INÍCIO

30 outubro 2022

ANTINOUS

AVE! ANTINOUS


Antinous como o deus Dionisus (aminoapps)

Antinous, Braschi, Louvre




Antinous Museo Nazionale Romano, Palazzo Massimo, Roma.

☆☆☆
Sem Hadrianus não existiria Antinous 
nem seu culto... 
Agradecemos a Antonino Pio e Marcus Aurelius

Publius Aelius Trajano Hadrianus

Publius Aelius Hadrianus, nasceu a 24 de janeiro de 76 e morreu em 10 de julho de 138, em Baiae (Baia), perto de Nápoles, ItáliaHadriano, escrito Adrianus, em latim por extenso César Traianus Hadrianus Augustus, nome original (até 117 dC) Publius Aelius Hadrianus, imperador romano (117–138 EC), primo e sucessor do imperador Trajano. Adriano era um profundo admirador da civilização grega e tomou como missão a unificação e a consolidação do vasto império de Roma. Ele foi o terceiro dos chamados Cinco Bons Imperadores (Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio).

Ao nascer recebeu o nome de Públius Aelius Trajano Hadrianus. Era filho de Públio Élio Adriano Afer, um senador romano primo do imperador Trajano (Marcus Ulpius Traianus). 

Sua família provinha de Piceno, e havia se estabelecido em Itálica pouco depois da sua fundação por Cipião Africanus. Sua mãe foi Domítia Paulina, que também vinha de uma ilustre família senatorial romana radicada em Gades (Cádiz). Teve apenas uma irmã, Domícia Paulina, a Jovem.

Públius Aélius Trajanus Hadrianus, (ou simplesmente Adriano, Hadriano) nascido talvez em Itálica, na província da Bética, Hispânia, e parente do imperador Trajano (ele era neto de uma tia de Trajano, o que o fazia primo do imperador em segundo grau), por quem foi adotado. Hadriano tornou-se imperador, com o apoio da mulher de Trajano e  sobretudo do exército, entre 117 e 138 da nossa era.

Coom já referido seu pai pertencia à Ordem Senatorial e era primo do imperador Trajano. Quando este faleceu, a imperatriz-viúva, Pompeia Plotina, alegou que em seu leito de morte seu marido havia adotado Adriano e o nomeado sucessor. 

É incerto se isso realmente ocorreu, mas o Senado e o Exército aprovaram a escolha. Porém, pouco depois quatro importantes senadores que haviam se oposto foram acusados de conspiração pelo prefeito pretoriano Públio Acílio Aciano e condenados à morte ilegalmente. 

O Senado responsabilizou Adriano pelo crime e nunca o perdoou. Fez outros opositores ao abandonar a política expansionista de seu antecessor e alguns territórios recentemente conquistados, como a Assíria, a Mesopotâmia, a Armênia e partes da Dácia, preferindo investir na consolidação das fronteiras e na unificação dos diversos povos que viviam no Império (WP).

Foi um imperador viajante, realizando visitas de inspeção a quase todas as províncias e passando muito tempo longe de Roma e da vida na acorte. E esse fato contribuiu para que seu reinado fosse longo e sem muitas intrigas, enfrentados por outros imperadores. 

Encorajou a disciplina e a prontidão no Exército além disso, promoveu, projetou ou financiou pessoalmente várias instituições e edifícios civis e religiosos em Roma e por todo o império. 

Em Roma reconstruiu o Panteão, Πάνθειον, Pantheion, "templo de todos os deuses", que havia sido encomendado por Marco Vipsânio Agripa, construido pelo arquiteto Apollodorus de Damasco, durante o reinado do imperador Augusto (c. 27 a.C.–14 d.C.) (WP) e construiu o grande Templo de Vênus. 

Era um amante da cultura grega e procurou fazer de Atenas a capital cultural do Império, ordenando a construção de vários templos suntuosos nesta cidade.

Hadrian e Víbia Sabina

Adriano de armadura, usando o gorgoneion em seu peitoral.
Mármore, arte romana, c. 127–128 dC, de Heraklion, Creta, 
agora no Louvre, Paris.

Casado com uma sobrinha‐neta de Trajano, Víbia Sabina, entre 120 e 131, Adriano percorreu as províncias imperiais, da Britânia à Grécia e ao Egito, com o objetivo de consolidar a paz imperial e de garantir a segurança aquém dos limites do território (Rodrigues, s/d).

Estátua de bronze do imperador Hadriano (117–138 AD) descoberta no Acampamento da Sexta Legiaão romana em Tel Shalem; Israel Museum, Jerusalem. (Fonte: Carole Raddato from FRANKFURT, Germany)

Segundo Rodriguez (s/d) “o conhecimento que o príncipe tinha das fronteiras imperiais era, significativo, o que deverá explicar muitas das decisões políticas que tomou, e.g., a construção do muro na Britânia. Por outro lado, Adriano conhecia bem o exército romano e a vida militar, que iniciara aos 15 anos, na Hispânia, e que continuaria depois na Panónia, na Macedónia, na Germânia Superior, na Dácia e na Síria. Entre 132 e 135, Adriano enfrentou o conflito bélico mais sério do seu principado, a chamada "Revolta de Bar Kokhba", que trouxe à ordem do dia o problema judaico em território palestinense, e que acabou por levar à destruição de Jerusalém, depois da renomeação dessa cidade como Colônia Aélia Capitolina, da edificação do templo dedicado a Júpiter, da proibição da circuncisão e da deportação em massa de judeus do seu território natal.

Adriano foi ainda o autor de uma série de importantes reformas administrativas, como a substituição dos libertos (que desde o tempo de Cláudio, pelo menos, ocupavam lugares cimeiros na administração do Império) nos quadros da burocracia imperial por indivíduos pertencentes à classe equestre; a reorganização do exército; e o controle da política fiscal, designadamente ao nível das províncias, onde a corrupção se tinha instalado havia algum tempo. Com Adriano nota‐se, portanto, uma preocupação em manter a unidade do território imperial e o controle efetivo das províncias por parte da máquina administrativa do Estado.(Rodrigues, s/d)

Não são poucos os autores que consideram que Adriano terá sido um dos imperadores romanos com mais erudição e “preocupações culturais”. 

Com efeito, este príncipe teria sido um intelectual com especial apreço pela Hélade e pela cultura helénica. Infelizmente, porém, os seus escritos (que incluiriam discursos, suas cartas e uma autobiografia que terá sugerido a M. Yourcenar o seu Mémoires d ’Hadrien, de 1951) ter‐se‐ão perdido. 

A cidade de Atenas, em particular, onde Adriano exerceu o cargo de arconte, foi beneficiada pela política cultural do período adriânico, recebendo do imperador uma biblioteca, um ginásio e um pórtico, e viu a conclusão do templo de Zeus Olímpico, que fora iniciado no tempo de Pisístrato, cerca de sete séculos antes. 

Recorde‐se que, na sua juventude, Adriano fora alcunhado de Graeculus, tal era a sua paixão pela cultura grega, o que também se refletiu no fato de ter sido iniciado nos Mistérios de Elêusis

Rodrigues (s/d) também nos informa que o imperador instituiu o conselho de todas as cidades gregas, que ficou conhecido como Panhellenion. Em Roma, o Príncipe fundou o Ateneu, um espaço destinado ao exercício da retórica através da apresentação de discursos e de “conferências”. Várias foram, também, as construções levadas a cabo por ordem de Adriano, mas aquela em que o seu filo‑helenismo melhor se evidencia é sem dúvida a celebrizada Villa Adriana em Tíbur (Tivoli), na qual se conservavam magníficos exemplares e reminiscências da estética neo‑helênica do período imperial, além de uma impressionante planta arquitetônica. 

Por outro lado, há que referir que o filo‑helenismo de Adriano justificou‑lhe e angariou‑lhe considerável oposição política em Roma.
Também ao nível da composição da sua própria figura, Adriano parece refletir esse gosto helênico. É dos primeiros imperadores, por exemplo, a fazer‑se retratar barbado, tal como era moda no mundo grego (ao contrário do estilo romano clássico, que valorizava o rosto masculino imberbe). Por conseguinte, parece ser também no quadro do comportamento filo‑helénico de Adriano que podemos incluir a figura de Antínoo (Rodrigues, s/d).

Em setembro de 128, Adriano participou pela segunda vez dos Mistérios de Elêusis. Desta vez, sua visita à Grécia parece ter se concentrado em Atenas e Esparta, as duas antigas rivais pelo domínio da Grécia. Adriano havia brincado com a ideia de concentrar o renascimento grego em torno da Liga Anfictionica com sede em Delfos, mas agora ele havia decidido algo muito maior. Seu novo Panhellenion seria um conselho que reuniria as cidades gregas. 

Da Grécia, Adriano seguiu pela Ásia para o Egito, provavelmente transportado através do Egeu com sua comitiva por um mercador de Éfeso, Lúcio Erasto. Adriano mais tarde enviou uma carta ao Concelho de Éfeso, apoiando Erasto como um candidato digno a (Town Councillor) vereador e oferecendo o pagamento da taxa necessária. 

Adriano chegou ao Egito antes do Ano Novo egípcio em 29 de agosto de 130. Ele abriu sua estada no Egito restaurando a tumba de Pompeu, o Grande, em Pelusium, oferecendo sacrifício a ele como um herói e compondo uma epígrafe para a tumba. Como Pompeu foi universalmente reconhecido como responsável por estabelecer o poder de Roma no leste, essa restauração provavelmente estava ligada à necessidade de reafirmar a hegemonia romana oriental, após a agitação social durante o final do reinado de Trajano (WP). 

Adriano e Antinous realizaram uma caça ao leão no deserto da Líbia; um poema sobre o assunto do grego Pankrates é a evidência mais antiga de que eles viajaram juntos. 

Enquanto Adriano e sua comitiva navegavam, descendo o rio Nilo, Antínoo se afogou. As circunstâncias exatas em torno de sua morte são desconhecidas, e acidente, suicídio, assassinato e sacrifício religioso foram todos postulados. 

A Historia Augusta oferece o seguinte relato: Durante uma viagem no Nilo, ele perdeu Antínoo, seu favorito, e por esse jovem chorou como uma mulher. Sobre este incidente existem vários rumores; pois alguns afirmam que ele se dedicou à morte por Adriano, e outros – o que tanto sua beleza quanto a sensualidade de Adriano sugerem. Mas seja como for, os gregos o divinizaram a pedido de Adriano e declararam que os oráculos foram dados por meio de sua agência, mas estes, é comumente afirmado, foram compostos pelo próprio Adriano (WP).

Busto de Hadriano e Antinous (British museum)
(Fonte: Carole Raddato, WP)

Adriano considerou Antinous uma divindade sincrética como Osíris-Antinous e este foi deificado por um sacerdote egípcio no antigo Templo de Ramsés II, muito perto do local onde ocorreu sua morte. Adriano dedicou ali um novo complexo cidade-templo, construído em estilo greco-romano, e o chamou de Antinoópolis. 

Era uma polis grega propriamente dita; foi concedido um esquema alimentar imperialmente subsidiado semelhante à "Alimenta" de Trajano, e seus cidadãos foram autorizados a casar com membros da população nativa, sem perda de status ou da cidadania. 

Adriano identificou assim um culto nativo existente (a Osíris) com o domínio romano. O culto de Antinous se tornaria muito popular no mundo de língua grega e também encontrou apoio no Ocidente. Na villa de Adriano, estátuas dos Tiranicidas, com um Aristogeiton barbudo e um Harmodios barbeado, ligavam seu favorito à tradição clássica do amor grego. No oeste, Antinous foi identificado com o deus-sol celta Belenos.

Adriano foi criticado pela intensidade aberta de sua dor pela morte de Antínoo, particularmente porque ele atrasou a apoteose de sua própria irmã Paulina após sua morte. No entanto, sua recriação do jovem falecido como uma figura de culto encontrou pouca oposição. Embora não seja um súdito do culto imperial romano oficial patrocinado pelo Estado, Antínoo ofereceu um foco comum para o imperador e seus súditos, enfatizando seu senso de comunidade. 

Medalhas foram cunhadas com sua efígie e estátuas erguidas para ele em todas as partes do império, em todos os tipos de vestimentas, incluindo roupas egípcias. 

Templos foram construídos para sua adoração na Bitínia e Mantineia na Arcádia. Em Atenas, celebravam-se festivais em sua honra e oráculos proferidos em seu nome. Como uma figura de culto "internacional", Antinous teve uma fama duradoura, superando em muito o reinado de Adriano. Moedas locais com sua efígie ainda estavam sendo cunhadas durante o reinado de Caracalla, e ele foi invocado em um poema para celebrar a ascensão de Diocleciano (WP).

Adriano foi descrito como o mais versátil de todos os imperadores romanos, que "encobriu habilmente uma mente invejosa, melancólica, hedonista e excessiva em relação à sua própria ostentação; ele simulou contenção, afabilidade, clemência e, inversamente, disfarçou o ardor pela fama com que ele queimou." Seu sucessor Marco Aurélio, em suas Meditações, lista aqueles a quem ele deve uma dívida de gratidão; Adriano está visivelmente ausente. A relação tensa e autoritária de Adriano com o Senado foi reconhecida uma geração depois de sua morte por Fronto, ele próprio senador, que escreveu em uma de suas cartas a Marco Aurélio que "Eu louvei o deificado Adriano, seu avô, no Senado em várias ocasiões com grande entusiasmo, e também o fiz de boa vontade [...] do que amá-lo." Fronto acrescenta, em outra carta, que manteve algumas amizades, durante o reinado de Adriano, "sob risco de minha vida" (cum periculo capitis). Adriano destacou o caráter autocrático de seu reinado contando seus dies imperii a partir do dia de sua aclamação pelos exércitos, em vez do Senado, e legislando pelo uso frequente de decretos imperiais para contornar a aprovação do Senado. O antagonismo velado entre Adriano e o Senado nunca cresceu para um confronto aberto como aconteceu durante os reinados de imperadores abertamente "maus", porque Adriano sabia como permanecer distante e evitar um confronto aberto. O fato de Adriano ter passado metade de seu reinado longe de Roma em constantes viagens provavelmente ajudou a mitigar o pior dessa relação permanentemente tensa (WP).

A simbologia da flor de Lótus, está associada a quem perde a vida afogado, como Antínous. Como símbolo está associada à pureza espiritual e ao renascimento. Uma das flores mais belas, nasce em meio à lama, inspirando um caminho de purificação e de transcendência em relação a tudo que é considerado impuro no mundo.

Antinous, Antinoös, Ἀντίνοος

27 de Novembro, c. 111 – c. 30 Outubro de 130
Antinous ou Antínoo, Bitínia, 27 de novembro de 111 - 28/30 outubro de 130.

Apesar das inúmeras representações iconográficas que possuímos do jovem Antinous, pouco sabemos de concreto acerca dele, a não ser que era natural da Bitínia, da cidade de Claudiópolis ou de Mantínio, próxima da fronteira com a Paflagónia (Ásia Menor). 

Muito provavelmente, o príncipe conheceu‑o entre 123 e 124 d.C., quando o jovem teria uns 13 anos de idade. Birley coloca a hipótese de o imperador o ter conhecido numa eventual participação nos jogos da juventude de Heracleia, nesses mesmos anos. Não é inverosímil. Mas é difícil afirmá‑lo de forma assertiva, uma vez que carece de um documento que prove essa ideia. 

Dado concreto é aquele que dá como factual a presença de Antínoo na corte de Adriano em 130 d.C., durante a viagem ao Egito. Com efeito, nesse ano, Adriano viajou até ao país do Nilo na companhia de um grupo de personalidades do seu círculo político e social. 

Como nota Birley, "the imperial entourage on these journeys was certainly very considerable: apart from the military escort, and various officials, including the Chief Secretary, with their staff, there would be Hadrian’s personal household of freedmen and slaves, and a variety of specialists." 

Nota, aliás, o mesmo autor que o Epitome de Caesaribus refere a presença do agmen comitantium (a multidão de companheiros) do príncipe, nas suas viagens provinciais. Entre esses que o acompanhavam, seguiam construtores, pedreiros e arquitectos, cuja função era intervirem em construções e decorações de edifícios ao longo da viagem (Rodrigues, s/d).

Havia também caçadores, chegando‑se a sugerir que Antínoo possa ter feito parte deste último grupo no início dos seus contatos com o imperador. A referência ao jovem nos fragmentos do poema de Pâncrates, cujo assunto gira em torno da caça ao leão, parece vir em apoio desta hipótese. Mas quanto a isso pouco ou nada podemos provar (Rodrigues, s/d).

As fontes antigas são unânimes em referirem a beleza do jovem Antínoo e o mais provável é que, no quadro das práticas gregas, o príncipe tivesse assumido o jovem como seu paidika (termo que aliás é usado por Díon Cássio ao se referir ao Bitínio), seu favorito, consumando com ele uma relação de tipo pederástico, tal como era comum em alguns círculos sócio‑culturais da Grécia clássica. A ser assim, Adriano teria passado a ser o erastes de Antínoo e este o eromenos do imperador.

