INÍCIO

01 novembro 2025

MAÇONARIA

QUINTO GRAU, ELEITO ESCOCÊS 
DO RITO MODERNO


Os matadores do Mestre Hiram já haviam sido punidos, e os ttrab.: do Templo definitivamente acabados; julgou, então, Salomão nada mais restar se não deixar consignado em lugar seguro (oculto e inviolável) a grafia do VERBO INEFÁVEL, cuja pronúncia, na época, era transmitida oralmente, apenas uma vez por ano, soletrada em voz baixa ao ouvido dos poucos Eleitos que tinham adquirido o direito de ouvi-la. O Grande Rei decidiu depositar esse segredo em um subterrâneo do Templo, como um símbolo permanente e intangível. Ele tinha mandado fazer, debaixo da parte mais misteriosa do Templo, uma abóbada secreta no meio da qual colocou um pedestal triangular que denominou o “Pedestal da Clência”, descia-se a esta abóbada por uma escada de vinte e quatro degraus, dividida em pequenos patamares, por três, cinco, sete e nove. Este local era somente conhecido de Salomão e de nove Mestres que nela tinham trabalhado.

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A pal.: que deveria ser preservada havia sido gravada por Hiram sobre um Tr. do mais puro metal - o ouro; mas receando perdê-la, trazia o Tr.: sempre suspenso ao pescoço, com a inscrição voltada para o peito e o reverso para fora, aparecendo assim, aos olhos dos demais, somente uma superfície lisa e polida.

Por ocasião de seu assassinato, afortunadamente conseguiu despojar-se daquele Delta Precioso e lançá-lo em um poço, que estava situado ao sul do oriente.

Após o crime e a sua punição, não havendo sido encontrada a joia no corpo do morto, nem com os cadáveres dos assassinos, bem como entre seus pertences, Salomão temendo que o precioso Tr:. tivesse caído em mãos profanas, ordenou diligentes e minuciosas buscas no sentido de encontrá-lo a qualquer custo.

Três Mestres tiveram a felicidade de fazer a sua descoberta. Passando junto ao poço, perto do meio dia, perceberam que no fundo da cisterna havia alguma coisa luzindo; um deles desceu até ali, ajudado por seus dois camaradas, achando, efetivamente, o que procuravam.

No auge de sua alegria, foram ao encontro de Salomão a quem apresentaram o seu achado. O Rei, à vista do precioso Delta, que tanto lhe havia preocupado, recuou um passo e levantando os braços aos céus em sinal de admiração, exclamou extasiado:

“LE NANAH” (Graças ao Senhor!).

Salomão mandou convocar imediatamente os quinze Eleitos Secretos e os nove Mestres que tinham trabalhado na construção da abóbada e, acompanhado deles, bem como dos três que tinham feito a descoberta, desceu à Abóbada Secreta, fez embutir o Delta no centro do pedestal e cobriu-o com uma pedra de ágata cortada em forma quadrangular, encimada por uma pirâmide sobre a qual mandou gravar na face superior a pal.: substituída por outra; na face inferior, todas as ppal: secretas da Maçonaria; e nas quatro faces laterais, as combinações cúbicas destes números, o que o fez denominá-la “PEDRA CÚBICA PIRAMIDAL”.

O rei mandou mais: ordenou colocar diante do Pedestal da Ciência um candelabro de 7 braços com 7 lâmpadas onde arderia, daquele dia em diante, um fogo perpétuo; e lembrou àqueles Maçons com quem tinha descido, a lei que proibia pronunciar o VERBO INEFÁVEL, e depois de ter deles recebido o Compromisso solene de nunca revelar o que acabava de passar, deu à Abóbada Secreta o nome de “Abóbada Sagrada”, determinando que fosse selada a sua entrada, ficando o segredo que nela se depositou privativo dos vinte e sete Grandes Eleitos, também chamados “Eleitos Sublimes”, e dos seus sucessores que, com o decorrer dos anos, passaram a denominar-se “ELEITOS ESCOCESES”.

Todos estes Eleitos prometeram uma aliança e, em prova dessa aliança, Salomão lhes deu um anel de compromisso confeccionado do metal mais puro: ouro.

