INÍCIO

31 março 2026

RED PILL

HOMENS BRANCOS RAIVOSOS:
RED PILL, MGTOW E INCEL COMO SINTOMAS 
DO CAPITALISMO DE ACUMULAÇÃO


Neo e as pílulas (tenor).
Red Pill, uma seita que culpa tudo e todos sobretudo as mulheres pelo fracasso dos homens, são misóginos, machistas, sexistas, e charlatães. Te enganam com falsas soluções e algumas meias verdades, enquanto o verdadeiro culpado nem sequer é mostrado, até porque esses supostos “influencers” são incapazes de solucionar qualquer problema. São parasitas que atraem homens jovens para uma toca de coelho na qual vc fica horas numa tela e eles ganham mais e mais dinheiro. E você só perde tempo, pois ali você não vai encontrar a solução para nenhum problema.





Red pill (tumblr)

Introdução 
Segundo Cardoso (2026), há décadas, grupos de homens têm atuado em fóruns de internet, redes sociais e outros canais de comunicação para estimular hierarquias de gênero e ódio contra as mulheres. Espaços e discursos de ódio, segundo especialistas, são combustíveis para ações concretas de violência, como o caso recente de estupro coletivo contra uma adolescente no Rio de Janeiro.
Ativistas e pesquisadores veem esses movimentos e ideologias como parte de um fenômeno estrutural chamado “misoginia”: o ódio contra as mulheres e a defesa da manutenção de privilégios históricos, sociais, culturais, econômicos e políticos, para os homens.
Grupos misóginos têm códigos comuns para se comunicar e difundir ideias. Usam, como estratégia de falsa equivalência, o termo “misandria”, ao definir um suposto movimento de ódio e preconceito contra homens. Alegam, por exemplo, que o feminismo e leis de proteção à mulher são formas institucionalizadas de destruição da masculinidade.
Em resposta ao feminismo, que defende a igualdade de direitos e oportunidades, adotam o “masculinismo”: conjunto de ideologias que prega uma “masculinidade tradicional”, com direitos diferenciados para homens e mulheres.

Pills (pinterest)

***

A emergência e consolidação dos movimentos conhecidos como Machosfera (“manosfera” em inglês), abrangendo Red Pill, MGTOW (“Men Going Their Own Way”) e Incel (“involuntary celibate”, celibatário involuntário) não podem ser compreendidas como fenômenos meramente culturais ou psicológicos isolados, pois são corolário de um fenômeno maior e mais abrangente. 
Em sua gênese e reprodução, esses discursos expressam contradições estruturais profundas do capitalismo contemporâneo, particularmente em sua fase neoliberal de acumulação flexível
Este texto propõe uma análise sociológica e antropológica preliminar que conecta a ascensão desses grupos às transformações econômicas, sociais e subjetivas impostas pelo capitalismo tardio, demonstrando como a masculinidade se torna um campo de disputa e sofrimento quando desprovida dos antigos suportes materiais e simbólicos.

1. O contexto estrutural: neoliberalismo e a crise 
da masculinidade tradicional

O capitalismo de acumulação contemporâneo, marcado pela 1) financeirização da economia, 2) precarização do trabalho e 3) erosão do estados de bem-estar social, produziu transformações profundas nos modos de subjetivação. 
Para os homens, especialmente aqueles das classes trabalhadoras e médias baixas, o declínio dos empregos industriais estáveis e a ascensão de uma economia de serviços e plataformas digitais representaram um colapso das antigas estruturas que sustentavam a identidade masculina hegemônica: o papel de provedor, a força física como capital e a autoridade doméstica inconteste.

Segundo estudos de Ging (2024), professora e pesquisadora especializada de Mídia Digital, Gênero e misoginia online na Dublin City University (DCU)  a "manosfera", subculturas incel e radicalização, são características de movimentos que prosperam ao oferecer respostas simplistas para o que é, na verdade, um sofrimento real causado pelas pressões de performar a masculinidade em sociedades neoliberais. 

A tese de doutorado de Jack Bonnamy, pela Universidade de St. Andrews, corrobora essa visão ao afirmar que os homens atraídos por fóruns como The Red Pill, MGTOW e Incels.co estão genuinamente sofrendo como resultado das pressões de performar a masculinidade em sociedades neoliberais . A solidão, a depressão e as altas taxas de suicídio entre homens jovens são, nesse contexto, matéria-prima para a radicalização ideológica.