O objetivo da viagem ao Egito, além de se relacionar com a inspecção da província e o reconhecimento do território imperial (há que recordar que o Egito era uma província imperial, o que significa que era governada por um prefeito que pertencia à ordem equestre e não senatorial, tal era a sua importância), deverá ter sido também o de fundar uma polis grega, que passaria a fazer parte do grupo de cidades que em espaço egípcio constituíam modelos gregos de organização, a saber: Náucratis, Alexandria e Ptolemais

Assim, Adriano terá pretendido fortalecer o helenismo romano no Egito, o que por sua vez subjazia a uma agenda política mais ampla e que se relacionava com a forma como o príncipe pensava o Império. A comitiva imperial fez o percurso subindo o Nilo, em direcção ao Sul, começando em Pelúsio e pretendendo terminar em Filas. É possível que o episódio da caça ao leão celebrado por Pâncrates no seu poema tenha aconte‑ cido durante esta viagem. 

Em meados de Outubro de 130 d.C., o grupo chegou a Hermópolis Magna, a cidade do Tot egípcio, deus da filosofia e da ciência, da escrita e das artes, mas também da magia e da astrologia

Adriano terá ficado particularmente impressionado com os sacerdotes locais e ter‑se‑á demorado um pouco mais em Hermópolis. R. Lambert coloca mesmo a hipótese de Adriano e Antínoo terem ali tomado conhecimento de relatos acerca de famosos imortalizados pelo Egipto, como Petosíris ou Isidora, esta uma jovem de 15 anos que apenas um ano antes se afogara no Nilo, ali perto. Como se acreditava que a vida eterna era a recompensa do rio a todos os que nele morriam, Isidora tornara‑se o centro de um culto local, assimilando‑se à própria Ísis ou a uma ninfa das águas. A relação desta história com o que acabou por acontecer a Antínoo logo no ano seguinte é inegável e dificilmente será uma mera coincidência.  

É igualmente provável que, por essa ocasião, se estivesse a celebrar o festival do Nilo e, associado ao mesmo, o aniversário da morte de Osíris. Este festival assinalava a descida das águas do rio e a renovação da fertilidade depois da cheia, sendo por isso um ritual típico dos cultos de fertilidade, de sazonalidade e da natureza

Ali perto, ficava um antigo templo do tempo de Ramsés II, em que se venerava, além de Tot, os deuses Ré, Hathor, Haracte e Bés. Este último era uma divindade particularmente associada à protecção contra perigos vários e, por conseguinte, de forte carácter apotropaico. Afirma Lambert que é verosímil que tanto o imperador como o seu favorito tivessem estabelecido uma relação de natureza supersticiosa entre o nome dessa divindade e o facto de Adriano pertencer ao demo ateniense de Besa.


Antinous, Antinoös, Ἀντίνοος

27 de Novembro, c. 111 – c. 30 Outubro de 130

Antínous ou Antínoo, Bithynia, 27 de novembro de 111 - 28/30 outubro de 130.

Antínous nasceu em uma pequena cidade chamada Bithynium-Claudiopolis, na região noroeste da Ásia Menor, na antiga Anatólia hoje Turkie (Turquia), possivelmente por volta do ano 111 d.C. Fontes históricas trazem 110 ou 112 dC.

Não se tem muitos dados sobre sua família. Embora acredita-se que Antinous nasceu em Claudiopolis, também conhecida como Bithynion, uma pequena cidade na província romana de Bithynia. Provavelmente era de uma família de agricultores e comerciantes ou da pequena nobreza local, imigrantes gregos, que mantinham alguma influência na cidade. Uma  hipóteses afirma que ele era metade grego pelo lado paterno e metade de família Anatólia pelo lado materno; outra hipóteses é a de que ambos mãe e pai fossem gregos. 

De todo modo, e conforme mapas étnicos de distribuição das populações humanas entre os séculos V e I aC, a região de Bithynium-Claudiópolis, localizado na Bithynia, era formada por colonizadores vindo de diferentes regiões e povos autóctones, principalmente Daco-trácios e gregos. O nome "Antínous" possivelmente se originou do personagem "Antínous", um dos pretendentes de Penélope na Odisséia de Homero. Outra fonte afirma que ele talvez fosse o equivalente masculino de Antinoë, uma mulher que foi uma das fundadoras de Mantineia, uma cidade que estava intimamente associada à Bitínia.

Anatólia 
Anatólia, Ἀνατολή, Anatolḗ, literalmente: leste ou erguer/nascer do Sol, ou península anatoliana, também conhecida como Ásia Menor (Μικρὰ Ἀσία, Mīkrá Asía pequena Ásia), denota a protrusão ocidental da Ásia, que atualemente compõe a maior parte da República da Turquia.(WP)

Mapa étnico mostrando a distribuição dos diversos povos antigos formadores do povo da região da Anatólia e Trácia entre os séculos V e I a.C., incluindo os tínios e os bitínios em azul turquesa (WP). 

Devido as invasões dos gálatas, o domínio da dinastia Selêucida (323-281 a.C) (Império Selêucida; Βασιλεία τῶν Σελευκιδῶν, Basileía tōn Seleukidōn) na Anatólia sucumbiu à anarquia, e a região foi desmembrada em vários reinos helenísticos, como por exemplo o dos gálatas, o de Pérgamo, o da Cária, o da Lícia, o da Pisídia, o da Bitínia e o do Ponto, embora os gregos se tornassem o componente étnico e cultural dominante em todos esses reinos e com dezenas de cidades prósperas na região central da península. A unidade política viria com o Império Romano.

Anatólia e região na Bithynia

Detalhe do mesmo mapa acina

Hadriano e Víbia Sabina

Antínous era um em meio da multidão que assistia ao evento mais importante de sua cidade natal, a visita do imperador romano Hadriano. Sabe-se que já era um caçador de proficiência notável a esta altura de sua curta vida. 

Também é possível que tenha tido uma educação semelhante a de todo menino de uma cidade da Magna Grécia, que incluía exercitar-se no ginásio, aprender a ler e escrever, oratória, e música. 



O gosto pela caça 
(Foto: Di Rita1234 WP)

Seu nome e imagem sobreviveram ao longo da história devido  ao misterioso amor que ocorreu entre este estranho e belo jovem e seu amante Hadriano, o governante mais importante do planeta na época, o Imperador Romano. 

Poucos, ou quase nenhum detalhe de sua vida são conhecidos. O ano exato de seu nascimento por exemplo é desconhecido, contudo a data tem sido discutida, e acredita-se que tenha sido por volta de 27 de novembro de c. 111 dC. 

Ele foi descrito como sendo um “efebo” na altura de sua morte, um termo grego normalmente usado para jovens de cerca de 18 ou 19 anos de idade.

Sua aparência, com base em centenas de esculturas sobreviventes, bustos, alto e baixos relevos atestam sua estonteante beleza, um deus vivo, uma manifestação visível e tangivel da perfeição divina. Ele foi comparado a Ganimedes, Adônis, Hyacinth ou Jacinto e a muitos meninos bonitos, cuja beleza atraiu a atenção dos Deuses.

O imperador Hadriano passou pela Bitínia no ano 123 d.C. em uma de suas inúmeras viagens que fez pelo império, nessa em particular encontrou Antínous pela primeira vez. E esse encontro mudou o mundo para sempre. 

Segundo algumas fontes com a permissão dos pais, Antínous foi enviado para estudar nas melhores escolas para meninos na capital do império, a "Cidade Eterna", Roma, onde aprendeu as artes liberais e como ser um cidadão romano exemplar. 

Ele também continuou seu treinamento no ginásio e, com o tempo, sob a orientação de treinadores gregos, esculpiu seu corpo em um dos melhores exemplos da beleza masculina clássica.

Antínous era um excelente caçador, que por coincidência era o passatempo favorito de Hadriano. Sabe-se que eles gastavam muito de seu tempo livre caçando animais selvagens, incluindo um leão que atacava pessoas no deserto da Líbia. 

Antínous certamente sentia profunda afeição pelos cães de caça de Adriano, os melhores cães do mundo naquela época e de muitas maneiras Antínous pode ser comparado a um deles, por causa de sua lealdade e devoção, sua beleza e juventude, sua força atlética e a expressão em seus olhos, tudo o que transmite profunda familiaridade, docilidade, lealdade, e companheirismo.

Em sua curta vida, esse jovem chamado Antínous afetou o curso da história humana, ele se tornou a primeira pessoa histórica, que não era imperador, chefe de estado ou rei a ser declarada um deus por causa de sua homossexualidade, e para quem uma nova religião foi iniciada, e sua em honra foram construídos templos  por todo o império, uma constelação foi nomeada e uma cidade fora construída. Seu culto sobreviveu  por várias centenas de anos. Além disso rituais anuais foram eram realizados em seu nome e jogos atléticos foram instituídos em em sua homenagem a cada quatro anos. 

Sua religião levou os cristãos a reagir contra a homossexualidade de maneiras que continuam a afetar a humanidade até hoje. Especialmente hoje em uma época de pós-verdade e do renascimento do fascismo.

Segundo o Bispo cristão Clemente de Alexandria que viveu entre 150-215 d.C., o relacionamento entre ambos era sexual, comparado ao relacionamento do deus Zeus com Ganimedes. Adriano era 34 anos mais velho que Antinoo (um adolescente), enquadrando-se na relação homossexual existente na Grécia cléssica. Em outubro de 130 d.C., durante uma visita ao Egito, Antinoo morreu afogado no rio Nilo, em circunstâncias pouco esclarecidas e misteriosas ate hoje. Semanas após o  ocorrido, o Imperador decretou a sua divinização. Ordenou a construção de uma nova cidade perto do local de sua morte, Antinópolis (cidade de Antinoo) em sua homenagem, no alto Egito. A divindade protetora desta cidade era um deus sincrético, resultado da fusão de Antinoo com Osíris, Antinosíris. Por todo o império foram erguidas estatuas deste jovem e na parte oriental, levantaram-se templos ao falecido. Foi dado o nome Antinoo a uma estrela e o imperador escreveu um epiáfio (frase de homenagem póstuma) dedicado ao jovem, que mandou gravar num obelisco, que se encontra hoje nos jardins do Pincio em Roma.
Segundo o escritor geógrafo e historiador Pausânias que viveu entre 180-115 a.C., seu templo em Mantinéia, cidade  situada na Arcáia, sul da Grécia, era o mais novo da cidade. Em sua honra, foram celebrados rituais religiosos todo ano e jogos a cada quatro anos: combates de gladiadores, corridas de cavalos, corridas de bigas, pugilismo entre outros. No ginásio de Mantineia, havia estatuas de Antinoo. Os retratos de Antinoo eram feitos de forma que ele se parecesse com o deus Dionísio. Após a morte de Hadriano, a sua relação com Antinoo foi utilizada para difamar e desonrar sua memória especialmente pelos por uma nova religião que surgiu em Israel. Os primeiros autores cristãos sem exceção também criticaram esta relação, que para eles era um exemplo de imoralidade do paganismo.

Os primeiros cristãos espalharam rumores homofóbicos para exterminar sua religião "gay", e muito dessas difamações, inverdades e falsidades persistem até hoje.

Antínous foi o último deus da antiga religião romana. A beleza de Antínous é atemporal. Ele é tão perfeito para os nossos olhos modernos quanto era há 1900 anos. Ele cativou os amantes da beleza masculina desde então. Pode-se afirmar que Antínous foi o primeiro e o mais duradouro supermodelo masculino da história, e o arquétipo da forma masculina ideal.


Não fosse a reação profunda de luto e verdadeiro amor pelo jovem, por parte de Hadriano, sequer terianos o nome desse que foi uma pessoas da mais alta importância para o imperador romano.

Ainda assim, conhecem‑se pelo menos trinta autores antigos que se referiram a Antínoo, a par de cerca de 115 esculturas que o representam, além de pinturas, moedas e gemas. Com efeito, a cultura material deixou‑nos um número assinalável de testemunhos, que traduzem a importância que Antínoo veio de fato a ter não apenas na vida privada do imperador mas sobretudo na vida pública do Império. Alguns textos confirmam a abundância de representações artísticas de Antínoo. Pausânias é um desses casos:

"[Os Mantineus] aceitaram Antínoo como deus. O seu santuário é o mais recente em Mantineia. O imperador Adriano gostava muito dele; pessoalmente, nunca o vi enquanto vivo, mas já vi as suas estátuas e pinturas. Ele recebe honras formais por todo o lado, assim como em Mantineia, e há mesmo uma cidade no Egito, junto ao Nilo, com o nome de Antínoo. Em Mantineia, ele recebe honras do seguinte modo: Antínoo nasceu em Bitínio, acima do rio Sangário, e os Bitínios têm como antepassados os Árcadios, e mais concretamente os Mantineus. Assim, o rei instituiu um culto a ele também em Mantineia, fazendo‑se‑lhe sacrifícios anuais e celebrando‑se jogos em sua honra todos os quatro anos. Na palestra de Mantineia, há uma casa com estátuas de Antínoo, que vale a pena ver, pela pedra de que são feitas mas também pelas pinturas que, além das estátuas, representam Antínoo como Dioniso."


Das três dezenas de autores antigos mencionadas, apenas três são mais explícitas relativamente a esse fato. Assim, Díon Cássio começa por se preocupar em referir que Adriano «reconstruiu a cidade que a partir de então passou a ter o nome de Antínoo», referindo depois que «Antínoo era de Bitínio, uma cidade da Bitínia, também conhecida como Claudiópolis». O historiador nota ainda que Antínoo:

"...fora um favorito do imperador que morreu no Egito, ou por ter caído ao Nilo, tal como Adriano escreve, ou, o que corresponde à verdade, por ter sido oferecido em sacrifício. Na verdade, Adriano... andava sempre interessado em adivinhações e encantamentos de todo o tipo. Como tal, Adriano honrou Antínoo, quer pelo amor que lhe tinha quer pelo fato de o jovem ter decidido morrer de forma voluntária (pois, para que os objectivos de Adriano se cumprissem, era necessário que uma vida fosse entregue de livre‑vontade), construindo uma cidade no lugar em que ele cumpriu o seu destino e dando‑lhe o nome do jovem; de igual modo, Adriano ergueu estátuas, ou antes imagens sagradas, do rapaz em praticamente todo o lado. Por fim, ele declarou ter visto uma estrela que ele considerou ser a de Antínoo e de bom grado deu ouvidos às historietas contadas pelos que lhe estavam próximos, considerando que a estrela tinha de facto surgido do espírito de Antínoo e como tal aparecido então pela primeira vez. Por este relato, Adriano acabou por ser ridicularizado, até porque não tinha prestado nenhuma honra fúnebre à irmã Paulina quando ela morreu."

E é tudo o que Díon Cássio tem a dizer acerca de Antínoo. O escritor da História Augusta é ainda mais contido, referindo apenas que: 

"Ao seu querido Antínoo perdeu‑o enquanto navegava pelo Nilo, e chorou‑o como faria uma mulher. De facto, há diferentes versões: uns asseveram que ele se sacrificou por Adriano; outros o que a beleza dele e a volúpia de Adriano mostra. A verdade é que os Gregos o divinizaram com a anuência de Adriano, afirmando que por ele foram proferidos oráculos, os quais, diz‑se, teria sido o próprio Adriano a compor."

Como hoje sabemos, seus escritos contidos na "Historia Augusta" não são mais tão levados em conta como foram no passado, especialmente por conterem relatos fantasiosos e imprecisões de todo tipo que hoje apenas consideram-no uma obra de lentas e relatos anedóticos.

Aurélio Victor, autor do século IV que provavelmente baseou as suas reflexões sobre Adriano na mesma fonte do escritor da História Augusta, não é muito mais expansivo do que os seus pares: 

"Em consequência da devoção que Adriano tinha ao luxo e à luxúria, levantaram‑se rumores hostis acerca da sua devassidão para com jovens adultos e da sua paixão ardente pelo seu famoso servo Antínoo; aliás, ele foi a razão pela qual se fundou uma cidade com o nome de Antínoo ou por que Adriano erigiu estátuas do efebo. Com efeito, alguns alegam que isso foi feito por piedade ou religião, uma vez que Adriano pretendia estender o seu tempo de vida; quando os magos pediram um voluntário para o substituir, todos recusaram, à excepção de Antínoo que se ofereceu; daí as honras que lhe foram dedicadas. De qualquer modo, deixamos a questão por resolver, ainda que no caso de uma personalidade benevolente consideremos a associação entre pessoas de idades díspares como algo suspeito.

Segundo rodrigues (s/d) o historiador Lambert enumerou e analisou pari passu as várias referências conhecidas ao caso, avançando com hipóteses a que associou argumentos a favor e contra cada uma delas. 

