INÍCIO

29 maio 2023

SIMBOLOGIA I

 SIMBOLOGIA

I. SÍMBOLOS ANTIGOS
II. SÍMBOLOS MODERNOS


(Google Images)



O termo símbolo, em grego σύμβολον, símbolos, designa um tipo de signo em que o significante, realidade concreta, a coisa em si, representa algo abstrato (religiões, nações, de tempo ou matéria, etc.) por força de semelhança ou contiguidade semântica, como no caso da cruz que representa o cristianismo, porque ela é uma parte do todo que é imagem do Cristo morto. 

Charles Sanders Pierce desenvolveu uma classificação geral dos signos. Sendo um signo, o "símbolo" é sempre algo que representa outra coisa para alguém ou para um grupo social. 
O símbolo é como arte; nunca fala aos sentidos e sim excita a imaginação, a razão a reflexão. O que devemos fazer ante o símbolo  é esquadrinhar, refletir, sobre o que vemos, e não nos contentarmos com a superficialidade das aparências. O objetivo do homem deve ser a investigação da verdade; porém, tal investigação deve ser interna e subjetiva, ancorada na racionalidade e no conhecimento humanista acumulado ao long dos séculos. Os símbolos são uma alegoria da verdade, mas não são a verdade; eles apenas exprimem a imagem simples de uma realidade mais profunda. O símbolo manifesta, torna presente uma ideia.


I. SÍMBOLOS ANTIGOS


Sol de Vergina 


A cultura grega desde seus primórdios, constituiu-se como uma mescla de povos indo-europeus (Jônios, Aqueus, Eólios e Dórios) que começaram a estabelecer-se na região continental da Europa banhada pelo Mediterrâneo a partir de 2000 a.C. como esses povos, a Grécia desde sempre apresentou uma religião politeísta.

Os deuses possuíam forma humana, virtudes e defeitos e paixões, apenas se diferenciavam dos seres humanos por serem imortais. A vida humana e a natureza eram regidas pela vontade e determinação desses deuses. Cada um desses deuses representava algum aspecto das atividades humanas ou na natureza.

Havia duas expressões da religião grega: a religião pública, aquela que conhecemos pelos poemas de Homero e a religião dos mistérios, praticada em círculos restritos por aqueles que não consideravam suficiente a religião pública.

Dentre os “mistérios”, aquele que mais importa para o nascimento da filosofia grega é o Orfismo, nome derivado de seu fundador, o poeta trácio Orfeu. O Orfismo inaugura uma concepção da existência humana distante do naturalismo: enquanto a religião pública considerava o homem mortal, o Orfismo opõe corpo e alma, sendo que o corpo seria mortal, mas a alma era imortal. Do Orfismo são tributárias as filosofias de Pitágoras, Heráclito, Empédocles e Platão.

Outro aspecto importante da religião grega era a inexistência de um livro sagrado. As crenças eram difundidas pelos poetas, mas com uma visão não dogmática e sem uma autoridade que teria o direito de proteger os dogmas. Com isso, os filósofos gregos não enfrentaram resistência religiosa à sua liberdade de pensamento (mundoed).

Havia uma hierarquia de deuses, com Zeus liderando todas as outras divindades, pois ele era o rei de todos os deuses e tinha controle sobre os outros, mesmo que não fosse considerado todo-poderoso, uma vez que haviam limites até mesmo para os deuses.

Os deuses eram responsáveis ​​por coisas diferentes na Terra; por exemplo, Zeus era o deus dos céus e tinha o poder de enviar trovões e relâmpagos, enquanto Poseidon era o deus do mar e podia enviar terremotos e maremotos à Terra.

Numerosos símbolos gregos antigos podem ser encontrados em lendas e mitos que juntos desempenham papel importante papel em uma variedade de emoções humanas. A seguir são apresentados alguns símbolos gregos antigos importantes.

A seguir são apresentados alguns símbolos gregos antigos importantes. Alguns ainda usados até os dias atuais e outros ficaram como uma lembrança de um passado distante.

Dingir a estrela suméria de oito pontas, um antigo símbolo para o céu e para deus. 



1. Bastão de Asclépius

Também conhecido como Cajado de Asclépio, o Bastão de Asclépio é um antigo símbolo da Grécia que hoje é reconhecido como um símbolo da medicina em todo o mundo. Representa uma serpente enrolada em um cajado. Este bastão é convencionalmente um bastão feito com um galho de uma árvore. Este símbolo grego está associado a Asclépio, o semideus grego, conhecido por seus poderes de cura e conhecimento médico. Diz a lenda que as cobras sussurravam conhecimento médico nos ouvidos de Asclépio. Essas cobras podem trocar de pele e parecer maiores, mais saudáveis ​​e mais brilhantes do que antes. Um tipo particular de cobra não venenosa foi usado durante a cura, a cobra de Esculápio, que foi deixada para existir livremente em hospitais e dormitórios onde doentes e feridos eram internados. No mundo clássico, essas cobras faziam parte de cada novo templo de Asclépio.




Asclepio e seu bastão 

A partir de 300 aC, o culto de Asclépio ganhou muita popularidade, pois peregrinos de todo o mundo viajavam aos templos de cura de Asclépio para encontrar uma cura para suas doenças. Eles ofereciam sacrifícios ao deus como uma forma de purificação ritual e pernoitavam na área mais sagrada do santuário. Em caso de sonhos ou visões, o suplicante informava o sacerdote, que então os interpretava e prescrevia alguma forma de terapia. Alguns templos de cura também adotaram a prática de usar cães sagrados para lamber as feridas dos feridos e doentes.



2. Alpha e Omega 

A primeira e a última letra do alfabeto grego, o alfa (alpha) e o ômega também fazem parte do Livro do Apocalipse como título de Cristo e Deus. Este par faz parte dos símbolos cristãos e geralmente é usado em combinação com a Cruz, Chi-rho (as duas primeiras letras da palavra Cristo na língua grega) e outros símbolos cristãos. Os símbolos alfa e ômega faziam parte do cristianismo primitivo. Você os encontrará nas primeiras pinturas e esculturas cristãs, especialmente nos braços da cruz, e até mesmo em algumas cruzes com joias. Apesar de fazerem parte da cultura grega, esses símbolos são mais comumente encontrados em pinturas e esculturas cristãs ocidentais do que nas cristãs ortodoxas orientais. Eles aparecem no lado esquerdo e direito da cabeça de Cristo junto com sua auréola e têm sido usados ​​como um substituto do cristograma que era comumente encontrado em pinturas e esculturas ortodoxas. Os símbolos alfa e ômega em ambos os lados da cabeça de Cristo são uma indicação de que o fim e o começo em Cristo estão ligados em uma única entidade.



3. Labirinto

Teseu no labirinto do Minotauro. Edward Burne-Jones, Domínio público, via Wikimedia Commons

Moeda grega de Knossos mostrando um labirinto.

De acordo com a mitologia grega, o Labirinto foi projetado pelo lendário arquiteto e artífice Dédalo e consistia em uma estrutura complexa e confusa que foi construída especialmente para o rei Minos de Creta em Knossos. Foi construído para conter o monstro, Minotauro, que mais tarde foi morto por Teseu. Dédalo havia construído o Labirinto de uma maneira tão complicada que Teseu não poderia escapar facilmente. Na língua inglesa, a palavra “labirinto” é usada de forma intercambiável com a palavra "maze". No entanto, devido a uma extensa história do simbolismo unicursal (que se traça com uma única linha continua) do labirinto grego, estudiosos e entusiastas propuseram uma distinção clara entre os dois termos. Enquanto um "maze" é um complicado quebra-cabeça multicursal ramificado que tem vários caminhos e direções para escolher, o labirinto unicursal tem apenas um caminho singular em direção ao centro. É uma diferença é física. Um "maze" é um quebra-cabeça complexo de ramificações que nos força a escolher um caminho e uma direção. Pode ter múltiplas entradas, saídas e até becos sem saída. Um "labyrinth" só tem um trajeto, não tem ramificações, leva ao centro dele e volta pelo mesmo lugar. 


Moedas gregas de Knossos com labirinto


4. Zeus

Zeus, Deus dos trovões e dos céus, em grego antigo: Ζεύς. Seu local de culto era em Olímpia. Estabeleceu sua morada no cume do nevado Monte Olimpo de onde governa os deuses, o universo e todos os seres mortais. 
Teve como cônjuge(s) inúmeras deusas, e as traiu, tanto com mulheres quanto com homens. Sua esposa oficial sempre foi Hera.
Pais de Zeus: Cronos e Reia. Irmão(s): Deméter, Hades, Héstia, Hera, Poseidon, Quíron.
Filho(s): Afrodite, Agdistis, Ângelo, Apolo, Ares, Ártemis, Atena, Dionísio, Éaco, Ênio, Épafo, Éris, Ersa, Hebe, Hefesto, Helena de Troia, Héracles, Hermes, Ilítia, Lacedemon, Minos, Pandia, Perséfone, Perseu, Radamanto, as Graças, as Horas, as Litaias, as Musas, e as Moiras.
Seu equivalente Romano é Júpiter, e seu equivalente Etrusco: Tinia, alguns autores estabelecem seu equivalente hindu como sendo Indra, seu equivalente Mesopotâmico seria Anu.

Zeus, em grego antigo: Ζεύς, em grego moderno: Δίας, Días; é o pai dos deuses, πατὴρ ἀνδρῶν τε θεῶν τε, patēr andrōn te theōn te, que exercia a autoridade sobre os deuses olímpicos na antiga religião grega. É o deus dos céus, raios, relâmpago que mantêm a ordem e justiça na mitologia grega.
Filho do titã Cronos e de Reia, Zeus é o mais novo de seus irmãos; na maior parte das tradições é casado, primeiro com Métis, gerando a deusa Atena e, depois, com Hera, embora no oráculo de Dodona, sua esposa seja Dione, com quem, de acordo com a Ilíada, ele teria gerado Afrodite. É conhecido por suas aventuras amorosas ou eróticas, que frequentemente incluíam outras deusas, mulheres e homens. Esses relacionamentos resultavam em descendentes divinos e heróicos, como Athená, sua filha partenogênica, Apolo (Zeus e Leto) e Ártemis, Hermes, Perséfone (com Deméter), Dioniso, Perseu, Héracles, Helena de Troia, Minos, e as Musas (com a deusa Mnemosine); com Hera, teria tido Ares, Ênio, Ilítia, Éris, Hebe e Hefesto.

Zeus é o supremo “Pai dos Deuses e dos homens”, de acordo com a mitologia grega. Ele era o governante dos olímpicos, assim como um pai era o governante de sua família. Na mitologia grega, Zeus era famoso como o deus do céu e do trovão.

Filho de Cronos, o tempo com a titânide Réia, (Reia, grego antigo: Ῥέα, Rhéa), na mitologia grega, uma titânide, filha de Urano e de Gaia. Na mitologia romana é identificada como Cibele, a Magna Mater). Zeus era o caçula da família. 



5. Apolo


Statue of Greek god Apollo

After Leochares, CC BY 2.5, via Wikimedia Commons

Uma das divindades olímpicas mais importantes e cruciais presentes na mitologia grega e romana, Apolo, é comumente conhecido como o deus da luz e do Sol. Ele tem sido associado à verdade e a profecia, a medicina e a cura, a música, a poesia e arte, bem como à peste. Apolo é filho de Zeus e Leto. A casta caçadora, Artemis, é sua irmã gêmea.


6. Minotauro

Na mitologia grega, o Minotauro era uma criatura metade homem e metade touro. Ele residia bem no centro do Labirinto que foi construído especialmente para o Rei Minos. Filho da rainha cretense Pasiphae, o Minotauro era um touro glorioso. O Minotauro tinha uma forma monstruosa gigantesca e assustadora, então o Rei Minos ordenou a construção do Labirinto para abrigar a besta.  Construído pelo famoso artesão Dédalo e seu filho, Ícaro, o enorme labirinto foi construído para aprisionar o Minotauro. Ao longo dos anos, o Minotauro recebia oferendas anuais de jovens e donzelas. No entanto, ele foi morto mais tarde por Teseu, o herói ateniense. Existem inúmeras moedas de Creta que mostram a estrutura de um labirinto em um de seus lados. Isso pode ser ligado ao Labirinto construído por Dédalo e ao Minotauro e pode ser derivado da admiração que os cretense tinham pelos touros e pela beleza arquitetônica e complexidade de seus palácios.



