CHE GUEVARA: PRESENTE!
A HISTÓRIA POR TRÁS DO RETRATO DO REVOLUCIONÁRIO POR JUSTICA SOCIAL CUJO ASSASSINATO COMPLETA 57 ANOS EM 2024.
Che: Médico, jornalista, escritor, diplomata e líder revolucionário, Che nasceu nasceu em Rosário, na Argentina. Conheceu Fidel e Raúl Castro, outros dois importantes líderes da Revolução Cubana, em julho de 1955, durante o exílio dos irmãos no México. Foi durante esse encontro que se juntou ao “Movimento 26 de julho” e partiu para Cuba a bordo do iate Granma com o objetivo de derrubar o ditador Fulgencio Batista, autocrata que governava a ilha com o apoio dos Estados Unidos. Che rapidamente ganhou destaque entre os guerrilheiros. Foi segundo comandante, tendo exercido um papel fundamental na guerrilha que sairia vitoriosa em janeiro de 1959. Após o triunfo revolucionário, Che assumiu uma série de cargos-chave no novo governo. Entre outras funções, foi ministro das Indústrias, embaixador e presidente do Banco Central de Cuba. O líder revolucionário é constantemente lembrado como uma das figuras mais importantes do século XX.
Em 9 de outubro de 1967, há exatos 57 anos, o argentino Ernesto “Che” Guevara, uma das principais figuras da Revolução Cubana, foi assassinado em La Higuera, na Bolívia. Capturado por um pelotão comandado pelo capitão Gary Prado Salmón, o mais icônico líder revolucionário do século 20 seria executado pelo tenente Mario Terán com uma rajada de fuzil. Após uma operação de sucesso em Cuba, que consolidou a Revolução de 1959, e uma malfadada tentativa de compartilhar sua experiência no Congo, Guevara, especialista em táticas de ataque e fuga, decidiu liderar uma empreitada na Bolívia. Che entrou no país a partir do Brasil. Ele chegou a São Paulo em 4 de novembro de 1966 e se hospedou em um hotel da região central, onde se reuniu com os militantes brasileiros Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. De lá, partiu para a selva boliviana, onde treinou 47 combatentes. O grupo foi batizado de Exército de Libertação Nacional da Bolívia (ELN). Após 11 meses de combate, no dia 8 de outubro, o Exército boliviano bloqueou todas as possíveis rotas de fuga do grupo liderado por Che que foi encurralado no fundo da quebrada de Yuro, uma pequena garganta com cerca de 300 metros de comprimento e 50 de largura. Por volta das 13h30, ao tentar furar o cerco, o grupo de Che foi alvejado pelos militares da Bolívia. Quatro guerrilheiros foram mortos. Che ficou ferido. Embora 10 membros do contingente conseguisse fugir, metade acabaria morrendo nos dias seguintes. Che, Simeón Cuba Sarabia e o peruano Juan Pablo Chang foram capturados, levados a uma escola em La Higuera, interrogados e executados em 9 de outubro. (brasildefato).
Guerrilheiro heróico
Guerrillero Heroico, Guerrilheiro Heróico é uma fotografia de Che Guevara tirada por Alberto Korda em 5 de março de 1960 em Havana, Cuba durante um memorial dedicado às vítimas da explosão de La Coubre. A fotografia só foi publicada internacionalmente sete anos depois de ter sido tirada. De acordo com Korda, Guevara demonstrava “imobilidade absoluta”, “raiva” e “dor” no momento em que a fotografia foi tirada. Anos mais tarde, Korda declarou que seu retrato capturou todo “caráter, firmeza, estoicismo e determinação” que Guevara possuía. Che Guevara tinha 31 anos quando a fotografia foi tirada.
CHE GUEVARA DE ANDY WARHOL
Artigo de
5 de abril de 2020
O pôster deste mês é mundialmente famoso. Não só pela figura de Che Guevara, mas pelo inconfundível desenho da pop art, muito típico de um dos seus maiores expoentes: Andy Warhol, criador do famoso Díptico de Marilyn.
