INÍCIO

11 abril 2026

IMAGENS DO CONSTRUTIVISMO

CONSTRUTIVISMO RUSSO


Uma arte construtiva que não decora, mas organiza a vida” (El Lissitzky, 1922)

A experiência visual humana é fundamental no aprendizado para que se possa compreender o meio ambiente e reagir a ele; visualizar criativa e sistematicamente os processos de interpretação exige interação e adequação do uso e das funções de um obieto conforme as necessidades de um usuário ou receptor.
(Donis A. Dondis, 2007).


Monumento a Terceira Internacional: desenhado por Vladimir Tatlin, era símbolo da força revolucionária de uma humanidade emancipada. Realizada em aço e vidro, constituída por duas potentes espirais que demonstravam todo o potencial expressivo de uma estrutura técnica moderna.


O Construtivismo Russo foi um movimento artístico filosófico e arquitetônico de vanguarda, surgido na Rússia por volta de 1913-1915 e consolidado após a Revolução Russa de 1917, que propunha uma "arte técnica, funcional e objetiva" a serviço da sociedade socialista proletária. Rompendo com a arte decorativa, adotou formas geométricas e materiais industriais como o aço, o vidro, tintas industriais, madeira compensada).

O que foi o Construtivismo?

O Construtivismo foi um movimento artístico e filosófico surgido na Rússia por volta de 1913-1915, consolidando-se após a Revolução de 1917. Seu auge ocorreu entre 1919 e 1925. Diferente da arte tradicional, os construtivistas rejeitavam a “arte pela arte” e propunham uma arte utilitária, voltada para a construção da nova sociedade socialista. Artistas como Tatlin, Malevich, Rodchenko, Lissitzky, Naum Gabo, Pevsner, Popova, Vesnin, Stepanova entre outros, levaram a arte a evoluir do representativo para o mundo cotidiano, atendendo função da arte social: ter um papel prático na vida da população. Os artistas desse movimento abdicaram a concepção artística meramente contemplativa, buscando formas de expressões artísticas que pudessem transformar a arte estabelecendo um novo paradigma de arte com sensibilidade, crítica e participação, que ajudava no desenvolvimento da nova arte Construtivista, a qual recebia grandes influências do modernismo europeu, como explica Salles: "A chamada vanguarda russa tinha como objetivo primordial a busca pelas estruturas formativas do olhar, olhar esse que não vê o mundo mas, antes o define, o conforma, o estabelece enquanto realidade" (SALLES, 2001. p.11). Nascido da ideia de "construir", segundo Hollis (2000), o Movimento Construtivista foi pautado pela abstração e pelo geometrismo, seus artistas tornaram-se pioneiros por fixar uma estética na arte moderna, usando experimentos utilizando novos materiais, cores, texturas, objetos variados, desenhos, formas, temáticas entre outros, de forma única ou combinados. Rodchenko, por exemplo, usou para a produção de suas obras: fotografias, esculturas, pinturas, elementos de design.(Dos Santos, 2014).

Principais características

1. Arte como construção e uso de materiais industriais 
A obra não é “composição”, mas sim uma construção objetiva, feita com materiais industriais (vidro, metal, como ferro, cobre bronze, madeira compensada, plástico, pregos) refletindo o dinamismo e a tecnologia da Revolução Industrial.

2. A "Construção" vs. "Representação"
O objetivo do Construtivismo não era pintar ou decorar, mas sim construir objetos (máquinas, prédios, cartazes) funcionais para a nova realidade social.

3. Funcionalismo 
A arte deve servir à vida prática: design de móveis, cartazes, vestuário, arquitetura, tipografia.

4. Geometria e abstração 
Uso de formas geométricas elementares (linhas, círculos, retângulos) e cores primárias ou preto/branco.

5. Rejeição da expressividade subjetiva 
O artista é um “engenheiro” ou “operário da cultura”, não um gênio inspirado.

6. Dinamismo e estrutura 
Ênfase na estrutura interna da obra, muitas vezes explorando movimento real (móveis) ou virtual.

7. Arte produtivista
Nos anos 1920, o movimento defende que o artista deve produzir objetos úteis para a indústria e para o cotidiano coletivo.

