INÍCIO

12 setembro 2023

VISÃO

Eu vejo a vida escorrendo 
Como areia nas dunas 
E nas ampulhetas dos instantes efêmeros

Na névoa das manhãs de inverno 
eu vejo tua figura se afastando 
Vejo figuras, outros eus, passando
apenas deixando um rastro indelével 
Evanescente no ar

Enquanto pedalo para o trabalho 
Deslizo sobre a casca desse mundo 
A luz do sol dissipando a névoa e os meus sonhos 
Tudo vira realidade 
Seca
Estéril

A superfície de um asteroide de milhões de anos, 
distante na escuridão do cosmo
Descrevendo elipses de encontros miraculosos 
A mão das causas e efeitos a necessidade que leva tudo a rodopiar 
Em suas órbitas
Em seus domínios 
Em suas fraquezas 

Me encontro navegando 
Tudo se move no tecido do tempo
Navegando sob o vasto céu e seus caminhos seus astros e leis
Sulcando a superfície do líquido primordial do sonho que é horizonte 
Utopia em um mundo distópico 

Um mundo que não existe a não ser nos meus neurônios 
Impulsos elétricos do próprio cosmo 
Que se imagina navegando para o Tártaro, para os campos Eliseos, para os campos Asfódelos 
Liberdade?







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