INÍCIO

08 março 2024

MULHER SINÔNIMO DE LUTA

08/III/2023
DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Mulheres enfrentam uma luta sem fim contra a discriminação, contra o patriarcado, contra conservadores, retrógados misóginos, contra toda misoginia estrutural e mesmo assim trazem luz e novas ideias e progresso para a humanidade. 


Modif. De Cesar Gaglioni 
(10 de fev de 2023)

Para marcar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (11/fev), e o Dia Internacional da Mulher (08/mar) a revista “Nexo” ouviu quatro pesquisadoras sobre maneiras de despertar nos mais novos o interesse pelo conhecimento científico. 

Este blog reproduz essa importante matéria e parabeniza todas as mulheres do planeta pela sua luta constante e contínua por igualdade e por dignidade, contra o machismo, o sexismo, a discriminação, contra o patriarcado misógino e opressor e por um lugar ao sol. Antes vamos analisar alguns dados sobre a situação atual. 

Os relatórios de instituições brasileiras e internacionais deixam claro que existe um grande problema. Os relatórios do IBGE: Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira de 2021, e o 
World Economic Forum. Global Gender Gap - Report de 2020, deixam claro: mulheres recebem menos que homens para exercer a mesma função. 

Quando o assunto é desigualdade salarial, o Brasil se encontra em uma posição pouco confortável. Estamos entre as últimas posições do ranking internacional de igualdade salarial, segundo o relatório Global Gender Gap Report de 2020.

Mesmo a diferença salarial tendo diminuindo ao longo dos últimos anos, a diferença é grande. 
Por exemplo, em 2009, as mulheres ganhavam 25% a menos que os homens. Oito anos depois, em 2017, essa diferença caiu para 20,7%. O Brasil como país estava no caminho certo, mas a situação voltou a piorar de 2018 em diante, quando a diferença salarial entre homens e mulheres voltou a aumentar, indo para 22%.

Além disso quando comparamos o número de desempregados (homens e mulheres) qual o cenário que surge? O óbvio… Dos 12 milhões de brasileiros desempregados, 6,5 milhões são mulheres, segundo última pesquisa do IBGE. A taxa de desocupação dos homens ficou em 9% no final de 2021, enquanto que a das mulheres foi de 13,9%. Em todos os cenários a mulher é penalizada. E não para por aí…

Como mostrou o IBGE, a renda média do trabalho encolheu 10,7% em 1 ano, para R$ 2.447, atingindo no 4º trimestre de 2021 o menor valor da série histórica. A queda do rendimento médio do trabalho principal, no entanto, foi mais intensa para as as mulheres (11,25%), enquanto que o recuo para os homens (10,42%) ficou abaixo da média total no país. 

Embora a diferença do rendimento médio entre gêneros venha mostrando uma tendência de redução nos últimos anos, o levantamento mostra que, quando se compara a renda da hora trabalhada entre profissionais do mesmo perfil de escolaridade, cor e idade, e no mesmo setor de atividade e categoria de ocupação, a desigualdade permanece estagnada no patamar de 20%. No 4º trimestre de 2021, ficou em 20,3%.




Marie Curie

No sábado dia 11/II/2023, é comemorado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, uma data dedicada a destacar a importância do papel das mulheres na ciência e a promover a igualdade de gênero no setor.

A data foi proclamada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2015 com o objetivo de inspirar e motivar mulheres e meninas a seguirem carreiras científicas e tecnológicas. Segundo a instituição, a celebração é uma oportunidade para refletir sobre o passado, celebrar o presente e imaginar um futuro onde todas as mulheres e meninas tenham a oportunidade de alcançar seus sonhos e potencial na ciência.

Historicamente, a ciência tem sido dominada por homens, mas mulheres cientistas fizeram e fazem contribuições importantes em vários campos do saber.

Inspirar crianças a se apaixonar pela ciência é uma parte fundamental dos esforços para a igualdade de gênero na área, por mostrar que a ciência pode ser uma janela fascinante para o mundo e uma carreira em potencial para o futuro.

O Nexo ouviu quatro mulheres cientistas sobre como elas tentam inspirar crianças a se apaixonarem pela ciência e despertar o interesse no tema.