8. Influência Multidisciplinar
Abarcou escultura, arquitetura, design gráfico, fotografia, moda e cinema, influenciando escolas como a Bauhaus.

9. Fim da Arte "Pura"
Rejeitavam a arte burguesa subjetiva, buscando uma arte utilitária que fosse compreensível e útil para o proletariado. Dessa forma, não existia mais lugar para pintura de cavalete.



Artistas importantes


Líderes e Fundadores
Vladimir Tatlin, Aleksandr Rodchenko, El Lissitzky, Naum Gabo e Antoine Pevsner.

Vladimir Tatlin – Pai do construtivismo. Criou o projeto do Monumento à III Internacional (Torre de Tatlin, 1919-20), uma espiral de aço e vidro para abrigar reuniões do Comintern.

Aleksandr Rodchenko – Pintor, fotógrafo e designer. Criou cartazes, móveis dobráveis e a famosa série de pinturas Preto sobre Preto (1918) – resposta ao Preto sobre Branco de Malevich.

Liubov Popova – Pioneira do design têxtil e cenográfico. Suas “construções espaciais” combinam planos coloridos sobrepostos.

El Lissitzky – Criador dos Proun (Projetos para a afirmação do novo), que uniam pintura, arquitetura e tipografia. Influenciou a Bauhaus.

Varvara Stepanova – Designer têxtil e de vestuário para o trabalhador, além de colaboradora de Rodchenko.

Surgimento e contexto

Surgiu no período imediatamente posterior à Revolução Russa, quando muitos artistas acreditaram que a arte poderia ajudar a construir o novo homem e a nova vida coletiva. Inicialmente ligado ao Futurismo Russo e ao Suprematismo (de Malevich), dele se separa ao rejeitar a espiritualidade e o misticismo daqueles movimentos, adotando uma postura materialista e produtivista.

Em 1921, Rodchenko e outros assinam o manifesto “O construtivismo é a arte proletária internacional”. O movimento declara o fim da pintura de cavalete e propõe a arte na fábrica.

Declínio

Com o início do realismo socialista (década de 1930), o construtivismo foi reprimido pelo regime stalinista, por ser considerado “formalista” e “burguês”.  
O movimento como um todo iniciou seu declínio em meados da década de 1920, mas deixou um legado profundo na arte moderna e no design ocidental, caracterizado pela montagem, formas geométricas claras e assimetria. Muitos artistas foram silenciados pelo regime stalinista ou emigraram para a Europa.


ALGUMAS OBRAS






El Lissitzky (Rússia, 1890-1941) “A História de dois quadrados”.

El Lissitzky (Rússia, 1890-1941) “A História de dois quadrados”, 1922. 27.8 x 22.5 cm. Ou "Sobre 2 Quadrados" (1922), de El Lissitzky, é uma obra-prima suprematista/construtivista russa, que narra, de forma abstrata, a história de dois quadrados (um preto, um vermelho) que viajam para o espaço e organizam um mundo caótico na Terra. O livro é um clássico do design gráfico que desafia a narrativa tradicional infantil com formas geométricas. 

Principais Pontos da Obra "Sobre 2 Quadrados":
História e Estilo: O livro foi criado em 1920 e lançado em 1922. É considerado um "conto suprematista em seis construções", usando formas geométricas para transmitir uma narrativa não figurativa, focada na transformação e no design, o que foi revolucionário para a época.
A Trama: Lissitzky cria uma narrativa onde dois quadrados intergalácticos chegam à Terra e, ao verem um cenário tumultuado e "escuro", iniciam um processo de transformação, trazendo ordem e novas estruturas, sendo uma metáfora artística de vanguarda.
Recepção: Considerado um livro de vanguarda que, ainda hoje, desafia as convenções de literatura infantil e design, sendo descrito como um "livro de proposta" ou literatura disruptiva.











