INÍCIO

16 agosto 2025

FAZENDO GIZ PASTEL

MATERIAIS PARA ARTE:
FAZENDO GIZ PASTEL EM CASA

I. GIZ PASTEL OLEOSO

Giz Pastel: a poesia em pó da Arte

Suave, vibrante e capaz de capturar a luz como nenhum outro meio, o giz pastel é uma das formas de expressão artística mais diretas e emocionais. 
A sua história é uma jornada fascinante que atravessa séculos, evoluindo de um material simples para um meio respeitado e adorado por grandes mestres.

Origens humildes: o nascimento do “Pastello

A história do pastel remonta ao final do século XV, no norte da Itália. O termo “pastel” deriva da palavra italiana pastello, que por sua vez vem de pasta, significando “massa” ou “pasta”. 
Este nome descreve perfeitamente o seu processo de fabricação inicial: uma massa feita da mistura de pigmento em pó, um carga mineral (como o gesso ou o caulin) e uma goma aglutinante (como a goma arábica ou outra goma qualquer).

A invenção é frequentemente atribuída ao artista francês Jean Perréal, que o teria introduzido na Itália em 1499, pois foi naquele país que a técnica se desenvolveu primeiro. Artistas como Leonardo da Vinci mencionaram o seu uso em esboços preparatórios. No entanto, na Renascença, o pastel era visto principalmente como uma ferramenta para estudos, esboços e desenhos, não como um meio para obras de arte finalizadas.

O Século XVIII: a era de ouro do pastel

Foi no século XVIII, particularmente em França, que o giz pastel atingiu o seu primeiro auge de popularidade. A técnica foi refinada, e as varas tornaram-se mais macias e com uma maior gama de cores. A sociedade rococó, com o seu gosto pela delicadeza, pelas cores suaves e pela representação da beleza efêmera, encontrou no pastel o meio perfeito para expressão.

O grande mestre deste período foi Maurice Quentin de La Tour. Conhecido como o “príncipe dos pastelistas”, ele elevou a técnica à altura da pintura a óleo. Os seus retratos, feitos com pastel, não evidenciavam apenas a habilidade de representar a verossimilhança entre o retrato e o modelo; eles capturavam a personalidade, o carácter e a alma da aristocracia francesa, incluindo a sua famosa representação da amante de Luís XV, Madame de Pompadour.

Outros nomes fundamentais desta era são: Jean-Baptiste-Siméon Chardin, que usou o pastel para criar retratos íntimos e profundamente humanos na sua velhice, e Rosalba Carriera, uma artista veneziana que conquistou Paris com os seus retratos etéreos e cheios de graça, tornando-se a primeira mulher admitida na Académie Royale de Peinture et de Sculpture com uma obra em pastel.

Declínio e Renascimento no Século XIX

Com a Revolução Francesa e a ascensão do Neoclassicismo, o pastel, associado à frivolidade da aristocracia, caiu em desgraça. 
No entanto, o século XIX assistiu ao seu poderoso renascimento, liderado pelos Impressionistas.

Estes artistas, obcecados com a luz, a cor e o movimento, viram no pastel qualidades ideais para os seus objetivos. A velocidade de execução permitia capturar “en plein air” (ao ar livre) os efeitos fugazes da luz. A cor pura e não misturada, aplicada diretamente com o pó, era perfeita para a sua técnica de pinceladas fragmentadas.

Edgar Degas foi o grande revolucionário do pastel moderno. Ele não se limitou a usá-lo; ele experimentou-o, dissolvendo-o com vapor, combinando-o com guache e tinta, e aplicando-o em camadas complexas que raspava e reconstruía. As suas famosas bailarinas, banhistas e cavalos de corrida são o testemunho máximo do potencial expressivo e textural do pastel.

Mary Cassatt, influenciada por Degas, usou o pastel para criar cenas ternas e íntimas da vida familiar e materna, com uma paleta luminosa e composições ousadas. 
Os artistas Édouard Manet e Auguste Renoir também produziram obras-primas notáveis com o meio pastel.

O Século XX e a Contemporaneidade

O século XX viu o pastel consolidar-se como um meio artístico sério e versátil. Artistas modernos como Pablo Picasso exploraram a sua linha expressiva no período azul e rosa, e Joan Miró utilizou a sua cor intensa nas suas obras surrealistas.

Hoje, o giz pastel é mais popular do que nunca. A qualidade dos materiais melhorou drasticamente, com uma infinidade de cores, durezas (duros, macios e pastéis oleosos) e suportes especializados disponíveis. Artistas contemporâneos em todo o mundo continuam a explorar os seus limites, criando obras que vão do hiper-realismo às abstrações mais ousadas.

A Essência Atemporal

Como vimos a história do giz pastel é a história de uma busca pela luz e pela cor imediatas. Da sua origem humilde como ferramenta de esboço às obras monumentais de Degas, o pastel manteve a sua essência: é a cor na sua forma mais pura e direta. 
É um meio que recompensa o gesto espontâneo, celebra a textura e convida o espectador a sentir a mão do artista em cada traço de pó colorido, uma verdadeira poesia visual materializada.

O giz pastel oleoso é um material usado na arte feito com pigmentos em pó misturados com um aglutinante oleoso. Ele se apresenta em forma de bastões e permite criar obras com cores vibrantes e texturas suaves, sendo ideal para pintura em papel, podendo também ser usado sobre tela. 
Para usar o giz pastel oleoso, você pode aplicar a cor diretamente no papel e esfumar com os dedos, um esfuminho ou um pano macio para criar efeitos de transição e mistura.

