OMPHALOS
ONFALOS
Um omphalos Ὀμφαλός é um artefato esculpido em pedra ou moldado em metal (bronze), com valor religioso, que marcar um sagrado. É um baetylus. Baetylus (também Baetyl, Bethel, ou Betyl, do semita bet + el e significa a "casa de deus"). São pedras sagradas que supostamente eram dotadas de vida, ou que quando você entrava em contato com elas davam acesso à divindade.
Durante mais de 15 séculos, do nascimento ao fim da cultura grega antiga, o Oráculo de Delfos, ou templo de Apolo, serviu como local em que peregrinos vindos das mais diversas latitudes do mundo helênico consultavam as pitonisas, as sacerdotisas oraculares, para saber qual seu destino, da sua família ou da sua pátria. Delfos tornou-se um dos lugares sagrados mais venerados pelos gregos, sendo que suas previsões e predições tiveram enorme repercussão nos destinos de reis, de tiranos e de muita outra gente famosa daqueles tempos.
De acordo com fontes antigas, pelo menos alguns desses objetos de adoração eram meteoritos, que eram dedicados aos deuses ou reverenciados como símbolos dos próprios deuses. Outros relatos sugerem que o contato com eles poderia dar acesso a experiências epifânicas da divindade.
Em geral, acreditava-se que o baetyl tinha algo inerente à sua própria natureza que o tornava sagrado, em vez de se tornar sagrado pela intervenção humana, como esculpi-lo em uma imagem de culto. Alguns baetyls foram deixados em seu estado natural, mas outros foram trabalhados por escultores. A definição exata de um baetyl, em oposição a outros tipos de pedras sagradas, "pedras de culto" e assim por diante, é bastante vaga tanto em fontes antigas quanto modernas. Em alguns contextos, especialmente relacionados a sítios nabateus como Petra, o termo é comumente usado para estelas moldadas e esculpidas. Eles tiveram um papel na maioria das regiões do antigo Oriente Próximo e na religião grega e romana, bem como em outras culturas.
Em grego, a palavra omphalos significa "umbigo". Na mitologia grega, querendo determinar com exatidão o centro do mundo, Zeus soltou duas águias das extremidades do mundo (pontos opostos da Terra). Quando o voo dessas duas águias se cruzassem, ali naquele local, bem embaixo onde elas se cruzaram em voo no céu, o todo-poderoso pai dos deuses determinou ser o local do onfalos, o umbigo do mundo, o centro da Terra. Uma pedra situada nas cercanias do monte Parnaso. Então anunciou a todos, que dali ele entraria em contato com quem desejasse fazer-lhe consultas ou pedir-lhe orientações para a vida.
Porém, esta região era dominada pela monstruosa Píton, uma cobra gigantesca que impedia qualquer um que tentasse se aproximar. Coube a Apolo oferecer-se para enfrentar a serpente, representante das forças primitivas e irracionais. O Deus da luz que tudo vê do alto enfrentou a serpente rastejante, derrotando-a num formidável combate. O deus vitorioso sepultou os restos do ofídio monstruoso exatamente no local que posteriormente os gregos ergueram templo de Delfos, no golfo de Corinto, local em que as mensagens de Zeus, por intermédio de Apolo, chegariam aos interessados.
As pedras de Omphalos marcando o centro foram erguidas em vários lugares sobre o Mar Mediterrâneo; o mais famoso deles estava em Delfos (Delphi, Delphus).
A maioria dos relatos localiza o omphalos de Delfos no adyton (parte sagrada do templo) perto da Pítia (sacertodita pitoniza ou oráculo). A própria escultura em pedra (que pode ser uma cópia), tem um entalhe de uma rede com nós cobrindo sua superfície, e um centro oco, alargando-se em direção à base. O omphalos representa a pedra que Réia embrulhou em panos, fingindo ser Zeus, para enganar Cronos.
Cronus engolia todos os seus filhos assim que nasciam para impedi-los de que usurpássem seu trono e seu poder como ele proprio havia deposto seu pai, Urano, no passado. Acreditava-se que as pedras Omphalos permitiam a comunicação direta com os deuses.
