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21 setembro 2026

LAUDA SION SALVATOREM

LAUDA SION SALVATOREM

O Lauda Sion salvatorem é uma das cinco sequências que sobreviveram às reformas litúrgicas pós-tridentinas, um hino de rara beleza poética e densidade teológica que a Igreja canta na Solenidade de Corpus Christi. Composto por São Tomás de Aquino em 1264, o texto é um compêndio da doutrina eucarística em forma de oração.



A Letra: Latim e Português

A sequência inicia com um convite vibrante a Sião para louvar o Salvador, seu guia e pastor. Segue-se uma síntese da fé católica na presença real de Cristo na Eucaristia, exposta com precisão teológica.





Latim

1. Lauda Sion Salvatorem, / Lauda ducem et pastorem, / In hymnis et canticis.

2. Quantum potes, tantum aude: / Quia maior omni laude, / Nec laudare sufficis.

3. Laudis thema specialis, / Panis vivus et vitalis / Hodie proponitur.

4. Quem in sacrae mensa cenae, / Turbae fratrum duodenae / Datum non ambigitur.

5. Sit laus plena, sit sonora, / Sit iucunda, sit decora / Mentis iubilatio.

6. Dies enim solemnis agitur, / In qua mensae prima recolitur / Huius institutio.

7. In hac mensa novi Regis, / Novum Pascha novae legis, / Phase vetus terminat.

8. Vetustatem novitas, / Umbram fugat veritas, / Noctem lux eliminat.

9. Quod in coena Christus gessit, / Faciendum hoc expressit / In sui memoriam.

10. Docti sacris institutis, / Panem, vinum in salutis / Consecramus hostiam.

11. Dogma datur christianis, / Quod in carnem transit panis, / Et vinum in sanguinem.

12. Quod non capis, quod non vides, / Animosa firmat fides, / Praeter rerum ordinem.

13. Sub diversis speciebus, / Signis tantum, et non rebus, / Latent res eximiae.

14. Caro cibus, sanguis potus: / Manet tamen Christus totus / Sub utraque specie.

15. A sumente non concisus, / Non confractus, non divisus: / Integer accipitur.

16. Sumit unus, sumunt mille: / Quantum isti, tantum ille: / Nec sumptus consumitur.

17. Sumunt boni, sumunt mali: / Sorte tamen inaequali, / Vitae vel interitus.

18. Mors est malis, vita bonis: / Vide paris sumptionis / Quam sit dispar exitus.

19. Fracto demum sacramento, / Ne vacilles, sed memento / Tantum esse sub fragmento, / Quantum toto tegitur.

20. Nulla rei fit scissura: / Signi tantum fit fractura, / Qua nec status, nec statura / Signati minuitur.

21. Ecce Panis Angelorum, / Factus cibus viatorum: / Vere panis filiorum, / Non mittendus canibus.

22. In figuris praesignatur, / Cum Isaac immolatur, / Agnus Paschae deputatur, / Datur manna patribus.

23. Bone pastor, panis vere, / Iesu, nostri miserere: / Tu nos pasce, nos tuere, / Tu nos bona fac videre / In terra viventium.

24. Tu qui cuncta scis et vales, / Qui nos pascis hic mortales: / Tuos ibi commensales, / Coheredes et sodales / Fac sanctorum civium. Amen. Alleluia.


Tradução portuguesa

1. Louva, Sião, o Salvador, / louva o guia e pastor / com hinos e cânticos.

2. Tanto quanto possas, ouses tu louvá-lo, / porque está acima de todo o louvor / e nunca o louvarás condignamente.

3. É-nos hoje proposto / um tema especial de louvor: / o pão vivo que dá a vida.

4. É Ele que na mesa da sagrada ceia / foi distribuído aos doze, / como na verdade o cremos.

5. Seja o louvor pleno, retumbante, / que ele seja alegre e cheio / do brilhante júbilo da alma.

6. Porque celebramos o dia solene / que nos recorda a instituição / deste banquete.

7. Na mesa do novo Rei, / a páscoa da nova lei / põe fim à páscoa antiga.

8. A novidade afasta o antigo, / a verdade dissipa a sombra, / a luz elimina a noite.

9. O que Cristo fez na ceia, / ordenou que se fizesse / em sua memória.

10. Instruídos pelos sagrados mistérios, / consagramos o pão e o vinho / em hóstia de salvação.

11. Aos cristãos é dado o dogma: / o pão se transubstancia em carne, / e o vinho em sangue.

12. O que não compreendes, o que não vês, / a fé viva confirma, / acima da ordem natural.

13. Sob diversas espécies, / que são apenas sinais, e não a realidade, / escondem-se realidades excelsas.

14. A carne é alimento, o sangue é bebida: / no entanto, Cristo todo permanece / sob cada uma das espécies.

15. Por quem o recebe não é dividido, / nem quebrado, nem separado: / é recebido por inteiro.

16. Um o recebe, mil o recebem: / tanto este quanto aquele, / e não se consome ao ser recebido.

17. Recebem-no os bons, recebem-no os maus: / com sorte, porém, desigual, / para a vida ou para a morte.

18. É morte para os maus, vida para os bons: / vê como de uma mesma comunhão / o resultado é tão diverso.

