TREZE PERGUNTAS
Reflexão de Manuel Domingos Neto
05.03.2022
1. O que está por trás da invasão da Ucrânia?
Há muitas motivações, mas em essência, trata-se de um lance-chave no processo de redefinição da ordem mundial. Está se decidindo quem vai mandar no mundo e como o mando será exercido.
Depois da queda do muro, Washington imaginou-se comandando tudo. A postura vassala da União Europeia ajudou-lhe a pensar que isso seria possível; a desorientação da maioria da esquerda, também, na medida em que, fazendo concessões ao neoliberalismo, contribuiu para a sensação fugaz de que o Estado e a política eram malditos.
A mudança no exercício da hegemonia no mundo entrou em pauta e Washington quis eliminar o número dois em capacidade militar. Moscou age para não desaparecer. A invasão da Ucrânia é um gesto vigoroso de autodefesa.
2. A mudança poderia ser pacífica?
Ninguém cede poder por boa vontade. Olhando para a história, mudança na ordem mundial é um processo multifacetário, alongado, com lances imprevisíveis e necessariamente sangrento. A mudança não será pacífica. Hegemonia internacional rima com hecatombe. O sangue correrá em proporções inimagináveis.
Assim foi nas duas grandes guerras do século passado. A humanidade não perdeu sua essência: persiste praticando malvadeza e bondade; sonha com a paz enquanto prepara porretes.
3. Quem desafia a ordem mundial?
A Rússia e a China são os desafiantes mais destacados. Mas a América Latina animou a contestação da ordem quando buscou a cooperação regional e as reformas sociais. Alimentou a audaciosa vontade de deixar de ser quintal do grande irmão do Norte.
As demandas de reforma na estrutura de decisão na ONU são desafios à ordem. Potências intermediárias, como a Índia, o Irã e o Paquistão, buscaram reduzir a dependência externa em defesa. Incomodaram as estruturas existentes.
A dramaticidade da violência na África e no Oriente Médio revelam que o mundo tem que mudar. O mundo cobra as ofensivas guerreiras de Washington e da Europa.
4. A Rússia desrespeitou a lei internacional?
Desrespeitou. Foi forçada, agiu por instinto de sobrevivência. Conversou, conversou e foi ludibriada. Advertiu, advertiu e não foi ouvida. Viu-se cercada. Mísseis na fronteira próxima a Moscou pearia sua capacidade de reação. Sua potência militar, em termos práticos, seria desmontada.
Lei internacional é abstração: constrange os fracos e não alcança quem detém a força. Os crimes em Hiroshima e Nagasaki jamais foram punidos. Estados Unidos e Europa têm muitos crimes nas costas e nunca perderam a pose de civilizados, belos e justos.
A guerra é o direito da força; suspende veleidades morais que embasam a lei.
5. Como explicar a divisão da esquerda diante do crise?
A guerra desperta paixões; desnorteia. Não há espetáculo mais macabro e atraente. Os seriados sobre os vikings, mongóis e romanos deslumbram pelo tanto de sangue exibido.
A esquerda, amarrada pelo jogo institucional, faz opções oportunistas. Muitos se dobram à guerra de narrativas vitoriosamente conduzida por Washington.
A fragilidade da esquerda se revela quando militantes dizem ser contra a guerra. Ora, só psicopatas diriam o contrário. Outros alegam preferir não tomar partido.
Essas são formas de não ver o processo histórico real. É um jeito de vestir a batina do abade Saint Pierre. Há militantes de esquerda que se reclamam humanitaristas, como se os que fazem a guerra também não reclamassem a mesma condição! Os que se enfrentam em campos de batalha são feras portando sentimentos sublimes, tanto que se acreditam abençoados por deuses.
6. O Brasil deve se posicionar?
É cinismo ou parvoíce dizer que o Brasil não deve se posicionar por que não tem nada a ver com isso. Não há isenção possível quando humanos são destroçadas em qualquer ponto do planeta. No mais, dos efeitos do conflito, ninguém escapa.
Dizer que não se deve entrar no jogo de potências imperialistas é insustentável. Seguindo esse princípio, teríamos lavado as mãos na Segunda Guerra Mundial.
Dizer que não se pode tomar partido por ser a Rússia uma autocracia conservadora, é tergiversação enganadora cujo resultado seria endossar “democracias” que açambarcam a riqueza e o poder em detrimento da humanidade.
7. O Exército russo está sendo bem sucedido?
Sim, revela preparo, eficiência, competência, disciplina e planejamento sofisticado em terra, mar e ar, além de eficácia no espaço cibernético. Oficiais de estado-maior de todos os países analisam embasbacados a fabulosa máquina de guerra, talvez a mais poderosa do mundo.
