INÍCIO

24 agosto 2021

FANTASIA

No capítulo 3 do livro III do De anima, Aristóteles contrapõe percepção sensível (aisthêsis) e imaginação (phantasia), diferenciando-as segundo certas caraterísticas. Nesse mesmo capítulo o filósofo define a phantasia como uma espécie de movimento derivado da percepção sensorial em ato, e que a fantasia permanece na alma após esse ato. Contudo, não é claro, seja nas linhas aristotélicas, seja no comentário dos especialistas, como ocorre exatamente esse processo de formação das imagens (phantasmata) junto à assimilação das formas sensíveis (aisthêtôn eidôn), nem como os phantasmata se diferenciam das sensações percebidas (aisthêmata), já que as formas sensíveis e os phantasmata são imateriais. A partir dessa problemática investigamos em que medida os phantasmata se diferenciam dos aisthêmata a partir de três características principais. Por outro lado, o estudo dessa diferenciação acaba por delinear quais são os atributos fundamentais da phantasia que a tornam inseparável do pensamento, bem como explicita a sua relevância dentro da epistemologia aristotélica. (Ferreira.Vitor D. 2018).



1. ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος, καὶ ὁ λόγος ἦν πρὸς τὸν θεόν, καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος.

5. καὶ τὸ φῶς ἐν τῇ σκοτίᾳ φαίνει, καὶ ἡ σκοτία αὐτὸ οὐ κατέλαβεν.

6. ἐγένετο ἄνθρωπος ἀπεσταλμένος παρὰ θεοῦ, ὄνομα αὐτῶ ἰωάννης.


PHANTASIA E AISTHESIS


















































































































 




Fontes

Phantasmata+aristoteles

https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/20992/1/2016_GuilhermedeFreitasKubiszeski.pdf

https://www.bibliacatolica.com.br/septuaginta/sao-joao/1/




Segundo Kubiszeski (2016)

Aristóteles é o primeiro na história da filosofia a distinguir claramente entre imaginação, concepção e sensação (HUBERT, 2005)

23
φαίνεται δέ γε καὶ ψευδῆ, περὶ ὧν ἅμα ὑπόληψιν ἀληθῆ ἔχει, οἷον φαίνεται μὲν ὁ ἥλιος ποδιαῖος, πιστεύεται δ' εἶναι μείζων τῆς οἰκουμένης· συμβαίνει οὖν ἤτοι ἀποβεβληκέναι τὴν ἑαυτοῦ ἀληθῆ δόξαν, ἣν εἶχε, σωζομένου τοῦ πράγματος, μὴ ἐπιλαθόμενον μηδὲ μεταπει-θέντα, ἢ εἰ ἔτι ἔχει, ἀνάγκη τὴν αὐτὴν ἀληθῆ εἶναι καὶ ψευδῆ. ἀλλὰ ψευδὴς ἐγένετο ὅτε λάθοι μεταπεσὸν τὸ πρᾶγμα. οὔτ' ἄρα ἕν τι τούτων ἐστὶν οὔτ' ἐκ τούτων ἡ φαντασία.

23. Aparecem também como falsas as coisas sobre as quais se tem ao mesmo tempo uma suposição verdadeira, como o sol aparece como tendo o tamanho de um pé, mas acredita-se ser ele maior que a Terra. Segue-se, então, ou a rejeição da própria opinião verdadeira, a qual se possuía, preservando-se a coisa, não havendo nem esquecimento nem persuasão, ou, ainda tendo-se a opinião, faz-se necessário ser esta verdadeira e falsa. Mas uma opinião verdadeira torna-se falsa quando se altera o fato despercebidamente. A phantasía, então, não é nenhuma dessas coisas, nem é composta delas. (DA III, 428b, 1-10).




33 τοῦ δὲ διεψεῦσθαι αἴτιον ὅτι οὐ μόνον τοῦ αἰσθητοῦ κινοῦντος φαίνεται ἁδήποτε, ἀλλὰ καὶ τῆς αἰσθήσεως κινουμένης αὐτῆς, ἐὰν ὡσαύτως κινῆται ὥσπερ καὶ ὑπὸ τοῦ αἰσθητοῦ· λέγω δ' οἷον ἡ γῆ δοκεῖ τοῖς πλέουσι κινεῖσθαι κινουμένης τῆς ὄψεως ὑπ' ἄλλου.