7. Górgonas

Há uma série de descrições de Górgonas na literatura grega antiga, cada uma diferente das demais. No entanto, nas primeiras formas da literatura grega, o símbolo das Górgonas era associado a qualquer uma das três irmãs cujo cabelo era feito de cobras venenosas e apavorante e que tinham uma expressão assustadora. As palavras mais comuns associadas às Górgonas eram “rugido alto” e “terrível”. Esses monstros femininos viciosos possuíam presas longas e afiadas. Se alguém olhasse diretamente em seus olhos, seria instantaneamente transformado em pedra. Diz a lenda que duas das irmãs Gorgonas, chamadas: Stheno e Euryale, eram imortais, enquanto a última irmã, Medusa, não era. Medusa foi derrotada e morta em uma batalha com Perseu, o semideus e herói. Como as Górgonas tinham uma expressão extremamente aterrorizante, elas eram usadas para deter ladrões e colocadas em vasos de vinho nos templos. Um cinturão de serpentes e cobras foi usado para unir as Górgonas para que pudessem se enfrentar.


8. Nó de Héracles (Hércules)


A piece of jewelry with the Hercules knot

Vassil, CC0, via Wikimedia Commons


Exemplos maravilhosos de nós de Hércules podem ser encontrados na joalheria grega, a partir do período minóico. O nó de recife (reef knot) era conhecido pelos antigos gregos como o nó de Hércules (Herakleotikon hamma), era e ainda é usado extensivamente na medicina como um nó de amarração. 

Em sua História Natural, Plínio o velho, expressa a crença de que as feridas cicatrizam mais rapidamente quando amarradas com um nó de Hércules.

Belos exemplos de nós e elos na arte podem ser encontrados implicitamente nos mosaicos gregos. Decorações em mosaicos gregos de chão na forma de meandros são gráficos quadrivalentes que podem ser pensados ​​como projeções de nós e facilmente transformados nos nós e elos correspondentes, adicionando a informação de qual fio passa em cima do outro. Por exemplo, o mosaico grego (Figura 5a), visto do ponto de vista da teoria dos nós, representa um elo (link) b² (Jablan e cols, 2012)


O nó de Hércules é conhecido por vários nomes, incluindo o nó de Hércules, o nó do amor e o nó do casamento. É usado principalmente como um símbolo de casamento que representa o amor eterno e o compromisso imortal ou imorredouro. O símbolo do Nó de Hércules é formado por duas cordas entrelaçadas que, segundo o mito grego, simbolizam a fertilidade do deus Hércules. Curiosamente, o nó de Hércules foi usado no antigo Egito como um feitiço de cura. Entretanto, tornou-se conhecido como um símbolo de amor entre os antigos gregos e romanos, bem como um amuleto protetor. Também fazia parte do cinto de uma noiva que mais tarde era desamarrado em uma cerimônia de casamento pelo noivo. Além disso, diz-se que a origem da frase de casamento “amarrando o nó” (tying the knot) foi feita em associação com o nó de Hércules.


9. Roda de Hecate




A roda de Hékate

O Strophalos é um amplificador de magia e consciência ligado à Deusa Hécate, ele traz proteção, abertura de caminhos, mudanças de ciclos, transformações. Ele traz o simbolismo das serpentes espirais, que buscam o conhecimento infinito. Meditar junto ao Strophalos promove sonhos lúcidos, abertura da intuição e ligação com essa Deusa trívia. Hécata ou Hécate é a Deusa da magia, da bruxaria, dos caminhos, da triplicidade, das encruzilhadas, com suas chaves abre os caminhos, e com suas tochas o ilumina expulsando para longe as trevas e a escuridao, fonte dos medos e da ignorância.

Na antiga religião e mitologia grega, Hécate é uma deusa que geralmente é mostrada segurando um par de tochas ou uma chave. Em representações posteriores, ela apareceu em forma tripla ou tríplice. Hécate tem sido associada a encruzilhadas, caminhos de entrada, luz, magia, bruxaria, fantasmas, feitiçaria, necromancia e o conhecimento de ervas e plantas tóxicas. Nas tradições wiccanas, o símbolo da roda de Hécate representa três aspectos diferentes da deusa, incluindo a mãe, a donzela e a velha. Segundo as tradições feministas, a roda de Hécate simboliza o poder do conhecimento e da vida.







Hécate en sua tríplice forma. 

Hécate, grego clássico: Ἑκάτη Hekátē ou Ἑκάτα Hekáta; Hekátē, na mitologia grega, é uma deusa, naturalizada na Grécia micénica ou na Trácia, mas oriunda das cidades cárias de Anatólia, região onde se atestam a maioria dos seus nomes teofóricos, como Hecateu e Hecatomno, e onde Hécate era vista como Grande Deusa em períodos históricos, no seu inigualável lugar de culto em Lagina. Deusa das terras selvagens e dos partos, era geralmente representada segurando duas tochas ou uma chave, e em períodos posteriores na sua forma tripla. Está associada a encruzilhadas, entradas, fogo, luz, a lua, magia, bruxaria, o conhecimento de ervas e plantas venenosas, fantasmas, necromancia e feitiçaria. Ela reinara sobre a terra, mar e céu, bem como possuía um papel universal de salvadora (Soteira) e a Alma do Mundo Cósmico. Ela era uma das principais deidades adoradas nos lares atenienses como deusa protetora e como a que conferia prosperidade e bênçãos diárias à família.
Hécate pode ter origem entre os Carianos na Anatólia, onde variações do seu nome são usadas para dar nome a crianças. William Berg observa, "Como as crianças não recebem nomes de espectros, é seguro assumir que os nomes carianos envolvendo hekat- referem-se a uma deidade principal livre da escuridão e de ligações com o submundo e bruxaria associadas à Hécate da Atenas clássica." Ela também parece associada à deusa romana Trivia, com a qual foi identificada em Roma. Hécate é descrita como de "a deusa de cabelos dourados" (WP).


10. Ouróboros ou Infinity Snake 


 





Um símbolo muito antigo, o Ouroboros ou Uroborus, representa uma serpente ou dragão devorando sua própria cauda. Surgindo na iconografia egípcia antiga, o Ouroboros tornou-se parte da tradição ocidental através da tradição grega e foi introduzido como um símbolo no gnosticismo, hermetismo e alquimia. O símbolo tornou-se parte da magia renascentista e do simbolismo moderno através da tradição alquímica medieval e é geralmente usado para representar a contemplação, o eterno retorno ou a ciclicidade, especialmente para se referir a algo que se recria continuamente. O símbolo Ouroboros também é usado para retratar o ciclo interminável da natureza, sua infinita criação, destruição, vida e, finalmente, morte.


11. Cruz Solar

Uma cruz do sol, ou cruz solar ou cruz da roda é um símbolo solar que consiste em uma cruz equilátera (todos os braços iguais) inscrita num círculo.



A antiga cruz solar é frequentemente encontrada em urnas funerárias da Idade do Bronze. Embora faça parte de inúmeras culturas, a cruz solar acabou se tornando parte do cristianismo e foi associada ao crucifixo. O símbolo da cruz solar lembra a famosa cruz de quatro braços. 

Não somente representa o sol, mas também é um retrato da natureza repetitiva e cíclica das quatro estações e dos quatro elementos da natureza. A adoração ao sol existe como um conceito desde o advento do homem. Em comunidades antigas que eram principalmente agrícolas e sustentadas pelo sol para sua subsistência, incluindo comida e bebida, não é surpreendente que o sol representado na cruz solar tenha sido considerado um deus e, portanto, adorado. Por estar associada ao sol, a cruz solar também tem uma conexão com o elemento fogo. Tem sido usado em rituais que fazem do sol o centro da adoração e tem sido usado como substituto do calor ou da energia das chamas. 

Para os antigos gregos, o fogo era considerado um elemento purificador com poder de destruição. Ele cria e simboliza a masculinidade, bem como a fertilidade do Deus. O símbolo da cruz solar também tem sido usado para se livrar do velho e do antigo, ou representa o renascer os novos rituais, e como um calendário para celebrar os solstícios.





12. Roda do Sol 


O termo “roda do sol” é derivado da “cruz solar” um calendário para celebrar os solstícios e equinócios em algumas antigas culturas europeias pré-cristãs. Além de ser representado como uma roda ou cruz, às vezes o sol é representado como um círculo simples ou como um círculo que tem um ponto aparente no meio. O sol tem sido, durante séculos, um poderoso símbolo de magia e divindade. Devido ao seu poder, o mel era usado como oferenda em vez do vinho, porque os antigos gregos acreditavam que era perigoso para o universo permitir que essa poderosa divindade ficasse bêbada e embriagada. Além disso, era uma prática comum para os egípcios colocar um disco solar nas cabeças de seus deuses para retratar que a divindade era um deus da luz. Imagine o quão poderoso o sol era considerado em muitas culturas do passado. Não há como negar que, ao longo do tempo, o sol foi associado ao fogo e à energia masculina.






13. Tigela de Hygeia

Na Europa, a tigela de Hygeia é um símbolo comum encontrado do lado de fora de farmácias. Nos Estados Unidos, bem como em grande parte do países ocidentais um símbolo de almofariz e pilão pode ser comumente encontrado. Este símbolo está associado às farmácias desde 1796. Na verdade, também estava presente em uma moeda cunhada para a Sociedade Parisiense de Farmácia. Hygeia era conhecida como a deusa grega da saúde e higiene, como o nome pode sugerir. Ela era associada a Asclépio, cuja bastão é agora um símbolo de saúde em todo o mundo.



14. Símblo do Labrys ou Machado de dupla face 



Machado de duas faces

O símbolo de Labrys consiste em um machado de dois lados geralmente usado em rituais. “Labrys” vem da cultura Minoana e compartilha a mesma raiz de lips, ou o latim labus. Você pode encontrar o Labrys em antigas representações minóicas da Deusa Mãe. Como o nome pode sugerir, o Labrys foi conectado ao labirinto. O símbolo Labrys foi usado em amuletos antigos nos tempos medievais para atrair mulheres. Hoje, é usado como forma de identidade e solidariedade, e também símbolo para representar o L da sigla LGBTQIAP+, i.e., lésbica..



15. Omphalos

De acordo com a antiga lenda grega, o deus Zeus disse a duas águias que voassem pelo mundo para que pudessem se encontrar no centro do universo, mais comumente referido como o “umbigo” do mundo. É daí que deriva o nome da pedra religiosa, Omphalos. No grego antigo, Omphalos significa “umbigo”. 
O Omphalos era considerado um objeto de poder e era um símbolo da religião helênica na cultura grega que representava a centralidade mundial.





16. Mano Fico

Figa ou Mano Fico (istokphoto)

Figa ou Mano Fico (brasildelonge)

Comumente conhecido como o sinal do figo, o símbolo Mano Fico é usado como um gesto semi-obsceno nas culturas turca e eslava, juntamente com algumas outras culturas ao redor do mundo. Há uma variedade de significados por trás do símbolo Mano Fico, alguns dos quais com conotações de gíria. O símbolo representa dois dedos e um polegar. É um gesto usado principalmente para recusar qualquer tipo de pedido. No entanto, o gesto do Mano Fico é usado para evitar mau-olhado e ciúmes no Brasil. É também um símbolo comum usado em ornamentos e joias como um amuleto de boa sorte. Os primeiros cristãos se referiam ao Mano Fico como manus obsceno, ou “mão obscena”. 
“Fig” era um termo usado pelos antigos gregos para denotar a genitália feminina. Assim, o gesto Mano Fico foi usado para simbolizar a relação sexual. Não é incomum que amuletos e ornamentos romanos unam um falo e um gesto de Mano Fico.



17. Nó de Salomão

O nó de Salomão geralmente aparece em mosaicos romanos antigos, geralmente representados como duas ovais entrelaçadas. O Parque Nacional Sepphoris, em Israel, tem os Nós de Salomão em mosaicos de pedra no local de uma antiga sinagoga da época de Cristo. Em todo o Oriente Médio, locais islâmicos históricos mostram o nó de Salomão como parte da tradição muçulmana.

O nó de Salomão tem várias interpretações simbólicas porque tem sido usado em diferentes culturas e épocas históricas. Como o nó não tem começo nem fim, ele é usado para simbolizar a imortalidade e a eternidade, assim como o nó sem fim budista. É comum encontrar o nó de Salomão em lápides e mausoléus, principalmente em cemitérios e catacumbas judaicas em diversas culturas. Isso ocorre porque acredita-se que o nó de Salomão representa a eternidade e o ciclo da vida. O nó de Salomão também é usado em têxteis e metalurgia na Letônia para representar o tempo, o movimento e os poderes absolutos dos deuses pagãos.


Nó de Salomão (WP)

Nó de Salamomão. Basilica Patriarcal de Aquileia.

Nó de Salmomão. Sinagoga de Óstia.



