INÍCIO

17 fevereiro 2021

O ARCO E O FOGO

 




Esplendor único, onde a luz não penetra ...

De ti vem a nutrição quimérica que alimenta a lembrança da luz

das luzes perpétuas que sonhamos

das luzes que nunca conhecem o ocaso

que moram nas figuras geométricas

nos poliedros afiados

nos ângulos retos

toda a história do existente se passa num piscar de olhos

antes das pálpebras se fecharem 

o existente todo, inteiro, nasceu evoluiu e desapareceu

uma pirâmide de tamanho planetária de diamante, 

seu nome brilha, Sophia, que não conhece corrupção.

A felicidade absoluta

a existência no existente

a imagem sem simulacro

onde a luz não gerada

que não lança sombras pois nada pode estar ante sua presença

mas ela está nas asas das borboletas que movimentam

o ar erguendo-se na altura das copas mais altas 

para encontrar os cacos, escombros da luz

Mas nas asas das borboletas que se agitam na manhã do outono

como se soubessem o que é o inverno

o vento gelado do sul

a geada e o gelo...



Como o sol que enxerga as montanhas graníticas 

como a condensação da água e o líquido virar novamente vapor

como a água que está em mim 

tão velha quanto o sol

Ela só passa...

Sem ser percebida

Ela não sente e sente tudo.

Através dela um fenômeno fugaz se torna luz, escuridão, sombra, ocaso

Mas a luz que não declina não revela, encobre, esconde...

Abriga-se na tensão entre um e outro.

No fluir de um regato

nas gotas que se infiltram entre as rochas...




É através dessa tensão que sinto

e respiro

e é por isto que o sangue corre nas minhas artérias e veias.

O arco a tensão 

do fogo.



17/II/2021