Mas... esse pôster de Che Guevara é mesmo de Andy Warhol?
Essa, caro leitor, é a história por trás do nosso cartaz.
Fotografia, o começo de tudo
Quem iria dizer ao fotógrafo Alberto Korda que a fotografia que tirou em 5 de março de 1960 durante o enterro das vítimas da explosão de La Coubre envolveria tantas pessoas e, por que não dizê-lo, nos daria tanta satisfação artística, aos amantes da arte?
La Coubre, era um navio de origem francesa, que foi alvo de sabotagem, explodindo no porto de Havana, provocando a morte de cem pesdoas e ferindo duzentos outros. As autoridades cubanas denunciaram-no como um ato terrorista da CIA.
Esse momento foi o que permitiu a Alberto Korda imortalizar Ghe Guevara, com sua famosa boina preta olhando para longe e com tensão e angústia no rosto. Korda capturou tudo em sua fotografia.
Foto original completa de Ernesto Guevara feita em 1960, por Alberto Korda.
Alberto Korda fez essa foto do Che, em Havana, no dia 5 de março de 1960.
Embora a fotografia só tenha se tornado famosa sete anos depois de ter sido tirada, após a morte de Che na Bolívia.
A razão foi que a editora italiana Giangiacomo Feltrinelli adquiriu os direitos de publicação do Diário de Che na Bolívia e imprimiu esta imagem num grande cartaz, juntamente com outras imagens que Korda também havia tirado.
Alberto Korda com a imagem de Che Guevara, emoldurada, ao fundo, numa mostra de fotografia, em São Paulo, em 1997. (Foto: Luiz Carlos Santos/Agência O GLOBO).
Inicialmente, apenas pequenas publicações cubanas usaram a foto, que só ficou conhecida globalmente após a morte de Che Guevara, em uma aldeia na Bolívia, no dia 9 de outubro de 1967. Uma das peças mais famosas cunhadas a partir do retrato é o pôster estilizado criado pelo irlandês Jim Fitzpatrick, naquele ano.
Em 1968, o americano Andy Warhol fez uso da mesma técnica para compor a obra que reproduz a imagem de Guevara diversas vezes, com cores diferentes, num processo gráfico igual ao que ele utilizou sobre imagens de Marilyn Monroe e outras celebridades. Em 2003, Madonna apareceu na capa do disco “American life” numa imagem que remete diretamente à foto de Korda. (oglobo, 2022).
Em Cuba, uma gigantesca estrutura de aço que reproduz os contornos do retrato de Korda, enfeita uma lateral do prédio do Ministério do Interior, em Havana. A fotografia também está impressa em relevo na moeda de três pesos do país caribenho.
Numa entrevista publicada pelo GLOBO em 2 de janeiro de 1989, Korda contou à agência de notícias AFP, detalhes de como fez afotografia, pela qual jamais tinha recebido sequer um tostão em direitos autorais.
No dia 4 de março de 1960, o cargueiro Le Coubre, que chegara a Havana com 76 toneladas de armas e munição para o exército cubano, estava sendo descarregado quando uma explosão no navio matou cerca de cem pessoas e feriu outras centenas. No dia seguinte, um sábado, Fidel Castro comandou uma marcha fúnebre com milhares de seguidores pelo Malecón, na orla de Havana, e fez um discurso responsabilizando a CIA, a agência de inteligência americana, pela explosão.
“Eu estava fotografando as pessoas presentes na tribuna quando, de repente, vi o Che com esse olhar fixo no infinito, essa expressão decidida. E achei que seria um ótimo retrato de sua personalidade”, descreveu Korda, que estava cobrindo o evento para o jornal cubano Revolución. “Foram feitas muitas fotos do Che. Mas nunca pensei que justamente a minha rodaria o mundo”.