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O que é giz pastel oleoso?

É um tipo de giz feito com pigmentos em pó misturados a um aglutinante oleoso. 
Diferente do giz pastel seco, o giz oleoso tem uma textura mais macia e deixa um acabamento mais brilhante. 
É usado principalmente para pintura em papel e permite criar efeitos de esfumaçado e mistura de cores. 

Usando o giz pastel oleoso

1. Aplicação
Aplique a cor diretamente no papel, pressionando o giz com mais ou menos força para obter diferentes intensidades. Você pode raspar com um estilete e usar esse “pó” sobre o papel e pressionar usando uma espátula para esse fim.

2. Esfumado
O giz pastel oleoso pode ser esfumado usando os dedos, um esfuminho, um pedaço de algodão, um pedaço de papel filtro, guardanapo de papel, ou um pano macio. Ao esfumar a cor, a camada fica mais fina o que possibilita uma transparência criando transições suaves e misturando as cores. 

3. Camadas
Aplique várias camadas de giz pastel para obter cores mais ricas e intensas. 

4. Fixador
Após finalizar a pintura, utilize um fixador em spray para proteger o trabalho e evitar que o pigmento se solte. 

Dicas
O papel ideal para giz pastel oleoso deve ter uma gramatura elevada (acima de 120g/m²) para evitar manchas de óleo. 
Papéis com textura, como o Mi-Teintes, são recomendados para giz pastel oleoso, seco e carvão, entretanto é aconselhável usar um fixador depois de concluída a obra. 
Experimente diferentes técnicas de esfumaçado para descobrir seus efeitos favorito. O giz pastel oleoso permite construir camadas de cores, que podem ser posteriormente raspada com a ponta de uma faca ou mesmo um palito para revelar as camadas subjacentes.

FAZENDO SEU PRÓPRIO GIZ PASTEL OLEOSO

Fazer giz pastel oleoso em casa pode ser um processo interessante para artistas que desejam personalizar suas cores e texturas. Aqui estão algumas receitas baseadas em métodos artesanais e referências de materiais artísticos tradicionais:

Receita 1: Giz Pastel Oleoso Básico
(Baseado em formulações tradicionais de pastéis oleosos)

Ingredientes
• Pigmentos em pó (óxidos ou corantes usados em arte ou artísticos).
• Óleo de linhaça ou óleo de cártamo (como aglutinante).
• Giz (carbonato de cálcio) ou talco (para volume e textura).
• Cera de abelha ou parafina (para dar consistência) 
• Goma-arábica ou tragacanto (opcional, para melhor liga).
A goma Tragacanto é uma goma natural obtida da seiva seca de várias espécies de leguminosas do Oriente Médio do gênero Astragalus, incluindo A. adscendens, A. gummifer, A. brachycalyx, e A. tragacantha. O nome deriva das palavras gregas tragos (que significa cabra) e akantha (espinho). Conhecida desde os tempos remotos, aparece em várias passagens da Bíblia. 
Às vezes, a goma é chamada de goma de Shiraz, shiraz, ou goma de dragão. A goma tragacanto é uma mistura viscosa, inodora, insípida e solúvel em água de polissacarídeos, obtida da seiva drenada da raiz da planta e depois seca. A goma escorre (exsuda, flui lentamente) da planta em fitas torcidas ou flocos que podem ser pulverizados. Ela absorve água para se tornar um gel, que pode ser mexido (agitado) até virar uma pasta. Eu não testei ainda, mas acredito que a goma de Pinus spp, depois de seca, transformada em pó e misturada com água também pode ser usada.

Passos do preparo
1. Misture 2 partes de pigmento com 1 parte de giz em pó (ou talco). 
2. Adicione óleo de linhaça aos poucos até formar uma massa moldável (não muito líquida). 
3. Derreta uma pequena quantidade de cera de abelha (ou parafina) e incorpore à mistura para dar liga. 
4. Amasse bem até obter uma consistência homogênea. 
5. Modele em formato de bastão e deixe secar por 1-2 dias. 

Receita 2: Versão Simplificada
(Adaptada de técnicas de fabricação caseira de giz artístico)

Ingredientes
• Pigmento a óleo (ou tinta a óleo seca) 
• Cera de abelha derretida
• Talco ou caulim (para ajustar a maciez) 

Preparo
1. Misture pigmento a óleo com talco em proporção 1:1. 
2. Derreta cera de abelha em banho-maria e adicione à mistura. 
3. Amasse e enrole em papel manteiga, formando um bastão. 
4. Deixe endurecer antes de usar. 

Receita 3: Usando corante alimentar

Para criar giz pastel oleoso em casa, você precisará de amido de milho, água e corante alimentar. Misture os ingredientes até obter uma consistência moldável, adicione o corante e modele os gizes. Deixe secar completamente antes de usar. 

Passos detalhados

Ingredientes: Reúna amido de milho, água e corante alimentar de sua preferência. 

Mistura: Em um recipiente, adicione o amido de milho e a água, misturando até obter uma consistência semelhante a uma pasta. 

Cores: Divida a mistura em porções menores e adicione o corante alimentar a cada porção, misturando bem para garantir a uniformidade da cor. 

Formato: Modele os gizes no formato desejado, como bastões ou outras formas. 

Secagem: Deixe os gizes secarem completamente em um local arejado e protegido da luz direta do sol. 

