SINETE E LACRE
Sigilum ou lacre
Um selo é um dispositivo para fazer uma impressão em cera, argila, papel ou algum outro meio, incluindo um relevo em papel (embossment on paper), e é também a impressão assim feita. O objetivo original era autenticar um documento ou evitar interferência em um pacote ou envelope, aplicando um selo que precisava ser quebrado e assim, ser abrto para revelar o conteúdo do recipiente (daí o verbo inglês moderno “to seal” em português “selar”, que implica o fechamento (lacre) seguro, hoje, sem um selo de cera real.
Selos pendentes da Carta federal da Suíça, de 1291.(WP)
Na Idade Média, a maioria dos selos era pendente afixados em fitas aderidas ao documento. Eles foram anexados tanto a instrumentos jurídicos quanto a cartas-patente (ou seja, cartas abertas) conferindo direitos ou privilégios, que deveriam estar disponíveis para todos verem. No caso de transações ou acordos importantes, os selos de todas as partes do acordo, bem como das testemunhas, poderiam ser anexados ao documento e, assim, uma vez executado, ele levaria vários selos. A maioria dos governos ainda anexam selos pendentes às cartas-patente.
Na maioria das formas tradicionais de selagem a seco, o desenho na matriz da vedação é em “intaglio” ou talho doce (cortado abaixo da superfície plana ) e, portanto, o desenho nas impressões feitas é em relevo (elevado acima da superfície). O desenho na impressão será uma imagem espelhada, daquele da matriz, o que é especialmente importante quando escritas, palavras ou letras são incluído no desenho, como muitas vezes acontece. Este não será o caso se o papel for gravado por trás, onde a matriz e a impressão são lidas da mesma maneira, e tanto a matriz quanto a impressão estão em relevo. No entanto, as gemas gravadas eram frequentemente esculpidas em relevo, chamadas de camafeu (“cameo”) neste contexto, dando uma impressão de “contra-relevo” ou entalhe quando usadas como selos. O processo é essencialmente o de um molde.
A maioria dos selos sempre deram uma impressão única em uma superfície essencialmente plana, mas na Europa medieval, os selos bilaterais com duas matrizes eram frequentemente usados por instituições ou governantes (como cidades, bispados e reis) para fazer impressões bilaterais ou totalmente tridimensionais em cera, com uma "etiqueta", um pedaço de fita ou tira de pergaminho, passando por eles. Essas impressões de selos "pendentes" ficavam penduradas abaixo dos documentos que autenticavam, aos quais a etiqueta de fixação foi costurada ou fixada de outra forma (os selos de um lado eram tratados da mesma maneira).
Guerreiro apoiando o camarada moribundo. Século I AC ou DC.(WP)
As cortes medievais da França e da Borgonha coletaram e encomendaram pedras preciosas e começaram a usá-las para retratos. O Museu Britânico tem o que é provavelmente um retrato sentado de John, duque de Berry, em talho-doce em uma safira, e o Hermitage tem um camafeu de Carlos VII da França.
O interesse também reviveu na Itália do início da Renascença, onde Veneza logo se tornou um centro de produção específico. Juntamente com as estátuas e sarcófagos romanos recém-escavados, as gemas antigas eram fontes principais para artistas ansiosos por recuperar um vocabulário figurativo clássico. Foram feitas cópias de gemas em bronze fundido, que circularam pela Itália e, mais tarde, por toda Europa. Entre muitos exemplos de empréstimos que podem ser rastreados com segurança, a joia Félix ou Diomedes de propriedade de Lorenzo de Medici, com uma pose incomum, foi copiada por Leonardo da Vinci e pode muito bem ter fornecido o ponto de partida para um dos ignudi de Michelangelo no teto da Capela Sistina. Outra joia de Lorenzo, forneceu provavelmente por meio de desenho de Perugino, uma pose usada por Rafael.
Desde o início do terceiro milénio a.C. até à Idade Média, foram produzidas selos de vários tipos nas ilhas do Egeu e na Grécia continental. No início da era minóica, estes eram formados por pedra macia e marfim e apresentavam formas características particulares. Na era minóica média, surge um novo conjunto de formas, motivos e materiais para os selos. A pedra dura requer novas técnicas de escultura rotativa. O final da Idade do Bronze é a época por excelência do selo em forma de lente e do anel de selo, que se prolongou nos períodos Arcaico, Clássico e Helenístico, sob a forma de gemas gravadas pictóricas. Estas eram uma importante forma de arte de luxo e foram colecionadas com entusiasmo, sendo o rei Mitrídates VI do Ponto o primeiro grande colecionador, de acordo com Plínio, o Velho.
Sua coleção caiu como despojo para Pompeu, o Grande, que a depositou em um templo em Roma. Plínio também explicou o significado do anel de sinete e, como, com o tempo, esse anel foi usado no dedo mínimo.
