INÍCIO

26 março 2022

CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA


Criminalização  da pobreza 


"Na luta pela descriminalização, postei uma selfie com um baseado apagado. Assim que postei, os amigos ficaram com medo que eu tomasse processos por apologia ou que eu tivesse a casa invadida pela polícia à procura do flagrante (infelizmente, só iam encontrar uma ponta) –afinal de contas, confessei um crime. Nada. Nem polícia, nem processo. O único esculacho que tomei foi em relação ao beque mal apertado, qualificado como pastel. "Faltou só o caldo de cana", disseram.

A verdade é que a proibição nunca chegou aqui em casa. Por ser homem, branco, cisgênero e de classe média alta, a polícia sempre me tratou com o maior respeito. Quer dizer, já tomei uma bela tapa de um sargento (A tapa no feminino difere DO tapa pela intensidade), mas quem mora no Rio sabe que uma tapa é um carinho quando se trata da PMERJ. Fosse eu negro, pobre ou travesti, teria conhecido o famoso esculacho, um mimo da PM que muitas vezes acaba em morte. A guerra às drogas é uma guerra aos pobres, e a prova disso é que não conheço nenhum rico preso por tráfico.

Sendo assim: por que postar uma selfie pedindo a descriminalização se posso fumar um prensado tranquilo? Ou ainda: por que lutar por educação pública se posso pagar por educação privada? Ou: por que lutar por saúde pública se tenho plano de saúde? Por que lutar pelo aborto se não posso engravidar? Contra o racismo se eu sou branco? Contra a redução se eu sou maior de idade? Por que pedir o casamento gay se eu não quero casar gay?

Deleuze diz que o que difere a direita da esquerda é a forma que cada uma pensa o endereço postal. A direita diz: Gilles Deleuze. 12. Rue de Bizerte. Paris. França. Mundo. A esquerda diz: Mundo. França. Paris. Rue de Bizerte. 12. Gilles Deleuze. Ser de esquerda é perceber que os problemas do mundo vêm antes dos problemas do bairro que vêm antes dos meus problemas pessoais. Ali, Simba, tudo o que seus olhos podem ver, tudo isso é problema seu.

O Brasil tem 140 mil encarcerados por tráfico, negros e pobres, em sua imensa maioria. Sei que não vou ser preso por uma selfie, nem pelo flagrante e, na real, sei que não vou preso nem se eu for dono de um helicóptero com meia tonelada de pasta base de cocaína (ou talvez, nesse caso, precise ser deputado). Postar uma foto com baseado é problematizar: por que não vou preso? Cadê a polícia aqui na porta? Cadê meu esculacho?

Quando você sair do armário, vai ver que a maconha já está descriminalizada há muito tempo. O que continua criminalizada é a pobreza."


(Texto de Gregório Duvivier)


A ideia de "pobre de direita" é uma aberração intelectual e prática, uma falácia, mas a classe média progressista insiste em ver os marginalizados como sua própria imagem no espelho. Como ser de direita se a topografia política conservadora detesta cheiro de pobre. o texto de Duvivier é direto e explícito...os pobres são o objeto de violência do Estado de Exceção brasileiro. A política da direita é sexista e racista... declara guerra aberta contra os pobres e negros do país.


USE MÁSCARA

USE MÁSCARA 


As infecções respiratórias acontecem através da transmissão de gotículas contendo vírus e aerossóis exalados por indivíduos infectados. 

Por aerossóis entende-se a dissipação de fluidos, que no caso de algumas doenças, como a COVID-19, se dá pela transmissão de partículas menores do que gotículas, emitidas pela tosse, espirro e até mesmo a fala, e que podem permanecer no ar por horas e, assim, serem facilmente inaladas.

Segundo afirma o artigo “Reducing transmission of SARS-CoV-2” (Reduzindo a transmissão de SARS-CoV-2) publicado, em 27 de maio de 2020, na Revista Sciense, os seres humanos produzem gotículas respiratórias que variam de 0,1 a 1000 μm (micrômetros – 1000 micrômetros equivalem e 1 milímetro). 

O tamanho, a inércia, a gravidade e a evaporação das gotículas determina a distância que as gotículas e aerossóis emitidos percorrerão no ar. 

As gotículas respiratórias sofrem sedimentação gravitacional mais rapidamente do que evaporam, contaminando, assim, as superfícies e levando à transmissão por contato. Ou seja caem sob todas as superfícies contaminando-as, assim, qualquer pessoa que toque nessas superfícies levará os vírus em suas mãos. 

As máscaras reduzem a transmissão aérea Partículas de aerossol infecciosas podem ser liberadas durante a respiração e a fala por indivíduos infectados assintomáticos. Nenhum mascaramento maximiza a exposição, enquanto o mascaramento universal resulta na menor exposição. Gráfico: V. Altounian/Science.

O artigo revela que uma grande proporção de propagação da COVID-19 está acontecendo através da transmissão aérea por aerossóis. 

Para isso, os autores mostram dados de algumas localidades como Taiwan, Hong Kong, Japão, Cingapura, Coreia do Sul e Nova Iorque, para comparar que em locais como Taiwan, apesar de possuir uma população de 24 milhões de habitantes e sem ter adotado o lockdown (confinamento), a incidência da doença foi extremamente baixa, com 441 casos e 7 mortes, em comparação à Nova Iorque, por exemplo, que tem uma população menor, 20 milhões de habitantes e um registro de 353 mil casos e 24 mil mortes. Entre os planos adotados pelo governo de Taiwan, desde o início, que contemplava disponibilização, fácil acesso, preços razoáveis, aumento da produção, proibição da exportação e campanhas para uso contínuo das máscaras pela população, provavelmente influenciou o baixo número de casos da doença.

Em ambientes externos, vários fatores determinarão as concentrações e a distância percorrida e se os vírus respiratórios permanecem infecciosos em aerossóis. Brisas e ventos ocorrem com frequência e podem transportar gotículas e aerossóis infecciosos por longas distâncias. 

Indivíduos assintomáticos que falam durante o exercício podem liberar aerossóis infecciosos que podem ser captados pelas correntes de ar. As concentrações virais serão diluídas mais rapidamente ao ar livre, mas poucos estudos foram realizados sobre a transmissão externa do SARS-CoV-2. Além disso, o SARS-CoV-2 pode ser inativado pela radiação ultravioleta da luz solar e provavelmente é sensível à temperatura ambiente e à umidade relativa, bem como à presença de aerossóis atmosféricos que ocorrem em áreas altamente poluídas. 

Os vírus podem aderir a outras partículas, como poeira e poluição, o que pode modificar as características aerodinâmicas e aumentar a dispersão.

Dado o quão pouco se sabe sobre a produção e o comportamento aéreo de gotículas respiratórias infecciosas, é difícil definir uma distância segura para o distanciamento social. 

Supondo que os vírions SARS-CoV-2 estejam contidos em aerossóis submicrônicos, como é o caso do vírus influenza A, uma boa comparação é a fumaça de cigarro exalada, que também contém partículas submicrônicas e provavelmente seguirá fluxos e padrões de diluição comparáveis. A distância de um fumante em que se sente o cheiro de fumaça de cigarro indica a distância naqueles ambientes em que se pode inalar aerossóis infecciosos. 

Em uma sala fechada com indivíduos assintomáticos, as concentrações de aerossóis infecciosos podem aumentar com o tempo. 

No geral, a probabilidade de se infectar em ambientes fechados dependerá da quantidade total de SARS-CoV-2 inalada. 