Dica: Para uma experiência mais próxima do giz pastel profissional, você pode adicionar um pouco de óleo vegetal à mistura para aumentar a oleosidade e a maciez do giz.

Observações
O giz pastel oleoso é conhecido por sua textura macia e cores vibrantes, sendo ideal para pinturas em papel, telas, madeira e outros materiais. 

Para proteger suas pinturas, você pode utilizar um spray fixador para evitar manchas e borrões.

Aproveite a liberdade criativa que o giz pastel oleoso oferece, experimentando diferentes técnicas de aplicação, como o uso de dedos, esfuminhos ou tecidos para esfumar as cores e criar efeitos de mistura.

Você também poderia usar aquarela ou tinta para a primeira camada. Muita gente faz isso. Não precisa de terebintina. Se você usar terebintina, tenha cuidado para conseguir uma terebintina de alta qualidade. Mesmo as terebintinas de nível artístico são péssimas (como a Winsor Newton) e liberam formaldeído porque são destiladas de madeira em vez de resina. A que eu uso é feita pela Creekwood Naturals e é destilada da resina. Não é barata, mas não libera formaldeído. Você ainda deve usar bastante ventilação. Eu uso um ventilador para afastar os vapores e certifico-me de ter uma janela aberta por perto. Além disso, não deixe animais de estimação por perto ao usar.

Nota
A consistência pode variar conforme os ingredientes. Teste pequenas quantidades antes de produzir em grande escala. Se precisar de cores mais intensas, aumente a proporção de pigmento. 

Receita 4: Pastel de três ingredientes

Eu tenho trabalhado para produzir meus próprios pastéis oleosos que se equiparem a produtos comerciais de qualidade profissional. Após diversos experimentos, agora consigo produzir pastéis facilmente e em tempo relativamente curto, sem formar grumos e com resultado cremoso e homogêneo (wetcanvas)

Em discussões anteriores sobre pastéis artesanais que li, muitas pessoas desistiam ao obter resultados decepcionantes ou se preocupavam com custos e tempo investido. Este método utiliza equipamentos relativamente baratos e não consome tempo excessivo. O maior custo está nos pigmentos de qualidade, mas todo artista descobre que materiais baratos (pincéis, lápis, tintas, papéis ou pastéis) sempre entregam resultados medíocres ou inferiores.

Não afirmo que este seja o método definitivo, nem reivindico a autoria da receita. Ela foi compilada a partir de fontes consagradas. Meu método produz pastéis de boa qualidade, mas outros artistas poderão adaptá-lo conforme suas necessidades.

Atenção à segurança antes de começar

● Trabalhe em ambiente ventilado (óleos e ceras emitem vapores).
● Use máscara ao manipular pigmentos (alguns são tóxicos e inaláveis).
● Luvas cirúrgicas evitam alergias e mantêm as mãos limpas.
● Nunca deixe a mistura sem supervisão no aquecimento (risco de combustão).
● Não faça pastéis com crianças por perto (água fervente e cera quente causam queimaduras graves).

Ingredientes básicos

1. Pigmento
O componente essencial. Testei pós de tinta e outros materiais, mas só funcionam bem os específicos para arte. A Sennelier vende pigmentos idênticos aos de seus pastéis (porém caros). Uso principalmente pigmentos terrosos disponíveis online.

2. Óleo
Minha fórmula usa 1 parte de óleo de linhaça crua para 3 partes de óleo mineral. O mineral não seca, mas a linhaça confere cremosidade. Usar só óleo secante faz o pastel ressecar rápido.

3. Cera de abelha branca
Facilmente encontrada no eBay. Compro resíduos de fabricação de velas. Pode ser usada em flocos ou ralada (ralador de queijo funciona).

Ingredientes da Receita

● 1 parte de pigmento.
●1 parte de óleo (na proporção 1:3 linhaça/oleo mineral).
● 3 partes de cera de abelha.

Método
1. Misture bem pigmento e óleo em recipiente metálico (latinhas de alumínio limpas são ideais). Alguns recomendam deixar a mistura descansar uma noite para melhor absorção, ou usar aguarrás como intermediário - testei e vi pouca diferença.
2. Adicione a cera em flocos e revestimento com a mistura oleosa (leva segundos).
3. Derreta em banho-maria: coloque a latinha em panela com água quente (não use micro-ondas ou fogo direto!). A cera derrete entre 62-64°C - não precisa ferver a água. Uso uma colher metálica para mexer até obter consistência uniforme.

Dica
Como latinhas de alumínio são leves, passei a colocá-las dentro de outra lata mais pesada com um pouco de água para melhor transferência de calor.

Esta técnica equilibra custo, segurança e resultados profissionais. Com prática, você dominará a produção de pastéis sob medida para seu estilo artístico!

Métodos de Moldagem para Pastéis Caseiros
1. Moldes
● Molde de silicone para chocolates: Produz pastéis grandes no formato de barras.
● Canudos de boba (1cm de diâmetro): Meu método mais recente para pastéis finos.

