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07 janeiro 2024

OS MATERIAIS DE BEUYS 2

OS MATERIAIS DE JOSEPH BEUYS 2

Antonio Paim MSc, BSc, MM
Texto de 2011 atualizado em 2023


“Neste momento, eu mesmo sou a obra de arte. Apenas insinuo uma direção no desdobramento, ou seja, indico que, nesta realização de tornar o mundo uma obra de arte, qualquer pessoa pode fazer parte, em potencial. Daí toda esta história de chapéu, que encaro como a tragicomédia da arte do nosso tempo”.
(Joseph Beuys)


Joseph Beuys (1921-1986), Joseph Heinrich Beuys, nasceu em Krefeld, a 12 de maio de 1921 em morreu em Düsseldorf, em 23 de janeiro de 1986.

How to explain pictures to a dead hare 
(Fonte: makeagif)

(Fonte: e-flux)

Joseph beuys


Introdução 

Arte. Quase tudo que fazemos envolve um pouco de arte. Entretanto, podemos listar áreas que tradicionalmente chamamos de Arte com A maiúsculo, como a música, o canto, a dança, o desenho, a gravura, a pintura, a escultura, o teatro, a literatura, o cinema, a fotografia, a história em quadrinhos (HQ), a performance, e até mesmo os jogos eletrônicos e arte digital. Observamos instantaneamente que são atividades muito diversas e que usam materiais diferentes. 

Tradicionalmente artistas usam materiais para expressar ideias e concepções e esses podem limitar a concepção ou o conceito que querem explicitar, entre os materiais mais usados temos o carvão, os pigmentos minerais usados para produzir tintas, o grafite, a argila, rochas (mármore, granito, basalto, arenito), metais (bronze, ouro, prata, ferro). Artistas contemporâneos não se limitam as restrições impostas pelos materiais, uma vez que podem usar qualquer coisa, até mesmo nada. Vidro, gases, plástico, mesas, cadeiras, rochas, sementes, sapatos, madeira, feno, barras de ferro, roupas usadas, fotografias antigas, ferrugem etc... virtualmente podemos empregar quase tudo que existe na natureza e todos os produtos e processos criados pela humanidade para expressar uma ideia. 

Os elementos visuais e seu arranjo são os recursos básicos que compõem a linguagem artística, aquilo que vemos, não é mais o elemento em si mas um recurso como um “a”, que é um artigo definido, pode estar no lugar de outra classe gramatical. Como um tronco de madeira numa performance pode estar significando outra coisa que não o simples tronco, mas algo transcende. Contudo, todos esses recursos materiais, necessitam, estar dentro de um “contexto” para que ganhem, liguem-se ao seu significado. 

Observe por exemplo uma tábua. Originalmente obtemos uma tábua de uma determinada espessura, cortando, com serra) um tronco longitudinalmente. Essa peça ou recurso material, pode ser suporte para um desenho, pode ser mostrada bruta (como saiu da serraria), ou pode ser lixada e pintada. Esse subsídio, pode agora significar um plano no espaço, pode ser insumo para construção de uma parede, ou suporte para uma pintura com elementos Graficos etc... Complexo. Nesta superfície, como no papel, que não é uma tábua, mas é feito geralmente de madeira, que são fibras de celulose, podem ser ser inscritos os vários elementos como a o ponto, a linha, a cor, a forma, o plano e a textura. Ou ainda podemos ter casos que o próprio material assume esses significados. 


SOBRE O ARTISTA JOSEPH BEUYS 

Joseph Beuys (1921-1986), Joseph Heinrich Beuys, nasceu em Krefeld, a 12 de maio de 1921 em morreu em Düsseldorf, em 23 de janeiro de 1986.  Foi um artista alemão que produziu obras com diferentes materiais, em vários meios e técnicas, incluindo pintura, escultura, fluxus, happening, performance, vídeo e instalação. 
Como vimos como artista foi foi desenhista, escultor, artista de ação e instalação, professor, político e ativista. Juntamente com Marcel Duchamp, John Cage e Andy Warhol, é amplamente considerado um dos artistas mais importantes do século XX. 

É difícil dissociar a pessoa Joseph Beuys (1921–1986) de sua obra. Até a marca registrada deste artista-personagem de si mesmo, o chapéu Stetson, fazia parte de um amplo programa estético: “Neste momento, eu mesmo sou a obra de arte. Apenas insinuo uma direção no desdobramento, ou seja, indico que, nesta realização de tornar o mundo uma obra de arte, qualquer pessoa pode fazer parte, em potencial. Daí toda esta história de chapéu, que encaro como a tragicomédia da arte do nosso tempo” (Melo, s/d) .

Ele alterou fundamentalmente a natureza, a materialidade, a linguagem, os limites e as tarefas da arte. Em sua prática, universal em seu escopo, Beuys explorou questões relativas ao humanismo, à filosofia social e à antropologia. 