As gemas gravadas continuaram a ser produzidas e coletadas até o século XIX.
Sinete
Um sinete ou selo é uma peça que, mesmo existindo desde o início do terceiro milénio a.C. na Grécia Antiga, foi de larga utilização nos séculos XVI a XVIII.
É um pequeno objeto de metal como ouro ou prata ou mesmo bronze ou cobre (placa, coluna e até anel) usados como assinatura do proprietário e/ou responsável por uma Organização, para selar e autenticar documentos e cartas.
Importa salientar, que tal instrumento não é individual, mas sim coletivo, de Estados, Empresas, partidos políticos, Famílias, representando um grei, clã, messe ou outra denominação coletiva de mais de quatro pessoas, o famoso “Anel do Pescador”, usado pelo Papa, e/ou grande sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana, que é destruído ou cortado, no momento de sua morte.
Após a assinatura, a impressão é feita com um pouco de cera que é derramada sobre o papel no qual é prensado com o sinete, deixando um desenho pessoal, como um brasão, ou um símbolo.(WP).
os selos eram usados com bastante regularidade pela maioria das chancelarias reais ocidentais por volta do final do século X.
Na Inglaterra, poucos selos de cera sobreviveram de datas anteriores à conquista normanda, embora algumas matrizes anteriores sejam conhecidas, recuperadas de contextos arqueológicos: a mais antiga é uma matriz dupla-face de ouro encontrada perto de Postwick, Norfolk, e datada do final do século VII; o próximo mais antigo é uma matriz de meados do século IX de um bispo Ethilwald (provavelmente Æthelwald, bispo de East Anglia).
A prática de selar com cera desceu gradualmente na hierarquia social, de monarcas e bispos para grandes magnatas, para pequenos cavaleiros no final do século XII e para homens livres comuns em meados do século XIII. Passaram também a ser utilizados por diversas entidades colectivas, incluindo capítulos, catedrais, municípios, mosteiros, etc., para validar os actos executados em seu nome.
Na Ásia, selos têm sido usados no Leste Asiático como forma de identificação escrita desde a dinastia Qin (221 aC). Os selos da dinastia Han eram impressos em argila macia, mas a partir da dinastia Tang normalmente era usada tinta vermelha feita de cinábrio.
Mesmo nos tempos modernos, os selos, muitas vezes conhecidos como "chops" no inglês coloquial local, ainda são comumente usados em vez de assinaturas manuscritas para autenticar documentos oficiais ou transações financeiras. Tanto indivíduos quanto organizações possuem selos oficiais e geralmente possuem vários selos em diferentes tamanhos e estilos para diferentes situações.
Os selos do Leste Asiático geralmente trazem os nomes das pessoas ou organizações representadas, mas também podem conter poemas ou lemas ou mottos pessoais. Às vezes, ambos os tipos de selos, ou selos grandes que trazem nomes e lemas (mottoes), são usados para autenticar documentos oficiais. Os selos são tão importantes no Leste Asiático que os estrangeiros que frequentemente realizam negócios lá também encomendam a gravação de selos pessoais.
Moto
Um lema ou Motto, do latim muttum, murmúrio, por meio do lema italiano, “palavra ou sentença” é uma frase ou frase que expressa uma crença ou propósito, ou a motivação ou intenção geral de um indivíduo, família, grupo social ou organização. Os lemas (ou mottos) são geralmente encontrados predominantemente na forma escrita (ao contrário dos slogans, que também podem ser expressos oralmente), e podem resultar de longas tradições de fundações sociais, ou de eventos significativos, como uma guerra civil ou uma revolução. O lema pode estar em qualquer língua, mas o latim tem sido amplamente utilizado, especialmente no mundo ocidental.(WP)
Ex.:
Unus pro omnibus, omnes pro uno. Frase latina para “Um por todos, todos por um”.
Selo equestre de Gilbert de Clare, duque de Gloucester and Hertford,
cerca de 1218-1230 (WP).
Como vimos, no passado, os lacres de cera eram amplamente utilizados para selar cartas e documentos oficiais e particulares, garantindo sua autenticidade e privacidade. O processo de criação desses lacres envolvia os seguintes passos:
1. Preparação da cera: A cera utilizada para os selos era geralmente feita de uma mistura de cera de abelha e resina, podendo ser colorida com pigmentos. A cera era derretida em um recipiente pequeno, como uma colher ou um pequeno caldeirão.
2. Aplicação da cera: Uma vez derretida, a cera era gotejada sobre a área onde o documento ou a carta deveria ser selada, como a junção de uma aba de envelope ou a dobra de um documento.