Em última análise, a quantidade de ventilação, o número de pessoas, quanto tempo se permanece dentro da sala com indivíduos assintomáticos; i.e., quanto tempo  se visita uma instalação interna, e as atividades que afetam o fluxo de ar modulam as vias de transmissão viral e a exposição aos virus. 

Por essas razões, é importante usar máscaras adequadamente ajustadas em ambientes fechados, mesmo a 6 pés (1,82 m) de distância. A transmissão aérea pode explicar, em parte, as altas taxas de transmissão secundária para a equipe médica, bem como grandes surtos em instalações de enfermagem. 

A dose mínima de SARS-CoV-2 que leva à infecção é desconhecida, mas a transmissão aérea através de aerossóis foi bem documentada para outros vírus respiratórios, incluindo sarampo, SARS e varicela (measles, SARS, and chickenpox).




Use máscara 
Por Miguel Nicolelis

Em uma série de tweets compilados em forma de texto, o cientista Miguel Nicolelis recomenda que a população siga usando máscaras. Ele diz que desobrigar o uso de máscaras agora é tentar confundir a sociedade sobre o estado real da pandemia no Brasil. Nicolelis diz ainda que “esta narrativa perversa e irresponsável continua levando a mais mortes e a mais casos crônicos de Covid.”

Por Miguel Nicolelis

Acabo de dar um retweete numa sequência de tweets que confirma a seguinte máxima sobre a COVID-19:

Este é um vírus para não se ter! Nunca. Nem de forma assintomática, branda ou leve.

Este vírus pode causar múltiplas complicações crônica graves que reduzem a qualidade de vida e podem ser fatais.

Portanto, remover máscaras e tentar mascarar a verdade, seja sobre o estado real da pandemia no Brasil e no mundo, ou tentar confundir a sociedade com a falsa dicotomia epidemia x endemia é literalmente atentar contra a saúde e bem-estar de dezenas de milhões de brasileiros.

Todo o mundo vai ter que lidar nos próximos anos e décadas com milhões de pessoas sofrendo de consequências graves desta pandemia. Como ela não acabou de forma alguma, quanto mais pessoas se infectarem pelo descaso das autoridades, mais casos de COVID crônica ocorrerão no futuro.

Com isso, mais vidas serão arruinadas por problemas médicos de todas as variedades, inclusive a possibilidade de uma “pandemia” de demência precoce em todo mundo, como também mais vidas serão encurtadas pelo aumento da mortalidade a longo prazo. Se isso não fosse suficiente

A COVID-19 crônica também pode afetar o sistema reprodutor de homens e mulheres com consequências ainda desconhecidas a longo prazo. Ou seja, podemos ter uma redução significativa de nascimentos em decorrência destes efeitos crônicos

Resumo da Ópera: não acredite de forma alguma nos arautos do otimismo que pregam aos 4 ventos que a pandemia acabou ou está por acabar. Ninguém pode afirmar isso com certeza. Esta narrativa perversa e irresponsável continua levando a mais mortes e a mais casos crônicos de COVID.

Ignore gestores que apenas jogam para a torcida num ano eleitoral. Pelo seu bem e pelo bem dos seus familiares e da sociedade como um todo, mantenha o uso das máscaras, evite ao máximo aglomerações, vacine-se e não ceda à tentação de achar que o normal voltou só porque alguns “experts” apoiadosqq por gestores incompetentes/irresponsáveis e uma mídia que se rendeu ao poder dos “cliques e likes” assim decretaram.

O preço desta rendição incondicional é caro demais: a qualidade da sua vida futura – ou a falta dela – está em jogo.

Use máscaras e diga não ao absurdo.




Fonte



CERÂMICA

CERÂMICA


A cerâmica é o processo artificial mais antigo produzido pelo homem, existindo a cerca de dez a quinze mil anos, talvez mesmo antes. A palavra cerâmica vem do grego "kéramos”, "terra queimada" ou “argila queimada” é um material de imensa plasticidade e resistência, sendo freqüentemente encontrado em escavações arqueológicas. Além da datação das culturas humanas ao longo do tempo a cerâmica é importante para acessarmos inclusive o papel do sexo na divisão do trabalho. 

Segundo o estudo realizado por Kantner e cols.(2019) e publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences2019 Jun 18; 116(25), foram coletados 985 fragmentos de cerâmica, da da comunidade ancestral Puebloan, uma antiga cultura nativa nos Estados Unidos. Este período é caracterizado pelo rápido surgimento de um centro político e religioso altamente influente na região Flórida/EUA, conhecida como Canyon Chaco. Kantner e seus colegas usaram o fato de as linhas das digitais serem, em média, mais distantes umas das outras, nos dedos dos homens do que nós dedos das mulheres, para estabelecer qual era o sexo das pessoas que fizeram a peça cerâmica.
Os pesquisadores descobriram (gráfico a seguir) que 47% dos fragmentos foram feitos por mãos distintamente masculinas, 40% por mulheres (ou talvez crianças) e 13% tinham falhas que não possibilitaram a identificação, refutando a ideia de que cerâmica era um trabalho especificamente feminino.

Proporção de mãos (baseado nas distancias entre as linhas das digitais) femininas e masculinas que produziram as peças cerâmicas. (Kantner e cols., 2019)


Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, o homem necessitava não apenas de um abrigo, mas de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes para a próxima safra. 

Durante o Paleolítico o homem começou desenvolver técnicas, que no no final desse período e no início do Neolítico contribuíram para fabricação de objetos e recipientes 
cerâmicos  destinados  a  preparar,  assar,  cozer  e  guardar  alimentos, além de  sepultar seus entes queridos. Esses humanos praticavam  a  caça,  pesca  e  a  coleta,  detinham  também  conhecimentos  de horticultura, o que lhes possibilitava a permanência mais prolongada em um mesmo local e a formação de grupos mais numerosos (Chmyz e cols, 2009).

Tais vasilhas tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis a umidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram encontradas na argila, deixando pistas sobre civilizações e culturas que existiram milhares de anos antes da Era Cristã.

A cerâmica é o processo e os produtos desse processo, ou seja a produção de vasos e outros objetos com argila e outros materiais cerâmicos, que são queimados em altas temperaturas para dar-lhes uma forma rigida, resistente e durável. Os principais tipos incluem faiança, grés e a porcelana. O lugar onde tais objetos são produzidos por um oleiro é chamado de olaria.

A cerâmica é uma das indústrias humanas mais antigas que remonta a milhares de anos. Uma vez que os humanos descobriram que a argila podia ser encontrada em abundância e transformada em objetos primeiro misturando-se com água e depois queimando, nasceu uma indústria chave para as atividades humanas. 

Antes do final do período Neolítico ou período da Pedra polida, que compreendeu, aproximadamente, de 28.000 - 26.000 a.C. até por volta de 5.000 a.C. a habilidade na manufatura de peças de cerâmica deixou o Japão e, se espalhou pela Europa e Ásia, não existindo, entretanto, um consenso sobre como isto ocorreu.

O artefato cerâmico mais antigo conhecido é datado de 28.000 aC (AEC = Antes da Era Comum), durante o período paleolítico tardio. É uma estatueta de uma mulher, chamada Vênus de Dolní Věstonice, de um pequeno assentamento pré-histórico perto de Brno, na República Tcheca. Neste local, centenas de estatuetas de barro representando animais da Idade do Gelo também foram recuperá-las de escavações, próximos dos restos de um forno em forma de ferradura.

Os primeiros exemplos de cerâmica apareceram na Ásia Oriental vários milhares de anos depois. Na caverna de Xianrendong, na China, foram encontrados fragmentos de vasos datados de 18.000 - 17.000 a.C. 

