INÍCIO

17 dezembro 2020

A IMAGEM DE UMA MENSAGEM - ANTÍFONAS DO Ó

ANTÍFONAS DO Ó 
OU 
ANTÍFONAS MAIORES
ÉPOCA DE NATAL 

FELIZ NATAL E BOAS FESTAS A TODOS! 



Simone Martini. A Anunciação, 1333.

Uma antífona (refrão), do grego medieval ἀντίφωνα, antíphōna (resposta) é um, salmo, um hino ou uma oração cantada em partes alternativas, ou um verso ou uma série de versos cantados como prelúdio ou conclusão de alguma parte de um culto.

Fra Angelico. A Anunciação, 1442.

A palavra antífona vem do grego medieval: ἀντίφωνα, antíphōna, por derivação do adjetivo ἀντίφωνος, antíphōnos, os, on: que responde, que acompanha, formado por ἀντί, antí, contra, em resposta + φωνή, phōnḗ, som, para o latim eclesiástico antiphōna, antiphōnae.

As Antífonas do O (também conhecidas como Grandes Antífonas ou antífonas maiores do Advento ou Grandes Os) são antífonas do Magnificat usadas nas Vésperas nos últimos sete dias do Advento nas tradições cristãs ocidentais. 

Evidencia da antiguidade das Antífonas de Ó

As antífonas de Ó, foram produzidas muito provavelmente na Itália e datam do século VI ou VII AD, quando Boécio (Boethius) se refere a elas em seus obra: “The Consolation of Philosophy”.

Como Boécio viveu de 480 a 524 AD, e o texto das antífonas já existiam quando ele escreveu A Consolação da Filosofia, pode-se presumir que devam ser bem mais antigas, talvez do século IV ou mesmo anterior.

Posteriormente, as antífonas se tornaram uma das principais características musicais dos dias que antecedem o Natal.

Michelangelo Merisi (ou Amerighi) conhecido como Caravaggio. A Anunciação. 1608. Óleo sobre tela. Michelangelo Merisi (ou Amerighi), conhecido como Caravaggio (Caravaggio, 29 de setembro de 1571 - Porto Ercole, 18 de julho de 1610), foi um dos mais notáveis pintores italianos, atuante em Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. Seu trabalho exerceu influência importante no estilo barroco, estilo do qual foi o primeiro grande representante. Caravaggio era o nome da aldeia natal da sua família e foi escolhido como seu nome artístico. (WPCaravaggio é o expoente inicial do barroco e as motivações e especificidades desde movimento são completamente distintas do movimento artístico representado pelo renascimento. Ao observarmos essa obra de Caravaggio e compará-la com obras do mesmo tema do renascimento, notamos que a transição da luz, da linha reta que no barroco se curva, da composição ligeiramente caótica e escura e da humanização do sagrado. Maria na obra de Caravaggio é apenas uma mulher como todas as outras, que se curva diante da presença de um anjo, do sagrado; e o sagrado esta descolado do mundo natural sendo representado por um halo de obscuridade. As figuras não são nem sequer representados na mesma linha: o anjo (sobrenatural e divido) está acima, Maria (humana) está abaixo.

***

O texto dessa antífona (Antífonas do Ó) também é conhecido no mundo de língua inglesa em sua forma parafraseada no hino “O Come, O Come, Emmanuel” (Veni, Veni, Emmanuel). A seguir esse hino latino em diversas execuções. Observe como sua estrutura é semelhante à estrutura das antífonas do Ó.




Veni veni, Emmanuel
Boécio (Boethius)

Anicius Manlius Severinus Boethius, comumente conhecido como Boethius, latim: Boetius; c. 480–524 DC), foi um senador romano, cônsul, Magister Officiorum, historiador e filósofo do início Idade Média. Ele foi uma figura central na tradução dos clássicos gregos para o latim, um precursor do movimento escolástico e, junto com Cassiodoro, um dos dois principais estudiosos cristãos do século VI. O culto local de Boécio na Diocese de Pavia foi sancionado pela Sagrada Congregação dos Ritos em 1883, confirmando o costume da diocese de homenageá-lo no dia 23 de outubro. Boécio nasceu em Roma alguns anos após o colapso do Império Romano do Ocidente. Membro da família Anicii, ele ficou órfão após o declínio repentino da família e foi criado por Quintus Aurelius Memmius Symmachus, um cônsul romano. Depois de aprender e dominar o latim e o grego na juventude, Boécio ganhou destaque como estadista durante o Reinado Ostrogótico, tornando-se senador aos 25 anos, cônsul aos 33 e mais tarde escolhido como conselheiro pessoal de Teodorico, o Grande.
Ao tentar conciliar os ensinamentos de Platão e Aristóteles com a teologia cristã, Boécio procurou traduzir a totalidade dos clássicos gregos para estudiosos ocidentais. Ele publicou numerosas transcrições e comentários das obras de Nicômaco, Porfírio e Cícero, entre outros, e escreveu extensivamente sobre assuntos relacionados à música, matemática e teologia. Embora suas traduções tenham ficado inacabadas após uma morte prematura, é em grande parte devido a elas que as obras de Aristóteles sobreviveram até o Renascimento.

Apesar de seus sucessos como alto funcionário, Boécio tornou-se profundamente impopular entre os membros da corte ostrogótica por denunciar a extensa corrupção prevalente entre membros do governo. Depois de defender publicamente o colega cônsul Caecina Albinus das acusações de conspiração, ele foi preso por Teodorico por volta do ano 523. Enquanto estava preso e sofrendo de depressão, Boécio escreveu “The Consolation of Philosophy”, “Consolação da Filosofia”, um tratado filosófico sobre fortuna (sorte), morte e outras questões, que se tornou uma das obras mais influentes e amplamente reproduzidas do início da Idade Média. Ele foi torturado e executado em 524, tornando-se um mártir da fé cristã pela tradição ocidental. 

***

As chamadas «Antífonas do Ó» são as sete antífonas que se cantam antes do Magnificat de Vésperas, nos dias 17 a 23 de Dezembro, em que se prepara mais diretamente a festa do Natal do Senhor Jesus Cristo. 

As Antífonas do Ó começam todas, como diz seu nome, com a interjeição “Ó”, designativa de alegria, dor, admiração, espanto (em latim, “O” sem acento): 

“Ó Sabedoria do Altíssimo, que tudo governais com firmeza e suavidade…”, 
“Ó Chefe da Casa de Israel, que no Sinai destes a Lei a Moisés…”, 
“Ó Rebento da raiz de Jessé, sinal erguido diante dos povos…”, 
“Ó Chave da Casa de David, que abris e ninguém pode fechar…”, 
“Ó Sol nascente, esplendor da Luz eterna e sol de justiça…”, 
“Ó Rei das nações e Pedra angular da Igreja…”, 
“Ó Emanuel, nosso rei e legislador…”. 

Em latim, as iniciais das primeiras palavras (Sapientia, Adonai, Radiz Iesse, Clavis, Oriens, Rex gentium, Emmanuel), lidas ao contrário, dão origem ao acróstico “Ero cras”, que significa “serei amanhã, estarei, virei amanhã”, jogo de palavras que  na Idade Média era muito apreciava e que alguém não tardou a interpretar como uma misteriosa resposta do Messias, assegurando a sua vinda. 

