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27 outubro 2024

HADES

HADES

Ἅιδης ou Άͅδης
Haides ou Hades

O invisível Hades do grego antigo Ἅιδης ou Άͅδης, Hades para os romanos Plutão, era o Deus soberano do submundo, senhor absoluto dos mortos.

Após sua vitória sobre Cronos (Saturno) e os Titãs, os três irmãos olímpicos dividiram entre si o domínio do mundo: a Zeus (Júpiter) coube o reino do céu e da terra; a Poseidon (Netuno), o mar e as águas; e a Hades, as profundezas terrestres, chamadas Infernos, Érebo ou, ainda Hades como a própria divindade que as governa.

Os súditos desse deus subterrâneo são os mortos; seus companheiros, as criaturas infernais que o ajudam a manter a ordem no reino das sombras. 

Seu atributo peculiar, o dom de ser invisível, tal qual o seu mundo, vedado aos olhos dos vivos. 

Essa qualidade, advinda do capacete mágico que os Ciclopes lhe ofertaram durante a guerra contra Cronos, justifica o nome Hades, que em grego significa "invisível".

Raramente o deus dos mortos interfere nos assuntos humanos ou olímpicos, porém quando invocado, atua no sentido de auxiliar o cumprimento das vinganças, tornando eficazes as maldições. 
Entretanto, embora suas funções se refiram a morte e destruição, ele também apresenta uma faceta benéfica. 

É Hades quem propicia o desenvolvimento das sementes, enterradas nos limites de seus domínios, e favorece a produtividade dos campos. 

Por esta razão, os romanos chamavam-no de Plutão, "aquele que dá abundância". 

Na cidade de Libadélia, na Beócia, invocaram-no como Trophonios, "o que torna a terra fértil".

Na condição de divindade agrícola,ele geralmente era representado com traços mais suaves e empunhando a cornucópia, símbolo da abundância.

Seu culto associava-se então ao culto de Deméter (Ceres), a deusa da agricultura e da colheita. Juntamente com esta, era celebrado nos Mistérios de Elêusis, ritos comemorativos da fertilidade, das colheitas e das estações, que atenuaram a imagem temível do deus dos mortos para ressaltar o lado benéfico de seu caráter.

Além de Hades, Plutão, Trophonios, o deus recebia vários epítetos que procuravam ressaltar seus aspectos mais propícios aos mortais. 

Em Atenas e Ermioni (Ἑρμιόνη, Ἑρμιών), era invocado como Klymenos, "o ilustre"; nas ilhas Cíclades, era Eubuleus, "o que dá bons conselhos".

Chamavam-no ainda de Polydektes ou Polydégmon, "o que acolhe muitos hóspedes" (os mortos); Agesilaos, "o que reúne povos"; Isodaítes, "aquele que dá a cada um o que lhe pertence". 

Após o rapto de Core, passou a ser também Klytópolos, "de célebres cavalos", e Chrisênios, "das rédeas de ouro".

Sob qualquer desses nomes e epítetos, quando os antigos devotos queriam invocá-lo batiam no solo com as mãos ou com varas. 

Se ele não atendesse a esse apelo simples, faziam-lhe sacrifícios, oferecendo-lhe carneiros e cabras negras.

As orações podiam ser feitas diante de uma figura esculpida geralmente em mármore, a qual representa mais uma transposição da figura de Zeus do que um retrato definido do deus dos Infernos.

Caracterizam-no o cenho franzido, quase sinistro, os cabelos desordenados, a barba longa e em desalinho.

Sua vestimenta vermelha compõe-se de uma túnica e um pesado manto. 

Senta-se num trono, tendo ao lado o cão Cérbero. 

Esta é a representação mais famosa de Hades, que se encontra atualmente na Vila Borghese, em Roma.

Embora reinasse sobre os mortos e dispensasse suplícios eternos, Hades não se identifica com o Demônio da religião cristã.

Porque a ideia de um princípio do Mal, de uma entidade maligna que incita os homens ao pecado e exulta com o sofrimento, é desconhecida dos antigos gregos.

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