(…) TheRedPill, MGTOW e Incels.co. Começo reconhecendo que os homens nesses fóruns estão genuinamente sofrendo como resultado das pressões de performar masculinidade em sociedades neoliberais. A confluência desses dois fatores leva certos homens a buscar discursos alternativos para explicar sua situação e oferecer soluções para ela. Para explorar esse fato, é construída uma estrutura teórica que sintetiza o trabalho de Ty Solomon e Sara Ahmed, que delineia a relação entre discurso, afeto e emoção. Essa estrutura permite entender como os discursos nos três grupos traduzem o afeto dos homens em significantes emocionais reconhecíveis e, ao fazer isso, constroem as experiências afetivas dos homens como experiências de perda, especificamente uma perda de controle, identidade masculina e significado. Ao mesmo tempo, cada discurso oferece a esses homens um encontro com o controle sobre suas vidas e mulheres, identidade masculina e um senso de significado que lhes permite compreender suas circunstâncias e o mundo ao seu redor. Cada discurso, portanto, torna-se um local de forte investimento afetivo,
atraindo homens para os fóruns e mantendo-os lá. Nenhum desses discursos, no entanto, cumpre com sucesso suas promessas de plenitude. Em vez disso, esses homens ficam oscilando entre plenitude e falta, esforçando-se para recuperar o controle, identidade e significado, mas nunca conseguindo alcançá-los completamente. (Bonnamy, 2023).

O historiador Michael Kimmel cunhou o termo “aggrieved entitlement” (direito agravado ou privilégio ferido) para descrever esse fenômeno: a sensação, entre homens que ainda gozam de privilégios estruturais, de que as conquistas femininas e os avanços em direção à igualdade representam um ataque pessoal e uma perda de status. Essa percepção de perda, de controle, de identidade, e de significado, é o afeto central que esses movimentos conseguem traduzir em linguagem política.

O conceito de "aggrieved entitlement" é traduzido frequentemente como direito agravado, privilégio ferido ou sentimento de merecimento agredido, foi cunhado pelo sociólogo norte-americano Michael Kimmel em sua obra “Angry White Men: American Masculinity at the End of an Era” (Homens Brancos Raivosos: Masculinidade Americana no Fim de uma Era), publicada em 2013.

I. O que é “Aggrieved Entitlement”?
Definição: É uma mistura de raiva, ressentimento e defensividade sentida por homens brancos heterossexuais, que acreditam que os benefícios e o status que lhes eram “devidos” por direito de nascimento estão sendo retirados.
A “Promessa” Quebrada: Esses homens foram criados na crença de que, se trabalhassem duro e fossem bons provedores, teriam automaticamente um emprego estável, respeito, status e uma família tradicional. Quando a realidade econômica (estagnação salarial) ou social (conquistas de direitos por mulheres e minorias) desafia essa expectativa, eles sentem que algo lhes foi roubado.
Privilégio Invisível: Kimmel (2013) argumenta que o privilégio é invisível para quem o possui. Portanto, a igualdade de direitos é percebida por eles não como justiça, mas como uma perda direta de seu status superior. 

II. Causas e Manifestações
Raiva Desdirecionada: Em vez de culparem as corporações, o capitalismo neoliberal ou a automação pela perda de empregos, esses homens direcionam sua fúria contra bodes expiatórios: mulheres, imigrantes, minorias raciais e a comunidade LGBTQ+.
Masculinidade em Crise: A “aggrieved entitlement” é uma resposta à sensação de que sua masculinidade hegemônica está sob ataque.
Extremismo e Violência: Kimmel (2013) associa esse sentimento a diversos fenômenos, incluindo:
Aumento do discurso de ódio na política e movimentos de extrema-direita.
Ataques de raiva “mass shootings” ou “school shootings” nos EUA, onde o perpetrador se sente um “homem injustiçado”.
Movimentos de ‘direitos dos homens” (men's rights movements) que se sentem vítimas de inversão de papéis. 

III. Principais Pontos na obra “Angry White Men”
"O privilégio é invisível para quem o tem": Kimmel (2013) enfatiza que homens brancos muitas vezes não percebem seu lugar no topo da hierarquia social até que sintam que ele está ameaçado.
O "Falso" Sentimento de Vítima: Eles se sentem vítimas, apesar de pertencerem ao grupo que mais acumula benefícios na estrutura social.
A Solução: Kimmel sugere que a saída para esse mal-estar é a aceitação da igualdade de gênero e de raça como algo benéfico para todos, incluindo os homens, libertando-os da pressão da masculinidade tóxica.