É orientado por objetivos políticos claros: não destruir o país invadido, mas garantir que não sirva de base de ataque.
Ao pedir ingresso numa aliança militar impiedosa; ao desejar a instalação de artefatos de destruição em massa em seu território, o comediante-presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agiu como marionete de Washington.
Chamar jovens para resistir com coquetel molotov e espingardas é manda-los à morte. É crueldade pura. Os russos querem preservar a Ucrânia. Não fazem como Washington e a Europa costumam fazer. Do contrário, Kiev estaria destroçada e o comediante, morto.
Os “ocidentais” que incentivam a resistência ucraniana ou agem com instinto assassino ou não entendem nada. A primeira opção é a correta.
8. Como se explica a posição da Europa, diretamente afetada?
A Europa não é unida nem tem voz altiva. Obedece as ordens de Washington.
Além disso, não superou velhas rivalidades e preconceitos em relação aos russos. A Europa nunca admitiu a vizinhança com um país forte. A Rússia sempre humilhou o europeu que invadiu seu território. O ressentimento faz parte da cultura europeia e resume a barbárie moderna. Nada mais impiedoso do que o seu xenofobismo.
Não é à toa que a direita está em ascensão na Europa há pelo menos três décadas. O primeiro ministro do Reino Unido, o presidente da França e o chanceler da Alemanha retratam a degradação política e moral da Europa.
9. As sanções surtirão efeito?
Surtirão, mas são imprevisíveis e podem gerar efeitos catastróficos para a Europa e os EUA. O mundo todo sofrerá porque está muito interligado. Alguns ficarão mais ricos, a maioria amargará penúria sem conta. Talvez haja mais sofrimento fora do que dentro do campo de batalha.
A Rússia se preparou. Sabe pensar estrategicamente, assim como a China. Washington arrota poder e mostra primitivismo. Como falar em diplomacia e dar as costas ao chanceler russo no plenário da ONU? Isso serviu para passar na Globo. Não revelou força, mas fraqueza e estupidez.
10. A China estará firme no apoio à Russia?
Sim. Sem a Rússia, a China estaria militarmente enfraquecida e teria seus planos de expansão conturbados. Moscou sabe disso. Não agiria contrariando a China, que mostra ponderação e evita exibição gratuita da força de que dispõe. Aliás, as potências vivem exibindo e escondendo a força de que dispõem.
É bobagem dizer que a Rússia está isolada quando tem a China ao seu lado, assim como outras potências médias.
11. Há chances reais de negociação?
Teoricamente, sim. Na prática, não.
Teoricamente, basta delimitar a área da Otan e parar de sacrificar a população ucraniana.
Na prática, isso seria capitulação. Implicaria em admitir a justeza da reivindicação russa e aceitar a multipolaridade, o que não está no escopo de Washington.
A capitulação seria imaginável com um incontível movimento popular mundial, com incidência particular nos Estados Unidos. De outra forma Washington seguirá acompanhando os ditames do capital especulativo que domina as grandes empresas, em particular o complexo industrial-militar, doido para vender armas.
12. O que mudará nas relações internacionais?
Tudo. Algumas mudanças serão súbitas. Outras, podem se definir em tempo indeterminado. O rol de traições será um capítulo especial. Amigos de infância se esfaquearão pelas costas.
A guerra tem o condão de alterar padrões de comportamento, valores, esteios morais e até predileções estéticas. Stravinski anunciou a hecatombe de 1914-1918 revelando estruturas sinfônicas inovadoras, usando timbres, dissonâncias e assimetrias nunca antes experimentadas.
A governança global mudará forçosamente. Imaginar o mundo quando está em curso o reordenamento da hegemonia é um exercício inglório, mas inevitável. Hoje, todos se perguntam: o que será, que será...
13. Há risco de guerra nuclear?
Sim. A Rússia não pode perder. Tem bala pra resistir até o fim. Aceitar perder é aceitar a autodestruição. Isso é impensável.
A doutrina militar russa prevê o uso de armas atômicas táticas e estratégicas. É difícil predizer que o fogo se limitará às fronteiras da Rússia.
Moscou está advertindo, advertindo, advertindo... Não é razoável ignorar a voz de quem tem botões fatais ao seu alcance. Enfim, a Rússia não pode perder a guerra.
Autor
Manuel Domingos Neto (Fortaleza, 5/XII/1949) Historiador, professor, pesquisador na área das forças armadas, escritor e político brasileiro, ex-deputado federal pelo Estado do Piauí.
