tingir as mãos.

Processo de Extração e Tingimento

Fase 1: Preparação do Material (Mordentagem)

Esta é a etapa mais crucial para garantir que a cor se fixe.

1. Lave bem o tecido ou fio para remover qualquer impureza ou acabamento.
2. Em uma panela separada, dissolva 15-20% de alúmen em relação ao peso do tecido (ex: 15g de alúmen para 100g de tecido) em água morna.
3. Adicione o tecido molhado à panela e leve para aquecer em fogo baixo por cerca de 1 hora, mexendo ocasionalmente.
4. Retire a panela do fogo e deixe o tecido de molho na solução de alúmen até esfriar completamente (de preferência, overnight). Depois, retire o tecido e escorra (não é necessário enxaguar).

Fase 2: Extração do Corante

1. Coloque as flores de Coreopsis tinctoria na panela e cubra com água.
2. Leve a panela ao fogo e deixe ferver por aproximadamente 1 hora. Você verá a água mudar para tons profundos de amarelo, laranja ou vermelho-tijolo, dependendo da variedade da flor.
3. Após ferver, desligue o fogo e deixe a mistura em infusão até que a água esfique completamente. Isso permite que mais cor seja liberada.
4. Use a peneira forrada com um pano para coar o líquido, separando as flores do extrato de corante. O líquido restante é o seu banho de tintura.

Fase 3: Tingimento

1. Coloque o banho de tintura de volta na panela limpa.
2. Adicione o tecido já tratado com mordente (o alúmen) ao banho de tintura. Certifique-se de que o tecido está molhado e que há espaço suficiente para se mover.
3. Aqueça a panela em fogo baixo a médio por 45 a 60 minutos, mexendo suavemente e com frequência para garantir uma cor uniforme. Não deixe ferver vigorosamente.
4. Desligue o fogo e deixe o tecido de molho no banho de tintura até que ele esfique completamente. Para cores mais escuras, você pode deixá-lo de molho por várias horas ou até overnight.
5. Retire o tecido da panela. Você terá uma bela cor amarela dourada.

Fase 4: Modificação de Cor (Opcional)

Uma característica fascinante da tinturaria natural é a modificação de cor. Após o tingimento, você pode mergulhar o tecido em um banho com uma substância diferente para alterar quimicamente a cor.

• Banho de Ferro (ou "Lama de Ferro"): Mergulhe o tecido em uma solução fraca de fermento de tinturaria (sulfato ferroso) ou água que ferrou pregos velhos. Isso mudará os amarelos e laranjas para tons de azeitona, verde-musgo ou marrom.

• Banho de Cinzas ou Sabão: Um banho alcalino suave pode realçar os tons de laranja.

Sempre teste a modificação em um pequeno pedaço de tecido antes de mergulhar a peça toda.

Fase 5: Lavagem Final

1. Enxágue o tecido tingido em água fria até que a água saia clara.
2. Lave suavemente com um sabão neutro e deixe secar à sombra.

Dica Importante:
A cor final pode variar enormemente dependendo do:

• pH da água: Água mais alcalina tende a puxar mais tons laranja/vermelhos.

• Tempo de colheita: Flores mais velhas podem ter cores diferentes.

• Tipo de mordente e modificador usado.

Anote todas as suas etapas para poder reproduzir (ou ajustar) os resultados na próxima vez. 
Esse processo é tão científico quanto artístico!














Coreopsis tinctoria foi formalmente nomeada e descrita pela primeira vez por Thomas Nuttall em 1821, no Journal of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia. A espécie já foi realocada para os gêneros Bidens, Calliopsis e Diplosastera (em 1905, 1836 e 1823, respetivamente). 
No entanto, a denominação Coreopsis tinctoria foi mantida por autoridades botânicas, como o PoWO (Plants of the World Online), o USDA Plants (do Departamento de Agricultura dos EUA) e a Flora of North America.



(Escrito em 08/IX/2025 e publicada em 27/IX/2025)
Continuará. 






23 setembro 2025

DISCURSO DO PRESIDENTE LULA NA ONU

DISCURSO DO PRESIDENTE LULA NA ONU
23/IX/2025 
(1)

ÍNTEGRA DO DISCURSO


Presidente Lula em seu discurso de abertura, na Assembleia da ONU em 23/9/2025.