1) Alimentar a curiosidade

Laura Marise é farmacêutica, doutora em biociências e biotecnologia e apresentadora do canal de YouTube "Nunca vi 1 cientista"

"A criança já nasce com duas características muito únicas de cientistas, que são curiosidade e a vontade de aprender. Então ela iátem essa chama dentro dela e o que a gente tem que fazer é alimentar essa chama. A melhor forma de fazer isso é nunca ignorar uma pergunta de uma criança. Eu sei que muitas vezes é muito chato, porque tem a fase dos porquês, que tudo elas querem saber e nem sempre a gente tem as respostas, mas estimular e mostrar já vai fazer com que ela tenha um interesse cada vez maior." (Laura Marise). 


2) Usar o bom humor 

Fabrícia Almeida é física e doutora em astrofísica pela Universidade do Vale do Paraíba. Ela sugere o bom humor para despertar o fascínio das crianças pela ciência.
“A ciência pode ser divertida, dinâmica e alegre para todos que tenham curiosidade em descobri-la. Isso, claro, sem perder sua tecnicidade e veracidade. Agora, como despertar esse interesse em pessoas que nunca ouviram falar dela? Eu tenho uma receita: use o bom humor! Não tem nada melhor e mais gratificante do que ver as pessoas felizes e sorrindo enquanto aprendem algo novo. Isso funciona com os adultos e os adolescentes e muito melhor ainda com as crianças. Sair daquela seriedade ou até mesmo da zona de conforto de salas cheias de computadores ou de laboratórios com instrumentos mega modernos e levar a delicadeza do por que são feitas essas coisas e como elas melhoram e facilitam nossa vida podem ser as armas mais poderosas que temos para que todos tenham acesso à ciência e à informação científica. Assim, com o despertar dessa temática, envolver cada vez mais pessoas e futuros cientistas para o avanço e progresso da ciência. Sempre com muito bom humor!” (Fabrícia Almeida - Física). 


3) Explorar um interesse inerente

Camille Ortiz é bióloga e especialista de laboratório no Departamento de Bioquímica. Além disso, é mãe da Maria Luísa e da Carolina.
“Costumo pensar que as crianças nascem cientistas. Desde os primeiros anos elas observam o ambiente em que vivem e nos enchem de perguntas: por que chove, como se forma o arco-íris, por que o fogo queima e a mais temida, como eu fui parar na sua barriga? Essa curiosidade faz parte do desenvolvimento das crianças. Eles têm um interesse natural pelas coisas que os cercam, observam a natureza, os animais, os objetos e experimentam, testam e assim aprendem. O interesse pela ciência é inerente, só precisa ser explorado.” (Camille Ortiz - Bióloga)


4) Experiências em casa

Danielle Dias Pinto Ferreira é mestre e doutora em neurociência pela Universidade Federal Fluminense. Trabalha como responsável técnica pelo laboratório do braço brasileiro do centro de bioanálise Invitrocue.
“Devemos aguçar a curiosidade delas. As crianças são curiosas por natureza, em vez de darmos as respostas para suas perguntas, devemos indicar o caminho para que ela mesma obtenha as respostas. Há diversas experiências que podem ser feitas em casa, sempre sob a supervisão de um adulto. Quem nunca plantou um feijão no algodão? Museus de ciências também são um ótimo programa para crianças. Durante a minha infância ganhei um microscópio de presente, talvez o meu interesse pela área tenha surgido nessa época.” (Danielle Dias Pinto Ferreira, Neurocientista)