Do seu trabalho, resultou a conclusão de ser praticamente impossível, com o material de que dispomos, afirmar de forma segura o que teria estado por detrás da morte de Antínoo, sendo que nos parece aceitável que o jovem tenha morrido afogado no rio Nilo pouco antes do dia 30 de Outubro do ano 130 d.C. 

Como nota Lambert, "Antinou’s death must always remain a mystery, and the faint possibility that it was an accident after all can never be completely obliterated. It must have been as much a mystery at the time.

Como conclusão de sua análise ainda assim, de forma pertinente, o autor 

1) considera verosímil a hipótese de Antínoo ter oferecido de forma voluntária a sua vida em sacrifício pelo imperador e pelo império, ao mesmo tempo que rejeita por completo 

2) as teses de conspiração cortesã (em especial uma eventual conspiração fomentada pela imperatriz Sabina), 

3) de castração (com o objectivo de perpetuar a juventude do Bitínio) 

4) e de utilização do jovem num ritual de extispicium (ou observação das entranhas com objectivos mânticos; ainda que esta ideia seja reforçada pelo uso do termo hierourgetheis por Díon Cássio. 

5) Naturalmente, a hipótese de acidente não pode ser totalmente descartada. 

6) Mas os testemunhos que nos chegaram, apesar de pouco explícitos ou assertivos, são ainda assim suficientemente pertinentes para pensarmos que um "mero acidente" não deverá ter sido a causa da morte de Antínoo.


Conclusão a que chego:

Todos esses autores antigos não tinham nenhum fato ou prova que os levassem a optar por qualquer uma das hipóteses levantadas; teria apenas suas idiossincrasizas e seus preconceitos, sua moral e sua ética.

Nenhuma dessas hipóteses pode ter acontecido e mesmo a mais improvável pode ter ocorrido.

Eu apresento um relato de um jovem amigo meu de 18 anos de idade que sabia nadar, e entretando caiu nas águas de um lago razoavelmente conhecido dele e onde passava as férias regularmente. Todavia foi acometido por uma cãibra enquanto se achava no meio do lago que o impossibilitou de nadar de volta até a margem e sair dali, vindo a perder a vida em poucos minutos. Não estava alcoolizado, não foi empurrado, não foi um complô para que morresse naquele dia e local, nem sacrifício ou suicídio...

Se todas as hipóteses são igualmente provaveis não há como sobrepesar, ou favorescer uma em especial em detrimento das outras sem o aporte de informação adicional que a corrobore. Não posso escolher uma e argumentar tornando-a verossimil, somente porque acredito nela ou porque me atrai mais. Todas as outras hipóteses tem igual probabilidade.

Há um princípio científico e filosófico que propõe que, entre hipóteses formuladas sobre as mesmas evidências, é mais racional acreditar na mais simples. Ou seja: diante de várias explicações para um problema, a mais simples tende a ser a correta. O princípio da parcimônia salientado pelo filósofo inglês William de Occam (1285-1347) que apesar de não ter sido o primeiro a enunciar pois Aristóteles já fazia o mesmo no século IV a.C., afirmava que com esse princípio (usando como metáfora, uma navalha, com ela se "corta" a hipótese mais complicada, o que sobra é o que julga-se mas provável.

Eis o que temos de verdade e provável:
Ele nas ceu livre na Bithynia é um fato. Ele foi escolhido e estimado pelo imperador do maior imperio da Terra, é fato. Ele estava na comitiva e na compahia do imperador quando discam o rio Nilo, é um fato. E ele perdeu sua vida afogado nas águas do rio no final de outubro. Todos são fatos inegáveis. Somente temos isso, nada mais. Só podemos falar sobre o que conhecemos, não do que desejamos ou imaginamos.

A partir desses fatos nenhuma conclusão sobre sua morte se acidental ou suicido ou assassinato pode ser tirada. Vamos relembrar os fatos eles são mais improtantes e influenciaram toda a história depois dele do que a causa que levou esse belo jovem a perder a vida nas águas do rio Deus.

Vamos celebrar sua existencia, sua curta vida, sua beleza e seu culto, pois, sem que surjam novos fatos jamais saberemos com precisão o que realmente aconteceu com com esse jovem que mudou a sua história e a história do mundo a sua maneira, sem dizer nenhuma palavra, apenas aceitando o amor do homem mais poderoso da terra.  




Lotus rosada, símbolo de quem morreu afogado



Antinous Propylaeus, Antinous délfico, artista desconhecido, c. 130 d.C.

Em outubro de 130, durante uma visita ao Egito, Antínoo morreu afogado no rio Nilo, mas as circunstâncias em que o evento ocorreu são pouco claras até hoje.

Muitas hipóteses surgiram tentando explicar essa morte por afogamento do preferido do imperador, desde morte acidental, passando por suicídio até assassinato
Uma até defende a ideia de que o próprio Antínoo ofereceu-se como sacrifício aos deuses, de modo a assegurar a prosperidade de Adriano e do império romano.
É pouco provável que tenha sido assassinado por Hadriano por motivos políticos, dado que o estatuto e origens do rapaz não representavam ameaça política ao imperador. Há também a hipótese de que intrigas entre membros da corte para ocupar o lugar de Antinous tenha levado a um complô que resultou em sua morte por afogamento. 

Acredita-se que o imperador Adriano e Antínoo tenham sido iniciados nos antigos mistérios de Elêusis, sendo provável que as suas vidas ganharam um carácter mais místico. 

No Egito acreditava-se que a morte de um jovem no Nilo seria favorável à obtenção do favor dos deuses sendo a pessoa, desta forma, associada a Osíris.

Outros autores sugerem que Antínoo pode ter cometido suicídio. Segundo as fontes da época, após a sua morte Adriano teria chorado desesperadamente. Na sequência da morte de seu amado, o imperador decidiu transformar o falecido Antínoo em um deus, a ser adorado por todo o império, e mandou fundar uma cidade, Antinoopólis, em homenagem a ele, no local onde ele se afogou.

De acordo com a Historia Augusta, Adriano compôs o seguinte poema pouco antes de sua morte:

Animula vagula blandula
Hospes comesque corporis
Quae nunc abibis in loca
Pallidula, rigida, nudula,
Nec, ut soles, dabis iocos...

P. Aelius Hadrianus Imp.

Amável pequena alma itinerante,
Companheiro e convidado do corpo,
Agora descendo para peças
(Pálida) Incolor, (rígida) inflexível e nua
Suas distrações habituais não estarão mais lá...

P. Aelius Hadrianus Imp.

Roving amiable little soul,
Body's companion and guest,
Now descending for parts 
Colourless, unbending, and bare
Your usual distractions no more shall be there...

P. Aelius Hadrianus Imp.

Poucas semanas após a morte de Antínoo, Adriano decretou a sua deificação. O imperador ordenou a construção de uma nova cidade perto do local da sua morte, Antinoópolis, no Alto Egito, perto de Hermópolis, atualmente o local é denominado Sheikh Ibada. A divindade tutelar da cidade era um deus sincrético, resultado da fusão de Antínoo com Osíris.

Por todo o Império Romano foram erguidas numerosas estátuas de Antínoo e na parte oriental do Império levantaram-se templos dedicados ao jovem e ao seu culto. Um templo de quase dois mil anos construído por Adriano em homenagem ao seu jovem amante morto foi descoberto durante escavações na vasta vila de Adriano, cerca de 30 quilômetros a leste de Roma. 

Foi dado o nome Antinous a uma estrela e o imperador escreveu um epitáfio dedicado ao jovem, que mandou gravar no chamado obelisco de Antínoo, que se encontra hoje nos Jardins do Pincio em Roma.

Segundo Pausânias, seu templo em Mantineia era o mais novo da cidade. Em sua honra, foram celebrados rituais místicos todo ano, e jogos a cada quatro anos. No ginásio de Mantineia havia estátuas de Antínoo, que se destacam pelas pedras usadas. Os retratos de Antínoo eram feitos de forma que ele se parecesse com Dionísio.

Adriano viveu ainda mais oito anos, após a morte de seu amado. Depois de sua morte a sua relação com Antínoo foi utilizada contra si pelos seus detratores. Os primeiros autores cristãos também criticaram esta relação, que para eles era um exemplo da amoralidade patente do paganismo.

Ao longo dos séculos a figura de Antínoo serviu de inspiração à arte e à literatura, como mostra, ainda no séc. XX, o poema homoerótico Antinous escrito em inglês por Fernando Pessoa.

Segundo Dion Cássio, Δίων ὁ Κάσσιος, Díon ho Kássios, Lucius Claudius Kassius Dio, senador e historiador romano, nascido e criado em Nicaea na Bithynia, em sua Ῥωμαϊκὴ Ἱστορία, Historia Romana ou Historia de Roma, escrita em grego, em 80 volumes, dá a entender que Antinous era de Bithynium, uma cidade da Bitínia, a qual nós também chamamos Claudiopolis; ele foi um favorito do imperador e morreu no Egito, seja por ter caído no Nilo, como escreve Adriano, ou,  mais verdadeiro, por ter sido oferecido em sacrifício. Pois Adriano, como eu sempre afirmei, sempre se interessou por adivinhações e encantamentos de todo o tipo.  Então, Adriano homenageou Antinous, seja devido ao amor que sentia por ele, ou porque o jovem voluntariamente aceitou morrer (sendo necessário que uma vida fosse livremente oferecida para atingir os fins que Adriano tinha em vista), com a construção de uma cidade no local onde ele sofreu o seu destino, dando-lhe o seu nome; e Adriano também ergueu estátuas, ou imagens sagradas, dele, praticamente por todo o mundo. Finalmente, Adriano declarou que ele tinha avistado uma estrela que ele entendeu ser de Antinous, e alegremente emprestou seus ouvidos a estórias fictícas tecidas por seus adeptos no sentido de que a estrela havia nascido do espírito de Antinous e, assim, tinha aparecido pela primeira vez. No que se refere a isso, então, ele se tornou objeto de certo ridículo, e também porque, quando a sua irmã Paulina morreu, ele, na oportunidade, não fizera nenhuma homenagem.




Busto de Antinous no Museu Nacional

☆☆☆

ANTINOUS

Fernando Pessoa


ANTINOUS 

The rain outside was cold in Hadrian’s soul.
The boy lay dead
On the low couch, on whose denuded whole,
To Hadrian's eyes, whose sorrow was a dread,
The shadowy light of Death's eclipse was shed.


The boy lay dead, and te day seemed a night
Outside. The rain fell like a sick affright
Of Nature at her work in killing him.
Memory of what he was gave no delight,
Delight at what he was was dead and dim.


O hands that once had clasped Hadrian's warm hands,
Whose cold now found them cold!
O hair bound erstwhile with the pressing bands!
O eyes half-diffidently bold!
O bare female male-body such
As a god's likeness to humanity!
O lips whose opening redness erst could touch
Lust's seats with a live art's variety!
O fingers skilled in things not to be told!
O tongue which, counter-tongued, made the blood bold!


O complete regency of lust throned on
Raged consciousness's spilled suspension!
These things are things that now must be no more.
The rain is silent, and the Emperor
Sinks by te couch. His grief is like a rage,
For the gods take away the life they give
And spoil te beauty they made live.
He weeps and knows that every future age
Is looking on him out of the to-be;
His love is on a universal stage;
A thousand unborn eyes weep with his misery.


Antinous is dead, is dead for ever,
Is dead for ever and all loves lament.
Venus herself, that was Adonis' lover,
Seeing him, that newly lived, now dead again,
Lends her old grief's renewal to be blent
With Hadrian's pain.


Now is Apollo sad because te stealer
Of his white body is for ever cold.
No careful kisses on that nippled point
Covering his heart-beats' silent place restore
His life again to ope his eyes and feel her
Presence along his veins Love's fortress hold.
No warmth of his another's warmth demands.
Now will his hands behind his head no more
Linked, in that posture giving all but hands,
On the projected body hands implore.


The rain falls, and he lies like one who hath
Forgotten all the gestures of his love
And lies awake waiting their hot return.
But all his arts and toys are now with Death.
This human ice no way of heat can move;
These ashes of a fire no flame can burn.


O Hadrian, what will now thy cold life be?
What boots it to be lord of men and might?
His absence o'er thy visible empery
Comes like a night,
Nor is there morn in hopes of new delight.
Now are thy nights widowed of love and kisses;
Now are thy days robbed of the night's awaiting;
Now have thy lips no purpose for thy blisses,
Left but to speak the name that Death is mating
With solitude and sorrow and affright.


Thy vague hands grope, as if they had dropped joy.
To hear that the rain ceases lift thy head,
And thy raised glance take to the lovely boy.
Naked he lies upon that memoried bed;
By thine own hand he lies uncoverèd.
There was he wont thy dangling sense to cloy,
Ande uncloy with more cloying, and annoy
With newer uncloying till thy senses bled.


His hand and mouth knew games to reinstal
Desire that thy worn spine was hurt to follow.
Sometimes it seemed to thee that all was hollow
In sense in each new straining of sucked lust.
Then still new turns of toying would he call
To thy nerves’ flesh, and thou wouldst tremble and fall
Back on thy cushions with thy mind's sense hushed.


«Beautiful was my love, yet melancholy. 
He had that art, that makes love captive wholly, 
Of being slowly sad among lust's rages. 
Now the Nile gave him up, the eternal Nile. 
Under his wet locks Death's blue paleness wages 
Now war upon our wishing with sad smile.»


Even as he thinks, the lust that is no more
Than a memory of lust revives and takes
His senses by the hand, his felt flesh wakes,
And all becomes again what 'twas before.
The dead body on the bed starts up and lives
And comes to lie with him, close, closer, and
A creeping love-wise and invisible hand
At every body-entrance to his lust
Whispers caresses which flit off yet just
Remain enough to bleed his last nerve's strand,
O sweet and cruel Parthian fugitives!


So he half rises, looking on his lover,
That now can love nothing but what none know.
Vaguely half-seeing what he doth behold,
He runs his cold lips all the body over.
And so ice-senseless are his lips that, lo!,
He scarce tastes death from the dead body's cold,
But it seems both are dead or living both
And love is still the presence and the mover.
Then his lips cease on the other lips' cold sloth.


Ah, there the wanting breath reminds his lips
That from beyond the gods hath moved a mist
Between him and this boy. His finger-tips,
Still idly searching o'er the body, list
For some flesh-response to their waking mood.
But their love-question is not understood:
The god is dead whose cult was to be kissed!


He lifts his hand up to where heaven should be
And cries on the mute gods to know his pain.
Let your calm faces turn aside to his plea,
O granting powers! He will yield up his reign.



In the still deserts he will parchèd live,
In the far barbarous roads beggar or slave,
But to his arins again the warm boy give!
Forego that space ye meant to be his grave!


Take all the female loveliness of earth 
And in one mound of death its remnant spill! 
But, by sweet Ganymede, that Jove found worth 
And above Hebe did elect to fill
His cup at his high feasting, and instil 
The friendlier love that fills the other's dearth, 
The clod of female embraces resolve 
To dust, O father of the gods, but spare 
This boy and his white body and golden hair! 
Maybe thy better Ganymede thou feel'st 
That he should be, and out of jealous care 
From Hadrian's arms to thine his beauty steal'st.


He was a kitten playing with lust, playing
With his own and with Hadrian's, sometimes one
And sometimes two, now linking, now undone;
Now Ieaving lust, now lust's high lusts delaying;
Now eyeing lust not wide, but from askance
Jumping round on lust's half-unexpectance;
Now softly gripping, then with fury holding,
Now playfully playing, now seriously, now lying
By th' side of lust looking at it, now spying
Which way to take lust in his lust's withholding.


Thus did the hours slide from their tangled hands
And from their mixèd limbs the moments slip.
Now were his arms dead leaves, now iron bands;
Now were his lips cups, now the things that sip;
Now were his eyes too closed and now too looking;
Now were his uncontinuings frenzy working;
Now were his arts a feather and now a whip.


That love they lived as a religion
Offered to gods that come themselves to men.
Sometimes he was adorned or made to don
Half-vestures, then in statued nudity
Did imitate some god that seems to be
By marble's accurate virtue men's again.
Now was he Venus, white out of the seas;
And now was he Apollo, young and golden;
Now as Jove sate he in mock judgment over
The presence at his feet of his slaved lover;
Now was he an acted rite, by one beholden,
In ever-repositioned mysteries.


Now he is something anyone can be.
O stark negation of the thing it is!
O golden-haired moon-cold loveliness!
Too cold! too cold! and love as cold as he!
Love through the memories of his love doth roam
As through a labyrinth, in sad madness glad,
And now calls on his name and bids him come,
And now is smiling at his imaged coming
That is i'th' heart like faces in the gloaming —
Mere shining shadows of the forms they had.


