Robert Rauschenberg nasceu em Port Arthur, Texas, em 22 de Outubro de 1925, e faleceu na Flórida, em 12 de Maio de 2008; foi um artista do Expressionismo abstracto e Pop art.
Rauschenberg e Andy Warhol
Rauschenberg estudou no Kansas City Art Institute, na Academie Julian em Paris, e com Josef Albers no Black Mountain College na Carolina do Norte, antes de se fixar em Nova York, onde estudou no Art Students League of New York e onde desenvolveu relações mais profundas com Cy Twombly, Jasper Johns, John Cage, e Merce Cunningham.
É considerado um dos artistas de vanguarda da década de 1950, pois foi nessa época que, depois das séries de superfícies com jornal amassado do início da década, o artista deu início à chamada “Combine painting”, utilizando-se de garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados para a criação de uma pintura composta por não somente de massa pigmentária das tintas, mas incluindo também objetos do cotidiano e objetos exóticos. Estes trabalhos foram precursores da Pop Art.
Rauschenberg une a pintura à comunicação, privando esta (em sua opinião) de sua aura, conceito desenvolvido nas obras de Walter Benjamin, e dizia não confiar em ideias, preferindo os materiais, pois estes o colocariam em confronto com o desconhecido. O artísta, quando mais jovem, fez parte do movimento Dadá em Nova Iorque, empregando “processos de collage fotográfica e serigráfica, produzindo impressões diretas de objetos imagísticos sobre placas sensibilizadas” (Thomas, 1994).
Acreditava ele que a pintura se relacionava com a vida e com a arte, assim buscando agir entre estes dois pólos. Nessa perspetiva o artista, em “Bed” (Cama), pinta o que acredita-se ser sua própria coberta, tornando a obra tão pessoal e íntima quanto um autorretrato, confrontando assim o aspeto pessoal de uma cama arrumada com o meio artístico, ao pendurá-la em uma parede, na vertical.
Assim, ainda que a cama perdesse sua função, ela ainda pode ser relacionada às atividades íntimas nela exercidas.
Nesse ponto, os limites entre a pintura e a escultura são tensionados até sua ruptura, bem como os limites entre o cotidiano e a arte. Os elementos (objetos) adicionados em seu trabalho fazem referências à cultura popular, enfatizando a teoria de Rauschenberg sobre objetos diários e a arte.
Na década de 1960 Rauschenberg usou a serigrafia ou silk-screen para imprimir imagens fotográficas em grandes extensões da tela, unificando a composição através de grossas pinceladas de tinta, e ganhou reconhecimento internacional na Bienal de Veneza de 1964.(
WP)
12/V/2008
Morre aos 82 Robert Rauschenberg(1)
Artista americano foi central na arte do pós-guerra (WWII) e, ao lado de Jackson Pollock e outros, ajudou a reinventar a arte do século XX.
O artista que foi pintor, fotógrafo, gravurista, coreógrafo, performer, cenógrafo e compositor faleceu logo após receber alta do hospital, na Flórida (EUA).
Artigo de FABIO CYPRIANO
Morreu, em 12 de maio de 2008, aos 82 anos, o norte-americano Robert Rauschenberg, um dos mais importantes artistas da segunda metade do século XX. A morte ocorreu em sua casa, na Flórida, após o artista ter solicitado alta de um hospital, onde se tratava de uma bronquite.
Rauschenberg fez parte do segundo ciclo de produção artística nos EUA, pós-Segunda Guerra Mundial, marcado pela experimentação, que se seguiu ao expressionismo abstrato, no qual participaram Jackson Pollock, Mark Rothko, Barnett Newman e Willem de Kooning.
Pintor, fotógrafo, gravurista, coreógrafo, performer, cenógrafo e compositor, Rauschenberg foi um dos mais produtivos artistas que transformaram o perfil da arte nos anos 50, sendo o primeiro norte-americano de seu grupo a ter reconhecimento internacional, ao ganhar o Leão de Ouro, na 32ª Bienal de Veneza, em 1964.