Todavia, apesar da aceitação ser necessária, o que seria desejável e essencial é o reconhecimento de que essa erosão nos direitos se deve não ao sexo feminino nem as suas parcas conquistas, mas a acumulação do capital e a financeirização da economia, o que efetivamente destrói a subjetivação do homem. 


2. Red pill e a reificação do mercado sexual

O movimento Red Pill opera como um espelho distorcido da lógica capitalista. Inspirado na metáfora do filme Matrix (1999), ele propõe um “despertar” para a suposta verdade de que as relações sociais são regidas por um mercado sexual impiedoso. Nesse mercado, homens e mulheres possuiriam um “Sexual Market Value” (SMV), um valor de mercado sexual, determinado por atributos como aparência, status social e recursos financeiros.

O que a Red Pill faz é aplicar a racionalidade econômica neoliberal, da competição, do investimento, do cálculo custo-benefício e do “autoempreendedorismo”, ao campo dos afetos. O homem, nessa lógica, deve se ver como um produto a ser otimizado (através de “game”, academia, dinheiro) para competir em um mercado que, supostamente, teria sido distorcido pelo feminismo em favor das mulheres. Jacob Johanssen, em “Fantasy, Online Misogyny and the Manosphere”, argumenta que essa visão reflete o status da sexualidade na tecnocultura neoliberal contemporânea, onde os corpos masculinos brancos buscam afirmação em meio a fantasias de poder e inibição.

A monetização dessa insegurança é evidente. Influenciadores como Andrew Tate, Myron Gaines e inúmeros coaches nacionais não apenas propagam a ideologia, mas lucram ativamente com ela, vendendo cursos, mentorias e uma estética de sucesso que promete resolver a “falta” masculina através do consumo. Brigitte Temel, pesquisadora do Instituto de Pesquisa de Conflitos de Viena, resume: “Eles tiram dinheiro do bolso de homens inseguros”. Esses são os predadores, os gaviões na teoria de jogos, enquanto os pombos seriam os homens que esperam ganhar status seguindo curso e jogando “tigrinho”, porque um “Coach” indicou, pois supostamente sua vida está prestes a mudar para melhor. Na realidade são os 

A monetização do ódio contra mulheres.
Machosfera movimenta negócios lucrativos na internet.(yt)


3. MGTOW: a desistência como resistência fetichizada

Se a Red Pill propõe jogar o jogo do mercado sexual para vencê-lo, o MGTOW (“Men Going Their Own Way”) propõe o abandono do jogo como forma de resistência. Os adeptos desse movimento argumentam que o casamento e as relações heterossexuais (heteronormativas) são armadilhas nas quais os homens perdem sua autonomia financeira e emocional, servindo a um sistema “gynocêntrico”, focado nas mulheres.

O MGTOW representa uma forma de retirada narcísica que ecoa o individualismo possessivo do capitalismo. Longe de construir comunidades alternativas ou formas de solidariedade horizontal, a ideologia prega (como todas as demais) o isolamento e a autossuficiência radical como solução. Antropologicamente, pode-se interpretar o MGTOW como uma “fuga para frente” diante da impossibilidade de sustentar o papel de provedor tradicional. Ao invés de negociar novas formas de intimidade ou reconhecer a falência do contrato patriarcal, e buscar a causa no capitalismo neoliberal, opta-se pela abstinência relacional, que é apresentada como uma escolha soberana, mas que frequentemente encobre um aprofundamento do isolamento social e da precariedade emocional.


4. Black pill e o nihilismo da acumulação predatória

O estágio mais extremo desse continuum é representado pelos Incel “blackpilled” (pílula negra). Aqui, a lógica de mercado atinge seu ponto cego: se na Red Pill o homem pode se “valorizar” para competir, na Black Pill a hierarquia é percebida como biologicamente determinada e imutável (“lookism”). A genética, e não o esforço, definiria o valor no mercado sexual, condenando os homens considerados “feios” “gordos” ou “baixos” ao celibato involuntário.

Essa visão determinista (semelhante a um Darwinismo social de meados do século XIX) elimina a agência e a esperança, substituindo-as por um nihilismo ativo. A análise do New America, um think tank com sede em Washington, destaca que a Black Pill oferece duas saídas: aceitar o sofrimento passivo (LDAR: “Lay Down and Rot”) ou buscar a mudança social através do terror e da violência de massa, vistos como uma forma de “rebelião incel” ou “revolta beta” (o que tem gerado as “mass shootings e schools shooting” em algumas partes do mundo).