Senhora Presidenta da Assembleia Geral, Annalena Baerbock,

Senhor Secretário-Geral, António Guterres,

Caros chefes de Estado e de Governo e representantes dos Estados-Membros aqui reunidos.

Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas.

Criada no fim da Guerra, a ONU simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e pela prosperidade.

Hoje, contudo, os ideais que inspiraram seus fundadores em São Francisco estão ameaçados, como nunca estiveram em toda a sua história.

O multilateralismo está diante de nova encruzilhada.

A autoridade desta Organização está em xeque.

Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder.

Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.

Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia.

O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades.

Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas.

Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades.

Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa.

Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais.

Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. 

A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável.

Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias.

Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil.

Não há pacificação com impunidade.

Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito.

Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso.

Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.

Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.

Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela.

Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral.

Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde.

A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares.

Ela perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo.

A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo.

Por isso, foi com orgulho que recebemos da FAO a confirmação de que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome neste ano de 2025. 

Mas no mundo, ainda há 670 milhões de pessoas famintas. Cerca de 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar.

A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza.

Esse é o objetivo da Aliança Global que lançamos no G20, que já conta com o apoio de 103 países.

A comunidade internacional precisa rever as suas prioridades: 

- Reduzir os gastos com guerras e aumentar a ajuda ao desenvolvimento;

- Aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, sobretudo os africanos; e

- Definir padrões mínimos de tributação global, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores.

A democracia também se mede pela capacidade de proteger as famílias e a infância.

As plataformas digitais trazem possibilidades de nos aproximar como jamais havíamos imaginado. 

Mas têm sido usadas para semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação.

A internet não pode ser uma “terra sem lei”. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis.

Regular não é restringir a liberdade de expressão. É garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim também no ambiente virtual.

Ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes, como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia.

O Parlamento brasileiro corretamente apressou-se em abordar esse problema.

Com orgulho, promulguei na última semana uma das leis mais avançadas do mundo para a proteção de crianças e adolescentes na esfera digital.

Também enviamos ao Congresso Nacional projetos de lei para fomentar a concorrência nos mercados digitais e para incentivar a instalação de datacenters sustentáveis.

Para mitigar os riscos da inteligência artificial, apostamos na construção de uma governança multilateral em linha com o Pacto Digital Global aprovado neste plenário no ano passado. 

Senhoras e senhores,

Na América Latina e Caribe, vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade.

Manter a região como zona de paz sempre foi e é nossa prioridade.

Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos.

É preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo.

A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas.

Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento.

Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias. 

A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela.

O Haiti tem direito a um futuro livre de violência.

E é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo.

No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar. 

O recente encontro no Alaska despertou a esperança de uma saída negociada.

É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista.

Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes.

A Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos da Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir para promover o diálogo.

Nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina.

Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo.

Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza.

Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes.

Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente.

Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo.

Em Gaza a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente.

Quero Expressar minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva.

O povo palestino corre o risco de desaparecer.

Só sobreviverá como um Estado independente e integrado à comunidade internacional.

Esta é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem, aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto.

É lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico. 

O alastramento desse conflito para o Líbano, a Síria, o Irã e o Catar fomenta escalada armamentista sem precedentes.

Senhora presidenta,

Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática.

O ano de 2024 foi o mais quente já registrado.

A COP30, em Belém, no Brasil, será a COP da verdade.

Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta.

Sem ter o quadro completo das Contribuições Nacionalmente Determinadas (as NDCs), caminharemos de olhos vendados para o verdadeiro abismo.

O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59 e 67% suas emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima ao mesmo tempo em que lutam contra outros desafios.

Enquanto isso, países ricos usufruem de padrão de vida obtido às custas de duzentos anos de emissões de gases.

Exigir maior ambição e maior acesso a recursos e tecnologias não é uma questão de caridade, é apenas uma questão de justiça.

A corrida por minerais críticos, essenciais para a transição energética, não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos.

Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia.

O Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na região nos dois últimos anos.

Erradicá-lo requer garantir condições dignas de vida para seus milhões de habitantes.

Fomentar o desenvolvimento sustentável é o objetivo do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que o Brasil pretende lançar para remunerar os países que mantêm suas florestas em pé. 