Acredita-se que da China o uso da cerâmica se espalhou sucessivamente para o Japão e a região do Extremo Oriente russo, onde os arqueólogos encontraram fragmentos de artefatos cerâmicos datados de 14.000 a.C.

O uso da cerâmica aumentou dramaticamente durante o período Neolítico, com o estabelecimento de comunidades assentadas dedicadas à agricultura e à criação de animais. A partir de aproximadamente 9.000 aC, a cerâmica à base de argila tornou-se popular como recipientes para água e comida, objetos de arte, azulejos e tijolos, e seu uso se espalhou da Ásia para o Oriente Médio e Europa. 

Os primeiros produtos cerâmicos eram apenas secos ao sol ou queimados a baixa temperatura (abaixo de 1.000°C) em fornos rudimentares cavados no solo. A cerâmica era monocromática ou decorada por motivos lineares ou geométricos simples.

Sabe-se que, por volta de 7.000 aC, as pessoas já usavam ferramentas afiadas feitas de obsidiana, um vidro vulcânico natural. O historiador romano Plínio relatou que o primeiro vidro feito pelo homem foi produzido acidentalmente por comerciantes fenícios em 5.000 a.C.  Enquanto descansavam em uma praia, colocaram panelas em rochas ricas em sódio perto de uma fogueira. O calor do fogo derreteu as rochas e as misturou com a areia, formando o vidro fundido.

Os arqueólogos não conseguiram confirmar a recontagem de Plínio. Em vez disso, itens de vidro simples, como contas, foram descobertos na Mesopotâmia e no Egito, datando de 3.500 aC. No início da Idade do Bronze, a cerâmica vidrada era produzida na Mesopotâmia. No entanto, não foi até 1.500 aC que os egípcios começaram a construir fábricas para criar vidraria para unguentos e óleos.

Outros atribuem a invenção do vidro aos antigos egípcios, já que os objetos mais antigos feitos com esse material, datados em 4.500 anos, foram encontrados em seu território. O vidro é obtido aquecendo uma mistura de sílica, (areia); soda cáustica e sal de cozinha a uma temperatura de 1700°C, até os três elementos derreterem, misturaren-se e, em seguida, cristalizarem. No início, fabricavam-se apenas blocos maciços até que, por volta de 2000 a.C, começaram a ser moldadas pequenas vasilhas e potes, despejando-se a massa de vidro numa fôrma de barro. Cerca de 1.500 anos depois, os egípcios começaram a fazer também vidro para janelas. A massa de vidro ainda pastosa era colocada sobre uma mesa de bordas altas, para que o material não escorresse pelas laterais, e alisada com um rolo, produzindo-se lâminas com diferentes espessuras. 

Mas foram os babilônios que deram um grande impulso a essa tecnologia ao inventarem, no século II a.C., o ferro de assoprar, instrumento que permite moldar o material no formato desejado. Na Roma antiga, pequenos pedaços de vidro de cores diferentes eram cortados e colados juntos, formando mosaicos. Essa técnica tornar-se-ia a base da famosa produção veneziana, que, a partir do século XIII, elevou a fabricação de vidro a uma nova categoria artística. O vidro é muito importante também para a cerâmica pois os vidrados e os esmaltes são produzidos com vidro. 

O uso da cerâmica aumentou dramaticamente durante o período Neolítico, com o estabelecimento de comunidades assentadas dedicadas à agricultura e à agricultura. A partir de aproximadamente 9.000 aC, a cerâmica à base de argila tornou-se popular como recipientes para água e comida, objetos de arte, azulejos e tijolos, e seu uso se espalhou da Ásia para o Oriente Médio e Europa. Os primeiros produtos eram apenas secos ao sol ou queimados a baixa temperatura (abaixo de 1.000°C) em fornos rudimentares cavados no solo. A cerâmica era monocromática ou decorada pintando motivos lineares ou geométricos simples.


Linha do tempo da cerâmica e do vidro 



Linha do tempo da cerâmica seus processos e do vidro.




Técnicas de construção. Tratamento da superfície das peças. 
Secagem e queima. Noções básicas de esmaltação.


A cerâmica é uma atividade de produção de artefatos a partir da argila, que se torna muito plástica e fácil de moldar quando umedecida. Depois de submetida a uma secagem para retirar a maior parte da água, a peça moldada é submetida a altas temperaturas ao redor de 1.000oC, que lhe atribuem rigidez e resistência, mediante a fusão de certos componentes da massa, e em alguns casos fixando os esmaltes na superfície.

Essas propriedades permitiram que a cerâmica fosse utilizada na construção de casas, vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos, óleos, perfumes, na construção, moldagem de urnas funerárias e até como "papel" para escrita (tablets de argila).

Um dos grandes exemplos da antiga arte cerâmica chinesa está expressa pelos guerreiros de Xian. Trata-se de uma das maiores descobertas arqueológicas, que ocorreu naquela província chinesa em 1974. Lá foi encontrado o túmulo do imperador Chi-Huand-di, que nasceu por volta do ano 240 antes de Cristo. Para decorá-lo, foi feita a réplica, em terracota, de um exército de soldados em tamanho natural. Terracota é o termo empregado para a argila modelada e cozida em forno.

A maioria das culturas, desde seus primórdios, acabou por desenvolver estilos próprios que com o passar do tempo consolidavam tendências e evoluíam no aprimoramento artístico, a ponto de poder situar o estado cultural de uma civilização através do estudo dos artefatos cerâmicos que produziam.


Basil 

No Brasil, a cerâmica tem seus primórdios na Ilha de Marajó. A cerâmica marajoara tem sua origem na avançada cultura indígena que floresceu na Ilha. Estudos arqueológicos, contudo, indicam a presença de uma cerâmica mais simples, ocorreu, ainda, na região amazônica por volta de 5.000 anos atrás.

A cerâmica marajoara era altamente elaborada e de uma especialização artesanal que compreendia várias técnicas: raspagem, incisão, excisão e pintura.

A modelagem era tipicamente antropomorfa, embora ocorressem exemplares de cobras e lagartos em relevo. De outros objetos de cerâmica, destacavam-se os bancos, estatuetas, rodelas-de-fuso, tangas, colheres, adornos auriculares e labiais, apitos e vasos miniatura.

Mesmo desconhecendo o torno e operando com instrumentos rudimentares, o índio conseguiu criar uma cerâmica de valor, que dá a impressão de superação dos estágios primitivos da Idade da Pedra e do Bronze.

Europa

No Mediterrâneo, algum trabalhador desconhecido inventou o aparelho, que permitia fazer vasos perfeitos, de superfície lisa e espessura uniforme, num tempo relativamente breve. Esta roda de madeira movida por um pedal foi criada aproximadamente em 2000 a.C..

Os gregos continuaram por muitos séculos, produzindo as melhores peças de cerâmica do Mundo Mediterrâneo, mesmo quando as margens deste mar haviam se tornadas colônias romanas. Ainda em nossos dias, perdura a fama dos vaseiros de Atenas e Samos, de onde seus inúmeros pratos e taças de delicado acabamento, se caracterizavam por ter o fundo negro ou azul e desenhos escarlates. De outro lado, os gregos foram durante o domínio romano, os artífices mais apreciados, não só na cerâmica, mas também na ourivesaria, na pintura e em qualquer outro ramo de arte. Seu bom gosto, sua filosofia, sua literatura, havia se imposto aos rudes conquistadores latinos, que acabaram assimilando, instintivamente, a milenar cultura da Hélade na antiga Grécia.

