OSCAR MURILLO
Oscar Murillo, nasceu em 1986, é um artista colombiano que trabalha dentro da tradição da pintura. Atualmente, ele vive e trabalha em diversos locais, (Paris, Miami, New York, Londres…)
Oscar Murillo
A curadora e escritora Legacy Russell que o entrevistou, afirmou que o artista explora “o corpo em trânsito”, enquanto o curador Hans-Ulrich Obrist falou sobre um “desfoque […] entre arte e vida” que ocorre nas obras multidisciplinares de Murillo.
Em 2019, ele dividiu o prêmio Turner após solicitar, junto com seus colegas indicados (Tai Shani, Helen Cammock e Lawrence Abu Hamdan), que o júri concedesse o prêmio, pela primeira vez, aos quatro artistas nomeados.
A seguir apresento partes da entrevista que Oscar Murillo concedeu à curadora Legacy Russel, em 2013, e que jogam luz em sua obra. Para maiores informações, a entrevista original: Oscar Murillo by Legacy Russel, está aqui (1).
Obras de Oscar Murilo
(…)
Legacy Russell
O artista visual e multimídia Oscar Murillo vive e trabalha no leste da cidade de Londres. Quem conhece Londres sabe que a distância entre o leste e o centro não é algo que se possa menosprezar. Ainda assim, Murillo aparece despreocupado em sua bicicleta, amarelo neon e dobrada com cuidado ao entrar no café.
Murillo já teve sua cota de jornadas; ele é natural de La Paila, Colômbia, e atualmente reside em Londres. No dia anterior estava em Paris, e, amanhã estará em um avião para Miami.
Distância, deslocamento, movimento: esses são todos conceitos que Murillo explora em sua prática, uma manifestação de um corpo em trânsito, uma investigação incisiva do artista sobre as geografias do espaço, tanto na tela quanto fora dela, dentro do estúdio e no mundo além.
Nascido em 1986, Murillo é um recém-formado pela Royal College of Art de Londres. Pintor com um talento para o performativo, ele frequentemente trabalha com vídeo e instalações participativas. Enquanto conversamos, ele me mostra trabalhos recentes em seu computador, uma variedade de pinturas, além de documentações do que o artista chama de “festas em família”, filmes vibrantes, saturados de movimento e cor, de reuniões íntimas com seus amigos e parentes. Essas peças, quase como vídeos caseiros, são ilustrações de cerimônias localizadas e acontecimentos cotidianos, situadas a léguas de distância das caixas brancas do mundo da arte. Elas são uma janela para a celebração e o ritual de um público coletivo.
O arquétipo canonizado de um artista sozinho em seu estúdio, que está rapidamente desaparecendo à medida que avançamos nas marés de uma cultura global, é algo a que este artista, de forma refrescante, parece não dar muita importância.
Para Murillo, o ato de criar tem tanto potencial de liberação e funcionalidade dentro dos limites de um estúdio quanto em casa, na rua ou dentro de uma comunidade.
Em seu trabalho, ações e palavras, tinta e festas, todos falam no mesmo volume. Os objetos feitos por suas mãos flutuam de forma leve no reino do liminar, sempre aqui e ali, dentro e fora, em casa e no exterior, tudo ao mesmo tempo muito familiar e, ainda assim, de alguma forma, completamente intraduzível e até misterioso.
O uso de texto nas pinturas de Murillo ilustra os limites e as possibilidades apresentados pela linguagem; as palavras fazem parte de histórias que nem sempre são nossas, mas às quais nos apegamos.
A fisicalidade da pintura fornece uma estrutura sólida para dar o salto ao reino performativo, uma demonstração de desejo convivial. Aqui, o artista ergue uma taça de champanhe, e às vezes uma arepa, em vez de um espelho, um lembrete eloquente dos espaços que percorremos e um reflexo desses mundos e das construções que lhes conferem compostura e neutralidade.
Repórter
Eu queria perguntar a você sobre o neoconcreto, muitas pessoas que escrevem sobre o seu trabalho têm falado sobre a história do neoconcretismo. Esse movimento aconteceu por volta de 1959 a 1961 e está frequentemente associado a artistas brasileiros que trabalharam e viveram no Brasil. No manifesto neoconcreto, eles falam sobre a obra ser concebida como uma espécie de "quasicorpo", a ideia de que a realidade de uma obra não se esgota em seus elementos constitutivos. Em vez disso, a obra pode ter uma vida fora desses elementos, existir dentro de um espaço social ou público e, ao fazer isso, evitar uma especificidade estreita. Você tem alguma reflexão sobre isso?
Oscar Murilo
Obviamente, acho que o movimento neoconcreto daquele período no Brasil foi algo bastante forte. Havia artistas como Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape. A arte neoconcreta foi um catalisador na época. Acho que muito do trabalho, não que seja derivado do modernismo, é influenciado pelo modernismo. Mas eles foram capazes de se apropriar desse período rígido e austero do modernismo europeu; digeri-lo e produzir sua própria identidade. E eles abriram isso e tornaram acessível à sociedade. Acho que você poderia dizer que a prática deles era multifuncional e flexível, criando obras que são quase pragmáticas, algo que é arte.
Fonte




























































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