Estudiosos sugerem que a pedra era oca para permitir que os vapores intoxicantes respirados pelo Oráculo se concentrassem e se canalizassem através dela. Rohde (1925) escreveu que o Python em Delphi era um espírito da terra, que foi conquistado por Apolo e enterrado sob o Omphalos. No entanto, a compreensão do uso do omphalos é incerta devido à destruição do local por Teodósio I e Arcádio no século IV d.C.
OMPHALO
Escólios
Como a descreve Jaa Torrano: “Na tragédia, dá-se a integração da
épica e da lírica, e configura-se uma dialética em que se distinguem e se
confundem quatro pontos de vista correspondentes a quatro graus da hierarquia tradicional entre os gregos: Deuses, Numes, heróis e homens. A estrutura formal da tragédia é de modo a explicitar as relações dos venerandos
seres divinos (Deuses, Numes e heróis) entre si mesmos e as relações entre
estes venerandos seres divinos e os homens mortais.”
(TORRANO, J. O mito
de Dioniso. In: EURIPIDES. Bacas. Trad. de Jaa Torrano. Edição bilíngüe. São
Paulo: Editora Hucitec, 1995. p. 16.)
Para se chegar a Delfos e ter acesso ao oráculo devia-se antes trilhar o caminho até o santuário e banhar-se na fonte para se purificar.
A fonte de Castália era a nascente de água junto a Delfos que, segundo algumas lendas da Antiga Grécia, emitia os vapores alucinógenos que provocavam ao oráculo de Delfos os sonhos e visões que lhe permitiam predizer o futuro. Segundo outras lendas, da fonte apenas jorravam águas puras e cristalinas. Na base do Monte Parnaso, de cujas rochas brotam várias nascentes, há muitas fontes. Uma das mais conhecidas desde tempos antiquíssimos é a de Castália, que estava rodeada de um pequeno bosque de loureiros consagrados a Apolo. A lenda e a mitologia grega contam que no monte Parnaso e perto desta fonte se reuniam algumas divindades, deusas menores do canto e da poesia, as musas, juntamente com as ninfas da água fresca, as náiades, uma delas a própria Castália que deu o nome à fonte em que seria transformada. Nestas reuniões Apolo tocava lira e as divindades cantavam. A água que jorrava era tida por «água falante» capaz de dar um oráculo. No princípio funcionou assim até à construção do Templo de Apolo em Delfos. Mas esta fonte continuou a ser famosa e sagrada e a ela acudiam muitas pessoas para se purificar (WP)
A Fonte Castalia, na ravina entre as Fedríades em Delfos, é onde todos os visitantes que se dirigem a Delfos, os competidores dos Jogos Píticos, e especialmente os peregrinos que vinham consultar o Oráculo de Delfos, paravam para se lavar e matar a sede; é também aqui que a Pítia (a sacertodita ou pitoniza) e os sacerdotes do templo de Apolo se purificavam antes da cerimônia ou ritual de dar o oráculo.
Finalmente, os poetas romanos o consideravam uma fonte de inspiração poética. De acordo com algumas versões mitológicas, foi aqui que Apolo matou o monstro, Píton, que guardava a nascente, e por isso essa fonte é considerada um local sagrado.
Na Grécia, as Phaedriades (Φαιδριάδες, que significa "as brilhantes") são o par de penhascos, cerca de 700 m de altura na encosta sul inferior do Monte Parnassos, que se eleva acima do local sagrado de Delfos. Estrabão, Plutarco e Pausânias mencionaram as Fedríades ao descrever o local, um estreito vale do Pleistos (hoje Xeropotamos) formado por Parnassos e o Monte Cirphis. Entre eles ergue-se a Fonte Castalia. Ainda hoje, ao meio-dia, as superfícies rochosas refletem um brilho deslumbrante (WP).