Preparação do Molde de Canudo
1. Vedo uma extremidade com Blu Tack (massinha adesiva)
2. Adiciono uma pequena quantidade de óleo mineral no canudo, giro para cobrir as paredes e despejo o excesso (age como desmoldante)
3. Utilizo um suporte para manter o canudo na vertical durante o enchimento

Processo de envazamento
● Para moldes grandes: Despejo diretamente com facilidade
● Para canudos: Uso um funil de papel com abertura larga para evitar derramamentos

Dicas de Segurança
● Remova a latinha quente do banho-maria com luva de forno (ou segure com cuidado se estiver fria o suficiente)
● Despeje lentamente e complete em etapas - a cera afunda no centro durante a solidificação
● Para evitar bolhas de ar: aperte levemente o canudo enquanto a cera ainda está fluida

Tempo de Solidificação
● Moldes grandes: Leve à geladeira ou aguarde algumas horas antes de desenformar
● Canudos: Puxe cuidadosamente o Blu Tack para remover o pastel (às vezes é necessário empurrar com um cabo fino)

Rendimento
● Cada canudo produz 3 pastéis (corte no tamanho padrão Sennelier e envolva em papel alumínio)
● Os pastéis podem ser usados imediatamente, mas atingem melhor consistência após endurecimento completo

Tempo e Proporções
● Todo o processo leva cerca de 20 minutos
● Para encher um canudo

1 colher de sopa de pigmento
1 colher de sopa de óleo
3 colheres (ligeiramente cheias) de cera ralada

Mistura de Cores
● Os pigmentos podem ser misturados secos ou úmidos (sem diferença na qualidade).
● Alguns pigmentos podem requerer ajustes na proporção.

Considerações Finais
1. Limpeza
● Limpe utensílios metálicos imediatamente com papel toalha e água quente
● Descarte canudos usados (a limpeza não compensa o esforço)
● Nunca reutilize os utensílios para fins culinários

2. Organização
● O processo é limpo se feito com método
● Recomendo área dedicada para evitar manchas de cera em superfícies

3. Sustentabilidade
● Latinhas de alumínio podem ser recicladas conforme regulamentos locais

Esta técnica comprovada produz pastéis de qualidade, mas incentivo experimentações para adaptar às suas preferências. O processo é mais simples do que muitos imaginam quando seguido corretamente!



II
FAZENDO GIZ PASTEL SECO

Formulações para Giz Pastel Seco: Uma Abordagem de Pesquisa

O giz pastel seco é um meio artístico caracterizado por sua intensidade cromática e textura única. Diferente dos pastéis oleosos, sua ligação é feita com um aglutinante aquoso, resultando em uma barra seca e quebradiça que se fixa no suporte principalmente por adesão física e para permanecer aderido ao suporte é necessário o uso do fixador. Este texto apresenta três formulações distintas para a produção artesanal de giz pastel seco, variando em complexidade e tipos de materiais, desde uma receita tradicional até uma opção simplificada. 
O objetivo principal é fornecer um conhecimento preliminar para experimentação, produção e compreensão dos materiais.

AVISO DE SEGURANÇA CRÍTICO 
• A inalação de poeiras de pigmentos e cargas minerais é extremamente perigosa para a saúde respiratória. 
• Muitos pigmentos, especialmente os de origem sintética e metálica (p.ex., Cádmio, Chumbo, Cobalto), são tóxicos por inalação ou absorção cutânea.
• Sempre utilize um respirador (máscara) apropriado para poeiras finas (classificação N95/P2 ou superior).
• Trabalhe em uma área bem ventilada, preferencialmente com exaustor ou capela.
• Use luvas de nitrila e óculos de proteção.
• Mantenha os materiais longe de crianças e animais.
• Considere utilizar pigmentos não-tóxicos (ex: terras naturais, óxidos de ferro) para experimentação inicial

Receita 1
Formulação Tradicional com Goma Tragacanto

Esta é a receita clássica, utilizada por séculos, que produz pastéis de alta qualidade com uma ligação forte e flexível.

Ingredientes
Pigmentos em pó: De sua escolha (iniciar com pigmentos não-tóxicos).
Carga/Branco de Espanha: Precipitatedo de carbonato de Cálcio (PCC) ou Gesso de Paris (Sulfato de Cálcio Hemidratado) peneirado. O PCC é mais comum e menos abrasivo.
Agente Ligante: Goma Tragacanto em pó.
Água Destilada.

Proporções (em peso)
Solução de Goma Tragacanto a 2%
Dissolver 2g de goma em pó em 100ml de água destilada. Deixe hidratar por várias horas (ou durante a noite), mexendo ocasionalmente até formar um gel viscoso. Coe se necessário. 
Já usei o cacto ou tuna bastante comum no Rio Grande do Sul (Opuntia sp.), mas não saberia comparar com o giz pastel seco feito com goma Tragacanto. 

Mistura Seca
A proporção base é 2 partes de pigmento : 1 parte de carga. Para pigmentos muito fortes, use mais carga (até 1:4); para pigmentos fracos, use menos carga (até 4:1). Exemplo: Para 30g de mistura seca (20g de pigmento + 10g de carga).

Método
1. Pese e misture completamente os pós secos (pigmento e carga) usando máscara e luvas.

2. Adicione a solução de goma tragacanto gota a gota à mistura seca, amassando com uma espátula ou os dedos (com luvas). A meta é obter uma consistência de "massa de modelar" úmida, que mantenha a forma quando pressionada, sem exsudar água. Evite adicionar líquido em excesso.

3. Una a massa e comece a rolar no formato de um cilindro sobre uma superfície lisa, ou prensando-a em uma fôrma.

4. Deixe secar à temperatura ambiente, sobre papel absorvente, por vários dias. A secagem lenta evita rachaduras.

Vantagens
Ligação forte e elástica, tradição histórica, resultado profissional. 

Desvantagens
A goma tragacanto é propensa a mofo (bem como a goma de tuna) se não conservada corretamente; preparação demorada.