3. Impressão do selo: Enquanto a cera ainda estava quente e maleável, um sinete ou carimbo era pressionado sobre ela. Esse sinete podia ser feito de metal, pedra ou outro material duro e geralmente tinha um desenho ou símbolo único, como um brasão de família, iniciais ou um emblema oficial. O sinete deve estar na mesma temperatura da cera para melhor impressão.
4. Resfriamento e endurecimento: Após a impressão do selo, a cera era deixada para esfriar e endurecer, fixando o selo no lugar e criando uma vedação que só poderia ser quebrada rompendo o lacre.
5. Verificação de autenticidade: O destinatário da carta ou documento poderia verificar a integridade do selo ao recebê-lo. Se o lacre estivesse intacto, isso indicava que o conteúdo não havia sido aberto ou adulterado desde que foi selado.
Os lacres de cera eram uma forma importante de garantir a segurança e a autenticidade das comunicações antes do advento dos envelopes modernos e das técnicas de selagem industrial. Eles também tinham um valor simbólico, representando a autoridade ou a identidade do remetente.
O lacre de cera é composto por três elementos principais: a cera, o sinete e a fita. A cera é derretida e aplicada no envelope ou documento, formando uma camada espessa o suficiente para criar uma superfície lisa e uniforme. Em seguida, o sinete, que é um objeto com um desenho ou símbolo gravado, é pressionado na cera ainda quente, deixando uma marca única e personalizada.
A fita é usada para fixar o sinete no envelope ou documento, garantindo que ele não seja removido ou substituído sem deixar evidências. A fita também pode ter um propósito estético, adicionando um toque de elegância ao lacre de cera.
Para abrir um lacre de cera, é necessário quebrá-lo ou cortá-lo com cuidado, o que torna qualquer tentativa de violação visível. Isso faz com que o lacre de cera seja uma forma eficaz de garantir a inviolabilidade de documentos importantes.
Sigilum ou lacre
As fórmulas variam, mas houve uma grande mudança após a abertura do comércio europeu com as Índias. Na Idade Média, o lacre era normalmente feito de cera de abelha e "terebintina de Veneza", um extrato resinoso amarelo-esverdeado do lariço europeu. A cera mais antiga deste tipo era incolor. Mais tarde, a cera ficou vermelha com vermelhão. A partir do século XVI, era composto por várias proporções de goma-laca, terebintina, resina, giz ou gesso e corantes (geralmente vermelhão ou chumbo vermelho), mas não necessariamente cera de abelha. A proporção de giz variou; notas mais grossas são usadas para vedar garrafas de vinho e conservas de frutas, notas mais finas para documentos. Em algumas situações, como na colocação de grandes selos em documentos públicos, foi utilizada cera de abelha. Ocasionalmente, a cera de lacre tem sido historicamente perfumada com âmbar cinzento, almíscar e outros aromas.
Em 1866, muitas cores diferentes estavam disponíveis:
ouro: usando mica
azul: usando esmalte ou verditer,
preto: usando preto de lâmpada “lamp black” ou picumã,
branco: usando branco de chumbo,
amarelo: usando o mineral mercúrio turpeth, também conhecido como Schuetteite,
verde: usando verdete entre outros pigmentos.
Alguns usuários, como a Coroa Britânica, atribuíram cores diferentes a diferentes tipos de documentos. Hoje, uma variedade de cores sintéticas está disponível.
Receitas
O principal ingrediente do lacre medieval é… cera! Cera de abelha, para ser mais preciso: os bastões duros e brilhantes vendidos como “lacre” são goma-laca (produzida por um besouro nativo do Sudeste Asiático) ou um substituto artificial. Utilizamos três fontes diferentes de cera de abelha e notamos que isso afetava o produto final, talvez explicando por que algumas receitas medievais especificam cera “branca”, “amarela” ou “pólen” (particularmente de alta qualidade).
A resina usada era geralmente colofônia, larício, é outro ingrediente chave da maioria dos selos, tornando a cera mais dura, e pigmento era frequentemente adicionados.
Com base em receitas do século XV do Trinity College Cambridge MS R.14.37 e da British Library MS Sloane 73, misturamos cera de abelha, colofónia e pigmento numa proporção de 16:4:1 e descobrimos que é importante continuar a mexer com entusiasmo para garantir que os ingredientes se misturam corretamente.
A cera de abelha começa a se tornar plástica por volta de 32°C, mas derrete a uma temperatura muito mais alta, todas as receitas afirmam que a resina deve ser adicionada então, mas não no calor direto, com o pigmento adicionado por último; a nossa mistura estava a 69°C quando a resina derreteu e o pigmento foi adicionado.
Assim, em uma panela, continuamos a experimentar, adicionando vermelhão (sulfeto de mercúrio II) para a cera vermelha e verdete (acetato de cobre II) para a cera verde, conforme especificado nas antigas receitas.