Oficina de cerâmica foi encontrada por arqueólogos no norte do Egito. A missão arqueológica desenterrou várias áreas de fabricação de cerâmicas, entre elas, um lugar onde a argila era misturada com outros ingredientes e uma seção onde a matéria-prima era moldada. Também havia um recinto para a secagem dos vasos no sol e um local com fornos para que o barro fosse queimado até virar o produto final. (Foto: Facebook/Ministério do Turismo e Antiguidades) (galileu)

Com a prosperidade da cerâmica, cada povo descobriu seu estilo próprio, e com isso, surgiram novas técnicas. Foi assim, que os artífices chineses, desde a metade do terceiro milênio antes de Cristo, criaram objetos de design, pintados e esmaltados. Foram justamente eles os primeiros a usar, a partir do segundo século antes da nossa era, um finíssimo pó branco, o caulim, que permite fabricar vasos translúcidos e leves. Nasce, então, a porcelana.

Também, na Itália, existia um florescente artesanato: os etruscos, em meados do segundo milênio antes de Cristo, já fabricavam vasos esmaltados de grande qualidade. Cerâmicas etruscas ornamentavam, além das gregas e persas, as mansões dos patrícios romanos: as formas bizarras, os esmaltes vivos e brilhantes, os vagos desenhos ornamentais.

Na Itália, os ceramistas continuaram a trabalhar com velhos sistemas etruscos e gregos, ainda durante os séculos obscuros da Idade Média. No início do Renascimento, havia produtos manufaturados em Gubbio, Volterra, Faenza, Deruto e Montelupo. Em todas estas cidades, desenvolveram-se indústrias bem distintas, cada qual com estilo e técnica própria: os sistemas de cozimento, de esmaltar, a composição dos vernizes, tudo era mantido em rigoroso segredo. Basta lembrar, entre os ceramistas italianos, Luca e Andrea Della Robbia, que souberam criar baixo-relevos de terracota vidrada e pintada, que se vêem em quase toda parte, nas paredes das vilas e dos castelos da Itália Central.

A escola de Faenza ganhou tanta celebridade que deu seu nome a todos os objetos de cerâmica que, da Itália, se difundiam pela Europa: daí o nome faiança em português, e o faience, lembrando o nome da cidade Romana.

As cerâmicas de Faenza e a Maiólica são muito parecidas, sendo muito difícil distinguir uma da outra. Esse tipo de cerâmica branca denominada de Maiólica tem a superfície lisa e vidrada. Seu nome deriva de uma ilha do arquipélago das Baleares (hoje Majorca), onde os árabes haviam implantado uma indústria bastante florescente. Em Sévres e em Capodimonte, são fabricadas graciosas e delicadas estatuetas que, às vezes, assumem excepcional valor artístico pela perfeição do acabamento ou pela raridade do desenho.

A origem do nome azulejo provém dos árabes, sendo derivado do termo "azuleicha”, que significa "pedra polida". A arte do azulejo foi largamente difundida pelos islâmicos. Os árabes levaram a arte do azulejo para a Espanha e de lá se difundiu por toda a Europa.

A influência dos árabes na cerâmica peninsular e depois na européia foi enorme, pois eles trouxeram novas técnicas e novos estilos de decoração, como a introdução dos famosos arabescos e das formas geométricas, que os islâmicos desenvolveram a fundo. Foi tão forte a influência árabe na península Ibérica, que mesmo depois da reconquista do território pelos cristãos, ela permaneceu. Disso resultou o chamado estilo hispano-mourisco.

Com a reconquista do território pelos católicos, muitos artífices árabes preferiram ficar e passaram a combinar os elementos de arte cristã, românica e gótica com os árabes, criando um novo estilo chamado mudéjar.

A cerâmica de corda seca, técnica que permite combinar várias cores num azulejo foi desenvolvida na Pérsia durante o século XIV como substituto menos dispendioso que o mosaico, continuando, ainda hoje, a ser utilizada.

A decoração deste azulejo, em forma de estrela, consiste numa estrutura complexa baseada numa flor de lótus estilizada e composta por dez pétalas. O centro é decorado com uma estrela de seis pontas com vestígios de dourado. Esta forma combinava-se com azulejos de outras tipologias – pentágonos, hexágonos, e outros polígonos –, formando assim um padrão geométrico elaborado, sendo geralmente a estrela com doze pontas o elemento central da composição.

A paleta cromática inclui o branco, o turquesa e o manganês sobre um fundo de azul cobalto e ouro. Estes painéis de azulejos revestiam, entre outros edifícios, mesquitas e madrasas, acentuando a sua simetria e transmitindo uma imagem de opulência.

Na Pérsia, a arte insuperável dos Sumérios e Babilônios, não se extinguira e continuava a produzir, além de ânforas, bacias, taças esculpidas e pintadas, maravilhosos azulejos, para revestir fachadas e vestíbulos. Devido à dominação árabe do Mediterrâneo, entre o sexto e o décimo quarto século antes de Cristo, a cerâmica da Pérsia foi difundida, juntamente com sua técnica para a Sicília, Espanha e Ásia Menor.

Por causa disso, ainda hoje, por onde se estendeu o Império dos Califas, é possível admirar esses produtos, encontrados em palácios fantasticamente ornamentados, com molduras de cerâmica brilhantes, pátios de decoração rebuscada, compostos de milhares de azulejos esmaltados.

As primeiras utilizações conhecidas do azulejo em Portugal, como revestimento monumental das paredes, foram realizadas com azulejos importados de Sevilha em 1503, tornando-se uma das mais expressivas artes ornamentais, assumindo grande relevo na arquitetura.

Portugal, apesar de não ser grande produtor de revestimentos cerâmicos, foi o país europeu que, a partir do século XVI, mais utilizou o revestimento cerâmico em seus prédios. Esse gosto pela cerâmica inicia-se a partir de suas navegações iniciadas no século XV quando entra em contato com outras civilizações, fundindo as suas manifestações artísticas com vários desses países, como as de origem mulçumana, herdeira das tradições orientais, assírias, persas, egípcias e chinesas. A admiração pela cerâmica de revestimentos ganha dimensões de arte verdadeiramente nacional, capaz de identificar a sensibilidade e peculiaridade de sua gente e país.

Já no século XV são encontrados Palácios Reais revestidos, em seu interior, com azulejos. Mas é a partir do século XVI, com uma produção regular de revestimento cerâmico no país, que seu uso se torna freqüente em igrejas, conventos e em Palácios Nobres da alta burguesia. O uso, em sua maioria, se restringia aos interiores, em forma de tapetes, ou apenas como material ornamental. Quando utilizado exteriormente, limitava-se ao revestimento de pináculos e cúpulas das igrejas, devido o seu alto custo.

No século XVIII, o Marques de Pombal, enquanto Primeiro Ministro de D. João VI, em Portugal, implanta um projeto de industrialização manufatureira no país. Cria-se, então, a Fábrica de Loiça do Rato, que simplificava os padrões dos azulejos existentes (de rococós com predominância de concheados nos emolduramentos, policrômicos, passam a perder a volumetria, suas cores tornam-se mais flamejantes e começam a ser permeados de motivos neoclássicos) com o intuito de aumentar a produção. Com isso, o custo do produto diminui significativamente, sendo acessível a um público maior. Já podia se ver, então, o revestimento cerâmico estendendo-se a espaços intermediários entre interior e exterior, como no revestimento de alpendres, pátios, claustros; também enfeitando os jardins com seus bancos ou chafarizes revestidos.

Fritas e Corantes

Estes dois produtos são importantes matérias-primas para diversos segmentos cerâmicos que requerem determinados acabamentos.