Selo de Salomão


Selo de Salomão (jornal)

Selo de Salomão




18. Mano Cornuto



O símbolo Mano cornuto está relacionado ao encontamento do cornicello italiano de um único chifre que se parece um pouco com uma pimenta malagueta. Ambos são usados como proteção contra o mau-olhado. O gesto da mão tem os dedos indicador e mínimo estendidos e pode ter evoluído da ideia dos dois dedos estendidos “cutucando os olhos” da pessoa que está olhando para você. 

Muito antes de Ronnie J. Dio, quem já havia usado o símbolo Mano cornuto foi, surpreendentemente, John Lennon, na década de 1960, como atesta a foto da capa do álbum "Yellow Submarine", lançado em 1968, embora ele apareça em fotos do ano anterior fazendo o mesmo sinal. 

Os chifres (mano cornuto) também apareceram em um dos desenhos animados dos Beatles, mas há rumores de que os animadores confundiram a corna com o sinal "eu te amo" na linguagem de sinais americana. Isso provavelmente não é verdade, porque os cartoons foram baseados em várias fotos de Lennon mostrando mostrando esse mesmo sinal em 1967. No entanto, teria sido um erro honesto, visto que os dois gestos são super semelhantes. Tão parecido, de fato, que muitos usam o sinal ILY em shows de heavy metal. O que é estranho. Se você é uma dessas almas equivocadas, por favor, pare, você não tem mais desculpa. Apenas mantenha o polegar no dedo médio e anelar e estará fazendo o sinal corretamente (drooble).
Sinal ILY ou I Love You. 

Ronnie James Dio, considerado um dos maiores vocalistas de metal, liderou uma série de bandas lendárias entre elas: Rainbow, Dio e Black Sabbath. Em 1979, quando estava substituindo Ozzy Osbourne no Black Sabbath, ele queria se diferenciar de seu antecessor. Ozzy exibia o sinal da paz durante os shows e Dio queria fazer algo diferente. Ele pensou no gesto de mão que sua avó italiana usaria para afastar o “malocchio” ou “mau-olhado”. A partir disso, Dio começou a exibir o gesto de “mano cornuto” ou “mão com chifres”.

Como Ronnie James Dio, vocalista da Banda Black Sabbath, usava sempre este sinal e este amuleto, ele ajudou a popularizar o gesto na cultura do heavy metal. Logo outros músicos, assim como fãs, começaram a fazer o mesmo gesto e hoje é usado em toda a cultura pop. Dio nunca afirmou ter inventado o sinal, mas certamente fez muito para torná-lo parte da cena "heavy metal" do que qualquer outro. (oddathenaeum)

Buddha fazendo o sinal mano cornuto, que na crença budista protege contra espíritos malignos.

O símbolo Mano Cornuto é encontrado na cultura pop moderna. Está associado à música rock e à representação satânica do diabo com chifres. Curiosamente, o Mano Cornuto tem múltiplos significados e representações, cada um diferente dependendo da época e região em que foi usado. Na Grécia antiga o gesto era usado para expressar o significado de “cornudo”. Os hindus referem-se ao símbolo Mano Cornuto como o “apana yogic mudra” e representa o leão comumente encontrado nas formas clássicas de dança indiana. 
Já os budistas acreditam que o gesto do Mano Cornuto os protege dos espíritos malignos. Muitas vezes tem sido usado para se livrar de demônios e problemas, incluindo pensamentos negativos. Nas culturas pagã e Wicca, o Mano Cornuto também está associado ao Deus Chifrudo.



19. Fasces

O termo latino fasces, na expressão "fasces lictoris", e em italiano: fascio littorio refere-se a um símbolo de origem etrusca, usado pelo Império Romano, associado ao poder e à autoridade. Era então denominado "fasces lictoriae", por ser carregado por um Lictor.

Um lictor, palavra latina: ligare, ligar, era um funcionário público romano que servia como guarda-costas de um magistrado que detinha ou portava o "imperium", i.e., o poder. Os lictores são documentados desde Roma antiga podem ter se originado com os etruscos.
Os lictores foram instituídos pelo primeiro rei de Roma, Rômulo, que nomeou doze lictores para atendê-lo. Tito Lívio refere-se a duas tradições concorrentes porque Rômulo escolheu esse número de lictores. A primeira versão é que doze era o número de pássaros que apareceram no augúrio, que havia anunciado o reino a Rômulo. A segunda versão, favorecida por Lívio, é que o número de lictores foi emprestado dos reis etruscos, que tinham um lictor nomeado de cada um de seus doze estados.
Os Lictores na Roma Antiga, em cerimónias oficiais, jurídicas, militares entre outras, precedia a passagem de figuras da suprema magistratura, abrindo caminho em meio ao povo. Normalmente usavam uma vara para afastar a multidão por vezes batendo nas pessoas com ela, para que abrissem caminho. 
 
Lictores romanos

Os "fasces lictoriae" "feixes dos lictores" simbolizavam o poder e a autoridade, i.e., o "imperium" na Roma Antiga, tradição começada nos primórdios de Roma e mantida durante os períodos Republicano e Imperial. No período Republicano, o uso do fasces era cercado por protocolos e tradições. Cada membro de um corpo de apparitores (oficiais subordinados), chamados lictores, carregava fasces ante um magistrado, variando de número conforme sua posição hierárquica. Os lictores precediam cônsules (e procônsules), pretores (e propretores), ditadores, edis curuis, questores, e os flâmines diais durante o triunfo romano (cerimônias públicas realizadas em Roma após uma conquista militar). Segundo o historiador romano Tito Lívio, os lictores provavelmente eram uma tradição etrusca, que foi então adotada pelos romanos.

Lictores romanos com fasces (symbolsarchive)

Moeda de ouro da Dácia, cunhada por Coson, representando um cônsul e dois lictores. (Fonte: Classical Numismatic Group, WP)

Impérium
Palavra latina que sginifica: poder e poder absoluto, do verbo imperare: comandar. Na Roma antiga, imperium era uma forma de autoridade mantida por um cidadão para controlar uma entidade militar ou governamental. Poder que se tornou algo limitado durante a República pela colegialidade dos magistrados republicanos e pelo direito de recurso, ou provocatio, por parte dos cidadãos. O império permaneceu absoluto no exército, e o poder do imperator (comandante do exército) para punir permaneceu inalterado. O título imperator posteriormente foi detido exclusivamente pelo imperador, como comandante supremo das forças armadas. (WP)

É distinto de "auctoritas" e "potestas", tipos de poder diferentes e geralmente inferiores na República e no Império Romanos. O imperium de alguém pode estar sobre uma unidade militar específica, ou pode estar sobre uma província ou território. Indivíduos que receberam tal poder foram referidos como "curule" magistrados ou promagistrados. Estes incluíam o "edile curule", o pretor, o cônsul, o "magister equitum" e o ditador. Em um sentido geral, imperium era o escopo do poder de alguém e poderia incluir qualquer coisa, como cargos públicos, comércio, influência política ou riqueza.

Modernamente, o "fasces" foi incorporado pelo regime fascista na Itália. No final do século XIX, os "fasci" eram grupos políticos e paramilitares de extrema direita que constituíram a base do movimento fascista. A palavra "fascismo" originou-se dai, subvertendo o significado original. O governo fascista de Benito Mussolini na Itália usou o símbolo dos fasces como seu emblema, identificando com o poder e a brutalidade, ou a união através da força e da violência. 

O fasce constitui-se de um feixe de varas de bétula branca, simbolizando o poder de punir, amarradas por correias vermelhas (fasces), símbolo da soberania e a união. Muitas vezes o feixe é ligado a um machado de bronze, que simboliza o poder de vida e morte. É muito utilizado na heráldica como símbolo da força da união em torno do chefe. Aparece, por exemplo, no brasão de armas da França, nesse caso associado à justiça, e em símbolos dos EUA.

Grandes símbolos do "fasces", pendurados com destaque na parede da câmara do senado nortemericano (quora

Fasces representada no reverso de uma moeda brasileira de 2.000 réis, 1934.
(WP 1,2,3) Foto: D.Sicarius)

Moeda norteamericana com o fasces (quora).

Peter Paul Rubens, “The Dismissal of the Lictors,” (1616-1617) óleo sobre tela, Liechtenstein Museum,() 

O símbolo dos fasces é um feixe de varas ou bastões de madeira amarrados com uma tira de couro vermelha tendo junto a um machado de bronze. O machado nos fasces foi originalmente associado ao símbolo grego Labrys. 

Labryes, como já relatamos são machados de dois lados originários de Creta. O Labrys é um dos símbolos mais antigos da civilização grega. Desde o fim do Império Romano, o símbolo do fasce tem sido usado por várias agências governamentais, unidades militares e outras autoridades para representar o poder. 

A palavra “fasces” retrata poder, justiça e força através da unidade. Os fasces romanos convencionais eram compostos por várias hastes de bétula de cor branca amarradas com uma fita de couro vermelho, adotando a forma de um cilindro. Os fasces também vinham com um machado de bronze que era colocado na lateral do feixe, quase saindo dela. 

Fasces é derivado da forma plural de "fascis", palavra latina para feixe. O símbolo fasces é o emblema da autoridade oficial na Roma antiga.
Esse significado é notavelmente diferente de como esse antigo símbolo romano é interpretado na América, onde os fasces representam “força através da unidade”. O simbolismo dos fasces aponta para a força através da unidade porque uma única haste é facilmente quebrada, mas é uma muito difícil quebrar o feixe todo.

Os fasces permaneciam entrelaçados com a ameaça de violência física, fato revelado no Novo Testamento. Na segunda carta aos Coríntios, São Paulo recorda o próprio espancamento com varas: “Três vezes fui espancado com varas. Uma vez fui apedrejado. Três vezes sofri naufrágio; passei uma noite e um dia à deriva no mar” (11:25). O testemunho de Paulo, como grande parte da literatura cristã primitiva, retrata o uso dos fasces contra o cidadão como um símbolo do abuso de poder romano. 
No entanto, uma vez que o cristianismo se tornou a religião predominante no século IV d.C, os fasces se tornaram um símbolo da autoridade eclesiástica. Como Marshall escreve: "Triunfos do cristianismo, reversões dramáticas devem ser testemunhadas em que esses mesmos fasces, fortemente entrincheirados como regalia nacional para serem descartados, são agora usados para saudar símbolos cristãos e relíquias de mártires. Eles também reaparecem nas bem-vindas anistias aos condenados concedidas nas festas da igreja."

Os fasces como um símbolo combinado de monopólio do poder do estado e violência física continuaram esporadicamente, mas não parecem ter sido um símbolo predominante na Europa durante a Idade Média. 

No Renascimento e no início do período moderno, pintores e escultores usaram os fasces ao retratar ideais alegóricos como Iustitia, Justiça e ao retratar mitos repopularizados da antiguidade. Em 1544, Battista Dossi pintou Lady Justice segurando os fasces como forma de mostrar o equilíbrio entre a balança da justiça de um lado e a punição imposta pela lei do outro. Em 1616, Peter Paul Rubens retratou os fasces com o mito do cônsul romano Publius Decius Mus mandando embora seus lictores em 340 a.C. Nos livros populares de iconografia do início da era moderna, os fasces começaram a simbolizar o uso legítimo da força a serviço da justiça. A posse do estado do poder de exigir força por meio de punição física ainda era a mensagem predominante.



20. Cornucópia

Na mitologia grega, Elpis do grego antigo: ἐλπίς, é o espírito da esperança. Ela era retratada como uma jovem, geralmente carregando flores em uma cornucópia que portava em seus braços.(WP)

Como a cornucópia tem um formato de chifre, ou sendo próprio chifre que é um símbolo fálico, representa do sagrado masculino. E, como a cornucópia remete a um chifre, é uma das representações mais utilizadas do Deus Cornífero nas religiões pagãs e neopagãs. Todavia, o seu interior simboliza o útero, representado assim a Deusa, que quando cheio de alimentos simboliza a generosidade da terra fértil, representando o sagrado feminino (WP).

Cornucópia

A cornucópia é o símbolo mais utilizado para representar o equinócio de outono (no sabá Mabon), onde é cheio de frutas, grãos, moedas, folhas, castanhas, cartas de tarô, e diversos outros símbolos da fartura e do paganismo, de forma que eles sejam derramados sobre o altar.

Peter Paul Rubens. Elpis a portadora da cornucópia (WP)

Nos Trabalhos e Dias de Hesíodo, Elpis era o último item da caixa ou jarra de Pandora. Com base na descrição de Hesíodo, o debate ainda está vivo para determinar se Elpis era apenas uma esperança ou, de maneira mais geral, uma expectativa. Seu equivalente na mitologia romana era Spes.