Teria sido impraticável passar por esse processo sempre que um documento precisasse ser selado, e o lacre era preparado com antecedência e formado em pequenos “bolos”. A receita do Trinity College especifica que, quando a mistura de cera estiver solidificada, mas ainda quente, ela deve ser “jogada” entre as mãos bem untadas, enrolada até formar uma salsicha ou rolo e fatiada para formar bastões. Uma solução fácil é despejar a mistura de cera líquida em moldes com formato de bastões.(imprintproject).
For to make reed wex. Take a pound of whight wex, and throwe therinne a quartroun of terbentyne, and melte hem two togidere; and if thou wolt asaye it if it be weel gummed, caste a litil in coold watir, and thanne asaye it if it be tendre, and if it be tendre it is weel gummed. Thanne loke thou have redy oz. 1 of vermyloun, smal grounde, al so smal as ony poudre, and whanne thi wex and thi terbentyne is hoot molten, anoon rijt throwe yn thi poudre of thi vermeloun, and sette it adoun of the fier, and styre it weel, and meynge it weel togidere til it be coold, and thanne thou hast good reed wex y-mad.
For to make grene wex. Take lj. 1 of whight wex, and quart 1. of terbentyne, and medle hem togidere, and asaye if it be weel gummed as thou haddist the rede wex right in the same maner, and thanne take an ounce of vertegrece smal broken, and y-grounden upon a marbil stoon, and throwe it in the matere, and styre it til it be coold, and thanne thu hast good grene wex.
Quartroun: quarter of a pound
Terbentyne is not spirit of turpentine, but terebinth resin. Dammar resin is used similarly in modern encaustic painting, mixed with beeswax to add gloss, toughness and hardness, and to raise the melting point. I have been unable to obtain terebinth resin, but I have experimented with mastic resin. Terebinth is produced by the terebinth tree, Pistacia terebinthus and Pistacia palaestina. Mastic is produced by the mastic tree, Pistacia lentiscus. They are members of the same genus, and so closely related that Pistacia saportae is believed to be a hybrid between P. terebinthus and P. lentiscus. Mastic and dammar have similar properties when used as a varnish or to temper wax, but less dammar needs to be added to the beeswax for the same hardness, and mastic is much more expensive. I experimented with a mixture of mastic and beeswax, in the proportion of the above recipe. Mastic has a higher melting point than beeswax, so I melted it first on a pan with a digital thermometer, and then mixed in beeswax. The result, as expected, was harder than untempered beeswax, with a higher melting point. It seemed somewhat softer than a typical recipe for contemporary encaustic medium which uses one part dammar resin to six parts beeswax, but a dammar based recipe could achieve similar hardness by adding more beeswax.
Wax for wax tablets would probably use a higher proportion of beeswax than sealing wax. Artists' encaustic medium would serve well as sealing wax, but I believe from my experiments that three parts beeswax mixed with two parts encaustic medium would serve better for a writing tablet. Encaustic medium using dammar resin is available, with our without pigment, from any well equipped art supply store. You can make it yourself, and if you want it in quantity you will spend less on materials. The process is tricky, however, since the temperature at which dammar resin dissolves is awkwardly close to the temperature beeswax starts to smoke. And smoking beeswax is a bad thing. For small projects, I believe prepared encaustic medium is a better starting point. (commonplace).
British Museum MS. Sloane, No. 73 in British Archaeological Association. 1845. The Journal of the British Archaeological Association: for the encouragement and prosecution of researches into the arts and monuments of the early and middle ages. London: British Archaeological Association. Vol. 1 p. 152
Em 1949, por exemplo, a seguinte receita foi recomendada para produzir o “melhor” lacre vermelho.
Goma-laca 35%
Vermelhão 26%
Terebintina de lariço 24%
Óxido de magnésio 6%
Óleo de linhaça 9%.
Geralmente, cores diferentes são obtidas pela adição de pigmentos minerais. Receitas mais antigas e fidedignas geralmente exigem o uso de pigmentos à base de chumbo, mercúrio ou outros metais pesados, que são tóxicas. Atualmente não se justifica mais seu uso.
As substâncias corantes típicas são, por exemplo:
vermelho: cinábrio, chumbo vermelho, óxido de ferro vermelho
verde: verdete, verde zinco
amarelo: amarelo de cromo, amarelo novo
ouro: pó de bronze e “espuma de ouro” (folha tombak)
azul: ultramarino
preto: fuligem de pinheiro, “Ivory black” (marfim queimado) ou atualmente osso queimado.