Produzindo tinta com “tuna” (cacto nopal) Opuntia sp.
Quando eu era pequeno meus avós que moravam no interior, pintavam usando uma tinta que eles mesmo faziam, cujos ingredientes eram cal, sal e tuna para fazer a tinta branca.  Picavam a tuna em pedaços bem pequenos e finos e colocavam num tonel com água e deixavam descansar por 24 horas, depois coavam essa mistura e acrescentavam sal e depois o cal (hidróxido de cálcio). Misturavam bem e usavam essa tinta para pintar a casa de branco. Pode-se adicionar um corante para fazer outras cores.  Baseado nisso, usei essa musculagem-gwl-goma, para fazer o pastel seco (seguindo a receita com goma tragacanto). 



Receita 2
Formulação Moderna com Metilcelulose

Esta receita utiliza um aglutinante sintético derivado da celulose, mais estável, menos propenso a mofo e de preparação mais fácil e consistente.

Ingredientes
Pigmentos em pó: De sua escolha.
Carga: Precipitado de carbonato de cálcio (PCC).
Agente Ligante: Metilcelulose (ex: Methocel™ TM 300, Walocel™ MT 4000), grau para conservação/arte.
Água Destilada.

Proporções (em peso)
Solução de Metilcelulose a 3%.
Polvilhe 3g de metilcelulose sobre 100ml de água quente (c. 80°C). Bata vigorosamente com um fouet. Deixe esfriar e hidratar por algumas horas até formar um gel transparente e espesso.

Mistura Seca
A mesma lógica da Receita 1 (ex.: 2:1, pigmento:carga).

Método
O método de mistura, modelagem e secagem é idêntico ao descrito na Receita 1. A metilcelulose se comporta de maneira muito similar ao gel de tragacanto.

Vantagens
Maior estabilidade, não fermenta, mais fácil de encontrar e preparar, consistência de lote para lote. 
Desvantagens
Menor "tradição" na fabricação de belas artes em comparação com a goma tragacanto.

Receita 3
Formulação Simplificada com Amido (Para Estudo ou Educação)

Esta receita é ideal para fins educacionais, workshops ou para artistas que desejam experimentar com baixo custo e toxicidade mínima. Os pastéis resultantes serão mais frágeis.

Ingredientes
Pigmentos em pó não-tóxicos (ex.: terras naturais, ocre, carvão vegetal moído).
Carga: Gesso de Paris ou Caulim (Argila China).
Agente Ligante: Amido de milho (Maizena) ou pasta de farinha de trigo.
Água.

Proporções 
(Volume aproximado para experimentação)

Pasta de Amido: Cozinhe 1 parte de amido de milho com 10 partes de água até formar um gel transparente e espesso. Deixe esfriar completamente.
Mistura Seca: 1 parte de pigmento : 1 parte de carga.

Método
1. Misture os pós secos.
2. Adicione a pasta de amido fria gradualmente até obter a consistência de massinha.
3. Modele e seque como nas receitas anteriores. O tempo de secagem pode ser maior devido à natureza hidrofílica do amido.

Vantagens
Materiais baratos, não-tóxicos e facilmente accessíveis. 

Desvantagens
Pastéis muito mais frágeis, menor intensidade cromática, susceptível à degradação biológica (bolor) se não totalmente seco.


ALGUMAS QUESTÕES FREQUENTES

Como começar a desenhar com giz pastel passo a passo?
Comece com um esboço leve, aplique as cores claras primeiro e aumente a intensidade gradualmente. Misture com cuidado para suavizar as bordas e criar profundidade. 

Qual é o melhor papel para desenhar com giz pastel passo a passo?
Escolha um papel texturizado e com gramatura adequada para suportar várias camadas de pastel sem desgastar. 

É necessário usar fixador em todo desenho a pastel?
Sim, o fixador ajuda a preservar as cores e evita que o pastel manche ou borre. 

Como evitar que meu desenho a pastel fique sujo?
Trabalhe sempre com as mãos limpas e aplique o fixador corretamente. Guarde suas obras entre papéis sem ácido. 

Posso desenhar com giz pastel passo a passo sem experiência prévia?
Sim, os pastéis são ideais para iniciantes pela facilidade de uso e possibilidade de correções. 

Quais são os erros mais comuns ao desenhar com pastel?
Aplicar pressão excessiva, não usar uma variedade de cores e esquecer a importância da mistura são erros frequentes. 

Como deixar as cores do meu desenho a pastel mais vibrantes?
Use cores primárias puras e trabalhe em camadas, aplicando tons escuros sobre os claros. 

Onde posso aprender mais técnicas de desenho com giz pastel passo a passo?
Busque oficinas online, tutoriais em vídeo e livros dedicados à técnica do pastel. 

O que fazer se meu desenho a pastel não ficar como esperado?
Não tenha medo de sobrepor mais camadas ou usar um apagador macio para ajustar cores e formas. 

Quanto tempo leva para dominar o desenho com giz pastel?
Depende da frequência da prática, mas com dedicação regular, você verá melhorias significativas em pouco tempo. 



Fontes

1. Mayer, R. The Artist’s Handbook of Materials and Techniques; Discussão sobre aglutinantes e técnicas para pastéis. 

2. Borges, R. Manual de Técnicas de Pintura. Aborda receitas artesanais para materiais artísticos. 

3. Fóruns de arte como WetCanvas e ArtistsNetwork têm discussões sobre fabricação caseira de pastéis.

4. Mayer, R. (1991). The Artist's Handbook of Materials and Techniques (5th ed.). Viking Adult.
(Capítulo sobre "Pastel", descrevendo materiais, técnicas e formulações históricas, incluindo o uso de goma tragacanto).