É chegado o momento de passar da fase de negociação para a etapa de implementação.

O mundo deve muito ao regime criado pela Convenção do Clima.

Mas é necessário trazer o combate à mudança do clima para o coração da ONU, para que ela tenha a atenção que merece.

Um Conselho vinculado à Assembleia Geral com força e legitimidade para monitorar compromissos dará coerência à ação climática.

Trata-se de um passo fundamental na direção de uma reforma mais abrangente da Organização, que contemple também um Conselho de Segurança ampliado nas duas categorias de seus membros.

Poucas áreas retrocederam tanto como o sistema multilateral de comércio.

Medidas unilaterais transformam em letra morta princípios basilares como a cláusula de Nação Mais Favorecida.

Desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral perniciosa de preços altos e estagnação.

É urgente refundar a OMC em bases modernas e flexíveis.

Senhoras e senhores,

Este ano, o mundo perdeu duas personalidades excepcionais: o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e o nossa querido Papa Francisco.

Ambos encarnaram como ninguém os melhores valores humanistas.

Suas vidas se entrelaçaram com as oito décadas de existência da ONU.

Se ainda estivessem entre nós, provavelmente usariam esta tribuna para lembrar:

- Que o autoritarismo, a degradação ambiental e a desigualdade não são inexoráveis;

- Que os únicos derrotados são os que cruzam os braços, resignados;

- Que podemos vencer os falsos profetas e oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio; e

- Que o amanhã é feito de escolhas diárias e é preciso coragem de agir para transformá-lo.

No futuro que o Brasil vislumbra não há espaço para a reedição de rivalidades ideológicas ou esferas de influência.

A confrontação é inevitável.

Precisamos de lideranças com clareza de visão, que entendam que a ordem internacional não é um “jogo de soma zero”.

O século 21 será cada vez mais multipolar. Para se manter pacífico, não pode deixar de ser multilateral.

O Brasil confere crescente importância à União Europeia, à União Africana, à ASEAN, à CELAC, aos BRICS e ao G20.

A voz do Sul Global deve ser respeitada e ouvida.

A ONU tem hoje quase quatro vezes mais membros do que os 51 que estiveram na sua fundação.

Nossa missão histórica é a de torná-la novamente portadora de esperança e promotora da igualdade, da paz, do desenvolvimento sustentável, da diversidade e da tolerância.

Que Deus nos abençoe a todos.

Muito obrigado.


Fonte


TODAS AS INFORMAÇÕES DO DISCURSO SÃO VERDADEIRAS (check abaixo)





22 setembro 2025

IMAGENS DIÁRIAS

HEMERAIKONES


Hêmera

Ἡμέρα, Hêmera, Αμαρα, amara, Dia, no mito grego, Hêmera era filha de Nix, a noite com Érebo (as trevas), um entidade primordial e a personificação da luz do dia e do ciclo da manhã. Segundo o poeta romano Higino, teve um romance com seu irmão Éter e com ele teve três filhos, Gaia, a Terra, Urano, Coelus, o céu, e Tálassa, o mar. Nasceu junto de Éter e das Hespérides. O equivalente de Hemera no mito romano era Dies. A lista de Higino atribui-lhe como filhos de sua união com Dies (Hemera), Terra (Gaia), Coelum (Urano) e Mare (Tálassa), e depois com Terra, de Dolor (dor), Dolus, (engano), Ira (fúria), Luctus (luto), Mendacium (mentiras), Jusiurandum (juramento), Ultio (punição), Intemperantia (intemperança), Altercatio (altercação), Oblivio (esquecimento), Socordia (preguiça), Timor (medo), Superbia (soberba), Incestum (incesto), e Pugna (contenda). Cícero lhe atribui paternidade sobre Urano. Também era considerado por Aristófanes como pai das Néfeles, ninfas das nuvens (1).

Ícone 

Em grego, a palavra, ícone, é escrita como εικόνα, (pronuncia-se e-kó-na). Esta palavra significa imagem, retrato ou ícone.
Escrita: Εικόνα; Pronúncia: e-kó-na (íkona); Significado: Imagem, retrato, ou ícone.