O uso de selos de cera, entretanto, só começou na Idade Média. No início, eram da alçada exclusiva de monarcas, bispos e cortes reais para uso na emissão de decretos oficiais e na autenticação de documentos. O uso de selos de cera tornou-se gradualmente mais democratizado, espalhando-se dos aristocratas aos mosteiros e corporações (por exemplo, os açougueiros assinavam acordos com um selo com a imagem de um porco ou de uma vaca) e, eventualmente, aos homens livres comuns no século XIII.
Cada indivíduo tinha o seu selo e, numa época em que muitos eram analfabetos, eles eram usados no lugar da assinatura para autenticar acordos, contratos, testamentos, cartas que conferiam direitos ou privilégios, qualquer ato executado em nome de alguém.
Anel com sinete individual
Utilizados nesta capacidade oficial, os selos às vezes eram colocados diretamente no documento, mas na maioria das vezes eram anexados no “estilo pendente”. O selo era aplicado a um cordão, fita ou tira de pergaminho e pendurado solto após ser inyroduzido em um orifício ou fenda na borda inferior do documento.
A cera em si era feita com 2/3 de cera de abelha e 1/3 de resina, proporção que mudou quase inteiramente para esta última no período pós-medieval. O Papa selava os seus documentos com uma bulla, um pedaço de chumbo, que acabou por dar o nome a estes documentos: bulas papais.
O termo bula refere-se não ao conteúdo e à solenidade de um documento pontifício, como tal, mas à apresentação, à forma externa do documento, a saber, lacrado com pequena bola (em latim, "bulla") de cera ou metal, em geral, chumbo (sub plumbo).
Assim, existem Litterae Apostolicae (carta apostólica) em forma ou não de bula e também Constituição Apostólica em forma de bula. Por exemplo, a carta apostólica “Munificentissimus Deus”, bem como as Constituições Apostólicas de criação de dioceses.
A bula mais antiga que se conhece é do papa Agapito I (535), conservada apenas em desenho. O mais antigo original conservado é do papa Adeodato I (615-618).
Dos séculos XI ao XV numerosos diplomas pontifícios com diverso valor jurídico, como as Constitutiones (leis gerais eclesiásticas) ou as Decretales (disposições de governo da Igreja, também chamadas litterae decretales) receberam a mesma forma de validação, ou seja, a aposição de um selo pendente de chumbo, designado por bulla, por ser o resultado da compressão de uma esfera de chumbo entre duas matrizes.
Tal forma de validação (a "bulla") passou a ser usada como designação de todos os diplomas pontifícios, ou, vulgarmente, bulas.
Além do selo pendente de chumbo, comum a estes diplomas, nas litterae iustitiae, ou seja, nas disposições de governo resolvidas pelo Papa em conformidade com o Direito, o selo está suspenso por meio de fio de cânhamo. Já nas litterae gratiae ou litterae tituli, disposições de governo em que o Papa graciosamente concede dispensas e indulgências solicitadas, o selo de chumbo está suspenso por fio de seda amarela e vermelha. No anverso do selo são representados em efígie os Apóstolos Pedro e Paulo e no reverso o nome e o numeral do Papa.
Durante o século XV a forma tradicional da bula ficou reservada aos diplomas mais importantes e os de teor comum ficaram chamados de litterae breves, com maior simplicidade de forma e com a aposição, sobre o diploma dobrado, de um selo de cera, o anel do Pescador, que representa São Pedro lançando as redes.
O anel do pescador, é um sinete que o pontífice sela cartas.
O anel do pescador
A matéria do selo era de chumbo, mas para acentuar a solenidade do diploma e a importância do assunto, em algumas ocasiões tais diplomas receberam selo de prata, dando origem às chamadas bulas argênteas. Em ocasiões ainda mais raras, o selo podia ser de ouro, o que dava origem às chamadas bulas áureas. Clemente XII e Bento XIV concederam entre 1737 e 1742 várias graças, formalizadas em sete bulas áureas.
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A cera era prensada com um selo manual ou com um anel de sinete. Este último, que remonta ao antigo Egito, era um símbolo de autoridade e poder e era usado pelos superiores tanto da aristocracia quanto da Igreja. Assim, o anel de sinete de um dignitário era frequentemente beijado por um diplomata ou visitante como sinal de lealdade ou submissão.
Os selos de qualquer tipo traziam um emblema gráfico no centro e apresentavam um motivo heráldico, uma imagem do próprio portador ou, no caso de uso eclesiástico, um santo. Circundando o emblema estava o lema ou motto do selo, muitas vezes simplesmente “O selo de [o nome do proprietário]” em latim ou vernáculo, ou às vezes o lema do proprietário, escrito em latim.
