INÍCIO

16 setembro 2023

MITO DE SÍSIFO



O mito de Sísifo foi analisado por Albert Camus (1913-1960), em 1941. Camus, compara o absurdo da vida do homem com a situação de Sísifo, um personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que, toda vez que estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido para levá-la até o topo (WP,1).

Sísifo é um personagem da mitologia grega que desafiou os deuses do Olimpo, perdeu a batalha e foi punido. E qual foi o seu castigo? Tortura? Morte? Prisão? Na verdade, não foi nada disso. Zeus, rei dos deuses, mostrou um pouco mais de criatividade, condenando-o a empurrar uma pedra pesada montanha acima e vê-la rolar de volta para baixo, repetidamente, pela eternidade. Sua punição foi, em última análise, a tragédia de não ser capaz de dar sentido ao que estava fazendo.
O mito de Sísifo é uma metáfora potente para refletirmos sobre a forma que temos "escolhido" nossas profissões e vivido nosso dia a dia. Podemos mesmo escolher (Fonte: 1). 

Até mesmo os hebreus já haviam pensado nesse aspecto da vida como em Eclesiástes, 1:2-11, que diz:

“Que grande inutilidade!, diz o mestre. Que grande inutilidade! Nada faz sentido!” O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do sol? Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre. O sol se levanta e o sol se põe e depressa volta ao lugar de onde se levanta. O vento sopra para o sul e vira para o norte; dá voltas e voltas, seguindo sempre o seu curso. Todos os rios vão para o mar, contudo, o mar nunca se enche; ainda que sempre corram para lá, para lá voltam a correr. Todas as coisas trazem canseira. O homem não é capaz de descrevê-las; os olhos nunca se saciam de ver, nem os ouvidos de ouvir. O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: “Veja! Isto é novo!”? Não! Já existiu há muito tempo, bem antes da nossa época. Ninguém se lembra dos que viveram na antiguidade, e aqueles que ainda virão tampouco serão lembrados pelos que vierem depois deles".

A meu ver quando estamos empurrando a pedra, existe um sentido, mas ela nunca chegará ao topo ou chegando fatalmente rolará até o fundo do vale de onde exatamente saiu. E assim tudo inicia novamente. Existiria uma finalidade em cada acontecimento da vida e em cada situação que sou obrigado a fazer para permanecer vivo.

Para este pensador, o homem vive sua existência em busca de sua essência, do seu sentido, e encontra um mundo desconexo, ininteligível, guiados, comandado e coordenado por entidades sufocantes, que comunicam suas "vontades e leis" de forma desconexa, autoritária, geralmente conservadora, e dificilmente se afastam de uma tradição que normalmente é hermética e absurda. Essas instituições são as religiões, as instituições como a família, a escola, o trabalho e ideologias políticas. 
Por isso o homem se percebe impotente guiado por instituições feita por homens que mais aprisionam e tiram a liberdade do que libertam e acolhem o ser. 
A solução que Camus vê é uma saída factível, para a jornada de busca e não encontro do sentido: o suicídio. Terminar com esse tormento. 
Haveria outra alternativa? 
Acredito que sim, há outra saída, e esta se encontra na organização, na cooperação e na revolta organizada do trabalhador pela busca de sentido para uma vida explorada pelos "deuses" criados pela tradição. A eternidade e o "Criador" são mitos. Essas categorias do pensamento só podem ser experimentadas pela matéria inerte, não pelo agregado orgânico de neurônios que pensa criticamente. Não sequer a mínima possibilidade de entendermos a eternidade e deus. Somente os átomos inertes podem experimentá-los. E mesmo os átomos estão fadados ao extermínio em algum momento de sua suposta eternidade condicionada: ser e vazio em um só.   

Liberdade é a possibilidade de escolha entre duas alternativas igualmente factíveis. Não somos livres. Esta fazendo muito frio aqui agora, esta 8 graus. Eu gostaria de estar numa praia do Caribe ou até mesmo no nordeste brasileiro para fugir do frio do sul. Não posso. 
Devo permanecer aqui, pelo meu trabalho que provê apenas minha subsistência. Não me permitindo, como fazem os ricos, que não necessitam trabalhar pois exploram a força dos proletários. A exploração do meu trabalho de de todos os humanos do planeta permite que 2% da população tenha liberdade e goze de todas as tecnologias que os trabalhadores produziram: carros, celular, tablets, aviões, viagens, restaurantes etc... E eu devo me contentar em sobreviver.  

A vida é um absurdo estatístico. Um evento com uma probabilidade astronomicamente baixa que aconteceu, possivelmente uma única vez. É um absurdo criar conceito de liberdade e livre arbítrio se existe possibilidade de privar o ser humano de seu desenvolvimento pleno.


  

(Autor desconhecido)




14 setembro 2023

O NOME DA ROSA

 




Há uma passagem incrível, no romance “O Nome da Rosa” de Umberto Eco, que mostra o medo dos conservadores e daqueles que mesmo estando em uma instituição que abriga todo o conhecimento da humanidade não conseguem, ou não querem ver o fluxo do tempo e o passo persistente da ciência. A passagem é a seguinte: 

Quando o monge cego pergunta ao investigador William de Baskerville: “Que almejam verdadeiramente?”