A origem destas antífonas deve ser Roma, nos séculos VII-VIII, mas, a partir da época carolíngia, na Gália, espalharam-se por todas as nações. O seu conteúdo, tomado dos profetas, sobretudo de Isaías, pode dizer-se que é a síntese da espera messiânica do AT e da espiritualidade do Advento atual. Dirigem-se ao próprio Messias, designando-o com títulos bíblicos e terminando sempre numa oração ou grito de ternura: “vinde”, pedindo-lhe que venha de novo à nossa história. 

Relativas a estas antífonas, chegou até nós uma formosa melodia gregoriana, assim como, presentemente, nas várias línguas vernáculas, há diversas musicalizações polifónicas. Desta forma, além de serem cantadas antes do Magnificat, também se dizem ou se cantam como aclamação, antes do Evangelho na Eucaristia destes mesmos dias (de 17 a 23 de Dezembro), ajudando assim, com a sua música e o seu rico conteúdo messiânico, para uma preparação do Natal, mais consciente e profunda (liturgia). 

Fra Angelico (1437 – 1446), técnica: Afresco, dimensões: 312,5 cm x 230 cm, Museu do Prado (Madrid, Espanha). (Giovanni da Fiesole, nascido Guido di Pietro Trosini, conhecido como Fra Angelico, 1387 -1455).





As Antífonas do Ó ou Antífonas Maiores são sete

Ó Sapientia – Ó Sabedoria
Ó Adonai – Ó Senhor
Ó Radix Jesse – Ó Raiz de Jessé
Ó Clavis David – Ó Chave de Davi
Ó Oriens – Ó Oriente (Ó Sol nascente)
Ó Rex gentium – Ó Rei das nações
Ó Emmanuel – Ó Emmanuel

The Madonna of Expectation. 
Antonio Veneziano.

ANTÍFONAS



Antífona do Ó
 (em português)



ANTÍFONAS DO Ó 

A primeira estrofe está escrita em latim 
e abaixo está a tradução para o português. 


I
Die 17 Decembris 

O Sapientia
quæ ex ore Altissimi prodistii,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviter disponens omnia:
Veni ad docendum nos viam prudentiæ.

Dia 17/XII

Ó Sabedoria
que saístes da boca do altíssimo e
atingido os confins de todo o universo
e tudo dispondo com força e suavidade:
Óh Vinde ensinar-nos o caminho da prudência! 


 





II
Die 18 Decembris 

O Adonai
et Dux domus Israel,
qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti
et ei in Sina legem dedisti:
Veni ad redimendum nos in brachio extento. 

Dia 18/XII 

Ó Adonai
guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moisés na chama do fogo
no meio da sarça ardente e lhe deste a lei no Sinai
Ó Vinde resgatar-nos pelo poder do Vosso braço. 









III
Die 19 Decembris 

O Radix Jesse
qui stas in signum populorum,
super quem continebunt reges os suum,
quem gentes deprecabuntur:
Veni ad liberandum nos;
jam noli tardare. 

Dia 19/XII 

Ó Raiz de Jessé
erguida como estandarte dos povos,
em cuja presença os reis se calarão
e a quem as nações invocarão,
Vinde libertar-nos; não tardeis jamais. 






IV
Die 20 Decembris 

O Clavis David
et sceptrum domus Israel:
qui aperis, et nemo claudit;
claudis et nemo aperit:
Veni, et educ vinctum de domo carceris,
sedentem in tenebris et umbra mortis. 

Dia 20 de dezembro 

Ó Chave de Davi
o cetro da casa de Israel
que abris e ninguém fecha;
fechais e ninguém abre:
Vinde e libertai da prisão o cativo
assentado nas trevas e à sombra da morte. 






V
Die 21 Decembris 

O Oriens
splendor lucis æternæ, et sol justitiæ
Veni et illumina sedentes in tenebris
et umbra mortis. 

21 de dezembro 

Ó Oriente ( Oh Sol nascente)
esplendor da luz eterna e sol da justiça
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte. 





VI
Die 22 Decembris 

O Rex gentium
et desideratus earum
lapisque angularis,
qui facis utraque unum:
Veni et salva hominem quem de limo formasti. 

Dia 22 de desembro

Ó Rei das nações
Desejado por todos, (desejado dos povos)
Ó pedra angular
que os opostos unis:
Vinde e salvai o homem que do limo formastes. 






VII
Die 23 Decembris 

O Emmanuel,
Rex et legifer noster,
exspectatio gentium, et Salvator earum:
Veni ad salvandum nos,
Domine Deus noster.
Amen 

Dia 23 de dezembro 

Ó Emanuel,
nosso rei e legislador,
esperança e salvador das nações,
Vinde salvar-nos,
Senhor nosso Deus.
Amém




Leonardo da Vinci, A Anunciação, (L’annunciazione) (1472-1475).
 Técnica: pintura a óleo sobre painel de madeira 
Dimensões: 98,4 cm × 217 cm 
Galleria degli Uffizi, Florença, Itália.

Leia tambem: "O cantar da esperança pelas Antífonas do Ó, nesse endereço: ihu

De 17 a 23 de dezembro, durante a semana que precede o Natal, as sete antífonas que acompanham o cântico do Magnificat nas Vésperas da Liturgia das Horas, são composições poéticas que formam uma série conhecida como as “antífonas maiores”, comumente chamadas de “antífonas do Ó”, porque todas elas iniciam com a exclamação e invocação “Ó” dirigida a Jesus Cristo.

Embora sua origem não seja muito clara, estas sete antífonas seguramente já eram conhecidas e utilizadas na época do Papa Gregório Magno, em torno dos anos 600.

As sete antífonas retomam títulos messiânicos do Antigo e do Novo Testamento. A sétima invocação, Ó Emmanuel, é uma invocação exclusivamente cristã, pois somente os seguidores de Jesus reconhecem-no como “Deus conosco”. Em seu conjunto elas constituem-se num compêndio de cristologia, fruto da teologia e da grande pesquisa e reflexão cristológica dos padres da Igreja nos primeiros séculos. Pode-se afirmar que elas são uma rica expressão do princípio "lex orandi, lex credendi": a Igreja celebra o que ela crê, refletindo sua fé no contexto litúrgico.

É possível observar uma estrutura comum a todas as sete antífonas:

1. Cada antífona começa com uma invocação endereçada ao Messias através de um título messiânico;
2. Este título é ilustrado com referência a alguns atributos do Messias ou a algum evento crucial na história da salvação;
3. A antífona culmina com a súplica “Vem...”, e segue explicitando ainda mais as razões da súplica (salvar, acudir, libertar, mostrar o caminho...).

Apresentamos a seguir os textos integrais das sete antífonas, em latim e traduzidos (conforme a Liturgia das Horas, versão brasileira), com a inserção de áudio de cada antífona em canto gregoriano.

Na sequência, incluímos a versão das “Antífonas do Ó” do Ofício Divino das Comunidades. Para o ofício da novena de Natal, na versão brasileira, Reginaldo Veloso acrescentou duas novas, inserindo as expressões “Mistério” e “Libertação”, para completar os dias da novena. Cristo é o “Mistério” escondido e agora manifestado para trazer a Boa Nova e “Libertação” aos oprimidos (Ef 1,9-10 e Gl 4,4-7 respectivamente).