Como os selos eram símbolos de poder e eram usados para autenticar os desejos de uma pessoa ou autoridade, eles normalmente eram destruídos após a morte do proprietário para evitar falsificações póstumas. Por exemplo, quando um Papa morre (ou abdica), o primeiro dever do Camerlengo é destruir cerimonialmente o seu “Anel do Pescador” diante dos seus colegas cardeais. Este anel de sinete foi usado pelo Santo Padre pelo menos desde o século XIII até 1842 para selar primeiro a correspondência privada e depois os resumos papais. Após 1842, o selo foi substituído por um carimbo em tinta vermelha, mas um novo anel do Pescador ainda é fundido em ouro para cada novo Papa.(artofmanliness)
O destino do selo do Pescador do Papa seria partilhado pela maioria dos outros selos utilizados a título oficial. Exceto para uso cerimonial ocasional, os governos modernos substituíram quase inteiramente os selos de cera pelo carimbo de borracha e por uma variedade de tinta.
Usar um selo de cera da maneira como muitas vezes pensamos hoje, para manter uma carta fechada, garantir que não foi adulterada e confirmar que foi realmente escrita pelo suposto remetente, era praticado na Idade Média, mas não decolou realmente até o período pós-medieval. À medida que as viagens, a emigração e a colonização aumentaram, os selos de cera não foram aplicados simplesmente para manter a comunicação confidencial, mas como uma necessidade prática.
Antes das reformas postais britânicas e americanas de meados do século XIX, enviar uma carta era bastante caro; custava 25 centavos nos EUA enviar uma carta por mais de 450 milhas, uma quantia considerável naquela época. Além disso, a postagem era baseada na distância e no número de folhas. Um envelope teria contado como uma folha adicional, dobrando o custo, então os redatores das cartas usavam o máximo possível de um único pedaço de papel e depois o selavam com cera ou pasta para evitar despesas extras. Os envelopes eram considerados um luxo frívolo.
Depois que as reformas postais reduziram significativamente o custo da postagem e mudaram sua base do número de folhas para o peso total, a escrita de cartas tornou-se muito mais acessível às massas. O volume de cartas enviadas quintuplicou e, junto com esse boom, surgiu uma crescente indústria de envelopes. No início eram feitos à mão por papelarias, 25 de cada vez, mas esses envelopes cuidadosamente montados não incluíam adesivo… as papelarias também vendiam lacre! A sentença de morte para os selos de cera só veio na segunda metade do século XIX, quando foram desenvolvidas máquinas automáticas para dobrar envelopes e, mais importante, envelopes pré-gomados. Com algumas lambidas, uma carta poderia ser lacrada dentro de um envelope e enviada embora.
Hoje, usar selos de cera é tão desnecessário quanto correspondência manuscrita e, ainda assim, como muitas tradições antigas, é prazeroso sua pratica e acrescenta um pouco de distinção pessoal e elegância à sua comunicação.
Se você estiver interessado em criar selos de cera como os antigos e distintos cavaleiros de outrora, continue lendo, bom senhor!
MATERIAIS NECESSÁRIOS PARA CRIAÇÃO DE UM SELO
Fonte de fogo (fósforos, isqueiro, etc.)
Cera
Selo
Escolhendo sua cera
Tipo de cera
Os tipos de cera disponíveis hoje diferem principalmente quanto à sua flexibilidade ou elasticidade. As empresas modernas de cera mexeram nas fórmulas antigas para criar selos que pudessem passar pelo processamento usinado usado pelos serviços postais de hoje.
Em uma extremidade do espectro você tem a cera tradicional, feita de forma semelhante à cera dos séculos passados. A cera tradicional foi projetada para ser preservada de forma confidencial e, portanto, seca muito e quebra quando você a manuseia muito. A vantagem aqui é a autenticidade, a desvantagem é que o destinatário pode não gostar de lidar com os pedacinhos que se quebram e você não pode enviar esse tipo de selo pelo correio (consulte a seção “Meu selo conseguirá passar pelo correio?” abaixo).
Por outro lado, você tem lacres que são feitos com pistola de cola ou até mesmo pré-fabricados com adesivo. Eles parecem plásticos, são muito flexíveis e fáceis de aplicar e são projetados para envios em massa, como convites de casamento. Por motivos óbvios (uso de pistola de cola, faz com que desapareça que há de mais divertido nos selos, que é brincar com fogo), este tipo de “cera” não é recomendado.
No meio estão as ceras que parecem próximas da variedade tradicional, mas foram formuladas para serem mais flexíveis para que possam sobreviver ao envio pelo correio.
A propósito, pode ser possível usar cera de vela comum (parafina), mas por não ter resina, a cera de vela não gruda tão bem no papel, nem resiste a muito manuseio. Logo não é recomendada.