O darwinismo social surgiu na segunda metade do século XIX, ganhando força principalmente a partir da década de 1870 na Europa e América do Norte. A ideia aplicou erroneamente os conceitos de "sobrevivência do mais apto" de Charles Darwin (evolução biológica) para justificar hierarquias sociais, imperialismo, racismo e desigualdades econômicas.

A violência aqui deixa de ser um ato de desespero individual e se torna uma forma distorcida de ação política dentro da lógica do capitalismo de acumulação. 
Assim como o capitalismo transforma tudo em recurso a ser explorado, os manifestos de atiradores incel transformam a própria vida e a morte em espetáculo midiático, buscando “valor” no terror. O objetivo declarado de perpetradores como Elliot Rodger (Isla Vista, 2014) e Alek Minassian (Toronto, 2018) era, em suas próprias palavras, forçar a sociedade a “reconhecer” sua dor, punindo os “alphas” e as “sluts” (mulheres) que, em sua visão, monopolizavam os recursos sexuais e sociais.


5. A mediação algorítmica: o capitalismo de plataforma como vetor

Nenhuma análise estaria completa sem considerar o papel do capitalismo de plataforma (e de seus engenheiros), como vetor de disseminação dessas ideias. Estudos experimentais conduzidos pelo Anti-Bullying Centre da Universidade de Dublin City (DCU) demonstram que os algoritmos do YouTube Shorts e do TikTok promovem ativamente conteúdos misóginos e masculinistas para jovens do sexo masculino, independentemente de sua busca inicial. Em até 23 minutos, contas masculinas experimentais eram inundadas com conteúdo tóxico, que variava de “autoajuda” à supremacia masculina e antifeminismo.

Os algoritmos, programados para maximizar o tempo de tela e o engajamento, não são neutros. Eles operam como “caixas-pretas” que identificam a vulnerabilidade masculina, interesses em carros, dinheiro, saúde mental, relacionamentos, e rapidamente a redirecionam para a radicalização misógina e a ambientes de políticas de extrema direita e conservadorismo religioso. Esse processo evidencia como a acumulação de capital no século XXI depende da extração de dados e da modulação de comportamentos, transformando a insegurança masculina em um nicho de mercado altamente lucrativo para anunciantes e influenciadores. Estes, que extraem capital dos “have-not”, são os verdadeiros golpistas, ao lucrarem com a fragilidade do outro. As plataformas extraem valores astronômicos com esses influencers que trabalham dioturnamente, visando apenas um fim, tirar dinheiro dos  expectadores é dos assinantes de cursos on-line. 

A conexão entre a manosfera e o capitalismo de acumulação não é superficial ou meramente metafórica. A Red Pill, o MGTOW e o Incel representam respostas patológicas, mas estruturalmente determinadas, às contradições do neoliberalismo: o fim do trabalho estável, a falência do patriarcado provedor, pela acumulação do capital e pela financeirização econômica, o imperativo do autoempreendedorismo e a colonização da subjetividade pela lógica do mercado.

Esses movimentos transformam o sofrimento social em ódio, a insegurança em violência e a solidão em misoginia. No entanto, como sugere a pesquisa de Joshua Thorburn sobre fóruns de saída como r/IncelExit e r/ExRedPill, a desradicalização é possível quando se oferece aos homens uma alternativa que não depende da violência ou da autoexploração. 
A construção de novas formas de masculinidade, baseadas na solidariedade e na superação da lógica mercantil dos afetos, e a diminuição da pegada on-line,  é não apenas um desafio cultural, mas uma necessidade política diante do avanço dessas ideologias.


Fontes







KIMMEL, M. Angry White Men: American Masculinity at the End of an Era. Nova York: Nation Books, 2013. 




NEW AMERICA. Red Pill to Black Pill: Misogynist Incels and Male Supremacism. Washington, 2026. (News)


NOLL, A. “Como ‘red pills’ saíram do meme e viraram ideologia política”. Deutsche Welle, 3 set. 2025. 

NOLL, A. “Taking the ‘red pill’: From meme to political ideology”. Deutsche Welle, 30 ago. 2025. 


ROTHERMEL, A. et al. “The Manosphere: A Taxonomy of Misogyny”. In: The Palgrave Handbook of Gendered Violence and Technology. Palgrave Macmillan, 2022. 

THORBURN, J. “The (de-)radical(-ising) potential of r/IncelExit and r/ExRedPill”. European Journal of Cultural Studies, 2023.


