A VIDA DE CHE GUEVARA
O jovem Che Guevara
1. LINHA DO TEMPO da vida de Che Guevara
1928 – Nascimento
14 de junho de 1928: Ernesto Guevara de la Serna nasce em Rosário (Argentina), filho de uma família de classe média culta e politicamente ativa.
Década de 1930 – Infância e asma
Muda-se com a família para Córdoba por causa de crises severas de asma, que marcarão toda sua vida.
1947–1953 – Formação acadêmica
Ingressa no curso de Medicina na Universidade de Buenos Aires.
Desenvolve interesse por filosofia, política e literatura.
1952 – Viagem de motocicleta pela América do Sul
Inicia, com o amigo Alberto Granado, a célebre viagem narrada em Diários de Motocicleta.
Encontra miséria, exploração indígena e desigualdade profunda no continente, experiência que molda seu pensamento social.
1953 – Graduação e segunda viagem
Forma-se em Medicina.
Realiza nova viagem por Venezuela, Guatemala e México, aproximando-se de círculos políticos reformistas e revolucionários.
1954 – Golpe na Guatemala
Testemunha o golpe patrocinado pelos EUA contra o governo de Jacobo Árbenz, momento decisivo para sua radicalização anti-imperialista.
1955 – Encontro com Fidel Castro
No México, é apresentado a Fidel Castro e aos exilados cubanos do Movimento 26 de Julho.
Torna-se instrutor de guerrilha e médico do grupo.
1956–1958 – Guerrilha em Cuba
Participa da expedição do Granma.
Lidera frentes guerrilheiras na Sierra Maestra.
Obtém destaque militar em batalhas-chave como Santa Clara.
1959 – Triunfo da Revolução Cubana
Revolução vitoriosa em 1º de janeiro.
Che assume posições centrais no novo governo:
Presidente do Banco Nacional de Cuba
Ministro da Indústria
Embaixador itinerante e teórico da revolução
1960–1964 – Diplomacia e pensamento
Representa Cuba na ONU (1964).
Escreve textos fundamentais: “Guerra de Guerrilhas”, “O Socialismo e o Homem em Cuba”.
1965 – Saída de Cuba
Renuncia a cargos e deixa uma carta a Fidel.
Ruma ao Congo para apoiar movimentos revolucionários africanos missão fracassada.
1966–1967 – Guerrilha na Bolívia
Entra clandestinamente na Bolívia para criar um foco guerrilheiro continental.
Enfrenta isolamento, pouca adesão local e perseguição militar apoiada pela CIA.
8 de outubro de 1967 – Captura
Ferido e capturado no Yuro, em Vallegrande, Bolívia.
9 de outubro de 1967 – Execução
Executado sumariamente na escola de La Higuera.
Corpo exibido publicamente; em 1997 seus restos são repatriados a Cuba.
Pós-1967 – Legado
Torna-se ícone internacional da resistência anti-imperialista, do marxismo latino-americano e da estética revolucionária.
2. Biografia de Che Guevara
Ernesto “Che” Guevara (1928–1967) constitui uma das figuras mais influentes, complexas e debatidas da história política contemporânea (no século. XX). Nascido na Argentina, em um ambiente intelectual privilegiado, Guevara recebeu educação cosmopolita e desde cedo desenvolveu interesses que iam além das ciências médicas. Sua formação foi profundamente marcada pela leitura de Marx, Engels, Freud e pelos relatos de viajantes latino-americanos; mas também pela experiência concreta de atravessar o continente, como documentado em seus “Diários de Motocicleta” (Guevara, 1952). Essa viagem, frequentemente tratada como “turning point” biográfico, permitiu-lhe identificar a estrutura colonial e neocolonial que, a seu ver, sustentava a desigualdade latino-americana. Hoje sabemos que isso é um fato.
O golpe militar contra Jacobo Árbenz na Guatemala, em 1954, amplamente estudado como intervenção direta da política externa estadunidense, vinculada aos interesses da United Fruit Company (Schlesinger & Kinzer, 1999), consolidou a convicção anti-imperialista de Guevara. Já no México, em 1955, seu encontro com Fidel Castro e com os revolucionários cubanos do Movimento 26 de Julho foi decisivo. Na guerrilha cubana, Che destacou-se tanto por sua disciplina severa quanto por sua capacidade estratégica. Participou da campanha militar que culminou com a tomada de Santa Clara, episódio que precipitou a queda de Fulgêncio Batista em 1959.
No período pós-revolucionário cubano, Che Guevara ocupou postos de alta responsabilidade no governo socialista de Cuba, tornando-se uma das mentes mais ativas no processo de reorganização econômica e institucional da ilha. Enquanto presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria, defendeu um modelo econômico estatista apoiado em incentivos morais, rejeitando o produtivismo capitalista e também certas leituras economicistas do marxismo soviético. Seu ensaio “O Socialismo e o Homem em Cuba” (1965) é uma peça-chave do pensamento marxista latino-americano, defendendo a formação do “homem novo”, conceito que retoma tradições ético-políticas do socialismo europeu e do humanismo revolucionário.
Sua renúncia aos cargos cubanos e o engajamento em campanhas internacionalistas, Congo (1965) e Bolívia (1966–1967), revelam a dimensão universalista de seu projeto político. Che Guevara acreditava que a revolução anticolonial deveria se expandir simultaneamente para impedir a consolidação do poder norte-americano na periferia global, o que ecoa debates pós-coloniais antecipados e desenvolvidos no século XX (Fanon, 1961). Na Bolívia, entretanto, enfrentou um ambiente adverso: ausência de apoio camponês, fragmentação das esquerdas locais e forte presença dos serviços de inteligência estadunidenses.
Capturado em 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte, Che Guevara ingressou no imaginário político global como ícone da resistência anti-imperialista. Sua imagem, convertida em símbolo gráfico por Alberto Korda e amplamente difundida nos movimentos de 1968 e posteriores, tornou-se objeto de estudos sobre iconografia revolucionária, cultura política e memória social. Sua importância para a América Latina reside tanto no papel histórico na Revolução Cubana quanto na dimensão mítica de sua figura, que continua a influenciar movimentos sociais, debates acadêmicos e representações culturais ao redor do mundo.
Fontes
ANDERSON, Jon Lee. Che Guevara: A Revolutionary Life. Grove Press, 1997.
GUEVARA, Ernesto. O Socialismo e o Homem em Cuba. Havana, 1965.
GUEVARA, Ernesto. Diário da Bolívia. Vários editores.
GUEVARA, Ernesto. Diários de Motocicleta.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. 1961.
SCHLESINGER, Stephen; KINZER, Stephen. Bitter Fruit: The Story of the American Coup in Guatemala. Harvard University Press, 1999.
TAIBO II, Paco Ignacio. Ernesto Guevara, Também Conhecido como Che.
Selo Cinderela (selo sem valor oficial), lançado por entidade outra
que não o Serviço Postal dos Países Baixos). É um selo para colecionadores.
































































