The rain again like a vague pain arose
And put the sense of wetness in the air.
Suddenly did the Emperor suppose
He saw this room and all in it from far.
He saw the couch, the boy, and his own frame
Cast down against the couch, and he became
A clearer presence to himself, and said
These words unuttered, save to his soul's dread:

« I shall build thee a statue that will be 
To the continued future evidence

Of my love and thy beauty and the sense
That beauty giveth ot divinity.
Though death with subtle uncovering hands remove
The apparel of life and empire from our love,
Yet its nude statue, that thou dost inspirit,
All future times, whether they will't or not,
Shall, like a gift a forcing god hath brought,
Inevitably inherit.


«Ay, this thy statue shall I build, and set
Upon the pinnacle of being thine, that Time
By its subtle dim crime
Will fear to eat it from life, or to fret
With war's or envy's rage from bulk and stone.
Fate cannot be that! Gods themselves, that make
Things change, Fate's own hand, that doth overtake
The gods themselves with darkness, will draw back
From marring thus thy statue and my boon,
Leaving the wide world hollow with thy lack.


«This picture of our love will bridge the ages.
It will loom white out of the past and be
Eternal, like a Roman victory,
In every heart ,the future will give rages
Of not being our love's contemporary.


«Yet oh that this were needed not, and thou 
Wert the red flower perfuming my life, 
The garland on the brows of my delight, 
The living flame on altars of my soul! 
Would all this were a thing thou mightest now 
Smile at from under thy death-mocking lids 
And wonder that I should so put a strife 
Twixt me and gods for thy lost presence bright; 
Were there nought in this but my empty dole

And thy awakening smile half to condole 
With what my dreaming pain to hope forbids.»


Thus went he, like a lover who is waiting,
From place to place in his dim doubting mind.
Now was his hope a great intention fating
Its wish to being, now felt he he was blind
In some point of his seen wish undefined.


When love meets death we know not what to feel.
When death foils love we know not what to know.
Now did his doubt hope, now did his hope doubt;
Now what his wish dreamed the dream's sense did flout
And to a sullen emptiness congeal.
Thcn again the gods fanned love's darkening glow.


«Thy death has given me a higher lust —
A flesh-lust raging for eternity.
On mine imperial fate I set my trust
That the high gods,that made me emperor be,
Will not annul from a more real life
My wish that thou should'st live for e'er and stand

A fleshly presence on their better land,
More lovely yet not lovelier, for there
No things impossible our wishes mar
Nor pain our hearts with change and time and strife.


«Love, love, my love! thou art already a god.
This thought of mine, which I a wish believe,
Is no wish, but a sight, to me allowed
By the great gods, that love love and can give
To mortal hearts, under the shape of wishes —
Of wishes having undiscovered reaches —,
A vision of the real things beyond
Our life-imprisoned life, our sense-bound sense.
Ay, what I wish thee to be thou art now


Already. Already on Olympic ground
Thou walkest and art perfect, yet art thou,
For thou needst no excess of thee to don
Perfect to be, being perfection.


«My heart is singing like a morning bird.
A great hope from the gods comes down to me
And bids my heart to subtler sense be stirred
And think not that strange evil of thee
That to think thee mortal would be.


«My love, my love, my god-love! Let me kiss
On thy cold lips thy hot lips now immortal,
Greeting thee at Death's portal's happiness,
For to the gods Death's portal is Life's portal.


«Were no Olympus yet for thee, my love
Would make thee one, where thou sole god mightst prove, 
And I thy sole adorer, glad to be
Thy sole adorer through infinity. 
That were a universe divine enough 
For love and me and what to me thou art. 
To have thee is a thing made of gods' stuff 
And to look on thee eternity's best part.


«But this is true and mine own art: the god 
Thou art now is a body made by me, 
For, if thou art now flesh reality 
Beyond where men age and night cometh still, 
'Tis to my love's great making power thou owest 
'I'hat life thou on thy merúory bestowest 
And mak'st it carnal. Had my love not held 
An empire of my mighty legioned will, 
Thou to gods' consort hadst not been compelled.


«My love that found thee, when it found thee did
But find its own true body and exact look.
Therefore when now thy memory I bid
Become a god where gods are, I but move
To death's high column's top the shape it took
And set it there for vision of all love.


«O love, my love, put up with my strong will
Of loving to Olympus, be thou there
The latest god, whose honey-coloured hair
Takes divine eyes! As thou wert on earthe, still
In heaven bodifully be and roam,
A prisoner of that happiness of home,
With elder gods, while I on earth do make
A statue for thy deathlessness' seen sake.


«Yet thy true deathless statue I shall build
Will be no stone thing, but that same regret
By which our love's eternity is willed.
One side of that is thou, as gods see thee
Now, and the other, here, thy memory.
My sorrow wiII make that men's god, and set
Thy naked memory on the parapet
That looks upon the seas of future times.
Some will say all our love was but our crimes;
Others against our names the knives will whet
Of their glad hate of beauty's beauty, and make
Our names a base of heap whereon to rake
The names of all our brothers with quick scorn.
Yet will our presence, like eternal Morn,
Ever return at Beauty's hour, and shine
Out of the East of Love, in light to enshrine
New gods to come, the lacking world to adorn.



«All that thou art now is thyself and I.
Our dual presence has its unity
In that perfection of body which my love
By loving it, became, and did from life
Raise into godness, calm above the strife
Of times, and changing passions far above.


«But since men see more with the eyes than soul,
Still I in stone shall utter this great dole;
Still, eager that men hunger by thy presence,
I shall to marble carry this regret
That in my heart like a great star is set.
Thus, even in stone, our love shall stand so great
In thy statue of us, like a god's fate,
Our love’s incarnate and discarnate essence,
That, like a trumpet reaching over seas
And going from continent to continent,
Our love shall speak its joy and woe, death-blent,
Over infinities and eternities.


«And here, memory or statue, we shall stand,
Still the same one, as we were hand in hand
Nor felt each other's hand for feeling feeling.
Men still will see me when thy sense they take.
The entire gods might pass, in the vast wheeling
Of the globed ages. If but for thy sake,
That, being theirs, hadst gone with their gone band,
They would return, as they had slept to wake.


«Then the end of days when Jove were born again
And Ganymede again pour at his feast
Would see our dual soul from death released
And recreated unto joy, fear, pain —
All that love doth contain;
Life — all the beauty that doth make a lust


Of love's own true love, at the spell amazed;
And, if our very memory wore to dust,
By some god's race of the end of ages must
Our dual unity again be raised.»


It rained still. But slow-treading night came in,
Closing the weary eyelids of each sense.
The very consciousness of self and soul
Grew, like a landscape through dim raining, dim.
The Emperor lay still, so still that now
He half forgot where now he lay, or whence
The sorrow that was still salt on his lips.
All had been something very far, a scroll
Rolled up. The things he felt were like the rim
That haloes round the moon when the night weeps.


His head was bowed into his arms, and they
On the low couch, foreign to his sense, lay.
His closed eyes seemed open to him, and seeing
The naked floor, dark, cold, sad and unmeaning.
His hurting breath was all his sense could know.
Out of the falling darkness the wind rose
And fell; a voice swooned in the courts below;
And the Emperor slept.
The gods came now 
And bore something away, no sense knows how, 
On unseen arms of power and repose.

1915
(Poemas Ingleses, Lisbon, 1915)




☆☆☆

TRADUÇÃO PORTUGUESA

ANTINOUS 
Tradução de Cunha e Silva Filho:



Lá fora a chuva de Adriano a alma engelhava.
Morto jazia o mancebo
Em sua nudez completa, no baixo leito,
Ante os olhos de Adriano, cujo sofrimento algo terrível lhe era.


Do eclipse da morte, sombreada, esparzia-se a luz.
Inerte jazia o mancebo. Lembrava o dia uma noite.
Lá fora, caía a chuva qual um enfermo apavorado
Com a Natureza que lhe roubava a vida.
De sua memória o legado nada contentava
Pois morta e apagada a alegria do que tinha sido estava.


Ó mãos que outrora abraçado haviam de Adriano as mãos cálidas
Que, agora, pela friagem, gélidas sentia!
Ó cabelos com fitas vigorosas amarradas antigamente!
Ó olhos de ousadia meio tímida!
Ó corpo nu macho-fêmeo
Que, aos olhos da humanidade, a um deus semelhava!
Ó lábios, cuja vermelha abertura outrora roçar sabiam
Da luxúria os lugares com uma vívida variedade de artifícios!


Ó hábeis dedos das indizíveis coisas!
Ó línguas que, tornadas uma só, o sangue incandesciam!
Ó domínio completo da concupiscência entronizada
Na interrupção líquida da consciência em fúria!
Inexistentes para sempre devem ser agora todas essas coisas.
Silenciosa é a chuva, e o Imperador,
Ao pé do leito, se desespera... Fúria é sua dor,
Pois os deuses consigo levam a vida que nos deu
E arruínam a beleza à qual da vida o sopro deram.
Ele chora e sabe que, cada época vindoura,
Além do futuro, o observa.
Num nível universal posiciona seu amor.
Milhares de olhos futuros a miséria pranteiam-lhe.


Morto está Antinous. Morto para sempre,
Para sempre extinto. De todos os amores geral lamentação.
A própria Vênus, que era o amor de Adônis,
Vendo-o, aquele que de novo viveu e, agora, novamente morto está,
Aquele que há pouco existia e, agora, de novo defunto está,
Leva-a do antigo pesar a comungar.


Apolo, agora, triste anda porque o ladrão
De seu alvo corpo para sempre gélido fica.
Naquele ponto do mamilo nenhum beijo cuidadoso
Cobrindo o lugar silencioso das batidas do coração restaura
Para lhe abrir os olhos outra vez e sentir-lhe
A presença nas veias seguras da fortaleza do Amor.
Nenhum calor seu do outro calor exige
Suas mãos, soltas agora, por detrás de sua cabeça,
Naquela postura que tudo concede exceto as mãos,
Sobre o corpo projetado suplicarão mãos.


Cai a chuva e ele jaz como alguém que
Todos os gestos de seu amor esqueceu
E, despertado, continua por seu apaixonado amor esperando
Com a Morte se foram todas as suas habilidades e galanterias.
Não pode este gelo humano calor algum mover.
De um fogo estas cinzas nenhuma chama queimar não podem.


Ó Adriano, o que farás agora de vossa gélida vida?
Que botas deveriam ser senhor dos homens e do poder?
Por sobre o teu império visível sua ausência
Dele a ausência se faz sentida qual uma noite.
Não mais existirão manhãs de esperanças e de delícias.
Agora enviuvadas são tuas noites de amor e beijos.
Os dias de esperas noturnas te foram agora roubados.
Teus lábios agora o sentido perderam de tuas alegrias,
A não ser para nomear que a Morte é
Companheira da solidão, da tristeza e do medo.


Tuas mãos indefinidas tateiam, como se tivessem deixado escapar a alegria.
Tua cabeça ergue a fim de ouvires que a chuva acabou,
E dirige ao teu adorável mancebo o teu levantado olhar.
Sobre aquele leito memorial nu, jaz ele.
Descoberto por tua própria mão, ali permanece.
Afeito a saciar teu senso instável, lá estava ele.
Insaciável e saciando mais e importunando-o
Com renovadas insaciabilidades até que sangrassem os sentidos.


Jogos conheciam sua mão e sua boca para restabelecerem
Desejos que tua gasta espinha com dificuldades suportaria.
Às vezes, a ti afigurava que era tudo vazio
De percepção em cada novo esforço de chupada luxúria.
Em seguida, para novos volteios de galanterias convocaria eles
À carne de teus nervos e tu estremecerias
sobre tuas almofadas recaindo com a sensação de teu espírito silente


- ”Belo foi meu amor, melancólico, todavia.
Daquela arte senhor que o amor cativo por inteiro torna,
Por ser lentamente triste entre as paixões da lascívia.
O Nilo, agora, o abandonou, o eterno Nilo
Sob suas madeixas molhadas da Morte a palidez azul
Contra nossos anelos de sorrisos tristes agora guerra trava.”


Até mesmo quando, pelo pensamento, a luxúria, que não é mais
Do que um esquecimento que pelas mãos reacende-lhe,
Desperta-lhe os sentidos a carne viva
E tudo de novo parece o que antes fora.
O corpo inerte no leito recompõe-se, vive
E vem para junto dele, cada vez mais junto e
Em movimentos uma invisível mão com gestos amorosos
Direcionados a todas as aberturas do corpo, a concupiscência estimulando,
Sussurra carícias rápidas que, no entanto, apenas
Demoram o bastante para sangrar de seu derradeiro vigor as fibras.
Ó doces e cruéis fugitivos parasitas!


Destarte, meio que se levanta com os olhos no amante postos,
O qual, agora, nada amar pode senão o que ninguém conhece.
Vagamente, meio enxergando o que na verdade observa,
Percorre com os lábios frios o corpo inteiro.
E, assim, sem se importar com a gelidez, são os lábios que, olha!,
Na frieza do corpo imóvel mal sente ele a presença da morte,
No entanto, parece que ambos mortos ou vivos estão
Pois é o amor ainda a presença e o alento,
Enfim, na indolência gélida dos lábios do outro se cansam seus lábios.


Ah, ali a respiração pesada faz-lhe recordar os lábios
Que, independente dos deuses, uma neblina dissipou
Entre ele e o mancebo. As pontas dos dedos
Ainda indolentemente examinando-lhe o corpo, aguardam
Alguma reação da carne a seu estímulo para despertar.
Porém, a pergunta deles sobre o amor entendida não é:
Morto é o deus cujo culto devesse ser beijado!


A mão se levanta para o lugar onde o céu deveria estar
E grita para que mudos os deuses sua dor ouçam
Que vossas mansas faces à sua súplica atendam,
Ó forças decisórias! De seu reino ele abdicará.
Ressequido viverá nos calmos desertos.
Nos distantes e selvagens caminhos um mendigo ou escravo será,
Porém, devolvei aos seus braços novamente o caloroso mancebo!
Se o privardes dessa oportunidade, estareis sua morte decretando!


Retirai da terra toda a feminina delicadeza
E num túmulo ainda restará algum vestígio!
Porém, pelo suave e valioso Ganimedes, Júpiter
Substituiu Hebe por ele e decidiu encher
Sua taça em grande festejo, instilando
O amor mais propício que a falta do outro.
Dos abraços femininos dissolve-se a terra
Em pó. Ó pai dos deuses, poupai, contudo,
Este mancebo, seu alvo corpo e seus áureos cabelos!
Talvez se fosse por vosso grandioso Ganimedes
Vós o farias, mas só por razões de ciúmes
Dos braços de Adriano a sua beleza para ti arrebatastes.


Um gatinho ele era fazendo o jogo da volúpia,
Sem ninguém, ou com Adriano, às vezes, só.
E às vezes ambos, ora unidos, ora afastados.
Ora sem sensualidade, ora prolongando-a em altas doses;
Ora com os olhos nela não tão abertos, no entanto, de esguelha
Saltando em volta em meia expectativa libidinosa;
Ora levemente reprimindo-a, em seguida, em incontida fúria,
Ora brincando só por brincar, ora com vontade, ora deitando-se
Junto dele, olhando-o, ora espreitando
Qual maneira de segurá-lo em seu justo controle de libidinagem.


Assim passavam as horas nos gestos das entrelaçadas mãos
E com seus membros unidos as horas voam.
Ora folhas mortais seus braços eram, ora fitas de ferro;
Ora eram seus lábios xícaras, ora as coisas que sorvem;
Ora seus olhos ficavam muito unidos; ora eram apenas olhares;
Ora em ação se achavam em descontínuos delírios;
Ora eram suas destrezas uma pluma, ora finalmente um chicote.


Uma religião se lhes tornara o amor.
Oferecida aos deuses que aos homens surgem.
Por vezes, adornava-se ou se deixava vestir
Parcialmente, depois, em nudez de estátuas,
Imitavam, na realidade, algum deus que semelhava ser,
Em virtude da qualidade apurada do mármore, novamente homens.
Ora era Vênus, branca dos mares surgindo;
Ora era Apolo, jovem e louro;
Ora era Júpiter sentado, saciado ele em julgamento simulado diante da
Presença de seu amante a seus pés;
Ora era ele um rito representado por alguém vigiado
Em mistérios sempre renovados.


É ele agora alguma coisa que qualquer um pode ser.
Ó inflexível negação da coisa que existe!
Ó amorosidade qual a lua de áureos cabelos!
Em demasia frios! Excessivamente frios! e o amor como ele tão frio!
Vagueia sim o amor através da memória de seu amor,
Como num labirinto, em triste júbilo da loucura.
Muito frio! Demasiadamente frio! e o amor tão frio como ele!
Vagueia sim através da memória de seu amor,
Qual num labirinto, em triste júbilo da loucura,
Que ora lhe invoca o nome e lhe pede que venha,
E ora sorria para a sua vinda representada,
Que é o coração como rostos vespertinos –
Puras sombras brilhantes das originais formas.