O chefe de Korda no Revolución não se interessou pela imagem. O retrato passou anos desapercebido, até que, em 1967, o editor e ativista italiano Giangiacomo Feltrinelli apareceu no estúdio do fotógrafo em Havana, buscando imagens de Che Guevara para ilustrar a capa do livro que ele vinha planejando publicar, com os diários do guerrilheiro na Bolívia (o argentino chegara naquele país em 1966, para tentar dar início a uma revolução).
Korda sugeriu o retrato de sete anos antes, sem cobrar direitos autorais. De volta à Itália, o editor começou a espalhar pôsteres com a imagem, para gerar comoção em torno do perigo que Che Guevara, à época ainda vivo, corria no país latino.
Che Guevara. O italiano Jim Fitzpatrick com o pôster feito a partir da foto de Korda
(Foto: Divulgação)
Depois da captura e a execução do revolucionário pelo governo boliviano, o livro com os diários foi publicado levando na capa o retrato, que a partir daí se tornou mundialmente famoso, mais tarde recebendo o nome de “Guerrilheiro Heróico”.
De acordo com Korda, foi o próprio Fidel Castro quem entregou os diários de Che para Feltrinelli. “Na época, o direito autoral havia sido abolido em Cuba. Che foi morto dois meses depois do meu encontro com Feltrinelli. Com o livro, ele vendeu um milhão de pôsteres da minha foto, a cinco dólares cada”, relatou Alberto Korda.
Em meio às convulsões políticas que se espalhavam na sociedade ocidental nos anos finais da década de 1960, não demorou até o retrato de Che aparecer em protestos nas ruas de cidades como Milão, Paris e Nova York.
Ainda hoje, é comum ver o rosto do herói guerrilheiro estampado em cartazes durante manifestações que questionam governos ou o próprio modelo capitalista.
Alberto Korda, cujo nome real era Alberto Diaz Gutierrez, morreu no dia 25 de maio de 2001, aos 80 anos. Aparentemente, ele só reclamou publicamente do uso da sua foto de Che Guevara quando, em meados do anos 2000, a imagem apareceu numa campanha de marketing da vodca Smirnoff. “Utilizar a imagem de Che para vender vodca é uma ofensa. Ele nunca bebeu. A bebida não deve ser associada à sua memória imortal”, disse o fotógrafo ao jornal inglês The Guardian.
Na época, de acordo com uma reportagem na edição do GLOBO de 25 de agosto de 2000, o cubano estava processando a agência publicitária Lowe Lintas, criadora da campanha, e a Rex Features, que vendera a foto. Em setembro daquele ano, a Justiça determinou que ele deveria receber uma indenizaçao e que a campanha seria retirada de circulação. “Sou partidário dos mesmos ideais de Che, por isso não me oponho que reproduzam essa imagem no mundo inteiro para fortalecer sua memória e promover a luta pela justiça social, mas não posso aceitar que a usem para vender álcool ou desonrar a imagem do guerrilheiro”.
Che Guevara. Imagem reproduzida num muro em Havana, Cuba. (Foto: Yamil Lage/AFP)
Che Guevara. Obra de Andy Warhol sobre imagem de Alberto Korda. (Foto: Reprodução)
Aliás, Korda era comunista e nunca pediu direitos autorais, sua principal preocupação era que os valores da Revolução e a memória do Che fossem compartilhados e divulgados e para isso a divulgação de sua imagem era essencial.
E ele tinha razão, aliás a historiadora fotográfica Vicky Goldberg, no seu livro “O Poder da Fotografia” afirma que o retrato de Che “fez mais pela sua causa do que ele próprio conseguiu durante a sua vida”.
O retrato de Che Guevara
Um ano depois, em 1968, o artista irlandês Jim Fitzpatrick, a partir da fotografia de Alberto Korda, criou sua obra mais famosa: O Retrato de Che Guevara, em duas cores, preto e branco, embora posteriormente tenham sido feitas versões em outras cores.