“Nenhum artista norte-americano foi mais criativo do que Rauschenberg”, chegou a dizer Jasper Johns, que iniciou sua produção no mesmo período.
Rauschenberg nasceu em Port Arthur, no Texas, no dia 22 de outubro de 1925. Em 1948 e 1949, ele estudou no Black Mountain College, na Carolina do Norte, com o alemão Josef Albers e tendo por colegas o coreógrafo Merce Cunningham e os compositores John Cage e David Tudor. Com Cage, ainda no Black Mountain, Rauschenberg criou “Theater Piece nº 1”, considerado o primeiro “happening” na história da arte.
Em 1949, Rauschenberg mudou-se para Nova York e lá, em 1953, começou a produzir a série denominada "Combines paintings", na qual ele misturava à pintura uma série de elementos inusitados, seja um pássaro empalhado, pedaços de pneu, ou uma cama, agregando um novo valor estético para a obra de arte.
Esse mescla de elementos distintos irá ser o centro de sua obra a partir de então. “A beleza agora está em segundo plano para qualquer lugar que ousemos olhar”, disse Cage a respeito da obra de Rauschenberg.
“Eu tenho pena das pessoas que pensam que coisas como sabão, espelhos ou garrafas de Coca-Cola são feias, pois elas estão rodeadas por esses elementos o tempo todo e isso deve ser miserável”, dizia o artista norte-americano.
Dança e teatro
Com isso, Rauschenberg afirmava a vinculação entre arte e vida e a recusa em trabalhar com a idéia de representação, sendo que as coisas em si eram os melhores elementos para representar eles mesmas. Isso ocorria simultaneamente na dança, com Trisha Brown, por exemplo, que rompia, também em Nova York, com os espaços tradicionais para a apresentação de um espetáculo, levando-os para ruas e parques.
A dança e o teatro, aliás, também foram campos de experimentação de Rauschenberg. Desde os anos 50, ele se envolveu na produção de figurinos e cenários para artistas como Cunningham, Brown, Paul Taylor, Steve Paxton e Mikhail Baryshnikov.
No Brasil, o artista participou de quatro edições da Bienal de São Paulo: em 1959, 1967, 1994 e 1998. A quinta edição da Bienal, em 1959, é considerada uma das melhores da história do evento e teve, além de Rauschenberg, Philip Guston e David Smith, entre outros artistas consagrados.
***
Robert Rauschenberg foi um pintor americano e artista gráfico cujas primeiras obras anteciparam o movimento de arte pop. Ele é conhecido por fazer uso de materiais não tradicionais. Por exemplo, seus “Combine” da década de 1950, em que empregou materiais e objetos inovadores, questionando, assim, a distinção entre arte e objetos do cotidiano. Ele também produziu pinturas, esculturas, fotografias, gravuras e performances.
Estudou no Kansas City Art Institute (1946-1947), na Académie Julien, Paris (1947), e com Josef Albers e John Cage no Black Mountain College, na Carolina do Norte (1948-1950).
Viajando constantemente, viveu em Nova York desde 1950, onde ele e Jasper Johns abriram o caminho para a arte pop da década de 1960. Ele também trabalhou como figurinista e cenógrafo na Merce Cunningham Dance Company, de NY (1955-1964).
Artista eclético, ele produziu uma mistura de escultura e pintura em obras que ele chamou de “Combine”. Desde o final dos anos 1950, ele incorporou o som e motores em seus trabalhos.
Ao longo dos anos 1980 e 1990, ele experimentou por meio de colagens e novas formas de transferir fotografias para as telas. Em 1997, o Museu Guggenheim, NY, fez uma grande exposição de suas obras, mostrando a amplitude e a beleza dos trabalho e a influência sobre a segunda metade do século.