De volta veio a chuva qual uma indefinida dor
E no ar pôs a sensação líquida.
De súbito, o Imperador supôs que,
Bem distante, avistava esta sala e tudo ao seu redor.
Viu, então, o leito, o mancebo e a sua própria imagem
Lançada contra o leito e ele para si mesmo se tornou
Uma presença mais evidente, dizendo
Estas não proferidas palavras, exceto para a angústia de sua alma:


- “Para vós uma estátua edificarei, que servirá como
Prova, aos tempos futuros,
De meu amor, da vossa beleza e da percepção
Da divindade que a beleza propicia,
Posto que a morte, com sutis mãos reveladoras, destrói
da vida o aparato e de nosso amor o império.
Entretanto, sua estátua nua, à qual realmente vós dais vida,
A posteridade, contra a sua vontade ou não,
Sem dúvida, há de herdar, como uma dádiva de um deus constrangido.


Sim, uma estatua vossa hei de erigir e marcar
Sobre o pináculo de vosso ser,
Por seu sutil e obscuro crime, aquele Tempo
Que receará destruir-te a vida, ou desgastar-se
Com a ferocidade da guerra e da inveja da massa e da pedra.
Não pode ser isso o Destino! Os próprios deuses, que fazem
Alterar as coisas, se transformam, a própria mão
Do Destino que por força suplanta
Os deuses propriamente ditos com a escuridão, recuará
Em arruinar desta forma vossa estátua e minha dádiva.


Esta imagem de nosso amor os tempos cimentará.
Surgirá ele límpido do passado e será
Eterno que nem uma vitória romana.
Em cada coração se enfurecerá o futuro
Por não ter sido contemporâneo de nosso amor.


No entanto, oh, se tudo sucedesse diversamente
Seríeis a vermelha flor minha vida perfumando.
Sobre as fontes das minhas delícias as grinaldas,
Da minh’alma a viva chama dos altares!
Fosse tudo isso algo de que agora pudésseis
Sorrir por sob as pálpebras da morte zombeteiras.
Imaginar que eu pudesse assim um prélio travar
Entre mim e os deuses em favor do brilho de vossa perdida presença;
Nada disso houve, salvo o vazio do meu ser
E vosso sorriso despertando meio consolando
O que proíbe a dor de com a esperança sonhar.”


Destarte, encaminhava-se ele qual um amante em espera,
Com esta tênue dúvida, de lugar para lugar.
Sua esperança, ora era uma grande intenção condenando-lhe
O desejo do ser, ora sentia ele que cego estava
De certo modo à percepção de seu indefinido desejo.


Não sabemos o que sentimos quando o amor a morte encontra.
Não sabemos o que dizer quando o amor a morte frustra.
Ora da esperança duvidava ele, ora sua esperança duvidava;
Ora o que seu desejo sonhava, a razão do sonho na realidade dele escarnecia.
E congelava a avivam um exasperado vazio.
Por outro lado, avivam os deuses do amor o escuro brilho.


- “Vossa morte uma sensualidade mais elevada me concedeu -
Uma fulminante licenciosidade para a eternidade vociferando.
No meu destino imperial minha confiança deposito
A fim de que os altos deuses, que imperador me fizeram,
De mais autêntica uma vida não me negarão
O desejo de que vós devíeis viver para sempre e permanecerdes
Uma fresca presença no mundo deles melhor,
Mais encantadora e no entanto não mais sedutora,
Coisas impossíveis não há que destruam nossos desejos,
Nem nossos corações aflijam com mudança, tempo e luta.


Amor, amor, amor meu! Sois um deus completo.
Este pensamento meu que, creio eu, seja um desejo,
Não o é , mas uma visão a mim concedida
Pelos grandes deuses, os quais amam de verdade e podem dar
Aos corações mortais, sob a forma de desejos –
De desejos contendo limites ocultos –
Das coisas genuínas uma visão além de
Nossa vida emparedada, de nossa percepção aos sentidos presa.
Sim, o que vos desejo que sejais já o sois.
Agora. Já no solo Olímpico.
Caminhais e sois perfeito, sois, todavia, o que sois,
Porquanto de nada mais necessitais para vos assumirdes
Perfeito, de vez que a perfeição sois.


Canta meu coração qual um pássaro matinal,
Nos deuses chega até mim uma grande esperança
E a meu coração pede que animado seja pelo mais sutil sentimento
E que maldade estranha alguma vos atinja
Pois pensar assim de vós mortal seria.


Meu amor, meu amor, meu deus-amor! Deixai-me beijar
Vossos frígidos lábios ferventes, imortais agora,
Saudando-vos ante a ventura do portal da Morte.


Não houvesse ainda nenhum Olimpo para vós, meu amor
Dar-vos-ia um, no qual o único deus poderia domínio ter
E eu vosso único adorador alegremente seria.
Vosso exclusivo adorador por toda eternidade.
Que um divino universo suficiente fosse
Para o amor e para mim e o que para mim sois.
Ter-vos é algo feito da matéria dos deuses.


Esta, contudo, é a verdade, e a minha própria arte: o deus
Que agora sois corpo é por mim criado.
Porque, se agora sois da carne realidade
Além da qual os homens envelhecem e a noite ainda desce,
É graças ao meu grandioso poder de criar o amor que vós deveis
Essa vida que infundistes em vossa memória
E a tornastes carnal. Não tivesse meu amor
Possuído um império feito de minha poderosa vontade legionária,
Não teríeis sido enviado à companhia dos deuses.


Descobriu-vos meu amor no momento em que vos
Acháveis apenas no vosso próprio corpo e natural aparência.
Portanto, quando agora invoco vossa lembrança,
Eu apenas ascendo
Ao topo da altaneira coluna da morte na forma que assumiu
E a ponho lá como uma visão de todos os amores.


Ó amor, meu amado, com a minha firme amorosa vontade, juntai-vos
Ao Olimpo, e lá sede o último dos deuses, cujos cabelos da cor de mel
Revelem divinos olhos! Assim como fostes na terra, ainda
No céu vos mostrais em forma física e vos movimentais,
Daquela felicidade do lar, um prisioneiro
Junto aos deuses mais antigos, enquanto eu na terra farei, sim,
Uma estátua em louvor à vossa viva imortalidade.


Entretanto, vossa verdadeira estátua viva hei de construir.
Não será de pedra somente, porém daquela mesma tristeza
Ditada pela vontade do eterno amor.
Sois um lado dela, consoante vos veem os deuses
Agora, e o outro, aqui, fala da memória vossa.
O deus daqueles homens meu lamento tornar-se-á e porão
No parapeito vossa nua memória
A qual dá para os mares dos tempos pósteros.
Dirão alguns que todo nosso amor não foi senão nossos crimes;
Outros afiarão contra nossos nomes os punhais
De seu ódio feliz contra a beleza da beleza e farão
Com que nossos nomes uma base de apoio sejam com a qual apaguem
Com desprezo total os nomes de todos os nossos irmãos.
Contudo, nossa presença, como eterna Manhã,
Haverá sempre de retornar à hora da Beleza e cintilar
Do Leste do Amor, como luz em relicários engastando
Novos futuros deuses, com o fim de adornar o mundo carente.


Tudo que agora sois somos eu e vós.
Contém sua unidade nossa dual presença
Naquela perfeição do corpo em que meu amor,
Por vos amar, se tornou e na verdade da vida
Fez-se deusa, em paz superior à luta
Dos tempos, e das muito superiores cambiantes paixões.


Dado que, porém, os homens veem mais com os olhos do que com a alma,
Imóvel eu, na condição de pedra, confessarei esta grande dor;
Imóvel, desejosa de que anseiem os homens por vossa presença,
Este pesar conduzirei até ao mármore
Que, em meu coração, se incrusta qual uma estrela especial.
Destarte, mesmo na pedra, nosso amor
Há de tão grandioso permanecer
Em vossa nossa alma, como, destino dos deuses,
De nosso amor encarnado e desencarnado a essência,
O qual, à semelhança de uma trombeta pelos mares ressoando
E atravessando de continente a continente
Sua alegre tristeza, com o sabor da morte nosso amor há de exclamar
Por sobre infinidades e eternidades.


E aqui, memória ou estátua, continuaremos,
Ainda unidos, de mãos dadas, sempre.
Simplesmente por sentir, não sentimos a mão um do outro.
Ainda me compreenderão os homens quando perceberem o vosso sentimento.
Poderiam todos os deuses passar pela enorme rotação dos
Tempos terrestres. Se, a não ser por vossa causa, e sendo vós um deles, foi
Que vós havíeis acompanhado a partida daqueles deuses.
Ainda assim, retornariam eles, porquanto, para despertarem, dormido haviam.


Então, no fim dos dias, logo que Júpiter renascesse
E Ganimedes outra vez início desse a seus dias festivos,
Veria nossa dual alma da morte libertada
E renascida para a alacridade, o medo, a dor –
Ou seja, tudo que no amor se encerra;
A vida – toda a beleza que realmente em lascívia se torna .
Do lídimo amor propriamente dito do amor com o encanto surpreso;
E, se nossa própria memória por inteiro se apagasse,
Mercê da raça de alguns deuses do final dos tempos, ressuscitar
Deveria nossa dual unidade.”


Prossegue a chuva. Todavia, noites com passos lentos caíam,
Fechando as pálpebras de cada sentido cansadas,
A consciência própria de si mesmo e da alma
Aumentou, tal qual uma paisagem em que pouco chovia, pouco mesmo.
Imóvel se encontrava o Imperador, tão imóvel que, agora,
Com que meio olvidara onde agora estava, ou
De onde vinha aquele lamento que era ainda sal para seus lábios.
Fora tudo algo muito distante, um pergaminho
Fechou-se. Aquilo que sentia era igual a um círculo
Que a lua aureola assim que chora a noite.


Curvada estava sua cabeça sobre os braços, e eles, deitados,
Sobre o baixo leito repousavam, aos seus sentidos alheios.
Seus olhos cerrados se lhe figuravam abertos e vendo
O chão vazio, escuro, frio, triste e sem sentido.
Seu arfar doente era tudo o que sua percepção saber podia.
Da escuridão que descia o vento levantou-se
E caiu. Nos pátios inferiores uma voz sumiu;
O Imperador dormia.
Os deuses, agora, surgiram
E consigo alguma coisa levaram - não há como saber o que fosse –
Nos invisíveis braços do poder e do descanso.

(Poemas Ingleses, Lisbon, 1915)

Poemas Ingleses. Fernando Pessoa. (Edição bilingue, com prefácio, traduções, variantes e notas de Jorge de Sena e traduções também de Adolfo Casais Monteiro e José Blanc de Portugal.) Lisboa: Ática, 1974. - 90.

1ª ed.: Antinous. Fernando Pessoa. Lisbon: 1918. 2ªed. revista e alterada in English Poems I-II. Fernando Pessoa. Lisbon: Olisipo, 1921.










Obelisco de Antinous em Roma 
Obelisco do monte Píncio (Pinciam hill) por causa de sua localização (perto do mirante da colina Píncio, ao lado da Praça do Povo), é um dos quatro obeliscos antigos romanos da época do imperador Hadriano (118-138 d.C) feito em homenagem à Antinoo, o garoto grego que Adriano amava. O obelisco foi talhado em granito rosa, Hadriano pediu para que cortassem a pedra no Egito e que levassem para Roma o obelisco pronto, apenas para inserir em frente ao monumento criado em homenagem ao adolescente (o lugar original não é preciso, apesar de algumas publicações informam que havia sido colocado na antiga via Labicana). Mede apenas 9,24 metros de altura, somando com sua base e com a estrela no topo, este obelisco chega a 12,26 metros. No século III d.C, este obelisco foi transportado para o Circo Variano e encontrado partido em três pedaços em 1589 perto da atual Porta Maggiore. Depois de sua restauração, foi colocado no jardim do Palazzo Barberini e depois no Jardim da Pinha no Vaticano, porém sem ser realmente erguido com uma base. Apenas em 1822 Giuseppe Valadier criou para este obelisco uma base e o ergueu nos jardins do monte Píncio (historiadasartes,2021).



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UM OBELISCO PARA UM DEUS

Não será de pedra somente, porém daquela mesma tristeza

A celebração do Sagrado Obelisco de Antínous marca o fim do ciclo trienal da Peregrinação em nosso calendário litúrgico. É observado pela recitação e meditação das palavras sagradas que são as mais preciosas das poucas relíquias da religião de Antínoo. 
Adriano encomendou um obelisco para ser esculpido no Egito e dedicado a Antínoo. Foi escrito em hieróglifos por um escriba egípcio e possivelmente foi erguido sobre o túmulo de Antinous na Villa de Adriano em Tibur, mas foi movido várias vezes, e agora repousa ereto nos jardins do Monte Píncio, fora de Roma. É o documento sobrevivente mais sagrado da Religião de Antinous, detalhando a deificação de Adriano, Sabina e Antinous à moda egípcia. O Obelisco está associado ao Sol e ao Falo e, portanto, é venerado como parte da Delphinea.


Uma estátua em louvor à vossa viva imortalidade.
Entretanto, vossa verdadeira estátua viva hei de construir.

Os hieróglifos egípcios no OBELISCO DE ANTINOUS afirmam claramente que Antinous responde às orações de todos que o invocam através de sonhos e visões, por exemplo. Este documento, escrito em hieróglifos em ruínas em um obelisco de granito vermelho, é o único fragmento autêntico que resta da Antiga Religião de Antínous. Acredita-se que tenha sido de autoria de Adriano, ou um sumo sacerdote, proclamando a base egípcia da Antiga Religião de Antínoo. 
Seus glifos proclamam vividamente a Religião de Antinous, e é o único documento através do qual a voz de Antinous fala diretamente. Se foi escrito por Adriano, então é o que o fundador da Religião de Antínoo quis nos transmitir. A tradução abaixo é baseada em um extenso trabalho usando o único livro acadêmico existente que fornece uma transliteração completa da inscrição hieroglífica. 

Este livro foi publicado na Alemanha em 1994 por estudiosos alemães e, portanto, sua tradução é, em alemão, não em inglês. Uma tradução oficial em inglês nunca existiu, até o momento.

A inscrição emprega generosamente trocadilhos e eufemismos deliciosamente "egípcios" que são muito difíceis de traduzir. Por exemplo, Antinous é descrito como tendo "olhos festivamente decorados" e essas palavras foram usadas em todas as traduções anteriores em inglês, baseadas no alemão. Mas outros estudiosos citados nos apêndices do livro apontam que "olhos festivamente decorados" é uma expressão idiomática que não deve ser interpretada literalmente. Na verdade, eles argumentam, isso significa que não são necessariamente SEUS olhos que são decorados, mas sim NOSSOS olhos que são adornados pela visão de sua amabilidade. Através de Seus olhos Ele nos deslumbra. Então, realmente significa "Ele é deslumbrante na beleza dos olhos" que é o que decidimos usar.

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Daquela felicidade do lar, um prisioneiro
Junto aos deuses mais antigos, enquanto eu na terra farei, sim...

A inscrição também mostra como era difícil para os egípcios traduzir conceitos gregos e romanos em hieróglifos. Por exemplo, os egípcios não tinham uma palavra para "hipódromo", já que um estádio para corridas de bigas era um conceito estranho para os egípcios. Assim, a inscrição chama-lhe "um lugar de chicotear" o que, embora colorido, talvez seja um pouco enganador. 

Assim, após cuidadosa consideração, decidimos usar a palavra "arena" nessa passagem. Um insight que vem da leitura dos glifos (que são gravados da direita para a esquerda) é a percepção de que o texto do obelisco começa na Face Leste (o Sol Nascente) e prossegue no sentido horário da direita para a esquerda ao redor do obelisco. 

Até agora, a ordem de leitura das faces era assumida como sendo Leste-Oeste-Norte-Sul. 

Mas estamos convencidos de que os egípcios pretendiam que o texto fosse lido Leste-Sul-oeste-Norte, em uma narrativa contínuaAssim, os rostos seguem como páginas de um livro. Pela primeira vez em 1.800 anos, a nova tradução abaixo torna a narrativa clara. 

Começando pela Face Leste, vemos referências a Ra-Herakhte, o Sol Nascente. Em seguida vem a Face Sul, que é a direção da Fonte do Nilo, a fonte de toda a vida, e a inscrição discute o túmulo e o estabelecimento nesta Terra da Cidade Sagrada de Antinoópolis. Em seguida, vem a Face Oeste, que é a direção do sol poente e do submundo. A inscrição fala dos Ensinamentos de Mistério mais profundos da religião e como os guardiões dos Portões do Submundo permitem que Antínous passe sem ser atendido. Finalmente, chegamos à Face Norte, que é direcionada para as Estrelas Circumpolares que os egípcios chamavam de "Os Imperecíveis". Essas estrelas e constelações ao redor da Estrela Polar, Polaris, nunca se põem abaixo do horizonte, elas nunca morrem. Os egípcios acreditavam que aqueles "imperecíveis" eram de fato os deuses e faraós. 