O Come, O Come, Emmanuel 
(Medieval Advent Hymn)

https://youtu.be/tCAFXoL4N6M



Uma imagem de Maria, grávida, proveniente da República Checa.


REFLEXÕES PARA AS 
ANTÍFONAS MAIORES


Ó Sabedoria (Dia 17/12)

O Sapientia
quæ ex ore Altissimi prodistii,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviter disponens omnia:
Veni ad docendum nos viam prudentiæ.


ANTÍFONA 

“Ó Sabedoria que saístes da boca do Altíssimo, 
e atingis até os confins de todo o universo 
e com força e suavidade governais o mundo inteiro: 
Ó vinde ensinar-nos o caminho da prudência!” 


MEDITAÇÃO 

Cristo é força e sabedoria de Deus (1Cor 1,24). O profeta Isaías quando descreve os dons que o Espírito do Senhor concede ao Menino, ao Emanuel (Deus conosco), coloca em primeiro lugar o espírito de inteligência e sabedoria (Is 11,2). Quem é sábio age com prudência (1Rs 3,9.12). Na espera amorosa do nascimento, pedimos a Deus Pai que possamos descobrir, nos ensinamentos de seu Filho, a prudência como o dom de sua sabedoria infinita, a guiar-nos em nossas ações. 


Ó Adonai (Dia 18/12) 


O Adonai
et Dux domus Israel,
qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti
et ei in Sina legem dedisti:
Veni ad redimendum nos in brachio extento.


ANTÍFONA 

“Ó Adonai, guia da casa de Israel, 
que aparecestes a Moisés na sarça ardente 
e lhe destes vossa lei sobre o Sinai: 
Ó vinde salvar-nos com o braço poderoso!” 


MEDITAÇÃO

Adonai, isto é, Senhor, é o nome santo de Deus, o libertador (Ex 6,6; Dt 16,5-9). O salmo 130 proclama a esperança de quem confia na vinda do Senhor (5-8). Para os cristãos esta espera é uma realidade. O Senhor veio e ofereceu sua vida para o resgate de todos. Jesus, o Emanuel, o Deus conosco nos acompanha em todas as situações de nossa vida.


Ó Raiz de Jessé (Dia 19/12)

O Radix Jesse
qui stas in signum populorum,
super quem continebunt reges os suum,
quem gentes deprecabuntur:
Veni ad liberandum nos;
jam noli tardare.

ANTÍFONA


Ó Raiz de Jessé, ó estandarte, 
levantado em sinal para as nações! 
Ante vós se calarão os reis da terra, 
e as nações implorarão misericórdia: 
Ó Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora!”



MEDITAÇÃO

Segundo a promessa, o Messias pertenceria à dinastia de Davi, cujo tronco é Jessé (2Sam 7,5ss), o qual brotará (Is 11,1). O Menino Jesus, para cumprir a profecia, nasceu “em Belém da Judeia”, a cidade de Davi (Mt 2,5-6; Mq 5,1). Ele vem ao nosso encontro para nos salvar, libertando-nos sem demora.

Ó Chave de Davi (Dia 20/12)

O Clavis David
et sceptrum domus Israel:
qui aperis, et nemo claudit;
claudis et nemo aperit:
Veni, et educ vinctum de domo carceris,
sedentem in tenebris et umbra mortis.

ANTÍFONA

“Ó Chave de Davi, Cetro da casa de Israel,
que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre:
Ó vinde logo e libertai o homem prisioneiro,
que nas trevas e na sombra da morte, está sentado!”


MEDITAÇÃO

A chave é símbolo do poder com autoridade (Is 22, 22). O Messias, Jesus de Nazaré, recebeu do Pai todo o poder no céu e na terra (Mt 28,18; Ap 1,18); em suas mãos estão “as chaves do Reino” (Mt 16,19). Ele tem em suas mãos a “Chave de Davi” (Ap 3,7) e anuncia, ainda hoje, a liberdade aos cativos (Lc 4,18).


Ó Sol Nascente (Dia 21/12)

O Oriens
splendor lucis æternæ, et sol justitiæ
Veni et illumina sedentes in tenebris
et umbra mortis.


ANTÍFONA

“Ó Sol nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna:
Oh, vinde e iluminai os que jazem entre as trevas
e na sombra do pecado e da morte, estão sentados!”


MEDITAÇÃO

A profecia anunciou que Deus mesmo seria a Luz do seu povo (Is 60,19-20). E nós, hoje, vivendo em meio às trevas do mundo, da confusão de valores e ideais de nossa época, pedimos que o esplendor da luz, que irradia o Presépio, penetre na obscuridade do mundo, para que todos os homens e mulheres se beneficiem desse resplendor divino, que é Jesus Cristo. Sim, “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz!” (Is 9,1).


Ó Rei das Nações (Dia 22/12)

O Rex gentium
et desideratus earum
lapisque angularis,
qui facis utraque unum:
Veni et salva hominem quem de limo formasti.

ANTÍFONA

“Ó Rei das nações. Desejado dos povos;
Ó Pedra angular, que os opostos unis:
Ó, vinde e salvai esse homem tão frágil, 
que um dia criastes do barro da terra!”


MEDITAÇÃO

Os salmistas cantam frequentemente a realeza do Senhor (Salmos 24; 47; 96; 97; 98; 99); os profetas anunciam que o Menino será o “Príncipe da paz”, e estenderá seu poder assegurando a paz, porque seu reinado se consolidará no direito e na justiça (Is 9,1-6). Ele é o Rei que assumiu nossa fragilidade humana, elevando-a, fazendo-nos, pelo mistério de sua Encarnação, Morte e ressurreição, participantes de sua natureza divina! Assim, o Rei é, ao mesmo tempo, o bom Pastor!


Ó Emanuel (Dia 23/12)

O Emmanuel,
Rex et legifer noster,
exspectatio gentium, et Salvator earum:
Veni ad salvandum nos,
Domine Deus noster.
Amen 


ANTÍFONA

“Ó Emanuel: Deus conosco, nosso Rei Legislador,
Esperança das nações e dos povos Salvador;
Vinde, enfim, para salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus!”

AMÉM 



MEDITAÇÃO

“Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, (que traduzido significa): “Deus está conosco” (Mt 1,22-23; Is 7,14). O Menino, o Jesus de Nazaré, é a definitiva presença de Deus, que responde realmente ao nome de Deus-conosco. Ele é nossa Esperança e nossa Salvação!
Para concluir essa meditação, preparando-nos para o Natal do Senhor, retomo as palavras animadoras de Sua Santidade, o Papa Francisco: 

“Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído. Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada” (Evangelii Gaudium, 5).

***

Giovanni Bellini, A Anunciação, 1489. Técnica: Óleo sobre tela, dimensões: 225 x 212 cm, Gallerie dell’Accademia; Venezia, Itália. Giovanni Bellini era também chamado, em sua terra natal de Giambellino, (Venezia c. 1430 - 1510). 

As Antífonas do Ó são sete antífonas especiais, cantadas no tempo do advento, especialmente de 17 a 23 de dezembro antes e depois do Magnificat, na hora canônica das Vésperas. São assim chamadas porque tem início com esse vocativo e foram compostas entre o sec. VII e o sec. VIII, sendo um compêndio de cristologia da antiga Igreja Cristão, um resumo expressivo do desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento , como da Igreja no Novo textamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do Advento e do Natal. Expressam a admiração da igreja diante do mistério de Deus feito homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: “Vem, não tardes mais!”. 

