Hoje inicia a primavera as 22h 04 min. Um dia especial para a terra e para o hemisfério sul do planeta, indica que dias mais longos e mais quentes estão à frente.
Normalmente nunca paramos para pensar sobre o calendário. Entretanto, há nessa aparentemente simples disposição de dias e meses ao longo do ano muito conhecimento da física do nosso planeta em sua viagem pelo espaço ao longo de um ano.
Inclinação do eixo da terra e o equinócio
Atualmente, o calendário, que usamos é o calendário Gregoriano, que foi elaborado com base no tempo em que o nosso planeta gasta para dar uma volta completa em torno do Sol, i.e., o tempo gasto pelo planeta para completar os 360° de sua órbita ao redor do centro de massa . Esse movimento, denominado de translação, tem uma duração aproximada de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 56 segundos.
Há mais de 430 anos que o mundo ocidental é regido por esse calendário, que é considerado uma das grandes conquista científicas da civilização.
Este calendário ficou conhecido como “Calendário Gregoriano”, graças ao príncipe italiano, Ugo Boncompagni, (7/I/1502 - 10/IV/1585), cardeal da Basílica de São Sisto Vecchio, em Roma. Ugo Boncampagni, foi eleito Papa e escolheu seu nome em homenagem ao grande reformador da igreja Católica, o Papa Gregório I (590–604), tornando-se assim, Gregório XIII, (Latim: Gregorius XIII).
Ugo Boncompagni, Papa Gregório XIII,
(7/I/1502 - 10/IV/1585)
Tornou-se o 226º Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, e desta forma, o chefe da Igreja Católica e regente dos Estados Papais a partir de sua escolha em 13 de maio de 1572 até sua morte em 1585.
Gregório XIII é mais conhecido pelo comissionamento da equipe de matemáticos e astrônomos que reformou o calendário vigente, na época o calendário Juliano, criando o calendário gregoriano, do que pela promoção da contra-reforma e pelos investimentos pesados na cultura e nas universidades.
O calendário utilizado até então era o calendário juliano, um legado de Júlio César, datado da Roma antiga, praticado desde cerca do ano de 45 a.C. Embora este calendário tenha passado por alguns ajustes, seja para tentar corrigir desvios de datas móveis, seja para render homenagens a imperadores romanos que passaram a emprestar seus nomes a alguns meses.
A solução adotada por Gregório XIII foi sofisticada por dois motivos: ela remediava o estrago já feito, ao retirar dez dias e, assim, ajustar novamente a contagem humana de forma correspondente à natural; e prevenia nova desordem, ao melhorar a regra, já adotada, do ano bissexto.
O ano bissexto, que correspondia ao acréscimo de um dia a mais no calendário de tempos em tempos, foi criado com o calendário juliano. Esse acréscimo foi necessário pois já se tinha conhecimento de que o ano não tinha exatamente 365 dias, mas um pouquinho a mais, assim, acrescentando-se um dia a mais de vez em quando, corrigia-se essa contagem.
A questão da contagem correta do tempo vinha sendo levantada pelos astrônomos e matemáticos desde o século II d.C. Oficialmente, o primeiro a apontar problemas no calendário juliano foi o famoso astrônomo, geógrafo, cartógrafo e matemático Cláudio Ptolemeu (90-168). Na era medieval, o respeitável monge Beda (673-735) também estudou o tema. E há registros de que o frade e filósofo inglês Roger Bacon (1220-1292) seja outro que tenha se debruçado sobre essa questão. No ano de 1267, ele chegou a alertar o papa sobre um erro em relação ao equinócio da primavera" (Maerki in bbc, 2022).
Em 1344, o papa Clemente VI (1291-1352) chegou a delegar a importantes astrônomos de seu tempo a tarefa de repensarem uma forma melhor de reorganizar o tempo e sua contagem.
Seu sucessor, Inocêncio VI (1282-1362), também encarregou especialistas de estudarem a questão. No Concílio de Constança realizado entre 1414 e 1418 foram organizadas comissões para pensar a reforma. (Maerki in bbc, 2022)
Esses estudos acabaram por apontar um erro escandaloso no calendário juliano, especialmente no que se refere à determinação da Páscoa.
Nos anos 1476, papa Sisto IV (1414-1484) chamou o matemático, astrólogo e astrônomo Johannes Müller von Königsberg (1436-1476), mais conhecido como Regiomontanus, para Roma, a fim de encomendar a ele um plano para solucionar o calendário. Todavia, ele morreu logo após sua chegada, segundo contam historiadores, provavelmente assassinado. Não conseguiu, portanto, ajudar o papa na empreitada da reformulação. A necessidade de um ajuste também foi debatida no quinto Concílio de Latrão, realizado entre 1516 e 1517.
O papa Leão X (1475-1521) chamou muitos para trabalharem na resolução desse problema. Desta época, há cartas trocadas entre os astrônomos Paolo di Middelburg (1446-1534) e Nicolau Copérnico (1473-1543) debatendo e buscando alguma solução para ajustar a contagem dos dias (Maerki in bbc, 2022).
A Páscoa é uma celebração cuja data é móvel, sempre foi assim e segue sendo desta forma até hoje. Entretanto, obedece a uma lógica, é celebrada no primeiro domingo depois da primeira lua cheia seguinte ao equinócio da primavera no hemisfério norte. Isso implica em duas consequência: a primeira que a Páscoa sempre ocorreria entre o fim de março e o fim de abril, a segunda: que sempre deveria acontecer na primavera.
Mas o descompasso estava ficando tão grande entre o calendário natural e o oficial que no ritmo que as coisas caminhavam, ia chegar ao ponto em que a Páscoa seria celebrada no verão. E isso poderia começar a atrapalhar o restante do calendário, encavalando as datas móveis com as datas fixas importantes, por exemplo.
Havia o contexto geopolítico da época, no sentido de que o século XVI era o momento em que a toda poderosa Igreja Católica tinha sua hegemonia ameaçada pelo contexto da Reforma Protestante (Maerki in bbc, 2022).
Foi um século bastante complicado para a Igreja Católica, quando ela teve que enfrentar a reforma luterana, a reforma calvinista e a reforma anglicana". Assim, para fazer frente a essas separações de parte da igreja, e dentro do que ficou conhecido como contrarreforma, a Igreja Católica buscava recuperar espaço.
Este foi o debate central do Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563. E acabou sendo também uma espécie de linha-mestra do pontificado de Gregório XIII, que ficou no poder entre 1572 e 1585. O Papa Gregório XIII foi um papa bastante fiel às inovações do Concílio, porque via essa atitude de mudança como uma demonstração de poder da Igreja. Assim, o interesse no processo de ajustar o calendário, reunia forças política e espiritual e demonstrava a capacidade da Igreja Católica de dialogar com os avanços científicos da época (Maerki in bbc, 2022).
A história nos lembra que a Igreja por um lado assumia uma postura anti-intelectual, ao criar uma lista de livros proibidos, o “Index Librorum Prohibitorum ou Index Expurgatorius” por exemplo; mas, por outro, via espaço para crescer na área intelectual, puxando para si o protagonismo de debates importantes, a partir de sua visão de mundo. E a reforma do calendário entra nesse processo (Maerki in bbc, 2022).
Após estudar detalhadamente as passagens do sol pelo meridiano nas diferentes épocas do ano e os solstícios e equinócios os pesquisadores aconselharam o papa Gregorius XIII a fazer alterações no calendário.
Ao término desse estudo o papa emite a bula “Inter Gravíssimas” que passou a prever, em seu nono parágrafo, três regras complementares para determinar o ano bissexto. Estas normas são vigentes até os dias hoje.
