GRAFFITI-PIXAÇÃO-ARTE
Graffiti: Arte Engajada e Resistência nas Ruas
O graffiti não é apenas tinta sobre muros , é voz, protesto e identidade. Surgido nas periferias urbanas como expressão marginal, ele se transformou em uma das formas mais potentes de arte engajada, dando visibilidade a lutas sociais, denúncias políticas e narrativas invisibilizadas. Mais do que uma técnica, o graffiti é resistência.
1. Origens: Da Marginalidade à Revolução Artística
Nascido nos guetos norte-americanos nos anos 1960 e 1970, o graffiti foi inicialmente uma forma de jovens negros e latinos marcarem seu território em uma sociedade que os excluía. Com o tempo, evoluiu para uma linguagem artística e política, questionando:
• Desigualdade social (pichações em áreas abandonadas);
• Violência policial (tributos a vítimas do racismo);
• Direitos humanos (murais sobre feminismo, LGBTQIAP+, imigração).
Artistas como Jean-Michel Basquiat e Banksy elevaram o graffiti ao status de arte mundial, mas sua essência continua nas ruas, feita por anônimos que transformam paredes em manifestos.
2. O Graffiti como Ferramenta de Luta
Em países sob regimes opressivos, o graffiti vira arma de denúncia:
• Primavera Árabe: Pixações contra ditaduras no Egito e Síria;
• Muro de Berlim: Pinturas simbolizando liberdade antes da queda;
• Brasil: Grafites em favelas contra o genocídio negro e a favelização.
Mesmo criminalizado em muitos lugares, ele persiste porque a rua é o palco do povo. Enquanto galerias de arte são espaços elitizados, o graffiti democratiza a arte e exige que ela seja vista por todos.
3. Estética da Resistência
O graffiti não segue regras acadêmicas – sua força está na autenticidade bruta:
• Cores vibrantes: Chamam atenção para mensagens urgentes;
• Personagens simbólicos: Heróis populares, rostos de desaparecidos políticos;
• Frases de impacto: "Ninguém solta a mão de ninguém", "Vidas negras importam".
Artistas como Kobra (Brasil), Blu (Itália) e Miss.Tic (França) usam o graffiti para discutir desde ecologia até censura, provando que a arte urbana é instransigente.
4. O Graffiti Hoje: Entre a Apropriação e a Resistência
Com a popularização, o graffiti foi cooptado pelo mercado (publicidade, moda), mas sua raiz contestadora não morreu. Coletivos periféricos e artistas independentes mantêm viva a essência política, criando obras que:
• Incomodam o poder (críticas a governos e corporações);
• Celebram culturas locais (grafites de axé no Nordeste, resistência indígena);
• Exigem memória (murais em homenagem a Marielle Franco, Amarildo).
A Arte que Não Pede Licença
O graffiti resiste porque fala sem pedir permissão. Ele ocupa espaços negados aos marginalizados e transforma dor em beleza. Enquanto houver injustiça, haverá muros gritando.
A rua é a tela. A revolução, a tinta.
GRAFFITI E PIXAÇÃO: PROCESSOS DE APROPRIAÇÃO E RESISTÊNCIA
(2025)
O graffiti e a pixação são formas de expressão próximas entre si e ao mesmo tempo contrastantes. O que as aproxima são suas origens e o fato de partirem do princípio do questionamento e da reflexão. Já as divergências encontram-se na forma distinta e própria de expressão, embora tenham o mesmo suporte e os mesmos instrumentos, usam argumentos e discursos diferentes para se afirmarem.
Diversos autores procuram traçar o surgimento de inscrições nas paredes e nos muros do mundo, e particularmente do Brasil. Muitos deles remetem suas origens às pinturas rupestres feitas por nossos antepassados ainda na pré-história, como relata Celso Gitahy (1999, p. 20), que afirma "a pixação não é exclusividade das sociedades atuais e descreve diversos momentos da história quando as paredes e os muros eram usados para protestos, propagandas, declarações de amor e divulgação de decretos. Ainda assim, os autores estão de acordo ao afirmarem que foi a partir da década de 1960 que o graffiti e a pixação começaram a ganhar notoriedade e atenção dos citadinos, das autoridades, das mídias e do mercado.
Um dos episódios tidos como originários dessas expressões foi a manifestação estudantil na França em maio de 1968. Alunos da Universidade de Sorbonne saíram pelas ruas reivindicando mudanças no sistema educacional e também na conduta do governo. O movimento alcançou tamanha proporção que ganhou o apoio da classe operária francesa e abalou de forma definitiva o governo do presidente Charles de Gaulle, que um ano após as manifestações se viu derrotado politicamente. As frases de reivindicação e protesto gritadas nas ruas eram estampadas nas paredes da Sorbonne e nos muros da cidade de Paris, servindo de murais para disseminação das ideias e das condutas almejadas (BARROS, 2012).
Na década de 1970 surgem as tags nos metrôs e nas ruas de Nova Iorque. Tags ou signatures, como relatam Souza e Mello (2007), eram o conjunto do apelido e do número da casa ou da rua de garotos que queriam de alguma forma deixar sua marca na cidade. Eles eram negros e latino-americanos que viviam em bairros pobres de Nova Iorque, como o Bronx. Essas tags foram se aperfeiçoando, tornando-se complexos desenhos cheios de cores e formas. Apareciam pela cidade nos metrôs nova-iorquinos chamando a atenção dos habitantes para esse novo movimento que estava surgindo. Gitahy (1999) afirma que mesmo não sendo
“Os termos graffiti, na escrita italiana, e pixação com X foram escolhidos por serem as formas utilizadas pelos próprios praticantes. Graffiti é também a forma reconhecida internacionalmente”.
Tags ou signatures: Termos similares, que significam "assinaturas" (tradução livre).
(Leia AQUI esse importante trabalho na íntegra!
Fonte
EADWEARD MUYBRIDGE
Fotos do final do sec. XIX
e início do sec. XX












































































Nenhum comentário:
Postar um comentário