A sua tentativa de aceitar a sua participação no regime nacional-socialista, as suas experiências como soldado na Segunda Guerra Mundial e o seu regresso a uma sociedade moralmente comprometida tiveram uma influência profunda na evolução da sua prática. 

Tomando-se como modelo de transformação interior, procurou democratizar-se a si mesmo e à sociedade em geral, acreditando que a chave estava na criatividade inata a todos os seres humanos. Até que ponto ele conseguiu alcançar a transformação que aspirava permanece um ponto de controvérsia substancial. 

A partir de 1964 deixou de distinguir entre a sua biografia e a sua obra, passando a encarar a sua vida como um material a ser esculpido. 

Este modelo tornou-se o ponto de partida para a sua teoria da escultura social, que culminou em 1982 com a sua contribuição para a documenta 7.000 Oaks (7000 carvalhos). 

Joseph Beuys foi único entre os artistas do seu tempo na sua capacidade de entrelaçar a arte com os processos sociais e no seu apelo à adopção da sua concepção universalista da arte como uma força criativa e transformadora na política, ciência, filosofia e economia. Suas ideias de longo alcance permanecem notavelmente astutas e pertinentes aos nossos tempos. A sua defesa ambiental inicial, que andou de mãos dadas com a sua crítica das condições económicas, é apenas um exemplo da sua visão. Como professor formador na Academia de Düsseldorf, ele instigou uma reavaliação fundamental do sistema educacional. Sua principal preocupação era a expansão do pensamento e da ação por meio da arte. 

Com sua noção de que “todos são artistas”, ele imaginou uma sociedade mundial universal. Beuys continua a exercer uma influência palpável no discurso artístico e político. No entanto, ele continua a ser uma figura polarizadora e uma força na sociedade contemporânea.

De acordo com Mello (s/d), o ativismo de Beuys, como professor, que a partir de 1961 assumiu a cadeira de Escultura da Academia Estatal de Arte de Düsseldorf, onde ele mesmo havia estudado na juventude, se amalgamou ao movimento estudantil. 

Em 1967, Beuys criou o Partido Estudantil Alemão, em reação ao assassinato do estudante Benno Ohnesorg, baleado pela polícia numa manifestação em protesto à visita do xá do Irã Reza Pahlevi, em Berlim.

Contrário à submissão da educação à estruturas institucionais, Beuys começou sua guerrilha dentro da universidade onde ensinava, permitindo em sua classe alunos reprovados no exame de aptidão. Em 1972, após a ocupação da secretaria da universidade com um grupo de estudantes reprovados, exigindo que fossem admitidos, Beuys foi demitido do cargo de professor, pelo então secretário de Ciência e Pesquisa do estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália e futuro presidente da Alemanha, o social-democrata Johannes Rau.

Após uma longa disputa jurídica, onde contou com o apoio público de artistas e escritores como Gerhard Richter, Heinrich Böll e Peter Handke, Beuys foi reabilitado, reassumindo sua cadeira em 1978. 

A carreira política do artista prosseguiria com as candidaturas ao Parlamento da Europa (1979) e ao Legislativo do estado da Renânia do Norte-Vestfália (1980) pelo recém-fundado Partido Verde. Sua missão educativa se expandiria com a criação da "Universidade Internacional Livre", palco de muitos de seus projetos e atuações.

Ao mesmo tempo em que propagava uma democracia de base, uma reivindicação central de agrupamentos fundados por ele, como a Organização dos Não Eleitores (1970) e a Organização por Democracia Direta através de Plebiscito, entre outros, Beuys era criticado por seus correligionários por seu suposto messianismo, prática demagógica, intolerância e tentativa de personalizar em sua própria figura ações coletivas (Mello, s/d).

 

Joseph Beuys (1921-1986), Joseph Heinrich Beuys, nasceu em Krefeld, a 12 de maio de 1921 em morreu em Düsseldorf, em 23 de janeiro de 1986.


Segundo Dália Rosenthal (2011) Joseph Beuys é dono de uma vasta e múltipla produção artística expressa na forma de desenhos, esculturas, ações (performances?), atuação política, educativa e diversos escritos. 

Seu trabalho buscou ir além das fronteiras que separavam as diversas disciplinas e ofereceu um caminho para construção de um pensamento de integração. 
Dentro deste contexto, encontramos seu Conceito ampliado de arte, que o levou, a partir do final da década de 1960, a elaborar a teoria da Plástica Social, na qual defendia a ideia da arte não apenas como parte integral da vida, mas formadora do processo de organização social: “A Escultura social pode ser definida em como nós moldamos e damos forma ao mundo em que vivemos. É a escultura vista como um processo evolucionário onde todo ser humano é um artista.”