Assim, a inscrição fala dos milagres que Antinous realiza em virtude do fato de que ele é de fato um desses "Brilhantes" e em virtude do fato de que a força mágica da criação ("o sêmen do Primeiro Deus") verdadeiramente está em seu corpo. 

O Obelisco de Antinous é o documento mais importante da nova Religião de Antinous, e é o único vestígio da religião original, uma inscrição sagrada sem paralelo, mas sua origem e finalidade permanecem completamente veladas em mistério, assim como tudo o que resta de Antinous.

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Superbly engraved on this unusually large black chalcedony gem is a portrait bust of Antinous, the young favorite of the Emperor Hadrian (76-138 A.D.), who drowned in the Nile in 130 A.D. Traditionally identified as depicting him in the guise of a hunter, Antinous wears a chlamys over his shoulders pinned in place by a circular fibula and carries a spear. His idealized facial features display a rounded chin, full lips and thick hair arranged in luscious curls that cover his ears and fall along his neck. Stylistically, this gem is exactly that of his main portrait types in marble. The extraordinary quality of the engraving has led many to proclaim this the finest surviving portrait of Antinous in existence in any medium. Some of the missing portions of his bust were restored during the Renaissance in gold. Behind his shoulders three letters are preserved, ANT […], plus a portion of a fourth letter and possibly parts of the others, the inscription either identifying the subject or perhaps an artist’s signature.

The Marlborough Antinous is one of the most famous gems to survive from antiquity and has a long list of owners since its rediscovery in the Renaissance. So great was the mania inspired by this gem that its first documented modern owner, Anton Maria Zanetti (1679-1767), who had pursued the gem for some time before acquiring it, supposedly saying that he would have sold his house to buy it. From him the gem was purchased by George Spencer (1739-1817), the 4th Duke of Marlborough, who wrote that it was “of an incredible beauty,” making it the highlight of perhaps the most extraordinary collection of antique gems ever assembled. The entire Marlborough Collection of gems was first sold at Christie’s en masse to David Bromilow in 1875. The collection remained intact until his daughter sold the gems, again at Christie’s, in 1899. The Antinous was acquired in that sale by Charles Newton Robinson, whose collection was in turn dispersed at Christie’s ten years later. Its owner for the first half of the 20th century is unknown. The gem would reappear at auction at Sotheby’s in 1952, and then it was acquired by Giorgio Sangiorgi, who considered it “excellent work of courtly art comparable with the most celebrated portraits of Antinous…”

About Antinous, ancient sources record that he was born near the provincial city of Bithynion (northwest Turkey) sometime after 110 A.D. He was a member of Hadrian’s large entourage on an inspection tour of the Empire. While travelling in Egypt in 130 A.D., Antinous drowned in the Nile, either the result of an accident, intrigue or suicide said to have been committed to counter a prophecy in order to save the Emperor’s life. In his honor, Hadrian founded Antinopolis, a new city on the east bank of the Nile. In addition, Antinous was posthumously venerated, in some places as a god, in others as a hero, throughout the Empire, including at the Imperial Villa at Tivoli. His memory was honored in temples, festivals, games, poems and hymns. The large number of surviving statues, busts, reliefs, coins and gems depicting Antinous indicate the popularity of his cult as promoted by Hadrian (see pp. 11-16 in R.R.R. Smith and M. Melfi, Antinous, Boy Made God).

As in the case of this gem, most of the surviving portraits of Antinous must date to the eight years between his own death in 130 A.D. and that of Hadrian in 138 A.D. Often Antinous was depicted in the guise of a pre-existing Greco-Roman or Egyptian god, depending on where the image was created. He can be shown as Osiris, as in the example from the Antinoeion at Hadrian’s Villa, now in the Vatican Museums (fig. 156 in T. Opper, Hadrian, Empire and Conflict), as Dionysus, also in the Vatican (fig. 166 in Opper, op. cit.) and as the hunting and agricultural god Aristaios, now in the Louvre (fig. 168 in Opper, op. cit.). In this last example, he holds a hoe over his shoulder, in a position that recalls that of the spear seen on the gem, and while it has always been called a spear in the vast literature, its identification as a hoe is equally plausible.

The use of black chalcedony for the gem may mean that this portrait was connected to mourning, as suggested by Furtwängler (op. cit.), and indeed the color was already emblematic of mourning for the Romans, who considered a dark toga pulla the appropriate garb for burial ceremonies (see p. 141 in J.L. Sebesta and L. Bonfante, eds., The World of Roman Costume).

Since it was first published by Zanetti in 1740, the gem has unceasingly been the subject of scholarly interest, particularly concerning its incomplete inscription. The first three letters ANT are clearly visible, and the beginnings of a fourth letter can just be made out. Lippert thought it was for Gnaeus, the name of an ancient gem engraver; Bracci regarded the gem a work by another ancient artist Anterote; Raspe believed the inscription could be completed as “ANTI[nous].” Levezow postulated an abbreviated “ANT[inous] H[eros],” a creative solution that drew few supporters. The discovery in 1907 at Lanuvium, south of Rome, of a relief depicting Antinous as the agrarian god Silvanus (now in the National Museum of Rome, fig. 30 in Smith and Melfi, op. cit.) lead to further speculation. The Silvanus relief is signed by the Greek sculptor Antonianos of Aphrodisias. Some years after its discovery, Seltman suggested that the Antonianos who created the Sylvanus relief had also engraved and signed the gem, believing the fourth letter in the gem’s inscription to be a “rather angular” omega. While the identification of the inscription may never be decided, what is clear is that the Antinous portrait presented here is one of the finest gems to have survived since antiquity. (christies)

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THE celebration of the Sacred Obelisk of Antinous marks the end of the three-year cycle of the Peregrination in our liturgical calendar. It is observed by recitation and meditation on the holy words that are the most precious of the few relics of the religion of Antinous. 

Hadrian commissioned an obelisk to be carved and dedicated to Antinous. 

It was written in hieroglyphs by an Egyptian scribe and was possibly erected over the tomb of Antinous at Hadrian's Villa at Tibur, but was moved several times and is now located on Monte Pincio outside of Rome. 

It is the most sacred surviving document of the Religion of Antinous, detailing the deification of Hadrian, Sabina and Antinous after the Egyptian fashion. The Obelisk is associated with the Sun and with the Phallus and is therefore venerated as part of the Delphinea.

The Egyptian hieroglyphs on the OBELISK OF ANTINOUS state clearly that Antinous answers the prayers of all who call upon him through dreams and visions, for example.


This document, written in crumbling hieroglyphs on an obelisk of red granite, is the only authentic fragment which remains from the Ancient Religion of Antinous. It is believed to have been authored by Hadrian, or a high priest, proclaiming the Egyptian basis of the Ancient Religion of Antinous.

It vividly proclaims the Religion of Antinous, and it is the only document through which the voice of Antinous speaks directly. If it was written by Hadrian, then it is what the founder of the Religion of Antinous wished to convey to us.

The translation below is based on extensive work using the only scholarly book in existence which provides a full transliteration of the hieroglyphic inscription. This book was published in Germany in 1994 by German scholars and so their translation is of course in German — not English. An authoritative English translation has never existed — until now.

The inscription liberally employs deliciously "Egyptiany" puns and euphemisms which are very difficult to translate. For example, Antinous is described as having "festively decorated eyes" and those words have been used in all previous English translations, based on the German. But other scholars cited in the book's appendices point out that "festively decorated eyes" is an idiomatic expression not to be taken literally. In fact, they argue, it means it is not necessarily HIS eyes which are decorated, but rather it is OUR eyes which are adorned by the vision of his loveliness. Through His eyes He dazzles us. So it really means "He is dazzling in beauty of the eyes" — which is what we have decided to use.

The inscription also shows how difficult it was for the Egyptians to translate Greek and Roman concepts into hieroglyphs. For example, the Egyptians had no word for "hippodrome" since a stadium for chariot-racing was an alien concept to the Egyptians. So the inscription calls it "a horse-whipping place" which, while being colorful, is perhaps a bit misleading. So, after careful consideration, we have decided to use the word "arena" in that passage.

One insight which comes from reading the glyphs (which are incised right-to-left) is the realization that the text begins on the East Face (the Rising Sun) and proceeds clockwise right-to-left around the obelisk. Hitherto, the order of the faces was assumed to be East-West-North-South. But we are convinced the Egyptians meant the text to be read East-South-West-North, in one continuing narrative. Thus, the faces follow like pages in a book. For the first time in 1,800 years, the new translation below makes the narrative sense clear.

Starting with the East Face, we see references to Ra-Herakhte, the Rising Sun.

Next comes the South Face, which is the direction of the Source of the Nile, the source of all life, and the inscription discusses the tomb and the establishment on this Earth of the Sacred City of Antinoopolis.

Then comes the West Face, which is the direction of the setting sun and the Underworld. The inscription speaks of the deeper Mystery Teachings of the religion and how the guardians of the Gates of the Underworld permit Antinous to pass through unheeded.

Finally, we come to the North Face, which is directed to the Circumpolar Stars which the Egyptians called "The Imperishables". These stars and constellations around the Pole Star Polaris never set below the horizon — they never die. The Egyptians believed those "Imperishables" were in fact the gods and pharaohs. Accordingly, the inscription speaks of the miracles which Antinous performs by virtue of the fact that he is indeed one of these "Shining Ones" and by virtue of the fact that the magical force of creation ("the semen of the First God") truly is in his body.

The Obelisk of Antinous is the most important document of the new Religion of Antinous, it is the only vestige of the original religion, a sacred inscription without parallel, but its origin and purpose remain completely veiled in mystery, as is everything that remains of Antinous.

☆☆☆

Nome de Antinous em hieróglifos (Cartucha?)

Cartucha de Hadriano

O mundo mudou em 130 d.C. Enquanto Adriano estava visitando a província do Egito no final de 130 dC, seu favorito, Antínoo, afogou-se no rio Nilo em circunstâncias misteriosas. Este trágico evento levou à criação de uma nova divindade: Osirantino, ou Antinous como manifestação de Osíris, o deus que morre e renasce. 

Uma das nossas melhores fontes de informação sobre a nova divindade Osirantinos e a fundação de Antinópolis, a nova cidade criada por Adriano perto do local da morte de Antinous, é um obelisco encontrado em Roma, nos arredores da Porta Maggiore, no final do século XVI. O obelisco de granito rosa de Aswan, que agora fica nos Jardins da Colina Pincia (monte Pincio), foi encomendado por Adriano depois de 130 dC para homenagear o falecido Antínous. A história e o tempo fizeram desaparecer todas as pessoas que difamaram e desonraram a bela história desses seres humanos que um dia se encontrarm numa esquina do universo, se aproximaram e se amaram. Mas o nome de Antinous e Hadriano permanecem eternos e inesquecíveis em nossa memória e nos anais da história.
que todos aqueles que ainda hoje aviltam, caluniam, conspurcam, desabonam, esse sentimento natural e sagrado desapareçam na lata do lixo da história hunana e que seus atos de discriminação conheçam um dia o fim. 


☆☆☆
O OBELISCO DE ANTINOUS 
THE OBELISK OF ANTINOUS

Escavações arqueológicas conduzidas no Antinoeion, por Zaccaria Mari e Sergio Sgalambro, encontrarm estátuas negras e de mármore onde possivelmente se localizava o local da sepultura de antinous. Esses pesquisadores especulam que o obelisco Pinciano foi originalmente erguido na base quadrada no centro do complexo do Antinoeion. As inscrições hieroglíficas no obelisco parecem indicar que o obelisco marcava o verdadeiro túmulo de Antinous, o que levou Mari e Sgalambro a sugerir que o Antinoeion era o local do túmulo que abrigava seus restos mortais. Para eles, o termo "jardim" mencionado no obelisco significa claramente a Vila de Adriano. Várias peças de esculturas de estilo egípcio foram encontradas no Antinoeion durante as escavações em 2002, incluindo fragmentos arquitetônicos egípcios e uma pequena cabeça com capacete faraônico (veja a imagem aqui). Outras estátuas, encontradas anteriormente, provavelmente vieram do Antinoeion, como o Antinous-Osiris (agora no Vaticano), bem como o Harpócrates (agora nos Museus Capitolinos).

Tem sido sugerido que o Obelisco ficava no Monte Palatino, em Roma, nos Jardins de Adonis (Horti Adonea, perto do templo de Heliogábalo) no local da atual Vigna Barberini. Outra hipótese do egiptólogo francês Jean-Claude Grenier o coloca no Horti Domitiae em que Adriano ergueu seu mausoléu. Sua teoria é baseada na pesquisa realizada por G. di Vita-Evrard que afirmou que o Horti Domitiae pertencia à mãe de Adriano, e não a Domítia, a esposa de Domiciano. Para Grenier, seria razoável acreditar que Adriano erigiu o obelisco na propriedade romana que herdou de sua mãe. O "jardim de propriedade do Príncipe de Roma" mencionado no obelisco, segundo Grenier, seris o Horti Domitiae e não a Villa de Adriano. Além disso, Grenier traduz a preposição “de” por “em” traduzindo-a assim para “jardim de propriedade do príncipe em Roma”. Claramente, sua localização depende da renderização precisa dos hieróglifos.


Os arqueólogos do Antinoeion, Zaccaria Mari e Sergio Sgalambro, especulam que o obelisco Pinciano foi originalmente erguido na base quadrada no centro do complexo. As inscrições hieroglíficas no obelisco parecem indicar que o obelisco marcava o verdadeiro túmulo de Antinous, o que levou Mari e Sgalambro a sugerir que o Antinoeion era o local do túmulo que abrigava seus restos mortais. Para eles, o termo "jardim" mencionado no obelisco significa claramente a Vila de Adriano. Várias peças de esculturas de estilo egípcio foram encontradas no Antinoeion durante as escavações em 2002, incluindo fragmentos arquitetônicos egípcios e uma pequena cabeça com capacete faraônico. Outras estátuas, encontradas anteriormente, provavelmente vieram do Antinoeion, como o Antinous-Osiris (agora no Vaticano), bem como o Harpócrates (agora nos Museus Capitolinos).

Os estudiosos estão divididos sobre onde o obelisco pode ter ficado originalmente. Por muito tempo pensou-se que foi trazido para Roma de Antinopolis, no Egito, na primeira metade do século III dC. No entanto, novas pesquisas arqueológicas e uma inscrição no obelisco sugerindo que ele ficava no “jardim de propriedade do príncipe de Roma” sugerem que ele pode ter sido erguido no Antinoeion na vila de Adriano. As recentes escavações na vila imperial revelaram os restos de um complexo de templos dedicados a Antínoo, que consistia em dois pequenos templos tetrastilos (com quatro colunas) frente a frente com um êxedra semicircular com colunas. Acredita-se que uma fundação quadrada de concreto (3,0 x 3,0 m) localizada exatamente entre os dois templos tenha sustentado um obelisco.

Uma êxedra, em arquitetura, refere-se a um amplo átrio ou pórtico semicircular com assentos cobertos ou expostos ao ar livre, que serviam de local para reunião onde discussões dos antigos pensadores, filósofos, oradores e literatos se desenrolavam. O significado original grego, ἐξέδρα, um lugar fora de portas, era aplicado a uma sala aberta para uma stoa, providos de bancos curvos de pedra com o propósito de servir de espaço para discussões filosóficas.

O obelisco foi encontrado em três pedaços pelos irmãos Saccocci em seus vinhedos em 1570 e mais tarde foi comprado pelo cardeal Francesco Barberini em 1632. Era então conhecido como o Obelisco Barberini. Donna Cornelia Barberini-Colonna, descendente do Cardeal, doou-os ao Papa Clemente XIV em 1773, que o transferiu para o Cortile della Pigna, no Vaticano, mas não foi restaurado ou erguido. Em 1822 foi definitivamente erguido na colina Pinciana pelo Papa Pio VII, onde está até hoje. Desde então é conhecido como Obelisco Pinciano.

No século III dC, a área da Porta Maggiore ao longo do Aqua Claudia era o local de uma propriedade que pertencia ao imperador Heliogábalo. Na década de 1950, escavações perto da igreja de Santa Croce em Gerusalemme revelaram as estruturas de um vasto hipódromo privado conhecido como Circus Varianus.




Obelisco Pinciano o Obelisco de Antinous

As quatro faces do obelisco são cobertas de relevos e hieróglifos. A referência à esposa de Adriano, Sabina, estar viva na face leste do obelisco mostra que data entre a morte de Antínous em 130 dC e a de Sabina em algum momento de 136 ou início de 137. “Os touros e suas vacas se reproduzem vigorosamente e produzem seus descendentes para ele [Adriano], para alegrar seu coração e o de sua grande e amada consorte real, a Senhora das Duas Terras (Alto e Baixo Egito) [Rainha do Egito] e das cidades, Sabina, que vive, está segura e com saúde, a Augusta que vive para sempre”.