19. Quando, enfim, o sacramento é partido, / não vaciles, mas lembra-te / que há tanto sob o fragmento / quanto sob o todo se oculta.

20. Não há divisão da realidade: / apenas a fração do sinal, / pela qual nem o estado nem a estatura / do significado diminui.

21. Eis o Pão dos Anjos, / feito alimento dos viajantes: / verdadeiro pão dos filhos, / que não deve ser dado aos cães.

22. Nas figuras é prefigurado: / quando Isaac é imolado, / o cordeiro pascal é designado, / o maná é dado aos pais.

23. Bom Pastor, pão verdadeiro, / Jesus, tem piedade de nós: / Tu nos apascenta, Tu nos protege, / Tu nos faz ver os bens / na terra dos viventes.

24. Tu que tudo sabes e podes, / que nos alimentas aqui mortais: / faze-nos lá comensais, / coerdeiros e companheiros / dos cidadãos santos. Amém. Aleluia.


História e Contexto

A sequência nasceu no contexto da instituição da Festa de Corpus Christi. Em 1264, o Papa Urbano IV, por meio da bula Transiturus de hoc mundo, estendeu a toda a Igreja uma festa que já era celebrada na diocese de Liège. O Papa confiou a São Tomás de Aquino, então em Orvieto, a tarefa de compor o ofício litúrgico completo para a nova solenidade.

A tradição narra um episódio edificante: ao apresentar sua composição diante do Papa, São Tomás leu os versos do Lauda Sion. São Boaventura, também convocado, teria ficado tão tocado pela perfeição do texto que queimou seu próprio pergaminho, explicando que sua consciência não lhe permitiria criar qualquer empecilho à difusão de obra tão magnífica.

A autoria de São Tomás, embora tenha sido questionada por alguns bolandistas em 1679, é sustentada pelo testemunho de seu contemporâneo Tolomeu de Lucca e é hoje universalmente aceita. A melodia, de autor desconhecido, é uma adaptação de uma sequência anterior de Adão de São Vítor (século XII).

(Os bolandistas são um grupo de estudiosos e sacerdotes, originalmente jesuítas, dedicados ao estudo crítico e científico da vida dos santos e da hagiografia cristã.
O nome do grupo vem do padre jesuíta belga Jean Bolland (João Bolando, 1596–1665), que deu continuidade ao projeto iniciado por Heribert Rosweyde no século XVII. O Trabalho dos Bolandistas:
Análise crítica: Eles examinam documentos antigos, manuscritos e relatos históricos para separar fatos reais de lendas e dados falsos na vida dos santos. 
A grande obra: A principal publicação do grupo é a Acta Sanctorum (Os Atos dos Santos), uma imensa coleção de biografias organizadas de acordo com os dias festivos no calendário católico.
Continuidade: A Sociedade dos Bollandistas continua em atividade até hoje, reunindo pesquisadores e leigos para investigar a história do culto cristão com rigor acadêmico.)

Contexto Litúrgico e Uso

O Lauda Sion é, por excelência, a sequência da Missa da Solenidade de Corpus Christi. Na liturgia da Missa, a sequência é cantada (ou recitada) após a segunda leitura e antes da aclamação do Evangelho, funcionando como um poema sacro que prepara a assembleia para a proclamação do Evangelho.

Além de seu uso principal na Missa, o hino possui outros usos

Liturgia das Horas: Partes da sequência são utilizadas no Ofício das Leituras e nas Laudes da solenidade.

Adoração e Bênção do Santíssimo: As estrofes finais, especialmente a partir de Ecce Panis Angelorum, são frequentemente cantadas ou recitadas durante a adoração e a bênção com o Santíssimo Sacramento.

Oitava de Corpus Christi: Tradicionalmente, a sequência era usada diariamente durante a oitava da festa.

O Lauda Sion permanece como um testemunho da síntese entre teologia e poesia, expressando em louvor a fé da Igreja na presença real de Cristo na Eucaristia.


Sites fidedignos consultados

New Advent (Catholic Encyclopedia): Lauda Sion. Verbete clássico e detalhado sobre a história e o texto.

Gaudium Press: Lauda Sion: Louva, Sião, o Salvador. Artigo em português com a história e o texto.

Vaticano: Homilia de Corpus Christi (1989). Documento oficial que cita a sequência.

TheFreeDictionary (Encyclopedia): Lauda Sion. Resumo enciclopédico em inglês.

Wikisource: Lauda Sion Salvatorem. Texto em latim e referências bibliográficas.


Uso da IA DeepSeek para tradução fidedigna do latim para o português.