Frita (ou vidrado fritado) é um vidro moído, fabricado por indústrias especializadas a partir da fusão da mistura de diferentes matérias-primas. É aplicado na superfície do corpo cerâmico que, após a queima, adquire aspecto vítreo. Este acabamento tem por finalidade aprimorar a estética, tornar a peça impermeável, aumentar a resistência mecânica e melhorar ou proporcionar outras características.

Corantes constituem-se de óxidos puros ou pigmentos inorgânicos sintéticos obtidos a partir da mistura de óxidos ou de seus compostos. Os pigmentos são fabricados por empresas especializadas, inclusive por muitas das que produzem fritas, cuja obtenção envolve a mistura das matérias-primas, calcinação e moagem. Os corantes são adicionados aos esmaltes (vidrados) ou aos corpos cerâmicos para conferir-lhes colorações das mais diversas tonalidades e efeitos especiais.


Abrasivos

Parte da indústria de abrasivos, por utilizarem matérias-primas e processos semelhantes aos da cerâmica, constituem-se num segmento cerâmico. Entre os produtos mais conhecidos podemos citar o óxido de alumínio eletrofundido e o carbeto de silício.


Vidro, Cimento e Cal

São três importantes segmentos cerâmicos e que, por suas particularidades, são muitas vezes considerados à parte da cerâmica.


Chamote

O chamote é uma cerâmica que já foi queimada e depois moída e peneirada, apresentando grão fino, médio ou grosso. As massas cerâmicas com chamote apresentam mais resistência a seco e ao choque térmico e um nível menor de retração tanto na secagem quanto na queima. Essas massas são frequentemente utilizadas na produção de peças escultóricas e também na confecção de pratos, pois o chamote previne que os mesmos "empenem" durante a queima. Quando utilizado em proporções entre 30% e 40%, o chamote pode produzir texturas na superfície das peças. Os fornecedores de massas cerâmicas profissionais oferecem opções que já levam chamote em sua composição, ou o mesmo pode ser comprado em pó e adicionado à massa antes da produção das peças.” 



















Fontes 































25 março 2022

HENRY SCOTT TUKE

HENRY SCOTT TUKE

Henry Scott Tuke (12 de junho de 1858 - 13 de março de 1929), artista visual inglês. Ocupou-se principalmente da pintora, mas também da fotografia. 

Notabilizou-se principalmente pelas pinturas no estilo impressionista, e ele tornou-se mais conhecido por suas pinturas de meninos e jovens nus. 

Tuke nasceu na Rua Lawrence, em York, no seio de uma família quaker proeminente. O seu irmão William Samuel Yuke nasceu dois anos antes, em 1856. O seu pai, Daniel Hack Tuke, um médico bem conhecido, especializado em psiquiatria, foi um ativista na promoção do tratamento de dementes. O seu trisavô William Tuke tinha fundado o Retiro de York, um dos primeiros hospícios modernos, em 1796. O seu bisavô Henry Tuke, o seu avô Samuel Tuke e o seu tio James Corte Tuke, foram também famosos ativistas sociais. A ascendência da família Tuke pode ser seguida até Sir Brian Tuke, que serviu como conselheiro do rei Henrique VIII da Inglaterra (em substituição de Sir Thomas More).

Em 1859, a família mudou-se para Falmouth, na Cornualha, na esperança de que o clima mais ameno beneficiasse o pai de Tuke, Daniel, que apresentava sintomas de tuberculose. Daniel sobreviveu e acabou por viver até os 68 anos. Abriu um pequeno consultório na sua casa, em Wood Lane. A irmã de Henry, Maria Sainsbury Tuke (1861-1947) que escreveu a biografia do irmão após a sua morte, nasceu nesta casa. O seu irmão, William, decidiu estudar medicina, como o pai, mas Henry, ou Harry como era chamado pela família, não demonstrou qualquer interesse nessa profissão. Tuke foi incentivada a desenhar e pintar desde tenra idade. Tuke e os seus irmãos aprenderam a ler, escrever e contar com uma governanta, em casa. Maria descreveu a sua infância em Falmouth como "muito feliz e saudável" e os longos dias de verão passados ​​na praia e a nadar no mar tiveram um efeito duradouro sobre o jovem Tuke, que aí colecionou recordações e amizades firmes e duradouras.



















Formado na Slade School of Art com Alphonse Legros e Sir Edward Poynter, Tuke desenvolveu uma estreita relação com a Escola de pintores Newlyn, sendo o seu trabalho exposto na Royal Academy of Arts, da qual se tornou Membro Titular. Além de suas realizações como pintor figurativo, ele era um artista marítimo estabelecido e produziu muitos retratos de veleiros. Ele foi altamente prolífico, com mais de 1.300 trabalhos listados e mais sendo descobertos.

Em seu testamento deixou quantidades generosas de dinheiro para alguns dos homens que, durante a juventude, haviam sido seus modelos. Hoje é recordado principalmente pelas suas pinturas a óleo de rapazes nus banhando-se, mas para além do seu trabalho como pintor figurativo, a sua obra relacionada com o mar ficou também famosa. 

Tuke foi um prolífico artista, conhecendo-se-lhe mais de 1.300 obras, sendo que continuam a ser descobertas novas obras da sua autoria.





Em 1874, com 21 anos, Tuke mudou-se para Londres, onde se matriculou na Slade School of Art. Tinha sido em Falmouth que o jovem Tuke havia descoberto os prazeres do banho nu no mar, um hábito que manteve até à velhice. Em 1880, depois de se formar, viajou para Itália, e no período de 1881 a 1883 viveu em Paris, onde estudou com o pintor de temas históricos franceses Jean-Paul Laurens e conheceu o pintor americano John Singer Sargent (que também era um pintor de nus masculinos, embora esse fato não fosse conhecido durante a sua vida). 

Durante a década de 1880, Tuke conheceu Oscar Wilde e outros poetas e escritores proeminentes, como John Addington Symonds, a maioria dos quais eram homossexuais (então conhecidos como uranianos), que também enalteciam a forma fisica do adolescente masculino. Tuke escreveu um "soneto para a juventude", que foi publicado anonimamente em The Artist, e também contribuiu com um ensaio para The Studio. “The Studio: An Illustrated Magazine of Fine and Applied Art” era uma revista ilustrada de artes plásticas e artes decorativas publicadas, fundada em Londres, e foi publicada de 1893 a 1964. O fundador e primeiro editor foi Charles Holme, Jornalista, escritor, editor, e crítico de arte britânico. A revista exerceu grande influência no desenvolvimento dos movimentos Art Nouveau e Arts and Crafts. Posteriormente Foi absorvida pela revista Studio International em 1964.







20 março 2022

EQUINÓCIO DE OUTONO


EQUINÓCIO DE OUTONO
OU 


Equinócio é um termo astronômico, que é definido como o instante em que o Sol, em seu caminho na eclíptica, (sua órbita aparente) como visto da Terra, cruza o equador celeste. O equador celeste é a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste.

O Sol só estará sobre nossas cabeças ao meio-dia se estivermos entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio (incluindo essas duas linhas imaginárias) e, mesmo assim, em determinadas datas. Contudo, curiosamente, neste exato momento, não importando a hora do dia em que você esteja lendo este texto, em algum ponto da Terra entre os trópicos, o Sol está a pino (no zênite). Isso ocorre porque, sendo a Terra esférica e os raios solares paralelos, sempre haverá um ponto em nosso planeta onde a incidência da luz do Sol é vertical. Dito isto, chegamos a conclusão de que no dia do equinócio o sol estará a pino na linha do equador e inclinado em todos os outros pontos do planeta. 