Uma hipótese levantada por Zaccaria Mari e Sergio Sgalambro afirma que o obelisco certamente foi esculpido na Itália tanto por suas características estruturais quanto pelo estilo de seus hieróglifos. De fato, devido ao fraseado confuso dos hieróglifos, houve várias interpretações do texto do hieróglifo que foi traduzido de um texto escrito em latim ou grego para hieróglifos egípcios.

O obelisco saúda Antínous como Osirantino, o Renascido e Eterno. Como Osíris, acreditava-se que Antínoo renasceu das águas do Nilo e, embora morto e enterrado em um túmulo (cuja presença provavelmente foi marcada pelo obelisco), Antínoo viverá para sempre.

O obelisco fornece informações importantes sobre Antínoo, a nova cidade de Antínópolis, o templo de Antínoo e seu culto. Tem uma dedicatória de cada lado, uma das quais é em homenagem a Adriano (lado leste). Os outros três lados são essencialmente dedicados a Antínous como a nova divindade Osirantino que é retratada antes de Thoth, Amon e uma divindade egípcia indiscernível (lados norte, sul e oeste) (followinghadrian)


"Quão desejável é o elogio, que é feito para (?) Osirantinoos, o justificado. Seu coração se alegra muito quando ele reconheceu sua própria forma, quando ele renasceu e viu seu pai Har-[achte]. Ele [o elogia?] e diz: Louvado seja você, Har-achte, o mais alto dos Deuses! Você que ouve as orações dos deuses, dos homens, dos transfigurados e dos mortos. Ouve (também) as súplicas que te confio. Recompense o que seu filho amado fez por mim, seu filho (Adrian) o rei do Alto e Baixo Egito, que fundou uma doutrina nos templos com a qual os deuses se agradam de todos os homens, [Adrian] [o amado de o Nilo e os Deuses], o Senhor das Diademas que vive, é seguro e saudável, que vive para sempre [assim como o Sol] [em] uma nova e bela idade jovem, enquanto ele é um possuidor de fortuna (?), o governante de todos os países […] Os touros e as suas vacas juntam-se alegremente (e) produzem muito, que carregam para ele, a fim de alegrar o seu coração e o da grande dama real amada por ele, a rainha de ambos os países, Sabina, que vive, está segura e saudável, Augusta, que vive para sempre... e o (Nilo), o pai dos deuses, engravida os campos para eles, e faz para eles um grande oceano em seu tempo para inundar ambas terras." (followinghadrian).

FACE LESTE 
Em direção ao sol recém-nascido 

Antinous o Deus, Seu coração em êxtase Por ter conhecido Sua Verdadeira Forma E por Ter visto Seu pai Ra-Harakhte, É Antinous quem traz esta oração. 
Assim Seu Coração Proclama: Ra-Harakhte, supremo entre os deuses, Aquele que ouve as orações dos Deuses e Homens, Dos Transfigurados e dos Mortos, Ouve também a súplica de Adriano, Que está diante de ti! Como recompensa por tudo que ele fez por mim, Antínoo, seu filho amado, recompense generosamente Adriano, Senhor do Alto e do Baixo Egito, Que fundou uma nova e magnífica religião Nos santuários do templo para todos os povos, Que agradou aos Deuses! E ele é chamado de "Amado de Hapy e de todos os deuses", O Senhor das Coroas, Adriano César Que ele tenha Vida Eterna, Prosperidade e Santidade Ao longo de todos os tempos como Ra, Florescendo e ressurgindo Ao longo dos tempos! Ele é Nosso Senhor, O governante de todas as terras, O Nobre Augusto! Os senhores do Egito se curvam a ele, E os bárbaros são vencidos Sob seus pés, Como sempre foi Sob os governantes do Alto e Baixo Egito. Eles vêm a existir pela pronunciação de sua palavra, Seu poder se estende até os confins do reino E os quatro cantos da Terra! Touros acasalam em êxtase com vacas E dão à luz seus filhotes para Adriano, Para agradar seu coração e o de sua grande e amada Rainha, A Senhora do Alto e Baixo Egito e de todas as suas cidades, Sabina Sebaste Augusta! Que ela tenha Vida Eterna, Prosperidade e Santidade para sempre! Hapy, progenitor dos deuses, Em nome de Adriano e Sabina, Arranje a inundação em tempo fortuito Para tornar férteis e abundantes os campos Do Alto e Baixo Egito!
Relevo da face leste do obelisco ((followinghadrian)
Faraó Adriano enfrentando Ra-Horakhty. O relevo do lado leste mostra o faraó Adriano carregando uma oferenda (desaparecida) em sua mão direita para um deus com cabeça de falcão sentado. O deus é coroado com um cocar em forma do disco solar e segura o cetro na mão direita e o ankh no lado esquerdo. Ele é Ra-Horakhty. Hórus era um deus do céu, e Ra era o deus do sol. Assim, Ra-Horakhty foi pensado como o deus do sol nascente.

☆☆
FACE SUL
Em direção à fonte do Nilo

Um rosto que vê o Sol passar pelo meridiano. Antinous o Deus está aqui! Ele repousa neste lugar que está nos Campos Fronteiriços de Nossa Senhora Roma. 
Em todos os Lugares Sagrados do Egito Ele é reconhecido como Divino.
Santuários do templo são erguidos a Ele, E Ele é reverenciado como um Deus Pelos oráculos e sacerdotes Do Alto e Baixo Egito, De fato, por todo o povo do Egito! A cidade de Antinoópolis foi nomeada em sua honra, povoada pelos gregos do Egito, bem como pelos sacerdotes dos templos do Egito, e aqueles que vieram a este lugar com a promessa de esplendores além de qualquer medida.
Um templo para Antínous, o Deus, que está entre os resplandecentes do céu, está localizado nesta cidade construído de boa pedra branca, cercado por esfinges e estátuas e inúmeras colunas como aqueles templos erguidos por nossos ancestrais e também como os dos gregos. Todos os deuses e deusas dão a ele o sopro da vida eterna para que ele possa respirar como alguém que é eternamente jovem!

Relevo do lado sul. Antínous frente a uma divindade egípcia indiscernível.
O texto abaixo traz informações importantes sobre a fundação de Antinopolis e o surgimento do Templo de Antinous; “[Antinoos] quem está lá (ou seja, falecido), e quem descansa neste lugar, que está no campo das terras (?) do mestre (?) de…. de Roma, foi reconhecido como (?) um Deus nos lugares divinos do Egito. Templos foram fundados para ele, ele foi adorado como um deus pelos profetas e sacerdotes do Alto e do Baixo Egito, e pelos habitantes do Egito, todos eles como existem. Uma cidade tem o nome de seu nome...". Antinopolis é descrita como uma cidade povoada pelas "tropas" dos gregos das Duas Terras e aqueles que estão nos templos do Egito vêm aqui de seus próprios lugares e recebem terras cultivadas para tornar suas vidas boas além da medida".(followinghadrian) 

O texto também descreve seu templo erguido nesta cidade que foi "construído de boa pedra branca, cercado por estátuas dos deuses … e por inúmeras colunas, feitas como costumavam ser feitas por nossos antepassados e também como eram feitas pelos gregos."


☆☆☆
FACE OESTE
Em direção ao submundo

Antinous o Deus, que está entre os brilhantes do céu, foi transfigurado em um Deus de eterna juventude, de semblante perfeito, que é deslumbrante na beleza dos olhos, cujo coração está cheio de alegria heróica desde que recebeu a ordem do Deuses Na hora de sua morte. Cada ritual do Livro das Horas será repetido para ele junto com cada um de Seus Mistérios. 
Sua Palavra será espalhada por todo o mundo. Seu ensinamento será um rio sem fim De admoestação, inspiração e mistério. 
Nada comparável foi conferido a qualquer homem mortal antes de agora, Assim como com Seus altares, Seus templos E Suas imagens sagradas. 
Tudo em virtude da Verdade Que Ele respire o Sopro da Vida Eterna. E Sua magnitude vem a existir No coração de todos os homens.
Senhor de Hermópolis, Senhor das Palavras Sagradas, Thoth! Pegue a Alma de Antínous E faça-a Eternamente Jovem A cada momento de cada noite, E a cada dia, por toda a Eternidade!
O amor por Ele enche os corações de Seus seguidores E o Temor Dele está com todos. Seus crentes levantam suas vozes em louvor Quando O adoram.
Ele toma Seu assento no Salão dos Justificados, Iluminados e Exaltados, Que estão na comitiva de Osíris No Reino do Submundo, Pois o Senhor da Eternidade encontra Justiça Nele! Através dos Deuses Sua Palavra perdura sobre a Terra, Porque Ele enche seus corações de alegria! 
Ele é capaz de entrar em qualquer lugar que desejar. Os guardiões dos portões Do Reino do Submundo dizem "Louvor a Ti" a Ele... Eles soltam seus ferrolhos E abrem seus portões diante dele... Milhões de anos... diariamente... Como sua duração da vida é como o sol, Nunca na eternidade transcorrendo.

Relevo da face Oeste. Antinous em face do deus Toth.
O texto abaixo evoca o homem que foi Antínoo, sua morte decidida pelos deuses e os ritos funerários que se seguiram; “Osirantinoos, o justificado – tornou-se um jovem com um rosto bonito que encantava os olhos... força com coração inteligente (?) como de braços fortes, recebeu uma ordem dos deuses no momento de seu falecimento. Todos os usos das horas de Osíris foram repetidos nele, incluindo toda a sua passagem. Todos os usos das horas de Osíris foram repetidos para ele, incluindo todo o seu trabalho como um mistério; seus escritos circularam, enquanto toda a terra estava em... e... e... Tal coisa não foi feita antes até hoje - e similarmente seus altares, seus templos e seus títulos, e ele soprou o sopro da vida.(followinghadrian).


☆☆☆
FACE NORTE
Rumo aos Imperecíveis Circumpolares

Eis que Antinous, o Deus está aqui, que está entre os brilhantes! Uma arena foi erguida em Sua cidade sagrada no Egito, Antinoópolis, que foi nomeada para Ele, Sendo para os campeões de todas as terras da Terra, Para as equipes de remo e os corredores E para os mestres das artes Do Senhor das Palavras Sagradas, Thoth. E eles recebem prêmios gloriosos E coroas e recompensas de riquezas abundantes. As ofertas são trazidas diariamente sobre Seus altares. Ele é honrado em louvor pelos artistas de Thoth De acordo com Sua glória. Ele caminha de seu lugar de descanso Para Seus inumeráveis ​​templos Por todo o reino terrestre. Ele ouve as orações de todos aqueles que clamam por Ele, E Ele cura as aflições dos necessitados Enviando visões de cura enquanto eles sonham. Uma vez que Ele realizou Sua obra entre os vivos, Ele toma todas as formas que Seu coração desejar, Pois a semente do Primeiro Deus Verdadeiramente está em Seu corpo!

O relevo da face oeste mostra Antinous se aproximando do deus egípcio do submundo Thoth. O deus com cabeça de íbis, coroado com um disco solar, segura na mão esquerda o cetro e ergue o ankh com a mão direita.(followinghadrian)

Face norte do obelisco de Antinous.

Face norte 
O relevo do lado norte retrata Antínoo, vestido com roupas tradicionais egípcias, de frente para o deus Amon, enquanto o texto abaixo descreve os jogos realizados em homenagem a Antínoo na cidade que leva seu nome.(followinghadrian)

"Antinoos, que está lá (ou seja, falecido) ... um lugar de festa (?) foi feito nesta cidade no Egito, que é nomeado para ele, para os fortes (jovens) que estão neste e, e para os equipes de remo e para o... de todo o país e igualmente para todas as pessoas que estão (?) com (?) o deus Thoth, enquanto há prêmios para eles e coroas de flores para suas cabeças? eles recompensam com todas as coisas boas. Eles colocam em seus altares, eles trazem... diariamente que como diariamente (?) oferendas (?).

“Antinoos, who is there (i.e., deceased) …a festival place (?) has been made in this city in Egypt, which is named for him, for the strong (youths) who are in this and, and for the rowing crews and for the… of the whole country and likewise for all the persons who are (?) with (?) the God Thoth, while there are prizes for them and crowns of flowers for their heads; they reward with every good thing. They place on his alters, they bring… daily which as daily (?) offerings (?).


Reconstrução imaginativa do Circus Varianus, Hippodromus Aureliani Imp., gravura colorida à mão de Giacomo Lauro (1550-1605) de Antiquae urbis splendor.(followinghadrian)

As quatro faces do obelisco de Antinous 
Obeliscus olim Veranus”, Roma. Gravura de Joannes Blaeu (1633). Esta gravura retrata os quatro lados do obelisco de Antinous. Ao fundo, o obelisco está partido em três pedaços no pátio do Palazzo Barberini, em Roma. (followinghadrian)

“Obeliscus olim Veranus”, Rome. Engraving from Joannes Blaeu (1633). This engraving depicts the four sides of the obelisk of Antinous. In the background the obelisk is lying broken in three pieces in the court of the Palazzo Barberini in Rome. 


EAST FACE
Towards the Newborn Sun

Antinous the God, His heart in rapture At Having come to know His True Form  And at Having seen His father Ra-Harakhte, It is Antinous who brings forth this prayer.
Thus His Heart Proclaims: Ra-Harakhte, supreme among the gods, He who hears the prayers of the Gods and Men, Of the Transfigured and the Dead, Hear also the plea of Hadrian, Who stands before you! As recompense for all he has done For me, Antinous, your beloved son, Generously reward Hadrian, Lord of Both Upper and Lower Egypt, Who founded a magnificent new religion In the temple shrines for all people, Which has pleased the Gods!
And he is called "Beloved of Hapy and All the Gods",
The Lord of Crowns, Hadrianus Caesar
May he have Eternal Life, Prosperity and Sanctity 
Throughout all time like Ra, Blossoming and rising anew Throughout the ages!
He is Our Lord, The ruler of all lands, 
The Noble Augustus!
The Lords of Egypt bow to him, And the Barbarians are vanquished Beneath his feet, As it has always been 
Under the rulers of Upper and Lower Egypt.
They come into being by the utterance of his word, 
His might extends to the far reaches of the realm 
And the four corners of the Earth!
Bulls mate in rapture with cows
And bring forth their young for Hadrian, 
To please his heart and that of his great and beloved Queen, The Mistress of Upper and Lower Egypt and all its cities, Sabina Sebaste Augusta! May she have Eternal Life, Prosperity and Sanctity forever!
Hapy, progenitor of the gods, On behalf of Hadrian and Sabina, Arrange the inundation in fortuitous time To make fertile and bountiful the fields Of Both Upper and Lower Egypt!

SOUTH FACE
Towards the Source of the Nile

A face que vê o Sol passar pelo meridiano 
Antinous the God is here! He rests in this place which is in the Border Fields of Our Lady Rome.
In all Sacred Places of Egypt He is recognized as Divine.
Temple shrines are raised to Him, And He is revered as a God By the oracles and priests Of Upper and Lower Egypt, Indeed by all the people of Egypt!
The City of Antinoopolis was named in His honour, Populated by the Greeks of Egypt As well as priests from the temples of Egypt, And those who have come to this place With the promise of splendours beyond all measure.
A Temple to Antinous the God, Who is among the Shining Ones of Heaven, Is located in this city Built of good white stone, Surrounded by sphinxes and statues And innumerable columns Like those Temples erected By Our Ancient Ancestors And also like those of the Greeks.
All Gods and Goddesses Give Him the Breath of Eternal Life That He might breathe As One Who Is Eternally Young!

WEST FACE
Towards the Underworld

Antinous the God, Who is among the Shining Ones of Heaven, Has been transfigured into a God of Eternal Youth, Perfect of countenance, Who is dazzling in beauty of the eyes, Whose heart is full of heroic joy Since He received the order of the Gods At the hour of his death.
Every ritual of the Book of the Hours Shall be repeated for him Along with each of His Mysteries.
His Word shall be spread to the whole world. His teaching shall be a never-ending river Of admonition, inspiration and mystery.
Nothing comparable has been conferred On any mortal man before now, Just as with His altars, His temples And His sacred images.
All by virtue of the Truth That He breathes the Breath of Eternal Life. And His magnitude comes into being In the hearts of all men.
Lord of Hermopolis, Lord of the Sacred Words, Thoth! Take the Soul of Antinous And make it Eternally Young At every moment of every night, And every day, for all Eternity!
Love for Him fills the hearts of His followers And the Awe of HIM is with all. His believers raise their voices in praise When they worship Him.
He takes His seat in the Hall of the Justified, The Illuminated and the Exalted, Who are in the entourage of Osiris In the Kingdom of the Underworld, For the Lord of Eternity finds Justice in Him!
Through the Gods His Word endures upon the Earth, Because He fills their hearts with joy!
He is able to enter any place he wishes. The guardians of the gates Of the Kingdom of the Underworld Say "Praise to You" to Him... They loosen their bolts And throw open their gates before him... Millions of years long...daily... As his duration of life is as the sun, Never in eternity elapsing!