33 A causa do enganar-se é que certas coisas quaisquer aparecem não apenas quando o objeto sensível move, mas também quando a sensação move-se a si mesma, caso seja movida da mesma maneira que por um objeto sensível – digo, por exemplo, como no caso da terra firme que parece mover-se àqueles que navegam, tendo a vista sido movida por outra coisa. (De Insomniis, 406b, 23-27) 


88 A etimologia dos termos vinculados à phantasía atesta a plausibilidade dessa interpretação: “Do ponto de vista da morfologia histórica, é importante ressaltar o acentuado vínculo mantido pelos termos ‘phaíno’ – do qual havíamos dito ser derivado ‘phantasía’ –, ‘pháos’ (luz) e ‘phemí’ (dizer, declarar). Foi estabelecida, com certeza, uma raiz –faF que se relaciona com um termo sânscrito que significa “brilhar”, e outro que significa “luz”. Essa glosa parece supor um ‘*fa-mi’ atemático, ‘brilhar’, que é o mesmo verbo que ‘phemí’. Os três termos, ‘pháos’, ‘pháino’ e ‘phemí’, são construídos sobre a mesma base do indo-europeu. Essa raiz envolve certa ambivalência semântica, pois significa tanto ‘brilhar’ quando ‘declarar’, ‘expor’, ‘dizer’, ambivalência essa que se transfere de certo modo aos termos que a partir deles se constituem, por exemplo, ‘phásis’, que significa tanto ‘aparência’ como ‘declaração’; ‘próphasis’, ‘primeira manifestação de uma doença’ ou ‘pretexto’; ‘apophaíno’, ‘fazer aparecer’ e ‘declarar’; ‘piphaúsko’, ‘fazer brilhar’ e também ‘explicar’. Entre os sentidos de ‘phemí’ também se encontram ‘crer’, ‘pensar’, ‘imaginar’ (‘parecer’, poderíamos incluir), assim como entre os de ‘phaíno’ figura ‘declarar’.” (DÍAZ; LIVOV; SPANGENBERG, 2009, 31). 


89 “A Via Láctea, os cometas, as estrelas cadentes, os planetas, os relâmpagos e o arco-íris – todas as ocorrências celestiais que orientam o homem no cosmo – cada um possui sua phantasía ou ‘aparência’”. (WHITE, 1985, 504).


91 No Dicionário Grego-Português, dentre as formas médias de “phaíno”, além de ser listada a tradução “aparecer”, encontram-se também “surgir” e “ser manifesto/evidente”.


No diálogo Sofista, Platão, através da personagem do Estrangeiro de Eleia, define a phantasía93 como a opinião que ocorre por meio da sensação: 

94 Τί δ' ὅταν μὴ καθ' αὑτὸ ἀλλὰ δι' αἰσθήσεως παρῇ τινι, τὸ τοιοῦτον αὖ πάθος ἆρ' οἷόν τε ὀρθῶς εἰπεῖν ἕτερόν τι πλὴν φαντασίαν;

94 Quando, ao contrário, ela [a opinião] se apresenta, não mais espontaneamente, mas por intermédio da sensação, é acaso possível designar esta afecção por outra palavra que não “phantasía”? (Sof., 264a). 



Assim sendo, a phantasía platônica surge como uma noção complexa, cuja definição requer outros dois conceitos – opinião e sensação95. 

Em um estudo comparativo no qual se contemplam as noções aristotélica e platônica de phantasía a fim de ressaltar as semelhanças e as diferenças existentes entre ambas 96, o texto do Sofista revela-se de inestimável valor. 

Em primeiro lugar, observa-se, na passagem supracitada, o caráter discursivo da phantasía tal como concebida por Platão: sendo uma espécie de opinião, ela vincula-se necessariamente aos conceitos de discurso e pensamento (ibid.). Essa característica – a qual convém chamar de discursividade97 – é, como se pretende mostrar adiante, um dos principais pontos de divergência entre as concepções de Aristóteles e Platão acerca do tema.




No De Anima, lê-se:
“A phantasía é diferente da sensação e do raciocínio. Não obstante, ela não ocorre sem sensação, e sem esta não há suposição.” (DA III, 427b, 15-16)98 . 




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