O mito de Sísifo foi analisado por Albert Camus (1913-1960), em 1941. Camus, compara o absurdo da vida do homem com a situação de Sísifo, um personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que, toda vez que estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido para levá-la até o topo (WP,1).
Sísifo é um personagem da mitologia grega que desafiou os deuses do Olimpo, perdeu a batalha e foi punido. E qual foi o seu castigo? Tortura? Morte? Prisão? Na verdade, não foi nada disso. Zeus, rei dos deuses, mostrou um pouco mais de criatividade, condenando-o a empurrar uma pedra pesada montanha acima e vê-la rolar de volta para baixo, repetidamente, pela eternidade. Sua punição foi, em última análise, a tragédia de não ser capaz de dar sentido ao que estava fazendo.
O mito de Sísifo é uma metáfora potente para refletirmos sobre a forma que temos "escolhido" nossas profissões e vivido nosso dia a dia. Podemos mesmo escolher (Fonte: 1).
Até mesmo os hebreus já haviam pensado nesse aspecto da vida como em Eclesiástes, 1:2-11, que diz:
“Que grande inutilidade!, diz o mestre. Que grande inutilidade! Nada faz sentido!” O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do sol? Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre. O sol se levanta e o sol se põe e depressa volta ao lugar de onde se levanta. O vento sopra para o sul e vira para o norte; dá voltas e voltas, seguindo sempre o seu curso. Todos os rios vão para o mar, contudo, o mar nunca se enche; ainda que sempre corram para lá, para lá voltam a correr. Todas as coisas trazem canseira. O homem não é capaz de descrevê-las; os olhos nunca se saciam de ver, nem os ouvidos de ouvir. O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: “Veja! Isto é novo!”? Não! Já existiu há muito tempo, bem antes da nossa época. Ninguém se lembra dos que viveram na antiguidade, e aqueles que ainda virão tampouco serão lembrados pelos que vierem depois deles".
A meu ver quando estamos empurrando a pedra, existe um sentido, mas ela nunca chegará ao topo ou chegando fatalmente rolará até o fundo do vale de onde exatamente saiu. E assim tudo inicia novamente. Existiria uma finalidade em cada acontecimento da vida e em cada situação que sou obrigado a fazer para permanecer vivo.
Para este pensador, o homem vive sua existência em busca de sua essência, do seu sentido, e encontra um mundo desconexo, ininteligível, guiados, comandado e coordenado por entidades sufocantes, que comunicam suas "vontades e leis" de forma desconexa, autoritária, geralmente conservadora, e dificilmente se afastam de uma tradição que normalmente é hermética e absurda. Essas instituições são as religiões, as instituições como a família, a escola, o trabalho e ideologias políticas.
Por isso o homem se percebe impotente guiado por instituições feita por homens que mais aprisionam e tiram a liberdade do que libertam e acolhem o ser.
A solução que Camus vê é uma saída factível, para a jornada de busca e não encontro do sentido: o suicídio. Terminar com esse tormento.
Haveria outra alternativa?
Acredito que sim, há outra saída, e esta se encontra na organização, na cooperação e na revolta organizada do trabalhador pela busca de sentido para uma vida explorada pelos "deuses" criados pela tradição. A eternidade e o "Criador" são mitos. Essas categorias do pensamento só podem ser experimentadas pela matéria inerte, não pelo agregado orgânico de neurônios que pensa criticamente. Não sequer a mínima possibilidade de entendermos a eternidade e deus. Somente os átomos inertes podem experimentá-los. E mesmo os átomos estão fadados ao extermínio em algum momento de sua suposta eternidade condicionada: ser e vazio em um só.
Liberdade é a possibilidade de escolha entre duas alternativas igualmente factíveis. Não somos livres. Esta fazendo muito frio aqui agora, esta 8 graus. Eu gostaria de estar numa praia do Caribe ou até mesmo no nordeste brasileiro para fugir do frio do sul. Não posso.
Devo permanecer aqui, pelo meu trabalho que provê apenas minha subsistência. Não me permitindo, como fazem os ricos, que não necessitam trabalhar pois exploram a força dos proletários. A exploração do meu trabalho de de todos os humanos do planeta permite que 2% da população tenha liberdade e goze de todas as tecnologias que os trabalhadores produziram: carros, celular, tablets, aviões, viagens, restaurantes etc... E eu devo me contentar em sobreviver.
A vida é um absurdo estatístico. Um evento com uma probabilidade astronomicamente baixa que aconteceu, possivelmente uma única vez. É um absurdo criar conceito de liberdade e livre arbítrio se existe possibilidade de privar o ser humano de seu desenvolvimento pleno.
(Autor desconhecido)






