Voltando ao Templo, eles admiraram a beleza da obra e deram Graças.

Depois da morte do Grande Rei, os Eleitos Escoceses, então Eleitos Sublimes, governaram-se por si mesmos, segundo suas próprias Leis e dedicando-se constantemente à conservação da Obra.

Depois de uma guerra desastrosa (as Cruzadas), formaram diversos estabelecimentos úteis e associações virtuosas para libertar, esclarecer e consolar a Humanidade. Por toda parte se distinguiram e se impuseram por seu saber, seu valor e suas eminentes virtudes. Na corte, nos exércitos, nos conselhos dos reis, nos tribunais, ligados pela aliança, eram o apoio e os defensores da inocência, os vingadores do crime, o flagelo dos malvados, enfim, as barreiras que se antepunham aos constantes ataques do Mal. Eis o que conta a lenda sobre os Eleitos Escoceses.

Portanto, admitidos na II Ordem, os Irmãos devem trabalhar incessantemente na descoberta da VERDADE e incentivar os Maçons, que ainda não atingiram este 5° grau, com seus trab:, suas Luzes e, principalmente, com seus exemplos!

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Esse texto é uma narrativa simbólica ligada ao 5º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, conhecido como “Mestre Perfeito” ou, em algumas tradições, o início da chamada Segunda Ordem dos Graus Filosóficos (que sucede os três graus simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom).

O texto evoca o mito de Hiram Abiff, arquiteto do Templo de Salomão, uma das alegorias centrais da Maçonaria, e a sequência simbólica que se segue à sua morte e à redescoberta do Verbo Inefável, o “Nome de Deus” que foi perdido. Vamos analisá-lo acadêmica e simbolicamente.

1. Contexto histórico e esotérico do texto

A lenda apresentada é uma continuação alegórica do drama hirâmico, que se encerra no 3º grau (Mestre Maçom). Após a morte do Mestre Hiram e a punição de seus assassinos, o Rei Salomão (que símboliza a Sabedoria) busca preservar o Nome Inefável, representação simbólica do princípio divino da Verdade, a essência inatingível do Ser Supremo (Tetragrammaton, YHWH: |iehod, he, vau, he|).

O texto pertence à tradição dos Altos Graus Maçônicos, desenvolvidos na França do século XVIII, quando as antigas narrativas simbólicas do Templo de Salomão foram ampliadas e reinterpretadas em sentido místico, filosófico e moral, a partir do conhecimento dos antigos Maçons operativos, e de suas guildas que mantinham o conhecimento dos construtores longe dos olhos e ouvidos “profanos”.

A “descoberta do Delta Precioso” e a “Abóbada Secreta” surgem, nessa tradição, como símbolos de iluminação interior, equivalentes à “câmara secreta do coração” onde se oculta a centelha divina do homem.

2. O Verbo Inefável e o “Delta Precioso”

O Verbo Inefável, cuja pronúncia se perdeu com a morte de Hiram, representa o Nome Verdadeiro de Deus, o Logos criador, isto é, a Verdade absoluta, inacessível à linguagem humana. Gravado por Hiram em um Triângulo de Ouro (Delta), esse símbolo expressa:

• O triângulo, símbolo da Trindade metafísica (Sabedoria, Força e Beleza), ou ainda, no pensamento hermético, a tríade Espírito–Alma–Corpo.
• O ouro, metal incorruptível, representa a pureza e a imortalidade do Espírito.
• O ato de Hiram manter o Delta junto ao coração indica a interiorização da Verdade, o domínio do conhecimento sagrado sobre a vaidade exterior.

Quando Hiram é assassinado, o Delta é ocultado no poço, metáfora clara da descida da Verdade às profundezas da inconsciência, ou da perda do conhecimento do divino pela humanidade corrompida.

3. A Abóbada Secreta e a Escada de Vinte e Quatro Degraus

A abóbada subterrânea construída sob o Templo é, simbolicamente, o centro oculto do ser, a “Câmara Secreta” do coração ou da alma, onde o homem encontra o divino. A escada de 24 degraus, divididos em patamares de 3, 5, 7 e 9, reflete a progressão iniciática:

3: os graus simbólicos (Aprendiz, Companheiro, Mestre), o aprendizado moral.
5: as faculdades humanas (sentidos e inteligência), o aperfeiçoamento racional.
7: a perfeição espiritual e os sete dons do Espírito.
9: a plenitude da sabedoria, número dos Mestres Eleitos.