Cera com pavio vs cera sem pavio
As ceras tradicionais e flexíveis geralmente vêm em forma de bastão, com ou sem pavio embutido. Sem pavio é o mais tradicional; com pavio, o mais conveniente. Com um bastão sem pavio, você deve segurar o bastão de cera com uma das mãos e o fósforo ou fonte de fogo com a outra, mantendo-o próximo para derreter a cera. Com um bastão com pavio você simplesmente acende a ponta e depois deixa a chama trabalhar para derreter a cera. A desvantagem do bastão com pavio é que eles derretem a cera mais lentamente e podem produzir mais resíduos de fuligem, o que cria uma aparência marmorizada em seu selo que você pode gostar ou não. A desvantagem do bastão sem pavio, especialmente em uma variedade tradicional, é que leva mais tempo para derreter a cera do que para o fósforo queimar até os dedos. E a cera pode pingar no isqueiro descartável devido à proximidade que este deve ficar do bastão.
Na verdade, os entusiastas do selo de cera recomendam o uso de um isqueiro de butano (do tipo kitchen torch) com os tradicionais bastões sem pavio para evitar esses problemas.
Você não precisa usar lacres. Use uma cera flexível ao enviar itens pelo correio e cera tradicional para notas, coarctas, convites etc., entregues em mãos ou para fins decorativos.
Depois de escolher o tipo de cera que deseja usar, você deve escolher sua cor. Vermelho e preto são os mais tradicionais para os homens. Em Cartas escritas: sua ética e etiqueta, com observações sobre o uso adequado de monogramas, brasões e selos, de 1891, Arthur Wentworth Hamilton Eaton opina que “nenhuma outra cor além do preto e do vermelho é uma boa forma” e que o preto é uma cor apropriada para correspondência relacionada ao luto.
Dito isto, se você quiser deixar seu selo de cera como uma bandeira em verde ou azul, vá em frente. Você também pode fazer um selo bicolor, pressionando seu carimbo primeiro na “tinta” dourada ou prateada e depois na cera, todas as cores são permitidas e não existem cores determinadas para homens e mulheres como pensam conservadores e tradicionalistas.
1) J. Herbin traditional wickless wax, 2) J. Herbin supple wickless wax, 3) Nostalgic Impressions flexible wicked wax, 4) Nostalgic Impressions traditional wicked wax
1) Cera sem pavio tradicional J. Herbin, 2) Cera sem pavio flexível J. Herbin, 3) Cera com pavio, flexível da Nostalgic impressions, 4) Cera com pavio tradicional da Nostalgic impressions.
Segundo outros pesquisadores, as ceras perversas da Nostalgic Impressions são decentes, fáceis de usar e produzem selos bonitos. No entanto, eles produziam mais fuligem e tinham tendência a deixar cair pedaços de cera em chamas nos envelopes.
Os autores do artigo (Brett and K. M McKay, 2013), afirmam que não tiveram sorte com a cera tradicional J. Herbin, essa cera não derretia antes mesmo que a chama de um longo fósforo de cozinha alcançasse seus dedos. Por essa observação, pôde-se perceber que essa maneira não é a mais adequada para esse tipo de cera.
Para esses autores a sua favorita acabou sendo a cera flexível e implacável J. Herbin. Embora J. Herbin exista desde 1670, os autores estavam céticos de que o preço dessa cera, o dobro do preço da cera flexível Nostalgic Impressions, valeria a pena. Mas o bastão queimou facilmente com um fósforo de cozinha e produziu um selo rico, com uma cera muito lisa e sem fuligem que passou pelo teste do correio como campeão. O selo não quebrou sem se deformou.
No meu caso comprei um utensílio extremamente útil uma colher de uma época passada, usada na chama de uma vela, para aquecer pedaços ou grânulos de cera sem pavioobviamente. Funcionou perfeitamente. Depois de derretida a cera então é vertida ou derramada na área onde o selo é requerido para fechar o envelope.
Colher desadora de latão (cobre+zinco) para derreter cera.
Bastões de cera para selos (fonte: letterseals).
Escolhendo um carimbo de cera
A maioria dos selos hoje em dia são feitos com um selo de metal, geralmente de latão, preso a uma alça ou cabo; o selo pode ser removido e trocado por outro. Anéis de sinete (tradicionalmente gravados com o brasão ou brasão de família e usados no dedo mindinho esquerdo) também estão disponíveis, mas eu me sentiria um pouco bobo se conseguisse um, a menos que realmente descendesse de alguma família aristocrática do Velho Mundo. Porém, se você conseguir um, certifique-se de fazer seus convidados beijar o sinete do anel quando entrarem em sua casa.
Uma variedade de formatos de selos (sinetes) estão disponíveis; o círculo é o mais tradicional para os homens, enquanto o formato oval (elíptico) tem sido classicamente conferido às mulheres.