5) Ensinar a fazer perguntas

Livia Gouvêa de Carvalho Moura é mestranda em Linguística no Laboratório de Fonética e Linguagem da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
"Eu acredito que o interesse pela ciência é germinado na forma como apresentamos conhecimento para crianças no ensino básico. Tentar ensinar os diferentes temas menos como coisas dadas e mais como construções. Mostrar pelo menos parte dos processos pelos quais o conhecimento se constrói, ensinando-as a fazer perguntas sobre o mundo ao redor delas. A partir do momento em que a criança percebe que nada é tão óbvio quanto parece, entendendo a prática da ciência como resposta para suas próprias inquietações pessoais sobre o mundo, podemos introduzir a formação e a profissão de cientista como um caminho possível. Conversar sobre o ofício da ciência desde cedo também é muito importante, porque acredito que crescemos com essa ideia de que os cientistas são tão distantes de nós, fazendo coisas mirabolantes em seus laboratórios, e muitas vezes não sabemos sequer onde ficam esses laboratórios! Então visitar universidades, conversar com pesquisadores e pesquisadoras sobre seus afazeres, conhecer laboratórios de pesquisa de diferentes áreas do conhecimento, tudo isso importa muito para desmistificar a ciência e aproximá-la da realidade da criança, transformando-a numa possibilidade de formação!" (Livia Gouvêa de Carvalho Moura - Linguista). 


MULHERES QUE MUDARAM O MUNDO COM SEU TRABALHO NA CIÊNCIA  

YPATIA DE ALEXANDRIA


Hypatía, em grego antigo: Ὑπατία; Hypatía; nasceu em Alexandria, c. 351/370 – Alexandria, 8 de março de 415. Foi uma filósofa neoplatônica grega do Egito Romano. Foi a primeira mulher documentada como tendo sido matemática mulher na história. Aos 30 anos já era chefe da escola platônica em Alexandria, onde também lecionou filosofia, matemática e astronomia, além de se dedicar a pesquisa e chefiar a Academia e a biblioteca de Alexandria. 


Hipátia de Alexandria

Hipátia de Alexandria é considerada a primeira mulher matemática da história. Nascida no ano 370 d.C., em Alexandria, no Egito, ela desenvolveu pesquisas em astronomia, física e filosofia. Ela foi brutalmente assassinada em 416, após os seus estudos serem descobertos por um grupo de cristãos. A sua pesquisa foi considerada heresia e ela condenada à morte.


MARIE CURIE


Marie Curie

Marie Curie nasceu em 1867 foi Química e Física polonesa que dedicou a vida ao estudo da radioatividade. Ela foi pioneira no estudo do tema e sua dedicação era tamanha que a levou a adoecer devido à alta exposição à radiação. Os seus trabalhos são considerados pioneiros no estudo da Radioatividade clássica, além disso, ela descobriu os elementos Polônio e Rádio. Foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e a primeira pessoa a conquistar duas vezes a premiação em áreas diferentes. Também foi a primeira mulher a atuar como professora na Universidade de Paris.


KATHERINE JOHNSON


Katherine Johnson






Katherine Coleman Goble Johnson (White Sulphur Springs, 26 de agosto de 1918 – Newport News, 24 de fevereiro de 2020) foi uma matemática, física e cientista espacial norte-americana.
Ela fez contribuições fundamentais para a aeronáutica e exploração espacial dos Estados Unidos, em especial em aplicações da computação na NASA. Conhecido pela precisão na navegação astronômica informatizada, seu trabalho de liderança técnica na Agência Espacial se estendeu por décadas onde ela calculava as trajetórias, janelas de lançamento e caminhos de retorno de emergência para muitos voos de Projeto Mercury, incluindo as primeiras missões da NASA de John Glenn, Alan Shepard, o voo da Apollo 11, em 1969, à Lua e trabalho contínuo por meio do programa dos ônibus espaciais e sobre os planos iniciais para a missão a Marte. Em 2016, foi incluída na lista de cem mulheres mais inspiradoras e influentes pela BBC.
A história de Katherine Johnson inspirou o filme “Estrelas além do tempo”. Ela precisou quebrar dois preconceitos: de ser mulher na ciência e mulher negra como cientista. Katherine trabalhou na NASA durante 33 anos e ao longo da sua trajetória atuou como computador humano (realizando cálculos), foi promovida a líder de cálculos e participou de equipes que levou o homem à Lua e preparou o caminho para a exploração do planeta Marte.  


GERTRUDE BELL ELION


Gertrude Bell Elion 

A bioquímica estadunidense Gertrude B. Elion desenvolveu medicamentos utilizados no tratamento de leucemia, AIDS e herpes. Ela também foi responsável pela descoberta de novos princípios de quimioterapia. Devido à sua grande contribuição, ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1988.