De quatro em quatro anos o ano é bissexto, mas de cem em cem anos não é ano bissexto, contudo de 400 em 400 anos é ano bissexto, e as últimas regras prevalecem sobre as primeiras. Em outras palavras, são bissextos todos os múltiplos de 400: ano 1600 foi bissexto, ano 2000 foi bissexto, ano 2400 será bissexto. E são bissextos todos os múltiplos de quatro, exceto se também for múltiplo de 100 mas não de 400. Por isso o ano de 1900 não foi bissexto, e 2100 também não será bissexto. Com essa fórmula, o ano do calendário ficou matematicamente ajustável ao natural, ou seja, ao fato de que a Terra leva 365,2425 dias para dar a volta completa em torno do Sol.
O grande motivo da reforma foi a discrepância entre as datas relativas ao dia da Páscoa, início das estações do ano e natal; e outras datas moveis que estavam defasadas.
O início das estações do ano estavam defasadas bem como a duração média do ano no Calendário juliano era muito longa, pois tratava todos os anos de 365 dias e 6 horas de duração, enquanto os cálculos mostraram que a duração média real de um ano é um pouco menor (365 dias, 5 horas e 49 minutos). Como resultado, a data do equinócio vernal caiu lentamente (ao longo de 13 séculos) para 10 de março (ainda inverno no Hemisfério Norte), enquanto o cálculo da data da Páscoa ainda seguia a data tradicional de 21 de março.
Esse período de quase 366 dias, é dividido, dependendo da região geográfica em quatro estações: Primavera, Verão, Outono, e Inverno. Dividindo essas estações, existem datas muito especiais, os famosos Equinócios e Solstícios, que são celebrados em diversas culturas ao redor planeta desde a era do bronze, inicialmente como datas sagradas pela humanidade.
EQUINÓCIO
A palavra equinócio tem sua origem no latim: aequus, que significa igual e nox, noite, que juntas significam noites iguais (o período da noite é igual ao período diurno, i.e., número de horas de escuridão é igual ao número de horas de luz).
Equinócios e solstícios
Precessão dos equinócios
Movimento de translação
Como podemos explicar esse fenômeno?
Podemos explicar esse fenômeno como sendo o cruzamento do Sol, ao realizar a sua órbita, com a linha do equador, sendo dessa forma, o ponto onde a elíptica solar cruza com o equador celeste. No equinócio, a incidência maior da luz solar se dá sobre a linha do equador de modo que essa luz fica distribuída igualmente entre os hemisférios Norte e Sul, e a duração do dia e da noite ficam iguais (12 horas de luz e 12 horas de escuro).
Podem ocorrer dois eventos equinocias durante o ano. O primeiro em março, denominado equinócio de outono, no hemisfério sul, que neste ano (2022) ocorreu no último dia 21 de março e o outro em setembro também chamado de equinócio de primavera, que ocorrerá por volta do dia 22 de setembro.
Assim, de um ponto de vista místico-espiritual, apenas duas vezes por ano, o caminho do Sol (espiritual, a luz que salva) cruza o caminho da Terra material, onde as 24 horas do dia são divididas igualmente entre as Trevas e a Luz. Temos, nesses dois dias o chamado sincronismo cósmico entre dia e noite em perfeito processo de equilíbrio entre Trevas e Luz. Segundo a astrologia, o ano realmente começa quando o Sol chega no grau 0, em Áries, no equinócio de outono aqui em nosso hemisfério (equinócio de primavera no Hemisfério Norte).
Equinócios e solstícios.
Nos equinócios, podemos dizer que o período diurno tem a mesma duração do período noturno, ou seja, as 24 horas de um dia são divididas igualmente em duas partes. O fenômeno ocorre quando os raios solares incidem diretamente sobre a Linha do Equador, fazendo com que os dois hemisférios do planeta recebam a mesma quantidade de luz e de escuridão. No total, são dois por ano, sendo eles o Equinócio de Primavera e o Equinócio de Outono.
Já nos Solstícios, ocorre o contrário. A distribuição da luminosidade ao redor do globo não é uniforme, tendo como consequência dias maiores que noites, ou vice-versa. Quando acontece um Solstício de Verão, temos o dia mais longo para um determinado hemisfério e, analogamente, quando há um Solstício de Inverno, tem-se a noite mais longa.
“A natureza nunca nos engana; somos sempre nós que nos enganamos”. (Jean Jacques Rousseau, 28 de junho de 1712 – 2 de julho de 1778)
A formação de um novo ser através de ovo e um embrião sempre nos fascinou. Assim, grandes mentes da humanidade em diferentes momentos demonstraram curiosidade em saber de sua origem, tanto da nossa própria espécie, bem como de outras espécies relacionadas, como do processo formador do indivíduo.
Desde os tempos remotos, o desenvolvimento dos seres vivos tem sido um importante foco da ciência e, através de toda a história humana, os indivíduos têm sido estimulados a procurar as causas desse acontecimento tão especial e, ao mesmo tempo, tão comum (Modif. Nazari e Müller, 2011).
A maioria dos termos embriológicos origina-se do latim ou do grego. A compreensão da origem dos termos colabora, com frequência, para a sua memorização e consequentemente para a interpretação dos eventos do desenvolvimento.
O termo embrioblasto é um bom exemplo disso, pois o prefixo embryo significa “embrião”, e o sufixo blasto, βλαστός significa “célula jovem, broto”. De embrion, ἔμβρυον, embryon, jovem, a qual é o neutro de ἔμβρυος, embruos, literalmente: crescendo em, de ἐν, en, in, em, dentro, mais βρύω, bryō, inchar, estar cheio.
Outro exemplo é a palavra zigoto, a qual deriva do grego antigo zygotós, ζυγωτός, zygōtós, que significa união, unido, atraledo, indicando que o espermatozoide e o ovócito secundário se uniram para formar uma nova célula, o zigoto ou ovo. O nome (substantivo) "blastocisto" vem do grego βλαστός, blastos, um broto, e κύστις, kystis, bexiga, cápsula. Nos animais que não humano, esta é uma estrutura que consiste em uma bola indiferenciada de células com uma cavidade (blastocele) e é chamada de blástula (Modif. Nazari e Müller, 2011).
Aristóteles é considerado o “pai da Embriologia”, pois era um observador dos seres vivos no seu meio e, quando não podia observá-los, interrogava os pescadores, caçadores, pastores e a partir disso fazia então seus relatos. Através de suas observações, foram reconhecidas pela primeira vez as mudanças que ocorrem diariamente nos ovos embrionados de galinha (Nazari e Müller, 2011).
Ao longo de toda a Idade Média, o conhecimento científico pouco avançou, seja pela influência da religião na ciência ou mesmo pela dificuldade de observação das estruturas, considerando-se a limitação de equipamentos de laboratório.
Da Vinci fez o desenho em corte, mostrado acima, de um casal fazendo sexo, por volta de 1492. O desenho tem uma série de características peculiares. Ele desenhou dois canais distintos dentro do pênis, embora na verdade, hoje sabemos que existe apenas um. Na representação de da Vinci, o canal inferior transporta a urina enquanto o superior transporta o sêmen e se conecta com a coluna vertebral e o cérebro. (O papel dos testículos na reprodução não era muito claro.) A conexão espinhal refletia uma crença grega de que, nas palavras de um escritor antigo, “o esperma é uma gota de cérebro”.