5. Gottsegen, M. D. (2006). The Painter's Handbook: A Complete Reference. Watson-Guptill.
(Manual técnico abrangente que inclui seções detalhadas sobre a fabricação de pastéis, propriedades de pigmentos e receitas com diversos aglutinantes, incluindo metilcelulose).

6. Fitzpatrick, J. (Fabricante de Pastéis). Making Pastels. The Art of the Pastel.
(Site educativo de um fabricante profissional de pastéis, contendo tutoriais e discussões técnicas sobre proporções, aglutinantes e processamento. Disponível em: URL fictícia para fins de exemplo: www.artofthepastel.com/making 
Nota: Esta é uma referência do tipo "fonte primária" de um praticante experiente).

4. do Campo, A. (2020). The Ultimate Guide to Natural Pigments. (Livro independente/Recurso online).
(Recurso focado na utilização segura e no processamento de pigmentos naturais, incluindo aplicações em meios secos como pastel).

























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PESQUISADORES DESCOBREM A ORIGEM DA BATATA


LA PAPA
A BATATA


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PAPALISA
OUTRA BATATA ANDINA IMPORTANTE
ILLUCUS TUBEROSUS CALDAS, 1809


As cores das batatas illuco (1)
Ullucus é um género monotípico de plantas com flor pertencente à família Basellaceae, nativo da região andina da América do Sul. A única espécie validamente descrita é Ullucus tuberosus, conhecida pelo nome comum de oluco ou uluco, cultivada para produção de tubérculos ricos em amido e secundariamente como hortaliça, sendo uma das colheitas de raiz mais extensa e economicamente importantes na região andina da América do Sul, perdendo somente para a batata.

Illucus tuberosidade Caldas, 1809.

Día Nacional de la Papa: Perú tiene más de 3,500 variedades de este cultivo andino.
(Título de uma matéria de um jornal peruano que não lembro o nome).



ORIGEM DA BATATA ANDINA
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Tomate para batata? “To-mah-to” para “po-tah-to”? Acontece que podemos agradecer ao tomate pela nossa amada batata.

Um novo estudo, publicado na revista Cell, rastreou as origens genéticas da batata moderna. Os resultados mostram que um cruzamento entre um parente antigo do tomate e outra planta há oito ou nove milhões de anos deu origem à primeira batata. Esse "romance" vegetal resultou em uma combinação genética que produziu um tubérculo grosso e rico em amido, o nascimento do icônico alimento que todos conhecemos e amamos. 



(Como a batata passou de proibida a amada.)


Como os pesquisadores rastrearam a linhagem da batata 

Mais do que apenas um ingrediente delicioso em nossas refeições favoritas, a batata é a terceira cultura básica mais importante do mundo. Ela pode ser cultivada plantando parte de um tubérculo no solo, que cresce em uma nova planta, um clone da original, que pode acumular mutações ruins ao longo do tempo. 

A batata como a conhecemos hoje contém muitas mutações que podem torná-la mais frágil. “Gostaríamos de eliminá-las”, diz Sanwen Huang, biólogo de genomas do Instituto de Genômica Agrícola de Shenzhen, na China, que participou do estudo. Ele está em uma missão para desenvolver um novo híbrido de batata, com menos mutações prejudiciais e que também possa ser cultivada a partir de sementes — ao contrário das batatas modernas, que não podem. 

Se mais batatas fossem cultivadas a partir de sementes, os cientistas poderiam eliminar as mutações ruins, assim como os riscos de doenças às quais os clones são propensos. Afinal, ninguém quer outra Grande Fome da Batata na Irlanda. 

(Conheça o Lumper: a nova batata antiga da Irlanda.)

As batatas pertencem ao gênero “Solanum”, o mesmo que inclui tomates, berinjelas e pimentões, entre outros. É “um dos gêneros de plantas floríferas com mais de 1.000 espécies”, explica Sandra Knapp, taxonomista de plantas do Museu de História Natural de Londres, que participou do estudo. 

Knapp está interessada em descobrir as relações entre as plantas do gênero, então ela se uniu a Huang. “Ele está interessado em batatas. Nós estamos interessados em Solanum”, diz Knapp. “Percebemos que havia algo interessante aqui.” 

Usando sequências completas do genoma, Knapp e seus colegas construíram uma árvore genealógica com seis espécies de batata e a compararam com outras 21 espécies de Solanum. Eles também analisaram outros 128 genomas para determinar o quão próximas as espécies de batata estão das demais. 

Eles descobriram que as batatas estão relacionadas tanto ao grupo do tomate quanto a outro grupo de plantas chamado Etubersoum. “É uma linhagem pequena, com apenas três espécies”, diz Knapp.

Acima do solo, as plantas do grupo Etubersoum se parecem com batatas, mas, ao contrário das batatas modernas, as espécies antigas e modernas de Etubersoum e tomates não conseguem formar tubérculos. 

Mas quando aquele tomate antigo e um Etubersoum se cruzaram há milhões de anos, formou-se um grupo híbrido chamado “Petota”. Esse novo grupo deu origem ao tubérculo. 


A ciência das batatas

Mas, se o tomate antigo e o Etubersoum não produziam tubérculos saborosos, por que o Petota conseguiu? Os cientistas descobriram que o novo grupo herdou uma mistura de genes dos dois grupos de plantas antigos, resultando em uma batata resistente. Por exemplo, o tomate contribuiu com o gene SP6A, que ativa a tuberização (sim, esse é o termo técnico). Já o Etubersoum trouxe o IT1, que controla o crescimento do tubérculo. 