O Equinócio Vernal dá-se por volta do dia 21 de março, marcando o início da Primavera no hemisfério norte do planeta e o outono no hemisfério sul, assim como o Equinócio Outonal que dá-se por volta dos dias 22 e 23 de Setembro, marcando a entrada do outono no hemisfério norte e a primavera no hemisfério sul.

Simulação dos equinócios e solstícios. 
(gf)

O Sol cruza o equador celeste nos chamados equinócios: equinócios de Primavera e de Outono. 

No seu ponto mais baixo durante o ano o Sol está a 23.5º acima do equador i.e., Solstício de Inverno, e no seu ponto mais alto está 23.5º abaixo do equador i.e., Solstício de Verão, isso no hemisfério sul. Hoje o Sol na eclíptica interceptou o equador celeste no ponto vernal (à zero grau, na constelação de Peixes).

É este movimento que é responsável pela existência das estações e também pelo fato de o Sol bater em diferentes momentos do ano num ou doutro lado da sua casa. 

No meu caso, por exemplo, minha casa está quase alinhada L-O. O Sol nasce na janela do meu quarto passa pela janela da dá-la e se põe à oeste na janela do escritório. Ao longo de todo ano tenho raios de Sol entrando em casa. Todavia, nos meses de inverno quando o sol passa pelo meridiano o tamanho da área iluminada é relativamente maior. Isso se dá porque o sol está no hemisfério norte, i.e., sua altura no céu ao meio dia é menor em relação ao horizonte. 

Equinócios e solstícios. 

Simulação dos equinócios e solstícios terrestres. 


Solstício e equinócios então são fenômenos celestes ou astronômicos, que estão relacionados com o início de cada uma das quatro estações do ano em nosso planeta. Para mim que moro na região sul (sul do Brasil) as estações são bem pronunciadas. 

Como o sol em seu novembro parente no céu ao longo do ano, cruza duas vezes pelo equador celeste, isso faz com que ocorram dois equinócios: o equinócio de primavera e o equinócio de outono e dois solstícios, o solstício de verão e o solstício de inverno.

Tanto os solstícios como os equinócios acontecem em consequência do eixo de rotação da Terra ser inclinado 23,5° em relação ao plano da eclíptica. 
E como o eixo da Terra aponta sempre para a Estela polar (α UMi, α Ursae Minoris, Alpha Ursae Minoris, comumente chamada de Estrela do Norte ou Estrela Polar, polo norte celeste) e para estrela sigma do Oitante (σ Octans, no polo sul celeste), o deslocamento faz com que os diferentes hemisférios sejam iluminados de forma desigual ao logo dos 365 dias. 

À medida que a Terra ao se deslocar em sua órbita e como o seu eixo é inclinado, um hemisfério recebe mais luz e calor do Sol do que o outro hemisfério no verão. 

Em dezembro, no hemisfério sul da Terra, em virtude da inclinação do eixo do planeta, é este hemisfério que recebe mais luz e calor.  É quando acontece o solstício de verão, no primeiro dia da estação mais quente do ano, dia 21 de dezembro. neste dia o sol está a pino na cidade de São Paulo. Essa é a distância máxima q o Sol pode chegar ao sul. E aí está o trópico de Capricórnio. 

O oposto está acontecendo com o hemisfério norte, nesse mesmo momento, em dezembro. A  posição do planeta Terra em sua órbita deixa esse hemisfério inclinado mais afastado do sol. É o primeiro dia do inverno, i.e., o solstício de inverno. 


AEQUINOX

Há épocas do ano em que tanto o hemisfério sul e o hemisfério morte recebem a mesma quantidade de luz do sol. É quando acontecem os equinócios. Por esse motivo, no dia dos equinócio o dia e a noite têm a mesma duração.


Movimento da Terra ao redor do Sol e suas posições nos equinócios e solstícios para o hemisfério sul (Bedaque & Bretones, 2020) (esquema feito por mim segundo diversas fontes)

A palavra equinócio vem do latim, aequinoctium, aequus, igual e nox, noite, e significa "noites iguais", ocasiões em que o dia e a noite tem a mesma duração. Ao medir-se a duração do dia, considera-se que o nascer do sol (alvorada, aurora) é o instante em que metade do círculo solar está acima do horizonte, e o pôr do sol (crepúsculo ou ocaso) o instante em que o círculo solar está metade abaixo do horizonte. Com esta definição, o dia e a noite durante os equinócios têm igualmente 12 horas de duração.

Depois do dia em que acontece o equinócio de outono, o número de horas com luz, i.e., os dias vão diminuindo e as noites vão aumentando, até chegar ao dia em que acontece o solstício de inverno, que é a noite mais longa do ano. A partir desse dia os dias vão aumentando até chegar a primavera, onde as horas de luz (dia) são iguais as horas sem luz (noite). E continuam aumentando até o solstício de verão. 

Movimento da Terra ao redor do Sol e sua posição nos equinócios e solstícios para o hemisfério sul.

Afélio e periélio da Terra para 2022. 
(OAL

No solstício de verão o número de horas com luz (dia) é maior do que o número de horas sem luz (noite). Depois dessa data, a noite começa a aumentar dia após dia até ficarem com a mesma duração novamente.

Assim, quando no hemisfério sul acontece o equinócio de outono, no hemisfério norte acontece o equinócio de primavera.


Diferença entre solstício e equinócio

O solstício e o equinócio são fenômenos astronômicos que dão início às estações do ano. 

Enquanto o solstício acontece em junho e em dezembro, dando início ao inverno e ao verão, respectivamente, o equinócio acontece em março e em setembro, dando início ao outono e à primavera respectivamente.

Como a Terra possui um eixo de inclinação em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol, as datas em que esses fenômenos ocorrem são invertidas nos dois hemisférios. Por exemplo, quando é Equinócio de Outono no Hemisfério Sul, será Equinócio de Primavera no Hemisfério Norte. O mesmo é válido para as ocasiões em que ocorrem os Solstícios.

Posição do sol durante os equinócios. 

Posição do nascer do sol durante os solstícios. 

Isso acontece porque no solstício de verão, o eixo da Terra está virado para o Sol, por isso, está mais quente, e começa o verão. 

No solstício de inverno, o eixo da Terra está mais afastado do Sol do que em qualquer outro dia do ano, por isso, está mais frio, e começa o inverno.



Nos equinócios, a inclinação do eixo da Terra faz com que ambos hemisférios recebam a mesma quantidade de luz pois o eixo está inclinado lateralmente; assim, os a duração do dia e da noite é igual. 



Por esse motivo, os dois hemisférios recebem a mesma proporção de luz do sol. No equinócio de primavera começa a primavera, e no equinócio de outono inicia o outono.




















OUTRAS FONTES E LEITURAS 


SIGNIFICADO DO EQUINÓCIO NO TEMPO
(Textos retirados da internet) 

YULE
Quem disse que o dia mais curto do ano não pode ser celebrado? Em algumas partes do mundo, durante o Solstício de Inverno do Hemisfério Norte, festeja-se o Yule, também conhecido como Festival das Luzes. Nessa tradição, de origem germânica/escandinava, os participantes comemoram o início do inverno acendendo velas, fogueiras e tochas, em homenagem ao começo de um novo ciclo! (UFMG)

MABON
Durante o Equinócio de Outono, em certas regiões do planeta, determinadas culturas celebram o Mabon, conhecido por ser uma homenagem aos alimentos colhidos durante a estação. De acordo com os costumes, esse é o momento de agradecer pela fartura frente ao inverno que está por vir.