Apresentou-o em diversas revistas mas foi rejeitado em todas, até que a revista alemã Stern o publicou pela primeira vez, com a imagem em vermelho e preto.
Imagem de Che Guevara de Jim Fitzpateck
Depois da maravilhosa foto de Alberto Korda, aquele Che olhando ao longe, que o Maryland Institute of Art (Estados Unidos) descreveu como a fotografia e ícone gráfico mais famoso do mundo no século XX, Jim Fitzpatrick chega e nos oferece esta obra, reproduzido tantas vezes.
Mas ainda temos mais uma versão da criação de Korda, desta vez cheia de ambição, dinheiro e mentiras, muito longe dos ideais que Korda tanto admirava.
Che Guevara por Andy Warhol
Enquanto tudo isso acontecia na Irlanda, do outro lado do Atlântico, em Nova York, Andy Warhol criava uma das obras de arte moderna mais influentes do mundo: o Díptico de Marilyn, usando a técnica de serigrafia. A fotografia em que foi feita a obra era um instantâneo publicitário do filme “Niágara”, estrelado por Marilyn.
ANDY Warhol. Díptico de Marilyn
No caso da figura de Che Guevara, foram utilizados os gráficos de Fitzpatrick, com o mesmo processo gráfico que havia sido utilizado com tanto sucesso na imagem de Marilyn Monroe (o processo serigráfico).
No entanto, a autoria desta obra tem sido altamente questionada e contestada e não se sabe se pertence a Andy Warhol ou ao seu assistente Gerard Malanga.
A fraude do trabalho de Warhol
Na verdade, Gerard Malanga logo se tornou uma figura importante no estúdio de Andy Warol, conhecido como “The Factory”. Na verdade, Malanga fez as suas próprias obras, poesias, filmes, etc. Tanto que no final dos anos 60 ele estava na Europa trabalhando em um filme, e Warhol havia prometido que quando terminasse lhe enviaria dinheiro para voltar aos Estados Unidos. Porém, os dias se passaram e ele não recebeu resposta de Warhol. Assim, para conseguir algum dinheiro, Malanga pensou em vender alguns quadros de Che Guevara, cuja popularidade crescia porque o herói da Revolução Cubana tinha sido recentemente assassinado na Bolívia.
Malanga fez o “exercício” de serigrafia que faziam na “The Factory” com Marilyn Monroe e vendia as obras como se fossem do próprio Warhol, totalmente alheio a toda esta circunstância.
Porém, Andy Warhol, ao saber da fraude, rapidamente autenticou a obra, mantendo todos os direitos sobre a obra.
Como já havia avisado, caro leitor, o altruísmo com que nasceu a imagem de Che Guevara se desvaneceu à medida que seu sucesso crescia e, claro, o dinheiro foi a causa principal.
A importância da imagem de Che Guevara
Tirsha Ziff, curadora de uma exposição sobre Che, disse à BBC que a imagem de Che Guevara se tornaria uma marca tão famosa quanto a Coca Cola.
E foi isso que a história mostrou. A foto de Korda atingiu o seu objetivo, dar a conhecer a imagem de Che Guevara.
Sua fotografia deu origem a inúmeros trabalhos, porém, ninguém nunca perguntou nada a Korda, e ele também não pediu nada... Bem, sim, ele fez isso uma vez: quando a imagem de Che deveria ser usada para anunciar uma marca de vodca. Korda não podia permitir isso.
Korka faleceu em Paris em 2001, e deixou-nos essa bela imagem, e sobretudo uma lição de bondade, generosidade e altruísmo.
É assim que vamos lembrar dessa história e de Alberto Korda.
Guerrilheiro Heróico. Foto de Alberto Korda.
Fonte
https://www.brasildefato.com.br/2019/10/09/ha-52-anos-ernesto-che-guevara-era-assassinado-na-bolivia








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