Essa mistura genética aconteceu na hora certa. Knapp observa que o grupo do tomate geralmente prefere condições quentes e secas, enquanto o Etubersoum gosta de ambientes frios e úmidos. Porém, há cerca de 10 milhões de anos, a Cordilheira dos Andes começou a se elevar na costa oeste da América do Sul. 

As novas altitudes ofereceram condições frias, mas também secas. Os tubérculos armazenadores de energia do Petota “permitiram que essas novas plantas se expandissem para esses novos ambientes nos altos Andes”, explica Knapp. 


O futuro das batatas

Muitas vezes, a hibridização não tem um resultado positivo, observa James Mallet, biólogo evolutivo da Universidade de Harvard, que não participou do estudo. 

“Não é bom bagunçar seus genes dessa forma”, diz ele. Mas “ocasionalmente, surgem combinações estranhas de genes que não poderiam ter evoluído dentro de cada linhagem, é como se você estivesse sacudindo os dados novamente.” Essas novas combinações podem fazer uma grande diferença se houver novos habitats para colonizar, possibilitando o surgimento de novas espécies. 

E surgiram, de fato. Hoje, existem 107 espécies selvagens de batata. 

Ole Seehausen, ecólogo evolutivo da Universidade de Berna, na Suíça, afirma que este estudo é o primeiro a mostrar que uma invenção evolutiva crucial, o tubérculo, foi produzida pela hibridização de duas espécies. Ele observa que os próprios tubérculos podem ter ajudado as batatas a prosperar após essa “sacudida” genética. 

Reproduzir-se apenas por tubérculos tem suas desvantagens em relação a doenças. Mas também significa que o novo Petota não precisava imediatamente de acasalamento para transmitir seu novo emaranhado genético. A capacidade de se clonar “permite que linhagens híbridas que... realmente não conseguem se reproduzir sexualmente ainda sobrevivam”, observa ele, até que possam recuperar a fertilidade. 

Huang espera usar os novos conhecimentos sobre o caminho “do tomate à batata” para, potencialmente, criar plantas de batata mais saudáveis. Ele poderia usar o tomateiro como uma plataforma para novos genes e reintroduzi-los na batata, já que “o tomate está essencialmente livre de mutações prejudiciais”. 

No final, ele espera desenvolver sementes de batata, uma hibridização impulsionada pelo homem para ajudar nossas batatas fritas a se livrarem de mutações nocivas.




Fonte











ANATOMIA DE SUPERFÍCIE E DO MOVIMENTO

ANATOMIA DE SUPERFÍCIE 
ANATOMIA DO MOVIMENTO
E MORFOLOGIA 



























A Importância da Fotografia para o Desenho Artístico e para o Estudo da Anatomia


A fotografia desempenha um papel fundamental tanto no desenho artístico quanto no estudo da anatomia humana, servindo como uma ferramenta essencial para artistas, ilustradores e estudantes de arte. Desde sua invenção, a fotografia revolucionou a maneira como os artistas captam referências, estudam formas e superfícies e aprimoram suas técnicas de desenho e representação. 

1. A fotografia como referência para o desenho artístico

A fotografia permite que os artistas congelem momentos, expressões e composições que seriam difíceis de capturar apenas pela observação direta. Segundo Berger (1972), em “Ways of Seeing”, (Modos de Ver) a fotografia democratizou o acesso a imagens, possibilitando que artistas estudem uma variedade de cenas, luzes e sombras sem depender exclusivamente de modelos ao vivo. 

John Berger (1972)
Neste ensaio clássico baseado na série televisiva inglesa Modos de ver, exibida em 1972, John Berger revoluciona a crítica de arte ao apontar as estruturas de poder presentes no processo de criação de imagens. Se hoje, cinquenta anos após a escrita deste livro, ainda é preciso reforçar que “uma imagem é a recriação ou a reprodução de uma visão” ou, como afirma Djaimilia Pereira de Almeida em seu prefácio, que devemos encarar “a visão enquanto vivificação e a observação da arte como paralela à observação da vida”, a leitura de Berger, essencial em tempos de propagandas por toda parte, se faz mais urgente do que nunca.
O primeiro texto parte da pintura a óleo, técnica consagrada pela arte europeia. Após a reprodutibilidade técnica (muito bem tratada por Walter Benjamin), tornou-se possível ver trabalhos a óleo fora dos castelos, igrejas e residências privadas a que se destinaram um dia, e, isolados de seu contexto original, eles circulam pelo mundo sem serem de fato compreendidos. Quando se instituiu que eram obras de arte, esses trabalhos passaram a ser interpretados, e mistificados segundo pressupostos como beleza, verdade e genialidade, os quais eram ditados pelo modo de ver específico de uma minoria social no poder.
Em outro ensaio, John Berger aborda a representação da mulher na arte ocidental, apreendendo de que maneiras na tradição do nu o corpo feminino se tornou objeto a serviço do olhar masculino. Com perspicácia, o autor afirma que o protagonista de um nu jamais é mostrado: ele é o espectador diante do quadro, para quem as “figuras assumem a sua nudação”. Berger esmiuça, ainda, as naturezas-mortas, que em seu auge expunham objetos extorquidos por feitorias escravocratas. E não se priva de olhar para o impacto da publicidade no século XX, expondo como ela se vale da tradição artística para explorar os impulsos consumistas de quem a observa e para quem é direcionada. Modos de ver de J. Berger é um tratado contra o sequestro do olhar pela imagem na sociedade capitalista contemporânea e um alerta para a linguagem não verbal. (1)


John Berger

Além disso, a fotografia digital e os softwares de edição, como o Photoshop, e os diferentes Aplicativos para celulares e Tablets, permitem ajustes de contraste, saturação e enquadramento, auxiliando na análise de valores tonais e estruturas composicionais (modif. de Hogarth, 1996, “Dynamic Light and Shade”). 