NORTH FACE
Towards the Circumpolar Imperishables

Behold, Antinous the God is Here, Who is among the Shining Ones!
An arena was erected in His sacred city in Egypt Antinoopolis, which was named for Him, Being for the champions from all lands of the Earth, For the rowing teams and the runners And for the masters of the arts Of the Lord of Sacred Words, Thoth. And they are awarded glorious prizes And wreaths and rewards of plentiful riches.
Offerings are brought daily upon His altars.
He is honored in praise by the artists of Thoth In accordance with His glory.
He strides forth from his resting place To His innumerable temples All across the earthly realm.
He hears the prayers of all those who call out to Him, And He cures the afflictions of those in need By sending healing visions while they dream.
Once He has accomplished His work among the living, He takes every shape that His heart desires, For the semen of the First God Truly is in His body!




https://www.youtube.com/watch?v=APMoQU7U9qU



ANTINOUS AND HADRIAN: THE LOST LOVE 
(Aqui o texto original: greeceinsiders)

O caso entre o imperador Adriano e o seu companheiro grego Antínous é talvez o romance mais famoso e trágico que inspirou o grande período criativo final da arte clássica e também artistas subseqüentes por quase dois milênios. Um grande romance, não escandaloso pelo que se poderia pensar: o escândalo não era que Adriano tivesse um cortesão masculino, mas que Adriano realmente o amava e, provavelmente, era amado em troca.

Um dia, sob a “luz solar inclinada” do final de outubro do ano 130 d.C, um corpo foi encontrado nas águas do rio Nilo, perto da pequena cidade de Hir-wer. Era o de um jovem de dezoito a vinte anos, de porte atlético e cabelos presos ao pescoço em cachos grossos. O nome dele era Antinous. E ele era o rapaz grego de Bithynion, o amado cortesão, se nada mais, do próprio imperador romano de 54 anos, Hadrian.

Não havia sinais de violência no seu corpo. Assim, começaram a circular rumores em torno das circunstâncias que levaram ao evento fatal. Foi um acidente mortal ou um assassinato? Ele havia cometido suicídio por desespero pelo seu relacionamento com Hadrian, ou sacrificou-se para salvar o imperador de algum destino terrível? Não tenho idéia por que um jovem tão vigoroso e saudável havia encontrado uma morte tão prematura: além do fato evidente de que ele se afogara.

Hadrian ficou arrasado. A sua dor logo se tornou mais um escândalo do que o caso em si.

“… enquanto navegava no Nilo, perdeu o Antinous, por quem chorou como uma mulher. Sobre isso, existem vários rumores, alguns alegando que ele havia sacrificado a sua vida por causa de Hadrian , outros reivindicando o que seu físico e também a sensualidade de Hadrian sugerem [ou seja, que ele estava ficando velho demais para o desejo do imperador] “.

A pequena cidade de Hir-wer, onde ele morreu, foi substituída por Antinoópolis, a única nova cidade fundada e re-planejada pelo imperador. Inúmeras imagens de Antinous adornavam os novos e esplêndidos edifícios cívicos e o hipódromo. Pois toda a cidade era seu memorial e seu santuário, talvez também seu local de sepultamento.

O rapaz grego desconhecido de repente tornou-se mundialmente famoso. No Egito, ele foi imediatamente identificado com o outro jovem deus que havia morrido no Nilo e ressuscitado, Osíris. Logo depois, ele foi assimilado ao equivalente helênico de Osíris, o deus Dionísio, que também havia sofrido, morreu e renasceu. Em outros tempos, ele foi identificado com Hermes, que tinha o poder de resgatar mortais do submundo.

Quatro anos após o afogamento no Nilo, um culto a Antínous espalhou-se pelo mundo mediterrâneo. Nessa atmosfera muito peculiar, extática e religiosa, o advento do novo deus foi recebido com entusiasmo espontâneo. No mundo grego, de onde ele veio, mais de quarenta cidades organizaram venerações, festivais e jogos regulares em sua homenagem, enquanto cerca de trinta cidades gregas possuíam o direito de cunhar moedas e medalhões comemorativos que ilustravam a sua beleza incomparável. 

Concomitante a isso, os escultores de todo o mundo antigo conhecido trabalhavam duro para criar imagens do deus-herói em mármore ou bronze. 

Hadriano comemorou publicamente Antinous em um grande número de representações; um memorial público incomparável para seu amor perdido. Diz-se que cerca de 2.000 esculturas foram produzidas em quase oito anos e antes de Hadriano morrer em 138 d.C.

Realmente não sabemos os efeitos desse suposto "escândalo" e do próprio culto a esse novo Deus nos três séculos em que o cristianismo conquistou o Império Romano. 

Ironicamente, o próprio escândalo e o mistério mantiveram a memória de Antinous viva por milênios, até os dias atuais. 

Desde o início dos anos 1500, numerosas obras de arte inspiradas em Antinous começaram a aparecer nas coleções de príncipes e artistas, incluindo o famoso Rafael e a corte dos Médici em Florença. E, é claro, essa nova ressurreição estética foi seguida no meio da era vitoriana por vários estudos sérios, nos quais estudiosos revisitaram e estudaram novamente a história de Hadriano e Antinous: o amor e o sacrifício e a “vergonhosa fraqueza de um grande homem”.

Não há possibilidade de alguém  esquecer Antínous e Adriano depois de ler toda essa literatura, enquanto contempla a sua imagem em todo o mundo, nos museus e galerias mais famosos. Isso porque o homem reconhece que foi um amor genuino apensar de ser oculto e sobretudo pelo rumo que a moral humana tomou depois de Hadriano.

Flor de Lótus

Os significados da Flor de Lótus

No oriente, a flor de lótus significa pureza espiritual. O lótus (padma), também conhecido como lótus-egípcio, lótus-sagrado ou lótus-da-índia, é uma planta aquática que floresce sobre a água (i).

No simbolismo budista, o significado mais importante da flor de lótus é pureza do corpo e da mente. 
A água lodosa que acolhe e nutre a planta é associada ao apego e aos desejos carnais, o apego a matéria e a flor imaculada que desabrocha sobre a água em busca de luz é a promessa de pureza e elevação espiritual.(i)

É simbolicamente associada à figura de Buddah e aos seus ensinamentos e, por isso, são flores sagradas para os povos do oriente. 

Diz a lenda que quando o Buddah, ainda menino, deu os primeiros passos, em todos os lugares que pisou, flores de lótus desabrocharam.
Nas religiões asiáticas, a maior parte das divindades costumam aparecer sentadas sobre uma flor de lótus durante o ato de meditação.(i)

Na literatura clássica de muitas culturas asiáticas, a flor de lótus simboliza elegância, beleza, perfeição, pureza e graça, sendo frequentemente associada aos atributos femininos ideais.

Um dos mistérios para a ciência, é sua capacidade ou sua característica de repelir microorganismos e partículas de pó.

É uma flor que aparece muito em tatuagens com diferentes significados associados sobretudo às cores de cada flor. No Japão esta flor é muitas vezes tatuada em conjunto com o peixe koi, significando individualidade e força.

Na Yoga, a posição de Lótus (Padmásana) é a postura tradicional de meditação, em que a pessoa sentada entrelaça as pernas e pousa as mãos sobre os joelhos.

Padmasana, posição de Lotus.


Pose Lotus (soweflow)


As Cores da Flor de Lótus e seu significado 

No budismo a flor de lótus é considerada sagrada e o emblema da transformação espiritual e o progresso da alma até alcançar a iluminação. Por isso esta flor está associada ao Buddha. A flor de lótus apresenta pétalas coloridas que podem ser branca, rosa, vermelha e azul entre outras. 

Devido a peculiar característica de abrir as suas pétalas pela manhã e fechá-las ao anoitecer,  os egípcios acreditavam que a flor de lótus continha a chave o conhecimento da criação do universo.

Lótus Branca
A flor de lótus branca está relacionada com a perfeição do espírito e da mente, estado de pureza total e natureza imaculada. Normalmente é representada com 8 pétalas.

Lótus Rosa
A flor de lótus rosa é a mais importante e especial de todas as lótus, estando relacionada com a divindade, representa o Buda na terra para os budistas, e a base onde está sentada a deusa Lakshmi, a deusa da riqueza na cultura hindu. Para ambos, a flor de lótus significa a pureza da alma, o caminho para a libertação da ilusão dos desejos e da matéria. Emblema de tudo que é mais sagrado e digno de exemplo a ser seguido e reverenciado como o Grande Buddah.

Lótus Vermelha
A flor de lótus vermelha está associada à amabilidade, à gentileza, à inocência, a pureza, a honra, e a natureza original do coração. A flor de lótus desta coloração simboliza o amor, a paixão e compaixão, sentimentos relacionados ao coração. É também conhecida como a flor do Buddha da Suprema Compaixão, Avalokitesvara.

Lótus Azul
A flor de lótus azul representa a vitória do espírito sobre a tentação dos sentidos, e por isso é o emblema da busca da sabedoria e do conhecimento. A lótus azul era muito reverenciada pelos antigos egípcios, quando fechada ou em botão é símbolo  das infinitas possibilidades do homem, e quando aberta representa a criação do Universo.

Budismo 

O budismo é uma religião indiana baseada nos ensinamentos de Sidarta Gautama, conhecido como o Buddha. De caráter filosófico e não teísta, surgiu na Índia Antiga como uma tradição ascética entre os séculos VI e IV a.C. Atualmente é a quarta maior religião do mundo, mais de 520 milhões de seguidores (cerca de 7% a 8% da população global), são conhecidos como budistas.

Buddha, é o termo que significa "Desperto", do radical Budh-, "despertar") é um título dado na filosofia budista àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos e se puseram a divulgar tal descoberta aos demais seres. "A verdadeira natureza dos fenômenos", aqui, quer dizer o entendimento de que todos os fenômenos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais. Tornando-se consciente dessas características da realidade, seria possível viver de maneira plena, livre dos condicionamentos mentais que causam a insatisfação, o descontentamento e o sofrimento.
Do ponto de vista da doutrina budista clássica, a palavra "buda" denota não apenas um mestre religioso que viveu em uma época em particular, mas toda uma categoria de seres iluminados que alcançaram tal realização espiritual.

Para o Buddha, a chave para a libertação é a pureza mental e a compreensão correta e, por esse motivo, ele rejeitou a noção de que se conquista a salvação através de uma deidade.
De acordo com o Buda Gautama (Sidarta), a felicidade desperta do nirvana que ele atingiu está ao alcance de todos os seres.

Segundo a doutrina de Buddha a essência central do budismo são as quatro nobres verdades e estas englobam todos os dramas. 

A Primeira Nobre Verdade refere-se a um sofrimento, conhecido como dukkha, caracterizado por uma dor multifacetada que se expressa tanto como tristeza, insatisfação, aflição, desilusão como desespero, podendo inclusive assumir formas sutis como o tédio ou uma sensação generalizada de que nada corresponde às expectativas. Dukkha é fruto do apego gerado do contato entre os sentidos e uma diversidade de fenômenos, sejam eles internos ou externos, essencialmente impermanentes e, por conseguinte, incapazes de providenciar uma satisfação sustentável e duradoura. A Segunda Nobre Verdade trata-se da constatação das causas do sofrimento (Dukkha); a Terceira Nobre Verdade anuncia que há um caminho que leva ao fim do sofrimento  (ao fim de Dukkha); a Quarta Nobre Verdade detalha o caminho que leva ao Nirvana ou Nibbana, a cessação de todo o sofrimento.

É a nobre verdade do caminho (Quarta Nobre verdade) que conduz à cessação de todo sofrimento, é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.

No Budismo, a lótus azul, está ligada ao bodisatva do conhecimento e sabedoria. Um bodisatva ou bodhisattva é um ser iluminado, (sattva, ser + bodhi, iluminado). Tradicionalmente, um bodhisattva é qualquer pessoa que, movida por grande compaixão, gerou bodhicitta, que é o desejo espontâneo de atingir o mesmo status de Buda para o benefício de todos os seres sencientes. 

De acordo com o budismo tibetano, bodhisattva é um dos quatro estados sublimes que um ser humano pode alcançar em vida (sendo os outros três: Arhat, Buddha e Pratyekabuddha). 

Manjushri e Manjughosha, é o bodisatva da consciência perspicaz no budismo, e tem como símbolo a lótus azul. Discípulo do Buda histórico Shakyamuni, ele representa sabedoria, inteligência e realização de todos os Budas e seres iluminados, e é um dos mais populares bodisatvas depois de Avalokiteshvara.
Juntamente com Shakyamuni e seu colega discípulo Samantabhadra ele forma a Trindade Shakyamuni. Manjusri é um dos Oito Bodhisattvas da Sabedoria e um dos Treze Budas japoneses. No Budismo tibetano, ele é representado por vezes numa trindade com Avalokiteshvara e Vajrapani.


Mitologia Grega 

Na mitologia grega, os Lotófagos são um povo que vivia numa ilha perto do Norte de África e que como o nome indica, comiam plantas e flores de lótus. Estas plantas têm o efeito de um narcótico que causa um sono pacífico e também amnésia a quem as ingerir.

Na Odisseia de Homero, existe um episódio em que três homens são enviados para a ilha a fim de investigar o que acontecia lá. Todavia, por comerem as flores de lótus como os habitantes que la viviam, esqueceram que deviam voltar para o barco; esqueceram que tinham um passado e uma história. Mais tarde, Ulisses consegue resgatar esses homens contudo, teve que amarrá-los ao navio para que eles não voltassem para a ilha. 

Através desta história, Homero mostra seu conhecimento e sua criatividade a respeito do ser humano, por que a amnésia e o esquecimento causado pela ingestão da flor de lótus, é um estado que muitas pessoas desejam. Viver novamente desconsiderando o passado e seus erros. Ter a possibilidade de esquecer tudo, apagar o passado, começar de novo, uma possibilidade de renascer em vida.









Referências  


http://arquivopessoa.net/textos/983

https://www.brown.edu/Departments/Portuguese_Brazilian_Studies/ejph/pessoaplural/Issue10/PDF/I10A07.pdf

https://historiasderoma.com/2019/11/29/antinoo-o-favorito-de-adriano/

https://digitalis-dsp.uc.pt/bitstream/10316.2/34781/1/Viol%C3%AAnciaeTransgress%C3%A3o_artigo13.pdf

https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/obeliscos-roma/

https://www.turbosquid.com/pt_br/3d-models/antinous-farnese-statue-3d-1502332

https://www.marble-sculpture.com/products/antinous-standing

https://en.wikipedia.org/wiki/Statue_of_Antinous_(Delphi)

https://roma-nonpertutti.com/en/article/13/antinous-approx-110130-ad-a-youth-for-whom-the-emperor-lost-his-mind

https://antinousgaygod.blogspot.com/2018/03/antnous-has-always-inspired-artists-as.html

https://villaludovisi.org/2016/05/20/ex-ludovisi-portrait-of-antinous-long-split-between-rome-and-chicago-stunningly-matched-then-reunited-through-thrilling-technology/

https://blogs.helsinki.fi/hum-object-of-the-month/2021/10/26/antinous-a-statue-of-young-male-beauty/

https://honorthegods.tumblr.com/post/182223339856/antinous-boy-made-god

https://www.christies.com/en/lot/lot-6199221

http://www.hellenicaworld.com/Greece/Person/en/Antinous.html

https://it.wikipedia.org/wiki/Antinoo

https://followinghadrian.com/2016/10/02/the-obelisk-of-antinous/

https://aminoapps.com/c/comunidade-lgbt/page/item/santos-martires-queer/n5M6_gmWFKIVl2akaGgVonzgGMk5M03R3De



Alfred Grimm, Dieter Kessler, Hugo Meyer: Der Obelisk des Antinoos. Eine kommentierte Edition. Fink, München 1994.

J.-Cl. Grenier, L’Osiris Antinoos, CENIMI, Montpellier, 2008. (pdf)

Z. Mari and S. Sgalambro, «The Antinoeion of Hadrian’s Villa: Interpretation and Architectural Reconstruction», American Journal of Archaeology 111, 2007, p. 83 – 104 (pdf)

Birley, Anthony. Hadrian: The Restless Emperor. London, UK: Routledge, 1997.

Boatwright, Mary T. Hadrian and the City of Rome. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1987.

The Digital Hadrian’s Villa Project – Antinoeion




https://www.facebook.com/pg/antinousgayreligion/posts/

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