EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Duas cartas organizadas pela sociedade civil em defesa do Estado democrático de Direito e do sistema eleitoral brasileiro serão lidas oficialmente na manhã desta quinta-feira (11), na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Centro da capital paulista.
A data foi escolhida por marcar o aniversário da criação dos cursos de direito no país e coincide com a leitura de um manifesto no mesmo local, em 1977, para denunciar a ditadura militar, que subtraiu direitos e matou opositores do regime.
Na avaliação de Dimas Ramalho, presidente do Tribunal de Contas de SP e um dos organizadores do evento, "o movimento é a vacina pra que tenhamos eleições livres no Brasil em outubro".
Por volta das 9h, o público começava a ocupar a área externa do prédio da Faculdade de Direito da USP com cartazes contra a fome, cobrando respeito ao voto e estado de direito sempre.
Em uma mesa instalada no local, pães que serão doados formavam a palavra 'Democracia'.
O protesto é organizado pelo coletivo “Banquetaço”, que reúne chefes de cozinha, estudantes, MST.
"Com barriga vazia, não existe democracia", afirmam os integrantes do coletivo.
Apenas pessoas convidadas poderão participar dos eventos, mas, na área externa da faculdade, foram instalados telões para que o público possa acompanhá-los.
A primeira carta, intitulada "Em Defesa da Democracia e da Justiça”, tem como signatárias 107 entidades, entre associações empresariais, universidades, ONGs e centrais sindicais, e será lida às 9h30 no Salão Nobre da faculdade.
"As entidades da sociedade civil e os cidadãos que subscrevem este ato destacam o papel do Judiciário brasileiro, em especial do Supremo Tribunal Federal, guardião último da Constituição, e do Tribunal Superior Eleitoral, que tem conduzido com plena segurança, eficiência e integridade nossas eleições respeitadas internacionalmente, e de todos os magistrados, reconhecendo o seu inestimável papel, ao longo de nossa história, como poder pacificador de desacordos e instância de proteção dos direitos fundamentais", diz um trecho do texto, que foi publicado em jornais de grande circulação do país no último dia 4 (leia a íntegra do documento).
Na sequência, às 11h30, nas arcadas, juristas lerão a “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado democrático de Direito”, organizada por ex-alunos da faculdade e que, até as 22h30 da quarta (10), contava com mais de 894 mil signatários.
Os primeiros a aderir a este movimento foram ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), artistas, acadêmicos, banqueiros e empresários. Desde quando foi aberta a toda a sociedade, a carta já foi endossada por 727 porteiros, 8.973 desempregados, 5.045 enfermeiros, 4.217 motoristas, 6.619 policiais, 519 delegados de polícia, 28.868 engenheiros, 15 mil médicos e 4231 magistrados, entre outros, segundo os responsáveis pela iniciativa.
Os presidenciáveis Lula (PT), Ciro Gomes(PDT), Simone Tebet (MDB), Felipe D’Ávila(Novo), Soraya Thronicke (União Brasil), Sofia Manzano (PCB), Léo Péricles (Unidade Popular) e José Maria Eymael (Democracia Cristã) também a assinaram, assim como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso(PSDB) e Dilma Rousseff (PT).
“Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional. Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão”, diz trecho da carta (leia mais abaixo a íntegra do texto, que foi publicado também em inglês, espanhol, francês, italiano e alemão).
O documento, que foi lançado depois de seguidos ataques do presidente Jair Bolsonaro(PL) contra as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro, não cita seu nome. Bolsonaro não a endossou e fez críticas.
A carta também recebeu quase 20 mil tentativas de fraude desde que foi lançada, segundo o procurador-geral do Ministério Público de Contas de São Paulo, Thiago Pinheiro Lima, um dos organizadores da iniciativa.
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