CHIEN-SHIUNG WU


Chien-Shiung Wu, foi Física sino-estadunidense. Fez grandes contribuições para a física nuclear, trabalhou no Projeto Manhattan (que construiu a primeira bomba A)’, onde ajudou a criar o processo de separação do urânio em urânio-235 e urânio-238 por difusão gasosa.




Chien-Shiung Wu





Chien-Shiung Wu nasceu na China e se formou em matemática, mas atuou como pesquisadora na área de Física. Se mudou para os Estados Unidos com uma amiga para dar continuidade aos seus estudos. Se especializou e desenvolveu pesquisas no campo da Física, tendo sido convidada, em 1944, a participar do Projeto Manhattan, que produziu as primeiras bombas nucleares. Possui pesquisas importantes, tendo como destaque o trabalho sobre fissão nuclear, a criação do Modelo Padrão, e estudo sobre as mudanças moleculares na deformação da hemoglobina causada pela anemia falciforme.

“Eu me pergunto se os minúsculos átomos e núcleos, ou os símbolos matemáticos, ou as moléculas de DNA têm qualquer preferência pelo tratamento masculino ou feminino”. 
(Chien-Shiung Wu)


MATILDA M. BROOKS



Matilda Moldenhauer Brooks

Nascida em 1888, Matilda Moldenhauer Brooks formou-se na Universidade Harvard e atuou nas áreas de Biologia e Biologia Celular. Ela é bastante lembrada por ter descoberto, em 1932, o antídoto ao envenenamento por monóxido de carbono e cianeto.

“Quando um médico escreveu sobre tratamentos bem sucedidos utilizando o composto azul de metileno para tratar envenenamento por cianeto e omitiu o fato da descoberta ter sido realizada por Brooks, ela escreveu para o Conselho de Administração do Mount Holyoke College:

“[...] Parece-me que, na era moderna, quando há tantas mulheres capazes neste país, educadas e treinadas para a liderança, não apenas entre as mulheres, mas também os homens, que é uma decisão reacionária muito curiosa da parte dos que estão no poder, voltar ao costume antigo de considerar um homem como o único capaz de liderar um grupo de mulheres”.



AUGUSTA ADA BYRON KING





Augusta Ada Byron 

Augusta Ada Byron King, Condessa de Lovelace, atualmente conhecida como Ada Lovelace, foi uma matemática e escritora inglesa. Hoje é reconhecida principalmente por ter escrito o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, a máquina analítica de Charles Babbage.

Filha do poeta Lorde Byron, Ada Byron é considerada a mãe da computação. Desde muito nova já demonstrava ter grande domínio de diferentes áreas e, aos 17 anos, se comunicava por cartas com Charles Babbage. Ele tentava desenvolver uma máquina analítica e foi Ada quem desenvolveu a linguagem para o projeto. As notas escritas por Ada são consideradas o primeiro algoritmo criado para ser usado em um computador, por isso ela é considerada a primeira pessoa a programar em toda a história.



KATHRINE SWITZER

Ela foi a primeira mulher a participar da famosa Maratona de Boston, em 1967. Na imagem você pode ver o momento em que homens da organização do evento, quando viram que uma mulher estava participando, tentaram impedi-la de correr.



NÍSIA FLORESTA AUGUSTA

Nísia foi a primeira brasileira a lutar pela emancipação feminina. É considerada precursora do feminismo no Brasil, sendo também reconhecida por seu empenho em alfabetizar meninas e mulheres. Nísia Floresta também foi uma das primeiras mulheres a publicar artigos em jornais brasileiros, além de ter sido a tradutora do manifesto feminista de Mary Wollstonecraft, “Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens”.





VALENTINA TERESHKOVA

Valentina T. (1937 - )

Valentina Tereshkova é a primeira cosmonauta e a primeira mulher a ter ido ao espaço, em 16 de junho de 1963, na nave Vostok VI.

Verdadeira heroína nacional após o sucesso de sua missão, condecorada por líderes soviéticos, russos e estrangeiros de várias nações, nos anos seguintes se tornou proeminente na sociedade e na política do país, primeiro na União Soviética e depois na Rússia. Até os dias atuais, é a única mulher a ter feito um voo solo ao espaço por três dias (71h).