Todas as sete antífonas são súplicas a Cristo, em cada dia, invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo testamento. 

A reforma litúrgica pós Vaticano II, ao introduzir o vernáculo na liturgia, não esqueceu os textos das Antífonas do Ó, veneráveis pela antiguidade e atribuídos por muitos ao papa Gregória Magno mais ou menos em 604 d.C.


O ACRÓSTICO: ERO CRAS

Uma observação atenta da primeira letra de cada um dos títulos citados nas sete antífonas, consideradas na sequência inversa, da última à primeira, permite identificar a formação de um acróstico, que resulta numa expressão bem significativa em resposta às invocações no contexto do advento: é a expressão ERO CRAS, que significa “serei amanhã” ou “virei amanhã”.
Enquanto os fiéis cantam a comunidade como um todo recebe a resposta no próprio canto. O canto assim se torna uma certeza da vinda do salvador para seus seguidores. 

A expressão “Ero cras”, só aparece com as iniciais das palavras depois da primeira letra de cada antífona. É como se ao começar o canto-súplica, a resposta já iniciasse a ser dada, em silêncio, subjacente ao canto. 
Se lidas em sentido inverso, isto é, da última antífona para a primeira, as iniciais latinas da primeira palavra depois da interjeição “Ó”, resultam no acróstico “ERO CRAS”, essas palavras significam “serei amanhã, virei amanhã”, que é a resposta do  Messias à súplica dos fiéis. Essa resposta está baseada na crença de que o Cristo vira novamente para libertar, redimir do pecado toda a criação.  

Sandro Botticelli. A Anunciação. 
Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi (1445 - 1510).
Técnica: têmpera (19, 1 cm x 31,4 cm) 
(Metropolitan Museu of Art , NYC, E.U.A.).

***

ACRÓSTICO

O que é um acróstico? Um acróstico é uma produção literária em poesia texto ou verso rimado em que as primeiras letras (às vezes, as do meio ou do fim) de cada verso formam, em sentido vertical, um ou mais nomes ou um conceito, máxima, motto, lema, etc. Um acróstico é um poema (ou outra forma de escrita literária) em que a primeira letra (ou sílaba ou palavra) de cada linha (ou parágrafo ou outro recurso recorrente no texto) soletra uma palavra, mensagem ou conceito.

ἀκροστιχίς

A palavra acróstico vem do grego antigo ἀκροστιχίς, ákrostchis, ἄκρο, akro, extremidade, mais alto, ponta e στῐ́χος, stichos, verso. A palavra acróstico é composta por duas outras palavras: acro e stichos. 

Assim, a primeira palavra ἄκρο, ákro, que é o prefixo, significa indicação da extremidade ou a ponta de algo, enquanto que a segunda palavra, στῐ́χος, stichos, denota fila, fileira de soldados, linha de poesia, verso.
 
Como uma forma de escrita restrita, secreta, um acróstico pode ser usado como um dispositivo mnemônico para ajudar na recuperação da memória. 
Acrósticos relativamente simples podem simplesmente soletrar as letras do alfabeto em ordem; esse acróstico pode ser chamado de acróstico alfabético ou abecedárius. 

Acrósticos aparecem com grande frequência na literatura medieval, onde geralmente servem para destacar o nome do poeta ou de seu patrono, ou para fazer uma oração a um santo. Eles são mais frequentes nas obras em versos, mas também podem aparecer em prosa.

Frequentemente, a facilidade de detecção de um acróstico em um texto pode depender da intenção de seu criador. Em alguns casos, o autor pode desejar que um acróstico tenha a melhor chance de ser percebido por um leitor atento, como o acróstico contido no Hypnerotomachia Poliphili onde as principais letras maiúsculas são decoradas com enfeites ornamentando-as. 

Acróstico, do grego koiné ἀκροστιχίς, do grego antigo ἄκρος "mais alto, o mais da ponta, alto, extremo" e στίχος "verso".

Como forma de escrita restrita, um acróstico pode ser usado como dispositivo mnemônico para auxiliar na recuperação da memória. Quando a última letra de cada nova linha (ou outra característica recorrente) forma uma palavra, ela é chamada de telestich; a combinação de um acróstico e um telestich na mesma composição é chamada de acróstico duplo (por exemplo, o quadrado latino Sator do primeiro século).

Como forma de escrita restrita, um acróstico pode ser usado como dispositivo mnemônico para auxiliar na recuperação da memória. Quando a última letra de cada nova linha (ou outra característica recorrente) forma uma palavra, ela é chamada de teléstico; a combinação de um acróstico e um tesléstico na mesma composição é chamada de acróstico duplo (por exemplo, o quadrado latino Sator do primeiro século da era cristã).

Quadrado SATOR

A meu ver, só existem três palavras nesse “quadrado mágico” formando acrósticos, e geralmente considerado de origem cristã. As palavras seriam SATOR, TENET OPERAS. Estas palavras traduzidas significam: semeador tem obras, ou “o semeador tem obras”, no sentido de manifestar, mostrar suas obras.  

As palavras estão em latim, e as seguintes traduções são conhecidas pelos estudiosos:

SATOR
Substantivo nominativo; de serere, semear, semeador, plantador, fundador, progenitor (geralmente divino); originador; literalmente “semeador”.

AREPO
Palavra desconhecida, potencialmente um nome próprio, inventado para completar o palíndromo ou de origem não latina (há muitas interpretações para Arepo).

TENET
Verbo, de tenere, manter, ele/ela mantém, compreende, possui, domina, preserva, sustenta.

OPERA
Ablativo, ver ópera substantivo singular, serviço, dores, parto; cuidado, esforço, atenção.

ROTAS
Rodas, acusativo plural de “rota”, rodas.

As primeiras letras na vertical constituem o acróstico (SATOR) que significa SEMEADOR, e as últimas letras de cada linha o (acróstico) teléstico; neste caso eles são idênticos, porém invertidos.

S A T O R
A R E P O
T E N E T
O P E R A
R O T A S

Além de ser um acróstico duplo, o quadrado contém vários palíndromos e pode ser lido como uma frase palindrômica de 25 letras (de significado obscuro) (WP).

De acordo com Cícero, os acrósticos eram uma característica regular das profecias sibilinas, que eram escritas em hexâmetros gregos. O tipo de acróstico é conhecido como "acróstico gama" (do formato da letra grega Γ, onde as mesmas palavras são encontradas tanto horizontal quanto verticalmente.
Cícero refere-se a um acróstico nesta passagem usando a palavra grega ἀκροστιχίς. O poeta didático Arato, do século III a.C., muito admirado e imitado por Cícero, Virgílio e outros escritores latinos, parece ter especial predileção pelo uso de acrósticos em sua produção textual.
Um exemplo é a famosa passagem em Phaenomena 783-7, onde a palavra λεπτή “esbelto, sutil” ocorre como um acróstico gama e também duas vezes no texto, bem como diagonalmente no texto e até mesmo tomando enigmaticamente as letras iniciais de certas palavras em linhas 2 e 1:

λεπτὴ μὲν καθαρή τε περὶ τρίτον ἦμαρ ἐοῦσα
εὔδιός κ’ εἴη, λεπτὴ δὲ καὶ εὖ μάλ’ ἐρευθὴς
πνευματίη, παχίων δὲ καὶ ἀμβλείῃσι κεραίαις
τέτρατον ἐκ τριτάτοιο φόως ἀμενηνὸν ἔχουσα
ἢ νότῳ ἄμβλυνται ἢ ὕδατος ἐγγὺς ἐόντος.

leptḕ mèn katharḗ te perì tríton êmar eoûsa
eúdiós k’ eíē, leptḕ dè kaì eû mál’ ereuthḕs
pneumatíē, pakhíōn dè kaì ambleíēisi keraíais
tétraton ek tritátoio phóōs amenēnòn ékhousa
ḕ nótōi ámbluntai ḕ húdatos engùs eóntos.

