INÍCIO

29 outubro 2024

JOE TILSON

A SERIGRAFIA DE JOE TILSON 
(1928 - 2023)


Joe Tilson (British, 1928-2023), Transparency Clip-o-Matic Eye, 1969. Colour serigraph and collage on gold foil, 70 x 50 cm. Number 7/70.
Tiragem 70.

Joe Tilson. Transparency Clip-o-Matic Eye, 1969. Colour serigraph and collage on gold foil, 70 x 50 cm.

Joe Tilson inicia com uma série de pinturas do expressionismo abstrato inspiradas nas tonalidades e nas texturas da paisagem da Toscana com Summer (1959) ou September (1959), até às suas celebradas construções Pop de cores vibrantes, como Xanadu (1962). Aclamado em tempos como “o rei esquecido da arte Pop Britânica”, o seu percurso idiossincrático é celebrado em tempos recentes, em Londres, com duas grandes exposições antológicas, e o lançamento da primeira monografia sobre o seu trabalho.

Estudou na St. Martin’s School of Art (1949-52), na qual se deu um encontro decisivo com os colegas Leon Kossoff e Frank Auerbach – como Tilson fez notar, “seria como dizer que estive na Holanda e me cruzei com um sujeito chamado Rembrandt.” 
Depois de sair da escola de arte, foi estudar no Royal College of Art (1952-55), onde se aproximou de artistas emergentes como Peter Blake, Allen Jones, Patrick Caulfield e David Hockney, quando abandonando o trabalho de feição construtivista em madeira, cimento ou tecido, para se associar a essa primeira geração da arte Pop Britânica através do uso da fotografia, serigrafia e colagem. 
J. Tilson foi um dos artistas mais inventivos da sua geração no confronto das “belas artes” com a arte popular, conquistou o Rome Prize (1955) e foi viver para Itália durante dois anos. Após ganhar o Prémio da Fundação Calouste Gulbenkian em 1960, teve a primeira exposição individual em Londres, em 1962, e representou a Grã-Bretanha na Bienal de Veneza de 1964. 
A primeira retrospetiva do seu trabalho teve lugar no Museu Boymans van Beuningen em Roterdan (1971). Teve a primeira exposição individual em Londres, em 1962, e seria escolhido para o pavilhão britânico na Bienal de Veneza de 1964. Após uma breve temporada em Nova Iorque, desencantou-se com a cultura norte-americana. O crescente desencanto com a promiscuidade entre a cultura norte-americana, a máquina de guerra e a sociedade de consumo, provocou uma radicalização política da sua arte no final da década de 1960. 
Nos anos de 1970, decidiu mudar-se para a zona rural de Wiltshire, e cortou as ligações com os grandes centros urbanos e a cultura Pop para se dedicar a temáticas relacionadas com a mitologia grega e com as comunidades indígenas das Américas e da Austrália, aliando a intensidade colorida das suas abstrações a uma dimensão eminentemente simbólica e ecológica, próxima dos elementos da terra. Desde então, e numa busca incessante por novas direcções geográficas e artísticas, viveu a maior parte do tempo na Itália, (onde possuía uma casa na Toscana e uma em Veneza) e o foco em relação aos materiais foi mudando essencialmente para trabalhos em papel ou vidro. 

Em paralelo a um trabalho ininterrupto como artista por mais de setenta anos, ainda ministrou aulas na St. Martin’s School of Art e na Slade School of Fine Art em Londres, no King’s College em Newcastle upon Tyne, na School of Visual Arts em Nova Iorque, e na Hochschule für Bildende Kunste em Hamburgo. 
Na década de 2000, Tilson regressou a Londres, mantendo os seus estúdios em Cortona e em Veneza. Após ser eleito Royal Academician em 1991, tornou-se Senior Academician em 2003, um ano depois da Royal Academy ter montado a maior retrospetiva do seu trabalho. 
Foi um dos artistas recentemente escolhidos para integrar a coleção da residência oficial do primeiro-ministro britânico em Downing Street, e as suas obras podem ser encontradas em espaços públicos e em prestigiados museus de arte contemporânea ao redor do mundo. 