Hermann Julius 1878. Pandora ante Prometheus e Epimetheus. (laparadoja)

A versão mais famosa do mito de Pandora vem de um dos poemas de Hesíodo, Os Trabalhos e Dias. Nesta versão do mito (linhas 60-105), Hesíodo expande sua origem e, além disso, amplia o escopo da miséria que ela inflige à humanidade. Pandora traz consigo uma jarra contendo "trabalho penoso e doença que traz a morte aos homens" (91–92), doenças (102) e "uma miríade de outras dores" (100). Prometeu, temendo novas represálias, advertiu seu irmão Epimeteu a não aceitar nenhum presente de Zeus. Mas Epimeteu não ouviu; ele aceitou Pandora, que prontamente espalhou o conteúdo de sua jarra. Como resultado, Hesíodo nos diz, "a terra e o mar estão cheios de males" (101). Um item, no entanto, não escapou da jarra (96–99), a Esperança:

Apenas a Esperança foi deixada dentro de sua casa inquebrável,
ela permaneceu sob a borda da jarra, e não
voou para longe. 
Antes [que ela pudesse], Pandora substituiu o
tampa da jarra. Esta foi a vontade de Zeus porta égide, 
o coletor de nuvens.

Hesíodo não nos diz por que a esperança, Elpis, permaneceu na jarra. As implicações de Elpis permanecer na jarra foram objeto de intenso debate mesmo na antiguidade. Hesíodo fecha com esta moral (105): "Assim, não é possível escapar da mente de Zeus."

Cornucópia é um vaso ou cesto em forma de chifre espiralado, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância, e que, hoje, simboliza a agricultura e o comércio, usado  sobretudo em ornamentos arquitetônicos, floridos etc.

A Cornucópia geralmente chamada de Chifre da Abundância, é um antigo símbolo grego que representa colheita abundante, prosperidade e nutrição e riqueza. A cornucópia é retratada como um chifre de um touro, de uma cabra ou  uma cesta em forma de chifre com design espiral que é carregada com flores, grãos e frutas que a abundante mãe Terra produziu magicamente.

As raízes desse símbolo estão na mitologia grega antiga, quando o Zeus foi cuidado e alimentado com leite por uma cabra chamada Amalthea, quando ele era um bebê. 
Aix era uma cabra tão horrenda que os Titãs, não querendo vê-la, pediram a sua mãe Terra (Gaia) para escondê-la. Terra a enviou para Creta e, graças a isto, mais tarde viria a amamentar Júpiter (Zeus) quando este era criança. De sua pele, Júpiter (Zeus) fez uma couraça, a Égide. De um de seus chifres, fez a Cornucópia, que ofereceu à Amaltéia.

Ega, Ege ou Aix (em grego, Αίγη, Αἴξ), na mitologia grega, era uma ninfa ou cabra que amamentou Zeus quando ele era bebê e foi escondida em uma caverna em Creta.

Aratos, Ἄρατος, (310 - 240 aC) atribui a Aega e sua irmã Hélice o fato de terem amamentado Zeus, quando bebê, em Creta, pelo que mais tarde foi transformada pelo deus na estrela chamada Capella "cabrinha", a mais brilhante da constelação de Auriga. Auriga, no contexto da antiguidade clássica, refere-se a um condutor de um carro de guerra que tem como ofício guiar as cavalarias que puxam a quadriga.

Auriga de Delfos (Portador das rédeas), também conhecido como Heniokhos (em grego: Ἡνίοχος, o detentor das rédeas), é uma estátua sobrevivente da Grécia Antiga e um exemplo magnífico do estado da arte da escultura em bronze da Grécia antiga. A estátua em tamanho natural (1,8 m) de um condutor de carruagem foi encontrada em 1896 no Santuário de Apolo em Delfos. Atualmente está no Museu Arqueológico de Delfos (Fonte: Raminus Falcon, WP).

Segundo outras tradições mencionadas por Higino, Ega era filha de Meliseu, rei de Creta, e foi escolhida para amamentar Zeus quando criança; mas como ela não estava em condições de fazê-lo, a cabra Amalthea, que ela possuía, o fez. Hyginus também relata outra tradição segundo a qual, enquanto ela era casada com Pan, teve um filho com Zeus, a quem chamou de Egipan. Ainda segundo Higino, ela era filha de Óleno, filho de Hefesto. 
Segundo outros autores antigos, Ega era filha de Hélio e da oceânide Perseis e emitia clarões tão deslumbrantes que os Titãs em seu ataque ao Monte Olimpo se assustaram e pediram à sua mãe Gaia para escondê-lo na terra. Dessa forma, ela foi confinada em uma caverna em Creta, onde pôde amamentar Zeus. Na Titanomaquia, Zeus foi avisado por um oráculo para se cobrir com sua pele (egis). Assim o fez e elevou Ega, colocando-a entre as estrelas. Histórias semelhantes, embora um pouco diferentes, foram contadas por Evemerus e outros. Em alguns relatos, Aega é considerada uma ninfa, e em outros uma cabra, embora as duas idéias não sejam claramente distintas uma da outra. Seu nome está relacionado com αίξ, "aix", que significa cabra, ou com άιξ, "aïx", ventania, temporal de vento. Essa circunstância levou alguns críticos a considerar o mito como composto de outros dois mitos diferentes: um seria de natureza astronômica e derivado da constelação e da estrela Capella, de onde surgem as tempestades e ventanias e o outro se refere à cabra que teria amamentado o bebê Zeus em Creta.

De todo modo, muito tempo depois, quando Zeus se tornou o senhor dos Deuses, ele decidiu recompensar a cabra Amalthea pelo cuidado dispensado a ele, permitindo que ela entrasse no céu como uma constelação, a constelação do Capricórnio. Zeus também deu a suas amas o chifre de Amalthea e prometeu-lhes que receberiam um suprimento inesgotável de tudo o que desejassem do chifre.

Em outras versões da história sobre a origem da cornucópia, Hércules e um deus fluvial tiveram uma disputa. Quando o rio assumiu a forma de um touro, Hércules arrancou um de seus cornos e o encheu de flores para a deusa da abundância. Segundo outro relato, o menino Zeus teria se alimentado com o leite de uma cabra. Zeus deu um dos cornos da cabra para suas amas, como uma lembrança por seus cuidados. O corno era capaz de se encher de qualquer coisa que seu dono desejasse.

Na antiga religião romana, Abundantia, também chamada Copia, era uma personificação divina da abundância e da prosperidade. O nome Abundantia significa fartura ou riqueza. Este nome é apropriado porque Abundantia era uma deusa da abundância, fluxo de dinheiro, prosperidade, fortuna, valores e sucesso. Ela ajudaria a proteger suas economias e investimentos. 
A Abundantia até ajudaria alguém em grandes compras. Ela estava entre as personificações das virtudes na propaganda religiosa que lançava o imperador como o garantidor das condições da "Idade de Ouro". A abundância, portanto, figura na arte, no culto e na literatura, mas tem pouca mitologia como tal. Ela pode ter sobrevivido de alguma forma na Gália romana e na França medieval. Abundantia carregava uma cornucópia cheia de grãos e moedas. Ela ocasionalmente deixava alguns de seus grãos ou dinheiro na casa de alguém como um presente.

A deusa da Fortuna era a deusa romana do acaso, da sorte, boa ou má, do destino e da esperança. Corresponde a divindade grega Tiche, Τύχη, Tykhe, sorte, nos antigos cultos gregos, era a divindade tutelar responsável pela fortuna e prosperidade de uma cidade, seu destino e sorte — fosse ela boa ou ruim. Sua equivalente na mitologia romana era Fortuna (WP).
Era representada portando uma cornucópia e um timão, que simbolizavam a distribuição de bens e a coordenação da vida dos homens, e geralmente estava cega ou com os olhos vendados, como a moderna imagem da justiça, pois distribuía seus desígnios aleatoriamente. Fortuna era considerada filha de Júpiter. Em Roma dedicava a ela o dia 11 de junho, e no dia 24 do mesmo mês realizava-se um festival em sua homenagem, o Fors Fortuna. Seu culto foi introduzido por Sérvio Túlio, e possuía diversos templos em Roma (WP).


21. Caduceu

Um antigo símbolo de comércio e negócios, o Caduceu está associado à negociação e à eloqüência. Também está ligado ao deus grego esperto e astuto, Hermes, que é o agente e mensageiro de todos os deuses.
Hermes é conhecido por ser o supervisor das almas após a morte e o único protetor de viajantes, mercadores e pastores. Na Tradição Hermética, o Caduceu tem sido usado como um símbolo de sabedoria e despertar. 
O Caduceu representa duas serpentes enroladas em um bastão alado. No entanto, não deve ser confundido com o símbolo da medicina, ou o bastão de Asclépio, o deus da medicina.




22. Chloris ou Flora

Chloris / A statue of the Greek goddess of flowers
Miguel Hermoso Cuesta, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons


Na mitologia grega, Chloris é conhecida por ser a deusa das flores. Seu nome é Flora na mitologia romana. Ela costuma ser associada à estação da primavera, quando todas as flores desabrocham e se voltam para a luz. Chloris é uma representação da natureza e das flores, particularmente a flor de maio. Na religião romana, ela é uma das deusas da fertilidade.





23. Hebe ou Juventas


Portrait Hebe the goddess of youth

Ludwig Guttenbrunn, Public domain, via Wikimedia Commons

Filha de Zeus e Hera, Hebe é a deusa da juventude e é conhecida como Juventas na mitologia romana. Ela é a copeira dos numerosos deuses e deusas do Monte Olimpo. 
Hebe costumava fornecer néctar e ambrosia para as divindades do olimpo. Quando ela cresceu, ela se casou com Hércules. Hebe também era popularmente conhecida como a deusa do perdão e misericórdia, Hebe possui o poder de converter mortais mais velhos em seus eus mais jovens.



24. Coruja de Athena (Grécia antiga)

Greek symbol of wisdom imprinted on silver coin.



Na mitologia grega, uma pequena coruja é geralmente retratada acompanhando a deusa Athená, a deusa da sabedoria, da civilização e da guerra.

A razão para isso não esta totalmente clara, embora alguns estudiosos acreditem que a capacidade da coruja de ver no escuro serve como uma analogia do conhecimento, permitindo-nos ver através da escuridão da ignorância em vez de ficarmos cegos por nossa própria perspectiva. 

Independentemente disso, por causa dessa associação, passou a servir como símbolo de sabedoria, conhecimento e perspicácia no mundo ocidental. Talvez seja também essa a razão pela qual as corujas, em geral, passaram a ser consideradas aves sábias em muitas culturas ocidentais




25. Sella Curulis

Um assento curule ou cadeira curule é uma cadeira de design geralmente dobrável e transportável, conhecida por seus usos na Roma Antiga e na Europa até o século XX. Seu status no início da Roma como um símbolo de poder político ou militar foi transferido para outras civilizações, pois também foi usado com esse propósito por reis e ditadores da Europa ao longo do tempo.

Gravura de um selo de Pedro II de Aragão, ca 1196-1213.
Engraving of a sealing of Peter II of Aragon, ca 1196—1213
(Fonte: Louis Blancard - Iconographie des sceaux et bulles, Public Domain, WP)

Sella Curulis
(Fonte: Jean-Baptiste Claude Sené. Metropolitan Museum of Art. WP1) https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=60272603

Sella Curulis; Curule seat: Wood carved and gilded. Berlin around 1810. The design probably by Karl Friedrich Schinkel.
(Fonte: John Jason, WP)
Dois pares de pernas de bronze, pertencentes a Selas curules, preservadas no museu de Nápoles (Museo Borbonico, vol. vi. tav. 28); e uma Sella curulis, copiada da coleção do Vaticano (WP).

A Sella curulis então é um símbolo do poder e do mandatário que ocupa esse posto, sendo representado em gravuras, moedas e selos. Esse símbolo denota o exercício do poder por uma pessoa e também lembra que se deve exercê-lo de forma sentada, ou seja na calma e depois de refletir sobre o que se deseja impor.


26. Afrodite

Afrodite, em grego: Αφροδίτη, Aphrodítē é a deusa do amor, da beleza e da sexualidade na antiga religião grega. Responsável pela perpetuação da vida, do prazer e da alegria. Historicamente, seu culto na Grécia Antiga foi importado da Ásia, influenciado pelo culto de Astarte, na Fenícia, e de sua cognata, a deusa Ishtar dos Acádios. Ambas eram deusas do amor, e seus atributos e rituais foram incorporados no culto grego a Afrodite. Na era romana, seria a vez de Afrodite ser a influência, dando origem à sua equivalente romana, a deusa Vênus.
Na mitologia grega, a versão mais famosa do seu nascimento contada por Hesíodo, relata que ela nasceu quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mar; da espuma (aphros), misturada com o esperma do Deus, ergueu-se Afrodite. 

