Resposta na montanha
Por que razão morar nestas verdes montanhas
responde só o sorriso o coração sereno
A flor do pessegueiro cai as águas seguem
entrando a um outro mundo além do meio humano
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山中问答
问余何意栖碧山
笑而不答心自闲
桃花流水窅然去
别有天地非人间
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[Em homenagem Yang Guifei (lê-se Iân Gueifêi), lendária beleza, concubina do Imperador Xuanzong]
as vestes como nuvens pétalas as faces
que a brisa na varanda afaga ao orvalho vítreo
se ao elevado cimo em jade não é vista
ressurge sob a lua em celestes terraços
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云想衣裳花想容
春风拂槛露华浓
若非群玉山头见
会向瑶台月下逢
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Wang Wei
O retiro dos cervos
vazia a montanha ninguém se vê
entanto rumores vozes se ouvem
torna a luz poente até o bosque denso
ainda ilumina o musgo verde sobre
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鹿柴
空山不见人
但闻人语响
返景入深林
复照青苔上
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O Monte Zhongnan
obra suprema imitação celeste
cidade aberta entre montanhas mares
as nuvens brancas fecham-se ao olhar
cintilações em verde se dispersam
revolve o pico ao centro aparta estrelas
escuro-claros se desdobram vales
descer e a noite passar entre os homens
ao rio perguntar onde ao lenhador
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终南山
太乙近天都
连山到海隅
白云回望合
青霭入看无
分野中峰变
阴晴众壑殊
欲投人处宿
隔水问樵夫
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Na montanha
Riacho Jing as pedras surgem brancas
escassas folhas rubras num céu frio
Chuva não houve à trilha da montanha
molhando as roupas o verde vazio
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山中
荆溪白石出
天寒红叶稀
山路元无雨
空翠湿人衣
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Passando pelo Templo do Perfume Oculto
desconhecido conservou-se o templo
por entre nuvens oculto o perfume
ao bosque antigo resta trilha alguma
aonde o sino à alta profundeza
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rumor de fonte eretas rochas choro
frescor o sol entre os pinheiros cores
a tarde curva-se ao vazio no tanque
domou-se um dragão venenoso ao Chan*
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*Chan é o nome, em chinês, da corrente Zen do budismo.
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过香积寺
不知香积寺
数里入云峰
古木无人径
深山何处钟
泉听咽危石
日色冷青松
薄暮空潭曲
安禅制毒龙
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A ermida dos bambus
sentar-se ao oco só entre os bambus
assobiando ao toque do alaúde
na densa oca ao bosque desterrar-se
então a lua é vinda: iluminar
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竹里馆
独坐幽篁里,
弹琴复长啸。
深林人不知,
明月来相照。
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YU XUANJI
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O Templo Zifu, fundado pelo eremita Ren
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Ergueu o templo um homem solitário
e hoje é descanso a viajantes – pouso –
Deixam seus nomes vãos à porta, ao lótus
deitam-se escritos nas paredes brancas
As águas correm para o velho tanque
A relva próxima ao caminho brota
Cem pés é alto o pavilhão de ouro
e em frente ao rio, todo brilho, claro
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题任处士创资福寺
幽人创奇境,
游客驻行程。
粉壁空留字,
莲宫未有名。
凿池泉自出,
开径草重生。
百尺金轮阁,
当川豁眼明。
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Resposta a um poema
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A instável, viva multidão vermelho-púrpura,
e ao sol, serena solidão: o meu poema
Nenhum desejo – a breve fama, o amor urgente
Da fortaleza nasce um canto, ao mais profundo
Agradecida, à simples clara flor inclino-me
Viver reclusa e só, entregue a esta procura
é todo encontro superar em amor mais puro
como elevar-se entre montanhas basta ao pínus
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和人次韵
喧喧朱紫杂人寰,
独自清吟日色间。
何事玉郎搜藻思,
忽将琼韵扣柴关。
白花发咏惭称谢,
僻巷深居谬学颜。
不用多情欲相见,
松萝高处是前山。
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A partir de poema de um recém-aprovado
candidato ao serviço público, em luto
pela morte de sua mulher
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(I)
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Aos imortais perdem-se as coisas deste mundo
Outonos passam como apenas um momento
Fica às cobertas o calor do amor recente
Do papagaio à jaula o eco ainda circunda
O orvalho cobre as flores, rostos que se velam
O vento verga em sobrancelhas os chorões
Nuvens dissipam-se entre cores, tornam à sombra
Pan Yue1 lamenta e seu cabelo acolhe a neve
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1 Pan Yue (247-300) foi um poeta da Dinastia Jin (265-316, Jin do
Oeste) famoso por sua beleza e pela poesia de luto e melancolia.
Seus “Três poemas para minha esposa morta” são particularmente
aclamados. Sobre ele se diz que, quando da morte da esposa, seu
cabelo tornou-se branco da noite para o dia. Sua história pessoal é
associada ao amor inconsolável diante da morte e entregue a um luto
infindável – em Yu Xuanji, há um sentido de entrada na imortalidade
pelo luto, que projetaria o amor para além “desta” vida.
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和新及第悼亡诗二首
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(一)
仙籍人间不久留,
片时已过十经秋。
鸳鸯帐下香犹暖,
鹦鹉笼中语未休。
朝露缀花如脸恨,
晚风欹柳似眉愁。
彩云一去无消息,
潘岳多情欲白头。
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Uma alegoria
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A primavera às flores de pêssego espalha-se
Em todo pátio à lua cintilam os salgueiros
Cá em cima estou, no quarto, perfeita a maquiagem
recém-vestida, à espera da noite, o silêncio
Ao lago sob as flores de lótus os peixes
Em volta do arco-íris revoam pardais
Tudo nesta vida é sonho, alegria ou pena
vêm-nos aos pares. Possa eu por fim acordar
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寓言
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红桃处处春色,
碧柳家家月明。
楼上新妆待夜,
闺中独坐含情。
芙蓉月下鱼戏,
螮蝀天边雀声。
人世悲欢一梦,
如何得作双成。
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Inscrito em um pavilhão em meio à neblina
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As flores na primavera, a lua de outono
entram à poesia. Nos claros dias e noites
habitam os deuses. Subo as cortinas, mantenho-as
todas abertas: a cama encare as montanhas.
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题隐雾亭
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春花秋月入诗篇,
白日清宵是散仙。
空卷珠帘不曾下,
长移一榻对山眠。