2. A fotografia no estudo da anatomia artística

Para o estudo da anatomia humana, a fotografia é uma ferramenta valiosa, pois possibilita o registro detalhado de músculos, proporções e movimentos. Artistas como George Bridgman, em “Bridgman's Complete Guide to Drawing from Life” (1952)(3), destacam a importância de usar fotografias para complementar os estudos de anatomia, especialmente quando o acesso a modelos vivos é limitado. 

George Bridgman, em “Bridgman's Complete Guide to Drawing from Life” (1952)

George Bridgman, (1952)

Fotografias de cadáveres em livros de anatomia, como os de Frank H. Netter (“Atlas of Human Anatomy”)(4), também são amplamente utilizadas por artistas para entender a estrutura óssea e muscular com precisão. A combinação entre fotografia e desenho permite uma análise mais profunda das formas tridimensionais do corpo humano. 

Frank H. Netter (“Atlas of Human Anatomy”)

3. Vantagens e Limitações

Embora a fotografia seja uma ferramenta poderosa, alguns artistas, como Andrew Loomis (“Figure Drawing for All It's Worth”, 1943) (5), alertam para o risco de dependência excessiva de referências fotográficas, pois elas podem distorcer perspectivas e achatam a percepção de volume. Portanto, é recomendável equilibrar o uso de fotografias com o desenho de observação ao vivo. 

Andrew Loomis (“Figure Drawing for All It's Worth”, 1943)

A fotografia é um recurso indispensável para o desenho artístico o estudo morfologia, e da anatomia, oferecendo praticidade, precisão e um vasto acervo de referências. No entanto, seu uso deve ser complementar ao treino tradicional, garantindo que o artista desenvolva não apenas técnica, mas também sensibilidade para capturar a essência da forma humana. 

Tentei destacar como a fotografia se tornou uma aliada essencial para artistas, proporcionando recursos valiosos para o aprimoramento técnico e anatômico no desenho, seus prós e contras, e seu papel essencial no aprimoramento da habilidade de representar o corpo em sua superfície e em movimento.


Fontes

BERGER, John. Ways of Seeing. BBC e Penguin Books, 1972. 
BRIDGMAN, George. Bridgman's Complete Guide to Drawing from Life. Sterling Publishing, 1952. 
HOGARTH, Burne. Dynamic Light and Shade. Watson-Guptill, 1996. 
LOOMIS, Andrew. Figure Drawing for All It's Worth. Viking Press, 1943. 
NETTER, Frank H. Atlas of Human Anatomy. Elsevier, 1989. 








Andrew Loomis (“Figure Drawing for All It's Worth”, 1943)

Andrew Loomis (1943)

Andrew Loomis (1943)

Andrew Loomis (1943)

George Bridgman, (1952)

George Bridgman, “Bridgman's Complete Guide to Drawing from Life” (1952)

George Bridgman, (1952)

George Bridgman, (1952)

George Bridgman, (1952)

George Bridgman, (1952)

George Bridgman, (1952)

George Bridgman, (1952)

George Bridgman, (1952)

George Bridgman, (1952)


George Bridgman, (1952)

George Bridgman, (1952)



FOTOGRAFIA COMO REFERÊNCIA 














MOVIMENTO














Escorço

O que é Escorço?

Escorço é uma técnica de desenho e pintura que representa um objeto ou figura encurtado pela perspectiva, criando a ilusão de profundidade e tridimensionalidade. Ele ocorre quando um elemento está alinhado diretamente na linha de visão do observador, fazendo com que certas partes pareçam mais curtas do que realmente são. 

Características do Escorço

1. Distorção Proporcional: Partes do corpo (como braços ou pernas) ou objetos (como espadas ou edifícios) parecem mais compactos quando apontam em direção ao observador. 
2. Uso da Perspectiva: Segue as regras da perspectiva linear, onde formas se estreitam conforme se afastam. 
3. Dinamismo: Muito usado em cenas de ação, poses dramáticas e composições intensas para transmitir movimento. 

Exemplos Clássicos

- Mãos e pés estendidos em direção ao espectador (ex.: A Criação de Adão, de Michelangelo). 

- Soldados em batalha com lanças apontando para frente (ex.: pinturas renascentistas). 

- Personagens em voo ou mergulho, onde o corpo parece mais curto devido ao ângulo. 

Dificuldades Comuns

- Erros de Proporção: Sem estudo anatômico, o escorço pode parecer desproporcional (ex.: uma mão muito pequena em relação ao braço). 

- Falta de Volume: Se mal executado, a figura pode parecer achatada. 

Como Aprender?

- Estude perspectiva (livros como “Perspective Made Easy”, de Ernest Norling). 
- Pratique desenhando de modelos reais ou fotos em ângulos extremos. 
- Use formas geométricas básicas (cilindros, esferas) para entender como se deformam na perspectiva. 

O escorço é essencial para artistas que buscam realismo e impacto visual em suas obras!

























As imperfeições da IA


























































































































































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