No entanto para Homero, ligeiramente anterior a Hesíodo, conta que ela era filha de Zeus e Dione. Na época de Platão (428-328 a.C), os gregos haviam solucionado este conflito afirmando que Afrodite tem dois aspectos diferentes, sem individualizar o culto: a primeira Afrodite Urânia, seria a Afrodite celeste, do amor divino. A filha de Zeus seria a Afrodite do amor comum, do povo, denominada Afrodite Pandemos de onde emanava o amor físico e desejos lascivos. 

Os principais mitos envolvendo a deusa são a saga da Guerra de Troia, onde ela protegeu a cidade de Troia e os amantes Helena e Páris; sua perseguição a mortais que a ofenderam, como Psiquê e Hipólito; as bênçãos dadas a fiéis como Pigmaleão para viverem com suas amadas; e seus diversos casos amorosos, como Ares e Adônis.

AMOR

Embora existam mais palavras gregas para amor, variantes e possivelmente subcategorias, um resumo geral considerando esses conceitos gregos antigos é o seguinte: 

Agápe, ἀγάπη, agápē significa "amor": especialmente amor fraternal, caridade; o amor de Deus pela pessoa e da pessoa por Deus. Ágape é usado em textos antigos para denotar sentimentos pelos filhos e pelo cônjuge, e também era usado para se referir a uma festa de amor. Ágape é usado pelos cristãos para expressar o amor incondicional de Deus por Seus filhos. Este tipo de amor foi explicado por Tomás de Aquino como "desejar o bem de outro".

Éros, ἔρως, érōs, significa "amor, principalmente da paixão sexual". A palavra grega moderna "erotas" significa "amor íntimo" de onde também vem a palavra erótico. 

Platão refinou sua própria definição: Embora eros seja inicialmente sentido por uma pessoa, com a contemplação torna-se uma apreciação da beleza dentro dessa pessoa, ou mesmo se torna uma apreciação da própria beleza. Platão não fala de atração física como uma parte necessária do amor, daí o uso da palavra platônico para significar "sem atração física". 

No Banquete, obra antiga sobre o assunto, Platão faz Sócrates argumentar que Eros ajuda a alma a relembrar o conhecimento da beleza e contribui para a compreensão da verdade espiritual, a forma ideal de beleza juvenil que leva os humanos a sentir o desejo erótico, sugerindo assim, que mesmo esse amor baseado na sensualidade, aspira ao plano de existência espiritual e não-corpóreo; i.é., encontrar sua verdade, assim como encontrar qualquer verdade, leva à transcendência. Amantes e filósofos são todos inspirados a buscar a verdade por meio de Eros.

Philia, φιλία, philía, significa “consideração afetuosa, amizade”, geralmente “entre iguais”. É um amor virtuoso desapaixonado, um conceito desenvolvido por Aristóteles. Em seu trabalho mais conhecido sobre ética, Ética a Nicômaco, philia é expressa de várias maneiras como lealdade aos amigos, especificamente, “amor fraterno”, família e comunidade, e requer virtude, igualdade e familiaridade. 
Além disso, no mesmo texto philos é também a raiz de philautia que denota amor próprio e dele decorrente, um tipo geral de amor, usado para amor entre familiares, entre amigos, desejo ou gozo de uma atividade, bem como entre amantes . 

Storge, στοργή, storgē, significa “amor, carinho” e especialmente de pais e filhos. É a empatia comum ou natural, como aquela sentida dos pais pelos filhos. Raramente usado em obras antigas, e depois quase exclusivamente como descritor de relacionamentos dentro da família. Também é conhecido por expressar mera aceitação ou aturar, tolerar situações, como em “amar” o tirano. Isso também é usado quando se refere ao amor pelo país ou por um time esportivo favorito. 

Philautia, φιλαυτία, philautia, filautia, significa “amor próprio”. Amar a si mesmo ou considerar a própria felicidade ou vantagem, foi conceituado tanto como uma necessidade humana básica quanto como uma falha moral, semelhante à vaidade e ao egoísmo, sinônimo de amor próprio ou egoísmo. Os gregos dividiram ainda mais esse amor em positivo e negativo: um, a versão doentia, é o amor auto-obcecado, e o outro é o conceito de autocompaixão. 

Xenia, ξενία, xenía, é um conceito grego antigo de hospitalidade. Às vezes é traduzido como "amizade de convidados" ou "amizade ritualizada". É uma relação institucionalizada enraizada na generosidade, troca de presentes e reciprocidade. Historicamente, a hospitalidade para com estrangeiros e convidados, helenos não de sua polis, era entendida como uma obrigação moral. A hospitalidade para com os estrangeiros helenos honrou Zeus Xênios e Atena Xenia patronos de estrangeiros. 
O ódio ou medo de estrangeiros ficou é atualmente conhecido como xenofobia, a antítese do amor ao outro.


EROS

O Deus Eros é o deus da paixão, do amor e do erotismo na mitologia grega. Sua principal função era unir as pessoas por meio de suas flechas mágicas. Esse deus representava o amor verdadeiro e na mitologia romana ele é chamado de cupido. Eros é representado como um jovem alado muito belo e que carrega um arco e flecha, seus símbolos mais importantes. Também pode estar associado com a simbologia do coração flechado. Por ser uma figura muito bonita e encantadora, ele era considerado irresistível. Note que Eros também pode aparecer como uma criança alada. Há diversas versões do mito de Eros, porém a mais conhecida é que ele foi fruto da união de Afrodite e Ares. Além dele, o casal teve mais seis filhos: Anteros, Deimos, Fobos, Harmonia, Himeros e Pothos.

Eros foi uma criança muito mimada e por isso, seu aspecto era sempre muito infantil. Quando Afrodite teve seu segundo filho com Ares, Anteros, Eros começou a se tornar um homem muito belo.

Ele era muito corajoso, astuto, travesso e sempre estava em busca de intrigas. Foi assim que durante muito tempo lançou suas flechas nas pessoas para que elas se apaixonassem. Companheiro constante de sua mãe, muitas vezes ele lançava suas flechas a pedido dela.

A relação mais famosa de Eros é com Psiquê, uma princesa. Incumbido de lançar uma flecha na moça e numa criatura muito feia, ele errou e acabou se acertando. Isso porque sua mãe, Afrodite, ficou invejada com a beleza de Psiquê e pediu ao filho para que ela se apaixonasse por um monstro. Entretanto, seu plano não deu certo e ele se apaixona perdidamente por Psiquê e com ela tiveram Hedonê (ou Volúpia), a deusa do prazer. Eros casou-se com ela, mas a condição era que Psiquê nunca visse seu rosto. No entanto, numa noite, ela viu a beleza do rosto de seu amado. Nesse momento, ele acordou e sentiu-se traído por sua mulher.

A partir disso, eles cortam as relações, mas ambos ficam perdidos e Eros resolve pedir a ajuda de Zeus, para que ela se torne imortal. Assim, psiquê se alimenta com ambrosia e néctar dos deuses e torna-se uma deusa imortal.

No mito de Eros e psiquê, ela representa a alma, enquanto Eros, o amor, e para muitos estudiosos, juntos eles representam a espiritualidade humana (todamateria).

O poeta português Fernando Pessoa escreveu um poema intitulado Eros e Psiquê:


Eros e Psiquê

Conta a lenda que dormia
uma Princesa encantada
a quem só despertaria
um Infante, que viria
de além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
vencer o mal e o bem,
antes que, já libertado,
deixasse o caminho errado
por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
e orna-lhe a fronte esquecida,
verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
sem saber que intuito tem,
rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –
ela dormindo encantada,
ele buscando-a sem tino
pelo processo divino
que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
tudo pela estrada fora,
e falso, ele vem seguro,
e, vencendo estrada e muro,
chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,
à cabeça, em maresia,
ergue a mão, e encontra hera,
e vê que ele mesmo era
a Princesa que dormia.



Eros, em grego: Ἔρως, na mitologia grega, era o Deus do amor e do erotismo. Era um dos muitos Erotes, como eram conhecidos os filhos de Afrodite. A seguir sao citados alguns dos Erotes.

1) Eros, Ἔρως: Eros era o principal erote, é o deus do amor inconsequente, deus  da união, da afinidade que inspira ou produz simpatia entre os seres, para os unir em procriações. Eros era um deus original e primordial, nascido do Caos. Deus responsável pela atração entre os seres e os entes, pelo amor e deus da relação sexual; ele também era adorado como uma divindade da fertilidade. Sua contraparte romana era Cupido (desejo). Eros era associado ao atletismo, e por isso reverenciado com estátuas erguidas em ginásios.   Muitas vezes considerado como o protetor do amor entre homens, amor homossexual.  Eros era retratado frequentemente carregando uma lira ou arco e flecha. Ele também era representado acompanhado por golfinhos, flautas, galos, rosas e tochas. Em outra versão ele surge como filho de Afrodite e Ares e não como um deus primordial. 

2) Anteros, Ἀντέρως, Antérōs, era, na mitologia grega, o deus do amor retribuído, literalmente “amor devolvido” ou “amor correspondido” e também punidor daqueles que desprezam o amor e os avanços de outros, ou o vingador do amor não correspondido. Seu nome literalmente significa “amor voltou”, mas pode também ser traduzido como “contrário do amor”, ou “no que não há amor”. Numa versão era filho de Afrodite com Ares, em outra versão, Anteros surgiu de sentimentos mútuos entre Poseidon e Nerites.

Após descobrir que o motivo de Eros não crescer é que ele estava sozinho e que o amor tem que ser correspondido para crescer, Afrodite teve Anteros com Ares (Marte). Ele foi dado ao solitário irmão Eros como um companheir, para que Eros (o amor) pudesse crescer. Assim Eros cresceu belo e forte, mas após algum tempo, Anteros foi enviado para ser criado por um pescador, e quando Anteros partiu, Eros voltou a ser menino e nunca mais cresceu. Fisicamente, Anteros é semelhante a Eros, mas com cabelos longos e emplumadas asas de boboleta. Também é descrito armado com um taco de ouro e flechas de chumbo.


3) Himeros, Ἵμερος: deus do desejo incontrolável, desejo sexual incontrolável.
Himeros é deus do desejo sexual. Segundo a Teogonia de Hesíodo, quando a deusa Afrodite surgiu da mistura do semen do pênis cortado de Cronos, com a espuma do da água do mar, ela já estava grávida dos gêmeos Eros e Himeros. Os filhos eram seus companheiros constantes, e agentes de seu poder divino. 

Himeros é descrito geralmente como um jovem alado ou uma criança. Assim como os outros erotes, ele era freqüentemente retratado junto com Eros na cena do nascimento de Afrodite. Ambos voam em torno da concha da deusa sob as aguas do  mar. Em outras vezes, ele aparece como uma tríade de deuses do amor, com seus irmãos, Eros e Pothos (Amor e Paixão). 

Como um deus individual, no entanto, Himeros, não possuía um culto distinto. Quando era representando junto com Eros ele provavelmente estava identificado com Anteros, o amor correspondido. Himeros é o deus do desejo incontrolável. Em latim era chamado de Himerus. 

4) Pothos, Πόθος, pothos, pothu,  deus da paixão, saudade, desejo.

Pothos (ou em latim Pothus) era o deus da paixão, anseio e desejo. Escritores clássicos tardios descrevem-no como um filho de Zéfirus, o vento do oeste e Iris, a deusa do arco-iris, para representar as paixões que vem com o amor. Os erotes foram descritos frequentemente juntos em pinturas de vasos gregos.

5) Hedylogosgrego antigo: Ἡδυλογος, ou Hedylogus, era o deus da conversa mansa (sweet-talk), elogios e da lisonja. Ele não é mencionado em nenhuma literatura existente, mas é retratado em pinturas de vasos gregos antigos, junto com seu nome.


Cupido em pé (à esquerda) e Hímen sentado (à direita). A tocha acesa de Hymen ou Himenaios, Himeneu, em uma medalha de casamento napoleônica de 1807. Ela comemora o casamento do irmão mais novo de Napoleão, Jérôme Bonaparte, com a princesa Catharina de Württemberg em Fontainebleau.


6) Himeneu ou Hímen. Hymenaeus em grego: Ὑμεναιος ou Hymen, grego: Ὑμην era o deus dos casamentos. Hymen é o filho de Apollo e uma das musas, Clio ou Calliope ou Urania ou Terpsichore. É também um erotes, responsável por um aspecto da união, o casamento, entre duas pessoas que se amam.
Embora possua o mesmo nome da membrana que cobre a abertura da vagina, não há nenhuma relação do nome do deus com essa estrutura anatômica. Apenas possuem a mesma origem etimológica. 

Hymen em grego antigo: Ὑμήν, Hymenaios ou Hymenaeus, na religião helenística, é um deus das cerimônias de casamento, inspirando festas e canções. Relacionado ao nome do deus, um hymenaios é um gênero de poesia lírica grega entoado durante a procissão da noiva para a casa do noivo em que o deus é invocado e para quem os cânticos sao endereçados, em contraste com o Epithalamium, que é cantado no limiar nupcial. Ele é um dos deuses alados do amor, ou Erotes.