MINI TRABALHO DE GEOGRAFIA POLÍTICA
CONFLITO RÚSSIA/UCRÂNIA
(postmaster)
A tensão entre Rússia e Ucrânia, engendrada pela manutenção do poder na região e em parte no mundo, forçada pelos EUA (que desejam continuar sua hegemonia no planeta) e NATO (que historicamente teria uma única função: controlar a suposta expansão da antiga URSS) e até as pedras sabem que a Rússia deixou de ser “comunista” em 1991.
O Coronel McGregor (militar da reserva dos EUA) chama esse conflito como realmente deve ser chamado: a manipulação de um fantoche Zelensky, que arrastou seu povo para um conflito e um derramamento de sangue desnecessários. Está arrastando a Ukrania para uma afeganistização dos Eslavos, e todo o leste da Europa. O governo Biden está usando a Ucrânia como uma ferramenta para promover seus próprios interesses imperialistas desprezíveis num mundo claramente multipolar. Financiar um golpe e agitação internos na Ucrânia por anos, mentir sobre a OTAN não estar rumando para o leste, propaganda sem fim contra a Rússia. Como eu havia dito, essa operação Russa na Ucrânia era a unica alternativa para o Sr. Putin. Esses jogos de mentiras e manipulação produzidos pelos EUA no mundo devem parar. Por que a OTAN está lá? Só para vender armas e enriquecer os norte-americanos?
Olhem o Vietnã, Iraque, Afeganistão, Iémen, Síria... A lista é longa e não parece que terá um fim logo. O mesmo país que matou Martin Luther King, JFK, que move o poder de estado contra quem fala a verdade (veja Julian Assange e Edward Snowden)... Não é "todo povo norte-americano", é o pântano dos "oligarcas limpinhos e cheirosos de Wall Street" por trás do governo, são as bigTech, são aqueles que nadam no dinheiro amealhado na e da matança e dos golpes que realizaram durante todo o século XX.
Tudo o que a Europa conquistou e alcançou depois da segunda grande guerra foi graças à milhões de soldados soviéticos que morreram para salvar toda a Europa da praga da extrema-direita nazifascista. E todos os países da dita Europa civilizada, ocidental, limpinha e branca vira sempre as costas para a Rússia. Incrível isso. O papel da Europa hoje assim como em todo o século XX é vergonhoso, subalterno e oportunista. A Europa como um todo bastião do humanismo esta se enterrando no buraco que eles mesmo estão cavando, servindo de capacho dos "imperialistas yankes".
Há 77 anos a vitória do Exército Vermelho, o Exército Soviético, sobre o nazifascismo, foi responsável pela volta da esperança e pela volta da vida sobre os escombros da morte trazido ao mundo pela extrema-direita aparelhada pelo militarismo irresponsável da Alemanha nazista.
O Exército vermelho trouxe a vitória do humanismo sobre a opressão e morte que o nazismo encarnava.
Devemos sempre recordar, todo dia, muito mais agora que o discurso de ódio, e a exaltação fascista estão na ordem do dia e em ascensão no mundo todo.
Ucrânia
(WP)
Essa tensão culminou em ataques que começaram nesta quinta-feira (24/II/2022). Dias após uma série de ameaças e do reconhecimento da independência de duas províncias separatistas (Donetsk e Lugansk), bombardeadas por tropas paramilitares de extrema-direita ucranianas desde sempre. A Rússia, depois de tentar ser ouvida por muitos anos, se viu pressionada e literalmente empurrada a enviar tropas para impedir que a Ucrânia recebesse armas do ocidente, inclusive armas biológicas de destruição em massa, e evitar que a Ukrania entrasse para OTAN. Desta forma, usando a única saída, a Ucrânia foi invadida. Pois todos sabemos que o objetivo dos EUA sempre, e por toda a metade final do séc. XX até agora 2022, é evitar que a Rússia se aproxime da Europa, evitar que a Alemanha seja um parceiro comercial da Rússia, evitar que a Rússia tenha algum papel importante no mundo. E tudo isso para manter seus ganhos e manter o capital fluindo para o bolso de alguns norte-americanos.
Conflito Ucrânia/Rússia (g1)
A Ucrânia (Україна, Ukrayina, Ukrania) está localizada na Europa Oriental. Faz fronteira com muitos países europeus, entre eles a Polônia, Eslováquia, Hungria, Romênia, Moldávia, Belarus, e Crimeia (território anexado pela Rússia, depois de um plebiscito, em 2014).