Os cosmonautas Yuri Gagarin e Pavel Popovich, Valentina Tereshkova e o Premier Nikita Krushev em cerimônia no mausoléu de Lênin  em Moscou (junho de 1963).

Valentina T. Com o traje espacial em 19/julho/1963



Os cosmonautas Valentina Tereshkova e Valery Bykovsky, antes de seu voo em junho de 1963.


Selo comemorativo ao voo de 16/junho/1963.

Em junho de 1963, a União Soviética colocou duas espaçonaves simultaneamente no espaço, lançadas com diferença de dois dias, a Vostok V e a Vostok VI. A primeira foi pilotada por Valery Bykovsky, que bateu o recorde de resistência no espaço, quando completou uma missão de cinco dias. Valentina voou na Vostok VI, lançada de Baikonur em 16 de junho, tornando-se a primeira mulher no espaço. Ela completou 48 órbitas ao redor da Terra, no total de 71 horas, quase três dias, apesar das náuseas, vômitos, segundo ela pela qualidade da comida a bordo – de dores fortes na canela direita a partir do segundo dia e do desconforto psicológico que sentiu. Depois de chegarem a permanecer em órbita a uma distância de 5 km uma da outra, com Bykovsky e Tereshkova trocando impressões e saudações por rádio entre si e com o controle de terra, ambas as naves aterrissaram no dia 19 de junho.

Além da falta de rádio após a nave ser colocada em órbita descendente e iniciar os procedimentos de descida, quando ejetada da Vostok VI já na atmosfera e continuar a descer de paraquedas, esteve próxima de cair dentro de um lago. Ela narra em suas memórias que se isso acontecesse talvez não conseguisse sobreviver, sem forças para nadar até a borda, estando desidratada, exausta, com fome pelas náuseas que praticamente a impediram de comer em órbita, e psicologicamente afetada pela viagem, em princípio programada para um dia mas alongada para três, pela sensação que causou no mundo seu lançamento. 
Entretanto um forte vento mudou a direção do paraquedas e a fez cair em terra firme. Mesmo assim, o impacto foi muito forte e ela ficou com uma grande mancha roxa no nariz, devido ao impacto no capacete. Seus três dias a bordo da Vostok eram então mais tempo no espaço que todos os astronautas norte-americanos tinham juntos. Só nos anos 1980 uma mulher russa voltaria ao espaço.

Tereshkova com a norte-americana Angela Davis em 1973 em Berlim Oriental, Alemanha Oriental.

No local onde Valentina pousou, existe hoje um pequeno parque com uma estátua de prata retratando a cosmonauta com os braços abertos, vestida em traje espacial e sem capacete. Seu sinal de chamada na Vostok VI, "Chaika" (gaivota), tornou-se seu apelido entre o povo soviético. Uma cratera na Lua, Tereshkova e um asteróide, 1671 Chaika, foram batizados em sua homenagem.



















Fonte









04 março 2024

PARAÍSO E INFERNO

ENTÃO VOCÊ ACHA QUE PODE DISTINGUIR PARAÍSO DO INFERNO? 


Milly Lacombe Colunista do UOL
02/03/2024

Começa com esse verso a canção “Wish you were here” (“Gostaria que você estivesse aqui”), do Pink Floyd: So you think you can tell heaven from hell?
Você é capaz de distinguir céu azul de dor? Um sorriso de um véu? Fizeram você trocar seus heróis por fantasmas? Fumaça por árvore? Ar quente por uma brisa?
Esses versos estão na música composta na metade dos anos 70. 
A letra fala da falta de capacidade de perceber a realidade ao nosso redor e aponta para as trocas que somos encorajados a fazer na vida. Fala de entorpecimento, de fuga, de quebras, de rompimento.
Pensei nela assistindo ao dilacerante "Zona de Interesse", que conta a história da família do diretor geral de Auschwitz e de sua casa ao lado do campo de concentração: jardins, piscina, muitos empregados, luxo, fartura. Ao fundo, as chaminés queimam com vidas humanas e ninguém se importa. A existência segue com as crianças correndo na grama, vinho gelado sendo servido ao ar livre num fim de tarde. Gritos e gemidos de morte são escutados ao fundo. Não importam. Não são pessoas que estão morrendo, são coisas, gente abaixo da humanidade.
Quando o filme terminou eu estava catatônica.
Escrevi sobre ele nesse texto aqui (“Fomos Cúmplices”), mas ainda sem conseguir alcançar o que sentia. Finalmente, escutando Pink Floyd, entendi: nós somos a família alemã ao lado do campo de concentração.