"If (the moon is) slender and clear about the third day,
she will bode fair weather; if slender and very red,
wind; if the crescent is thickish, with blunted horns,
having a feeble fourth-day light after the third day,
either it is blurred by a southerly or because rain is in the offing." 
(Trans. Jerzy Danielewicz)
(WP)

Se (a lua estiver) fina e clara (esbelta e sútil) por volta do terceiro dia,
ela será um presságio de bom tempo; se esguio e muito vermelho,
vento; se o crescente for espesso, com chifres embotados,
tendo uma fraca luz do quarto dia após o terceiro dia,
ou está turvo por causa do sul ou porque a chuva está iminente (offing).
(Tradução livre do post-master)

Acróstico é uma composição escrita feita a partir das letras iniciais de palavras isoladas ou localizadas no início de cada frase ou no interior de frases e de versos.
A partir dos acrósticos, que são lidos em sentido vertical, são formadas palavras ou frases. Eles refletem uma preocupação com a forma do discurso, motivo pelo qual são um dos recursos utilizados na função poética.


Tipos de Acrósticos

Há vários tipos de acrósticos. O mais comum deles é aquele formado a partir das letras iniciais das frases.

Acróstico de amizade 


     Amanada
Nobre
Amiga

No exemplo acima com o nome ANA, temos um acróstico formado com as letras iniciais. A palavra formada, na vertical, é o nome ANA. Partindo de cada inicial (a, n e a), juntam-se palavras ou sentenças que caracterizam ou definem Ana (amada, nobre e amiga)."

Existem cinco tipos de acrósticos, são eles:

1) Acróstico propriamente dito
No acróstico ou acróstico propriamente dito, a formação da palavra é feita pelas iniciais de cada linha. Nesse tipo, a palavra ou verso é formada com as letras localizadas no início de palavras ou versos que formam a linha. Acróstico propriamente dito é feito na vertical e pode ser lido tanto de cima para baixo quanto de baixo para cima, dependendo da intenção do autor.
Acróstico propriamente dito 
(Fonte: escolakids)


Sabia que sou mais bonita?
A borboleta disse ainda ao sapo:
Pobre batráquio asqueroso,
O que você é me causa nojo!

E o sapo, com toda calma do mundo,

Assim respondeu à borboleta:

Bonita é minha natureza anfíbia,
O que, também, me protege mais,
Rios e solo me dão guarida,
Brejos e até mesmo matagais!
O que você faz para se defender?
Livre, viajo sobre todos os animais!
E, num segundo, o sapo projetou
Tamanha língua no espaço,
Acabando, assim, com o embaraço!

(Sapo e a Borboleta, por Dorival Pedro Lavirod).

Exemplos de acrósticos construídos com nomes próprios:

É muito comum utilizar o acróstico em homenagens. Assim, a partir do nome próprio de alguém são descritas as qualidades ou o significado que o homenageado tem para o autor da composição ou por quem quer homenageá-la.


Dra. Zilda Arns Neumann

De pessoas como ela o nosso mundo está precisando
Realmente algumas personalidades têm um dom especial
Ame ao seu próximo nosso Pai amado está avisando

Zilda Arns cumpriu a sua jornada aqui na nossa terra
Infelizmente sua morte trágica causou muita comoção
Lutou como soldado valente que enfrenta uma guerra
Descanse em paz é o nosso desejo com forte emoção
A sua gloriosa caminhada entre nós com vitória encerra

A sua luta pelos necessitados serve como exemplo
Reconheçamos que esta mulher não morreu a esmo
No seu semblante sorridente muita paz eu contemplo
Sem dúvidas ela amou ao próximo como a si mesmo

(Forquilhinha, Santa Catarina - Brasil, 25 de agosto de 1934 - Porto Príncipe, 12 de janeiro de 2010).

O acróstico é um recurso muito utilizado na literatura de cordel, no nordeste brasileiro. Mas sua origem, como vimos, remonta à antiguidade, provavelmente anterior ao século III a.C. e posteriormente quando monges gregos o utilizaram em suas obras. O objetivo era registrar o nome dos seus autores. Assim, geralmente surgem na última estrofe:

Leandro

Leitor não levantei falso
Escrevi o que se deu,
Aquele grande sucesso
Na Bahia aconteceu,
Da forma que o velho cão,
Rolou morto sobre o chão
Onde o seu senhor morreu.

(Última estrofe de "O cachorro dos mortos”).

Acróstico propriamente dito. Acróstico de Natal.
(Fonte: Pinterest)

2) Acróstico Alfabético ou Abecedarius
O acróstico alfabético é quando cada frase da composição inicia sucessivamente com uma letra do alfabeto. Leia o seguinte poema intitulado "Dia a dia" e observe que cada linha inicia com uma letra do alfabeto na ordem em que se encontram.

Dia a Dia

Assim começa o meu dia,
Bocejo, levanto, tomo café.
Como num déjà vu, repetição.
Devagar prossigo minha luta.
Encontrando obstáculos,
Fugindo de tarefas inglórias.
Ganhando o pão nosso de cada dia.
Hoje é dia de recomeço. Interminável!
Introduzo força de vontade pra prosseguir,
Jamais desisto, insisto, luto, resisto.
Karaokê pra espantar os males,
Lembranças, da vida que um dia planejei.
Momentos importantes, instantes.
Nunca esquecidos, guardados.
Oriundos de minhas fraquezas,
Porque preciso de relembranças
Quando se aproxima a depressão.
Rompo barreiras intransponíveis.
Sabendo que eu mesmo, as criei.
Tomo cachaça pra aquecer meu corpo,
Unto meus lábios aos seus,
Vamos pra nosso ninho de amor,
Watts de energia em nossos corpos.
Xampu em seus cabelos, cheiro de flor.
Yôga você faz depois de horas me amando.
Zelo por mim, e no final de tudo me chama de amor.

(Allan Ribeiro Fraga)

3) Acróstico Mesóstico
Acróstico mesóstico ocorre quando as letras que o compõem estão localizadas no meio das frases ou versos ou mesmo no meio de palavras. Podemos dizer, com outras palavras, que esse tipo de acróstico acontece quando a palavra ou verso é formado pelas letras que estão situadas no meio das palavras ou versos.


4) Acróstico cruzado
Para se construir um acróstico cruzado a formação (da palavra) é feita pela primeira letra do primeiro verso, segunda letra do segundo verso, terceira letra do terceiro verso, e assim por diante.

Acróstico cruzado (escolakids)


Pode-se reunir mais de um acróstico no mesmo texto ou poema como no exemplo a seguir:

5) Acróstico (propriamente dito),  Meso e teléstico 
Nesse poema escrito na língua italiana, podemos ver soletrado o nome do ano Duemiladiciassette: dois mil e dezessete, com acrósticos no inicio meio e no final de cada verso.