A mulher transparente de Da Vinci, nesta figura, tem suas próprias esquisitices de design. Para começar, ela não tem ovários, Leonardo optou por não representar os ovários (?). Como se para compensar esse descuido, Leonardo desenhou-a com um tubo misterioso que vai do mamilo ao útero. Esse caminho não existe, exceto na imaginação de da Vinci, mas a ideia era que o leite materno era feito de sangue menstrual refinado e transformado. Esta teoria, inventada pelos gregos, foi uma tentativa de explicar por que as mulheres grávidas e as novas mães não menstruam. Hoje sabemos que a ausência de menstruação é comandada pelos hormônios que regulam o ciclo menstrual.
Especialmente nos primeiros anos da anatomia, antes a invenção dos microscópios, os enigmas sexuais estavam quase fora de alcance. O esperma e o óvulo, mesmo que você soubesse procurá-los, estavam escondidos e evasivos. O óvulo humano, embora seja a maior célula do corpo, tem apenas o tamanho do ponto final desta frase. Os espermatozóides, por outro lado, são os menores, muito pequenos para serem vistos a olho nu. Um óvulo humano supera o espermatozóide que o fertiliza em um milhão para um, a diferença estaria próximo a um peru de Ação de Graças quando comparado com uma mosca doméstica (Dolnik, 2017).
A invenção do microscópio, embora atribuída a Galileu, foi na verdade fruto do aperfeiçoamento realizado pelo naturalista e comerciante de tecidos holandês Antony van Leeuwenhoek, que o utilizou na observação de seres vivos.
Dotado de apenas uma lente de vidro, o microscópio primitivo inventado pelo pesquisador permitia aumento de percepção visual de até 300 vezes e com razoável nitidez. E tudo aquilo que se encontrava invisível aos olhos tornou-se visível o suficiente para que fosse pesquisado.
Este primitivo microscópio foi construído em 1674 e com ele conseguiu-se observar bactérias de 1 a 2 micra (medida equivalente a um milésimo de milímetro). Com este simples instrumento, o naturalista estudou os glóbulos vermelhos do sangue, constatou a existência dos espermatozóides humanos e de outros animais e desvendou também o mundo dos microrganismos que viviam em poças d'água e lagos.
Anos mais tarde o microscópio primitivo de Leeuwenhoek foi aprimorado por Robert Hooke, ganhando mais uma lente e a possibilidade de ampliação de imagem ainda maior. As primeiras observações de Hooke e os estudos de Antony van Leeuwenhoek levaram à descoberta das células.
Porém somente em 1839, com o botânico Matthias Jacob Schleiden (1804-1841) e o zoólogo e fisiologista Theodor Schwann (1810-1882), ambos da Alemanha, a célula foi reconhecida como unidade fundamental da vida, nascendo assim a Teoria celular (jbpml, 2009).
Antoni van Leeuwenhoek (24 Oct 1632 - 26 Aug 1723)
Com este microscópio simples, inventado em 1674, Antony van Leeuwenhoek estudou os glóbulos vermelhos do sangue e constatou a existência dos espermatozóides.
Os microscópios realmente revelaram novos mundos, mas por mais de um século eles serviram apenas para enviar cientistas correndo por becos sem saída.
O maior de todos os investigadores microscópicos foi um comerciante de tecidos holandês chamado Antony van Leeuwenhoek. A partir de 1674, ele observou pequenas criaturas vivas em gotas de água de lagoa, no sangue humano, em raspas de seus dentes. De fato, em todos os lugares que olhava havia vida. Ninguém jamais suspeitara de tais micromundos. A ideia não fazia sentido, pois implicava que Deus havia esbanjado cuidado infinito com criaturas destinadas a nunca serem vistas.
Em uma noite de outono em 1677, Leeuwenhoek e sua esposa fizeram amor. Ele saltou da cama “imediatamente após a ejaculação, antes que seis batidas do pulso tivessem intervindo” e correu para o microscópio com uma amostra de sêmen. Ali Leeuwenhoek viu “um número tão grande de animálculos vivos que às vezes mais de mil se moviam em uma quantidade de material do tamanho de um grão de areia”. Emocionado, ele escreveu uma carta para a Royal Society. Ele não disse se a Sra. Leeuwenhoek compartilhava de sua alegria (Dolnik, 2017).
https://youtu.be/98Ra2q1ZqUU
Leeuwenhoek, que estava tentando adivinhar o segredo da vida, desconsiderou que essas criaturas tivessem algum papel na reprodução. Em vez disso jogou fora essa pista fumegante. Ele decidiu, depois de muito refletir, que havia cometido algum erro. Esses minúsculos nadadores pareciam estar correndo para algum destino importante, mas na verdade não tinham nada a ver com procriação. Em vez disso, Leeuwenhoek decidiu: ele havia encontrado micro-animais que por acaso viviam no sêmen. Afinal, hordas de criaturas microscópicas pareciam estar vivendo em todos os lugares que ele olhava, na água, na seiva das árvores, nos dentes, entre os dedos dos pés. Por que o sêmen não deveria ter criaturas próprias? (Dolnik, 2017).
No século XVII a ciência fez consideráveis progressos devido a um novo olhar dos sábios perante a investigação científica e ao aperfeiçoamento dos meios técnicos de investigação, como a invenção do microscópio. Porém, nesse período era ignorado o papel dos ovários e desconhecidos os espermatozoides e a fecundação.
Acreditava-se na existência de uma semente-fêmea, que, misturada ao esperma no útero materno, originaria um composto de onde provinha o feto. Essa ideia ficou conhecida como a Teoria da Semente Dupla.
Na segunda metade do século XVII, surge a Teoria do Ovismo, ou do Sistema de Ovos, em que o ovo era o elemento reprodutor e a participação do macho ocorria através da emissão de um vapor do esperma, chamado de aura seminalis.
• William Harvey (1651): na obra "De generatione animalium" estudou o desenvolvimento do ovo de galinha e a formação inicial do feto dos mamíferos. Sacrificava fêmeas após o acasalamento e dissecava o aparelho reprodutor para a observação do feto. William Harvey publicou “Estudos da Geração Animal” (1651), que contém a famosa conclusão de que todo ser vivo provém de um ovo. A "omne vivum ex ovo", ou "Ex ovo omnia", foi confirmada dois séculos mais tarde, quando K. E. von Baer descobriu o ovo dos mamíferos, em 1827.
A Harvey também é creditado a primeira pesquisa científica que utilizou animais sistematicamente publicada em 1638, sob o título: Exercitatio anatomica de motu cordis et sanguinis in animalibus. Neste livro, o autor apresentou os resultados obtidos em estudos experimentais sobre a fisiologia da circulação sanguínea realizados em mais de 80 diferentes espécies animais (labnetwork, 2015).
William Harvey, De generatione Animalium, 1651.
William Harvey, De generatione Animalium, 1651 (detalhe).
Uma ilustração da página de título de Exercitationes de Generatione Animalium de William Harvey, 1651, mostrando o Zeus (Júpiter) abrindo ou soltando criaturas de um ovo com as palavras "Ex ovo omnia" ("tudo de um ovo" ou "De um ovo, tudo"). DOMÍNIO PÚBLICO (Dolnik, 2017).
• Sténon (1638-1686): demonstrou que os ovos dos mamíferos provinham do ovário, chamado de testículo-fêmea, e se desenvolviam no útero.
• De Graaf (1641-1673): descreveu os folículos ovarianos em mamíferos. Estabeleceu a relação entre ovário–útero com os primeiros estádios do desenvolvimento do embrião.
