BUDDHA VAJRADHARA
Vajradhara é o Buda primordial, o Buda Dharmakaya. Vajradhara, representado na cor azul escura, expressa a quintessência do própria Buddha. Vajradhara representa a essência da realização da iluminação do Buda histórico. Historicamente, o Príncipe Siddhartha alcançou a iluminação sob a árvore Bodhi em Bodhgaya há mais de 2500 anos e então se manifestou como o Buda. De acordo com a cosmologia budista, ele foi o Quarto Buda Histórico desta era auspiciosa. A conquista da iluminação pelo Príncipe Siddhartha, a realização ou sabedoria da própria iluminação, é chamada de dharmakaya, o corpo da verdade. Quando ele expressa essa realização por meio de símbolos sutis, sua realização é chamada de sambhogakaya, o corpo do gozo. Quando tal realização se manifesta de forma mais acessível ou física para todos os seres sencientes, como o Buda Shakyamuni histórico, é chamada de nirmanakaya, o corpo da manifestação (1).
O dharmakaya, sinônimo de Buda Vajradhara, é a fonte de todas as manifestações da iluminação. Vajradhara é central para a linhagem Kagyu porque Tilopa recebeu os ensinamentos vajrayana diretamente de Vajradhara, o Buda dharmakaya. Assim, a linhagem Kagyu originou-se da própria natureza da budeidade.
O Buda Vajradhara ou Dorje Chang em tibetano, é considerado o Buda primordial supremo e a fonte de todos os ensinamentos tântricos no budismo Vajrayana. O seu nome significa "Portador do Vajra" ou "Governante indestrutível".
Significado e Papel Espiritual
Natureza Primordial: Ele representa a essência pura da iluminação e o Dharmakaya (o corpo da verdade do Buda).
Origem dos Tantras
As escolas novas (Sarma) do budismo tibetano veem Vajradhara como a fonte original de todas as práticas do Vajradhara.
Os ensinamentos tântricos formam uma filosofia milenar de origem indiana cujo objetivo principal é a expansão da consciência e a união entre o corpo, a mente e o espírito. Significado da palavra Tantra: essa palavra vem do sânscrito, e é composta por dois vocábulos: tan, expandir, estender e tra, instrumento. Significa literalmente “instrumento para expandir a consciência”. Também tem uma conotação de tecelagem: onde significa, “tear”, indicando que tudo no universo está interconectado, por mais distante que possa estar.
Principais Pilares dessa filosofia
Tudo é sagrado
Diferente de filosofias que pregam a negação ou a fuga do mundo material, o Tantra enxerga a vida e o corpo físico como um templo vivo a ser celebrado.
Presença e atenção
O foco está em viver intensamente o momento presente por meio da respiração consciente, da meditação conciente e da percepção sensorial.
Energias complementares
Trabalha o equilíbrio entre a energia criativa/feminina e a consciência/masculina dentro de cada ser.
O Papel da Sexualidade
O papel da sexualidade não se resume ao sexo. Embora o Sexo tântrico seja a vertente mais conhecida no Ocidente, ele é apenas uma das ferramentas de transformação usadas para transceder o plano físico e elevar a energia vital, e não o propósito central da filosofia.
Autoconhecimento
As práticas envolvem desbloqueios energéticos e emocionais, buscando uma relação mais consciente e respeitosa com o próprio corpo.
Relação com o Buddha Shakyamuni
O Buddha Vajradhara é visto como a forma secreta ou interior do Buddha histórico Shakyamuni manifestada no aspecto de Corpo-de-deleite (Sambhogakaya).
Iconografia e aparência
O Buddha Vajradhara é normalmente representado com uma cor azul profundo quase preto.
Cor azul escura
Simboliza o vazio primordial (o espaço, onde toda a realidade está contida) e a quintessência do Buddha.
Atributos
Dorje: Segundo a Tradicao budista, o Buddha Vajradhara segura um vajra, raio/diamante, símbolo da compaixão e dos meios hábeis na mão direita e um sino, ghaṇṭa, símbolo da sabedoria, na mão esquerda, com os braços cruzados na altura do coração.
Um vajra, no alfabeto devanágari: वज्र ou Dorje é uma palavra sânscrita que significa tanto “diamante” quanto “relâmpago”. Como diamante, remete à indestrutibilidade da essência espiritual. Enquanto relâmpago, como aquilo que ilumina velozmente.
Como objeto ritual, o vajra tem a natureza simbólica do diamante, que tudo corta mas que não pode ser cortado. Como arma mitológica, representa a natureza do relâmpago, uma força irresistível e inexpugnável. Representa a firmeza do poder espiritual e, enquanto ferramenta ou implemento ritualístico, é usado simbolicamente pelo budismo, jainismo, hinduísmo, todos os quais são tradições do darma. Devido a sua importância simbólica, o vajra expandiu-se com a cultura e religião indianas para outras regiões asiáticas, como Nepal, Tibete, Butão, Camboja, Mianmar, China, Coreia e Japão. A palavra tibetana equivalente é dorje, que é tanto um nome masculino comum no Tibete e no Butão, quanto o nome do pequeno cetro usado na mão direita pelos lamas tibetanos durante cerimônias religiosas. Nos Vedas, designava a arma de Indra, o rei dos deuses, que a utilizava para lançar raios mortais.
Dorje. (WP)
Dorje (Vajra), raio, e uma Ghanta, sino.
Um sino é um vajra.