6) Acróstico Teléstico
Nesse tipo de acróstico chamado de teléstico, do grego télos, final, a palavra ou frase é formada pelas letras que estão situadas no final das palavras ou versos, de cada linha do poema ou texto. 


Musa encantada, a mim amaM

Unida em belos versos soU

Livre deusa, impenetráveL

Humana você não fada detH

Encantos dessa seiva docE

Rosas odores subtis, amoR

(Poema “Mulher”, de Arlete Louro)


O acróstico também pode ser utilizado como uma estratégia para estudar. Quando você precisar decorar uma regra ou uma fórmula, pode criar uma espécie de acróstico que facilite essa memorização:

Lá na rua x psicólogos são uns importantes ouvintes.

A frase acima lembra a regra de acentuação das paroxítonas. A regra diz que são acentuadas as palavras que terminam em l, n, r, x, ps, ã (ãs, ão, ãos), uns (um, us), i (s) e ditongos orais.


Como fazer um acróstico?

Além de uma homenagem, o acróstico pode ser uma forma criativa de apresentar o conceito de algum assunto ou uma forma de explicar um conceito, como vemos no exemplo a seguir.

Positivismo

Principais idealizadores: Comte e Mill
Oposição à Idade Média
Surgiu como desenvolvimento sociológico do Iluminismo
Interpretação das Ciências associadas ao conhecimento da ética
Teoria só é correta se comprovada pelo método científico
Ideia-chave: lei dos três estados
Verdadeira racionalidade na religião
Influenciou o Brasil
Simpático, real, certo, útil, preciso, orgânico
Metafísico
Opõem-se ao idealismo e ao realismo.

Para fazer um acróstico, alguns passos devem ser seguidos:

Passo 1) Tema 
Escolha da palavra/frase a ser formada: a palavra/frase formada será a parte mais importante do acróstico e, geralmente, é o tema geral do poema.

Passo 2) Tipo de acróstico 
Escolha do tipo de acróstico: é preciso definir se a palavra/frase será formada no início, meio ou final dos versos ou, ainda, de forma cruzada. Dessa forma, você saberá como o resto dos versos ficará.

Passo 3) Montagem 
Montagem dos demais versos: com a palavra/frase escolhida e localizada, a montagem dos demais versos do poema pode ser feita com palavras que se encaixem nas letras do acróstico ou com frases, com ou sem rimas. O importante é focar no tema!

Agora é com você. Crie alguns acrósticos, por exemplo com o seu nome, ou nome de uma planta ou de sua rua ou de alguém de quem vc goste, e surpreenda-se com a sua capacidade criativa.

ou 

1º Passo: escolha o nome que será o acróstico, pode ser uma frase ou o nome de alguém.
2º Passo: disponha as letras sozinhas uma embaixo da outra verticalmente.
3º Passo: preencha essas letras com outras palavras ou frases relacionadas a que está em destaque. (educamaisbrasil)
4º Passo: Diferenciar as letras da palavra formada para as destacar das outras.


Coda

Acrósticos ocorrem nos quatro primeiros dos cinco capítulos que compõem o Livro das Lamentações, no louvor da boa esposa em Provérbios 31: 10-31, e nos Salmos 25, 34, 37, 111, 112, 119 e 145 da Bíblia Hebraica. 

Notável entre os salmos acrósticos é o longo Salmo 119, que normalmente é impresso em subseções com o nome das 22 letras do alfabeto hebraico, cada seção consistindo em 8 versos, cada uma começando com a mesma letra do alfabeto e todo o salmo consistindo de 22 x 8 = 176 versos; e o Salmo 145, que é recitado três vezes ao dia nos cultos judaicos. 

Alguns salmos acrósticos são tecnicamente imperfeitos. Por exemplo. O Salmo 9 e o Salmo 10 parecem constituir um único salmo acróstico juntos, mas o comprimento atribuído a cada letra é desigual e cinco das 22 letras do alfabeto hebraico não são representadas e a sequência de duas letras é revertida. 
No Salmo 25, uma letra hebraica não é representada, a seguinte letra (Resh) repetida. No Salmo 34, o atual versículo final, 23, encaixa o versículo 22 no conteúdo, mas acrescenta uma linha adicional ao poema. 

Nos Salmos 37 e 111, a numeração dos versículos e a divisão em linhas estão interferindo entre si; como resultado no Salmo 37, para as letras Daleth e Kaph há apenas um verso, e a letra Ayin não está representada. 

O Salmo 111 e 112 tem 22 linhas, mas 10 versículos. O Salmo 145 não representa a letra Nun, com 21 versículos, mas um manuscrito de Qumran deste Salmo tem essa linha que falta, o que concorda com a Septuaginta.

um famoso acróstico foi feito em grego pela aclamação:
JESUS CHRIST, SON OF GOD, SAVIOUR. 
As iniciais  soletram ΙΧΘΥΣ (ICHTYS), que significa Cristo.

Ιησούς       I  esous       Jesus

Χριστός     CH ristos      Christ

Θεού         TH eou         of God

Υἱός           Y  ios           son

Σωτήρ       S  oter         saviour


***


E o que é Acrônimo?

Enquanto acróstico significa “extremo da linha ou do verso”, a partir do grego akrostichís, acrônimo significa “extremo do nome”, do grego akronymos.

Os acrônimos são siglas que podem ser pronunciadas como uma palavra. Exemplos: Nasa, ONU, Unesco (Fernandes, s/d).

ESTEGANOGRAFIA 

Como a palavra de interesse em uma criação literária do tipo acróstico, pode estar no inicio, meio e fim de um verso ou sentença ou mesmo no meio de uma palavras, não obstante, o recurso do acróstico também pode ser usado como uma forma de esteganografia, onde o autor procura ocultar uma mensagem em um texto sobre outra matéria, em vez de proclamá-la abertamente. Assim, somente quem sabe do que se trata poderá interpretar a mensagem, enquanto para outros, não passa de um texto inócuo.

Isso pode ser conseguido tornando as letras-chave uniformes na aparência com o texto ao redor, confundindo-as, ou alinhando as palavras de maneira que a relação entre as letras-chave seja menos óbvia, e mais difícil de ser percebida. 
Chamamos a isto de de cifras nulas na esteganografia, usando a primeira letra de cada palavra para formar uma mensagem oculta em um texto inócuo, sobre outra matéria que não tem nada a ver sobre a matéria da mensagem oculta. 

O uso de letras para ocultar uma mensagem, como nas cifras acrósticas, era popular durante o Renascimento e podia empregar vários métodos de codificação, como selecionar outras letras além de iniciais com base em um padrão repetitivo (sequências equidistantes de letras, a terceira letra da quarta palavra de cada linha etc.) ou até ocultar totalmente a mensagem começando no final do texto e trabalhando para trás, em direção ao inicio. 

ESTEGANOGAFRIA  
στεγανός, steganós, coberto, oculto + γραφή, graphia, escrita, escrever

Modernamente, a esteganografia é a técnica ou a prática de ocultar um arquivo, mensagem, imagem ou vídeo dentro de outro arquivo, mensagem, imagem ou vídeo. A palavra esteganografia vem do novo latim steganographia, que combina as palavras gregas steganós, στεγανός, que significa “coberto ou oculto”, e graphia, γραφή, que significa “escrita, escrever”.