O deus hímeneus deve estar presente em todos os casamentos. Se não o fizer, o casamento estará supostamente condenado a ser um desastre, então os gregos correriam para chamar seu nome em voz alta. Ele presidiu muitos dos casamentos na mitologia grega, para todas as divindades e seus filhos. foi mencionado em “As Troianas” de Eurípides, onde Cassandra diz:

“Bring the light, uplift and show its flame! I am doing the god's service, see! I making his shrine to glow with tapers bright. O Hymen, king of marriage! blest is the bridegroom; blest am I also, the maiden soon to wed a princely lord in Argos. Hail Hymen, king of marriage!”

“Traga a luz, eleve e mostre sua chama! Estou fazendo o serviço do deus, veja! Estou fazendo seu santuário brilhar com velas brilhantes. Ó Hymen, rei do casamento! abençoado é o noivo; abençoada sou eu também, a donzela que logo se casará com um senhor principesco em Argos. Salve Hymen, rei do casamento!”

Outras histórias dão a Hymen uma origem lendária. Em um dos fragmentos sobreviventes do Megalai Ehoiai atribuído a Hesíodo, é dito que Magnes “tinha um filho de notável beleza, chamado Hymenaeus. E quando Apolo viu o menino, ele foi tomado de amor por e não conseguiu sair mais da casa de Magnes" (WP)

O Megalai Ehoiai em grego antigo: Μεγάλαι Ἠοῖαι, ou Grande Ehoiai, é um poema épico grego fragmentário que tem sido popularmente, embora não universalmente aceito, como sendo de Hesíodo; durante a antiguidade. Como o Catálogo Hesiódico das Mulheres, mais amplamente lido, o Megalai Ehoiai era um poema genealógico estruturado em torno da exposição de árvores genealógicas heróicas, entre as quais foram narrados mitos sobre muitos de seus membros e casamentos (WP).


Eros reacendendo a tocha de Hymeneus
(George Rennie 1802-1860)


7) Pothos em grego antigo: Πόθος, “anseio”, “desejo” foi um dos erotes de Afrodite e irmão de Himeros e Eros. Em algumas versões do mito, Pothos é filho de Eros, ou é retratado como um aspecto independente dele.

Ainda outros o chamam de filho de Zéphyirus e Íris. Ele fazia parte da comitiva de Afrodite e carregava uma videira, indicando uma conexão com o vinho ou o deus Dionísio. Pothos representa saudade ou anseio.  No templo de Afrodite em Mégara, havia uma escultura que representava Pothos junto com Eros e Himeros que foi creditada a Scopas. Pothos é o nome da flor branca Asphodelus albus, usada em funerais. ἀσφόδελος (asphódelos A flor disse ao tapete Hades, e uma comida favorita dos mortos.


O asfódelo branco é uma planta característica dos bosques de Asfódelos. Na Grécia Antiga, o asfódelo branco era associado ao luto e à morte. Sua presença foi concebida para facilitar a transição dos mortos para Elysium. Os antigos gregos diziam que essa planta cobria o chão do Hades. 
O Asfódelo branco também é conhecido pelo nome de lírio ramificado ou lança do rei. Raízes de asfódelo branco eram usadas como alimento básico na Grécia antiga: de acordo com Plínio, o Velho, uma planta podia produzir até 80 tubérculos. Charles de L´ecluse escreveu que observou uma planta com 200 tubérculos. 
Teofrasto de Eresos, Θεόφραστος (371-287 a.C), mencionou que o talo torrado e as sementes também podiam ser usados ​​como alimento. O Asfódelo supostamente estendeu a vida de Epimênides. 

Asphodelus albus Mill. (WP)

O costume de plantar ásfódelo nas sepulturas sepulturas na Grécia descrito em 1887 na Macmillan's Magazine pode ter sido para fornecer alimento aos mortos. Foi introduzido como ornamental na Inglaterra em 1551 e, a partir de 1887, “extensivamente usado na Argélia para a fabricação de álcool”.


Na mitologia grega, Phthonus, grego antigo: Φθόνος Phthónos, ou às vezes Zelus, era a personificação do ciúme e da inveja, mais proeminente em questões de romance. Em Nonnus's Dionysiaca, ele é por procuração a causa da morte de Semele, tendo informado Hera do caso de Zeus com a princesa. Ele também aparece no Hino à Apolo escriti por Calímaco, incitando o deus a uma discussão. Sua contraparte feminina era Nemesis, personificação da vingança. Em contraste com o domínio de Phthonus estar intimamente ligado ao ciúme romântico e sexual, Nemesis estava mais relacionada à retribuição violenta. De acordo com Irineu, os gnósticos acreditavam que o primeiro anjo e Authadia conceberam os filhos Kakia (maldade), Zelos (ciúme), Phthonus (inveja), Erinnys (fúria) e Epithymia (luxúria).


Eros 

Hesíodo, em sua Teogonia, considera Eros como sendo filho do Χάος, Cháos e por isso, um Deus primordial, e como tal um deus do Olimpo. Posteriormente foi considerado filho de Afrodite com Ares, ou apenas de Afrodite, conforme as versões. Ele é, normalmente, retratado em pinturas acompanhado da mãe.
Além de o descrever como sendo muito belo e irresistível, levando a ignorar o bom senso, atribui-lhe também um papel unificador e coordenador dos elementos, contribuindo para a passagem do caos ao cosmos.

Enquanto Platão, no Banquete, descreve “Eros” como o conceito geral de Amor, e numa seção da narrativa explica a genealogia de seu nascimento:

“Quando nasceu Afrodite, os deuses banquetearam, e entre eles estava Poros (o Expoente), filho de Métis. Depois de terem comido, chegou Pínia (a Pobreza) para mendigar, porque tinha sido um grande banquete, e ela estava perto da porta. Aconteceu que Poros, embriagado de néctar, dado que ainda não havia vinho, entrou nos jardins de Saturno e, pesado como estava, adormeceu. Pínia, então, pela carência em que se encontrava de tudo o que tem Poros, e cogitando ter um filho de Poros, teve relações sexuais com ele e concebeu Eros. Por isso, Eros tornou-se seguidor e ministro de Afrodite, porque foi gerado durante as suas festas natalícias; e também era por natureza amante da beleza, porque Afrodite também era bela.”

Pois que Eros é filho de Afrodite e Ares, eis qual é a sua condição. É sempre pobre não é de maneira alguma delicado e belo como geralmente se crê; mas sujo, hirsuto, descalço, sem teto. Deita-se sempre por terra e não possui nada para cobrir-se, descansa dormindo ao ar livre sob as estrelas, nos caminhos e junto às portas. Enfim, mostra claramente a natureza da sua mãe, andando sempre acompanhado da pobreza. Ao invés, da parte do pai, Eros está sempre à espreita dos belos de corpo e de alma, com sagazes ardis. É corajoso, audaz e constante. Eros é um caçador temível, astucioso, sempre armando intrigas. Gosta de invenções e é cheio de expedientes para consegui-las. É filósofo o tempo todo, encantador poderoso, fazedor de filtros, sofista. Sua natureza não é nem mortal nem imortal; no mesmo dia, em um momento, quando tudo lhe sucede bem, floresce bem vivo e, no momento seguinte, morre; mas depois retorna à vida, graças à natureza paterna. Mas tudo o que consegue pouco a pouco sempre lhe foge das mãos. Em suma, “Eros nunca é totalmente pobre nem totalmente rico”.

Em uma parte do mito, Afrodite faz um desabafo a Métis (ou Têmis), queixando-se que seu filho continuava sempre criança. Métis lhe explica que Eros era muito solitário e, por isso, mimado. Haveria de crescer se tivesse um irmão. Anteros nasceu pouco depois e Eros começou a crescer e tornar-se ainda mais belo e robusto.
Eros casou-se com Psiquê, com a condição de que ela nunca pudesse ver o seu rosto, pois isso significaria perdê-lo. Mas Psiquê, induzida por suas invejosas irmãs, observa o rosto de Eros à noite sob a luz de uma vela. Encantada com tamanha beleza do deus, se distrai e deixa cair uma gota de cera sobre o peito de seu marido, que acorda. Irritado com a traição de Psiquê, Eros a abandona. Esta, ficando perturbada, passa a vagar pelo mundo até se entregar à morte. Eros, que também sofria pela separação, implora para que Zeus tenha compaixão deles. 
Zeus o atende e Eros resgata sua esposa e passam a viver no Olimpo, isso após ela tomar um pouco de ambrosia tornando-a imortal. Com Psiquê, teve Hedonê, o prazer. Anacreonte o descreve como “Eros de cachos dourados”. 

Eros é frequentemente retratado como um garotinho alado, de cabelos louros, com aparência de inocente e travesso que jamais cresceu (simbolizando a eterna juventude do amor profundo). Portando um arco e flecha e até mesmo com uma tocha acesa. Sempre pronto a atingir, de forma certeira, suas flechas "envenenadas" com amor e paixão. Os alvos sempre sendo a região do coração e do fígado.

No grego, o termo “Eros” significa “desejar com muito amor”.
Os termos “erótico” e “erotismo” têm origem no nome desse deus.
Na psicanálise, Eros representa o desejo ou a punção sexual e a paixão.
Erotes são os filhos alados de Afrodite: Eros, Anteros, Pothos e Himeros etc.
Eros foi retratado na obra Teogonia do poeta grego Hesíodo, e nessa versão, ele era filho do Caos sendo portanto um deus primordial.


O SOL DE VERGINA, ESTRELA DE VERGINA OU ESTRELA ARGEADA: UM SÍMBOLO MILENAR

Το Αστέρι της Βεργίνας
 Ένα Πανελλήνιο Σύμβολο


Sol de Vergina. O símbolo de um sol ou estrela estilizada pode ser encontrado em moedas, pinturas de paredes, escudos, crateras (um tipo de caneco ou taça para beber vinho), vasos cerâmicos e artes visuais da Grécia Antiga. O símbolo apresenta dezesseis raios de luz que emanam de uma roseta central, conhecida como rodakas. O símbolo era tão popular na época que os macedônios o tornaram o símbolo oficial e emblema da Dinastia Argead, a Casa Real da Macedônia, embora essa ideia não seja um consenso entre os pesquisadores.

O Sol de Vergina ou Estrela de Vergina, ou ainda Estrela Argeada, é uma estrela simbólica de 16 raios. Foi desenterrada em 1977 durante escavações arqueológicas em Vergina, na região grega da Macedônia pelo professor Manolis Andronikos, gravada em um cofre dourado posto na tumba dos reis da Macedônia Antiga. A arca de ouro onde aparece o Sol de Vergina, atualmente esta exposta no Museu Arqueológico de Tessalônica.
Andronikos descreveu o símbolo como uma estrela, os raios de uma estrela ou ainda os raios do Sol. Ele acreditava que o cofre sobre o qual ela aparecia pertencia ao rei Felipe II da Macedônia, pai de Alexandre Magno. Outros historiadores têm sugerido que na verdade o túmulo pertencia a Filipe III Arrideu o qual reinou depois de ambos. O cofre está agora em exposição no Museu Arqueológico de Vergina, perto do local da sua descoberta. Outra versão da estrela, de doze raios, foi encontrado sobre o cofre de Olímpia do Epiro, a mãe de Alexandre Magno.

O significado do Sol de Vergina ainda não está muito claro. Os arqueólogos não chegaram a um acordo se trata-se de um símbolo da Macedônia, um emblema da dinastia Argeada, um símbolo religioso que representava os doze deuses do Olimpo ou, simplesmente, um desenho decorativo. Andronikos o interpreta como um emblema da dinastia macedônica, mas Eugene Borza assinala que o símbolo foi usado em diversos âmbitos no interior da arte macedônica. Em todo caso, a primeira hipótese é a mais acreditada, pela homonímia da estrela com a da dinastia do antigo reino de Felipe.

John Paul Adams indica sua ampla utilização no interior da arte macedônica antiga (como no Oriente Médio e outras áreas) concluindo que nunca poderia ser um verdadeiro símbolo real ou nacional macedônico. Hipótese, esta última, facilmente refutável, já que a expedição alexandrina fez um prolongado uso desse símbolo por toda a Ásia. (WP)

São muitas as versões da estrela com dezesseis e oito pontas em moedas e escudos macedônicos, bem como em todo o período helenístico. Existe também uma série de representações de hoplitas atenienses que levam um símbolo idêntico aos dezesseis pontas em sua armadura, mesmo antes que o símbolo descoberto por Andronikos fosse considerado uma mera decoração.

