INÍCIO

02 novembro 2022

IDENTITARISMO

O EQUÍVOCO DA ESQUERDA











I




Identitarismo burguês vs Lutas populares de cunho universalizantes 

Os proprietários do capital se acomodaram muito bem com esse governo genocida fascista. Não interessa se as universidades públicas, as IFs e escolas públicas serão destruídas, se negam a ciência recomendando medicamentos ineficazes o que levou a mais de 400 mil mortes das 600 mil mortes (quando esse texto foi escrito). Mortes sem sentido de brasileiros trabalhadores, que inclusive os apoiavam. 
Não se importam com o destruição da saúde e da educação, não se importam com a destruição do meio ambiente, que é assegurada e facilitada pelo atual governo. 

O fascismo é a defesa mais extrema do capital, por isso não há nenhuma reação da elite à política do governo, mesmo abusando de medidas eleitoreiras, como se viu em todos os momentos desse governo. 

Desta forma, toda luta por direitos é descaracterizada pela burguesia como “mimimi”, como corporativismo. Os donos do capital no afã de acumularem mais poder e capital tentam desqualificar as lutas legítimas, inclusive asseguradas pela Constituição Cidadã de 1988. Assim, a luta contra o totalitarismo do capital deve durar enquanto durar nossa vida.

Usando a mídia dominante representante do capital a burguesia tenta desqualificar a luta chamando-a de identitarismo e corporativismo. 

Nossa luta é por todos, não por um segmento da sociedade. Somente a igualdade social, igualdade nas condições permite o surgimento das diferenças. 

O identitarismo como estratégia política é um erro da esquerda. As afinidades devem estar essencialmente no campo político. O campo político deve encerrar em si toda luta contra a sanha predatória do capital. O campo político deve chamar para si toda luta contra os interesses capitalistas neoliberais que almejam, deslegitimar e rotular, dividindo os grupos para melhor conquistá-los. 

É um erro da esquerda, pois esquece o algoz que oprime e o fosso que se amplia entre as classes. Esquece que é o capital que amplia as diferenças e retira a dignidade dos seres humanos. 

Entretanto para a direita o identitarismo é uma estratégia. É uma estratégia por que? Porque querem demonstrar que a questão identitária não é território dominado pela esquerda, que não é o capital que engendra essa fato, mas algo diferente. Assumindo também eles essa pauta, querem mostrar que a direita também se preocupa com esses assuntos. Então como se pode explicar a existência de um Hélio Negrão, de uma Damaris, de um Camargo…etc? Se explica porque na divisão e no suposto apagamento da diferença, o que gera dúvida legítima. Eu posso pensar, se a direita defende essa “mesma bandeira” eu posso estar lá ao lado deles “lutando”, eles possuem melhores condições e aos olhos de muitos “maior status”. Ledo engano. Você foi fisgado pela estratégia da cooptação. Assim procedendo, eles querem dizer: “olhem todos somos iguais, aqui conosco tem, também pobres, trabalhadores assalariados”. A direita quer dizer: somos iguais, vamos “lutar” juntos. Mas a verdadeira causa permanece inatacada.

Não há identificação possível entre as pautas da direita com as da esquerda. 

A esquerda deve abandonar o identitarismo e voltar à luta de classes. É na luta de classes que vamos desfazer todo sectarismo através da igualdade e da fraternidade. É através da igualdade e fraternidade que nasce a liberdade. Somos todos trabalhadores, socialistas e libertários. Somos todos pela igualdade do ser humano e pela dignidade de cada um em particular. 

Devemos ter sempre em mente Rosa Luxemburgo quando fala diretamente a nós: lutar… “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. (Rosa Luxemburgo). 

Pensando e lutando sob esse motto, estamos dizendo que tratar um ser humano trans, gay, bissexual, mulher, negro, índio, trabalhador assalariado, pobre, igual ao homem branco, cis gênero, em todos os campos da reprodução social, estará de fato garantido em uma sociedade que, simultaneamente, torne todos livres. Livre da exploração, do patriarcado, livres do racismo e de todas as formas de opressão e do não reconhecimento da diversidade da nossa espécie. 