Apesar das descobertas acima citadas, somando-se à observação de espermatozoides em vários grupos de vertebrados e invertebrados realizada por Hamm em 1677, ainda prevalecia no meio científico, até o século XVII, a ideia de que existia uma miniatura de embrião no gameta masculino, que era a base da Teoria da Pré-formação.
Admitia-se que a miniatura do feto aumentava após a penetração do espermatozoide no gameta feminino.
Os autores atribuíam ao espermatozoide o papel determinante na formação do feto, ou seja, o feto estaria pré-formado dentro do espermatozoide.
A concepção dessa ideia foi defendida principalmente por Leeuwenhoeck (1677) e Hartsoeker (1694) através da representação do Homunculus (Figura 1.1). Spallanzani (1729-1799) fez investigações a respeito do processo de fecundação em rãs e precisou que neste grupo ocorria a fecundação externa e que os ovos retirados do ovário não se desenvolviam espontaneamente. Seu experimento consistia em recolher, no momento do acasalamento das rãs, o que denominava de semente-macho, depositando-a sobre ovos virgens. Este pode ser considerado como um dos estudos primordiais de inseminação artificial (1777).
Em 1677 Leeuwenhoek e Luiz Hamm viram pela primeira vez um espermatozóide e pensaram que ele tinha uma miniatura de humano dentro (homúnculo) que se desenvolvia quando depositado nos órgãos sexuais femininos: o espermatozóide seria a semente, o óvulo (feminino) o terreno de plantação. O óvulo portanto apenas proveria alimentação e um lugar para o novo ser se desnvolver.
Na verdade Leeuwenhoek e Hamm devem ter avistado as organelas do espermatozóide, como o acromossomo (que está na região anterior do espermatozoide seria a cabeça e o corpo o núcleo que esta logo atrás, e realmente, se olharmos com um microscópio óptico, ainda hoje, parece uma miniatura de ser humano, embora não seja
Apesar destas descobertas acima citadas, somando-se à observação de espermatozoides em vários grupos de vertebrados e invertebrados realizada por Hamm em 1677, ainda prevalecia no meio científico, até o século XVII, a ideia de que existia uma miniatura de embrião no gameta masculino, que era a base da Teoria da Pré-formação.
Admitia-se que a miniatura do feto aumentava após a penetração do espermatozoide no gameta feminino. Os autores atribuíam ao espermatozoide o papel determinante na formação do feto, ou seja, o feto estaria pré-formado dentro do espermatozoide.
A concepção dessa ideia foi defendida principalmente por Leeuwenhoeck (1677) e Hartsoeker (1694) através da representação do Homunculus.
O pré-formacionismo ou teoria da pré-formação, é uma teoria antigamente popular de que os animais se desenvolveriam a partir de versões em miniatura de si mesmos.
Acreditava-se que o esperma continha indivíduos pré-formados completos chamados "animalcules". O desenvolvimento era, portanto, uma questão de ampliar isso em um ser totalmente formado. O termo homúnculo foi usado mais tarde na discussão da concepção e nascimento.
Nicolas Hartsoeker postulou a existência de animálculos no sêmen de humanos e outros animais. Este foi o início da teoria dos espermatozóides, que sustentava que o esperma era de fato um "homenzinho" que era colocado dentro da mulher para crescer em uma criança, uma explicação clara para muitos dos mistérios da concepção.
Mais tarde, foi apontado que, se o esperma fosse um homúnculo, idêntico em tudo, exceto no tamanho, a um adulto, então o homúnculo poderia ter seu próprio esperma. Isso levou a uma reductio ad absurdum com uma cadeia de homúnculos "até o inicio da criação" chegando até Adão e Eva. No entanto, isso não foi necessariamente considerado pelos espermistas uma objeção fatal, pois explicava nitidamente como foi que "em Adão" todos pecaram: toda a humanidade já estava contida em seus genitais.
A teoria dos espermistas também não conseguiu explicar por que as crianças tendem a se parecer tanto com suas mães quanto com seus pais, embora alguns espermistas acreditassem que o homúnculo em crescimento assimilava as características maternas do útero da mãe.
Foi Lazzaro Spallanzani (1729-1799) fez investigações a respeito do processo de fecundação em rãs e precisou que neste grupo ocorria a fecundação externa e que os ovos retirados do ovário não se desenvolviam espontaneamente. Seu experimento consistia em recolher, no momento do acasalamento das rãs, o que denominava de semente-macho, depositando-a sobre ovos virgens. Este pode ser considerado como um dos estudos primordiais de inseminação artificial (1777).
Os experimentos de Redi
Para começar, o senso comum tinha lá suas "evidências" empíricas, afinal um pedaço de carne deixado ao leu, quando apodrecesse, "geraria" larvas. Essa hipótese, matéria em putrefação gerando uma forma de vida, foi testada sistemática e experimentalmente primeiro por Francesco Redi (1626-1697), que apresentou seus resultados no "Experimentos sobre a geração de insetos", publicado em 1668.
É um marco da história da ciência. Ele tomou seis jarros divididos em dois grupos de três. No primeiro jarro de cada grupo colocou um objeto qualquer, no segundo, um pedaço de peixe e, no terceiro, um pedaço de vitela. Os jarros do primeiro grupo ficaram descobertos e os do segundo foram cobertos com gaze.
Após alguns dias, larvas apareceram sobre os conteúdos dos jarros descobertos, onde moscas poderiam pousar, mas não sobre aqueles cobertos por gaze. Em um segundo experimento, três jarros continham carne: um descoberto, o outro coberto com gaze e o outro selado. Após alguns dias, haviam larvas apenas sobre o pedaço de carne descoberto e sobre a gaze do segundo pote, mas essas não sobreviveram (pois não tinham acesso a nutrientes da carne).
Aqui há evidência das moscas e seus ovos, de onde nascem as larvas, e não de geração espontânea. De fato, a metodologia de Redi era exemplar, introduziu, por exemplo, grupos de controle nos experimentos e os procedimentos inatacáveis. (Schulz, 2020).
Os principais microscopistas desse tempo, continuam lembrados pela História da Ciência: Marcello Malpighi (1628-1694) na Itália, Robert Hooke (1635-1703) na Inglaterra, Jan Swammerdam (1637-1680) e Anton van Leeuwenhoek (1632-1723) na Holanda.
É o papel de Antoni Van Leeuwenhoek que se destaca nesse conflito em particular. Leeuwenhoek era um cientista amador, mas construiu mais de 500 microscópios durante sua vida, os melhores da época, e observou por primeira vez o que depois veio ser chamado de bactérias e ele chamava de "animálculos".
Suas observações foram descritas em cerca de 200 cartas enviadas ao editor da Philophophcal Transactions of Royal Society, sendo que mais de 100 foram publicadas (depois de traduzidas do holandês pelo editor em pessoa, pois o mestre armarinho de Delft não sabia inglês, nem latim) (Schulz, 2020).
Leeuwenhoek era um ferrenho opositor da geração espontânea, convicção dada pelas suas observações dos minúsculos seres, invisíveis a olho nu, mas que possuíam uma "perfeição" como a de animais e plantas superiores. E por isso, talvez, ele foi duramente criticado em um longo trabalho assinado por Turbervill Needham (1713-1781), publicado em 1748, 25 anos após a morte do holandês considerado o pai da microbiologia (Schulz, 2020).
Needham, cujo nome completo contempla era John Turbervill Needham, conduziu experimentos à maneira de Francesco Redi, mas em vez das larvas entram os microrganismos identificados por Leeuwenhoek, que, importante complementar, percebeu também que os animálculos morrem com o calor.