Esta História de dois quadrados foi concebida inicialmente como um livro infantil. É um dos primeiros exemplos de um livro de artista, no sentido de que não há um texto a ser ilustrado, e sim um grupo de imagens que formam a narrativa. O livro tem uma seqüência de imagens ou construções em que se desenrolam a história de dois quadrados extraterrestres, um vermelho e outro preto, chegados à Terra para assistir a uma tempestade. Depois da tempestade surge uma estrutura tridimensional no quadrado preto, coberta pelo quadrado vermelho. O quadrado preto recua, mas não desaparece completamente. A saliência de formas planas dá lugar ao espaço pluridimensional típico do PROUN, depois à dispersão de elementos e, finalmente, a uma recomposição com uma superfície vista por cima, numa espécie de visão aérea. Um dos elementos marcantes desse cartaz é o uso do vermelho e do preto, cores fortes, e figuras geométricas, que causam impacto aliadas aos tipos sem serifa. A regra da leitura na horizontal, encimada (colocar sobre) pela ilustração, dá lugar a composições diagonais e letras capitais de tamanho diferenciado. Um dos seus objetivos é a absorção rápida da informação, reforçada pela rarefação do texto e pelo uso de tipografia de linhas simples. Cria também trocadilhos com palavras e formas. A leitura reforça a dimensão visual, que tem por base o diagrama: os elementos podem ser combinados em várias formas globais, ou diferentes.(construtivismo)

Eis a seqüência do texto (numa tradução do inglês):

“– Não leias, pega em papel, pinos, blocos, dispõe, colore, constrói

– aqui estão dois quadrados

– voam para a Terra vinda de longe

– e vêem preto. Alarmante.

– Choque. Tudo se espalha.

– E no preto estabelece-se vermelho. Claramente.

– Aqui acaba. Adiante.” (cultartecontemp)


PROUN: Lissitzky cria o Proun - representações geométricas com as mais diversas combinações de formas geométricas. Proun significa cidade, ponte. A proposta do Proun começa do plano, passa à construção de modelos tridimensionais depois à construção de objetos de nossa vida cotidiana. Proun supera a separação entre arte, artistas, arquitetos e engenheiros. Dedica-se a a construção do espaço, organiza as dimensões deste por meio dos seus elementos, cria uma nova imagem multifacetada mas unificada, de nossa natureza. Proun é uma espécie de protótipo estético. Ênfase dada à manipulação do espaço enquanto função primaria do Proun: massa, espaço, plano, proporção, ritmo. O material transforma-se em forma através da construção, a economia de meios é necessária. Proun é uma formação criativa de dominação do espaço por meio da construção econômica com material reavaliado. O Proun foi uma dos conceitos mais utilizados pelos arquitetos e artistas que até nos tempos atuais ele ainda é utilizado. O Proun foi um dos conceitos mais utilizados pelos arquitetos e artistas, permanecendo atual e em uso até nossos dias(cultartecontemp).



Vladmir Tatlin (Rússia, 1885-1853) Monumento a Terceira Internacional, 1919.

O construtivismo russo se desenvolve em construções tridimensionais como o Monumento a Terceira Internacional de Vladimir Tatlin, feito com ferro, vidro e madeira, em harmonia com as idéias socialistas. Os artistas construtivistas russos entusiasmam-se por uma forma de arte despida de aura, mais próxima ao povo, ao alcance de todos. Usando materiais industrializados empregados no uso cotidiano, colocaram a arte a serviço do bem comunitário, atuando na direção utilitária do desenho industrial e arquitetura. Esta obra exprime a fórmula mais típica e caracterizadora do construtivismo o utilitarismo mais a representatividade.

"O modelo de Tatlin para um Monumento à Terceira Internacional captura o dinamismo da utopia tecnológica vista sob o prisma do comunismo; a energia pura é expressa como linhas de força que também estabelecem novas relações de tempo e espaço. A obra também evoca uma nova estrutura social, pois os construtivistas acreditavam que o poder da arte seria literalmente capaz de reformar a sociedade. Essa extraordinária torre que gira em três velocidades foi concebida numa escala monumental, completada com os escritórios do Partido Comunista; como outros projetos desse tipo, foi totalmente impraticável numa sociedade que ainda estava se recuperando da devastação causada pelas guerras e pela revolução, nunca foi construída".



Vladmir Tatlin (Rússia, 1885-1853). Contra-relevo de canto, 1915, técnica mista, 78,8 x 152,4 x 76,2 cm.

