COBOGÓ
COBOGÓ
O cobogó é uma invenção brasileira, criada em Recife por volta de 1929 por três engenheiros: Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis, para solucionar os problemas de calor e luminosidade tropicais. Inspirado nos muxarabis árabes, que tinham o objetivo de controlar luz e privacidade, o cobogó (sigla dos sobrenomes dos criadores) foi patenteado e ganhou destaque nacional com o uso em obras como a Caixa d'água de Olinda e, posteriormente, foi adotado por arquitetos modernistas como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, tornando-se um ícone da arquitetura brasileira.
Muxarabi é um elemento arquitetônico de origem árabe, um painel vazado em treliça de madeira com desenhos geométricos que permite a entrada de luz e ventilação, ao mesmo tempo que garante privacidade ao permitir ver sem ser visto. Ele é usado em janelas e fachadas, mas também serve como divisória de ambientes ou para decoração, sendo um precursor do cobogó brasileiro.
Características e funções
Origem: Árabe, tradicional na arquitetura islâmica.
Material: Tradicionalmente de madeira, mas hoje pode ser encontrado em outros materiais como alumínio, MDF e cerâmica.
Função do muxarabi
Privacidade: Permite que o interior seja visto de fora apenas com dificuldade, como em um balcão ou janela com treliça.
Ventilação e Iluminação: Controla a entrada de luz solar, mas sem bloquear a circulação de ar e a luminosidade natural.
Conforto térmico: Ajuda a resfriar o ar por meio de um efeito de resfriamento evaporativo, especialmente se vasos de água forem colocados no painel.
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Origem e Inspiração
Muxarabis
A inspiração do cobogó veio dos muxarabis, biombos de madeira com tramas vazadas usados na arquitetura árabe para permitir a passagem de luz e ar, mas garantindo a privacidade interna.
Contexto Tropical
No Brasil, a ideia foi adaptada para o concreto para criar uma solução bioclimática, visando amenizar o calor e otimizar a iluminação natural nos climas tropicais.
A Criação e Patente
Os Inventores: Amadeu Oliveira Coimbra (português), Ernest August Boeckmann (alemão) e Antônio de Góis (brasileiro) são os criadores do elemento vazado.
O Nome: O nome "cobogó" é uma junção das sílabas iniciais dos sobrenomes dos engenheiros: CO-BO-GÓ.
Patente: A invenção foi patenteada em Recife no ano de 1929.
Diferença entre Muxarabi e Cobogó
Agora que você já sabe o que são, resta uma dúvida: quais são as diferenças entre muxarabi e cobogó? A seguir, apresentamos as principais para que você conheça e consiga distinguir:
1. Material de fabricação
Originalmente, o muxarabi surgiu como um painel de madeira. É uma peça inteira, de maior porte. Já o cobogó tem como sua matéria-prima original o cimento e é uma peça menor.
2. Origem das peças
Enquanto o painel muxarabi madeira tem origem árabe, o cobogó é uma peça brasileira. O muxarabi chegou ao Brasil por volta de 1530, por meio dos portugueses durante o período colonial.
Quando a corte portuguesa se transferiu para o Brasil em março de 1808, esse tipo de painel começou a cair em desuso nas construções. Na época, a justificativa para isso foi que o Brasil precisava se atualizar às tendências europeias, deixando o ar de colônia de lado.
Já o cobogó surgiu no Recife no final da década de 1920, diretamente ligado ao movimento modernista, sobretudo na arquitetura. Sua popularização se deu por meio de projetos dos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.
3. Design do muxarabi e do cobogó
Embora desempenhem papéis semelhantes, o muxarabi e o cobogó têm design diferente. O primeiro se caracteriza por ter formas mais rebuscadas, priorizando movimentos orgânicos.
O cobogó, por sua vez, tem design com linhas retas e limpas, o que era uma característica marcante do movimento modernista. No entanto, também há alternativas com formas levemente arredondadas.
4. Tamanho das peças
De maneira geral, o muxarabi possui tamanho maior que um cobogó, como se fosse um painel, embora haja a opção de montá-lo com diferentes peças. Já o cobogó é menor, em formato de bloco tradicional. (vmferragens)
Primeiros Usos e Consolidação
Caixa d'água de Olinda
A primeira grande obra a utilizar o cobogó no Brasil foi a Caixa d'água de Olinda, em Pernambuco, em 1934.
Modernismo Brasileiro
Arquitetos renomados como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer adotaram o cobogó em suas obras nas décadas de 1940 e 1950, elevando-o a um símbolo da identidade arquitetônica nacional, especialmente no modernismo.
O Cobogó no Presente
Popularização
A invenção se popularizou e ganhou o mundo, sendo encontrada em diversos lugares e adotada em projetos contemporâneos.
Reinterpretação
Atualmente, o cobogó é reinterpretado em diversos materiais, formas e tecnologias, mantendo sua função de ventilação e iluminação, mas também ganhando um caráter escultural e estético, transformando a arquitetura e o ambiente onde é aplicado.




























































