Ícone
Para Platão e Aristóteles, Εικόνα, ícone não era um termo técnico filosófico, mas se refeririam a algo que representa ou se assemelha a uma ideia ou realidade mais profunda. Para Platão, um objeto pode ser um ícone da ideia perfeita, enquanto para Aristóteles, o mundo sensível e as obras de arte podem ser vistos como representações (ou ícones) da natureza e das suas formas. 

Mundo das Ideias, de Platão. A ideia central de Platão é a teoria das Formas ou Ideias, είδους, eidos, (εἴδους, eídous, é o genitivo de εἶδος, eîdos, uma palavra grega antiga que significa: forma, aparência, conceito ou tipo, um mundo de realidades perfeitas e eternas). Dessa forma, os objetos no mundo físico seriam ícones ou cópias imperfeitas (imagens) dessas ideias eternas e imutáveis.
Na Arte: Platão via a arte como uma imitação (ou ícone) do mundo físico, que por sua vez já é uma imitação imperfeita do mundo das ideias, tornando a arte uma imitação de uma imitação, e portanto, afastada da verdade.

A Teoria das Ideias ou Teoria das Formas é um conjunto de conceitos filosóficos criado e desenvolvido por Platão. Esta teoria afirma que a realidade mais fundamental é composta de ideias ou formas abstratas, mas substanciais. Para Platão estas ideias ou formas são os únicos objetos capazes de oferecer verdadeiro conhecimento, uma vez que são imutáveis. A teoria foi desenvolvida em vários de seus diálogos como uma tentativa de resolver o problema dos universais. Exemplos de Formas são a Ideia do Bem, considerada o “conhecimento máximo” ou megiston mathema, desenvolvido na obra: A República; e a Ideia do Belo na scala amoris, em O Banquete. O conceito grego de “forma” precede a linguagem atestada e é representado por diversas palavras relacionadas principalmente com a visão ou a aparência das coisas. As principais palavras, εἶδος (eidos) e ἰδέα (ideia), vêm da raiz proto-indo-europeia *weid-, "ver". A palavra eidos é atestada em textos do período homérico, o mais antigo da literatura grega. Igualmente antigo é o termo μορφή, morphē, forma. O termo φαινόμενα, phainomena, “aparências”, de φαίνω, phainō, brilho, aparecer.

No cristianismo, um ícone é imagem e também semelhança; são consideradas “janelas para o céu” onde a presença divina se manifesta. Historicamente é como passaram a ser chamadas as obra de arte religiosas, sacras, sobretudo pinturas, nas culturas das igrejas cristãs ortodoxa oriental bizantina. Os temas mais comuns incluíam Jesus, Maria, santos e anjos. Os ícones são mais comumente pintados em painéis de madeira com têmpera de ovo, mas também podem ser fundidos em metal, esculpidos em pedra, bordados em tecido, feitos em mosaico ou afresco, impressos em papel ou metal, etc. Estás imagens obedeciam cânones estritos que inclui sua função teológica como representações da realidade celestial, a utilização de técnicas artísticas que evitam o realismo e a tridimensionalidade, são executadas em um estilo propositalmente irrealista que representaria o mundo celestial. Na técnica de produção dos “ícones”, usa-se como suporte um painel de madeira, sobre qual adiciona-se camadas de gesso, ouro e as cores, sendo as escuras no fundo e as mais claras nos detalhes.

A cor, usada na produção dos ícones, também desempenha um papel importante. O dourado representa o esplendor do Céu; o vermelho, a vida divina. O azul é a cor da vida humana, o branco é a Luz Incriada de Deus, usada apenas para a ressurreição e transfiguração de Cristo. Nos ícones de Jesus e Maria, Jesus usa uma roupa íntima vermelha com uma vestimenta externa azul (representando Deus se tornando humano) e Maria usa uma roupa íntima azul com uma vestimenta externa vermelha (representando um ser humano que recebeu dons de Deus), e assim a doutrina da deificação é transmitida pelos ícones. Letras também são símbolos. A maioria dos ícones incorpora algum texto caligráfico nomeando a pessoa ou evento retratado. Mesmo estas são frequentemente apresentado de forma estilizada.

HEMERAIKONES 
Hêmera, Ἡμέρα + ícone, Εικόνα
Diárias imagens (literalmente) ou imagens diárias 




















































































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