As elites, donas do capital são contra toda e qualquer política que avancem para a igualdade social; fazem pouco caso da desigualdade sugerindo que nossas necessidades, que eles mesmo geraram, sejam liberdade. Liberdade de escolha, de livre pensar, liberdade de expressão. A única liberdade que conhecem é a liberdade de difundir mentiras e “fake news”, teorias da conspiração... 

Em síntese, todos devemos lutar pelo que chamamos de luta anticapitalista e antirracista. Não pelo simples identitarismo.

As identidade desviam o foco no que realmente é importante.

A luta será longa e requer um processo contínuo de desenvolvimento humano e social, mas é uma condição necessária para as pessoas crescerem na consciência humana, social, política, econômica e ecológica. Somente assim o planeta poderá sustentar a humanidade em suas necessidades biológicas. 

Lutamos por socialistas gays, negros, índios, bissexuais, trans, lésbicas, Mulheres socialistas.


II

Um movimento importante em nosso juízo é que devemos obrigatoriamente diferenciar o identitarismo que é a simples representação identitária, da política de identidades que compõe uma luta de emancipação e libertação da opressão patriarcal sobre o corpo gay, negro e feminino. 

O caso Eduardo Leite é emblemático do puro identitarismo que nada contribui com as lutas identitárias.
Ele por exemplo, como todo conservador liberal, apenas apresenta uma leve inversão no status quo cis heteronormativo sem nenhum proposição de libertação do corpo gay. 
A política identitária é de transformação do status quo branco, masculino e heteronormativo.

O identitarismo é apenas de representatividade de poder sem alteração da opressão vigente. 
Em síntese, de nada serve um governo de paridade identitária sem uma profunda política de transformação de poder, de emancipação e libertação dos corpos e das identidades oprimidos.



III

Parem de elogiar ou falar bem de gay de direita, gay de direita é fascista. Pensem, o pilar que rege o movimento da direita é o conservadorismo. O governador Eduardo Leite que é conservador só se declarou gay porque ele nunca teve sua sexualidade explorada pelos opositores. Ele é o protótipo do branco, classe média alta, elite, conservador, com valores do patriarcado. Em todos os ambientes que viveu e circulou ele não encontra nenhum preconceito pois sempre viveu num mundo irreal, que não é o mundo que 99% da população vive. 

A sua declaração de que é gay sua ou auto-exposição ou “saída do armário” nunca foi sobre gays que precisam de representatividade no governo, que necessitam de respeito ou que tem sua existência diária (sua vida) ameaçada todos os dias por uma sociedade homofóbica. Pautas gays ou melhorias do mundo para suportar ou apoiar minorias nunca esteve na pauta dele. O governador Eduardo leite exala estética do gay com Bolsonaro, do gay conservador desde 2018. Que é homem, branco, classe média e elite, e conservador.

Ele somente mudou seu voto no segundo turno de 2022 para garantir sua reeleição; mas há poucos meses atrás ele estava reunido com representantes do MBL, um movimento de extrema direita, demagógico e corrupto, defendendo privatizações. 

Qual é a representatividade que existe em levar o namorado ou marido numa cerimônia de posse? Já que a política dele não está alinhada com a pauta de maior liberdade e respeito e a diminuição da desigualdade? 

A pauta desse governo de direita está comprometida com o aumento de desigualdade de gênero de raça e de classe. 

Essa suposta representatividade de que a mídia ou gays gauchos falam, não existe. O estado do Rio Grande do Sul é um um estado historicamente homofóbico. E essa suposta representatividade (ter um governador gay) é muito mais problemática do que positiva, o que é só reforça lógica hetero cis normativa de que o modelo adequado de ser gay é ser branco bem sucedido, discreto, conservador, neoliberal, que flerta com o fascismo. Não somente flerta mas está amalgamado ao fascismo. 

Por isso é irracional ser gay de direita com discurso liberal, visto que a qualquer momento ele (o governador) vai se aliar com quem mais persegue gays, lésbicas, o pessoas trans etc., e vocês estão aí todos emocionados. 

Não tem nada de histórico nesse paradoxo de gay e de direita. Raciocinem, abram seus olhos. Só porque você é gay ou tem amigos gays ou familiares gays não é caminho pra “passar o pano” para gays fascistas por uma pretensa visibilidade desse grupo minoritário. (Reflexões baseados num vídeo da internet) 







CONTINUARÁ …

(25/IX/2021)


Fontes 









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