Vladmir Tatlin (Rússia, 1885-1853).
Com um trabalho que decorre exclusivamente das diferentes propriedades dos materiais empregues: metal, madeira, vidro, cartão, ferro, gesso etc. As superfícies surgem marcadas por fumo, pó, etc. Incorporando a própria história ou as marcas deixadas nos materiais. Os jogos de cor resultavam da exposição nua dos materiais, sem os jogos ‘irônicos’ entre a simulação e a superfície da colagem cubista. As qualidades dos materiais deveriam ser explicitadas pelas suas relações. O controle rítmico e a construção derivam do material e do tratamento que lhe pode dar. As construções de Tatlin não buscam a representação de objetos ou idéias. Elas são objetos reais, projetados para ocupar espaços reais, projetado para ocupar o canto de uma sala, na posição que os tradicionais ícones religiosos ocupavam nas casas de família. Apresentado assim, provocativamente como um novo ícone.

“O sentido do construtivismo, tal como concebia Tatlin era de que a arte não deveria servir como uma representação ilusionista da realidade, mas sim uma realidade tão palpável e completa como qualquer outro objeto dentro do mundo. Deveria expressar então, relações reais entre as coisas reais, expressas à maneira de Tatlin, como relações matemáticas de tensão, equilíbrio e movimento intrínsecos ao objeto. Um buraco em sua teoria inicial porém, estava no fato de que, objetos reais no mundo real requeriam uma utilidade prática, uma necessidade funcional, ou seriam relegados ao mundo meramente intelectual, uma necessidade expressiva ou emocional do artista. Ao se dar conta desse problema, Tatlin conclui que a arte, da maneira como era concebida, não representava mais que o fruto podre de uma sociedade decadente. A partir daí, ele adota como seu slogan, “a arte para a vida”.


O "Contra-relevo de Canto" (1914-1915) de Vladimir Tatlin é uma obra fundamental do Construtivismo Russo que rompeu com a escultura tradicional. Instalada nos cantos das salas, a obra tridimensional abstrata usa materiais industriais (ferro, alumínio, arame) suspensos por cabos, focando na relação entre objeto, espaço e tensão física. 
Pontos-chave do Contra-relevo de Canto:
Inovação Espacial: Ao colocar a obra no canto, Tatlin eliminou o pedestal tradicional e rompeu a moldura retangular convencional, fazendo com que a escultura interaja diretamente com a arquitetura.
Influência Industrial: Inspirado pelo Futurismo (especialmente Boccioni), Tatlin utilizou materiais modernos, refletindo o dinamismo industrial e a estética construtivista.
Abstração e Tensão: As obras não representam objetos da natureza; em vez disso, focam na textura, no equilíbrio e na tensão literal criada por fios e materiais.
Intervenção no Espaço: A obra transforma o ambiente ao redor, tornando o espaço arquitetônico parte integrante da composição. 

Esta série de obras foi um marco na passagem da arte figurativa para uma "arte de construção", antecipando o movimento construtivista soviético.




Rodchenko 





































Alexander Rodchenko



















Bibliografia



BOWN, Matthew Cullerne. Arte Soviética: 1917-1935. Editora Perspectiva, 1991.

JANSON, H. W. Iniciação à história da arte. 2ªed. São Paulo. Martins Fontes, 1996, p. 407)

LODDER, Christina. O Construtivismo Russo. Editora Jorge Zahar, 2008.

RICKEN, Ulrich. O Construtivismo Russo: Conceitos e Obras-Primas. Taschen, 2001.

RODCHENKO, Aleksandr. O Construtivismo e a Arte na Produção. In: Manifestos do Construtivismo Russo (org. Stephen Bann). Ed. Martins Fontes, 1995.

http://cultartecontemp.blogspot.com/

http://valiteratura.blogspot.com/2011/12/vladimir-tatlin-e-o-construtivismo.html#google_vignette

https://colegiodearquitetos.com.br/wp-content/uploads/2017/04/2014LeonardoSchwertnerdosSantos.pdf

http://construtivismo-up.blogspot.com/2011/06/analise-das-obras.html

http://arquifive.blogspot.com/2010/03/construtivismo-russo.html