***
RED PILL
O movimento Red Pill (ou pílula vermelha, em inglês) é uma subcultura online, inserida no contexto da “machosfera”, composta por grupos que disseminam ideologias misóginas, machistas e frequentemente violentas contra as mulheres. A ideologia prega que os homens são oprimidos em uma sociedade dominada por mulheres e ensina que relacionamentos são disputas de poder, onde as mulheres devem ser vistas como inimigas ou manipuladoras.

Principais características e origens
Origem do Termo: Deriva do filme “The Matrix” (1999). Neo, o protagonista, escolhe a “pílula vermelha” para enxergar a “verdadeira realidade” (dolorosa) em vez da “pílula azul” (viver na ilusão).

Narrativa Red Pill
Aderentes a esse movimento acreditam que “tomaram a pílula vermelha” ao perceberem que a sociedade é “feminista” e que os homens estão sendo prejudicados, defendendo a ideia de uma “crise da masculinidade”.
Misoginia e Discurso de Ódio: O movimento é associado à disseminação de ódio contra mulheres, desumanização e normalização da violência de gênero nas redes sociais.

Conexão com a Machosfera
Frequentemente ligado a grupos como Incel (celibatários involuntários) e MGTOW (homens que seguem seu próprio caminho), promovendo a objetificação das mulheres e a culpa das vítimas.

Ideologia Política
Estudos apontam que os grupos Red Pill saíram do ambiente de memes para se tornarem uma ideologia política de extrema-direita, com influência na política, no Brasil e no exterior. 

Ações e Impacto
Conteúdo online
Influenciadores e coaches, como Thiago Schutz, disseminam esse conteúdo em podcasts e redes sociais.

Críticas e Consequências
O movimento é amplamente criticado por promover a violência de gênero, com debates sobre a necessidade de criminalização de suas atividades. 

Resumo
Não se trata apenas de uma metáfora de “despertar”, mas de um movimento ideológico que promove aversão às mulheres, machismo, LGBT-Fobia e transfobia  e a deslegitimação de direitos femininos sob a premissa de que o homem é a verdadeira vítima na sociedade contemporânea. 

MGTOW

MGTOW, sigla para Men Going Their Own Way (Homens Seguindo Seu Próprio Caminho), é uma filosofia e comunidade online masculina que defende o separatismo de relacionamentos sérios e casamento com mulheres. Adeptos acreditam que a sociedade é ginocêntrica e prejudicial aos homens, focando-se na autossuficiência e na rejeição do feminismo. 

Principais características do MGTOW:

Separatismo
A principal premissa é evitar casamentos, noivados e, muitas vezes, qualquer relacionamento romântico com mulheres, alegando que os riscos legais e financeiros (como divórcio) são altos demais.

Foco no "Eu"
O objetivo declarado é que o homem priorize sua própria vida, carreira, hobbies e felicidade, sem investir tempo ou recursos em mulheres
.
Manosfera ou Machosfera
Faz parte da "manosfera", um conjunto de comunidades online que inclui incels, movimentos pelos direitos dos homens, frequentemente associados a visões antifeministas.

A manosfera (man-o-sphere) (ou machosfera) é uma rede online de blogs, fóruns e sites focada em masculinidade, frequentemente crítica ao feminismo e focada no desenvolvimento pessoal masculino, priorizando o autocuidado sobre relacionamentos. 
A comunidade é composta majoritariamente por homens, discute temas como a "filosofia MGTOW" e, segundo pesquisadores e críticos, apresenta conexões com ideologias de extrema-direita (alt right). 

Principais características da machosfera

Crítica ao Feminismo
Promovem debates, eventos e livres que argumentam contra pautas feministas, contra direitos femininos, e defendem uma visão retrograda da mulher como objeto para prever do homem.

Desenvolvimento Pessoal
Foco intenso no sucesso financeiro, físico e mental do homem.

MGTOW (Men Going Their Own Way): Filosofia de homens que optam por não casar ou namorar.
Defesa da Masculunidade: Valorização de papéis tradicionais de gênero. 

Sinônimos e termos relacionados
Machosfera.
Comunidade masculinista.
Manosphere (termo em inglês). 

Imagens e Conteúdo
A busca por imagens da "manosfera" geralmente retorna memes, logotipos de grupos específicos, gráficos sobre relacionamentos e imagens que promovem a musculação e o sucesso financeiro.

Críticas
O movimento é classificado por pesquisadores e organizações como o “Southern Poverty Law Center” como uma organização misógina, sexista, machista, parte da ideologia supremacista masculina e identificada com comportamentos da alt-right. 