Sol raiado de Vergina (macedonians)
Dos cofres do Propylaea em Elêusis (século II aC), ele próprio uma réplica bastante próxima do Propylaea ateniense na Acrópole: A semelhança desses emblemas solares áticos com o raios do sol da dinastia real macedônia é surpreendente para dizer o mínimo. É importante lembrar que a maioria dos emblemas áticos registrados pelos antiquários do século XVIII são anteriores à ascendência da antiga Macedônia em pelo menos um século. É bastante claro, dada a sua aparição em alguns dos templos mais conhecidos da Grécia clássica, que a peculiaridade desta representação simbólica do sol é de fato um fenômeno pan-helénico (história).

O Sol Vergina e os macedônios – Mito da Criação

Heródoto foi capaz de preservar pelo menos um lendário mito da criação envolvendo o Vergina Sun.

Segundo ele, havia três ancestrais de Argos que deixaram sua cidade natal para oferecer seus serviços ao rei da Ilíria. Apesar de suas intenções serem puras, o rei nutria um profundo medo de seu poder, principalmente por causa de um suposto presságio que lhe dizia que os três homens estavam destinados a grandes coisas.

Dominado pela paranóia, o rei interpretou esse presságio como significando que os Argeons um dia tomariam o trono para si. Ele expulsou os três homens de seu reino sem nenhuma compensação pelo trabalho que já haviam feito cuidando de seu rebanho.

Heródoto afirma que, enquanto os três homens se preparavam para partir, o chão do reino foi repentinamente iluminado pelos raios do sol, que permearam as paredes do palácio do nada. Como se para marcar seu território de direito, o mais jovem Argeon sacou sua espada, traçou a imagem do “sol” no chão, cortou o símbolo e o guardou em suas roupas.

Acreditava-se que o símbolo recortado deu muita sorte aos irmãos de Argos, pois eles encontraram os jardins frutíferos do rei Midas quase assim que deixaram o reino. Não demorou muito para que eles criassem a Macedônia e a dinastia macedônia.

Ascensão e queda como um símbolo público

Em 1987, as regiões gregas desenharam uma bandeira de solidariedade que ostentava um Sol Vergina dourado sobre um fundo azul. O governo da época acreditou que esta bandeira simbolizava os esforços separatistas, por isso nunca foi promovida ao status de bandeira oficial. No entanto, algumas unidades das Forças Armadas gregas começaram a integrar o “Vergina Sun” em suas próprias bandeiras.

Enquanto isso, esse desenho permaneceu como a bandeira não oficial da Macedônia, até que um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores grego afirmou que o símbolo era originalmente da Grécia e que havia sido roubado.

Esta controvérsia durou várias décadas e só foi resolvida em 2019, após a assinatura do acordo Prespa em que ambos os países concordaram que o Sol de  Vergina não será mais usado como símbolo público no território da Macedônia do Norte.

Athena e Hermes, 540 BC


Sol de Vergina em moeda da Grécia moderna

O Sól de Vergina, “Vergina Sun” apresenta dezesseis raios de luz irradiando de uma rodakas em seu centro. É um belo emblema e era comumente usado como motivo decorativo. A rodakas, ou roseta, era um símbolo altamente significativo e respeitado.

Para os gregos antigos, representava:

Beleza, Poder, Pureza, Fertilidade, fertilização, Terra

Embora outras representações do lendário Sol de Vergina o mostrem apenas com 8 ou 12 raios de luz, as versões mais antigas e comuns sempre apresentam 16 raios. Isso é importante porque, em muitas culturas, acredita-se que o número 16 simbolize completude ou totalidade.

Quanto aos antigos gregos, diz-se que os raios do Sol Vergina representam os quatro elementos: Água, Terra, Fogo e Ar, juntamente com os 12 principais deuses e deusas do Olimpo. 

Diz-se que a presença completa das divindades reverenciadas e dos quatro elementos da natureza é a fonte da completude e faz parte do que torna este símbolo um símbolo de sorte.

Em todas as formas, o Sol de Vergina simbolizava a Virgindade.
A Deusa Atena era uma Virgem, então este Sol estava associado a ela. Também podemos encontrar este símbolo associado a Apolo. Todas as versões (16,12 e Sol de 8 pontas) estão associadas a outro famoso símbolo grego, o “Delphian Epsilon”, símbolo de Apolo.













O Sol de Vergina, em grego: Ήλιος της Βεργίνας, Ilios tis Vergínas, iluminado. “Sol de Vergina”, também conhecido como a Estrela de Vergina, Vergina Star ou Argead Star, é um símbolo solar raiado que aparece pela primeira vez na arte grega antiga do período entre os séculos VI e II a.C. 

O Sol de Vergina propriamente dito tem dezesseis raios triangulares, enquanto símbolos comparáveis ​​do mesmo período têm dezesseis, doze, dez, oito ou (raramente) seis raios.

O nome "Vergina Sun" tornou-se amplamente utilizado após as escavações arqueológicas em torno da pequena cidade de Vergina, no norte da Grécia, durante o final da década de 1970. 

Em referências mais antigas, o nome “Estrela Argead” ou “Estrela do Argeadai” é usado para o Sol como o possível símbolo real da dinastia Argead do antigo reino da Macedônia, embora ainda existam controvérsias, não sendo unânime essa ideia. Lá, foi retratado em um lárnax dourado encontrado em uma tumba real do século IV aC pertencente a Filipe II da Macedônia (pai de Alexandre o Grande) ou Filipe III da Macedônia, meio-irmão de Alexandre, o Grande.

O Sol de Vergina tornou-se um design (desenho) de arte comum em moedas, crateras (taças), escudos, vestuário, vasos de cerâmica, elmos, motivo de embelezamento do interior de casas (desenhos de paredes), etc., muito antes da casa real da Macedônia (Dinastia Argead) usá-lo. Após a unificação da nação grega (helênica) sob a liderança de Alexandre, o Grande, o Sol de Vergina espalhou-se muito mais e tornou-se o símbolo da etnogênese helênica. 

Essa tradição de uso deste símbolo, passou do grego antigo ao período bizantino. Atena era a deusa virgem, então quando o cristianismo “chegou” na Grécia, os gregos substituíram Atena pela Madona (a mãe de Jesus Cristo). Assim, todos os templos de Atenas tornaram-se igrejas de Madonna (incluindo o Partenon) e todos os símbolos que tinham uma conexão com Atenas tornaram-se símbolos da Madonna. Assim como o Sol de Vergina, acabou de se tornar o símbolo da Madonna! Os artistas bizantinos referiram-se ao “Sol de Vergina” como o “Aeiparthenon”, que significa “para sempre virgem”. Uma imagem típica de Madonna inclui 3 Sóis de Vergina (Aeiparthena). Esses 3 sóis, como dizem os bizantinos, simbolizam o fato de Maria ter permanecido virgem antes da concepção, durante a gestação e após o nascimento de Jesus Cristo. Desta forma, este símbolo perdura até hoje simbolizando a pureza, castidade, beleza, poder e sabedoria. 


Um hoplita com um sol de oito pontas no ombro esquerdo. Lado A de uma ânfora de barriga de figura vermelha ática grega antiga, 500–490 a.C, de Vulci, Itália. Staatliche Antikensammlungen, Munique, Alemanha. (WP)

O Sol Vergina, tal como retratado no topo do Larnax Dourado (um tipo de urna funerária) de Filipe II da Macedônia (WP).

Segundo (históriacombatemedieval2019)  este símbolo tem sido interpretado provisoriamente como o símbolo real histórico da antiga Macedônia, em vez de apenas um elemento decorativo genérico na arte grega antiga, o Sol Vergina entrou em uso popular entre os gregos macedônios desde a década de 1980, e tornou-se comumente usado como um emblema oficial na região grega de Macedônia e por outras entidades estatais gregas durante a década de 1990.

O símbolo do Sol Vergina foi objeto de uma controvérsia na primeira metade da década de 1990 entre a Grécia e a recém-independente República da Macedônia (atual Macedônia do Norte), que o adotou como símbolo do nacionalismo macedônio e o retratou em sua bandeira nacional. 

Eventualmente, em 1995 e como resultado dessa disputa, a bandeira da jovem república foi revisada para um símbolo solar raiado diferente. Em 17 de junho de 2018, os dois países assinaram o Acordo Prespa, que estipula a retirada do Vergina Sun do uso público na Macedônia do Norte. e assim, no início de julho de 2019, o governo da Macedônia do Norte anunciou a remoção completa do símbolo de todas as áreas públicas, instituições e monumentos do país, exceto sítios arqueológicos.

Na realidade, este tão icônico símbolo pode ser tanto um sol quanto uma estrela. Comumente é denominado Sol de Vergina. O sol foi batizado desta forma pois na cidade de Vergina um vasto campo arqueológico possibilitou um estudo mais detalhado deste símbolo.

Geralmente representado por sol de 16 raios, o Sol de Vergina é encontrado com 12 raios ou até 8 raios. Curiosamente, há uma explicação para estes importantes números:

4 Raios que representam os 4 elementos: Fogo, Terra, Água e Ar;
12 raios remanescestes que representam os 12 deuses principais do Olimpo.



Importante ressaltar que independente de quantos raios tenha o sol, todos remetem a virgindade, característica marcante da Deusa Atena. Por se tratar do sol, pode-se associá-lo com o deus Apolo.

O símbolo era tão importante na Macedônia que era usado em tudo: Moedas, pinturas, entalhes artísticos em estruturas, templos, prédios de Estado e até em equipamentos militares. Até mesmo os hoplitas macedônios usavam o Sol de Vergina em seus escudos ou em sua armadura. 
Uma grande mudança para o uso do sol, fora sem dúvidas a adoção da Dinastia Argéada como seu símbolo principal. Esta dinastia, é a mesma dinastia de Filipe II da Macedônia pai de Alexandre o Grande. Durante o reinado de Alexandre, o Sol de Vergina estava hasteado em todo o mundo helênico e era sem dúvida alguma, um grande símbolo da etnogenese helênica.

Antes do Império Macedônico, o Sol de Vergina era encontrado nas regiões gregas de forma esparsas, mas remonta a um passado distante.

Idade Média

Não obstante, apesar de todas as mudanças ocorridas no mundo até adentrarmos na Idade Média, seja nos aspectos políticos e religiosos, o Sol de Vergina sobreviveu, mas teve seu caráter alterado. Com a entrada do cristianismo nos territórios do Império Romano Oriental, os símbolos pagãos foram deixados como uma memória distante, fugindo de seu significado deificador e sagrado, que os antigos costumavam atrelar a estes símbolos.

Em Ócrida, Macedônia do Norte, há inúmeros achados do Sol de Vergina na arte sacra. Na Igreja de Santa Mãe de Deus de Perivlepta, encontramos mais do sol. Ainda em Ócrida, em várias artes, Maria, Mãe de Deus, é retratada com mantos que possuem o sol bordados. Apesar da arte bizantina ser algo em tese uniforme, a riqueza cultural dos bizantinos era algo a ser prestigiado, pois cada região agregava algo seu em meio a uma cultura bizantina de todo o império. Nos afrescos das Igrejas, encontramos detalhes simples que muitas vezes podem passar despercebidos, mas que deixam eternizados o Sol de Vergina. Percebam que o sol nesta imagem, possui apenas 8 raios, mas que não deixa de ser o sol que estamos nos referindo. Com certeza, para o homem medieval, retratar o sol não significava mostrar o poder dos elementos da natureza ou invocar os deuses do Olimpo, uma vez que o bizantino há tempos, não orava mais para eles. Era o poder e prestígio de eternizar um dos maiores símbolos do mundo heleno e que representou uma das heráldicas de um dos impérios mais poderosos do mundo. Após Alexandre, todo grego carregava o grande fardo de tentar reunificar suas terras.

Legado

O sol sobreviveu ao tempo. Com a independência da Macedônia em 1991, a sua bandeira foi um resgate em suas origens da Antiguidade Clássica em 1992.

Independente de qual motivo o Sol de Vergina é retratado, foi um dos símbolos mais prestigiados. Seja em ouro, bronze, prata, seda ou simples algodão, este sol iluminou e já foi hasteado em estandartes de Pella até a Bactria. Este sol, já alimentou o sonho de muitos homens poderosos e ambiciosos. Agora, resta a todos nós, preservar este grande legado deixado pelos macedônios, que apesar de adaptarem sua bandeira nos dias atuais, orgulhosamente ostentam nela esse o sol cheio de histórias.

FORÇA



Antigo símbolo grego para força



Um prato de figura vermelha com Eros quando jovem fazendo uma oferenda 
(c. 340–320 aC). Walters Art Museum, Baltimore.