Este raio e sino foram fundidos para o Imperador Yongle da China (1403–1424) como um presente para um lama ilustre do Tibete. O Imperador possivelmente desejava obter mérito pela encomenda. Este e outros presentes semelhantes demonstram a relação entre os lamas tibetanos e os imperadores da China. Conhecida como relação sacerdote-mecenas, essa era uma das maneiras pelas quais ideias e estilos artísticos se difundiam entre a China e o Tibete. Artistas que trabalhavam na China em oficinas imperiais recebiam ordens para produzir objetos em estilo tibetano, seja para uso pessoal do imperador, seja para envio a lamas importantes no Tibete, que muitas vezes eram considerados seus mestres espirituais.
Qual é o simbolismo do Vajra e do sino?
A maioria dos vajras possui cinco pontas que simbolizam as cinco sabedorias alcançadas através da transcendência dos cinco kleshas (ganância, raiva, ilusão, orgulho e inveja). O centro entre elas significa o vazio. Este possui oito pontas, além do centro. Vajra é uma palavra sânscrita, em tibetano é chamada de dorje. Está relacionada à palavra para diamante e parece ser semelhante à arma em forma de raio, usada pelo deus védico Indra e pelo deus olímpico Zeus. Como uma arma em forma de raio, destrói inimigos internos e externos. Como um diamante, simboliza a mente indestrutível e onipresente da iluminação.
O som do sino evoca a natureza vazia de todas as coisas. Ou seja, segundo o Buda, nada pode existir independentemente; todos os fenômenos são vazios de existência verdadeira ou inerente. Ao tomarmos profunda consciência da natureza vazia de todas as coisas, libertamo-nos do apego e da aversão, e somos libertados do doloroso ciclo de nascimento e morte ( samsara ). O sino também é um instrumento musical. Seu som, juntamente com o de outros instrumentos sagrados, como o tambor de mão ( damaru ), é tocado em rituais como oferendas musicais aos Budas e outras divindades.
Os cinco Kleshas
Os cinco kleshas são as cinco causas fundamentais do sofrimento humano e os bloqueios mentais descritos na filosofia do Yoga, especialmente nos Yoga Sutras de Patanjali. Eles funcionam como véus que distorcem a nossa percepção da realidade. Os Cinco Kleshas são:
Avidya (Ignorância): É a raiz de todo o sofrimento. Trata-se da incapacidade de enxergar a verdadeira natureza da realidade e de si mesmo, confundindo o eterno com o passageiro.
Asmita (Ego/Falsa Identidade): É a identificação excessiva com o ego, com o corpo, com os pensamentos ou com os papéis sociais. Você passa a achar que é apenas o seu trabalho, suas posses ou sua imagem.
Raga (Apego): É o desejo intenso ou a ânsia por repetir experiências agradáveis e obter prazer. Torna-se a necessidade de reter coisas ou pessoas para ser feliz.
Dvesha (Aversão): É a repulsa ou o ódio por aquilo que causa desconforto, dor ou desprazer. É o esforço constante para evitar o que se teme ou não gosta.
Abhinivesha (Medo da morte): É o apego profundo à existência física e o medo instintivo da extinção, da mudança ou de perder o controle.
O vajra ou em tibetano: Dorjie, e o sino em tibetano: drilbu, em sânscrito: ghanta, são os objetos rituais mais importantes do budismo tibetano. Quase todos os lamas possuem um par e sabem como usá-los. Eles representam o “método” (vajra) e a “sabedoria” (sino). Combinados, simbolizam a iluminação, pois incorporam a união de todas as dualidades: bem-aventurança e vacuidade, compaixão e sabedoria, aparência e realidade, verdade convencional e verdade última, masculino e feminino, etc.
Como são utilizados?
O vajra e o sino são frequentemente representados nas mãos de divindades na arte e, na prática, são segurados pelos monges durante os rituais, o vajra na mão direita e o sino, ghanta na esquerda. Eles são movimentados em sequências prescritas. Quando os braços estão cruzados, isso simboliza a união dos dois, representando a iluminação. O som do sino é considerado pelos budistas tibetanos como a música mais bela. Essa música é apresentada como uma das oito oferendas à divindade invocada durante o ritual.
Quais são as oito oferendas apresentadas nos rituais?
Quando os budistas tibetanos iniciam a meditação, invocam a presença da divindade, curvam-se e fazem oferendas. Para divindades pacíficas, as oferendas são as seguintes:
água pura para a divindade beber
água para a divindade se lavar
óleo perfumado para ungir a divindade
flores
incenso
lâmpadas de manteiga
comida
A música era tocada no ghanta (sino) e no damaru, um pequeno tambor de duas faces com badalos presos por uma corda, tocado girando-o para frente e para trás na mão.
Adornos celestiais do Buddha Vajradhara
Ao contrário de outros budas que têm uma aparência ascética, ele é retratado com coroas, joias e vestes reais.
O que se entende por método e sabedoria?
O método refere-se às atividades compassivas do bodhisattva que aliviam os seres vivos de seus sofrimentos. É o meio hábil que promove a eliminação da ignorância, da ganância, da crueldade, etc., nos seres vivos e os conduz ao caminho da iluminação. A sabedoria é a percepção direta da realidade última; é a sabedoria que realiza a vacuidade. Combinando método e sabedoria, o bodhisattva acumula mérito e discernimento e, eventualmente, alcança o estado de Buda.
Fonte

































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