Delimitação das fronteiras
A Ucrânia faz fronteira com a Rússia a leste e nordeste; com a Bielorrússia, ao norte; Polônia, Eslováquia e Hungria a oeste; Romênia e Moldávia ao sul.
Ucrânia (g1)
Ucrânia
Possui um litoral ao longo do Mar de Azov e do Mar Negro. Abrange uma área de 603 628 km², com uma população de 43,6 milhões de pessoas, a maioria vivendo nas áreas urbanas, é o oitavo país mais populoso da Europa.
A Ucrânia apresenta clima temperado continental e relevo formado por planícies e montanhas, com a presença dos Cárpatos a oeste.
A economia ucraniana é baseada no setor terciário e na indústria de transformação, além da geração de energia elétrica.
A Ucrânia é um país em desenvolvimento classificado em 74º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano. Sofre de uma alta taxa de pobreza, bem como de corrupção grave.
No entanto, por causa de suas extensas terras férteis, a Ucrânia é um dos maiores exportadores de grãos do mundo. O país é uma república unitária sob um sistema semipresidencial com separação de poderes em legislativo, executivo e judiciário.
A Ucrânia é membro das Nações Unidas, do Conselho da Europa, da OSCE, da GUAM e do Triângulo de Lublin.
Texto III
Testemunha da história
Jairo Menegaz
Quem acompanha meu trabalho há vários anos sabe porque tenho um envolvimento com este tema da Ucrânia e Rússia. Quando aconteceu o golpe de estado em 2014 na Ucrânia, eu participava do Conselho Mundial da Paz e da articulação da juventude do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Na ocasião, recordo-me de algo que me dói no fundo da alma até hoje. Jamais esquecerei do depoimento de um líder sindical de Lugansk contando no Congresso da Federação Sindical Mundial os crimes do governo ucraniano em sua república. Mas nada se compara à dor que foi ter acompanhado quase em tempo real o massacre de Odessa. Eram centenas de trabalhadores voltando do protesto do 1o de maio, dia do trabalhador, que se reuniram na Casa dos Sindicatos para um ágape fraternal. Só que de forma organizada, um grupo de mais de mil nazistas ucranianos com bandeiras de suásticas, tochas e gritando "Heil Hitler!" cercou a Casa dos Sindicatos e começou a incendiá-la. Pareciam voltados das catacumbas de 70 anos atrás, sem que ninguém esperasse. Havia cerca de 250 sindicalistas lá dentro do prédio e os nazistas não os deixaram sair. Foram inúmeras mortes de pessoas carbonizadas. Outras foram agredidas e mortas por espancamento. No dia seguinte, os nazistas divulgaram memes fazendo piadas das fotos dos sindicalistas mortos. Não houve condenação por parte dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. Esse massacre não entrou na primeira página do Estadão nem teve editorial na Globo. Nem a Rússia interviu em Odessa. Trabalhadores jogados à própria sorte, traídos pelo seu próprio país e ignorados pelo mundo, recebendo apenas a solidariedade de outros trabalhadores internacionais. Aí, o que aconteceu na Ucrânia desde então? Os partidos de esquerda foram proibidos. Nazistas invadiram-nos queimando seus livros e violentando suas secretárias. Os sindicatos foram fechados e seus líderes perseguidos por esses nazistas. Os nazistas participaram das eleições e fizeram bancadas. A esquerda está fora da institucionalidade desde 2014. Seus partidos foram proibidos de existir e seus símbolos criminalizados. Ou seja, a UCRÂNIA NÃO É UMA DEMOCRACIA. Aí, esse tal de Zelensky foi fabricado nos porões dos serviços de inteligência ocidentais para ser uma marionete dos interesses da indústria bélica. Foi colocado no poder com um discurso de extrema-direita para transformar o seu próprio país num palco de guerra, provocando a Rússia até chegar à situação atual. Agora, simplesmente ignoram que de 2014 pra cá, o governo Ucrânia já matou 14 mil pessoas em Donetsk e Lugansk. Nunca mais tive notícias daquele dirigente que conheci na Federação Sindical Mundial. Será que está vivo? Também conheci russas da região de Donbass. Nunca mais consegui falar com elas. Será que ainda habitam o mundo dos vivos? Bom, é isso. Não virei "analista de rede social" em uma semana. Este tema faz parte da minha trajetória de vida como professor de Relações Internacionais. Inclusive orientei monografias e fiz simulação da ONU com meus alunos da época. Havia decidido sair das redes sociais, mas essa situação me fez voltar. Não vou mais me calar vendo tanta gente falando bobagem sem saber. Tá na hora de mostrar o que de fato acontece. Vim pra ficar.
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