Os materiais de Joseph Beuys são retirados do cotidiano. Falam de um mundo de restos, de sobras, de destruição, decomposição, transitoriedade. Suas escolhas estão fortemente relacionadas com a realidade da Alemanha do Pós-Guerra e sobretudo com o elemento biográfico. 

Fantasia e mitologia individual 

Nascido em Krefeld, em 12 de maio de 1921, Beuys optou espontaneamente por lutar na Segunda Guerra, sendo recrutado em 1940. Em 1943, o avião de guerra Stuka, Luftwaffe, onde ele fora escalado como operador de rádio caiu na Crimeia. Segundo ele contou em seus relatos posteriores, teria sido salvo por moradores locais. Segundo sua versão da história, considerada fantasiada por alguns, o que o salvou foi o fato de os nativos tártaros o terem coberto de gordura e enrolado em feltro, e tê-lo mantido aquecido, até que voltasse a viver. Beuys conservou na lembrança este acontecimento. Não nos interessa saber se esse fato realmente aconteceu, é uma fantasia, imaginação, ou se trata de uma realidade do passado. 
O fato é que essa história e seus elementos fazem parte dessa “lenda” individual, do mito do artista, conferindo a ele uma aura, e desempenham um conceito chave na produção da pessoa de Beuys como artista. Ao proceder dessa maneira essa aura de mistério passa aos materiais escolhidos e preservados pelo artista que passam, assim, a expandir seus significados. Essa história adiciona mais uma camada de significado aos elementos escolhidos ampliando o alcance da obra. 

Sem dúvida é esta a lembrança que devemos ter em mente ao encontrarmos materiais como o feltro, cera, cobre, madeira e a gordura animal em seus trabalhos. 

Assim, feltro, gordura, cobre e cera, materiais básicos na obra de Joseph Beuys, são recombinados nos mais diversos objetos, instalações e performances, ao lado de materiais perecíveis, que sujeitam o objeto de arte à transformação ao longo do tempo. E essa parece ser a intensão do artista; a obra de arte é efêmera em sua duração. Mesmo as pirâmides um dia desaparecerão. É ele o primeiro a incorporar na obra essa duração, esse decaimento que encontra e expande nosso entendimento como expectador da obra.

Por maior que seja a ênfase na matéria, os processos invisíveis implícitos na concepção de suas obras, derivados da alquimia e da antroposofia, da ecologia, e da ação do artista sobre os materiais, atribuem um caráter ritualístico ao processo de criação artística, transferindo para o objeto uma força a ser retransmitida ao receptor, expectador-fruidor (Modif. Mello, s/d).

Pôde-se observar como os materiais carregam ou transportam em si os aspectos formais da obra. Geralmente, em Beuys, a cor é somente a cor do material. Não há processo de coloração das obras, especialmente pelo significado implícito que é ativado quando usada em seu estado bruto. Se na cera colocar,os um pigmento, essa cera ou gordura deixa de ser cera ou gordura, para ser cor.  Há aqui é o artista conhece bem, uma hierarquia nos conceitos e no papel destes na significação passada ao receptor ou expectador. 

Ao nos depararmos com suas obras, somos levados a crer que há algo muito importante presente em suas escolhas, tais como: feltro, mel, cobre, cera, gordura animal, terra, palha, asfalto, madeira, rochas, ouro e tantos outros materiais. Primeiramente esses materiais são apresentados como aparecem na realidade, ou como são retirados da natureza. E segundo, essas escolhas podem estar nos indicando algo da ordem do imaterial, de uma energia dispendida ou condensada, conduzida ou acumulada a partir de trabalho humano, antes de se tornar um produto “vendido no mercado”. 

Para Beuys a arte é uma atividade criativa fundadora de novos movimentos nas vivências do homem, e em Beuys, os materiais são eles mesmos, no sentido de que não constituem matéria-prima para a criação de outra forma específica. 
Suas características essenciais entram em relação, a partir da sua presença em um mesmo recinto. O material nos permite experimentar sensações de estranhamento e identificações com determinadas realidades e é esta a incógnita que move todo pensamento na obra de Beuys. 

Em Beuys, alguns materiais são condutores de energia: cobre, zinco, ferro, chumbo (metais), permitindo sua transmissão, de um ponto a outro, de um local a outro. 
Outras substâncias atuam como isolantes, como o ar, o vidro, a madeira, o feltro. 

Como podemos perceber os materiais utilizados por Beuys o são não somente em função de seus aspectos, mas em função de suas propriedades físicas inerentes a eles. Não é apenas a aparência que está em jogo, mas todo um arcabouço de informações que se depreende do material utilizado pelo artista como também de relações estabelecidas entre eles, i.e., entre a escolha do material, a ideia (plasmada na relação entre os materiais) e a forma usada para expressar essa ideia. 
Para Beuys os objetivos gerais desta organização foram descritos da seguinte forma: "Apenas a arte é capaz de desmantelar os repressivos efeitos do antigo organismo social que continua a vigorar (...) e deve ser desfeito para a construção do ORGANISMO SOCIAL COMO UM TRABALHO DE ARTE. 