Esfinge


Tais eventos foram muito bem observados por várias culturas e civilizações antigas que deram a esse fenômeno uma importância muito especial, como momentos preciosos para integrar-se com as forças da natureza e do cosmos. Esta tamanha importância é vista  pelos numerosos monumentos e construções erguidas com sincronia matemática em relação as características dos equinócios.
A grande esfinge Egípcia por exemplo foi deixada de forma que seu olhar direciona-se para a posição do sol nascente quando está no equinócio de primavera. Seu corpo de Leão associa-se ao signo que representa o próprio sol, o astro rei dos céus.

Stonehenge




Os monumentos celtas de Stonehenge e Newgrange apresentam engenharia alinhada com a projeção do Sol no ponto do equinócio vernal, representando que o Sol (princípio masculino) fecunda a Terra (princípio feminino) trazendo vida em abundância.

Kukulcan



A pirâmide maia de Kukulcán possui suas faces alinhadas com os pontos cardeais. Durante os equinócios de primavera e outono, grandes esculturas de serpentes emplumadas que guarnecem a escadaria Norte, criam sombras que parecem mover-se dando a sensação de estarem vivas.
Muitos outros povos como os Sumérios e Babilônios aproveitavam estes momentos do início e final de cada estação para realizar cerimônias de agradecimento as divindades por tudo o que lhe era concedido, em especial em relação aos alimentos e a agricultura, base para a sobrevivência e prosperidade do povo.

Semelhantemente a cultura Judaica em sua tradição Birkat Hahama afirma que Deus criou o Sol ao quarto dia colocando-o no céu no equinócio de primavera. Este dia é considerado importante para as criaturas abençoarem a Deus por suas obras.

Culturas mediterrâneas celebravam a entrada da primavera como o retorno de Perséfone, que antes disso permanecia com Hades no submundo (as trevas). Sua volta representa o retorno da fertilidade da natureza para a renovação de todas as coisas. Perséfone é a deusa das ervas, das flores, frutos e perfumes, foi também chamada de Karpophoros, que em grego significa frutífera, e Praxidikê, que significa executora da justiça. Isso significa que a mesma força que vêm para fazer as coisas frutificarem vêm também para dar uma oportunidade à humanidade de acertar as contas ou karmas pendentes. O momento preciso dos equinócios representa também quando a balança encontra-se no ponto de equidade (gnose).

Texto da super interessante 

É possível ao homem enxergar, a olho nu, uma divindade? Para os maias, a resposta era sim. Nos dias dos equinócios de primavera e de outono, o próprio deus Kukulkan se fazia visível por um instante, sob a forma de uma cobra. Seu surgimento era o ponto alto de complexos e sangrentos rituais que os sacerdotes conduziam entre os séculos 10 e 13 d.C. na cidade de Chichén Itzá, com o objetivo de agradecer o auxílio do deus ou de pedir sua proteção para campanhas militares. Hoje a civilização maia desapareceu, mas Kukulkan continua visitando Chichén Itzá. E não há nada de sobrenatural. No momento do equinócio, a luz do Sol incide sobre a balaustrada da principal escadaria de um templo em forma de pirâmide dedicado ao deus. O ângulo dos raios solares faz com que se projetem sobre a face sul do templo as sombras contíguas de sete triângulos isósceles, e o resultado é uma única sombra contígua com 33 m de extensão, que se liga a uma cabeça de cobra esculpida em pedra.

A combinação de conhecimento arquitetônico, matemático, geométrico e astronômico com devoção religiosa não era exclusividade maia. Na verdade, os arqueólogos encontraram tantos exemplos em culturas da Pré-História, da Antiguidade e da América Pré-Colombiana que acabaram criando uma área específica. Mas o maior legado da arqueoastronomia, que é o estudo da cultura astronômica dos povos do passado, parece consistir em mudar as idéias que temos sobre nossos ancestrais. (super)

O círculo de pedras de Stonehenge, na região de Salisbury, no sul da Inglaterra, é o mais famoso monumento arqueoastronômico do mundo. O lugar foi concebido de tal forma que um observador em seu interior poderia determinar, com bastante exatidão, a ocorrência de datas significativas como os solstícios e equinócios, eventos celestes que anunciam as mudanças de estação. Para isso, bastaria que se posicionasse adequadamente entre os mais de 70 blocos de arenito que o compunham e observasse na direção certa.

A descoberta do significado astronômico dos alinhamentos das pedras, feita nos anos 1960, surpreendeu os arqueólogos ao mostrar o grau de conhecimento que possuíam os povos neolíticos que iniciaram a construção de Stonehenge quase 3 mil anos antes de Cristo.

Astronomia oral
Qual a origem do interesse do homem pré-histórico pelo movimento dos astros? Alguns teóricos apostam no surgimento das primeiras sociedades agrícolas, que aconteceu há cerca de 10 mil anos. "A vida dos povos agrícolas está ligada ao ciclo das estações. O homem pré-histórico precisava demarcar o tempo para saber quais eram as melhores épocas para colheita e semeadura, e a observação do céu nasce daí", explica o historiador Johnni Langer, estudioso de monumentos arqueoastronômicos .

Se a observação do Sol ajudava a identificar a mudança das estações, a da Lua era igualmente importante, pois suas fases exercem grande influência em vários eventos naturais, ligados ou não ao crescimento de plantas (acredita-se que na Pré-História até a menstruação das mulheres acompanharia o ciclo lunar).

Uma ferramenta de osso encontrada num abrigo na região da Dordogne, na Franca, é apontada como evidência de que o homem já registrava as fases da Lua 30 mil anos atrás. Ou seja, os construtores de Stonehenge eram na verdade os herdeiros de muitos milhares de anos de observação e registro da movimentação dos astros.

Igualmente espantoso é pensar que toda a acumulação e transmissão dessas informações, num processo que levou gerações, foi feito por povos que não conheciam a escrita. "Para nós isso parece surpreendente, mas basta lembrar que todo o sofisticado saber náutico e astronômico dos vikings (que viveram entre os séculos 7 e 10 d.C.) era transmitido de forma oral", diz Langer.

divulgação
English Heritage
Templo
A partir das ruínas de Stonehenge que subsistiram (esq.), é possível imaginar qual tenha sido sua aparência original (acima)
A morada dos deuses

O uso da astronomia como ferramenta agrícola, porém, é insuficiente para explicar o percurso que leva de uma ferramenta de osso à pirâmide de Kukulkan, construída já durante a Era Cristã. Com o tempo, a observação do céu ganhou importância por outras razões.

"Acho que a astronomia se desenvolveu tanto na Antiguidade porque as pessoas estavam basicamente buscando por ordem", diz o americano David Aveni, um dos maiores especialistas em arqueoastronomia em atividade. "Nessa busca perceberam que, entre todas as partes da natureza, o céu e os seus eventos eram os mais previsíveis, os mais regulares, os mais confiáveis. O céu se tornou a morada dos deuses, e a idéia da perfeição celestial, algo que todos valorizavam, e que os levava a construir templos e pirâmides", explica.

Entenda os alinhamentos

a. Nascer do Sol no solstício de verão e Nascer do Sol no solstício de inverno 
b. Posição mais ao sul onde a Lua nasce 
c. Pôr-do-sol no solstício de inverno 
d. Posição mais ao norte onde a Lua se põe
e. Pôr-do-sol no solstício de verão 
f. Nascer do Sol no solstício de verão 
g. Nascer da Lua no equinócio 
h. Nascer do Sol no equinócio

A construção
1- A construção de Stonehenge começou por volta de 3.000 a.C. Primeiro foi cavado um fosso circular e foram cavadas 56 covas, onde se colocavam postes de madeira 
2- Entre 2950 e 2400 a.C. começaram a ser colocadas as primeiras toras de madeira em seu interior 
3- Após 2.400 chegaram as pedras. 80 blocos de 4 toneladas cada foram trazidos de uma pedreira a 32 km de distância. No interior foram colocados trilitos - dois blocos verticais e uma trave
Keystone

Ciência em cores
Ao lado, uma tabela registrando os movimentos de Vênus, que é identificado pela imagem do terrível deus Kukulkan
Em seu livro "Conversando com os Planetas", Aveni especula sobre como as mudanças observadas nos astros poderiam ter originado as figuras da mitologia. O Sol, embora sujeito a variações de intensidade luminosa, era, de todos os objetos no céu, o mais constante e mais confiável. Tamanha regularidade parece sugerir a idéia de um deus justo e sóbrio. Já a Lua era cheia de fases e mudava de aparência periodicamente. Não seria essa a indicação de uma divindade com personalidade feminina?