Que tipo de desenho você deve colocar em seu selo? Mais uma vez, longe de mim impedi-lo de desenhar um golfinho, mas tradicionalmente, os designs aceitos para o selo masculino eram a primeira letra de seu sobrenome, um monograma ou um brasão de família, se você tiver a sorte de ter um. Dito isto, as empresas podem fazer designs personalizados, por isso o céu é o limite. Para a correspondência que circulará entre os membros de um clube ou loja, um símbolo do grupo, como uma caveira, seria bastante apropriado.
Quando devo usar um selo de cera?
Como fazer um selo de cera
Se você é iniciante, talvez queira traçar o selo no envelope/papel antes de começar, para ter um bom alvo para as gotas de cera.
Derreta a cera. Se estiver usando um bastão sem pavio, segure-o em uma mão e o fósforo na ponta do bastão na outra. Coloque o fósforo e o palito diretamente sobre o local onde deseja fazer o lacre de cera e deixe a cera escorrer.
Se estiver usando um bastão com pavio, acenda-o e deixe-o queimar por um momento. Segure o bastão em um ângulo de cerca de 45 graus em relação ao papel e deixe a cera escorrer.
Deixe a cera pingar em uma poça do tamanho do seu selo (sinete). Se a certificar escurecida com a fuligem preta, especialmente se você estiver usando um bastão com pavio, é normal. Algumas pessoas gostam da aparência marmorizada que a fuligem confere às ceras mais escuras, mas se você quiser minimizá-la, mexer e alisar a cera conforme descrito na próxima etapa pode ajudar.
Mexa e dê forma à cera depositada no papel. Usando a ponta do bastão de cera (o lado sem pavio, se você estiver usando um bastão com pavio), mexa e modele a poça de cera ainda líquida para remover quaisquer bolhas de ar, dê-lhe uma espessura uniforme e molde-a no formato e tamanho do seu selo (sinete).
Usando fósforo para derreter a cera para selar o envelope. (artofmanliness).
Derreta a cera. Se estiver usando um bastão sem pavio, segure-o em uma mão e o fósforo na ponta do bastão na outra. Coloque o fósforo e o palito diretamente sobre o local onde deseja fazer o lacre de cera e deixe a cera escorrer.
Se estiver usando um bastão com pavio, acenda-o e deixe-o queimar por um momento. Segure o bastão em um ângulo de cerca de 45 graus em relação ao papel e deixe a cera escorrer.
Deixe a cera pingar em uma poça do tamanho do seu selo (sinete). Se a certificar escurecida com a fuligem preta, especialmente se você estiver usando um bastão com pavio, é normal. Algumas pessoas gostam da aparência marmorizada que a fuligem confere às ceras mais escuras, mas se você quiser minimizá-la, mexer e alisar a cera conforme descrito na próxima etapa pode ajudar.
Mexa e dê forma à cera depositada no papel. Usando a ponta do bastão de cera (o lado sem pavio, se você estiver usando um bastão com pavio), mexa e modele a poça de cera ainda líquida para remover quaisquer bolhas de ar, dê-lhe uma espessura uniforme e molde-a no formato e tamanho do seu selo (sinete).
Crie uma superfície úmida no selo. Se você não criar umedecer o selo antes de pressioná-la na cera, a cera quente pode ficar presa ou grudada no sinete (isso é mais um problema com ceras tradicionais versus ceras flexíveis). Portanto, respire, lamba ou passe o selo em uma esponja umedecida antes de mergulhá-lo pressionando-o na cera quente. Ou outra alternativa é aquecer o selo, ainda não testei essa hipótese. Se alguém testar aviar-me do resultado.
Pressionando o sinete na cera.
Pressione o selo na cera. Certifique-se de que a letra/desenho do seu selo esteja com o lado correto para cima. Pressione o selo firmemente na cera, segure-o por 5 a 10 segundos enquanto a cera esfria e endurece e, em seguida, remova-o com cuidado. Se você encontrar resistência ao tentar puxá-lo, deixe-o esfriar ainda mais.
Tenha cuidado. Você está brincando com fogo aqui, então tome cuidado para não segurar a chama muito perto do papel e fique atento às gotas de cera em chamas que podem cair do bastão.
Criar selos de cera é reconhecidamente muito divertido. Experimente!
ADENDO AO MODO DE APLICAR
A cera para selos está disponível na forma de bastões, às vezes com pavio, ou em grânulos. O bastão é derretido em uma das extremidades (mas não inflamado ou enegrecido), ou se granulado ou em pedaços esses são aquecidos em uma colher, normalmente usando uma chama de vela, e depois colocados quando necessário, geralmente na aba de um envelope. Enquanto a cera ainda está macia e quente, o selo (de preferência na mesma temperatura da cera, para obter a melhor impressão) deve ser pressionado rápida e firmemente e então liberado.
(Fonte: saffronvenue)
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