A descida à abóbada é, portanto, um ritual de introspecção, uma jornada ao interior do ser para reencontrar a Verdade perdida.

4. O “Pedestal da Ciência” e a Pedra Cúbica Piramidal

O Pedestal da Ciência é o altar simbólico do Conhecimento. O homem não larga mais suas obras no chão, ele dispõe agora de um pedestal onde apoia suas obras, e projetos. A Pedra Cúbica Piramidal unifica dois princípios simbólicos:

• O cubo, figura da estabilidade terrestre, símbolo da matéria das leis e da ordem humana.

O cubo é um símbolo associado à estabilidade, solidez, verdade e perfeição. Na geometria sagrada, ele tem um papel de destaque, sendo a base para o mais complexo "Cubo de Metatron", que representa a ordem e a interconexão de toda a existência. Os principais significados místicos e espirituais do cubo incluem:
Estabilidade e Fundação: Devido à sua forma sólida e igual em todos os lados (6 faces quadradas, 12 arestas e 8 vértices), o cubo simboliza a terra, a matéria e a fundação. Representa aterramento e a capacidade de se manter firme diante das adversidades.
Ordem e Perfeição: O cubo é um poliedro regular (sólido de Platão), o que na geometria sagrada indica uma forma de perfeição matemática e harmonia universal. É visto como uma representação visual da ordem no cosmos.
O Cubo de Metatron: Este é um símbolo esotérico fundamental que contém todos os padrões e formas da criação. Acredita-se que ele funcione como um poderoso escudo energético de proteção contra influências negativas e nocivas, além de auxiliar na purificação de ambientes e do campo áurico.
Conexão Universal e Espiritual: O Cubo de Metatron, em particular, é considerado um portal para dimensões superiores, auxiliando na meditação, na expansão da consciência e na conexão com o divino, representando o elo entre o céu e a terra.
Equilíbrio: Por representar a interconexão de todas as coisas, o cubo pode ajudar a alinhar as energias internas e externas, promovendo paz, equilíbrio emocional e clareza mental, reorganizando o caos. 

• A pirâmide, que ascende ao Uno, símbolo do espiritual e do divino.

A fusão desses elementos expressa o desejo de harmonia entre o Céu e a Terra, entre o conhecimento humano e a sabedoria divina que se encontra espalhada nos corpos (visíveis e invisíveis) que compõem e constituem o universo.

Nas quatro faces laterais estão gravadas “as combinações cúbicas dos números”, o que alude à “ciência dos números pitagórica”, a ideia de que o cosmos é estruturado por proporções sagradas. 

Números pitagóricos são ternos de três números inteiros positivos (a, b, c) que satisfazem a equação do Teorema de Pitágoras: a2 + b2 = c2. Esses números formam os lados de um triângulo retângulo com comprimentos inteiros, e por isso também são chamados de trios ou ternos pitagóricos. O exemplo mais conhecido é o terno (3, 4, 5), pois 3 elevado ao quadrado + 4 elevado ao quadrado = 5 elevado ao quadrado (9 + 16 = 25). 

Exemplo: O terno ou trio (3, 4, 5) é um conjunto de números pitagórico porque 3, 4 e 5 são inteiros e satisfazem a equação de pitágoras. Outro exemplo é o terno (5, 12, 13). Observe a tabela a seguir, mostrando alguns trios pitagóricos:


Já a pirâmide é um símbolo que representa a união do céu e da terra, a ascensão espiritual e a conexão entre o mundo material e o divino. É um arquétipo de perfeição, luz e estabilidade, com múltiplas interpretações esotéricas: 
• União do Material e Espiritual: A base quadrada representa o mundo material, a Terra e os quatro elementos, enquanto os lados triangulares que convergem para um único ponto (o ápex) simbolizam o mundo espiritual, a ascensão e a jornada em direção à unidade ou à fonte divina.
• Ascensão e Ressurreição: O formato da pirâmide, que se eleva de uma base ampla para um pico, simboliza a jornada da alma em direção à iluminação ou ressurreição. Para os antigos egípcios, especificamente, as pirâmides (túmulos dos faraós) representavam a elevação do faraó até os deuses e a vida após a morte.
• Foco e Energia: No contexto do esoterismo moderno e práticas de cura, acredita-se que o formato piramidal tem a capacidade de canalizar, amplificar e harmonizar as energias cósmicas e do ambiente. Ter uma pirâmide em um ambiente pode ajudar a acalmar a mente, promover a renovação de energias e atrair prosperidade.
• Sabedoria e Conhecimento Oculto: Devido à sua construção precisa e alinhamentos astronômicos, a Grande Pirâmide de Gizé é vista por muitos como um repositório de conhecimento codificado e sabedoria antiga, construída com propósitos que vão além de um simples túmulo.
• Arquétipo de Perfeição: Como um arquétipo, a pirâmide representa a perfeição, a força, a segurança e um direcionamento para escolhas corretas.

O “candelabro de sete braços”, reminiscência do Menorah hebraico, reforça o simbolismo da luz do conhecimento perene, as sete lâmpadas representam a sabedoria universal que deve permanecer acesa no interior do Templo e do iniciado.

5. O Juramento e o Fogo Perpétuo

O fogo que arde perpetuamente diante do pedestal simboliza o “fogo da consciência”, a vigilância espiritual e o compromisso do iniciado com a Verdade.
É também um eco do fogo sagrado que ardia no Templo de Jerusalém, mantido pelos levitas, e, no plano hermético, do “fogo secreto dos alquimistas”, a energia vital que sustenta a transmutação interior.

O “juramento do silêncio” sobre o Verbo Inefável significa que o conhecimento verdadeiro é inefável, não pode ser dito, apenas vivido e intuído.

6. Os “Eleitos Escoceses” e o legado simbólico

Após a morte de Salomão, o texto menciona a organização dos Eleitos Escoceses, termo que, historicamente, aparece na Maçonaria do século XVIII (particularmente na França e na Escócia).
Esses “Eleitos Sublimes” seriam os “guardiões do segredos”, símbolo da elite moral e espiritual encarregada de preservar os princípios de sabedoria, justiça e fraternidade. Esse conhecimento além de estar relacionado com o modo lógico e seguro de construir e edificar estruturas seguras, estaria também relacionado a sabedoria, a justiça e a manutenção da fraternidade entre os iniciados. 

A narrativa mitológica vincula esses “Eleitos às Cruzadas”, transformando-os em uma proto-ordem de cavaleiros dedicados à libertação e à defesa da humanidade, uma clara alusão à simbologia templária absorvida pelos Altos Graus Maçônicos.

7. Interpretação filosófica e moral

Do ponto de vista filosófico, o texto expressa uma visão cosmológica da iniciação (uma cosmologia da iniciação):

1. Perda da Palavra (Hiram) → a ignorância, a queda da humanidade.
2. Busca da Palavra (Salomão e os Mestres) → o esforço racional e moral do homem para reencontrar a Verdade.
3. Descoberta do Delta → a iluminação espiritual, o reencontro com o princípio divino. Esse princípio seria o princípio da conexão com o todo, com o universo.
4. Abóbada e Pedra Cúbica → a síntese entre ciência, fé e ética.

Assim, o grau simboliza a reconciliação do homem com o Absoluto, o universo, e a verdade, após a perda simbólica da inocência primordial.




Fonte


ALBERT PIKE, Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, 1871.

OSWALD WIRTH, O Simbolismo Maçônico (1909).

MANLY P. HALL, The Secret Teachings of All Ages, 1928.

RENÉ GUÉNON, Símbolos Fundamentais da Ciência Sagrada, 1958.

JULES BOUCHER, La Symbolique Maçonnique, 1948.

RIZZARDO DA CAMINO, O Rito Escocês Antigo e Aceito: Origem, Doutrina e Rituais, Ed. A Trolha.





ASSISTED DRAWING

 DESENHO ASSISTIDO 

(Desenho assistido com APPs e AI, para uma HQ)