Needham ferveu então caldo de carne em frascos, que depois de selados revelaram culturas de microrganismos. Conclusão: existiria uma "força vital" que geraria nova vida espontaneamente no caldo de carne esterilizado previamente.
Mas os experimentos não convenceram a Lazzaro Spallanzani (1729-1799), que criticou Needham em sua obra intulada: Saggio di osservazioni Microscopiche sul Sistema della Generazione de' Signori di Needham e Buffon datada de 1665.
O objetivo dos experimentos de Spallanzani era derrubar as ideias de John Needham, que através de seus experimentos havia "comprovado" que a vida poderia surgir espontaneamente de um caldo nutritivo, colocado em um recipiente vedado e aquecido até sua fervura (Schulz, 2020).
O problema do experimento de Needham eram os recipientes, que não foram bem vedados, permitindo a entrada de microrganismos e a contaminação do caldo nutritivo, e uma fervura branda, que possivelmente não chegava a matar todos os microrganismos que já estavam no caldo nutritivo.
Spallanzani ferveu o caldo por mais tempo e assim esterilizou-o adequadamente, matando todos os micróbios lá dentro, e vedou os frascos de forma a impossibilitar a entrada de micróbios do ar (Schulz, 2020).
Needham retrucou que tanta ferveção acabaria com a "força vital", impossibilitando a geração espontânea. E assim, a controvérsia seguia, um século após os experimentos de Francesco Redi.
Em outubro de 1859, o médico e naturalista Félix Archimède Pouchet (1800-1872) publica o livro chamado: Heterogênese, no qual novamente defende a geração espontânea (Schulz, 2020).
Admitia que todos os seres vivos vêm de ovos, mas que alguns ovos apareceriam por geração espontânea. Seus experimentos eram uma variação de anteriores, mas os resultados estavam em contradição em relação a incríveis avanços científicos da primeira metade do século XIX (Schulz, 2020).
Em janeiro de 1860 a Academia de Ciências da França anunciou um prêmio para experimentos "que jogassem nova luz sobre a questão da geração espontânea".
A comissão nomeada demandava experimentos precisos e rigorosos que levassem em conta todas as circunstâncias relevantes. Entre fevereiro de 1860 e janeiro de 1861, Louis Pasteur (1822-1895), então com 37 anos, apresentou cinco trabalhos curtos com seus resultados sobre o tema descrevendo seus próprios experimentos, que contradiziam os de Pouchet. Até aí seria apenas mais um capítulo de um debate científico. Os experimentos de Pouchet eram questionáveis, mas os de Pasteur, também, por serem uma variação dos experimentos de Spallanzani, embora com uma inovação engenhosa. Assim, os experimentos de Pasteur não seriam totalmente livres de objeções do ponto de vista dos "espontaneístas" (Schulz, 2020).
Pouchet questionou os membros da comissão, afirmando que estes já estariam predispostos contra a geração espontânea. Outra comissão acabou sendo criada para resolver os impasses, enquanto Pasteur e Pouchet anunciavam novos resultados, com acusações mútuas de que o oponente não estaria levando em conta as claras evidências dos experimentos.
Em 1865 a segunda comissão anunciou que Pasteur estava correto. A controvérsia, no entanto, não parou, cruzou o Canal da Mancha na década seguinte, de um lado o biólogo Thomas Henry Huxley (1825-1895) junto ao físico John Tyndall (1820-1893) e do outro o médico Henry Charlton Bastian (1837-1915) um defensor da geração espontânea (Schulz, 2020).
John Tyndall, nessa contenda, aprimorou os experimentos de Pasteur, confirmando seus resultados. Thomas Huxley dedica seu primeiro discurso de presidente eleito da Associação Britânica para o Progresso da Ciência ao tema, introduzindo primeiro o seu dever de proclamar "quais importantes fortalezas do grande inimigo de todos nós, a ignorância, foram capturadas recentemente...".
John Tyndall, o frontispício do livro de Charlton Bastian defendendo a geração espontânea e Thomas Huxley (Schulz, 2020).
A ideia da geração espontânea foi refutada inúmeras vezes cientificamente e, por fim, derrotada politicamente, tanto pela "direita" em um país, quanto pela "esquerda em outro pais (Schulz, 2020).
Atualmente não se aceita que os seres vivos que conhecemos, nem os maiores, nem os menores, sejam produzidos espontaneamente. Acredita-se que todos os animais e plantas nascem a partir de outros seres vivos semelhantes. Mas... e os primeiros seres vivos, de onde surgiram? Aqueles que aceitam uma visão religiosa sobre a origem da vida acreditam que Deus criou os primeiros animais e plantas, ou seja, eles não foram produzidos por processos da natureza e sim de uma forma sobrenatural. No entanto, as ciências naturais procuram explicar aquilo que conhecemos por teorias e hipóteses não religiosas, assumindo apenas a existência dos processos naturais. Será que as forças da natureza, sem auxílio sobrenatural, poderiam produzir os primeiros animais e plantas?
O padre italiano Lazzaro Spallanzani também provou em 1775 que eram necessários um espermatozóide e um óvulo para haver reprodução humana (na natureza) na qual o esperma era o fator fecundante, jogando por terra as teorias dos animalculistas.
O sistema genital de acordo com a origem embrionária pode ser dividido em 3 partes:
I. Órgãos sexuais primários
Ovários e Testículos
Derivam da crista genital
II. Sistema genital tubular
Tubas uterinas, útero, cérvix, vagina anterior nas fêmeas (derivados dos ductos
paramesonéfricos)
Ductos eferentes, deferentes e seminíferos nos machos (derivados dos ductos
mesonéfricos)
III. Genitália externa
Derivados do seio urogenital, pregas urogenitais e tubérculo genital, são eles
Vulva, vestíbulo, vagina posterior, glândulas vestibulares maiores (Bartholin) e clitóris nas fêmeas.
A di-hidrotestosterona (DHT), ou 5a-dihidrotestosterona (5a-DHT), também conhecida como androstanolona ou estanolona, é um esteroide sexual, androgênico e um hormônio endógeno. A enzima 5-alfarredutase catalisa a formação de DHT a partir da testosterona em certos tecidos, incluindo a glândula prostática, pele, folículos pilosos, fígado e cérebro. Esta enzima medeia a redução da ligação dupla C4-5 da testosterona. Em relação à testosterona, a DHT é consideravelmente mais potente como agonista do receptor androgênico (RA). Apresentou forte potência em relação à testosterona quanto ao desenvolvimento dos tecidos musculares e síntese de aminoácidos.DHT é sintetizado a partir de testosterona pela enzima 5-alfarredutase. Isso ocorre em vários tecidos, incluindo os órgãos genitais (pênis, escroto, clitóris, lábios majorais), glândula prostática, pele, folículos pilosos, fígado e cérebro. Cerca de 5 a 7% de testosterona sofre a conversão em DHT por causa da ação da enzima 5-alfarredutase, e aproximadamente 200 a 300 μg de DHT é sintetizado no corpo por dia. A maioria do DHT é produzida em tecidos periféricos como a pele e o fígado, enquanto a maioria dos DHTs circulantes se origina especificamente no fígado. Os testículos e próstata contribuem relativamente pouco para as concentrações de DHT em circulação. (WP)
As estruturas genitais masculinas e femininas são idênticas no início do desenvolvimento embrionário humano (até a 7ª semana), ou seja, são indiferenciadas. Tanto o embrião masculino como o feminino possuem uma genitália que lembra à feminina. Há uma espécie de clitóris e lábios vaginais embrionários. Nas mulheres eles se desenvolverão nos lábios vaginais e clitóris diferenciados. Mas no embrião masculino, a produção de um hormônio sexual masculino, a testosterona, induzirá uma diferenciação durante o desenvolvimento embrionário. A testosterona induzirá a diferenciação do clitóris embrionário em um pênis e a diferenciação dos lábios vaginais na bolsa escrotal. Portanto, o que foi dado de diferente para o homem foi à testosterona, que é responsável pelo desenvolvimento das características sexuais primárias diferentes nos sexos masculino e feminino.