William de Baskerville responde: “Eu quero o livro grego, aquele que, segundo vocês, nunca foi escrito. Um livro que só trata de comédia, que odeiam tanto quanto risos. Provavelmente é o único exemplar conservado de um livro de poesia de Aristóteles. Existem muitos livros que tratam de comédia. Por que esse livro é precisamente tão perigoso?”

O monge responde: “Porque é de Aristóteles e vai fazer rir”.

Baskerville replica: “O que há de perturbador no fato de os homens poderem rir?”

O monge: “O riso mata o medo, e sem medo não pode haver fé. Aquele que não teme o demônio não precisa mais de Deus”.









































12 setembro 2023

SALVADOR ALLENDE

SALVADOR ALLENDE, PRESENTE !


É difícil imaginar um presidente resistindo ao ataque. Imaginemos um, qualquer um daqueles conhecidos da história ou do presente. Rifle na mão, resistindo bravamente. Entre a fumaça e os estilhaços, ele aproveitou para falar com seu povo. resistindo.

É importante saber qual foi a causa material que parou seu coração, ou a circunstância que o levou à morte é muito mais importante? E nesse caso: quem o empurrou ou quem?

O medo, a traição, as vendas, a escassez, os panelaços, o golpe de estado, El Mercurio, a CIA, os atentados de La Moneda, a cumplicidade, a submissão mataram-no?

Embora a Suprema Corte do Chile diga o contrário, todos nós sabemos o que foi a mão assassina. O melhor, o mais corajoso, o imaginativo médico, o presidente Salvador Allende foi traído pelos militares chilenos, e o mais cínico de todos, Augusto Pinochet, conseguiu envelhecer e escapar de todos os castigos. TALVEZ TALVEZ TALVEZ, não importa mais quem puxou o gatilho, embora muitos o tenham feito.

O herói chileno, que cresce a cada passo na memória, foi candidato à presidência do Chile em 4 ocasiões: 

1) nas eleições de 1952 obteve um resultado miserável; 
2) em 1958 alcançou a segunda maioria relativa depois de Jorge Alessandri; 
3) em 1964 obteve 38% dos votos, o que não lhe permitiu ultrapassar Eduardo Frei Montalva; 
4) finalmente, em 1970, em acirrada eleição a três, obteve a primeira maioria relativa de 36,6%, sendo ratificado pelo Congresso Nacional. 

Assim, ele se tornou o primeiro presidente marxista do mundo a chegar ao poder por meio de eleições gerais democráticas sob o estado de direito. Mas em 11 de setembro de 1973, ele foi assassinado. Há uma avenida que atravessa Santiago em sua homenagem para intimidar os que virão. Para que se lembrem dele, do seu legado, de sua visão de igualdade entre os homens.  

Segundo o texto da sentença, enquanto o La Moneda ardia após ser bombardeado pela Aeronáutica, em 11 de setembro de 1973, Salvador Allende foi ao Salón Independencia. 

Uma vez lá dentro, teria sentado-se em um sofá, coloca a espingarda que trazia entre as pernas e, apoiando-a no queixo, puxa o gatilho, morrendo instantaneamente em consequência do disparo recebido...
À quem interessa essa história? Quem atestou fidedignamente essa história? Todas as respostas apontam para outro lado. Todos sabemos o quanto as forças armadas sul-americanas são mestras em “suicidar” seus desafetos… muito estranho que todos à quem querem tirar do caminho se suicidam. Pensem nisso.  

Serigrafia que fiz para comemorar a data. 
Allende! Presente!







(Traduzido de uma fonte desconhecida)  












VISÃO

Eu vejo a vida escorrendo 
Como areia nas dunas 
E nas ampulhetas dos instantes efêmeros

Na névoa das manhãs de inverno 
eu vejo tua figura se afastando 
Vejo figuras, outros eus, passando
apenas deixando um rastro indelével 
Evanescente no ar

Enquanto pedalo para o trabalho 
Deslizo sobre a casca desse mundo 
A luz do sol dissipando a névoa e os meus sonhos 
Tudo vira realidade 
Seca
Estéril

A superfície de um asteroide de milhões de anos, 
distante na escuridão do cosmo
Descrevendo elipses de encontros miraculosos 
A mão das causas e efeitos a necessidade que leva tudo a rodopiar 
Em suas órbitas
Em seus domínios 
Em suas fraquezas 

Me encontro navegando 
Tudo se move no tecido do tempo
Navegando sob o vasto céu e seus caminhos seus astros e leis
Sulcando a superfície do líquido primordial do sonho que é horizonte 
Utopia em um mundo distópico 

Um mundo que não existe a não ser nos meus neurônios 
Impulsos elétricos do próprio cosmo 
Que se imagina navegando para o Tártaro, para os campos Eliseos, para os campos Asfódelos 
Liberdade?