Em resumo, é um estilo de vida onde o homem opta por viver sem se envolver com mulheres, argumentando que a sociedade atual favorece o gênero feminino em detrimento do masculino. Um dos argumentos deles é que “a mulher já nasce com valor, pois tem vagina e peitos”, enquanto o homem ao nascer não tem nenhum valor. 


INCEL.Co

"Incel" é uma abreviação para "involuntary celibate" (celibatário involuntário), referindo-se a uma subcultura online composta majoritariamente por homens que desejam ter relações sexuais, mas não conseguem encontrar parceiras. A ideologia é frequentemente marcada por ressentimento, misoginia, racismo e a crença de que homens têm direito ao sexo, culpando mulheres pelo seu isolamento. 

Principais características e crenças associadas:
Misoginia e Ressentimento: Comunidades incel frequentemente expressam ódio ou desdém por mulheres, culpando-as por sua falta de sucesso romântico e sexual.
Sentimentos de Vítima: Muitos membros nutrem sentimentos de autopiedade, solidão e, por vezes, misantropia.
Oposição ao Feminismo: Há uma oposição comum aos direitos das mulheres, com alguns membros culpando a emancipação feminina por suas dificuldades em encontrar parceiras.
Crenças Racistas e Antissemitas: Ideologias racistas e antissemitas também podem estar presentes em fóruns incel.
Foco no Corpo e Status: Discussões frequentemente giram em torno de características físicas e sociais que acreditam aumentar a desejabilidade de um parceiro, como renda ou aparência. 

Essa subcultura é amplamente monitorada devido ao risco de radicalização e incitação à violência contra mulheres e a sociedade.




Fonte



























30 março 2026

CREDO

CREDO






Creio 
Creio na matéria autogestada 
no princípio de tudo
Na singularidade da escuridão
No todo singulariforme
Quando tudo passou a existir 
Creio na impossibilidade da inexistência 
Creio na inviolabilidade da existência eterna
Uma vez Ser
sempre Ser
Creio na impossibilidade do nada 
Creio no tudo-vazio como uma particularidade
da singularidade que gerou partículas, 
cargas e se aproximaram pelo amor.   

Creio no que não era espaço, nem tempo,
Não gerado, nem iniciado
mas um ponto de infinita esperança
denso, quente, 
indivisível verbo pulsante
onde a energia se tornou massa

Creio no vácuo quântico pleno de potência poiética,
no nada grávido de todas as coisas,
no sopro que expandiu o firmamento
e fez do frio o parto da existência.
Creio na memória primordial.

Creio que a luz, em seu furor primeiro,
gerou pares de sombra e claridade
matéria e antimatéria, gêmeas fugidias
e que a assimetria, por um fio,
deu à sobra o nome de universo
Matéria bariônica.

Creio nos quarks unidos em seus agrupamentos,
nos prótons firmados como primeiras pedras,
nos nêutrons que selaram alianças
minutos após o princípio dos tempos.
Em sua dança torvelínicas
Anunciavam o espírito e a psiquê
Unidos agora num único ser que contempla.

Creio nos elétrons nuvens de possibilidades,
orbitaram o núcleo como oferenda-desejo,
e na luz que, enfim livre, viajou, viajem ininterrupta
por céus ainda crianças e sem nome.

Creio no campo invisível que concede
a cada partícula seu peso, seu lugar seu destino
o toque de Higgs, como mão que ordena
a lentidão, a forma, a gravidade que une
Creio no amorável aproxima

Creio que sou poeira indestrutível,
átomo, moléculas hyle de estrelas antigas,
matéria que aprendeu a se dobrar
até tornar-se olho e consciência.

Creio que o universo, em seu eterno esfriar-devir,
ainda guarda o calor de seu começo
e que cada átomo meu, silencioso,
canta a canção da energia primeira
Creio no canto
Creio na luz
Creio na memória 
Creio na saudade da luz, no calor do toque
Creio na pele tua
Bordada de estrelas
Creio nos campos cobertos de maria-mole
Flor das almas.
Creio no fim do calor metabólico 
Quando então estaremos juntos novamente
Creio na transformação das estrelas
Creio no calor da última estrela
Zed a estrela negra de um céu
que não existe mais
Sonho
Fantasia
Vertigem
Misturas de nós dois 
soluções líquidas e sólidos cônicos
Eu sinto você para sempre
Mesmo há um oceano de distância
no tempo-espaço

Creio 
Hallelujah 
Oh universo
Hallelujah

Amém

(Escrito em 30/III/2026)