ALGUMAS OBRAS DE JOE TILSON





































(…) Um fluxo de gravuras altamente inovadoras, nas quais ele buscava quebrar todas as convenções da arte gráfica, caiu em minhas mãos inexperientes. Seus temas eram contemporâneos, suas técnicas revolucionárias, seus materiais mundanos, sua atitude iconoclasta. Em princípio, ele era o artista pop arquetípico — seu trabalho era "do momento", efêmero e abertamente político. De fato, nenhum outro artista teve uma obra mais política que a dele. Os artistas pop lidavam intencionalmente com o transitório, o modismo e o superficial. Tilson e seus contemporâneos, a maioria graduados pela Royal College of Art, mantinham uma relação de amor e ódio com um mundo no qual a mercadoria se tornou rei (...). 

(...) 

A tecnologia pode avançar, mas a natureza humana não muda. Políticos e políticas vêm e vão. A moda é momentânea. Em suas palavras: 
"Quando o homem tinha de lidar principalmente com a natureza, agora fica claro que todos os atributos da natureza, violência, imprevisibilidade, hostilidade implacável, 'vermelha de dentes e garras' etc. são, na verdade, atributos da natureza humana (ou da interpretação que o homem faz da natureza). Assim, a história do pensamento ocidental, que desemboca no materialismo vazio do Capitalismo e do Comunismo, precisa mudar de rumo se quisermos um futuro digno para a humanidade na Terra. Precisamos entender nossa própria natureza mais profundamente e nosso lugar no ambiente total do planeta."

Ele se propõe a encontrar, através da arte, seu lugar na Terra e contribuir para o legado artístico da humanidade por meio de um compromisso pessoal com seu próprio trabalho, um compromisso guiado pela história cultural em suas infinitas manifestações. A arte nasce de convicções passionais, e, na ausência de uma sociedade integrada, com visões compartilhadas coletivamente, essa convicção passional agora só pode ser pessoal." (J. Tilson)


(…) A stream of highly innovative prints, in which he sought to break every printmaking convention, poured into my inexperienced hands. His subject matter was contemporary, his techniques were revolutionary, his materials mundane, his attitude iconoclastic. In principle he was the archetypal Pop artist, his work was “of the moment”, transient and overtly political. Indeed no artist’s work was more political than his.
Pop artists intentionally dealt with the transitory, the fashionable and the superficial. Tilson and his contemporaries, most of them graduates from the Royal College of Art, enjoyed a love-hate relationship with a world in which the commodity became king (…). 

(…)

Technology may progress but human nature does not change. Politicians and policies come and go. Fashion is momentary. In his words: 

“When man had mainly to contend with nature –
it now emerges that all the attributes of nature – violence, unpredictability, implacably hostile – “red in tooth and claw’” etc etc are really those of human nature (or man’s interpretation of nature) – So that the history of Western thought ending
in the empty materialism of Capitalism and Communism must change direction if there is to be any worthwhile future for man on earth. We must understand our own nature more deeply and our place in the total environment of the planet earth.
He sets out to find through Art his place on earth and to contribute to the sum of human artistic achievement through a personal commitment to his own work; a commitment informed by cultural history in its myriad manifestations. Art comes from passionate convictions – and lacking a society which is integrated; with commonly shared views – the passionate conviction can now only be personal.” (J. Tilson)

 
***

JOE TILSON 
Artista Defensor entusiasta do ativismo político, da libertação sexual e da mudança social

(…) Numa entrevista ao The Art Newspaper no início do ano de 2023, Tilson disse: “Cheguei ao St Martin’s e quem também chegou? Frank Auerbach e Leon Kossoff. É como dizer que estive na Holanda e conheci um cara chamado Rembrandt.” 

Algumas de suas composições de Pop Art mais célebres incluem Secret (1963) e A-Z Box of Friends and Family (1963), uma homenagem peculiar a colegas e entes queridos.

O marchand Alan Cristea também prestou homenagem, dizendo: “Quando comecei a minha própria galeria em 1995, ele era a única referência constante. Continuamos a publicar suas edições juntos, ainda tecnicamente inventivos e gloriosamente coloridos e exuberantes. Seu amor pela gravura nunca diminuiu e sua generosidade nunca diminuiu. Ele foi um dos gravadores mais inventivos com quem tive o privilégio de trabalhar.”

Sobre a posteridade, Tilosn diz: “Não, não tem nenhum interesse. Não há nada que você possa fazer sobre o significado do seu trabalho. A vida da vida. Eu apenas aceito do jeito que vem. Muita coisa depende do acaso.” Palavras para serem guardadas. 



Alan Cristea e Joe Tilson


































Fontes 



















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