Observe a correspondência da origem embrionária entre os lábios vaginais e a bolsa escrotal, bem como entre o clitóris e o pênis.
Genitais femininos e masculinos
Como você já deve saber, a adolescência é uma fase de constantes mudanças, tanto corporais quanto psicológicas. Isso porque, durante a infância, a criança ainda tem anos para se adaptar às mudanças corporais. Já na adolescência, essas mudanças ocorrem de modo brusco e, em pouco mais de 2 anos, os aspectos corporais já se encontram totalmente modificados. Assim, quando se fala nas mudanças biológicas que ocorrem nessa fase da vida, dá-se o nome de puberdade.
A puberdade, portanto, vai ser caracterizada pelo amadurecimento dos caracteres sexuais primários (genitais e gonadais), pelo surgimento e amadurecimento dos caracteres sexuais secundários (mamas, pelos pubianos e axilares) e pelo famoso estirão de crescimento. Sabendo disso, pode-se dizer, então, que o objetivo da puberdade é a obtenção da maturidade sexual.
Fisiologia da puberdade
Sabe-se que a puberdade tem início com a atividade do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, que tem sua função iniciada logo durante a vida fetal, fica inativado na infância e é reativado com o início da puberdade. Assim, o hipotálamo produz o GnRH, que é o fator liberador de gonadotrofinas, e tem uma liberação pulsátil e contínua. Já a hipófise, estimulada pela secreção do GnRH, produz as gonadotrofinas FSH e LH, também de modo pulsátil, que, por sua vez, agem sobre os ovários, nas meninas, levando, consequentemente, à maturação do epitélio germinativo e à secreção dos esteroides sexuais e, nos meninos, agem nos testículos, onde o LH vai estimular a secreção de testosterona e o FSH vai estimular a espermatogênese, determinando, assim, o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários.
Vários fatores podem influenciar o início da puberdade, como a exposição geográfica e a exposição à luz, visto que a puberdade tende a acontecer mais cedo em locais de baixa altitude e próximo à linha do Equador. Além disso, condições de saúde e nutricionais melhores parecem estar associados à queda na idade média da ocorrência da menarca. A relação da gordura corporal com o início da puberdade também é bastante considerada. Sabe-se, por exemplo, que meninas com obesidade menstruam mais precocemente do que aquelas que possuem anorexia ou que as atletas de baixo percentual de massa gordurosa. Isso pode estar ligado à ação da leptina, peptídeo secretado pelos adipócitos, que age sobre o sistema nervoso central (SNC), regulando o comportamento alimentar e o consumo de energia e sinalizando ao hipotálamo a quantidade de tecido adiposo disponível e o peso corporal. Assim, quanto mais elevados os níveis de leptina, mais precoce é o início da puberdade.
Apesar de todos esses fatores influenciarem o início da puberdade, sabe-se que o componente genético é o mais determinante.
Segue uma imagem da regulação por feedback do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal nas meninas e nos meninos.
Alterações físicas na puberdade fisiológica
Didaticamente, considera-se que a puberdade é caracterizada pelos seguintes eventos:
Crescimento esquelético linear;
Alteração da forma e composição corporal;
Desenvolvimento de órgãos e sistemas;
Desenvolvimento das gônadas e dos caracteres sexuais secundários.
Crescimento esquelético: também conhecido como estirão puberal, o adolescente, nessa fase, apresenta grande aquisição pôndero-estatural, chegando a ganhar 20% de sua estatura final em um período de 24 a 36 meses e cerca de 50% do seu peso adulto. O crescimento dos membros inferiores tende a ocorrer primeiro, seguindo uma direção distal-proximal (ou seja, primeiro pés e mãos, seguido de pernas e membros superiores), o que confere um aspecto desproporcional ao corpo do adolescente, que volta a se mostrar proporcional com o crescimento do tronco, que é a região que mais cresce nessa fase.
Há uma alteração na fase de ocorrência desse estirão quando se trata do gênero, visto que, nos meninos, esse incremento estatural ocorre entre os 10 e 16 anos, com a velocidade máxima de crescimento acontecendo entre os 13 e 14 anos, podendo alcançar cerca de 10 cm por ano. Já nas meninas, o estirão tem início entre os 9 e 14 anos, com a velocidade máxima ocorrendo entre os 11 e 12 anos, podendo atingir cerca de 8 a 9 cm por ano. Após isso, há uma desaceleração do ganho estatural e a parada do crescimento, para os meninos ocorrendo entre os 17 e 18 anos, e, para as meninas, entre os 15 e 16 anos.
Você já deve ter observado que muitos adolescentes têm gestos ou caminhar um tanto desajeitado. Isso ocorre porque eles levam um tempo para ajustar-se às mudanças físicas, que ocorrem no sentido distal-proximal: inicialmente, aumentam os pés e as mãos; em seguida, os braços e pernas; e, por último, o tronco, segmentos que param de crescer na mesma ordem. O crescimento do tronco contribui com o maior contingente do ganho estatural.
O ganho ponderal deve-se ao aumento em gordura, em tecido muscular e ósseo. No sexo feminino, decorre principalmente da deposição de gordura por ação estrogênica, ocorrendo cerca de seis meses após o PVC. Nos rapazes, o maior ganho de peso resulta principalmente do aumento da massa muscular, por ação da testosterona, e geralmente coincide com o PVC, levando à falsa impressão de magreza.
É importante pontuar que, pelo fato da estatura ser influenciada por fatores genéticos, há um cálculo para se avaliar a faixa de estatura final do adolescente, com base na herança genética dos pais. Assim, calcula-se o alvo genético com a seguinte fórmula:
Alteração da forma e composição corporal
Na puberdade ocorre o dimorfismo sexual, ou seja, são estabelecidas as diferentes formas corporais femininas e masculinas, que resulta do desenvolvimento esquelético, muscular, do tecido adiposo, entre outros. Nas meninas, por exemplo, o depósito de gordura ocorre mais na região das mamas e dos quadris, o que define a forma do corpo feminino, diferente dos meninos, que possuem um crescimento do diâmetro biacromial (ou seja, entre os ombros), associada ao desenvolvimento muscular na região da cintura escapular, caracterizando o corpo masculino.
Desenvolvimento de órgãos e sistemas
Todos os órgãos e sistemas do corpo humano se desenvolvem durante a puberdade, excetuando o tecido linfóide, que apresenta involução progressiva a partir da adolescência, e o tecido nervoso, que já possui praticamente todo o seu crescimento estabelecido. Um ponto a ser analisado é o aumento da capacidade física, bastante observada nos meninos durante a puberdade, que resulta do desenvolvimento do sistema cardiorrespiratório, do aumento da eritropoiese e do aumento da massa muscular, da força e da resistência física.
Desenvolvimento das gônadas e dos caracteres sexuais secundários: essas modificações decorrem do mecanismo neuroendócrino e das influências de fatores ambientais e, principalmente, genéticos. Um marco de influência neuroendócrina importante é a adrenarca, que corresponde ao aumento da secreção dos andrógenos suprarrenais (androstenediona), desidroepiandrosterona (DHEA) e sulfato de desidroepiandrosterona (SDHEA), ocorrendo anos antes da puberdade e que atingem concentrações máximas no fim da mesma. Esses andrógenos são responsáveis pelo odor axilar, pelo aparecimento dos pelos pubianos e axilares e pelo aumento da atividade das glândulas sebáceas no rosto, o que pode provocar acne.
