ABSTRAÇÃO GEOMÉTRICA
A imagem mostra o processo de pixelização e simplificação de uma rosa, ilustrado em uma sequência de nove quadros dispostos em uma grade 3x3.
A transformação ocorre do canto superior esquerdo ao canto inferior direito, mostrando a perda gradual de detalhes:
Primeira linha: A rosa começa como um desenho vetorial suave e detalhado. Nos quadros seguintes, suas bordas começam a ficar levemente serrilhadas (pixeladas).
Segunda linha: A resolução diminui drasticamente. O contorno preto engrossa e as pétalas perdem a definição, transformando-se em blocos de cor vermelha com alguns pontos pretos espalhados.
Terceira linha: A forma geométrica pura assume o controle. O caule desaparece e a rosa se transforma em um crucifixo irregular de pixels vermelhos, culminando no último quadro como um quadrado vermelho perfeito e totalmente abstrato.
A transição visual representada nesta imagem ilustra de forma didática e sintética a passagem do figurativismo à abstração geométrica radical, utilizando a estética contemporânea da arte digital.
Significado artístico: breve análise
Desconstrução e Mimese
A imagem começa com a representação clássica de uma rosa (uma imitação da natureza ou mimese). Ao longo dos nove quadros, o artista desconstrói essa forma orgânica. A rosa deixa de ser um símbolo botânico ou romântico e passa a ser tratada estritamente como cor e geometria.
Autonomia da cor e da forma
Na última linha, os detalhes que definem uma “rosa” (pétalas, sépala, curvas, pedúnculo e caule) desaparecem completamente. O que resta no último quadro é a essência pura: um quadrado vermelho, livre de qualquer compromisso em retratar a realidade. A arte assume sua própria autonomia, onde a cor e o espaço plano bastam por si mesmos.
A era digital como agente de abstração
O uso da pixelização introduz uma crítica ou comentário sobre a modernidade tecnológica. A realidade orgânica é fragmentada em bits de informação, sugerindo que a digitalização do mundo funciona como uma força abstrata que reduz a complexidade natural a blocos simplificados de dados geométricos em última análise, matemática.
Autor e origem da obra
Esta imagem específica é uma ilustração conceitual contemporânea, muito difundida em fóruns de design e livros didáticos de artes visuais para demonstrar a teoria da abstração.
Embora o designer digital exato que criou esta versão em grade renderizada seja frequentemente anônimo ou de bancos de dados visuais modernos, a imagem é uma releitura e homenagem direta a Kazimir Malevich.
O conceito original contido na obra
O pioneiro russo Kazimir Malevich, o criador do Suprematismo.
A referência histórica
O quadro final é uma alusão direta à obra seminal de Malevich, “Quadrado Vermelho: Realismo Pictórico de uma Camponesa em Duas Dimensões”, produzida originalmente no ano de 1915. Malevich definia o quadrado como “o elemento supremo” que rompia definitivamente com o passado figurativo da história da arte.
O principal tratado teórico do movimento é o manifesto “Do Cubismo ao Futurismo ao Suprematismo: O Novo Realismo na Pintura”, publicado por Kazimir Malevich em 1915 com a colaboração do poeta Vladimir Maiakóvski.
Posteriormente, em 1927, suas ideias foram consolidadas internacionalmente no livro “O Mundo Não Objetual” (ou O Mundo Sem Objetos).
Os pilares fundamentais defendidos por Malevich em seus manifestos detalham os seguintes conceitos:
O rompimento com a arte acadêmica
Morte do objeto
Malevich declarou que a reprodução da natureza era um “roubo” e que o artista deveria criar formas inteiramente novas.
O “Zero da forma”
Ele se vangloriava de ter se reduzido ao “zero da forma” para se libertar do lixo acumulado pela arte acadêmica e representativa.
A ilusão destruída
O manifesto condena veementemente o uso da perspectiva tradicional e da tentativa de simular profundidade tridimensional em uma tela plana.
A Supremacia do sentimento puro
Arte não objetiva
A arte verdadeira não deve servir ao Estado, à religião ou a contar uma história.
Sensibilidade plástica
Para o artista, as formas geométricas básicas (quadrados, cruzes e círculos) não eram apenas decorações.
A essência absoluta
Elas funcionavam como os condutores ideais para expressar a pura espiritualidade e a emoção humana abstrata.
As três fases evolutivas do manifesto visual
Nos seus textos e exposições, como a histórica mostra coletiva “Exposição 0.10”. Malevich dividiu a jornada da cor e do espaço suprematista em três etapas:
Fase negra: Focada na forma pura e no contraste absoluto, representada pelo icônico Quadrado Negro sobre Fundo Branco.
Fase colorida: Introdução de dinâmica e movimento por meio de retângulos e barras de cores primárias que pareciam flutuar.
Fase branca: O ápice do movimento com a obra Branco sobre Branco (1918), onde a própria cor se dissolve na luz do fundo infinito.
Fonte
https://blog.artsoul.com.br/a-abstracao-radical-do-artista-kazimir-malevich-criador-do-suprematismo/
https://www.tate.org.uk/art/art-terms/s/suprematism
https://blog.artsper.com/en/a-closer-look/kazimir-malevich-the-invention-of-the-absolute-square/

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