O fato de ambos regularmente sumirem no horizonte poderia levar à crença num mundo inferior. Um antigo texto egípcio indaga: "o que acontece no mundo inferior? O que Re (o Sol) diz às almas quando se encontra com elas todas as noites? Por que caminhos ele passa?"

Vênus, a luz mais brilhante depois do Sol e da Lua, era adorado por diversas culturas. Era chamado de Ishtar na Caldéia, Nabu na Babilônia, Kukulkan para os maias. Durante vários dias no ano, Vênus surge no céu pouco antes do nascer do Sol, e relativamente próximo a ele - como se estivesse, digamos, anunciando a chegada do astro-rei, ou da própria manhã. E entre os títulos atribuídos ao planeta na Antiguidade estavam o de Estrela da Manhã, Proclamador, Portador da Luz.

O planeta também periodicamente desaparece do céu, durante períodos que variam entre um dia e quatro semanas. Talvez por isso, mitos maias e sumérios contavam como a divindade associada a Vênus tinha feito uma viagem ao mundo inferior. O mito sumério chegava a dizer que em seu caminho para o mundo inferior, a deusa Inanna "passava por sete portões".

Como sete era o número de objetos em movimento no céu (cinco planetas visíveis, o Sol e a Lua), cada um, acreditavam os maias, situado numa concha esférica entre as estrelas, essa poderia ser a origem do total de portões que separava o firmamento do tal mundo inferior.

Planetários antigos 

O acúmulo de conhecimento astronômico e o surgimento da mitologia levaram a importantes mudanças sociais. "As pessoas que observavam os astros e registravam a passagem do tempo começaram a usar o poder sobre a observação astronômica para exercer influência social. São os primeiros sacerdotes", explica Langer. "Pela observação da Lua, eu posso fazer uma tabela de previsão de eclipses, e convencer os outros de que sou um homem poderoso", exemplifica Aveni.

O conhecimento astronômico era usado para legitimar o poder dos governantes. Uma das formas eram os rituais destinados a mostrar a ligação das elites com os deuses. Para isso são concebidos os grandes monumentos arqueoastronômicos. "Muitas vezes nós pensamos neles como observatórios, mas o mais correto é compará-los a planetários", explica Aveni. São grandes cenários, onde os grandes dramas rituais são encenados periodicamente. Essa visão explica, por exemplo, as várias referências ao calendário solar que existem na estrutura da pirâmide de Kukulkan (veja na página anterior). A pirâmide é antes um símbolo do que uma ferramenta de observação.

Brasil 

O Brasil também possui pelo menos uma estrutura arqueoastronômica. Fica em Monte Alto, no interior da Bahia, a 500 km de Salvador. São 260 blocos rochosos (há indícios de que existiram mais), agrupados a uma distância de cerca de 3 m uns dos outros, no formato de um semicírculo de aproximadamente 1 km de extensão. A sua existência foi anunciada pela primeira vez numa publicação científica brasileira em 1922, mas não despertou interesse nos centros de pesquisa arqueológica.

Em 1971 o historiador Luís Galdino resolveu ver de perto a notícia dada 50 anos antes. Encontrou o círculo lá, tal como anunciado. "Descobri também as ruínas de uma construção que diferem de tudo o que se conhece do período colonial. Acho que é obra indígena", diz. Primeiro, Galdino aventou a possibilidade de que o alinhamento se destinasse a rituais de fertilidade. Em 1996 a arqueóloga Maria Beltrão, do Museu Nacional, foi a Monte Alto acompanhada por dois pesquisadores com formação astronômica. O estudo revelou que o alinhamento tem cerca de 4 mil anos e que reproduz a disposição das estrelas entre o Grande quadrado de Pégaso e as Plêiades, numa certa data do ano. Sua função seria marcar a passagem do ano, com cada bloco de pedra sinalizando a passagem de um dia.



Um universo pulsante



Vista aérea Nazca
Algumas das linhas mais extensas e definidas podem ser vistas até em fotos de satélites. Mas o significado das grandes figuras de animais continua obscuro. 

Aveni também tem se dedicado a estudar outra famosa estrutura arqueoastronômica, as linhas de Nazca. Após estudar o posicionamento de 800 linhas em relação ao relevo da região, ele concluiu que elas derivam de certos ponto centrais (veja acima), os quais eram colinas próximas a cursos de água. Aveni crê que as linhas determinavam uma rede de trilhas no deserto, percorrida pelos antigos indígenas em rituais ligados à aquisição de água, e que talvez ocorressem quando o Sol estava em certas posições do céu durante o ano.

Essa mistura de Sol, água e ritual pode soar bizarra aos nossos ouvidos, mas aqui se encontra um ponto-chave. Para interpretar corretamente o saber astronômico dos nossos antepassados, é preciso lembrar que ele estava atrelado a uma visão de mundo muito diferente. Em seu livro, Aveni lembra que "maias, egípcios e babilônios acreditavam viver num universo animado, um ambiente interativo, pulsante. E as pessoas tinham um papel ativo a desempenhar. Elas conversavam com as estrelas, escutavam os planetas, faziam encantamentos, escutavam o oráculo. Viam-se como mediadoras de um grande discurso universal". É esse grande discurso, escrito com pedras, mitos e astronomia, que continua nos maravilhando até hoje.












Animações Astronômicas

Abaixo estão disponibilizadas alguma animações feitas para fins didáticos.

Esfera celeste 3D (MOV 12.6 MB)

Aparência da constelação de Órion devido à mudança de perspectiva (MP4 6,6 MB)

Movimento própria das estrelas de Centauro e Cruzeiro do Sul (MP4 10.4 MB)

Movimento aparente do Sol sobre a eclíptica (MP4 3.2 MB)

Movimento da Terra visto do Sol (MP4 2.1 MB)

Precessão do equinócio (movimento da Terra como um pião) (MP4 1.6 MB)

Órbita da Terra ilustrando as estações do ano (GIF 3.2 MB)

Pêndulo de Foucault no polo norte (referenciais inercial e não-inercial) (MP4 2.5 MB)

Variação da iluminação da Terra ao longo do ano (GIF 9.3 MB)

Órbita da Lua e relação com as fases (GIF 4.2 MB)

Simulação (exagerada) de oscilações Solares (GIF 1.6 MB)

Movimento do Sol em relação ao baricentro do Sistema Solar entre 1950 e 2050 (GIF 9.2 MB)

Ilustração do efeito Doppler (MOV 8.1 MB)

Movimento próprio da Estrela de Barnard em 60 anos(GIF 190 KB)

Rotação de um Pulsar e o efeito de farol (MP4 748 KB)

Animação do movimento de um sistema binário e deformação do espaço curvo (MP4 1.7 MB)

Animação de um elipsoide triaxial 3D (p.ex., uma galáxia elíptica) (GIF 4.9 MB)

(Gastão B. Lima Neto)
IAG/USP