INÍCIO

07 outubro 2024

FILOSOFIA PRÁTICA

A construção do eu 
O Eu que aprende, transforma-se 
06/X/2924



O ensino nos graus filosóficos está centrado na lenda do assassinato de Hiram, o mestre dos arquitetos do Templo, um evento que eclipsou a Luz, a razão e a Verdade. Hiram é substituído em seu posto e seus assassinos são punidos com a morte por decapitação. 

Seria essa a essência de todo ser humano? A vingança, o assassinato, a violência contra a vida? Esses inimigos mataramm a Sabedoria, a Verdade e a razão, representada pela figura do Mestre arquiteto. 

Pergunto primeiramente por que esses três companheiros queriam a palavra sagrada? 
E segundo, que benefícios esperavam alcançar com a palavra se esta não vinha com o conhecimento necessário para permanecer no grau de mestre? 

Haveriam outros benefícios senão o da ostentação, a vaidade, do poder e do ganho ilícito? 

(Por ora fiquemos com esses questionamentos em aberto e pensemos sobre isso)

Aspectos arquetípicos representados pelos assassinos do Mestre Hiram. 

Do ponto de vista psicológico possuímos um ímpeto de obter conhecimento, poder, status, influência, riquezas; todavia se esse “ímpeto” não for educado pela luz da razão iluminada pelo método da meditação e pela “suave violência” dos mestres que nos educam em Sessões em nossos Templos, eles são somente isso: impulsos que podem levar a boas e más ações.

Se nosso EU age assim, o que diremos das instituições? (Pensemos sobre isso)

Todas elas, desde a família até as mais abrangentes, como os poderes da república e todas as outras instituições que a mantém a república e a democracia. 

Elas (as instituições) também padecem desse mal: o fascínio, a espetacularização da violência, especialmente nesta fase da máxima acumulação do capital. 

A minha tese é a de que O sono das instituições engendra monstros”, ou melhor, geram fascistas e a própria violência através  vingança, da perseguição. E é aqui que entram os ensinamentos dos antigos mestres filósofos. 

(Vamos abrir um parêntese aqui por um instante para uma breve explicação sobre a frase: “O sono das instituições engendra monstros”. Essa frase é um trocadilho entre entre o que deveria ser, o que detém a razão (as instituições deveriam concentrar a razão de toda a humanidade histórica) e a razão humana, que deveria ser a mente mergulhara no humanismo (na humanidade essencial, na empatia, na alteridades, na liberdade, na igualdade, na fraternidade e na justiça). 

O sono da razão engendra monstros, essa frase vem de uma gravura de Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828) pintor e gravador espanhol. Numa série de gravuras intituladas Caprichos, há uma a gravura em água tinta chamada de Capricho num. 43, “El sueño de la razón produce monstruos”. 

Goya, manifesta um encantamento pela forma como os desejos fluem na sociedade desligada do sentimento de culpa, ou seja, exatamente o inferno do mundo moderno. Ele também era capaz de entender seus horrores.

Francisco de Goya. Capricho num. 43, “El sueño de la razón produce monstruos”.

A gravura em questão, Capricho no. 43, intitulado “o sonho (sueño) da razão produz monstros”, mostra uma figura adormecida sentada em uma cadeira cujo torso se inclina sobre essa estrutura que parece ser uma mesa ou um grande bloco de pedra cúbica. Atrás da figura viam animais que povoam contos de horror como morcegos e corujas agourentas e aves de rapina.

O termo sueño possui um duplo sentido, o de “sono” e o de “sonho”, o que autoriza uma dupla interpretação dessa frase. 

Essa dupla interpretação pode ser chamada de dualidade ou ambiguidade, isto é, “el sueño de la razon” tanto pode significar que sem a razão as ações humanas enveredam para a violência dos apetites instintivos, uma vez que a razão (a razão prática aludindo a Thomas de Aquino) nos encaminha para as virtudes, quanto que mergulhar a razão, no sono, é igualmente uma experiência capaz de gerar monstros. (Fecho o parêntese sobre a explicação da gravura).

O êxito fascista das pesquisas e das urnas de ontem, hoje e o de amanhã, resulta de crimes de toda ordem. Tal como os fascistas do passado, (e é seguro dizer os do presente e aqueles do futuro), a extrema-direita devora artigo por artigo das legislações democráticas, tornando-os ineficazes. E como eles fazem isso? Com a anuência dos homens que estão nas instituições democráticas, aqueles que deveriam salvaguardar a razão. 

Assim, além de vigiarmos para não cometermos atos de violência contra nós mesmos (vícios) devemos estar atentos ininterruptamente para com as instituições democráticas, que apesar de serem democráticas (sede da razão constitucionalmente estabelecida) sucumbem facilmente ao espetáculo do fascismo. Pois o fascismo fascina assim como o vício é fascinante no momento exato de sua satisfação. 

Dessa forma, seguir as máximas escritas no pronaus do templo de Apólo em Delfos, seria um bom começo para educar o eu, e assim poder auxiliar na construção de uma sociedade onde exista Liberdade com Igualdade e Fraternidade. 

Eis as máximas délficas: 

1) Conhece a ti mesmo; 
Γνώθι Σεαυτόν, Gnōthi seauton.

2) Nada em excesso; 
Μηδὲν ἄγαν, Meden agan.

3) Faça promessa e problemas estarão próximos; (Não faça promessas nem a vc mesmo). 
Ἐγγύα πάρα δ' Ἄτα, Engúa pára d'Áta.

Era o que constava


Θαλες ο Πόρτο Αλέγκρε 

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