INÍCIO

21 dezembro 2022

SOLSTÍCIO DE DEZEMBRO

SOLSTÍCIO DE VERÃO 
NO HEMISFÉRIO SUL

21/XII/2022

Antes de existir o Natal cristão, provavelmente no paleolítico, c. 800.000 ou 6000.000 anos atrás,  havia um outro evento, que era comemorado da mesma maneira, com comida, uma árvore, muito provavelmente um Pinheiro (uma das poucas espécies que permaneciam verdes no inverno nevado), e luzes, (tochas), iluminavam a noite mais escura do ano no hemisfério norte. Esse evento que sempre ocorria por volta do dia 21 de dezembro, era o Sol estático ou solstício. 

O homem notou através de observações sistemáticas do céu, do sol, da lua e de certas estrelas errantes, os planetas, que estes astros se deslocavam entre as estrelas fixas.  
Havia um dia especial em que Sol saindo do trópico de Câncer (21/junho, solstício de verão) se deslocava para o sul e parava sua viajem sobre o trópico de Capricórnio no dia 21 de dezembro (solstício de inverno). A partir desse dia o Sol iniciava sua longa jornada de volta para o hemisfério norte, onde parava um dia sobre o trópico de Câncer em 21 de junho o solstício de verão no hemisfério norte. 

O festival que marca o solstício de inverno é o tempo em que a Criança do Sol renasce, que os dias voltam a se tornar mais longos e que a parte mais tenebrosa do inverno ficaria para trás. A partir desse dia contava-se 120 dias e seria primavera, quando ocorria outro evento notável, o Equinócio, marcando o início da primavera no hemisfério norte. No equinócio o número de horas de sol é igual ao número de horas de escuridão, e só acontece duas vezes no ano, no outono e na primavera. Nos dias 21 de março, equinócio de outono no hemisfério sul (equinócio de primavera do hemisfério norte) e no dia 21 de setembro, equinócio de primavera no hemisfério sul (equinócio de outono no hemisfério norte). 
Acredita-se que o Yule seja a festa sazonal mais antiga da Europa desde a Era do Bronze.
Yule significa “roda” em norueguês e a data também é conhecida como festival das luzes, por causa do costume de acender fogueiras e muitas tochas e velas nesta noite, para comemorar a lenta volta do Sol para o hemisfério norte. (darside)

Os antigos observaram surpresos, que o Sol a lua e os planetas, andavam sempre em uma mesma faixa do céu. Esses astros faziam um caminho circular que durava um ano e voltavam ao mesmo ponto. Esse círculo no qual astros se deslocavam na esfera celeste era especial e muito tempo depois do paleolítico e do neolítico, já na Era do Ferro, os gregos chamaram esse caminho e essa faixa no céu de Eclíptica. 

A medida que o tempo foi passando, mais e mais observações do firmamento foram sendo coligidas. Provavelmente por volta de 3.600 a 1.600 anos atrás, um observador e um ferreiro construíram o Disco de Nebra, a mais antiga representação concreta do firmamento.

Disco e de Nebra

O disco de Nebra foi encontrado por dois “caçadores de tesouros” Henry Westphal e Mario Renner enquanto procuravam por tesouros, com um detector de metal, num antigo assentamento da Era do Bronze. “Caçadores de tesouros” é um eufemismo para ladrões de túmulos da antiguidade, que escavavam ilegalmente um sítio arqueológico na cidade de Nebra, em 1999, em Mittelberg, nas proximidades da cidade de Nebra em Sachsen-Anhalt, (Estado da Saxônia-Anhalt, Alemanha), a 270 quilômetros de Berlim

O disco de Nebra é feito de bronze, possui  uma massa de 2,2 kg (dois quilos e 200 gramas) e mede cerca de 32 centímetros de diâmetro, sendo quase perfeitamente circular. (1,2)

Nele estão representados incrustações em ouro que representariam um barco, o Sol, a Lua e estrelas. Através de dois arcos nas bordas da peça, provavelmente acrescentados em eras posteriores, pode-se determinar os solstícios de inverno e verão. 

Saber determinar com precisão o início das estações do ano era uma tarefa importante, para não dizer essencial, para identificar os períodos de semeadura e colheita e da caça para a sociedade da era do bronze que dependia da agricultura e do que a natureza concedia sazonalmente, em numa época em que ainda não existiam calendários. 

No disco sete pontos de ouro provavelmente representariam as Plêiades (na mitologia grega, as sete filhas de Atlas) na constelação do Touro (Taurus na mitologia grega), como eram vistas entre 3.600 e 1.800 anos atrás (1,2).

Representação gráfica do Disco de Nebra 
(2)

No hemisfério sul, hoje dia 21 de dezembro o Sol chega no trópico de Capricórnio, e marca o dia mais longo do ano e a noite mais curta (nesse dia o Sol “para” em cima da cidade de São Paulo). Amanhã ele estará indo embora em sua interminável viajem entre os trópicos. Os dias começarão a ficar mais curtos e as noites mais longas até o dia 20 de março quando o Sol cruza o equador celeste. Nesse dia teremos o equinócio onde a noite e o dia são iguais. O Sol continuará seu trajeto pela eclíptica até chegar no trópico de Câncer em 21 de junho quando teremos a noite mais longa e o dia mais curto (solstício de inverno no hemisfério Sul). E daí ele inicia sua lenta volta para o hemisfério sul. 
Note que a descrição é como se o mundo, o cosmo, fosse Ptolemaico: o Sol viaja, o Sol chega, o Sol para, etc. mas na realidade é a Terra que se move ao redor do Sol, e como nossa estrela é um ponto de meio grau no céu parece daqui que é ele que está se movendo. Se você estender a mão a frente de seu roso o diâmetro angular do dedo mínimo representa 1 grau, o tamanho do sol no céu. 

Tomando medidas no céu com o braço estendido. 




Diâmetro angular dos diferentes dedos da mão. Usando esse método podemos também calcular o tempo que resta de luz num dia.

Pôde-se ver, que o homem desde que se tornou uma espécie bípede, em um passado longínquo,  tem seus olhos voltados para o céu. 
Da regularidade, harmonia e estabilidade aparente do firmamento, o Cosmos, ele regula sua vida e sua cultura. 
Vamos festejar esse dia como os antigos festejavam na simplicidade e na alegria de nossa passagem efêmera por essas paragens onde nos encontramos atualmente. 
Que seja um recomeço de um novo ciclo cheio de luz e esperança.













COMEMORAÇÃO EM STONEHENGE 



Normalmente uma barreira impede que as pessoas toquem nas pedras, mas as regras são relaxadas em datas comemorativas (bbc)


Fonte 

















 

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