Os peregrinos podiam desembarcar no pequeno porto de Kirrha, ou ainda chegar por terra, seguindo uma via sacra que os conduzia para o alto, até as portas do templo de Apolo. No caminho, eles deviam fazer suas libações na fonte sagrada de Castalla, cujas águas serviam para purificá-los antes que a entrevista fosse realizada. Encravada na rocha havia a seguinte frase: "Ao bom peregrino basta-lhe uma gota, ao mau, nem um oceano poderia lavar a sua mancha".
Era preciso também realizar sacrifícios aos deuses, imolando um cordeiro ou esganando uma ave antes de lançá-los às brasas. Como a procura pelas previsões era muita, marcar uma audiência demorava um bom tempo, obrigando que, com o passar dos anos, outras instalações fossem construídas para abrigar os visitantes, formando um verdadeiro complexo de pequenos santuários, habitações e pousadas para acolher aquela gente toda. Como observara Cícero (De advinationes), não havia povo ou corpo político conhecido que pudesse dispensar os adivinhos, os arúspices ou os magos para levar adiante suas empreitadas.
A questão para a qual se desejava uma orientação era firmada numa tabuinha de argila e, em seguida, levada à uma das sacerdotisas, chamadas de pitonisas (referência à Píton). Entendida a mensagem, ela recolhia-se para o interior do templo e, sentada num trípode (um banco de três pés), começava a aspirar os "vapores divinos" que emanavam das rachaduras abertas no chão (*).
Dava-se, então, o momento do transe, quando a pitonisa, sob efeito do "fumo sagrado", começava a dizer coisas sem nexo, palavras cifradas que aparentemente não tinham nenhum sentido, mas que eram religiosamente anotadas pelos sacerdotes. Esta linguagem críptica, confusa e enigmática, ficou conhecida como "sibilina", talvez por ter sido associada a uma das pitonisas mais famosas chamada Sibila (nome adotado por várias outras sacerdotisas que a seguiram na função de intermediárias entre Febo Apolo e os humanos).
Glória e clausura
Estima-se que o oráculo de Delfos tenha começado a funcionar ao fim do segundo milênio antes de Cristo, isto é, entre 1200 e 1100 a.C., tornando-se célebre, entre tantas outras coisas, por ter previsto o fim do reino da Lídia, e eternizando-se na literatura ocidental ao ser citado na peça de Sófocles "Édipo Rei", quando informara ao personagem central de que ele "mataria o pai e se casaria com a própria mãe". Não houve grega ou grego famoso, naqueles quase mil e quinhentos anos de prática da vidência, que não lhe fizesse uma visita, tentando averiguar que futuro os aguardava.
Fazem parte da galeria ilustre uma boa quantidade de generais e conquistadores, inclusive os comandantes romanos que ocuparam a Grécia no século II a.C.. Consta que, depois da quase destruição ocorrida no século VI a.C., quando o templo foi reconstruído com dotações pan-helênicas, coube ao imperador Nero submeter o oráculo de Delfos e suas cercanias a um saque que rendeu mais de 500 estátuas levadas posteriormente para Roma.
O local foi fechado finalmente pelo imperador Teodósio, em 385, por ocasião da sua campanha antipagã, pois o cristianismo encaminhava-se para tornar-se a religião oficial do Império Romano e via aquele espaço oracular como um centro da superstição a ser combatida.
Porém, Delfos já se encontrava em total decadência bem antes de ser definitivamente enclausurado, naufragando com o declínio do paganismo. Quando o iconoclasta imperador Juliano, o Apóstata (331-363), mandou fazer uma consulta ao oráculo, dizem que a resposta enviada a ele pelos sacerdotes que ainda ali restavam foi: "Diga ao rei isso: o templo glorioso caiu em ruínas; Apolo já não tem um teto sobre a sua cabeça; as folhas dos lauréis estão silenciosas, as fontes e arroios proféticos estão mortos" (Schilling, s/d) .
Bibliografia
Rohde, Erwin. Psyche. The Cult of Souls and belief in immortality among Greeks. London, Kegan Paul, Trench, Turner & Co. LTDA. 1925.
Nenhum comentário:
Postar um comentário