O capitalismo é muito mais do que um mecanismo de acumulação de capital através da exploração da vida, transformando a vida em trabalho morto. Como diria o pensador: o capitalismo é a transformação das forças vivas em trabalho morto (K. Marx). É, sobretudo, uma formação social, uma máquina de produção de subjetividades.
Portanto, a ideologia capitalista e seus corolários é o que naturaliza as desigualdades e permite o funcionamento das estruturas de opressão e alienação do ser humano.
Se ele transforma a força viva em trabalho morto ele (o capitalismo) poderá e talvez esteja destinado a se autodestruir, destruindo a sua própria base social, o meio de vida da classe média; arrastando as classes médias a algo parecido com a existência precária dos sobrecarregados trabalhadores que aqueles tanto desprezam e temem.
Desta forma a dinâmica das contradições do capitalismo caminha para duas vertentes de possibilidades: socialismo ou barbárie.
O capitalismo promete com seu arcabouço ideológico um melhor padrão de vida e uma existência mais estável e previsível.
Mas o que se observa, na Grã-Bretanha, nos EUA e em todos os outros países desenvolvidos nos últimos 20 ou 30 anos, é exatamente o contrário que vem ocorrendo.
A segurança do emprego não existe, as atividades e as profissões do passado em grande parte acabaram, tudo se transformando em mercadorias que podem ser negociadas, e as carreiras que duravam uma vida inteira são meramente lembranças.
Se as pessoas têm qualquer riqueza, isto está nas suas casas e propriedades, mas os preços dos imóveis nem sempre crescem. Quando o crédito fica restrito como é o tempo que estamos vivendo, eles podem ficar estagnados por anos.
Uma minoria cada vez menor pode contar com uma pensão ou aposentadoria com a qual pode viver confortavelmente, e não são muitos os que tem economias significativas no mundo de hoje, que os possibilite a viver por um período longo de tempo.
Mais e mais pessoas vivem um dia de cada vez, com pouca noção do que o futuro pode reservar.
As pessoas da classe média costumavam imaginar as suas vidas desdobradas em uma progressão ordenada. Todavia não é mais possível olhar para uma vida como uma sucessão de estágios em que cada um é um passo dado a partir do último.
E tem mais, devido a transformação de tudo em mercadoria e devido à concentração absurda de capital nas mãos de poucos o ambiente se deteriora a uma velocidade astronômica quando comparada com as taxas de mudanças históricas registradas no passado.
segundo os cientistas ambientais ou iniciamos agora o controle sobre o impacto do capitalismo sobre a natureza ou será tarde demais. O capitalismo não se auto destruirá somente destruindo as classes médias, mas destruirá o ambiente impedindo os serviços prestados pelos elementos naturais.
“Socialismo ou barbárie” (Rosa Luxemburgo).
Tudo indica e aponta para nossa proximidade maior com a barbárie do que do socialismo. Estamos caminhando a passos largos e em alta velocidade para a barbárie. É isso é verdade que temos um exemplo na frente do nosso nariz e no qual vivemos intensamente nos últimos quatro anos (gov. Bolsonaro).
É provável que tenhamos que entrar na barbárie para então iniciarmos uma revolução para o socialismo. Entretanto, se chegarmos na barbárie o ambiente já terá passado do ponto de não retorno, do ponto no qual ele se pode auto-regular e se regenerar. Se assim for pereceremos antes de alcançarmos o socialismo e a dignidade de todos os seres desde universo.
“Socialismo ou barbárie” (Rosa Luxemburgo).
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