A mais moderna disciplina de arte, Escultura Social/Arquitetura Social, apenas poderá fluir quando todas as pessoas se tornarem criadoras, (...) arquitetos do organismo social. Nós temos que sondar a origem da livre potencialidade da produtividade individual (criatividade). A capacidade humana de tornar os pensamentos ativos, os sentimentos ativos e os desejos ativos, em suas mais amplas formas pode ser compreendida como um meio escultural correspondente ao conceito de escultura dividido em três elementos: indefinido, definido, movimento.


Todo ser humano é um artista 

Entre as idiossincrasias de Beuys está a mistura de repertórios que muitos consideram irreconciliáveis ou incompatíveis, pelo menos no senso comum: simbologia cristã e marxismo, Ocidente e Oriente (uma junção cristalizada na ideia ampliada de Eurásia, presente em algumas de suas performances e instalações), mitologia celta e Fluxus, um ecletismo também evidente no repertório das suas referências históricas, teológicas e estéticas, de Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a Gengis Khan, soberano mongol, passando pelo gângster americano John Dillinger e o marco da literatura moderna James Joyce (Mello, s/d).

Qual seria a incompatibilidade entre a teoria de Marx e o pensamento cristão? Ocidente e oriente? E os  outros relacionados no parágrafo anterior? É necessário pensar cada um desses entes conceituais em sua essência original para que possamos alcançar seus conceitos universais obscurecidos pelas ideologias que os segregam.  

Apesar de ter aberto caminhos fundamentais para a arte contemporânea com sua “concepção de arte ampliada”, Joseph Beuys dificilmente pode ser colocado de lado ou superado. Talvez pelo fato de o seu trabalho ser tão radicalmente uma consequência direta da sua pessoa, é aqui eu saliento a palavra “radical” no sentido de que ele mergulha na raiz da arte e de seus processos. (Modif. Mello, s/d).


Minha arte é política de libertação (Beuys)

“Assim como o ser humano não existe, mas tem que surgir primeiro, a arte também tem que surgir, pois ainda não existe”, diz uma das máximas do artista, para quem o objeto de arte não deveria se prender a nenhuma regra apriorística ao processo de criação. “Intuição em vez de livro de receitas”, diz a outra máxima.(Mello, s/d).

A obra de Beuys, representada nos mais importantes museus internacionais de arte moderna e contemporânea, está em grande parte concentrada nos arredores de Kleve, no oeste alemão, onde ele viveu. O museu de arte do Castelo Moyland, nas imediações, tem o maior acervo do artista, seguido pelo Museum Kurhaus Kleve, o Block Beuys, em Darmstadt, os museus de arte de Bonn e Düsseldorf, Museu Ludwig, em Colônia, e a Galeria Staedel, em Frankfurt. O museu de arte contemporânea Hamburger Bahnhof, em Berlim, abriga o arquivo de mídia do artista (Mello, s/d).



Conclusão

Como conclusão apresento algumas características do uso do material que fez Beuys em suas obras. O uso de características, como cor e matéria, estão baseados pelo menos em parte na influência que Beuys sofreu das teorias de Goethe e Steiner, bem como pelas influências artísticas, esoteristas, filosóficas e antropológicas que nortearam o trabalho do artista.

1. A arte de Joseph Beuys é “Escultura social”.
2. É radical na medida que alcança a raiz mesma da arte, o fazer amalgamado a vida do artista.
3. Os materiais são eles mesmos, pois, primeiramente carregam o signo de quem os fez ou produziu, (não foi Beuys que fez a cera, a gordura animal, ou o feltro da lá) e secundariamente do artista que os utilizou com o seu significado, agora numa obra. 
4. A escolha do material pelo artista adiciona uma outra dimensão ao objeto.
5. Os materiais são “matéria prima”, “prima materia”, primeira matéria, do latim, a palavra materia vem de mater, mãe, com o significado de fonte, origem, de onde surge, é a matéria fundamental do universo, a partir da qual todas as substâncias teriam sido feitas. Esse sentido amplia e enfatiza a ideia do artista como o demiurgo do conceito através da materia. 
6. A transformação da matéria em objeto de arte, em obra, pelo ato do artista transforma a substância que compõe a obra em um significado, que pode ser apreendido, fixado, embora a obra em si seja aberta à significação.
7. Muito provavelmente, Beuys utiliza o material, aludindo também a um aspecto da natureza, e da qual não podemos nos separar. Logo, o material tem importância vital para a “vida” da obra. 
A obra assim como seu matéria natural tem uma duração, é efêmero, embora materiais diferentes tenham diferentes durações.






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