Além disso, é importante considerar que a sequência de eventos na puberdade segue um padrão. Enquanto, nas meninas, a telarca (aparecimento do broto mamário) é o primeiro sinal de puberdade, seguida da pubarca (aparecimento dos pelos pubianos) e, 2 anos depois, da menarca (primeira menstruação), nos meninos o aumento do volume testicular (ao atingir 4 ml) é o primeiro sinal da puberdade, seguida pela pubarca e pelo crescimento peniano.
Principais marcos puberais
No sexo feminino, os fenômenos pubertários podem iniciar aos 8 anos, ou até mais tardiamente, aos 16 anos, com média entre 11 e 14 anos. Já no sexo masculino, o início pode ocorrer entre os 9 e os 17 anos, com média entre 12 e 14 anos.
A maturação sexual é, portanto, tipificada pelo surgimento dos caracteres sexuais secundários e pode ser avaliada por meio do exame clínico, observando os seguintes itens, alguns já citados:
Telarca: corresponde ao desenvolvimento anatômico das mamas, em resposta aos estrógenos;
Pubarca: corresponde ao aparecimento de pelos na região pubiana, nos grandes lábios, nas meninas, e na bolsa escrotal, nos meninos, podendo atingir a face interna das coxas e o abdome. A pubarca ocorre em resposta aos estrógenos ovarianos e aos andrógenos das suprarrenais;
Axilarca: corresponde ao aparecimento de pelos axilares, surgindo, geralmente, em torno de 1 a 2 anos após a pubarca. Nos meninos, coincide com o aparecimento dos pelos faciais;
Menarca: é a primeira menstruação, que ocorre em média aos 12 anos, podendo ocorrer entre os 9 e os 16 anos;
Voz: há uma modificação na voz pelo crescimento rápido da laringe, que modifica sua forma, e as cordas vocais ficam mais longas e mais espessas;
Polução: é a eliminação involuntária de esperma pelos meninos, que pode equivaler à menarca nas meninas. As primeiras ejaculações são caracterizadas por pouco número e pouca agilidade dos espermatozoides, o que representa uma infertilidade relativa;
Ginecomastia: corresponde ao aumento mamário decorrente da sensibilidade dos receptores aos estrógenos que circulam no organismo dos meninos, podendo surgir na puberdade. Normalmente o aumento é discreto e involui em poucos meses, mas, em casos intensos, pode ocorrer um aumento acentuado das mamas, chegando a durar de 1 a 2 anos. Nesses casos, a avaliação clínica e multiprofissional é importante para afastar qualquer afecção hormonal e indicar um tratamento adequado, com o intuito de evitar possível dano psicológico;
Aumento do volume testicular: ocorre por ação do FSH e, como já dito, corresponde ao primeiro sinal clínico de puberdade nos meninos. Pode ser avaliado pelo orquidômetro de Prader, que mensura o tamanho testicular em milímetros.
Telarca (do grego θηλή thelḗ, “mamilo” e ἀρχή arkhé, começo) é o período que marca o início do desenvolvimento das mamas e ocorre geralmente entre 8 e 13 anos de idade (em média: 10,5 anos). É geralmente o primeiro sinal fenotípico da puberdade em meninas (60%) e ocorre em resposta ao aumento de estrogênios (estradiol) circulantes; ao mesmo tempo produz-se uma estrogenização da mucosa vaginal e o crescimento da vagina e do útero.
O desenvolvimento das mamas continua ao longo da puberdade e adolescência, como descrito por Marshall e Tanner, a partir da qual desenvolveram uma escala de maturação sexual. A telarca é a fase M2 de Tanner. É comum que um mamilo se desenvolva antes do outro e se torne maior. (WP)
A adrenarca é um dos estádios pré-puberdade no qual se dá o aumento de produção de hormonas sexuais, fundamentalmente andrógenos e estrógenos, pelas glândulas suprarrenais e que tem lugar nos humanos por volta dos 8 anos, fazendo parte do processo normal do desenvolvimento humano. Esta secreção hormonal aumenta de forma progressiva com a passagem do tempo e causa cerca de dois anos depois o surgimento do odor axilar, de pelos principalmente nas pernas, braços e zona genital (pubarca) e aumento de atividade das glândulas sebáceas do rosto, o que pode originar acne.
A adrenarca é resultante do desenvolvimento de uma nova zona do córtex adrenal, a zona reticularis e relaciona-se com a puberdade, mas a sua maturação e função são diferentes do caso da maturação do hipotálamo, glândula pituitária e dos órgãos sexuais.
A adrenarca é um fenómeno anterior à gonadarca que consiste no aumento da produção de hormonas sexuais do testículo nos meninos e do ovário nas meninas, e que ocorre de forma natural posteriormente.
Fases do crescimento puberal
Com o objetivo de sistematizar a sequência do desenvolvimento das características sexuais secundárias na adolescência, foi descrito, em 1962, o estadiamento segundo os critérios de Tanner.
A escala de Tanner (ou estágios de Tanner) é uma avaliação da maturação sexual através do desenvolvimento físico de crianças, adolescentes e adultos. A escala define as medidas físicas de desenvolvimento baseado nas características sexuais externas primárias e secundárias, tais como o tamanho das mamas, os órgãos genitais, o volume dos testículos e o desenvolvimento de pelos pubianos e axilares. Estes quadros são usados universalmente e permitem uma avaliação objetiva da progressão do púbis. Esta escala foi inventada pelo pediatra britânico James Tanner.
Tanner descreveu, de acordo com a inspeção durante o exame físico, os estágios de maturação sexual, que variam de 1 (infantil) a 5 (adulto), considerando, para o sexo feminino, o desenvolvimento mamário, representado pela letra M, e o desenvolvimento dos pelos pubianos, representado pela letra P. Já para o sexo masculino, os critérios incluem o desenvolvimento da genitália externa, representado pelo G, e também o desenvolvimento da pilosidade pubiana.
Assim, a aplicação da classificação de Tanner faz parte da avaliação clínica de rotina do adolescente, visto que possibilita a identificação do estágio de maturação sexual no qual o adolescente se encontra e sua correlação com outros eventos desse período da puberdade.
Descrevendo um pouco mais os estágios segundo os critérios de Tanner, tem-se:
Desenvolvimento mamário
M1 – Mama infantil, apenas com elevação da papila.
M2 – Broto mamário, com formação de uma saliência pela elevação da aréola e da papila. Há um pequeno desenvolvimento glandular subareolar, o diâmetro da aréola aumenta e há modificação na sua textura.
M3 – Maior aumento da mama e da aréola, sem separação dos seus contornos. O tecido mamário extrapola os limites da aréola.
M4 – Maior crescimento da mama e da aréola, sendo que esta forma uma segunda saliência acima do contorno da mama (duplo contorno).
M5 – Mama de aspecto adulto, em que o contorno areolar novamente é incorporado ao contorno da mama.
G1 – Testículos, escroto e pênis de tamanho e proporções infantis.
G2 – Aumento inicial do volume testicular (3-4 ml). Pele do escroto muda de textura e torna-se avermelhada e o aumento do pênis é pequeno ou ausente.
G3 – Crescimento do pênis em comprimento. Maior aumento dos testículos e do escroto.
