Eu vejo a vida escorrendo
Como areia nas dunas
E nas ampulhetas dos instantes efêmeros
Na névoa das manhãs de inverno
eu vejo tua figura se afastando
Vejo figuras, outros eus, passando
apenas deixando um rastro indelével
Evanescente no ar
Enquanto pedalo para o trabalho
Deslizo sobre a casca desse mundo
A luz do sol dissipando a névoa e os meus sonhos
Tudo vira realidade
Seca
Estéril
A superfície de um asteroide de milhões de anos,
distante na escuridão do cosmo
Descrevendo elipses de encontros miraculosos
A mão das causas e efeitos a necessidade que leva tudo a rodopiar
Em suas órbitas
Em seus domínios
Em suas fraquezas
Me encontro navegando
Tudo se move no tecido do tempo
Navegando sob o vasto céu e seus caminhos seus astros e leis
Sulcando a superfície do líquido primordial do sonho que é horizonte
Utopia em um mundo distópico
Um mundo que não existe a não ser nos meus neurônios
Impulsos elétricos do próprio cosmo
Que se imagina navegando para o Tártaro, para os campos Eliseos, para os campos Asfódelos
Liberdade?
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