O primeiro uso registrado do termo STEGANOGRAPHY foi em 1499 por Johannes Trithemius em sua obra homônima, Steganographia, um tratado sobre criptografia e esteganografia, disfarçado de livro sobre magia.
Geralmente, as mensagens ocultas parecem ser, ou fazer parte de, outra coisa: imagens, artigos, listas de compras ou algum outro texto que as encobrem (or some other cover text). 
Por exemplo, a mensagem oculta pode estar em tinta invisível entre as linhas visíveis de uma carta particular.
Algumas implementações da esteganografia que não possuem um segredo compartilhado são formas de segurança através da obscuridade, e os esquemas esteganográficos dependentes de chave, i.e., do conhecimento de um código aderem ao princípio de Kerckhoffs. 

PRINCÍPIO DE KERCKHOFFS

O princípio de Kerckhoffs (também chamado de desiderato, suposição, axioma, doutrina ou lei de Kerckhoffs) da criptografia foi enunciado pelo criptógrafo holandês Auguste Kerckhoffs no século XIX. Esse princípio sustenta que um criptosistema deve ser seguro, mesmo que tudo sobre o sistema, exceto a chave, seja de conhecimento público. Este conceito é amplamente adotado pelos criptógrafos, em contraste com a segurança através da obscuridade, que não tem uma adoção tão ampla.

O princípio de Kerckhoffs foi formulado pelo matemático americano Claude Shannon como “o inimigo conhece o sistema”, ou seja, “deve-se projetar sistemas sob a suposição de que o inimigo obterá imediatamente total familiaridade com eles”. Nessa forma, é chamada de máxima de Shannon (WP).

Auguste Kerckhoffs foi professor de língua alemã na Ecole des Hautes Etudes Commerciales (HEC) em Paris. No início de 1883, seu artigo “La Cryptographie Militaire”, foi publicado em duas partes no Journal of Military Science, no qual ele formulou seis regras de design para cifras militares. Traduzido do francês, são elas:

1) O sistema deve ser praticamente, se não matematicamente, indecifrável;

2) Não deveria exigir sigilo e não deveria ser um problema se caísse em mãos inimigas;

3) Deve ser possível comunicar e lembrar a chave sem usar notas escritas, e os correspondentes devem poder alterá-la ou modificá-la à vontade;

4) Deve ser aplicável às comunicações telegráficas;

5) Deve ser portátil e não deve exigir a manipulação ou operação de várias pessoas;

6) Por último, dadas as circunstâncias em que será utilizado, o sistema deve ser fácil de utilizar e não deve ser estressante nem exigir que os seus utilizadores, operadores conheçam e cumpram uma longa lista de regras (WP).

Alguns, por exemplo o 4, não são mais relevantes dada a capacidade dos computadores de realizar criptografia complexa. A segunda regra (num. 2), agora conhecida como princípio de Kerckhoff, ainda é extremamente importante (WP).

A vantagem da esteganografia sobre a criptografia sozinha é que a mensagem secreta pretendida não atrai a atenção para si mesma como um objeto de escrutínio. Ou seja, ela passa desapercebida como algo que não tem importância nenhuma. 

Enquanto a criptografia é a prática de proteger apenas o conteúdo de uma mensagem, a esteganografia preocupa-se tanto em esconder o fato de que uma mensagem secreta está sendo enviada quanto em ocultar de forma segura o conteúdo dessa mensagem.

A esteganografia inclui, por exemplo, a ocultação de informações em arquivos de computador.

Na esteganografia digital, as comunicações eletrônicas podem incluir codificação esteganográfica dentro de uma camada de transporte, como um arquivo de documento, arquivo de imagem, programa ou protocolo. 

Os arquivos de mídia são ideais para transmissão esteganográfica devido ao seu tamanho grande. Por exemplo, um remetente pode começar com um arquivo de imagem inócuo e ajustar a cor de cada centésimo pixel (a cada 100 pixel a cor é ajustada ou modificada ou substituída) para corresponder a uma letra no alfabeto. A mudança é tão sutil que é improvável que alguém que não esteja procurando por ela perceba a mudança.

Os primeiros usos registrados da esteganografia remontam a 440 a.C., quando Heródoto menciona dois exemplos em suas Histórias.

Histiaeus enviou uma mensagem a seu vassalo, Aristágoras, raspando a cabeça de seu servo mais confiável, “marcando” a mensagem em seu couro cabeludo e, em seguida, enviando-o de volta quando os cabelos voltaram a crescer, com a instrução “Quando você veio a Mileto, mandou Aristágoras raspar sua cabeça e olhar para ela.”
Além disso, Demaratus enviou um aviso sobre um próximo ataque à Grécia, escrevendo-o diretamente no suporte de madeira de uma placa (tablet) de cera antes de aplicar a cera de abelha em sua superfície.
Os tablets (placas) de cera eram de uso comum, então, como superfícies de escrita reutilizáveis, às vezes usadas para taquigrafia.

Em seu trabalho Polygraphiae, Johannes Trithemius desenvolveu sua chamada “Ave-Maria-Cipher” que pode ocultar informações em um louvor a Deus em latim. “Auctor Sapientissimus Conseruans Angélica Deferat Nobis Charitas Potentissimi Creatoris”, por exemplo, contém a palavra oculta VICIPEDIA. (ver postagem nesse blog sobre a historia de Johannes Trithemius).


***

I
17/XII
Die 17 Decembris 

O Sapientia
quæ ex ore Altissimi prodistii,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviter disponens omnia:
Veni ad docendum nos viam prudentiæ.



II
18/XII
Die 18 Decembris 

O Adonai
et Dux domus Israel,
qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti
et ei in Sina legem dedisti:
Veni ad redimendum nos in brachio extento. 



III
19/XII
Die 19 Decembris 

O Radix Jesse
qui stas in signum populorum,
super quem continebunt reges os suum,
quem gentes deprecabuntur:
Veni ad liberandum nos;
jam noli tardare. 



IV
20/XII
Die 20 Decembris 

O Clavis David
et sceptrum domus Israel:
qui aperis, et nemo claudit;
claudis et nemo aperit:
Veni, et educ vinctum de domo carceris,
sedentem in tenebris et umbra mortis.



V
21/XII
Die 21 Decembris 

O Oriens
splendor lucis æternæ, et sol justitiæ
Veni et illumina sedentes in tenebris
et umbra mortis. 



VI
22/XII
Die 22 Decembris 

O Rex gentium
et desideratus earum
lapisque angularis,
qui facis utraque unum:
Veni et salva hominem quem de limo formasti.
 


VII
23/XII
Die 23 Decembris 

O Emmanuel,
Rex et legifer noster,
exspectatio gentium, et Salvator earum:
Veni ad salvandum nos,
Domine Deus noster.
Amen 


Um acólito acendendo as velas para a Missa de Natal
(Foto de Jonathuner) (W)


Ó SAPIENTIA

A Sabedoria é a primeira das Sete antífonas do Ó, utilizadas como antífona ao Magnificat nas vésperas na Liturgia das Horas da semana que antecede o Natal. 

No contexto litúrgico do advento, a Sabedoria deixa de ser a figura personificada do Antigo Testamento (cf., por exemplo, Pr 8) e passa a ser, no Novo Testamento, o próprio Jesus: “nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; 24.mas, para os eleitos, quer judeus quer gregos, força de Deus e sabedoria de Deus” (1 Cor 1,24).