Ataques de Israel contra o povo palestino famélico e privado de toda liberdade (29/II/2024). 

Somos as pessoas que não se importam com os assassinatos na Baixada Santista. Que naturalizam discursos abjetos como o do governador de São Paulo explicando com frieza tétrica por que essas operações policiais são necessárias, construído a ideia do inimigo que precisa ser eliminado, o outro absoluto, abaixo da humanidade.
Somos as pessoas que assistem ao Jornal Nacional produzido no dia em que 112 palestinos famintos foram assassinados enquanto esperavam que a esmola humanitária fosse arremessada sobre suas cabeças e não têm impulso de quebrar o aparelho de TV de tanta raiva testemunhando a naturalização do horror através daquelas vozes tão familiares, que falam de modo tão manso, quase doce.
Como noticiar com pompa e verniz, conferindo espaço para a naturalização do horror, aquilo que só poderia ser devidamente comunicado com o fígado e com lágrimas. Tivemos uma aula. Edição histórica do JN - e não por motivos éticos.
Não nos perguntamos como exatamente tanques, armas e bombas conseguem entrar por terra mas a esmola humanitária precisa ser jogada do céu criando ainda mais angústias, medos, aflições e terror entre os que esperam a comida cair sobre suas testas.
Existe entre os médicos-heróis que seguem trabalhando em Gaza uma nova nomenclatura para alguns pacientes: WCNSF. Quer dizer Criança Ferida Sem Família Sobrevivente (Wounded Child No Surviving Family)
A Tv não mostra, não fala, não revela.
Pessoas morreram durante a confusão por comida, é o que nos dizem com suas vozes sérias, mas ainda bastante amenas.
Vai começar a novela? Tá demorado esse Jornal Nacional de hoje, nossa. Ah, acabou. Ufa.
A fúria com que se tenta fabricar consenso, como coloca o linguista Noam Chomsky, é comovente. O que mais se produz no norte global é plástico e consenso. Arremessam sobre nossas cabeças as histórias que precisam vingar para que sigamos sem conseguir distinguir céu de inferno. Aceitamos. A vida é corrida. Trabalho. Pagar boletos. Tentar resistir.
Seria o caso de começarmos a falar de fake news de forma mais alargada.
O que acontece nas favelas e periferias do Brasil exatamente? Por que a polícia tem o direito de entrar atirando? Por que aceitamos tão passivamente que pessoas sejam assim exterminadas? Não nos enojamos que a televisão fale na cara dura do direito de ir e vir de manifestantes de inclinações nazi-fascistas mas não ligue que jovens negros não possam circular livremente pelos bairros ricos desse país à noite? Não nos importamos que mulheres não possam circular livremente pela cidade, pelo transporte público, em suas casas, sem correr o risco de serem abusadas? A TV se importa com o direito de ir e vir dos manifestantes indo para a Paulista defender a tortura e com nada mais. Deixem os fascistas circularem em paz!
Não somos capazes de olhar para o passado e tirar dele o exato momento em que precisamos nos levantar e berrar? Nos achamos assim tão diferentes dos oficiais nazistas, dos sul-africanos brancos do Apartheid, dos senhores e das sinhás de pessoas escravizadas, das mulheres dos oficiais nazistas que seguiam servindo o jantar em louça chinesa enquanto ali ao lado judeus eram queimados vivos? Dos colonizadores que invadiram as Américas e aniquilaram culturas e civilizações?
Será que conseguimos distinguir um nazi-fascista de um político de dentes muito brancos e terno de corte fino que fala mansamente as piores coisas? Uma manifestação que bajula tortura e torturador de atos democráticos?
Qual é o exato momento do levante? Quando diremos basta? Em que momento a água de nossa humanidade finalmente ferverá? Quando entenderemos que se alguns de nós já estão no inferno então todos estamos?







Fonte 


























IMAGENS DESENHO