Escudo com leão (força e coragen) 


Eros (greece)

Eros (greece)



Esta é uma das pequenas tatuagens gregas que simboliza verdade, honestidade, amor e cuidado. Essas tatuagens também são conhecidas como tatuagens tribais gregas. A cor preta escura torna o símbolo mais atraente. Essas tatuagens também podem ser feitas no pescoço, pulso, perna e peito. (styleatlife). 




Vitória ou Nike



Tabono, símbolo Adrinkra para Força

Pempamsie, outro símbolo Adrinkra da Força. Assemelhando-se aos elos de uma corrente, o símbolo implica firmeza e robustez, bem como força alcançada por meio da união.



MISTÉRIOS DE ELEUSIS 
E ALGUNS DE SEUS SÍMBOLOS  



Rodakas (?)



Os mistérios de Elêusis representam o maior, mais sagrado e mais reverenciado culto da Grécia antiga. Remontando ao período micênico, os mistérios de Elêusis são uma celebração de mãe e filha, conforme contado no “Hino a Deméter”.

O período micênico, ou a Grécia micênica, ou ainda civilização micênica, foi a última fase da Idade do Bronze na Grécia Antiga, abrangendo o período que vai  aproximadamente de 1750 a 1050 aC. Representa a primeira civilização grega distintamente avançada na Grécia continental com seus estados palacianos, organização urbana, obras de arte e sistema de escrita. Os micênicos eram povos da Grécia continental que provavelmente foram estimulados por seu contato com a Creta minóica insular e outras culturas mediterrâneas a desenvolver uma cultura sociopolítica mais sofisticada própria. O local mais proeminente foi Micenas, que dá nome à cultura desta época. Outros centros de poder que surgiram incluíram as cidades de Pilos, Tirinto, Midea no Peloponeso, Orchomenos, Tebas, Atenas na Grécia Central e Iolcos na Tessália.

Os misterios de Eleusis É uma história de engano, vitória e renascimento que nos apresenta a mudança das estações do ano e um culto cujo mecanismo era um grande mistério na epoca e continua sendo ainda hoje. O festival era tão reverenciado que ocasionalmente interrompia guerras e as Olimpíadas.

A Origem Dos Mistérios de Elêusis

A origem do festival é uma combinação clássica de histórias dentro de uma história. Para entender o verdadeiro nascimento do culto, precisamos voltar ao início dos atos de ciúme do rei dos deuses gregos, Zeus.

Deméter, a deusa da fertilidade e sua irmã, foi seduzida por um humano com o nome de Iasião. Ao ver isso, Zeus fatalmente atingiu Iasião com um raio para que ele pudesse tomar Deméter para si, uma união que deu origem a Perséfone. Perséfone mais tarde se tornaria o objeto do desejo de Hades, o deus do submundo.

Hades pediu a Zeus sua bênção para se casar com Perséfone, o que Zeus concordou. No entanto, ciente de que Deméter nunca concordaria em perder perpetuamente sua filha para o submundo, Zeus arranjou para Hades sequestrar Perséfone. Ele fez isso pedindo a Gaia, a mãe da vida, que plantasse lindas flores perto da residência de Deméter para que Hades pudesse ter a chance de agarrar a jovem Perséfone enquanto ela as arrancava. Deméter então vagou pelo mundo inteiro em vão à procura de sua filha.

Em sua busca, que ela fez disfarçada de humana, Deméter foi para Elêusis, onde foi acolhida pela família real de Elêusis. A rainha de Elêusis, Metanira, nomeou Deméter como cuidadora de seu filho Demofonte, que cresceu para ser tão forte e saudável como um deus sob os cuidados de Deméter.

Curiosa para saber por que seu filho estava se tornando tão divino, Metanira em uma ocasião espiou Deméter. Ela encontrou Deméter passando o menino sobre uma fogueira e gritou de medo. Foi nesse ponto que Deméter revelou seu verdadeiro eu e acusou Metanira de interromper seu plano de tornar Demofonte imortal. Ela então ordenou que a família real construísse um templo em Elêusis, onde ela os ensinaria a adorá-la.

Enquanto ainda estava em Elêusis, a futilidade de sua tentativa de procurar Perséfone deixou Deméter tão furiosa que ela ameaçou o mundo inteiro com fome. Foi nessa época que outros deuses, privados de seus sacrifícios que os humanos famintos não podiam fornecer, incitaram Zeus a revelar a localização de Perséfone e tê-la de volta a Deméter. No entanto, como Perséfone estava deixando o submundo para retornar à terra e para sua mãe, ela foi induzida a comer algumas sementes de romã. Por ter comido comida do submundo, ela nunca poderia realmente deixá-lo, e era forçada a retornar a cada seis meses.

O ato final deste drama dos deuses se desenrolou em Elêusis, onde Perséfone emergiu do submundo na caverna plutoniana ou Portão de Plutão. A caverna plutoniana é encontrada no meio de Elêusis e acredita-se que une as energias da terra e do submundo.

Exuberante por se reencontrar com sua filha, Deméter ficou tão grata que revelou o segredo do cultivo de grãos à humanidade e depois anunciou que levaria felicidade a todos os que participassem dos mistérios e dos ritos religiosos de seu culto. O culto foi então estabelecido para ser presidido pelos sumos sacerdotes conhecidos como os Hierofantes. Os Hierofantes vieram de duas famílias escolhidas e sua tocha foi passada de geração em geração.
Simbolismo Dos Mistérios de Elêusis

Os mistérios de Elêusis carregam vários significados simbólicos, todos extraídos do mito e da razão pela qual os festivais começaram.

Fertilidade

Como a deusa da agricultura, Deméter está associada à fertilidade. O crescimento e a produção das safras são atribuídos a ela.
Renascimento - este simbolismo é derivado do retorno anual de Perséfone do submundo. Quando Perséfone se reencontra com sua mãe, o mundo entra na primavera e no verão, simbolizando novos começos e renascimento. Quando ela sai, chega o outono e o inverno. Essa era a explicação grega antiga para as estações.

Nascimento Espiritual

Diz-se que os iniciados que participaram dos mistérios de Elêusis tiveram um nascimento espiritual e se uniram ao espírito divino do universo.

A jornada de uma alma
Este simbolismo é derivado das promessas ditas aos iniciados durante o clímax do festival. Eles eram ensinados a não temer a morte, já que a morte era vista como um fator positivo, e então eram prometidos certos benefícios na vida após a morte. Esses benefícios são conhecidos apenas pelos iniciados, pois eles juraram segredo e ninguém ousou revelá-los.

O Festival de Elêusis

O festival de Elêusis foi precedido pelo que ficou conhecido como os mistérios menores que serviram como uma preparação para o festival principal. Esses mistérios menores que eram conduzidos nos meses de fevereiro e março envolviam lavagens ritualísticas dos fiéis em rios sagrados e sacrifícios em santuários menores.

Depois dos mistérios menores, veio a marcha dos sacerdotes e dos iniciados, também conhecidos como Mystai, de Atenas a Elêusis. A procissão era caracterizada por canto, dança e transporte de objetos sagrados que incluíam tochas, murta, coroas, ramos, flores, libações e vasos cerimoniais como Cerno, plemochoes e timítero.

Os mistérios maiores ocorriam nos meses de setembro e outubro e eram abertos a qualquer pessoa que falasse grego e não tivesse cometido assassinato. Eles incluíam uma lavagem ritualística no mar, três dias de jejum seguidos dos rituais realizados no templo de Deméter. A finalidade do festival acontecia no salão de iniciação, que era o templo de Telesterion. As revelações feitas aos iniciados neste ponto eram feitas após um juramento de sigilo. O que é comumente conhecido é que eram prometidos alguns benefícios na vida após a morte e que os ritos de iniciação eram realizados em três etapas:

O Hápax legómenon

Traduzido livremente para significar “coisas ditas”, esta fase foi caracterizada pela recitação das aventuras da deusa e as frases cerimoniais.

O Dromana

Traduzido livremente para significar "coisas feitas", esta fase foi caracterizada pela reconstituição dos episódios dos mitos de Deméter.

O Deiknymena 

Traduzido livremente para significar coisas mostradas, este estágio era apenas para iniciados e somente eles sabiam o que lhes foi mostrado.

No ato de encerramento, água era despejada do vaso Plemochoe, com um voltado para o leste e o outro voltado para o oeste. Isso era feito para buscar a fertilidade da terra.

Resumindo

Os Mistérios de Elêusis eram vistos como uma forma de buscar conhecimento oculto, com o intuito de que o iniciado pudesse com os instrumentos fornecidos no ritual da iniciação, superar o medo da morte, e viver uma vida reta uma vez que agora, de posse do conhecimento dos mistérios que cercam o derradeiro momento, adentrar no reino das sombras com tranquilidade. Os Mistérios de Eleusis tinham como base a filosofia de que a morte não é o fim de tudo, mas o inicio de uma jornada. Esses mistérios, são considerados sagrados e são celebrados há mais de 2.000 anos. Hoje o festival é celebrado por membros da Igreja Aquarian Terbanacle uma igreja Wiccan localizada em Index, Washington, que o chama de Festival dos Mistérios da Primavera.




Conclusão

Existem numerosos símbolos gregos antigos que foram usados ​​ao longo da história. O termo símbolo, com origem no grego symbolon, σύμβολον, designa um tipo de signo em que o significante, a realidade concreta, representa algo abstrato (religiões, nações, quantidades de tempo ou matéria, etc.) por força de convenção, semelhança ou contiguidade semântica (como no caso da cruz que representa o cristianismo, porque ela é uma parte do todo que é imagem do Cristo morto). Charles Sanders Pierce desenvolveu uma classificação geral dos signos. Sendo um signo, "símbolo" é sempre algo que representa outra coisa


Alguns dos símbolos gregos apresentados aqui permanecem populares até hoje, enquanto outros constituem meros símbolos do passado. 

Um símbolo é um emblema que, por convenção ou por princípio de analogia formal ou de outra natureza, substitui ou sugere algo. É o emblema de um conceito profundo e poderoso que os gregos e povos antigos conceberam para explicar e auxiliar em nossa conduta ao longo da vida. Os símbolos atuam em nossa psiquê de uma forma poderosa uma vez que possuiem múltiplas camadas e níveis de significado.  

Segundo Langer (1953) os símbolos são a base de toda a compreensão humana e servem como veículos de concepção para todo o conhecimento humano. Os símbolos facilitam a compreensão do mundo em que vivemos, servindo assim como a base sobre a qual fazemos julgamentos (Palczewiski e cols 2012). 
Dessa forma, as pessoas usam símbolos não apenas para dar sentido ao mundo ao seu redor, mas também para identificar e cooperar na sociedade por meio da retórica constitutiva. A retórica constitutiva é uma teoria do discurso elaborada por James Boyd White sobre a capacidade da linguagem ou dos símbolos de criar uma identidade coletiva para uma audiência, especialmente por meio de símbolos de condensação, literatura e narrativas. Tal discurso geralmente exige que ações sejam tomadas para reforçar a identidade e as crenças dessa identidade. White explica que denota "a arte de constituir caráter, comunidade e cultura na linguagem. O modelo constitutivo da retórica remonta aos antigos sofistas gregos, com teorias de que a fala, o discurso, movia o público à ação com base em um conhecimento contingente e compartilhado.

As culturas humanas usam símbolos para expressar ideologias e estruturas sociais particulares e para representar aspectos de sua cultura específica. Assim, os símbolos carregam significados que dependem do contexto cultural de cada um. Como resultado, o significado de um símbolo não é inerente ao próprio símbolo, mas é culturalmente aprendido e devotamente cultivado e diligentemente ensinado.

Juntos, todos esses símbolos e mitologias serviram como advertências, contos sombrios e lendas durante a época em que foram produzidos. Alguns hoje ainda continuam relevantes e atravessam séculos e inúmeras culturas sendo apropriados e resinificados, continuando a formar o background de culturas e a mover as pessoas em busca de seus desejos, ou simplesmente significando uma ideia ou conceito em instituições importantes no mundo contemporâneo.




Fontes


White, James Boyd. Heracles' Bow. Madison, WI: University of Wisconsin, 1985.































https://hyperallergic.com/436182/before-maga-mithras-phrygian-caps-and-the-politics-of-headwear/

https://teainateacup.wordpress.com/tag/how-to-tie-a-cravat/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Hécate






Fonte para o Épsilon Délfico 








https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/phaos/article/download/16079/10892/40983


https://www.journals.uchicago.edu/doi/pdf/10.2307/497556


https://literatology.wordpress.com/2014/10/26/the-delphic-epsilon/


https://greektraveltellers.com/blog/mysteries-of-ancient-greece


https://www.ka-gold-jewelry.com/p-contest/models/355.php


http://hellenicperiod.blogspot.com/2011/02/sun-of-vergina-sun-of-greeks.html