Lemos no Livro da Sabedoria 7,25-26 que “Ela é um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela. É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de sua bondade.”

Em Eclesiástico 24,5, num longo discurso sobre a Sabedoria, encontramos que ela sai da boca de Deus “antes de toda criatura” e refere-se à palavra criadora de Deus em Gn 1, mediante a qual todas as coisas foram criadas. No Novo Testamento, na Carta aos Colossenses e no Evangelho de João, se diz isto de Jesus Cristo:

“Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele.” (Col 1,16)

“Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1,3)

De acordo com o Livro da Sabedora, "Ela estende seu vigor de uma extremidade do mundo à outra e governa todas as coisas com felicidade" (Sab 8,1), proporcionando a ideia de uma presença permanente da Sabedoria no mundo. Sinaliza, assim, a criação contínua e a presença cósmica de Cristo.

O Arcanjo Gabriel anuncia à Santa Maria que ela conceberá e dará luz a Jesus de Nazaré, Filho do Altíssimo. Arte sacra cristã: Pint por 
Robert Campin, c. 1420-1440, Bruxelas.

ADVENTO

O Advento do latim Adventus: “chegada”, do verbo Advenire: "chegar a") é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. 
Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.

Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha tinha caráter ascético com jejum abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos. 
Só após a reforma litúrgica é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.

https://youtu.be/nX975125R-U

A primeira referência ao “Tempo do Advento” é encontrada na Península Ibérica, quando no ano 380, o Sínodo de Saragoça (Zaragoza) (Caesaraugusta cidade romana) prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que, antigamente, também se celebrava o Natal. Na Gália, Perpétuo, bispo de Tours, instituiu setenta semanas de preparação para o Natal e, em Roma, o Sacramentário Gelasiano cita o Advento no fim do século V.
Há relatos de que o Advento começou a ser observado entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal.
No final do século IV, na Gália (atual França) e na Península Ibérica (atualmente Portugal e Espanha), tinha caráter ascético com jejum, abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania.
Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor, passando a ser celebrado durante 5 domingos. 
Surgido na Igreja Católica, este tempo passou também para as igrejas reformadas, em particular a Anglicana, a Luterana, Metodista e a Batista dentre várias outras. A igreja Ortodoxa tem um período de quarenta dias de jejum como preparação para o Natal.

O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado. 
O Advento começa exatamente quatro domingos antes do Natal e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus.
Esse tempo possui duas características: Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de Dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa. Uma das expressões desta alegria é o canto das chamadas “Antífonas do Ó”.
O início do advento é conhecido tradicionalmente como o dia “certo” para montar a árvore de natal. (1)


A coroa do advento proposta pelo 
pastor Johann Hinrich Wichern (1808-1881)
(Fonte Wik Commons)


Coroa do advento 
(By Kittelendan, Own work















17 de dezembro

O SABEDORIA


O Sapientia, quae ex ore Altissimi prodiisti,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviterque disponens omnia:
veni ad docendum nos viam prudentiae.


Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo,
e atingis os confins de todo o universo
e com força e suavidade governais o mundo inteiro:
Ó vinde ensinar-nos o caminho da prudência!


18 de dezembro

O ADONAI

O Adonai, et dux domus Israel,
qui Moysi in igne flammae rubi apparuisti,
et ei in Sina legem dedisti:
veni ad redimendum nos in bracchio extento.


Ó Adonai, guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moisés na sarça ardente
e lhe destes vossa lei sobre o Sinai:
Vinde salvar-nos com o braço poderoso!


19 de dezembro

O RAIZ DE JESSE

O Radix Iesse, qui stas in signum populorum,
super quem continebunt reges os suum,
quem gentes deprecabuntur:
veni ad liberandum nos, iam noli tardare.


Ó Raiz de Jessé, ó estandarte, levantado em sinal para as nações!
Ante vós se calarão os reis da terra,
e as nações implorarão misericórdia:
Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora!


20 de dezembro 

O CHAVE DE DAVID

O Clavis David, et sceptrum domus Israel,
qui aperis, et nemo claudit; claudis, et nemo aperit:
veni et educ vinctum de domo carceris,
sedentem in tenebris et umbra mortis.


Ó Chave de Davi, Cetro da casa de Israel,
que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre:
Vinde logo e libertai o homem prisioneiro,
que nas trevas e na sombra da morte está sentado.


21 de dezembro

O SOL NASCENTE

O Oriens, splendor lucis aeternae et sol iustitiae:
veni, et illumina sedentes in tenebris et umbra mortis.


Ó Sol nascente, justiceiro, resplendor da Luz eterna:
Ó vinde e iluminai os que jazem entre as trevas
e na sombra do pecado e da morte estão sentados!


22 de dezembro

O REI DAS NAÇÕES 

O Rex Gentium, et desideratus earum,
lapisque angularis, qui facis utraque unum:
veni, et salva hominem, quem de limo formasti.


Ó Rei das nações, Desejado dos povos;
Ó Pedra angular, que os opostos unis:
Ó vinde e salvai este homem tão frágil,
que um dia criastes do barro da terra.


23 de dezembro

O EMMANUEL

O Emmanuel, Rex et legifer noster,
exspectatio gentium et Salvator earum:
veni ad salvandum nos, Domine Deus noster.


Ó Emanuel, Deus-conosco, nosso Rei Legislador,
Esperança das nações e dos povos Salvador:
Vinde enfim para salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus!


24 de dezembro

“Hoje sabereis que o Senhor mesmo virá,
e amanhã haveis de ver a sua glória em nosso meio”
(Antífona do Invitatório do dia 24 de dezembro).









Coda II

O Antiphons

The O Antiphons, also known as The great Os are Magnificat antiphons used at vespers of the last seven days of  Advent in Western Christians traditions. 
They are also used as the Alleluia verses on the same days in the post-1970 form of the Catholic Mass, although the Lectionary moves O Emmanuel to the 21st, uses Rex Gentium on both the 22nd and 23rd, and places O Oriens on the morning of the 24th, with authorization for the traditional ordering from the 17th through the 23rd.

They are referred to as the "O Antiphons" because the title of each one begins with the vocativo particle "O". Each antiphon is a name of Christ, one of his attributes mentioned in Scripture. They are:

17 December: O Sapientia (O Wisdom)
18 December: O Adonai (O Lord)
19 December: O Radix Jesse (O Root of Jesse)
20 December: O Clavis David (O Key of David)
21 December: O Oriens (O Dayspring)
22 December: O Rex Gentium (O King of the Nations)
23 December: O Emmanuel (O With Us is God)

In the Catholic Roman rite, the O Antiphons are sung or recited at vespers from 17 December to 23 December inclusive. Some Anglican churches (e.g. the Church of England) also use them, either in the same way as modern Roman Catholics, or according to a medieval English usage (see below).

The Catholic personal ordinariates use the seven O Antiphons as the Alleluia Verse at masses from the 17th to the 23rd in strict traditional ordering, adding O Virgo virginum (see below) as the Alleluia verse for masses in the morning of 24 December. The Great O Antiphons are also used as the Antiphon on the Magnificat at Evening Prayer. O Virgo Virginum is used as the Antiphon on the Benedictus at Morning Prayer on the 24th.














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