G4 – Aumento do pênis, principalmente em diâmetro e desenvolvimento da glande. Há um maior crescimento dos testículos e do escroto, cuja pele torna-se mais enrugada e pigmentada.
G5 – Desenvolvimento completo da genitália, que assume características adultas.
A puberdade é uma fase da adolescência em que vai haver mudanças biológicas importantes nos meninos e meninas, sendo caracterizada pelo amadurecimento dos caracteres sexuais primários, pelo surgimento e amadurecimento dos caracteres sexuais secundários, pelo crescimento e desenvolvimento corporal e por mudanças psicológicas consideráveis decorrentes de todas essas modificações. Uma série de fatores podem influenciar o início da puberdade, mas a genética é o fator mais determinante.
Assim, visando sistematizar a sequência do desenvolvimento das características sexuais secundárias na adolescência, foram criados os critérios de Tanner, que avaliam, nas meninas, o desenvolvimento mamário e a distribuição de pelos pubianos e, nos meninos, avalia o desenvolvimento genital e, também, a distribuição da pilosidade pubiana.
É essencial o conhecimento das alterações fisiológicas da puberdade, assim como da aplicação dessas mudanças nos critérios de Tanner, para, assim, o médico poder identificar e diagnosticar possíveis condições patológicas no desenvolvimento puberal dos pacientes.
A contracepção é o conjunto de ações, dispositivos ou medicamentos empregados com o intuito de prevenir a gravidez. De acordo com o seu princípio de ação, os métodos contraceptivos são classificados em cinco grupos:
(1) Métodos hormonais;
(2) Métodos comportamentais;
(3) Métodos de barreira;
(4) Dispositivo intrauterino;
(5) Métodos cirúrgicos.
Métodos hormonais
Existe uma ampla variedade de métodos de contracepção hormonal que interferem no ciclo ovariano, impedindo a ovulação pela ação de hormônios sintéticos administrados por via oral, injetável, epidérmica ou dérmica. Para tal, são utilizadas combinações dos hormônios sexuais femininos estrógeno e progesterona. (Nazari e Müller, 2011).
Atuam também na regularização dos ciclos reprodutivos, na diminuição da tensão pré-menstrual (TPM), na redução da intensidade das cólicas menstruais (dismenorreia) e na diminuição do fluxo menstrual. Apresentam alta eficácia, de 98 a 99%.(Nazari e Müller, 2011).
Os principais métodos hormonais são:
a) Contraceptivos orais
Devem ser administrados diariamente, preferencialmente no mesmo horário do dia, garantindo assim a manutenção dos níveis hormonais. O uso das pílulas deve seguir rigorosamente as indicações contidas no verso das cartelas, pois cada pílula contém quantidades específicas de estrógeno e progesterona, de acordo com o período do ciclo reprodutivo. (Nazari e Müller, 2011).
Existem também as chamadas minipílulas, que contêm apenas progesterona, e são utilizadas principalmente por mulheres que estão amamentando ou que apresentam contraindicações ao uso de estrógeno.(Nazari e Müller, 2011).
b) Contraceptivos injetáveis
Podem ser utilizados mensal ou trimestralmente. São de fácil uso, pois a mulher não precisa lembrar todos os dias de tomar a pílula. O uso prolongado de hormônios injetáveis pode provocar menstruação irregular, contudo, sob supervisão médica, pode ser utilizado para impedir a ocorrência da menstruação.
c) Implantes
Cápsulas ou bastões contendo hormônios, implantados pelo médico sob a pele, sendo mantidos funcionais por até 3 anos. (Nazari e Müller, 2011).
d) Adesivos
São aplicados sobre a pele e devem ser trocados semanalmente durante 3 semanas. Faz-se uma pausa de uma semana, quando ocorrerá a menstruação, e reinicia-se o seu uso.(Nazari e Müller, 2011).
Métodos comportamentais
São baseados no conhecimento de que é necessário impedir o encontro dos gametas e, assim, evitar a gravidez. Não utilizam dispositivos ou medicamentos.
Diferentes comportamentos são adotados principalmente pelas mulheres na tentativa de identificar o período ovulatório através de características, como o ligeiro aumento da temperatura basal e as mudanças na fluidez do muco cervical, resultantes principalmente da ação dos hormônios durante o ciclo reprodutivo. Esses métodos, para ter alguma eficácia, requerem a alteração do comportamento sexual do casal. É importante salientar que o uso frequente desse método exige que o ciclos reprodutivos sejam muito regulares, para que se possa identificar com segurança o período ovulatório, conhecido popularmente como período fértil. Em resumo, esses métodos apresentam baixa eficácia, alteram o comportamento do casal, dependem de motivação e do aprendizado e não protegem contra doenças sexualmente transmissíveis. (Nazari e Müller, 2011).
Os principais métodos comportamentais são os da tabelinha (ou método do ritmo/calendário), da temperatura basal, do muco cervical e o da ejaculação extravaginal (coito interrompido) (Nazari e Müller, 2011).
Métodos de barreira
São os métodos mais amplamente usados de toda a história e baseiam-se na utilização de barreiras físicas que impedem que os espermatozoides cheguem à tuba uterina, onde se encontra o ovócito secundário (Nazari e Müller, 2011).
Os principais métodos de barreira são as camisinhas masculina e feminina e o diafragma. A camisinha, em especial, além de método contraceptivo, também é eficaz na proteção contra as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Dispositivo Intrauterino (DIU)
É um dispositivo, geralmente em forma de haste, que pode apresentar fio de cobre ou reservatório de progesterona. O DIU é colocado no interior da cavidade uterina sob supervisão médica. Esse dispositivo pode levar a modificações da parede interna do útero e da tuba uterina, alteração do muco cervical e ter ação espermicida. O DIU apresenta durabilidade de cerca de 7 anos. Possui alta eficácia, de 99% (Nazari e Müller, 2011).
Contracepção cirúrgica
Único método de contracepção definitiva, tendo, porém, indicação bastante específica, e pode ou não ser reversível. A esterilização feminina consiste na ligadura tubária, ou laqueadura, e a masculina consiste na vasectomia, como veremos a seguir:
a) Laqueadura, ou ligadura tubária
As tubas uterinas são obstruídas ou cortadas, evitando com que o ovócito II e os espermatozoides se encontrem. É um método definitivo, de modo que poucas técnicas cirúrgicas apresentam possibilidade de reversão. Indicado para mulheres com idade superior a 25 anos que já tenham pelo menos dois filhos (Nazari e Müller, 2011).
b) Vasectomia
O canal deferente é seccionado, impedindo que os espermatozoides sejam exteriorizados com o ejaculado. Não provoca impotência. Requisitos: idade mínima de 25 anos ou dois filhos. Há técnicas reversíveis.
Além desses métodos, existe ainda a possibilidade de se utilizar a contracepção de emergência (pílula do dia seguinte), a qual é indicada após uma relação sexual desprotegida ou falha de outros métodos contraceptivos, como camisinha, por exemplo. Possui altas doses de hormônios que impedem a implantação do blastocisto. Devido às suas características, não deve ser utilizado como um método contraceptivo de uso rotineiro (Nazari e Müller, 2011).
Na escolha de um método contraceptivo, deve-se levar em conta a sua eficácia, que corresponde ao número de gravidezes não planejadas que ocorrem durante o período de uso do método contraceptivo. Quanto maior a eficácia, menor o número de gravidezes não desejadas. A eficácia depende ainda de alguns fatores, como a facilidade de utilização e do uso correto do método e da baixa incidência de efeitos adversos decorrentes do seu uso (Nazari e Müller, 2011).